Artigo

28 de julho de 2026

O papel da liderança comercial no engajamento das equipes de vendas

Denise Lopes; Michele Cristina Inocêncio

DOI: 10.22167/2675-6528-202600711

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

Em um mercado dinâmico e focado em resultados, a liderança comercial emerge como pilar central para o desempenho e engajamento das equipes de vendas. Este estudo investigou a influência direta do papel do líder no engajamento e na produtividade dos colaboradores em ambientes comerciais de alta pressão. O objetivo principal foi analisar as percepções de profissionais de vendas sobre as práticas de liderança adotadas em suas organizações e como essas condutas impactam o comprometimento com as metas estratégicas. Para isso, adotou-se uma abordagem descritiva e aplicada, utilizando um levantamento de campo (survey). A coleta de dados ocorreu por meio da aplicação de um questionário estruturado, composto por 24 questões em escala Likert, focado em liderança, cultura organizacional e satisfação, a 71 gerentes e diretores comerciais de uma empresa do setor de tecnologia. Os resultados revelaram que líderes que adotaram posturas motivadoras e transparentes conseguiram reduzir a resistência a mudanças e elevar a taxa de conversão de leads. Em contrapartida, a ausência de clareza na definição de metas foi identificada como o principal fator de desengajamento. Concluiu-se que o investimento no desenvolvimento de competências comportamentais para gestores é fundamental para criar ambientes de trabalho mais produtivos e resilientes, contribuindo para a sustentabilidade dos resultados em vendas.

Palavras-chave: Competências comportamentais; Cultura organizacional; Gestão de vendas; Produtividade.

1. Introdução

Em um mercado contemporâneo caracterizado por sua alta dinamicidade e uma intensa busca por resultados, a performance e a sustentabilidade das equipes de vendas assumem um papel central para o sucesso organizacional. Nesse cenário desafiador, a liderança comercial transcende a mera gestão de pessoas, emergindo como um pilar fundamental que abrange a motivação, o engajamento e o alinhamento estratégico dos esforços da equipe.

A pressão constante por metas e a natureza volátil do trabalho em vendas intensificam a importância de uma liderança eficaz. Um líder comercial é crucial para estabelecer um ambiente de trabalho que seja não apenas motivador, mas também altamente produtivo, impactando diretamente a capacidade da equipe de atingir seus objetivos e contribuir para os resultados globais da organização.

A cultura organizacional exerce uma influência significativa sobre a atuação dos líderes. Bastos e Cyrne (2017) destacam que as normas, valores e crenças de uma organização moldam o comportamento dos líderes e a forma como suas decisões são percebidas pelos colaboradores. Para que a liderança gere um impacto positivo no desempenho da equipe, suas práticas devem estar intrinsecamente alinhadas aos valores organizacionais.

Outro aspecto relevante da liderança no contexto das equipes de vendas é sua capacidade de influenciar as relações interpessoais. Novato e Nunes (2019) evidenciam que a liderança efetiva é capaz de criar um ambiente de confiança e cooperação. Embora seu estudo tenha focado na área da saúde, suas conclusões são altamente aplicáveis ao setor de vendas, onde a colaboração entre os membros da equipe e o nível de motivação estão diretamente correlacionados aos resultados alcançados.

A relação entre liderança e desempenho das equipes também é aprofundada por Silva e Mourão (2015). Eles demonstram que líderes que adotam estilos mais participativos e colaborativos conseguem obter melhores resultados no treinamento e desenvolvimento de suas equipes. Esse aprimoramento contínuo das habilidades é crucial para o sucesso em vendas, reforçando a necessidade de uma liderança que promova o crescimento.

Contudo, nem todas as formas de liderança geram resultados positivos. Abelha et al. (2020) analisam o que denominam de “lado sombrio” da liderança, apontando que uma má liderança pode gerar um ambiente de trabalho tóxico. Esse ambiente é caracterizado por desconfiança, falta de comunicação e desânimo, o que pode levar a uma queda significativa no desempenho das equipes de vendas e, consequentemente, prejudicar os resultados organizacionais.

A cultura organizacional também desempenha um papel fundamental na definição do estilo de liderança adotado pelos gestores comerciais. Carneiro e Streit (2021) demonstram que a cultura de uma organização impacta diretamente a gestão do conhecimento e a inovação de processos, incluindo as práticas de liderança. A capacidade de um líder comercial em adaptar-se e operar dentro dessa estrutura é essencial para promover um ambiente de vendas saudável e produtivo.

Diante desse cenário multifacetado, a relevância deste estudo reside na necessidade de compreender como os líderes comerciais podem influenciar positivamente o engajamento de suas equipes. É fundamental considerar não apenas as dinâmicas de liderança, mas também os aspectos individuais dos membros, a cultura organizacional e as relações interpessoais no ambiente de trabalho. Assim, a questão que norteia esta pesquisa é: de que forma a liderança comercial pode impactar o engajamento e o desempenho das equipes de vendas em diferentes contextos organizacionais, considerando não só a influência da cultura e das relações interpessoais?

Compreender essa dinâmica é essencial para as organizações que buscam alta performance em mercados voláteis, onde o capital humano engajado é o maior ativo. Sendo assim, o objetivo deste estudo foi analisar o papel da liderança comercial no engajamento das equipes de vendas, com base na percepção da área comercial.

2. Material e Métodos

O presente estudo adotou uma abordagem descritiva e de natureza aplicada, buscando caracterizar as práticas de liderança e o engajamento em equipes de vendas. Para tanto, utilizou-se um levantamento de campo, conhecido como <i>survey</i>, como procedimento técnico principal. Essa escolha metodológica justificou-se pela capacidade de mensurar percepções, comportamentos e relações entre variáveis de forma objetiva e sistemática, o que possibilitou a obtenção de dados confiáveis e generalizáveis, conforme preconizado por Gil (2010).

A pesquisa foi conduzida em uma empresa de grande porte, atuante no setor de tecnologia, com foco nas suas equipes de vendas. Os participantes do estudo foram gerentes e diretores comerciais da referida organização. A unidade de análise consistiu na percepção desses profissionais sobre o papel da liderança comercial no engajamento de suas equipes.

A coleta de dados realizou-se por meio de um questionário estruturado, composto por 24 questões fechadas. As respostas foram coletadas utilizando uma escala Likert de cinco pontos, que permitiu aos participantes expressar seu grau de concordância ou discordância em relação às afirmações apresentadas. Essa escala é amplamente empregada em pesquisas sociais e organizacionais para medir variáveis como estilo de liderança, nível de engajamento das equipes e performance de vendas (Gil, 2010).

O questionário foi elaborado com base em referências da literatura especializada em liderança e gestão de pessoas. As questões 7, 8, 13, 15, 16 e 17 foram inspiradas nos trabalhos de Novato e Nunes (2019), que abordam a importância da comunicação, do reconhecimento e do ambiente de confiança para a motivação. Também se basearam em Chiavenato (2014), que discute práticas de gestão que favorecem o engajamento, e em Robbins e Judge (2013), que destacam a comunicação eficaz e a inclusão.

Adicionalmente, a questão 9, bem como as questões 21 e 22, fundamentaram-se em Silva e Mourão (2015), que relacionam estilos de liderança ao desenvolvimento de competências e aos resultados de treinamentos. Também se considerou Dutra (2012), que enfatiza a gestão por competências e a relevância de programas de capacitação. As questões 10 e 14 dialogaram com Abelha et al. (2020), que analisam os efeitos negativos da má liderança, e com Fleury (2002), que aborda fatores culturais que afetam o desempenho das equipes.

A questão 11 foi construída a partir de Chiavenato (2014) e Bastos e Cyrne (2017), destacando o equilíbrio entre resultados e desenvolvimento humano. A questão 12 fundamentou-se em Robbins e Judge (2013) no que se refere à liderança inclusiva. Por fim, as questões 20, 23 e 24 basearam-se em Carneiro e Streit (2021), que discutem a influência da cultura na autonomia da liderança, e em Chiavenato (2014) e Dutra (2012), que ressaltam a relevância de metas claras para direcionar esforços e alcançar resultados.

Antes da aplicação final, o questionário foi validado por meio de um pré-teste com dois participantes da área comercial. Esse procedimento visou verificar a clareza, o tempo de resposta e a adequação das questões. Após os ajustes necessários, o instrumento foi aplicado a 71 participantes, sendo 8 diretores e 63 gerentes comerciais, conforme o alinhamento prévio com os objetivos do estudo.

As respostas foram coletadas por meio da plataforma Google Forms, com o questionário enviado via WhatsApp. Essa plataforma ofereceu uma interface acessível e segura para a coleta online, garantindo a confidencialidade e a integridade dos dados. A escolha do Google Forms deveu-se à sua facilidade de uso e à capacidade de automatizar a coleta e a organização das informações, o que facilitou a análise posterior.

Em relação aos procedimentos éticos, todos os participantes foram informados sobre os objetivos da pesquisa e sobre a utilização de seus dados exclusivamente para fins acadêmicos. Garantiu-se o anonimato e a confidencialidade das informações coletadas, com a assinatura de um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Esse termo assegurou a participação voluntária e o direito de desistência a qualquer momento, sem prejuízo. A coleta de dados foi realizada de forma a respeitar a privacidade dos participantes, e todas as informações pessoais foram protegidas.

A técnica de análise dos dados consistiu na organização e tabulação das respostas obtidas por meio do questionário. Os dados foram analisados para compreender o impacto da liderança comercial no engajamento das equipes de vendas, permitindo a identificação de padrões e tendências nas percepções dos participantes. Essa abordagem possibilitou a obtenção de informações relevantes para a prática de gestão de equipes comerciais.

3. Resultados e Discussão

A análise dos dados coletados, por meio do questionário estruturado aplicado a gerentes e diretores comerciais, buscou compreender a intersecção entre as práticas de liderança e o nível de engajamento das equipes de vendas. Os resultados obtidos permitiram identificar padrões e percepções sobre a influência da gestão no desempenho e no comprometimento dos colaboradores em um ambiente comercial de alta pressão. A discussão a seguir sintetiza os principais achados, organizados em eixos temáticos que abordam a transição da liderança, a cultura organizacional, o impacto do treinamento, a relação com metas e performance, o perfil dos respondentes e a gestão de equipes, sempre em alinhamento com o objetivo de analisar o papel da liderança comercial no engajamento das equipes de vendas.

A Transição da Liderança: Do Controle à Facilitação

Conforme proposto na introdução deste trabalho, a liderança comercial moderna exige uma mudança de paradigma, afastando-se de um modelo puramente controlador para um papel mais facilitador. Os resultados indicam que a percepção da liderança como um elemento de suporte é determinante para a produtividade das equipes. Observou-se que, quando o gestor é percebido como um facilitador, ou seja, alguém que remove barreiras operacionais e promove a autonomia, há um reflexo direto na segurança da equipe para tomar decisões. Este achado corrobora a literatura citada por Bastos e Cyrne (2017), reforçando que a liderança não é um cargo estático, mas um processo dinâmico de influência que se adapta às necessidades do ambiente e dos colaboradores.

Cultura Organizacional e Transparência na Comunicação

As respostas referentes à cultura da empresa revelaram que o engajamento dos colaboradores está intrinsecamente ligado à transparência nas práticas de gestão. O compartilhamento de informações estratégicas e a clareza sobre o “porquê” das metas mostraram-se como fatores críticos de sucesso para a motivação da equipe. Notou-se que a ausência de um fluxo de comunicação bidirecional é um dos principais pontos de atrito, gerando o que o referencial teórico descreve como desengajamento passivo. Equipes que compreendem a visão da organização e o propósito por trás das metas sentem-se mais conectadas aos resultados, validando a hipótese de que a cultura organizacional molda significativamente o comportamento de vendas e o nível de comprometimento.

O Impacto do Treinamento no Desempenho e Retenção

Um dado relevante extraído da pesquisa refere-se ao tema de Treinamento, demonstrando que o oferecimento de capacitação adequada não é visto apenas como um ganho técnico para os colaboradores, mas como uma prova de investimento no capital humano. Os profissionais que percebem os treinamentos como impactantes em seu desempenho tendem a apresentar maior satisfação e menor resistência às metas agressivas de pré-vendas e vendas. O desenvolvimento de competências, portanto, emerge como uma ferramenta de engajamento que vai além da remuneração financeira, contribuindo para a retenção de talentos e para a construção de um ambiente de trabalho mais resiliente e adaptável às constantes mudanças do mercado.

Performance, Metas e a Taxa de Conversão

Ao analisar a relação entre Desempenho e Performance, os resultados apontam que a clareza na definição de metas é o maior preditor de eficácia para as equipes de vendas. A ambiguidade na estipulação de indicadores ou a percepção de metas inalcançáveis atuam como desmotivadores imediatos, impactando negativamente o engajamento. A discussão dos dados sugere que equipes que mantêm boas taxas de conversão de leads são lideradas por gestores que equilibram o acompanhamento rigoroso dos Indicadores-Chave de Performance (KPIs) com um suporte emocional e estratégico constante. Essa abordagem fecha o ciclo proposto inicialmente, indicando que a liderança comercial eficaz utiliza o engajamento como o motor para a entrega de resultados sustentáveis em um mercado em constante transformação.

Perfil sociodemográfico e profissional dos respondentes

A análise do perfil sociodemográfico e profissional dos respondentes forneceu um panorama essencial sobre a amostra investigada, composta por 71 gerentes e diretores comerciais. Compreender as características desses profissionais é fundamental para contextualizar as percepções sobre liderança e engajamento, permitindo uma interpretação mais robusta dos resultados. Os dados coletados abrangeram aspectos como faixa etária, sexo biológico, nível de escolaridade, cargo atual e tempo de atuação na empresa, oferecendo uma base para entender as dinâmicas internas da equipe de vendas e a influência de fatores individuais e coletivos.

A investigação sobre a faixa etária dos 71 participantes revelou que 30% tinham entre 26 e 35 anos, 45% estavam na faixa de 36 a 45 anos, 19% entre 46 e 55 anos, e 6% possuíam mais de 56 anos. A presença de profissionais mais jovens, mesmo que em menor proporção, sugere uma transição geracional nas equipes comerciais. Esse cenário se alinha à perspectiva de Fleury (2002), que aborda como mudanças estruturais podem introduzir novos perfis e expandir as práticas gerenciais. A análise por idade é crucial para entender a interação entre gerações e o modelo de “liderança facilitadora”, permitindo identificar variações na resistência à mudança ou na busca por autonomia, e assim, adaptar a abordagem do líder às necessidades de cada fase da vida profissional.

A pesquisa também buscou identificar a composição de sexo dos respondentes, observando que 62% eram do sexo masculino, 36% do sexo feminino e 2% se identificaram em outras categorias. Essa distribuição de homens e mulheres em cargos de gestão pode refletir características culturais das organizações e influenciar os modos de atuação das lideranças. A análise de sexo permite verificar se existem nuances nas expectativas de engajamento ou na percepção do suporte da liderança entre diferentes gêneros, oferecendo uma visão sobre a equidade e a inclusão no ambiente comercial e suas possíveis implicações para a gestão de equipes.

O nível de escolaridade dos participantes revelou que 48% possuíam ensino superior completo. Adicionalmente, 18% estavam em processo de pós-graduação e 34% já haviam concluído essa formação, somando 52% com algum nível de pós-graduação. Esse perfil reforça a análise de Dutra (2012) sobre a crescente valorização de competências formais e trajetórias acadêmicas estruturadas em funções gerenciais. Em ambientes comerciais, onde decisões estratégicas exigem agilidade e embasamento, a escolaridade elevada tende a fortalecer a consistência das práticas de liderança.

A presença significativa de profissionais com pós-graduação, seja completa ou incompleta, revela um movimento contínuo de aprimoramento profissional entre as lideranças. Este achado está alinhado às reflexões de Chiavenato (2014) sobre a importância da educação continuada para o fortalecimento da gestão de pessoas. Tal composição sugere que a organização pesquisada atrai ou desenvolve líderes comprometidos com atualização técnica e teórica, o que pode favorecer práticas de liderança mais estruturadas e alinhadas às demandas contemporâneas do setor comercial, contribuindo para a adaptabilidade e inovação das equipes de vendas.

A investigação sobre o cargo atual dos respondentes mostrou que 89% ocupavam a posição de gerente e 11% atuavam como diretores. Essa composição da amostra reforça o caráter operacional e estratégico das posições analisadas. A predominância de gerentes indica que as percepções apresentadas refletem diretamente a vivência cotidiana da gestão comercial, alinhando-se ao que Marras (2011) descreve como o papel tático dessas lideranças, responsáveis por articular metas, orientar equipes e assegurar a execução dos processos de venda. A presença de diretores, embora proporcionalmente menor, complementa a compreensão sobre o funcionamento das estruturas de liderança dentro da organização, conforme Fleury (2002) aponta sobre os diferentes níveis decisórios que compõem uma organização.

Em relação ao tempo de atuação dos participantes na empresa, os dados revelaram que 6% tinham menos de um ano, 27% entre um e três anos, 33% entre quatro e seis anos, e 34% com mais de seis anos. A concentração de participantes com maior tempo de atuação, totalizando 67% da amostra, indica uma forte permanência das lideranças. Esse cenário sugere um ambiente organizacional que favorece estabilidade e continuidade das práticas gerenciais, o que se aproxima das reflexões de Carneiro e Streit (2021) sobre a preservação de valores internos ao longo do tempo.

Ao lado desse grupo mais experiente, a presença de profissionais com períodos menores de vínculo contribui para o equilíbrio entre práticas consolidadas e perspectivas renovadas dentro das equipes. Essa diversidade de tempo de empresa amplia o repertório coletivo e favorece trocas que podem fortalecer a liderança comercial. Tal dinâmica se alinha à discussão de Chiavenato (2014) sobre aprimorar a gestão de pessoas e ampliar a capacidade adaptativa das equipes, promovendo um ambiente mais dinâmico e responsivo às mudanças do mercado e às novas demandas do setor de tecnologia.

Liderança e Gestão de Equipes

No eixo temático de Liderança e Gestão de Equipes, a pesquisa aprofundou-se na percepção dos participantes sobre a atuação dos líderes em aspectos cruciais para o engajamento e o desempenho. Foram investigados o grau de suporte oferecido, a autonomia concedida aos colaboradores, a frequência do reconhecimento e a eficácia da comunicação. Esses elementos são vitais para compreender como a liderança é exercida e percebida no cotidiano das equipes de vendas, fornecendo insights sobre as práticas que fomentam um ambiente de trabalho produtivo e motivador, conforme o objetivo central deste estudo.

A pesquisa analisou a percepção sobre a eficácia da liderança no dia a dia, buscando identificar se o gestor atua na remoção de obstáculos operacionais e burocráticos, permitindo que o vendedor concentre suas energias na conversão. Os resultados indicaram que 69% dos respondentes afirmam perceber eficácia na liderança, sendo 42% que concordam parcialmente e 27% que concordam totalmente. Esse predomínio de respostas positivas converge com a compreensão de Robbins e Judge (2013) sobre o impacto da liderança eficaz no fortalecimento do comprometimento e na construção de relações de confiança. Contudo, 18% permaneceram neutros e 13% discordaram, indicando que a percepção não é totalmente uniforme e que podem existir experiências distintas entre equipes, revelando oportunidades de aprimoramento na consistência das práticas gerenciais.

A pesquisa examinou a percepção dos participantes sobre o quanto as práticas de liderança influenciam a motivação das equipes, aspecto central em ambientes comerciais marcados por metas e alta pressão. A distribuição das respostas mostrou que 85% dos participantes reconhecem que as práticas de liderança influenciam diretamente a motivação das equipes, somando 38% que concordam parcialmente e 47% que concordam totalmente. Essa predominância sugere que a atuação do líder é percebida como determinante para o engajamento dos colaboradores, coerente com o argumento de Novato e Nunes (2019) de que relações baseadas em confiança e cooperação fortalecem o engajamento e sustentam o desempenho coletivo.

No contexto das vendas, essa associação tende a ser ainda mais expressiva, já que motivação e produtividade se tornam elementos inseparáveis do resultado comercial. Os 10% que permaneceram neutros e os 5% que manifestaram algum nível de discordância indicam, contudo, que a percepção não é totalmente uniforme entre todos os setores. Essa diversidade interpretativa pode refletir diferenças nas práticas de liderança adotadas por cada gestor, resultando em experiências variadas entre as equipes, aproximando-se das observações de Chiavenato (2014) sobre como estilos gerenciais distintos podem gerar impactos diferentes na motivação e no clima interno.

A pesquisa avaliou se os participantes percebem a comunicação entre líder e equipe como eficaz, reconhecendo que a qualidade dessa comunicação é base para a coordenação do trabalho, definição de metas e fortalecimento da confiança interna. Os dados mostraram que 64% dos participantes percebem a comunicação entre líderes e equipes como eficaz, considerando os 40% que concordam parcialmente e os 24% que concordam totalmente. Esse resultado indica um fluxo comunicacional funcional na maior parte das unidades, alinhado ao entendimento de Robbins e Judge (2013) de que a clareza na troca de informações favorece coesão e direcionamento, especialmente em contextos orientados por metas como as equipes de vendas.

Por outro lado, a soma de 22% de respostas neutras e 14% de discordâncias sugere que a comunicação não ocorre com a mesma qualidade em todos os setores. Essa variação pode refletir diferenças individuais entre líderes ou particularidades culturais internas, aspecto discutido por Bastos e Cyrne (2017) ao destacarem que a cultura organizacional molda práticas comunicacionais e pode tanto facilitar quanto limitar interações mais colaborativas. A percepção de uma comunicação menos eficaz em alguns segmentos aponta para a necessidade de estratégias de aprimoramento contínuo, visando uma maior homogeneidade e eficácia nas interações comunicativas.

A pesquisa buscou compreender se a liderança é percebida como promotora do desenvolvimento pessoal e profissional dos membros da equipe, elemento fundamental para ambientes que dependem de aprendizado contínuo e aperfeiçoamento de competências. Os resultados indicam que 71% dos participantes percebem que a liderança contribui para o desenvolvimento pessoal e profissional da equipe, considerando os 44% que concordam parcialmente e os 28% que concordam totalmente. Essa predominância de avaliações positivas sugere uma liderança orientada ao apoio e ao fortalecimento de competências, perspectiva coerente com Silva e Mourão (2015), que demonstram como estilos participativos ampliam o aprendizado e favorecem a consolidação de habilidades essenciais ao desempenho comercial.

Entretanto, o conjunto formado por 19% de respostas neutras e 9% de discordâncias indica que essa percepção não é homogênea entre todos os colaboradores. Essa variação pode refletir diferenças na atuação de cada gestor ou na forma como os processos de desenvolvimento são conduzidos em diferentes áreas. Essa leitura dialoga com Dutra (2012), ao afirmar que a gestão por competências depende de ações contínuas e distribuídas de maneira equilibrada, pois assimetrias nas práticas tendem a gerar experiências fragmentadas e percepção desigual de oportunidades de crescimento, impactando o desejo de permanência e o engajamento dos colaboradores.

Em síntese, este estudo proporcionou uma compreensão aprofundada da dinâmica entre a liderança comercial e o engajamento das equipes, evidenciando que o sucesso em vendas transcende o mero acompanhamento de métricas. Os achados revelaram que a liderança desempenha um papel crucial, atuando como um “fiel da balança”: embora modelos focados exclusivamente na cobrança possam gerar resultados imediatos, são as lideranças que adotam uma postura facilitadora que asseguram a sustentabilidade e a saúde emocional da equipe a longo prazo. Essa perspectiva ressalta a importância de um ambiente de trabalho que promova a confiança e o desenvolvimento contínuo dos colaboradores.

Os dados e as análises teóricas indicaram que o engajamento é um reflexo direto da confiança estabelecida. Quando o líder atua na remoção de barreiras operacionais e promove uma comunicação transparente, não apenas se observa uma melhoria na taxa de conversão de leads, mas também um fortalecimento do vínculo do colaborador com o propósito da organização. A pesquisa confirmou que a clareza na definição de metas e o investimento em capacitação técnica são percebidos pelos vendedores como formas de valorização, funcionando como poderosos combustíveis para a motivação e o comprometimento com os objetivos estratégicos.

Dessa forma, o papel do líder comercial evoluiu de um mero fiscalizador para um estrategista de pessoas. Para as organizações que almejam alta performance em mercados voláteis, o engajamento não se impõe, mas se cultiva por meio de uma gestão humanizada, suporte constante e alinhamento de expectativas. Os resultados deste estudo reforçam a necessidade de que gestores reflitam sobre sua prática diária, reconhecendo que o maior ativo de uma área comercial é, e sempre será, o capital humano engajado e motivado, essencial para a resiliência e o sucesso organizacional.

4. Conclusão

Este estudo buscou analisar o papel da liderança comercial no engajamento das equipes de vendas, com base na percepção dos profissionais da área. Verificou-se que a transição de um modelo de liderança puramente controlador para um papel mais facilitador é determinante para a produtividade e a segurança das equipes. Observou-se que gestores percebidos como facilitadores, que removem barreiras operacionais e promovem a autonomia, impactam diretamente a capacidade da equipe de tomar decisões. Identificou-se que o engajamento dos colaboradores está intrinsecamente ligado à transparência nas práticas de gestão e à clareza sobre o propósito das metas, sendo a ausência de comunicação bidirecional um fator de desengajamento. Constatou-se que o investimento em treinamento e desenvolvimento de competências é percebido como valorização do capital humano, contribuindo para maior satisfação, menor resistência a metas e retenção de talentos. A clareza na definição de metas emergiu como o principal preditor de eficácia, enquanto a ambiguidade ou a percepção de metas inalcançáveis atuam como desmotivadores.

A principal contribuição deste estudo reside na compreensão aprofundada de que o sucesso em vendas transcende o simples acompanhamento de métricas, dependendo crucialmente de uma liderança que atua como um estrategista de pessoas. Ficou evidente que, embora abordagens focadas apenas na cobrança possam gerar resultados imediatos, são as lideranças que adotam uma postura facilitadora e humanizada que asseguram a sustentabilidade e a saúde emocional da equipe a longo prazo. O engajamento, portanto, não se impõe, mas se cultiva por meio de uma gestão que promove confiança, suporte constante e alinhamento de expectativas. Os achados reforçam a necessidade de que as organizações invistam no desenvolvimento de competências comportamentais para seus gestores, reconhecendo que o capital humano engajado e motivado é o maior ativo para a resiliência e o sucesso em mercados voláteis.

Referências Bibliográficas

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Gil, A. C. 2010. Como elaborar projetos de pesquisa (5ª ed.). Atlas.

Marras, J. P. 2011. Administração de recursos humanos: do operacional ao estratégico. São Paulo: Futura.

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Robbins, S. P.; Judge, T. A. 2013. Comportamento organizacional. 15. ed. São Paulo: Pearson.

Silva, N., & Mourão, L. 2015. A influência dos estilos de liderança sobre os resultados de treinamento. Estudos e Pesquisas Em Psicologia, 15(1), 260-283.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Vendas do MBA USP/Esalq

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Comparação de modelos de risco de pré-pagamento em carteiras de crédito pré-fixado

O risco de liquidação antecipada em carteiras de crédito pré-fixadas constituiu um desafio relevante para a Gestão de Ativos e Passivos (ALM) em instituições financeiras, por gerar assimetrias de fluxo de caixa e ineficiências em estratégias de hedge. O trabalho teve como objetivo avaliar comparativamente o desempenho preditivo de modelos econométricos e estatísticos tradicionais frente a algoritmos de aprendizado de máquina na estimativa da Taxa de Mortalidade Mensal (SMM). Para isso, utilizou-se uma base de dados real de operações de crédito originadas entre 2016 e 2025, totalizando aproximadamente 500 milhões de observações. Avaliou-se modelos como CPR Histórico, Regressão Beta, Regressão Quantílica, Regressão Logística, Riscos Proporcionais de Cox e LightGBM, com a performance mensurada pelo Erro Absoluto Médio (MAE) e validada por meio de validação cruzada temporal com janela expandida. Os resultados demonstraram a superioridade das abordagens não lineares, com o modelo LightGBM apresentando a melhor performance no período de teste (jan/2024 a jul/2025), reduzindo o MAE em 34,21% em relação ao benchmark histórico. Adicionalmente, técnicas de interpretabilidade baseadas em valores SHAP e análise de sobrevivência foram empregadas para identificar o spread da taxa de contrato, a taxa de mercado e a idade do título como os principais determinantes econômicos da antecipação. A aplicação do modelo proposto aprimorou a precisão das estimativas de fluxo de caixa e ofereceu evidências favoráveis ao aperfeiçoamento do cálculo da duration efetiva e do dimensionamento do colchão de liquidez institucional, sugerindo que modelos mais flexíveis podem otimizar a gestão de ALM.

Palavras-chave: Aprendizado de máquina; Gestão de ALM; Hedge; Modelagem financeira; Risco de juros.

27 de outubro de 2026

Arquitetura imperativa vs. reativa: impacto na depuração e correção de erros no desenvolvimento mobile iOS

O desenvolvimento de aplicações mobile iOS pode ser conduzido sob arquiteturas imperativa e reativa, impactando diretamente as práticas de depuração e manutenção. Objetivou-se estabelecer o impacto da escolha arquitetural na depuração e correção de erros em aplicações iOS, avaliando a detectabilidade automática de falhas, a rastreabilidade dos relatórios e a utilidade dos logs. Conduziu-se uma pesquisa experimental, na qual se desenvolveram duas aplicações nativas funcionalmente equivalentes com UIKit (imperativa) e SwiftUI/Combine (reativa). Inseriram-se quatro cenários de erro controlados, classificados em crashes explícitos e erros silenciosos. Coletaram-se dados com Firebase Crashlytics e Xcode Debugger em quarenta sessões, e estes foram analisados por estatística descritiva e análise de conteúdo. Os resultados revelaram que, para inconsistências de estado, a arquitetura UIKit gerou crash imediato e relatório automático, enquanto SwiftUI suprimiu o crash e produziu aviso silencioso invisível a ferramentas automáticas. Para desempacotamento forçado, a arquitetura mostrou-se irrelevante. Em cenários silenciosos, nenhuma arquitetura ofereceu observabilidade automática, o que evidenciou limitações das ferramentas. Concluiu-se que a arquitetura reativa, ao abstrair mecanismos de controle de estado, reduziu erros explícitos, mas introduziu falhas silenciosas com menor rastreabilidade. A decisão arquitetural deve considerar as implicações para o monitoramento em produção, exigindo instrumentação manual de logs em projetos SwiftUI/Combine para erros que seriam automaticamente capturados no UIKit.

Palavras-chave: Combine; Manutenibilidade; Observabilidade; SwiftUI; UIKit.

27 de outubro de 2026

CRM NA RETENÇÃO DE DADOS PARA ANÁLISE DE POTENCIAL DO CLIENTE NO SETOR B2B SAÚDE

A gestão comercial no setor B2B saúde enfrentou desafios constantes, exigindo visão estratégica e atenção aguçada para a entrega de resultados. Investigou-se como a implantação do sistema CRM (Customer Relationship Management) colaborou para mitigar a perda de informações históricas e potencializar a retenção de clientes frente ao custo de vender. Adotou-se uma abordagem qualitativa-quantitativa, de caráter exploratório-descritivo, e os dados foram coletados por meio de questionário respondido por 42 profissionais da área comercial, inseridos na indústria ou em empresas do segmento saúde. Os resultados revelaram que, embora 71,4% dos entrevistados utilizassem CRM informatizado, a cultura organizacional impôs forte resistência, confirmada por 57,1% dos profissionais que dependiam de métodos manuais, como agendas e planilhas isoladas, para registro e retenção dos dados. Evidenciou-se também uma lacuna na capacitação, visto que 24,4% dos entrevistados raramente ou nunca receberam treinamentos específicos. A pesquisa inferiu que a subnotificação de dados não decorreu apenas da falta de tecnologia ou por falha tecnológica, mas pela existência de uma deficiência na gestão estratégica de pessoas e processos. Reforçou-se a visão da necessidade de uma gestão integrada para gerar inteligência competitiva e previsibilidade nas vendas, e alertou-se para a necessidade de treinamentos e capacitação mais frequentes. A mitigação do custo de vender e a potencialização da retenção de clientes dependem da integração consistente entre capital humano e tecnologia, gerando ativos gerenciais para aumentar a produção comercial e a retenção de dados estratégicos.

Palavras-chave: Capacitação; Estratégia de vendas; Gestão de clientes; Gestão estratégica; Inteligência comercial.

27 de outubro de 2026

Avaliação da aplicação do Scrum na melhoria da eficiência e adaptabilidade em projetos de tecnologia

A crescente complexidade dos projetos de tecnologia exigiu abordagens capazes de equilibrar controle, eficiência e adaptabilidade a mudanças constantes, visto que modelos tradicionais de gerenciamento apresentaram limitações em ambientes dinâmicos. Avaliou-se o gerenciamento de projetos de tecnologia antes da implementação de um método ágil, propôs-se melhorias baseadas em práticas iterativas e reavaliou-se o desempenho pós-implementação, buscando identificar ganhos em eficiência operacional e adaptabilidade ao longo do ciclo de vida do projeto. A pesquisa empregou um estudo de caso descritivo, de abordagem qualitativa, em duas empresas do setor de tecnologia. Coletaram-se dados por meio de formulários estruturados aplicados antes e após a intervenção, complementados por análise documental e observação sistemática ao longo de noventa dias de aplicação da solução. Os resultados evidenciaram melhoria consistente na flexibilidade do planejamento, maior alinhamento com as necessidades do cliente, aumento da previsibilidade das entregas e aprimoramento da produtividade das equipes. Um ganho de produtividade foi o indicador mais expressivo, com 85,7% de concordância total sobre a melhoria do desempenho das equipes após a adoção do *framework*. Concluiu-se que a implementação estruturada do método aprimorou o gerenciamento dos projetos analisados, reforçando a capacidade de resposta a mudanças e promovendo maior geração de valor ao negócio.

Palavras-chave: Adaptação organizacional; Entrega incremental; Gestão ágil; Planejamento iterativo; Produtividade de equipes.

27 de outubro de 2026

Desafios na operacionalização do crédito rural: percepção de funcionários de uma instituição financeira no Sudeste brasileiro

O crédito rural constitui um instrumento crucial da política agrícola brasileira, essencial para a viabilização dos ciclos produtivos agropecuários e o desenvolvimento do setor. Apesar de sua relevância, a operacionalização do crédito rural enfrentou desafios significativos nas instituições financeiras, decorrentes da complexidade normativa, burocracia documental e riscos inerentes à atividade agrícola. Nesse contexto, o estudo objetivou analisar a percepção de funcionários de uma instituição financeira sobre o processo de liberação do crédito rural, identificando dificuldades, desafios operacionais e oportunidades de melhoria. Adotou-se uma abordagem quantitativa de caráter descritivo, com aplicação de questionário estruturado a 37 funcionários que atuam direta ou indiretamente na concessão de crédito rural. A amostra foi intencional, e os dados foram analisados de forma descritiva, com apoio de tabulação e representação gráfica. Os resultados indicaram que os principais desafios enfrentados pelas instituições financeiras relacionaram-se ao excesso de burocracia, exigência de garantias, análise de risco, limitação de autonomia dos agentes e necessidade de maior capacitação técnica. Fatores externos, como endividamento dos produtores, eventos climáticos adversos e elevados custos de produção, também impactaram negativamente o acesso ao crédito. Concluiu-se que o aprimoramento dos processos internos, aliado à capacitação contínua dos profissionais e à articulação entre agentes reguladores e instituições financeiras, pode contribuir para tornar o crédito rural mais eficiente e acessível.

Palavras-chave: Agronegócio; Burocracia; Política agrícola.

27 de outubro de 2026

Dissonância Institucional e Barreiras de Privacidade na Adoção do DREX no Brasil

A percepção de diferentes partes interessadas sobre a implementação do DREX (Real Digital) no sistema financeiro brasileiro foi analisada, com foco nos impactos esperados em segurança, privacidade e adoção. O estudo objetivou investigar as percepções de grupos distintos sobre os riscos e oportunidades do DREX, oferecendo subsídios para a tomada de decisão de instituições financeiras e reguladores. Para isso, aplicaram-se três questionários a 415 participantes, divididos entre profissionais do setor financeiro e tecnologia (81), investidores em criptoativos (149) e público geral (185). Os dados coletados foram tabulados e submetidos à análise descritiva quantitativa, complementada por uma análise comparativa entre os grupos. Identificou-se uma dissonância institucional consistente, onde a confiança técnica no Banco Central superou a confiança política no Governo Federal. Entre investidores em criptoativos, verificou-se uma rejeição ideológica ao DREX, impulsionada por preocupações com rastreabilidade e controle governamental, com uma relação inversa entre conhecimento técnico e intenção de adoção. O público geral demonstrou disposição pragmática, condicionada à ausência de percepção explícita de vigilância financeira, um padrão denominado “Lacuna Pix-Privacidade”. A privacidade financeira emergiu como o principal obstáculo transversal à adoção em todos os grupos, e um incentivo de cashback de 1% mostrou-se insuficiente para superar essa resistência. Concluiu-se que a adoção voluntária do DREX tende a ser fragmentada e condicional, dependendo de iniciativas estruturadas de comunicação, educação financeira digital e arquiteturas de privacidade auditáveis que reforcem a credibilidade e independência do Banco Central perante a sociedade.

Palavras-chave: CBDC; Confiança institucional; Percepção de risco; Rastreabilidade; Sistema financeiro.

27 de outubro de 2026

Aplicação do Six Sigma DMAIC e Gemba Walk para análise da disponibilidade mecânica de equipamentos móveis

A gestão ineficiente das rotinas de manutenção de equipamentos móveis em obras de infraestrutura havia evidenciado impactos diretos nos indicadores de disponibilidade mecânica e no desempenho produtivo. O estudo objetivou analisar a disponibilidade mecânica de equipamentos em uma obra de superestrutura rodoviária, empregando o ciclo Six Sigma DMAIC e a prática do Gemba Walk. A metodologia adotada caracterizou-se como um estudo de caso aplicado, de natureza mista. Realizou-se a coleta e tratamento de dados de apontamentos operacionais, calculou-se indicadores de disponibilidade mecânica e conduziu-se análises qualitativas por meio do Diagrama de Ishikawa. Na fase Define, mapearam-se as rotinas e coletaram-se dados históricos. Em Measure, padronizaram-se os registros de perdas mecânicas e calculou-se a disponibilidade mecânica, identificando equipamentos críticos com desempenho inferior a 85%. A etapa Analyze utilizou o Diagrama de Ishikawa para identificar causas-raiz, e na fase Improve, estruturaram-se ações de melhoria e um cronograma de implementação. Os resultados revelaram que certas famílias de equipamentos apresentaram desempenho abaixo do patamar aceitável, com a usina de asfalto destacando-se por sua indisponibilidade de 79%, impactando diretamente a produção. As principais causas identificadas incluíram a ausência de planejamento preventivo, falhas na gestão de manutenção e a indisponibilidade de insumos críticos. Concluiu-se que a aplicação integrada das metodologias permitiu não apenas identificar as causas da baixa disponibilidade, mas também estruturar um modelo de gestão voltado à confiabilidade operacional e à melhoria contínua, propondo a transição de um modelo reativo para uma manutenção proativa e baseada em campo.

Palavras-chave: Confiabilidade operacional; Gestão de ativos; Indicadores de desempenho; Manutenção; Melhoria contínua.

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