Artigo

02 de outubro de 2026

Análise de Sentimentos sobre Bancos Brasileiros no Twitter/X: Comparação entre Instituições Tradicionais e Digitais

Análise de Sentimentos sobre Bancos Brasileiros no Twitter/x: Comparação entre Instituições Tradicionais e Digitais

Fernanda Barberato Leal; Lucas Gabriel da Silva Félix

DOI: 10.22167/2675-6528-202602894

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

Um estudo analisou a percepção pública sobre instituições financeiras brasileiras na plataforma Twitter/X, ressaltando a importância do monitoramento de sentimentos em redes sociais para a compreensão da reputação e da experiência do cliente no setor bancário. O objetivo consistiu em comparar a percepção dos usuários sobre a imagem e a reputação de bancos tradicionais e digitais, a partir dos padrões de sentimento identificados nas manifestações analisadas, buscando identificar diferenças estruturais entre esses grupos. A metodologia baseou-se na análise de 1.096 tweets coletados entre novembro de 2022 e junho de 2023. Utilizaram-se duas abordagens complementares de análise de sentimentos, a soma e a média das labels, para captar o sentimento majoritário e nuances da percepção. Adicionalmente, desenvolveram-se o Modelo de Perfil de Mercado, com indicadores de reputação emocional, risco reputacional, neutralidade e polarização, e o Modelo de Clusterização Bancária, que permitiu agrupar as instituições conforme padrões de percepção. Os resultados indicaram predominância de sentimentos neutros e negativos, maior volume de interações nos bancos digitais e diferenças estruturais na intensidade emocional das percepções, com maior estabilidade nos bancos digitais e maior polarização nos tradicionais. Concluiu-se que a combinação de técnicas analíticas e estatísticas contribuiu para uma compreensão aprofundada da imagem institucional no ambiente digital, evidenciando a importância de estratégias de gestão da reputação baseadas em dados.

Palavras-chave: Bancos digitais; Bancos tradicionais; Modelagem de dados; Opinion mining; Redes Sociais.

1. Introdução

A crescente digitalização dos serviços financeiros e a popularização das mídias sociais transformaram a forma como os consumidores interagem com as instituições bancárias (Kotler et al., 2017). Plataformas como o Twitter/X tornaram-se espaços relevantes para a expressão de opiniões, reclamações e elogios sobre produtos e serviços, permitindo o monitoramento em tempo real da percepção pública sobre marcas e empresas.

No contexto bancário brasileiro, a transformação digital modificou a dinâmica competitiva do setor e ampliou as possibilidades de relacionamento entre instituições financeiras e clientes. A expansão das fintechs e dos bancos digitais introduziu novos modelos de prestação de serviços, impulsionando os bancos tradicionais a incorporar soluções digitais às suas operações (Pinto et al., 2023). Nesse ambiente de crescente competição e transformação, a percepção dos usuários torna-se um elemento relevante para a compreensão da imagem e da reputação das instituições financeiras, uma vez que as experiências e opiniões manifestadas publicamente nas redes sociais podem fornecer evidências sobre como essas organizações são percebidas no ambiente digital (Pinto et al., 2023).

A análise de sentimentos, também conhecida como opinion mining, é um campo da mineração de texto que busca identificar automaticamente a polaridade (positiva, negativa ou neutra) de opiniões expressas em linguagem natural (Liu, 2012). Essa abordagem combina técnicas de processamento de linguagem natural (PLN) e aprendizado de máquina para extrair informações subjetivas de grandes volumes de texto, sendo amplamente utilizada em contextos de monitoramento de redes sociais e estudos de reputação corporativa (Pang e Lee, 2008).

Diversos trabalhos aplicaram a análise de sentimentos a dados provenientes de plataformas sociais para compreender percepções de consumidores em diferentes setores. No caso específico do setor financeiro, pesquisas recentes indicam que o acompanhamento do sentimento público pode auxiliar as instituições na tomada de decisões estratégicas e na identificação precoce de crises de imagem (Pak, 2010). Neste sentido, o presente estudo propõe investigar e comparar as manifestações de sentimentos de usuários do Twitter sobre bancos brasileiros, utilizando a base de dados Brazilian Banks Tweets (B2T) (Kakimoto et al., 2024).

Além da análise de sentimentos, o estudo incorporou técnicas de clusterização como forma de aprofundar a interpretação dos dados e identificar padrões estruturais de percepção pública entre as instituições analisadas. A clusterização consiste em uma técnica de modelo não supervisionado voltada à formação de grupos de elementos semelhantes entre si e distintos dos demais grupos, permitindo segmentar observações com base em características comuns. Entre os métodos existentes, o algoritmo K-Means destaca-se como uma das abordagens mais difundidas para dados numéricos, sendo amplamente utilizado na identificação de padrões homogêneos e na segmentação de mercado (MacQueen, 1967; Han et al., 2012). Em análises comparativas, o K-Means apresenta vantagens relacionadas à simplicidade computacional, eficiência operacional e elevada interpretabilidade dos grupos formados, permitindo identificar perfis distintos de comportamento e percepção (Hair Jr. et al., 2014).

Dessa forma, a combinação entre análise de sentimentos e clusterização buscou oferecer uma abordagem quantitativa mais abrangente para o estudo da imagem institucional bancária. Isso permite não apenas mensurar polaridades emocionais, mas também identificar segmentos estratégicos e padrões comparativos entre bancos tradicionais e digitais. A pesquisa aborda a problemática de compreender como as mudanças estruturais do sistema financeiro, especialmente a digitalização dos serviços, influenciam a percepção pública das marcas bancárias.

A importância deste estudo reside na possibilidade de compreender as dinâmicas da percepção pública no ambiente digital e na contribuição para o campo da análise de sentimentos aplicada ao contexto brasileiro e para a gestão de reputação corporativa no setor financeiro. Diante desse contexto, esta pesquisa tem por objetivo analisar, de forma comparativa e quantitativa, os sentimentos expressos por usuários do Twitter/X em relação às instituições bancárias brasileiras, considerando a distinção entre bancos tradicionais e bancos digitais, buscando, a partir dos padrões de sentimento identificados, compreender diferenças na percepção dos usuários e suas possíveis implicações para a imagem e a reputação das instituições no ambiente digital.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa caracterizou-se como um estudo de natureza quantitativa e descritiva, conduzido sob a forma de um estudo de caso múltiplo. Analisaram-se e compararam-se diferentes instituições bancárias, tanto tradicionais quanto digitais, com atuação no Brasil. A abordagem descritiva teve como objetivo principal descrever as características da percepção pública sobre bancos na plataforma Twitter/X, conforme a definição de Gil (2019).

Adicionalmente, a pesquisa configurou-se como documental, uma vez que utilizou dados secundários já disponíveis publicamente. A abordagem quantitativa foi justificada pela aplicação de técnicas estatísticas e computacionais para a mensuração, comparação e interpretação dos sentimentos expressos pelos usuários, alinhando-se ao objetivo de analisar comparativamente a percepção sobre bancos tradicionais e digitais.

A base de dados empregada foi a Brazilian Banks Tweets (B2T), desenvolvida por Kakimoto et al. (2024) e disponibilizada publicamente em repositório do GitHub. Esta base consistiu em 1.096 tweets coletados na plataforma Twitter/X, abrangendo o período de novembro de 2022 a junho de 2023. Os dados incluíam o ID do tweet, data e hora da publicação, idioma, nome do banco mencionado e rótulos de sentimento (positivo, negativo e neutro) atribuídos por voluntários.

Os bancos incluídos na análise foram Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil, BTG Pactual, NuBank, Banco Inter, Banco Pan, Sofisa Direto e Banco BRB. A informação de localização do usuário, presente na base, não foi utilizada devido à grande quantidade de registros nulos e à sua imprecisão, focando-se nas demais variáveis disponíveis para a análise.

Os procedimentos de coleta e análise iniciaram-se com a importação da base de dados B2T, em formato CSV, para o ambiente Google Colab. Após a carga do dataset, realizou-se a leitura e padronização dos dados, incluindo a formatação do campo de data e hora e a criação de um campo denominado ‘anomes’ para facilitar a análise temporal.

Considerando que o dataset B2T não continha o texto original dos tweets, em conformidade com as diretrizes de compartilhamento de dados do Twitter/X, a análise foi conduzida a partir das labels de sentimento previamente atribuídas aos registros. Conforme descrito por Kakimoto et al. (2024), os tweets foram submetidos a um processo de rotulagem manual realizado por cinco voluntários, que classificaram os comentários de forma independente em três categorias: positiva (+1), neutra (0) ou negativa (-1).

Cada tweet recebeu a avaliação de pelo menos três voluntários, sem acesso às classificações dos demais avaliadores. A definição das classes de sentimento seguiu critérios estabelecidos pelos autores da base, onde a classificação positiva (+1) indicava satisfação ou elogio, negativa (-1) expressava descontentamento ou insatisfação, e neutra (0) era utilizada para manifestações sem polaridade clara, como textos factuais ou incompreensíveis.

A partir das múltiplas labels atribuídas a cada tweet, calcularam-se duas medidas complementares para a classificação final dos sentimentos: a soma e a média das labels. A soma das labels representou o saldo de polaridade das avaliações, indicando a direção predominante das classificações. A média das labels, por sua vez, foi utilizada como uma medida normalizada da polaridade, permitindo considerar a intensidade e a direção das avaliações independentemente da quantidade de avaliadores.

Para a classificação final dos tweets, adotou-se a regra de que valores positivos resultantes da soma ou da média eram classificados como positivos (+1), valores negativos como negativos (-1) e valores iguais a zero como neutros (0). Essas abordagens permitiram produzir classificações quantitativas e comparáveis dos sentimentos predominantes, que foram posteriormente utilizadas nas análises agregadas por instituição bancária e período.

A etapa de análise dos dados foi conduzida de forma descritiva e comparativa, com o objetivo de identificar padrões e tendências nos sentimentos expressos pelos usuários. Inicialmente, realizou-se uma análise descritiva dos resultados, envolvendo o cálculo de frequências absolutas e relativas, bem como a identificação de proporções e tendências dos sentimentos observados em cada grupo, considerando dimensões como instituição bancária, mês de referência e tipo de instituição (tradicional ou digital).

Na etapa comparativa, os bancos foram classificados em dois grupos: tradicionais e digitais. Foram considerados tradicionais os bancos com trajetória consolidada no sistema bancário brasileiro e atuação historicamente estruturada em canais físicos (Bradesco, Itaú, Santander, Banco do Brasil e Banco BRB). Foram classificados como digitais os bancos cuja atuação analisada apresentava maior predominância de canais e serviços digitais (NuBank, Banco Inter, Banco Pan, Sofisa Direto e BTG Pactual).

Adicionalmente, desenvolveu-se o Modelo de Perfil de Mercado (MPM), com o objetivo de sintetizar a percepção dos usuários por meio de indicadores derivados. Esse modelo foi composto pelos indicadores de Reputação Emocional (RE), Neutralidade (N), Polarização Emocional (PE) e Risco Reputacional (RR). Esses indicadores foram calculados a partir das proporções de sentimentos positivos, negativos e neutros observadas para cada instituição.

A Reputação Emocional (RE) foi definida como a diferença entre a proporção de sentimentos positivos e a proporção de sentimentos negativos. A Neutralidade (N) correspondeu à proporção de tweets classificados como neutros. A Polarização Emocional (PE) foi calculada pela soma das proporções de sentimentos positivos e negativos. O Risco Reputacional (RR) foi calculado como uma medida composta pela interação entre a proporção de sentimentos negativos e a polarização emocional.

Complementarmente, aplicou-se o Modelo de Clusterização Bancária (MCB), com o objetivo de identificar padrões estruturais na percepção pública. Para isso, utilizaram-se as proporções de sentimentos positivos e negativos como variáveis de entrada em um algoritmo de modelo não supervisionado, o K-Means, permitindo segmentar os bancos em clusters com características semelhantes. O algoritmo K-Means foi adotado por sua adequação a dados numéricos contínuos e para análises exploratórias de segmentação (MacQueen, 1967; Han et al., 2012; Hair Jr. et al., 2014).

Após a definição do algoritmo K-Means, testaram-se diferentes valores de K, variando de dois a seis clusters, para identificar uma configuração que apresentasse adequada estruturação dos grupos. Para essa definição, utilizaram-se conjuntamente o Método do Cotovelo e o Índice de Silhueta. A solução com três clusters foi adotada como a configuração final do modelo de clusterização, por apresentar um equilíbrio entre a redução da variabilidade interna e a qualidade de agrupamento, além de maior interpretabilidade dos grupos no contexto da análise.

3. Resultados e Discussão

A análise dos dados da base Brazilian Banks Tweets (B2T), que compreendeu 1.096 tweets coletados entre novembro de 2022 e junho de 2023, revelou padrões significativos na percepção pública sobre instituições financeiras brasileiras. O estudo empregou duas abordagens complementares para a análise de sentimentos: a soma das labels e a média das labels, permitindo uma compreensão multifacetada das manifestações dos usuários. Essas abordagens foram cruciais para identificar tanto o sentimento majoritário quanto as nuances de intensidade na percepção, fornecendo uma base robusta para as comparações entre bancos tradicionais e digitais, bem como para a modelagem de perfis de mercado e clusterização bancária.

Inicialmente, a distribuição geral dos sentimentos, utilizando a soma das labels, indicou uma predominância de classificações neutras, representando 46,4% do total de tweets. Os sentimentos negativos corresponderam a 42,5%, enquanto os positivos foram os menos frequentes, com 11,0%. Essa abordagem enfatiza o saldo líquido das avaliações, onde a compensação entre votos positivos e negativos pode resultar em uma classificação neutra, mesmo que o tweet contenha elementos de polaridade. Tal característica sugere que uma parcela considerável das interações não expressa uma polaridade clara ou unívoca, mas sim uma combinação de percepções que se anulam mutuamente.

Em contraste, a abordagem baseada na média das labels apresentou uma distribuição diferente, com 55,4% dos tweets classificados como negativos, 25,4% como neutros e 19,3% como positivos. A média, ao expressar a polaridade em uma escala contínua, permitiu capturar a intensidade relativa da tendência das avaliações, mesmo em casos de opiniões divergentes. Essa diferença entre as abordagens ressalta a importância de utilizar múltiplas métricas para caracterizar a percepção dos usuários, evitando que a interpretação se restrinja a uma única forma de agregação e revelando que a intensidade do sentimento negativo é mais pronunciada quando se considera a média das avaliações.

Ao analisar a distribuição dos sentimentos por tipo de banco, observou-se que os bancos digitais concentraram o maior volume de tweets na amostra. Para ambos os grupos, a predominância de sentimentos variou conforme a abordagem. Na soma das labels, os bancos digitais apresentaram maior concentração de tweets neutros, enquanto nos tradicionais prevaleceram os negativos. Contudo, na abordagem da média das labels, o sentimento negativo foi predominante em ambos os grupos. Em todas as análises, a proporção de sentimentos positivos permaneceu a menor, indicando que a percepção pública tende a ser mais crítica ou neutra, independentemente do modelo de atuação bancária.

A análise individual por instituição financeira revelou que o NuBank se destacou pelo maior volume de tweets, representando 38% do total da amostra. Para este banco, houve uma maior concentração de sentimentos negativos e neutros, dependendo da abordagem utilizada. Bancos tradicionais como Itaú, Bradesco e Santander também apresentaram predominância de tweets negativos e neutros, refletindo opiniões mais equilibradas dos usuários. Instituições com menor representatividade na amostra, como Sofisa Direto e BTG Pactual, apresentaram volumes reduzidos de menções, o que limita a interpretação de padrões de sentimento específicos para essas instituições, mas ainda assim evidenciam que o tipo de banco influencia a percepção do público.

A análise temporal dos sentimentos, agregando os dados por mês e ano, demonstrou um crescimento no volume de tweets a partir de novembro de 2022, atingindo um pico em janeiro de 2023. Durante esse período, observou-se uma concentração crescente de sentimentos negativos. Essa tendência pode estar associada a campanhas específicas ou eventos de final e início de ano que impactaram a percepção dos usuários em relação às instituições financeiras. A evolução dos sentimentos ao longo do tempo sugere que a reputação bancária no ambiente digital é dinâmica e sensível a fatores contextuais, exigindo monitoramento contínuo para identificar mudanças e responder proativamente.

A modelagem analítica foi desenvolvida para sintetizar a percepção dos usuários por meio de indicadores derivados, como Reputação Emocional, Neutralidade, Polarização Emocional e Risco Reputacional. Esses indicadores foram calculados a partir das proporções de sentimentos positivos, negativos e neutros para cada instituição, permitindo uma comparação multidimensional entre os bancos. A Reputação Emocional (RE) foi definida como a diferença entre a proporção de sentimentos positivos e negativos, variando de -1 a 1, onde valores positivos indicam predominância de sentimentos favoráveis e negativos indicam desfavoráveis. A Neutralidade (N) correspondeu à proporção de tweets neutros, indicando a ausência de polaridade emocional. A Polarização Emocional (PE) foi a soma das proporções de sentimentos positivos e negativos, representando o grau de intensidade emocional. Por fim, o Risco Reputacional (RR) foi calculado como a interação entre a proporção de sentimentos negativos e a polarização emocional, indicando a exposição potencial a crises de imagem.

O Modelo de Clusterização Bancária (MCB) foi aplicado utilizando o algoritmo K-Means, com as proporções de sentimentos positivos e negativos como variáveis de entrada. Foram identificados três clusters distintos, refletindo diferentes perfis de percepção pública. O primeiro cluster, composto por Bradesco, BTG Pactual, Banco Pan e BRB, caracterizou-se pela predominância de avaliações negativas e baixa compensação por percepções positivas, indicando maior vulnerabilidade reputacional. Esses bancos, do ponto de vista estratégico, estão mais expostos a riscos relacionados à imagem institucional, sugerindo a necessidade de intervenções para melhorar a percepção pública e reduzir insatisfações recorrentes.

O segundo cluster incluiu Itaú, Banco do Brasil e Nubank, apresentando um perfil mais equilibrado, com maior peso relativo de percepções positivas, o que contribui para uma imagem institucional mais favorável. A presença do Nubank, um banco digital, juntamente com bancos tradicionais, sugere que, apesar das diferenças estruturais nos modelos de negócio, algumas instituições tradicionais conseguem alcançar níveis de percepção comparáveis aos digitais. Esse cluster representa bancos com um posicionamento competitivo mais robusto em termos de reputação emocional, indicando uma maior aceitação por parte dos usuários.

O terceiro cluster foi formado exclusivamente pelo Banco Sofisa Direto, caracterizado por uma baixa intensidade emocional nas interações, com usuários que não expressam opiniões claras sobre a instituição. Esse comportamento pode estar associado a uma menor visibilidade da marca, um volume reduzido de interações ou uma relação mais funcional e menos experiencial com o banco. Embora a baixa negatividade possa parecer positiva, a ausência de sentimentos positivos também sugere limitações na construção de uma imagem institucional forte e diferenciada, indicando um desafio estratégico em termos de posicionamento e reconhecimento de marca. Os bancos Inter e Santander posicionaram-se em uma zona intermediária, sugerindo uma percepção pública em transição, com coexistência de avaliações negativas e positivas, indicando instabilidade.

O Modelo de Perfil de Mercado (MPM) evidenciou diferenças claras entre bancos tradicionais e digitais. Ambos os grupos apresentaram Reputação Emocional negativa, com os tradicionais em -0,37 e os digitais em -0,33, indicando que, embora ambos tenham um saldo negativo, os bancos tradicionais são relativamente mais negativos. Em relação ao Risco Reputacional, os bancos tradicionais obtiveram 0,24, ligeiramente superior aos 0,21 dos bancos digitais, o que sugere uma combinação um pouco mais elevada de negatividade e manifestações emocionalmente polarizadas nos tradicionais. A Polarização Emocional foi de 0,53 para os bancos tradicionais e 0,43 para os digitais, indicando que 53% das manifestações nos tradicionais e 43% nos digitais apresentaram alguma polaridade emocional.

Complementarmente, o indicador de Neutralidade revelou que 57% das manifestações sobre bancos digitais foram neutras, contra 47% nos bancos tradicionais. A maior neutralidade nos bancos digitais indica uma parcela mais elevada de manifestações sem polaridade clara, o que não deve ser interpretado como uma percepção necessariamente mais positiva, mas sim como ausência de polaridade. Esses achados corroboram a literatura que aponta diferenças na percepção dos usuários sobre bancos digitais e tradicionais, especialmente em dimensões como utilidade, conveniência, interação e segurança (Shin, Cho e Lee, 2020), reforçando a existência de características diferenciadas na percepção dos usuários conforme o modelo de atuação bancária.

Em síntese, os resultados demonstram que o tipo de banco influencia significativamente a percepção do público, que a abordagem metodológica impacta a interpretação dos sentimentos e que existem diferenças estruturais tanto na intensidade quanto na natureza das interações dos usuários com as instituições financeiras. A integração entre análise de sentimentos, modelagem de perfil de mercado e técnicas de clusterização mostrou-se eficaz para ampliar a compreensão da imagem institucional no ambiente digital. Os bancos tradicionais apresentaram maior polarização e risco reputacional, enquanto os bancos digitais exibiram maior neutralidade e menor polarização, caracterizando perfis distintos de percepção pública e evidenciando a utilidade da análise quantitativa de sentimentos para a gestão da reputação.

4. Conclusão

O presente estudo analisou, de forma comparativa e quantitativa, os sentimentos expressos por usuários do Twitter/X em relação às instituições bancárias brasileiras, distinguindo entre bancos tradicionais e digitais, com o intuito de compreender as diferenças na percepção dos usuários e suas implicações para a imagem e reputação no ambiente digital. Verificou-se a predominância de sentimentos neutros e negativos nas manifestações analisadas, embora a distribuição exata variasse conforme a abordagem metodológica empregada. Os bancos digitais concentraram maior volume de interações, e a análise individual destacou o NuBank com o maior número de registros. A aplicação do Modelo de Perfil de Mercado (MPM) revelou que os bancos tradicionais exibiram maior polarização emocional e risco reputacional, além de uma reputação emocional mais negativa. Em contrapartida, os bancos digitais apresentaram maior neutralidade e menor polarização e risco reputacional, com uma reputação emocional menos negativa. Adicionalmente, o Modelo de Clusterização Bancária (MCB) identificou três perfis distintos de percepção pública, desde instituições com alta vulnerabilidade reputacional até aquelas com um perfil mais equilibrado e outras com baixa intensidade emocional. Esses achados evidenciam diferenças estruturais significativas na intensidade e na natureza das interações dos usuários com as instituições financeiras, fornecendo uma compreensão aprofundada da imagem institucional no ambiente digital e contribuindo para a formulação de estratégias de gestão da reputação baseadas em dados.

Apesar da robustez metodológica, o estudo possui limitações importantes, como a ausência do conteúdo textual original dos tweets na base de dados utilizada, o que impediu uma análise qualitativa mais aprofundada das razões subjacentes aos sentimentos expressos. Além disso, o volume reduzido de menções para algumas instituições, como Sofisa Direto e BTG Pactual, restringiu a interpretação de padrões de sentimento específicos. Para estudos futuros, sugere-se a investigação dos fatores contextuais e eventos específicos que podem influenciar as tendências de sentimento ao longo do tempo, especialmente em períodos de alta polarização. Recomenda-se também a exploração de metodologias que permitam a análise do conteúdo textual, caso disponível, para desvendar as causas das percepções e aprofundar a compreensão das dinâmicas de engajamento dos usuários. A instabilidade observada na percepção de bancos como Inter e Santander também aponta para a necessidade de pesquisas que explorem os fatores que levam a essa transição de sentimentos.

Referências Bibliográficas

Gil, A. C. (2019). Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 7. ed. São Paulo: Atlas.

Hair Jr., J. F. et al. (2014). Multivariate Data Analysis. 7. ed. Harlow: Pearson.

Han, J.; Kamber, M.; Pei, J. (2012). Data Mining: Concepts and Techniques. 3. ed. Burlington: Morgan Kaufmann.

Kakimoto, G. K.; Haddadi, S. J.; Araújo, P. M.; Silva, F. S.; Reis, J. C.; Reis, M. S. (2024). B2T: A Dataset of Tweets in Portuguese Language about Brazilian Banks. Proceedings of the VI Dataset Showcase Workshop (DSW). Disponível em https://github.com/GabrielKakimoto/B2T-A-Brazilian-Tweet-Banks-Dataset-in-Portuguese-Language . Acesso em: 29 out. 2025.

Kotler, P.; Kartajaya, H.; Setiawan, I. (2017). Marketing 4.0: Moving from Traditional to Digital. Coimbra, Portugal: Conjuntura Actual Editora. Trad. Pedro Elói Duarte.

Liu, B. (2012). Sentiment Analysis and Opinion Mining. Morgan & Claypool Publishers.

MacQueen, J. (1967). Some methods for classification and analysis of multivariate observations. In: Proceedings of the Fifth Berkeley Symposium on Mathematical Statistics and Probability. Berkeley, p. 281-297.

Pak, A.; Paroubek, P. (2010). Twitter as a Corpus for Sentiment Analysis and Opinion Mining. LREC.

Pang, B.; Lee, L. (2008). Opinion Mining and Sentiment Analysis. Foundations and Trends in Information Retrieval. Vol.2.

Pinto, A. R.; Martens, C. D. P.; Kniess, C. T.; Oliveira Filho, B. G. (2023). Digital entrepreneurship in the Brazilian banking sector: analysis based on the emergence of fintechs. Future Studies Research Journal: Trends and Strategies, Vol. 15 No. 1.

SHIN, Jae Woo; CHO, Ji Yeon; LEE, Bong Gyou. (2020). Customer perceptions of Korean digital and traditional banks. International Journal of Bank Marketing, v. 38, n. 2, p. 529–547. DOI: 10.1108/IJBM-03-2019-0084.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Data Science e Analytics do MBA USP/Esalq

Para saber mais sobre o curso, clique aqui e acesse a plataforma MBX Academy

Você também pode gostar

13 de outubro de 2026

Preditores de óbitos em idosos com síndrome respiratória aguda grave confirmados por Influenza A(H1N1)pdm09

A infecção pelo vírus influenza A(H1N1)pdm09 pode evoluir para Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com maior risco de óbitos em idosos. O objetivo foi analisar fatores preditores de óbito em casos de SRAG confirmados para influenza A(H1N1)pdm09, entre idosos com 60 anos ou mais, considerando fatores individuais e contextuais das Regiões Administrativas (RA) do Estado de São Paulo (ESP), e comparar o desempenho de modelos de regressão. Realizou-se um estudo descritivo e analítico no ESP, de 2023 a 2024, utilizando dados do SIVEP-Gripe e da Fundação SEADE. Incluíram-se 714 casos confirmados por RT-PCR de influenza A(H1N1)pdm09 em residentes do ESP com 60 anos ou mais. Analisaram-se variáveis sociodemográficas, clínicas, de internação, tratamento, vacinação e local de residência. Empregou-se regressão logística binária e hierárquica logística, com o desfecho de evolução para óbito. Dos 714 casos, 202 resultaram em óbito. O modelo final de regressão logística binária associou maior chance de óbito ao sexo masculino, idade avançada, saturação de oxigênio inferior a 95%, internação em UTI e uso de suporte ventilatório invasivo. A presença de tosse e o uso de antiviral foram associados a menor chance de óbito. O modelo hierárquico logístico apresentou desempenho semelhante, com pequena contribuição contextual residual das RA. Concluiu-se que o modelo de regressão logística binária foi suficiente e mais simples para representar os dados, sendo adotado como modelo final.

Palavras-chave: Influenza A(H1N1)pdm09; Modelagem hierárquica logística; Óbito por Influenza A(H1N1)pdm09; Regressão logística; Síndrome Respiratória Aguda Grave.

13 de outubro de 2026

Uma visão geral comparativa das frotas de veículos elétricos no Brasil e na União Europeia

O transporte rodoviário contribui para aproximadamente 20% das emissões globais de CO2, impulsionando a busca por soluções de mobilidade mais limpas, como veículos elétricos. O objetivo deste estudo foi comparar os mercados de veículos elétricos no Brasil e na União Europeia, contrastando suas políticas, adoção por consumidores e desenvolvimento de infraestrutura. Empregou-se um desenho de pesquisa descritiva comparativa, analisando dados quantitativos da Associação Brasileira do Veículo Elétrico, Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, European Alternative Fuels Observatory e European Environment Agency para o período de 2015 a 2024, complementados por análise qualitativa de documentos de política. Os resultados revelaram uma divergência estrutural fundamental: o Brasil apresentou crescimento exponencial de 80,7% ao ano (2022-2025), com híbridos compreendendo aproximadamente 66% das vendas e impulsionado por incentivos fiscais que alavancam a bioeconomia do etanol. A União Europeia, por sua vez, mostrou expansão em fase de consolidação a uma taxa anual de 8,35% (2008-2025), com veículos elétricos a bateria superando 40% dos novos registros, impulsionados por mandatos regulatórios vinculativos. A análise de densidade de infraestrutura indicou que a rede pública de carregamento da União Europeia (55,3 pontos por mil veículos de combustível alternativo) era o dobro da brasileira (27,9 pontos por mil veículos eletrificados). A quantificação ambiental confirmou que a matriz energética predominantemente renovável do Brasil (64 gCO2/kWh) resultou em emissões well-to-wheel substancialmente menores em comparação com a matriz da União Europeia (246 gCO2/kWh). Concluiu-se que o modelo brasileiro, com incentivos fiscais neutros em tecnologia e aproveitamento da infraestrutura de biocombustíveis, pode acelerar a adoção de híbridos em economias emergentes com baixo gasto público. Para mercados maduros, o modelo da União Europeia, com mandatos regulatórios, estabeleceu um mercado dominante de veículos elétricos a bateria, embora com custo fiscal mais elevado.

Palavras-chave: Energia renovável; Mercado; Qualitativo; Quantitativo.

13 de outubro de 2026

População e Imigração no Japão: Projeções com Séries Temporais e Análise Causal Demográfica até 2044

O envelhecimento populacional e a baixa taxa de fecundidade configuram desafios demográficos complexos no Japão, acompanhados pela expansão da imigração estrangeira como resposta às restrições de oferta de mão de obra. O estudo teve como objetivo analisar as tendências demográficas japonesas e projetar sua evolução até 2044, com ênfase nas relações entre declínio populacional, fecundidade e imigração. Aplicaram-se os modelos de séries temporais ARIMA e Prophet a dados históricos do Banco Mundial, do Instituto Nacional de Pesquisa Populacional e Segurança Social do Japão e da Agência de Serviços de Imigração do Japão, abrangendo o período de 2003 a 2023 para a série populacional e de 2014 a 2024 para a série imigratória. A análise incluiu estatísticas descritivas, correlação de Pearson, teste de estacionariedade de Dickey-Fuller aumentado e testes de causalidade de Granger, além da avaliação preditiva por meio das métricas MAE e MAPE. Os resultados evidenciaram a continuidade da redução populacional e o crescimento do contingente de imigrantes nas projeções até 2044. O Prophet apresentou menores valores de MAE e MAPE nos conjuntos de teste, embora a curta extensão da série imigratória limitasse a capacidade de generalização. Os testes de causalidade temporal não identificaram evidências estatisticamente significativas de precedência entre população e imigração. Concluiu-se que a imigração pode contribuir para mitigar restrições de oferta de mão de obra, mas não constitui, isoladamente, mecanismo suficiente para reverter o declínio populacional japonês.

Palavras-chave: Declínio populacional; Demografia; Fertilidade; Fluxos migratórios; Séries temporais.

13 de outubro de 2026

Marketing digital e engajamento no youTube: estratégias para canais de crimes reais no Brasil

O fenômeno dos crimes reais consolidou-se como um nicho de crescimento no YouTube brasileiro, impulsionado pela expansão das mídias digitais e pelo fascínio do público. Contudo, muitos criadores enfrentaram dificuldades para alcançar crescimento sustentável. Analisou-se como as estratégias de marketing digital influenciaram o crescimento, o engajamento e a monetização de canais brasileiros de crimes reais na plataforma YouTube. Adotou-se pesquisa de abordagem mista, qualitativa e quantitativa, de natureza exploratória e descritiva. Analisaram-se quatro canais brasileiros do nicho por meio de análise documental de conteúdos, coleta de métricas públicas via Social Blade e Noxinfluencer, e aplicação de questionários a quatro criadores e a 104 espectadores. Os resultados evidenciaram que os canais de maior desempenho adotaram estratégias distintas, como abordagem narrativa linear e contextualizada, comunicação emocional personalizada, postura técnico-informativa ou conteúdo opinativo provocativo. Verificou-se convergência entre criadores e audiência sobre a centralidade do storytelling para retenção, com a maioria dos espectadores afirmando que a forma como a história era contada determinava a continuidade da visualização. Os criadores indicaram o tempo médio de retenção como métrica mais preditiva para crescimento sustentável, embora 100% dependessem exclusivamente do AdSense para monetização, revelando vulnerabilidade financeira. Concluiu-se que o sucesso no nicho depende da integração entre marketing digital, identidade narrativa consistente e responsabilidade ética.

Palavras-chave: creator economy; engajamento digital; marketing de conteúdo; storytelling; true crime.

13 de outubro de 2026

Utilização de técnicas de Machine Learning Não Supervisionado para planejamento de trabalho de revisão de remunerações para aposentadoria

O dimensionamento de pessoal e a gestão de fluxos de aposentadoria em órgãos públicos federais configuraram desafios estratégicos complexos. O estudo teve como objetivo aplicar técnicas de Machine Learning não supervisionado, especificamente Agrupamento (K-means) e Análise de Correspondência Múltipla (ACM), para aprimorar o planejamento de revisões funcionais em uma autarquia federal brasileira. A metodologia consistiu no processamento de uma base validada de 487 servidores ativos. Inicialmente, variáveis quantitativas, como idade, tempo de contribuição e remuneração, foram submetidas ao algoritmo K-means, resultando na formação de cinco clusters, apoiada no Método do Cotovelo e Coeficiente de Silhueta. Subsequentemente, os grupos foram integrados a variáveis qualitativas via ACM, projetadas em um mapa perceptual que explicou 74,81% da inércia dos dados. Os resultados revelaram que os clusters 0 e 3 representaram os perfis de maior criticidade previdenciária, concentrando todos os beneficiários de abono de permanência e a maioria dos cargos extintos. A pesquisa gerou um Plano de Ação escalonado, priorizando os 75 servidores desses clusters que integralizaram os requisitos de aposentadoria até 2025, com diretriz similar para 2026. Em contrapartida, o cluster 2 apresentou menor risco, com inatividade prevista apenas a partir de 2031. O modelo mostrou-se amplamente favorável como ferramenta de auditoria e saneamento, embora sua plena eficácia dependa de uma governança de dados mais rigorosa no serviço público.

Palavras-chave: Agrupamento; Análise de Correspondência Múltipla (ACM); Aposentadoria; Clusterização.

13 de outubro de 2026

Gestão de vendas para o desempenho de uma empresa do setor imobiliário

A gestão de vendas desempenha um papel estratégico no desempenho organizacional, especialmente em setores de desenvolvimento imobiliário, caracterizados por complexidade comercial. Este estudo teve como objetivo analisar a contribuição das práticas de gestão de vendas para o desempenho comercial e organizacional de uma empresa do setor imobiliário, considerando seu modelo de atuação e estrutura comercial. A pesquisa caracterizou-se como exploratória, com abordagem qualitativa e quantitativa, adotando um estudo de caso único. Coletaram-se dados por meio de triangulação, utilizando pesquisa documental e questionário estruturado aplicado à equipe de vendas terceirizada. Os resultados indicaram que a empresa estruturou suas práticas de gestão comercial com metas mensais e anuais, campanhas de marketing e sistemas de incentivos. O desempenho foi acompanhado por indicadores quantitativos, como volume de vendas e percentual de atingimento de metas. No período analisado, realizaram-se 179 vendas, correspondendo a 74,6% da meta anual estabelecida. Observaram-se oportunidades de aprimoramento no alinhamento entre planejamento comercial, acompanhamento de resultados e efetividade das estratégias. A percepção dos corretores apontou limitações nos sistemas de incentivo, como a ausência de progressividade nas comissões e a duração das premiações. Concluiu-se que, embora a gestão de vendas influencie o desempenho organizacional, existem fragilidades no alinhamento entre esforço, recompensa e motivação da força de vendas. Recomendaram-se o fortalecimento do acompanhamento sistemático, a melhoria da comunicação, a definição de metas mais realistas e a implementação de incentivos progressivos para potencializar os resultados comerciais.

Palavras-chave: Estratégias de vendas; Força de vendas; Gestão comercial; Indicadores de desempenho; Setor imobiliário.

13 de outubro de 2026

Delineo: Adaptação de modelo de difusão para prototipagem de interface de usuário guiada por esboço

A evolução da inteligência artificial e das redes neurais profundas revolucionou as interações humano-máquina. Modelos generativos, embora promissores para a síntese de imagens, enfrentam desafios na prototipagem de interfaces de usuário (UI) ao falhar em respeitar a estrutura espacial. Para solucionar essa divergência, propôs-se uma abordagem de difusão latente condicionada, integrando uma arquitetura de controle a um modelo de larga escala ajustado para interfaces móveis, que suportou esboços de UI para guiar a inferência de imagens. A base de dados de treinamento foi composta por aproximadamente 12.400 imagens de UI e esboços de fontes públicas, pré-processadas e enriquecidas com dados sintéticos e instruções textuais. A abordagem utilizou um modelo Stable Diffusion 3.5 Large como base, adaptado com ControlNet canny edges e um adaptador LoRA. A viabilidade da abordagem foi validada por avaliação quantitativa, empregando uma métrica de similaridade semântica normalizada (SSN) baseada em Sentence-BERT, e por análise qualitativa com 20 especialistas da indústria. Os resultados confirmaram que o método superou as capacidades do modelo original. Contudo, a avaliação evidenciou que a eficácia na estruturação lógica da interface ainda enfrentava degradação estética e perda de elementos funcionais. Concluiu-se que, embora a tecnologia comprove sua viabilidade técnica para otimizar a transição entre requisitos e a implementação de código, a automatização de processos criativos demanda aprimoramentos arquiteturais para atingir o rigor visual exigido pela indústria de desenvolvimento de software.

Palavras-chave: Adaptação de baixo posto; Aprendizado de máquina; Difusão latente condicionada; Redes neurais profundas.

Inscreva-se em nossa newsletter!

Receba conteúdos e fique sempre atualizado sobre as novidades em gestão, liderança e carreira com a Revista E&S.

Ao preencher o formulário você está ciente de que podemos enviar comunicações e conteúdos da Revista E&S. Confira nossa Política de Privacidade