Mba Executivo Em Liderança E Gestão
18 de junho de 2026
Liderança Mobilizadora: Engajamento e Transformação Cultural
Francine Franceschi Fiorese; Luiz Gustavo Antonio de Souza
Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.
O cenário corporativo contemporâneo exige das organizações uma nova forma de liderar, transcendendo a mera gestão de processos e metas operacionais. Em ambientes caracterizados por rápidas mudanças, diversidade geracional, transformações tecnológicas e uma crescente necessidade de inovação, a liderança precisa mobilizar pessoas, criar conexões significativas e influenciar positivamente a cultura organizacional (Schein, 2010; Laloux, 2015). A importância da liderança para o desempenho organizacional é amplamente evidenciada na literatura especializada. Estudos da McKinsey & Company (2022) indicam que organizações com lideranças mais conectadas às pessoas e alinhadas a culturas de aprendizado contínuo apresentam, em média, 25% maior lucratividade. Pesquisas publicadas pela Harvard Business Review (2021) apontam que líderes capazes de mobilizar emocionalmente suas equipes contribuem para a construção de ambientes de segurança psicológica, fator essencial para colaboração, criatividade e inovação (Edmondson, 2019).
Dados recentes reforçam essa relação entre liderança e desempenho organizacional. O Great Place to Work Brasil (2023) aponta que aproximadamente 70% das variações nos níveis de engajamento das equipes estão diretamente associadas à qualidade da liderança exercida pelos gestores imediatos. O relatório State of the Global Workplace da Gallup (2021) indica que organizações com altos níveis de engajamento apresentam produtividade 21% superior e menor rotatividade de colaboradores. Apesar dessas evidências, muitas organizações ainda operam com modelos de liderança baseados predominantemente em controle, previsibilidade e foco excessivo em resultados de curto prazo. Embora esse modelo tenha sido funcional em contextos organizacionais mais estáveis (Kotter, 2012), ele se mostra cada vez menos eficaz diante das demandas atuais do mercado e das expectativas das equipes. A literatura aponta que lideranças pouco preparadas para lidar com aspectos humanos e relacionais podem gerar impactos significativos no ambiente organizacional. Segundo pesquisa da Gallup (2019), 84% dos profissionais relatam já ter sido negativamente impactados por líderes que demonstravam baixa capacidade de gestão de pessoas. Esse cenário tende a resultar em redução do engajamento, aumento da rotatividade de talentos e ambientes menos propícios à inovação e à aprendizagem coletiva (Edmondson, 2019).
A liderança é um dos fenômenos mais estudados e, ao mesmo tempo, mais desafiadores da gestão contemporânea. Definir o que é liderar envolve compreender não apenas a posição hierárquica de um indivíduo, mas, sobretudo, a capacidade de influenciar pessoas e direcionar comportamentos em direção a objetivos comuns. Northouse (2021) define liderança como um processo no qual um indivíduo influencia um grupo de pessoas para alcançar um propósito compartilhado. Essa definição reforça a natureza relacional e dinâmica da liderança, pois ela não é um traço fixo, mas uma interação contínua entre líder, liderados e contexto. Edgar Schein (2010), referência em cultura organizacional, sustenta que a liderança e a cultura são dois lados da mesma moeda: “os líderes criam e gerenciam culturas; e, quando essas culturas se estabelecem, é a cultura que forma os novos líderes”. Assim, liderar é, essencialmente, formar significado coletivo, atuando como um agente de cultura capaz de traduzir valores em comportamentos e práticas organizacionais tangíveis. Nesse sentido, a liderança é menos sobre controle e mais sobre mobilização, movendo pessoas através de propósito, confiança e sentido compartilhado. A literatura contemporânea também reconhece que a liderança é desenvolvível, e não apenas uma característica inata. John Maxwell (2011) afirma que “a liderança é influência, nada mais, nada menos”, e que essa influência pode ser cultivada por meio da autopercepção, da prática deliberada e do feedback contínuo. Essa visão é reforçada por Kouzes e Posner (2017), que, em suas pesquisas longitudinais, identificaram cinco práticas universais de líderes exemplares: modelar o exemplo, inspirar uma visão compartilhada, desafiar o status quo, capacitar outros a agirem e encorajar o coração. Tais práticas não dependem de carisma ou talento natural, mas de habilidades que podem ser aprendidas e aprimoradas. Sob a ótica da inteligência emocional, Daniel Goleman (1998) trouxe uma das maiores contribuições ao demonstrar que as competências socioemocionais respondem por até 85% da eficácia de um líder. Entre elas, destacam-se: autoconhecimento, autogestão, empatia, habilidades sociais e motivação intrínseca. Líderes emocionalmente inteligentes são capazes de criar ambientes de confiança, motivação e desempenho sustentável, elementos essenciais para mobilizar equipes em tempos de mudança e incerteza. Essa tese é corroborada por pesquisas da Harvard Business Review (2021), que indicam que times liderados por gestores emocionalmente inteligentes apresentam níveis 30% superiores de engajamento e colaboração. Além do componente emocional, a liderança também se ancora em competências cognitivas e estratégicas. Henry Mintzberg (2009) enfatiza que o líder eficaz equilibra três papéis fundamentais: o de gestor (foco em estrutura e processos), o de líder (foco em pessoas e cultura) e o de estrategista (foco em propósito e direção). A ausência de equilíbrio entre esses papéis gera distorções: líderes técnicos demais perdem conexão humana; líderes inspiradores sem foco perdem execução. Assim, a liderança que move pessoas requer integração entre pensamento analítico, emocional e sistêmico. Do ponto de vista da aprendizagem, Peter Senge (1990) propõe o conceito de organizações que aprendem, em que a liderança é exercida de forma distribuída, por meio do incentivo à reflexão, ao diálogo e ao desenvolvimento coletivo. Ele afirma que “as organizações só aprendem por meio de pessoas que aprendem”, e cabe à liderança criar o ambiente onde o aprendizado é possível. Isso implica em desenvolver líderes que atuem como facilitadores e arquitetos de sistemas de aprendizado contínuo, uma competência cada vez mais central em contextos de inovação e transformação digital. Em síntese, liderar é um ato de serviço, aprendizado e influência. As pesquisas contemporâneas indicam que os líderes mais eficazes são aqueles que desenvolvem simultaneamente quatro dimensões interdependentes (Goleman, Boyatzis & McKee, 2002): autoliderança, que envolve o domínio de si, clareza de propósito e coerência interna; liderança interpessoal, caracterizada pela capacidade de construir relações de confiança e empatia; liderança sistêmica, que se refere à leitura contextual e atuação estratégica no ecossistema organizacional; e liderança inspiracional, que é a habilidade de comunicar propósito, significado e visão. Portanto, a liderança não é um dom, mas um processo de desenvolvimento contínuo que exige autoconsciência, prática e intencionalidade. Desenvolver líderes que movem pessoas e redefinem culturas requer investir em programas que combinem autoconhecimento, inteligência emocional, competências relacionais e visão sistêmica, dimensões que, quando integradas, transformam a liderança em um motor de evolução organizacional. Diante desse contexto, o objetivo consiste em apresentar uma proposta estruturada para o desenvolvimento de lideranças capazes de mobilizar pessoas e contribuir para a evolução das culturas organizacionais.
A metodologia empregada para o desenvolvimento da proposta caracteriza-se como um Business Case, que envolveu uma análise aprofundada do papel da liderança no engajamento de equipes e na evolução da cultura organizacional em contextos corporativos dinâmicos. A pesquisa é de natureza analítica e propositiva, fundamentada na revisão de literatura especializada e na análise de dados organizacionais. O estudo não se limitou a um local físico específico, mas considerou o cenário corporativo contemporâneo, caracterizado por mudanças aceleradas e crescente necessidade de inovação, abrangendo um período de análise que reflete as tendências atuais de gestão e liderança. A amostra implícita do estudo são os líderes e equipes dentro de organizações que enfrentam os desafios de engajamento e cultura.
Os instrumentos de diagnóstico e avaliação propostos para o método “Lideranças que Movem” incluem assessments de perfil, feedback 360°, pesquisas de clima organizacional, análises de HR Analytics para o turnover de talentos estratégicos e surveys de liderança para medir a segurança psicológica. Para a fase de desenvolvimento, são previstos workshops e trilhas de liderança, além de projetos práticos a serem implementados pelas equipes. O monitoramento contínuo de indicadores é uma ferramenta essencial para acompanhar o progresso. O método de desenvolvimento “Lideranças que Movem” é estruturado em quatro dimensões complementares: Autoconhecimento (Eu Líder), Conexão (Eu com o Outro), Aplicação (Eu em Ação) e Cultura Viva (Nós como Sistema). A dimensão de Autoconhecimento foca na clareza de propósito e coerência interna do líder, utilizando ferramentas como assessments de personalidade e valores, além de sessões de feedback 360° e acompanhamento reflexivo. A Conexão visa fortalecer as relações interpessoais e a empatia, por meio de atividades que promovam o diálogo e a compreensão mútua entre líderes e liderados. A Aplicação concentra-se na prática deliberada das competências de liderança em projetos reais e desafios do dia a dia, transformando o aprendizado em ação. Por fim, a Cultura Viva busca a construção de um ambiente organizacional que promova a confiança, o aprendizado contínuo e a colaboração sistêmica.
O processo de coleta de dados para validação da efetividade do método será realizado em dois momentos distintos: um diagnóstico inicial, antes da implementação do método, e uma avaliação final, após a conclusão de um ciclo de desenvolvimento de seis meses. Essa abordagem permite comparar os indicadores de desempenho organizacional antes e depois da intervenção. Os dados quantitativos serão coletados por meio de pesquisas de clima para engajamento das equipes, sistemas de HR Analytics para o turnover de talentos estratégicos e surveys de liderança para a segurança psicológica. Além disso, serão conduzidas entrevistas semiestruturadas com líderes participantes, com duração média de 45 minutos, para capturar percepções qualitativas sobre aprendizados, desafios e mudanças no exercício da liderança. A análise dos dados será realizada por meio de análise de conteúdo temática (Bardin, 2016) para os dados qualitativos, e triangulação de dados, conforme as recomendações metodológicas de Creswell (2014), garantindo a robustez das conclusões. O monitoramento dos indicadores será conduzido pela área de Recursos Humanos em conjunto com a liderança organizacional, com avaliações semestrais voltadas à identificação de oportunidades de aprimoramento do método.
A análise da situação atual revelou que os níveis de engajamento das equipes estão em aproximadamente 65%, o turnover de talentos estratégicos atinge cerca de 18%, e a segurança psicológica é avaliada em aproximadamente 3,2 em uma escala de 5. Esses indicadores refletem desafios frequentemente associados a práticas de liderança pouco estruturadas ou excessivamente orientadas ao controle. A baixa efetividade da liderança decorre de múltiplos fatores, incluindo o baixo desenvolvimento socioemocional dos líderes, um modelo de gestão predominantemente orientado ao controle, a ausência de trilhas estruturadas de liderança e a falta de feedback estruturado.
O baixo desenvolvimento socioemocional dos líderes impacta diretamente a confiança e a colaboração nas equipes. Goleman (1998) e Boyatzis (2002) demonstram que líderes com alta autoconsciência e inteligência emocional apresentam desempenho superior e maior capacidade de adaptação. A ausência dessas competências essenciais resulta em ambientes onde a comunicação é deficiente e a capacidade de resolver conflitos é limitada, minando a coesão do grupo. A pesquisa da Gallup (2019) corrobora essa perspectiva, indicando que a maioria dos profissionais já foi negativamente impactada por líderes com baixa capacidade de gestão de pessoas, o que se alinha com a redução da confiança e colaboração observadas.
O modelo de gestão orientado ao controle, embora funcional em contextos mais estáveis (Kotter, 2012), mostra-se cada vez menos eficaz em ambientes dinâmicos e inovadores. Esse modelo tende a gerar queda de engajamento, pois limita a autonomia e a criatividade dos colaboradores. Schein (2010) e Laloux (2015) argumentam que a liderança moderna deve focar na mobilização e na criação de significado coletivo, em vez de apenas gerenciar processos. A ênfase excessiva em resultados de curto prazo, sem considerar o desenvolvimento humano, contribui para um ambiente de trabalho menos propício à inovação e ao aprendizado coletivo (Edmondson, 2019).
A ausência de trilhas estruturadas de liderança impede o desenvolvimento contínuo e progressivo das competências necessárias. Day (2000) enfatiza que o desenvolvimento de líderes não se limita à aquisição de habilidades técnicas, mas compreende uma ampliação da capacidade de sentido, influência e visão sistêmica. O modelo 70-20-10 de McCall, Lombardo e Morrison (1988) destaca que 70% do desenvolvimento ocorre por meio de experiências práticas desafiadoras. Sem um percurso claro, os líderes perdem oportunidades de aprendizado experiencial e reflexão, resultando em inconsistência nas práticas de gestão e um desenvolvimento de equipes abaixo do potencial.
A falta de feedback estruturado é outro fator crítico, resultando em baixo desenvolvimento das equipes. Grant (2017) e a International Coaching Federation (2022) ressaltam a eficácia do coaching executivo e do feedback estruturado para o desenvolvimento de líderes, com 86% das empresas reportando retorno financeiro positivo e 96% dos coachees melhorando autoconfiança e relações interpessoais. A ausência desse mecanismo priva os líderes de insights cruciais sobre seu desempenho e impacto, dificultando a correção de rumos e o aprimoramento contínuo.
A situação pretendida com a implementação do método “Lideranças que Movem” visa elevar o engajamento das equipes para aproximadamente 80%, reduzir o turnover de talentos estratégicos para cerca de 12% e aumentar a segurança psicológica para pelo menos 4,0 em 5. O método proposto, com suas quatro dimensões – Autoconhecimento, Conexão, Aplicação e Cultura Viva – integra aprendizagem experiencial (Kolb, 1984), desenvolvimento integral e um ciclo contínuo de evolução (Day, 2000; Edmondson, 2019). Essa abordagem estruturada e contínua é fundamental para transformar a liderança em um motor de evolução organizacional, conforme Senge (1990) e Sinek (2009). A comparação com alternativas, como treinamentos pontuais (Day, 2000) e coaching individual (Grant, 2017), demonstra que o método integrado oferece maior impacto e escalabilidade organizacional, sendo a alternativa mais eficaz para alinhar o desenvolvimento individual dos líderes com a evolução da cultura organizacional. A implementação do método em ciclos de seis meses, combinando diagnóstico, jornada de aprendizagem e avaliação de impacto, busca promover mudanças comportamentais consistentes e sustentáveis, fortalecendo ambientes organizacionais orientados à confiança, colaboração e aprendizado contínuo.
Conclui-se que o objetivo foi atingido ao apresentar uma proposta estruturada para o desenvolvimento de lideranças, capaz de mobilizar pessoas e redefinir culturas organizacionais. A análise evidenciou as limitações dos modelos de liderança tradicionais e a necessidade de uma abordagem integrada que promova o autoconhecimento, a inteligência emocional, as competências relacionais e a visão sistêmica. O método “Lideranças que Movem” oferece um caminho para fortalecer o engajamento das equipes, reduzir a rotatividade de talentos estratégicos e elevar a segurança psicológica, contribuindo para a construção de culturas organizacionais mais adaptativas, humanas e sustentáveis.
Referências Bibliográficas:
Bardin, Laurence. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2016.
Boyatzis, Richard; Goleman, Daniel; Mckee, Annie. Primal Leadership: Realizing the Power of Emotional Intelligence. Boston: Harvard Business School Press, 2002.
Creswell, John W. Research design: qualitative, quantitative, and mixed methods approaches. 4. ed. Thousand Oaks: SAGE Publications, 2014.
DAY, David V. Leadership Development: A Review in Context. The Leadership Quarterly, v. 11, n. 4, p. 581–613, 2000.
Edmondson, Amy C. The fearless organization: creating psychological safety in the workplace for learning, innovation, and growth. Hoboken: Wiley, 2019.
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Goleman, Daniel. Inteligência emocional. Rio de Janeiro: Objetiva, 1998.
Grant, Anthony M. The Third “Generation” of Workplace Coaching: Creating a Culture of Quality Conversations. Coaching: An International Journal of Theory, Research and Practice, v. 10, n. 1, 2017.
Great Place to Work Brasil. Relatório de tendências de cultura e engajamento 2023. São Paulo: GPTW, 2023.
Harvard Business Review. The Feedback Fallacy. Boston: Harvard Business Review Press, 2021.
International Coaching Federation. Global Coaching Study 2022. Lexington: ICF, 2022.
Kolb, David A. Experiential learning: experience as the source of learning and development. Englewood Cliffs: Prentice Hall, 1984.
Kotter, John P. Liderando a mudança. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012.
Kouzes, James M.; POSNER, Barry Z. The leadership challenge: how to make extraordinary things happen in organizations. 6. ed. Hoboken: Jossey-Bass, 2017.
Laloux, Frederic. Reinventando as organizações. São Paulo: nVersos, 2015.
Maxwell, John C. As 21 irrefutáveis leis da liderança. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2011.
Mccall, Morgan W.; Lombardo, Michael M.; Morrison, Ann M. The lessons of experience: how successful executives develop on the job. Lexington: Lexington Books, 1988.
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Mintzberg, Henry. Managing. San Francisco: Berrett-Koehler Publishers, 2009.
Northouse, Peter G. Leadership: theory and practice. 9. ed. Thousand Oaks: SAGE Publications, 2021.
Schein, Edgar H. Organizational culture and leadership. 4. ed. San Francisco: Jossey-Bass, 2010.
Senge, Peter M. A quinta disciplina: a arte e a prática da organização que aprende. São Paulo: Best Seller, 1990.
Sinek, Simon. Start with why: how great leaders inspire everyone to take action. New York: Penguin, 2009.
Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Executivo em Liderança e Gestão do MBA USP/Esalq
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