Resumo Executivo

18 de maio de 2026

Takt Time na construção civil: otimização de prazos e recursos

Victor Rodrigues da Silva Rebelo; Josué Marcos de Moura Cardoso

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

A gestão do cronograma e dos recursos em projetos de construção civil constitui uma tarefa de elevada complexidade, exigindo a aplicação de ferramentas e técnicas eficazes para assegurar o cumprimento de prazos e o aprimoramento dos recursos disponíveis (Coutinho e Cardoso, 2022; Silva Neto e Cardoso, 2023). Nesse cenário, a aplicação do conceito de ritmo de produção surge como uma abordagem inovadora que busca sincronizar a execução com a demanda, visando reduzir desperdícios e elevar a eficiência operacional (Lehtovaara et al., 2022). A construção civil desempenha um papel determinante na criação de espaços habitacionais e comerciais essenciais para o funcionamento das cidades, mas enfrenta problemas multidisciplinares que devem ser mitigados com foco na melhoria contínua (Romano Santos e Cardoso, 2023). O setor lida com desafios contínuos relacionados à exigência de cumprir prazos estabelecidos, controlar custos e garantir a qualidade, elementos críticos para o sucesso de cada empreendimento (Silva Neto e Cardoso, 2023). O Guia PMBOK contribui com estruturas variadas aplicadas a projetos de qualquer natureza, abordando a gestão do cronograma e dos recursos como áreas de conhecimento interdependentes e cruciais (PMI, 2017; PMI, 2021). Enquanto as diretrizes gerais fornecem bases para o planejamento, a metodologia de ritmo contínuo detalha a execução de forma a alinhar o desempenho das equipes com as metas estabelecidas (Lehtovaara et al., 2022). Diferentemente de outros setores industriais, a construção civil lida com variáveis climáticas, disponibilidade de materiais e imprevistos geográficos que impactam diretamente a produtividade (Frandson et al., 2013; Bernardes, 2021). A gestão dos recursos engloba o planejamento, a estimativa, a aquisição e o controle dos ativos humanos e físicos necessários, buscando aprimorar sua utilização ao longo do ciclo de vida do projeto (PMI, 2021; Silva Neto e Cardoso, 2023). A busca por eficiência nos processos de planejamento e execução tem sido um dos principais desafios enfrentados pelos gestores, impulsionando a adoção de novas metodologias que contribuam para minimizar desperdícios (Mattos, 2019). Métodos que visam padronizar e controlar os tempos de execução das atividades ganham destaque como estratégia para enfrentar a volatilidade do mercado (Lehtovaara et al., 2022). Originado no contexto da produção industrial, o conceito de tempo de ritmo refere-se ao tempo disponível para a execução de uma tarefa com base na demanda e no tempo total permitido (Alvarez e Antunes Junior, 2001; Liker, 2016). Aplicado ao ambiente construtivo, busca-se padronizar o fluxo das atividades, garantindo que o trabalho seja realizado de forma fluida, sem interrupções ou desvios significativos no planejamento (Liker, 1998; Frandson et al., 2013). No cenário atual, marcado pelo aumento dos custos de insumos e escassez de mão de obra qualificada, tal abordagem emerge como solução estratégica para desafios operacionais e de inovação. Estudos anteriores comprovaram melhorias de desempenho mesmo em trabalhos não repetitivos, com ganhos em tempo, custo e previsibilidade (Vatne e Drevland, 2016). Análises adicionais confirmaram a criação de fluxo contínuo, a minimização de margens de segurança e a queda nos custos associados (Kozlovská e Klosová, 2022). A relevância dessa análise reside no impacto direto sobre o contexto específico da construção civil, um setor que ainda enfrenta grandes desafios na implementação de metodologias eficazes de gestão.

Para aprofundar a compreensão sobre a aplicação do ritmo de produção na gestão de cronogramas e recursos, adotou-se uma abordagem experimental de caráter qualiquantitativo. A pesquisa experimental caracteriza-se pela manipulação intencional de variáveis independentes para observar e analisar os efeitos provocados sobre variáveis dependentes em um objeto de estudo (Gil, 2017; Lakatos e Marconi, 2017). Comparou-se um cronograma tradicional com outro ajustado a partir dos princípios de fluxo contínuo, possibilitando avaliar o impacto da metodologia sobre o tempo e a produtividade. De acordo com os fundamentos metodológicos, buscou-se isolar os fatores que influenciam o fenômeno, controlando-os para verificar as relações de causa e efeito (Lakatos e Marconi, 2017). Na área de engenharia, essa abordagem permite avaliar a eficácia de técnicas específicas mediante comparação entre condições tradicionais e intervenções experimentais, conferindo rigor na validação dos resultados. O caráter qualiquantitativo decorre da combinação de dados numéricos com interpretações descritivas e contextuais. A integração dessas abordagens possibilita uma compreensão mais ampla dos fenômenos investigados, articulando a mensuração objetiva de variáveis com a análise subjetiva das percepções dos participantes (Creswell, 2010). No campo da construção, essa estratégia permite aliar indicadores de desempenho às experiências e visões dos profissionais envolvidos. Foram utilizados como instrumentos de coleta a análise documental, a aplicação de critérios de observação participante e um questionário estruturado. A primeira etapa procedeu à revisão da literatura e à contextualização do tema, fundamentando a justificativa para a seleção do assunto. Na sequência, estabeleceram-se os materiais e métodos clássicos, incluindo a seleção das ferramentas para a coleta e análise dos dados. A terceira fase compreendeu a análise documental detalhada e a seleção criteriosa dos participantes respondentes. A análise iniciou-se a partir de um cronograma real de uma edificação residencial vertical, denominada Projeto Vertical de São Paulo, cedido por uma construtora com mais de 40 anos de atuação. O empreendimento envolvia etapas típicas de fundação, estrutura, serviços internos e acabamentos, demandando alta eficiência e rígido controle. A partir dos dados coletados, o cronograma tradicional foi ajustado segundo os princípios de ritmo constante para permitir uma comparação estruturada. O método foi aplicado como variável independente, enquanto os indicadores de prazo e alocação de recursos foram tratados como variáveis dependentes. A observação participante ocorreu durante a atuação profissional no referido projeto, o que possibilitou captar percepções e detalhes do contexto que dificilmente seriam identificados por métodos externos (Gil, 2017). A vivência prática permitiu acompanhar a execução das etapas construtivas e propor ajustes experimentais realistas. Para complementar os dados, aplicou-se um questionário a 23 profissionais atuantes no setor, garantindo a proteção dos participantes conforme as normas éticas vigentes. O perfil do grupo foi composto majoritariamente por engenheiros civis com vasta experiência em projetos de média e longa duração, conferindo credibilidade às análises. A análise dos dados seguiu frentes complementares: para as questões abertas, utilizou-se a técnica de análise de conteúdo para categorização sistemática das respostas (Bardin, 2011); para os dados quantitativos, recorreu-se a procedimentos de tabulação e interpretação descritiva para revelar padrões de comportamento. A triangulação metodológica assegurou robustez às inferências realizadas, permitindo articular a mensuração de indicadores com a análise qualitativa das experiências profissionais (Creswell e Plano Clark, 2018).

O detalhamento do Projeto Vertical de São Paulo revelou uma torre residencial composta por pavimento térreo e 25 pavimentos tipo, totalizando uma estrutura de elevada complexidade logística. A tecnologia construtiva adotada baseou-se em paredes de concreto moldadas no local, método difundido pela capacidade de garantir padronização e racionalização dos processos. As vedações internas foram executadas com sistemas de gesso acartonado para conferir flexibilidade e agilidade. A construtora utiliza como padrão o Método do Caminho Crítico para determinar a duração mínima total do projeto (Santos, 2018; Lima, 2022). No planejamento inicial, estabeleceu-se um prazo de 23 meses para a conclusão integral. Para a aplicação da metodologia experimental, a análise concentrou-se nas etapas com maior grau de repetitividade, caracterizadas por atividades homogêneas e volumes equivalentes de execução. A eficácia do ritmo de produção está relacionada à presença de processos previsíveis que favorecem a padronização e a sincronização das equipes no tempo e no espaço (Lehtovaara et al., 2022). O conceito de tempo de ciclo, que se refere ao tempo real necessário para a conclusão de uma tarefa, foi comparado ao tempo de ritmo desejado, definido pela demanda e capacidade disponível (Koskela et al., 2022). O ritmo atua como um marcador estratégico para sincronizar o fluxo, evitando excessos ou insuficiências de produção. Enquanto o tempo de ciclo é uma medida observacional, o ritmo é uma meta de desempenho que orienta a organização (Liker, 2016; Ballard e Tommelein, 2021). O coeficiente de ritmo foi calculado dividindo-se o tempo disponível pela demanda de entrega, resultando na cadência ideal para que cada unidade seja concluída logo após a anterior. Essa abordagem busca reduzir desperdícios e maximizar o valor agregado, alinhando-se aos princípios da filosofia de construção enxuta (Bernardes, 2021). A sincronização entre o tempo de ciclo e o ritmo é essencial para a estabilidade do fluxo; quando o ciclo excede o ritmo, surgem gargalos, e quando é inferior, ocorre ociosidade (Frandson et al., 2013). No Projeto Vertical, a observação prática confirmou discrepâncias em alguns pavimentos, indicando a necessidade de ajustes no balanceamento. Para o cálculo experimental, levantaram-se os prazos das principais atividades: o início do primeiro pavimento ocorreu em 01/04/2024, com término previsto em 13/08/2024, e a conclusão do vigésimo quinto pavimento em 19/05/2025. O prazo total previsto para a produção foi de 413 dias para as 25 unidades. Aplicando a formulação matemática, obteve-se um ritmo inicial de aproximadamente 12 dias por pavimento. A análise integrada revelou um descompasso significativo no sequenciamento, indicando baixa cadência que gerava paralisação de equipes e descontinuidades na execução. A ineficiência na gestão de materiais também foi identificada, pois o desalinhamento dificultava o planejamento logístico, resultando em excessos de estoque ou faltas pontuais. O descasamento entre as frentes de trabalho comprometia a sincronização e acarretava atrasos generalizados, elevando os custos indiretos. Esses resultados reforçam que o desalinhamento entre ciclo e ritmo gera perdas de fluxo e desperdícios (Frandson et al., 2013). Diante do diagnóstico, a estratégia de aprimoramento consistiu na redistribuição do efetivo e no nivelamento das durações, ajustando recursos humanos para aproximar os tempos de ciclo do ritmo uniforme desejado. Essa lógica visa a eliminação de desperdícios e a estabilidade operacional (Santos, 2018; Marchesini, 2021). Atividades críticas como estrutura, instalações, montagem de vedações e acabamentos foram recalibradas. Embora algumas etapas tenham tido a duração aumentada para respeitar a cadência comum, o sistema global tornou-se mais estável. Com as adequações, o cronograma foi atualizado, mantendo o início em 01/04/2024, mas antecipando o término do vigésimo quinto pavimento para 25/03/2025. O novo ritmo calculado foi de aproximadamente nove dias por pavimento. Esse ajuste refletiu um ganho de 55 dias em relação ao prazo inicial, correspondendo a uma economia de aproximadamente dois meses nos custos indiretos de obra, como canteiro, equipamentos e equipe administrativa. A antecipação da conclusão global evidenciou a efetividade da lógica de fluxo contínuo (Alvarez e Antunes Junior, 2001; Vatne e Drevland, 2016). Além da redução do prazo, destacou-se a eliminação de hiatos produtivos, garantindo melhor planejamento logístico e minimização da ociosidade. A progressão tornou-se linear e fluida ao longo da torre. A aplicação do método melhora a confiabilidade do planejamento e a eficiência do uso de recursos (Kozlovská e Klosová, 2022). A padronização foi determinante para reduzir o risco de desalinhamentos que anteriormente comprometiam a eficiência. A gestão de recursos foi aprimorada ao assegurar que materiais e equipes estivessem disponíveis no momento certo e na quantidade adequada (PMI, 2021). Os efeitos observados incluíram alta previsibilidade na alocação de equipes, redução de hiatos frequentes em acabamentos e organização logística mais eficiente com entregas programadas conforme a necessidade. Do ponto de vista econômico, a abordagem potencializa a redução de custos e aprimora a utilização da mão de obra (Liker, 2016; Bernardes, 2021). A pesquisa com os profissionais revelou que, embora 65% reconheçam os ganhos potenciais, a adoção prática ainda é incipiente. Apenas 26% dos respondentes afirmaram possuir domínio ou experiência direta com o método, enquanto 35% relataram conhecimento intermediário. Esse resultado evidencia que a consolidação do ritmo de produção como prática efetiva ainda é limitada pelas percepções do setor. A baixa disseminação é um dos entraves à consolidação em ambientes de obra quando comparada a ferramentas tradicionais (Vatne e Drevland, 2016). Os profissionais apontaram benefícios relacionados ao controle de prazos (65%), aumento da produtividade (61%) e otimização da alocação de recursos (57%). Contudo, barreiras estruturais como ausência de cultura organizacional voltada à prevenção, planejamento inicial insuficiente e resistência a mudanças foram citadas como desafios. Oito respondentes relataram que as decisões de planejamento ainda são tomadas de forma reativa, comprometendo o fluxo contínuo. Existe uma tendência em priorizar a velocidade de execução em detrimento da qualidade, gerando retrabalhos (Bernardes, 2021). A ausência de visão sistêmica e de apoio da alta gestão configuram-se como entraves principais, reforçando a necessidade de uma cultura orientada à excelência produtiva. A metodologia mostrou-se capaz de promover a padronização do ritmo e maior previsibilidade, confirmando achados da literatura técnica (Frandson et al., 2013; Kozlovská e Klosová, 2022). A efetiva disseminação depende de mudanças culturais, capacitação técnica e integração com ferramentas de planejamento alinhadas às boas práticas de gerenciamento (PMI, 2021). O método não deve ser entendido como técnica isolada, mas como parte de uma transformação organizacional ampla capaz de gerar impactos positivos na sustentabilidade dos empreendimentos.

Conclui-se que o objetivo foi atingido, uma vez que a aplicação experimental da metodologia de ritmo de produção no Projeto Vertical de São Paulo demonstrou resultados expressivos, evidenciando uma redução de 55 dias no cronograma global da obra. A transição de um ritmo de 12 dias para nove dias por pavimento permitiu não apenas a antecipação da entrega, mas também uma economia significativa nos custos indiretos e uma alocação de recursos humanos e materiais muito mais eficiente e previsível. A pesquisa evidenciou que a padronização do fluxo produtivo elimina hiatos e ociosidades, promovendo uma execução linear que mitiga os riscos de atrasos e desperdícios típicos da construção civil. Apesar dos benefícios quantitativos e qualitativos comprovados, observou-se que a adoção plena dessa abordagem ainda enfrenta barreiras culturais e a necessidade de maior apoio da alta gestão nas organizações. A percepção positiva da maioria dos profissionais consultados indica um cenário promissor para a inovação na gestão de projetos, desde que acompanhada por capacitação técnica e pela integração de ferramentas de planejamento que sustentem o fluxo contínuo de produção.

Referências Bibliográficas:

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Frandson, A; Berghede, K; Tommelein, I. 2013. Takt time planning for construction of exterior cladding. In: 21st Annual Conference of the International Group for Lean Construction [IGLC21], 2013, Fortaleza, CE, Brasil. Anais… p. 571–580.

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Liker, J. 1998. Becoming Lean Inside Stories of U.S. Manufacturers. 1ed. Productivity Press, Portland, Oregon, EUA.

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Mattos, A.D. 2019. Planejamento e controle de obras. 2ed. Oficina de textos, São Paulo, SP, Brasil.

Project Management Institute [PMI]. 2017. Guia do Conhecimento em Gerenciamento de Projetos (Guia PMBOK). 6ed. PMI Inc., Newtown Square, Pennsylvania, Estados Unidos da América.

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Silva Neto, M.R.D.; Cardoso, J.M.M.C. 2023. O engajamento, os custos e a produtividade dos colaboradores na construção civil. Trabalho de Conclusão de Curso – MBA em Gestão de Projetos. Escola Superior de Agricultura ‘Luiz de Queiroz’/Universidade de São Paulo, Piracicaba, SP, Brasil.

Vatne, M.; Drevland, F. 2016. Practical benefits of using Takt time planning: A case study. In: 24th Annual Conference of the International Group for Lean Construction (IGLC-24), Boston, MA, EUA. Anais… p. 53–62.

Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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