Resumo Executivo

Mba Executivo Em Liderança E Gestão

11 de junho de 2026

Liderança feminina e engajamento: Desafios e equidade.

Erika Mendonça dos Santos Navarro; Andrea Cristina Deis Rodrigues

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

A liderança feminina no ambiente corporativo, embora em ascensão, ainda enfrenta desafios significativos que impactam diretamente o engajamento e a produtividade dos colaboradores. Este business case, desenvolvido a partir de um estudo de caso em uma empresa do setor químico localizada no estado de São Paulo, buscou analisar a influência de mulheres em posições estratégicas, os obstáculos que elas superam e sua contribuição para um ambiente de trabalho mais inclusivo e colaborativo. A pesquisa revelou que, apesar das barreiras, a liderança feminina se destaca por abordagens que promovem reconhecimento e valorização, consolidando a diversidade como um pilar estratégico para o sucesso organizacional.

O contexto organizacional evidencia que a liderança é um elemento estratégico crucial para o alcance de metas e objetivos, influenciando diretamente o ambiente e os resultados, conforme apontado por Chiavenato (2014). O papel do líder, predominantemente masculino, é fundamental para engajar e orientar colaboradores, conectando-os com a equipe e alinhando-os aos objetivos da organização, como destaca Maxwell (2008). Contudo, a representatividade feminina em cargos de liderança no Brasil ainda é limitada, o que sugere a persistência de barreiras como preconceito de gênero e a sobrecarga da dupla jornada.

Historicamente, o papel da mulher foi associado ao espaço doméstico e aos cuidados familiares. A transição para uma atuação ativa no mercado de trabalho tem sido um fator importante na quebra de paradigmas e na desconstrução do preconceito de gênero. Apesar dos avanços, a desigualdade de gênero persiste no ambiente corporativo, representando um desafio não apenas para as mulheres, mas também para as organizações. Essas transformações exigem uma rápida adaptabilidade organizacional e um forte compromisso com a diversidade, valorizando abordagens como empatia, escuta ativa, colaboração e flexibilidade, características frequentemente observadas em mulheres líderes.

O diagnóstico da situação atual na empresa estudada revelou que a presença feminina em cargos de liderança, embora crescente, ainda é marcada por dificuldades estruturais. A análise de dados de recursos humanos dos últimos 18 meses, incluindo registros administrativos, entrevistas de desligamento e relatórios de saúde ocupacional, indicou que os desligamentos de mulheres, tanto voluntários quanto involuntários, concentram-se na faixa etária de 35 a 44 anos. Notavelmente, 73% das mulheres desligadas nesse período possuíam filhos, e 96% dos atestados médicos por parentalidade foram emitidos para mulheres acompanhantes, evidenciando o impacto da maternidade na vida profissional feminina.

Para aprofundar a compreensão dos desafios enfrentados pela liderança feminina, utilizou-se o Diagrama de Ishikawa, que categorizou as causas em eixos. No eixo “Cultura Organizacional”, identificou-se resistência à equidade de gênero e um ambiente pouco inclusivo. O eixo “Liderança” apontou a baixa representatividade feminina em cargos de decisão. Em “Política Corporativa”, a ausência de metas claras para a equidade de gênero foi um fator relevante. O eixo “Jornada de Trabalho” destacou o alto número de atestados e a sobrecarga da dupla jornada, enquanto “Crescimento” revelou falta de perspectiva de ascensão e “Ferramenta” indicou recursos limitados para capacitação e desenvolvimento de liderança.

A análise do Diagrama de Ishikawa reforçou que os desafios da liderança feminina derivam de causas estruturais e culturais. A resistência à equidade de gênero e o ambiente pouco inclusivo criam barreiras enraizadas. A baixa representatividade feminina compromete a legitimidade da liderança exercida por mulheres. A carência de ações institucionais de equidade impacta a retenção e o desenvolvimento de talentos. A sobrecarga da dupla jornada e o papel feminino na responsabilidade por acompanhamentos médicos dos filhos resultam em desgaste emocional e menor disponibilidade para a atuação. Por fim, a limitação de recursos para capacitação e desenvolvimento restringe o crescimento profissional inclusivo.

A ferramenta SWOT, utilizada para desdobrar as informações, identificou forças como um ambiente colaborativo e o reconhecimento por resultados, alinhados a práticas de gestão modernas e sustentáveis. Contudo, as fraquezas incluíram um ambiente pouco inclusivo e a sobrecarga da dupla jornada, afetando o bem-estar das líderes e sua ascensão profissional. Como ameaças, destacou-se o risco de perda de talentos, com impacto direto na produtividade e capacidade organizacional. Por outro lado, a oportunidade de fortalecer a cultura inclusiva emergiu como um caminho promissor para transformar desafios em vantagens competitivas, consolidando a presença feminina na liderança e potencializando o engajamento organizacional.

Para aprofundar o estudo, foram realizadas entrevistas informais com colaboradores de uma equipe específica e observações da dinâmica de trabalho. Esta etapa visou compreender a liderança, comunicação e engajamento, revelando um estilo de liderança pautado na escuta ativa, empatia, incentivo ao desenvolvimento profissional e valorização da diversidade. Complementarmente, aplicou-se um questionário com quinze perguntas fechadas via Google Forms a colaboradores de um departamento específico, abordando percepções sobre liderança feminina, ambiente organizacional, práticas de inclusão, desenvolvimento profissional e equilíbrio entre vida pessoal e profissional, com uma taxa de resposta superior a 80%.

A pesquisa, baseada na análise de conteúdo das respostas, apontou que, embora a liderança feminina seja reconhecida por traços positivos como empatia, escuta ativa e estímulo ao desenvolvimento, ainda há percepções de desigualdade na valorização e reconhecimento institucional de mulheres em posições de liderança. Essa situação acarreta riscos à retenção de talentos femininos, devido à percepção de obstáculos e dificuldades. Além disso, impacta a satisfação e o engajamento dos colaboradores, especialmente no que tange à valorização da diversidade, indicando a necessidade de ações mais concretas para promover a equidade.

A estratificação das respostas do questionário em quatro eixos – Estilo de Liderança, Inclusão e Diversidade, Desafios e Percepções, e Engajamento e Clima Organizacional – revelou insights importantes. No eixo “Estilo de Liderança”, a maioria dos colaboradores concordou que a liderança feminina demonstra empatia, escuta ativa, estimula o desenvolvimento profissional e se comunica de forma clara e colaborativa. Isso reforça a percepção de um estilo de gestão positivo e eficaz, que contribui para um ambiente de trabalho mais harmonioso e produtivo, destacando a capacidade das líderes em fomentar um clima de respeito e colaboração entre as equipes.

No eixo “Inclusão e Diversidade”, observou-se uma percepção mista. Embora alguns colaboradores concordem que a diversidade de gênero é respeitada e incentivada, uma parcela significativa discorda ou se mostra neutra quanto à valorização da liderança feminina da mesma forma que a masculina, e à igualdade de oportunidades para mulheres em cargos de liderança. Isso sugere que, apesar de iniciativas pontuais, a empresa ainda enfrenta desafios em traduzir o reconhecimento da diversidade em práticas institucionais equitativas, o que pode gerar um sentimento de desvalorização entre as mulheres líderes e impactar a percepção de justiça organizacional.

O eixo “Desafios e Percepções” confirmou que as mulheres líderes enfrentam mais obstáculos que os homens em cargos similares, e que a sobrecarga de responsabilidades impacta seu desempenho. A percepção de que a empresa não oferece suporte adequado para o exercício pleno da função feminina também foi expressiva. Esses dados corroboram a existência de barreiras estruturais e culturais que dificultam a ascensão e a permanência de mulheres em posições de liderança, reforçando a necessidade de intervenções que abordem tanto a cultura organizacional quanto as políticas de apoio e desenvolvimento.

Finalmente, no eixo “Engajamento e Clima Organizacional”, a pesquisa indicou que o estilo de liderança feminina motiva os colaboradores a contribuir com ideias e soluções, e que a cultura organizacional da equipe liderada por mulheres favorece a colaboração e o respeito mútuo. A maioria dos respondentes se sente engajada e satisfeita com o ambiente de trabalho sob liderança feminina. Esses resultados demonstram que, apesar dos desafios enfrentados pelas líderes, seu estilo de gestão tem um impacto positivo no engajamento e no clima organizacional, promovendo um ambiente mais produtivo e harmonioso.

Para uma compreensão mais aprofundada, os dados da pesquisa foram desdobrados em um gráfico de Pareto, que evidenciou que, no eixo de estilo de liderança, a atuação feminina é reconhecida pela empatia, escuta ativa e clareza na comunicação, além do incentivo ao desenvolvimento profissional. Esses elementos reforçam práticas colaborativas e inclusivas no ambiente de trabalho. No eixo de inclusão e diversidade, apesar dos avanços, ainda há discrepância no reconhecimento institucional da liderança feminina em comparação à masculina, indicando que a valorização não se traduz plenamente em oportunidades equitativas.

No eixo de desafios e percepções, notou-se que as líderes enfrentam maiores barreiras do que os homens em cargos similares, com destaque para a sobrecarga da dupla jornada e a ausência de suporte adequado da organização. Esses fatores são limitantes para o desenvolvimento e a retenção de talentos femininos. Por fim, o eixo de engajamento e clima organizacional demonstrou que, apesar dos desafios, o estilo de liderança exercido por mulheres promove um nível elevado de engajamento, satisfação e colaboração entre os membros da equipe, confirmando que práticas baseadas em empatia e inclusão contribuem significativamente para a motivação e o desempenho coletivo.

Diante dos desafios identificados, que incluem a sobrecarga de responsabilidades, a percepção de obstáculos mais intensos para mulheres em cargos de liderança, a ausência de suporte institucional adequado e a valorização desigual em relação aos líderes masculinos, foram consideradas três alternativas para enfrentamento da situação. A primeira alternativa propunha a manutenção do cenário atual, sem intervenção institucional. A segunda alternativa sugeria a adoção pontual de ações de sensibilização, como palestras e campanhas internas. A terceira alternativa, por sua vez, recomendava a implementação de um Programa Executivo de Equidade e Liderança Feminina, com foco em transformação organizacional e alinhamento à estratégia corporativa.

Para fundamentar a escolha da solução mais adequada, foi elaborada uma matriz de decisão que comparou as alternativas propostas com base em critérios como impacto organizacional, viabilidade financeira, alinhamento estratégico e potencial de engajamento. A Alternativa 1, que previa a manutenção do cenário atual, obteve a menor pontuação, com impacto irrelevante e baixa adesão esperada. A Alternativa 2, com ações pontuais de sensibilização, apresentou um impacto moderado e engajamento também moderado, resultando em uma pontuação intermediária. Esses resultados indicaram que abordagens superficiais não seriam suficientes para resolver os problemas estruturais.

A Alternativa 3, o Programa Executivo de Equidade e Liderança Feminina, obteve a maior pontuação total, com 18 pontos. Essa alternativa foi avaliada com impacto amplo e estratégico, custo moderado, alinhamento total com a estratégia organizacional e alto potencial de mobilização. Embora envolva investimentos, seu impacto organizacional abrangente, o alinhamento com a estratégia da empresa e o potencial de engajamento justificam sua escolha como a solução mais eficaz e sustentável. A proposta visa uma transformação organizacional profunda, integrando a equidade de gênero aos objetivos corporativos e promovendo um ambiente mais inclusivo e produtivo.

Os benefícios tangíveis esperados com a implementação da Alternativa 3 incluem o aumento da produtividade das equipes lideradas por mulheres, a melhoria do clima organizacional e o incremento da satisfação dos colaboradores. Além disso, projetam-se benefícios intangíveis significativos, como o fortalecimento da imagem corporativa, um maior engajamento dos funcionários com os valores da empresa, o estímulo à inovação por meio da diversidade de perspectivas e o alinhamento com as práticas de ESG (Environmental, Social, and Governance). Esses resultados combinados reforçam a justificativa para o investimento no programa, posicionando a empresa de forma mais competitiva e responsável no mercado.

O plano de ação para o Programa Executivo de Equidade e Liderança Feminina será desenvolvido ao longo de dez meses, dividido em quatro pilares estratégicos interdependentes. O primeiro pilar, “Governança da Diversidade e Equidade”, foca na revisão do comitê executivo de diversidade e inclusão, com membros da alta liderança. Os entregáveis esperados incluem um comitê formalizado, reuniões periódicas com atas registradas e um plano de metas de equidade aprovado. O objetivo principal é garantir a representatividade feminina nas decisões estratégicas e integrar a diversidade aos objetivos de negócio, promovendo uma governança mais inclusiva e eficaz.

O segundo pilar, “Política Institucional de Ascensão Feminina”, visa estabelecer uma política corporativa de equidade de gênero, com diretrizes claras para recrutamento, promoção, sucessão e remuneração, assegurando igualdade de oportunidades. Os entregáveis incluem um documento oficial da política de equidade e sua inclusão no manual do colaborador. Complementarmente, será implementado um Programa de Mentoria e Desenvolvimento de Carreira, com um ciclo estruturado, workshops e treinamentos, e avaliação de impacto sobre a promoção interna. O objetivo é fortalecer a presença feminina em cargos de decisão, garantindo transparência na progressão de carreira e desenvolvimento profissional.

O terceiro pilar, “Transformação Cultural e Comunicação Institucional”, foca no lançamento de uma campanha institucional de cultura inclusiva, com envolvimento da presidência e diretoria. Os entregáveis esperados são materiais de comunicação interna e externa, e eventos de engajamento. Além disso, será implementada uma política de flexibilização da jornada de trabalho e apoio ao bem-estar, com ferramentas de gestão de tempo e apoio psicológico, e monitoramento de indicadores de engajamento e bem-estar. O objetivo é engajar colaboradores e líderes na transformação cultural, reforçando o compromisso público da empresa com a valorização da liderança feminina e promovendo um ambiente de trabalho mais equilibrado.

O quarto pilar, “Indicadores Estratégicos e Metas de Equidade”, consiste na inclusão de indicadores de diversidade e equidade no painel de gestão estratégica da empresa, com metas específicas para o aumento da representatividade feminina em cargos de liderança. Os entregáveis incluem KPIs definidos e integrados ao BSC ou OKRs, relatórios trimestrais de acompanhamento e metas de representatividade monitoradas. O objetivo principal é estimular a accountability e o comprometimento da liderança com as metas de equidade, garantindo que o progresso seja medido e comunicado de forma transparente, impulsionando a melhoria contínua e a sustentabilidade das ações.

A estimativa de custo para a implementação do programa é de aproximadamente R$ 150.000. Este investimento abrange a formalização de comitês, a criação de políticas institucionais, o desenvolvimento de campanhas de comunicação, a integração de indicadores estratégicos e a execução de programas de desenvolvimento. Os entregáveis esperados, como comitês formalizados, políticas institucionais, campanhas de comunicação, indicadores estratégicos e programas de desenvolvimento, são cruciais para a transformação organizacional. O monitoramento contínuo desses entregáveis e dos indicadores de desempenho será responsabilidade da área de Recursos Humanos, garantindo a efetividade das ações e a consolidação de práticas sustentáveis e inclusivas.

A avaliação da proposta será conduzida por meio de indicadores específicos e mensuráveis, alinhados aos objetivos estratégicos do projeto. Os indicadores de desempenho selecionados incluem o percentual de representatividade feminina em cargos de liderança, a taxa de retenção de talentos femininos (comparando entrada e saída em áreas-chave), o nível de engajamento dos colaboradores medido por pesquisas internas de clima organizacional, a participação em programas de mentoria (número de mulheres envolvidas e taxa de conclusão), a satisfação com políticas de equidade e a redução de relatos de preconceito ou resistência, obtidos via canais internos de escuta e compliance.

O plano de monitoramento, sob responsabilidade da área de RH, garantirá a consistência na mensuração dos resultados, permitindo uma análise contínua da efetividade das ações. Essa abordagem contribuirá para a consolidação de práticas sustentáveis e inclusivas no ambiente corporativo, assegurando que os objetivos de equidade e engajamento sejam alcançados de forma sistemática. A mensuração desses indicadores permitirá ajustes e melhorias ao longo do tempo, garantindo que o programa se mantenha relevante e eficaz na promoção de um ambiente de trabalho mais justo e produtivo para todos os colaboradores.

Em suma, a proposta apresentada destaca a importância estratégica da valorização da liderança feminina para o fortalecimento da cultura organizacional e a promoção do engajamento. As barreiras estruturais identificadas, como a baixa representatividade, o preconceito de gênero e os desafios da dupla jornada, impactam diretamente a satisfação e a produtividade das colaboradoras. As soluções integradas, como programas de mentoria, desenvolvimento de carreira, campanhas de reconhecimento e revisão de políticas internas, demandam investimentos moderados, mas oferecem benefícios expressivos, tanto tangíveis, como a retenção de talentos e o aumento da performance, quanto intangíveis, como o fortalecimento da imagem da empresa e o estímulo à inovação.

A aprovação e execução das propostas representam uma decisão estratégica que não apenas contribui para a resolução dos problemas diagnosticados, mas também posiciona a organização como referência em práticas de gestão inclusiva, colaborativa e sustentável. A liderança feminina, quando valorizada e apoiada por ações estruturadas, emerge como um diferencial competitivo, impulsionando a criação de ambientes mais colaborativos, inclusivos e sustentáveis, e contribuindo para o sucesso organizacional a longo prazo.

Referências Bibliográficas:

CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de Pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014.

MAXWELL, John C. O livro de ouro da liderança. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2008.

Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Executivo em Liderança e Gestão do MBA USP/Esalq

Para saber mais sobre o curso, clique aqui e acesse a plataforma MBX Academy

Quem editou este artigo

Mais recentes

Você também pode gostar

Quer ficar por dentro das nossas últimas publicações? Inscreva-se em nossa newsletter!

Receba conteúdos e fique sempre atualizado sobre as novidades em gestão, liderança e carreira com a Revista E&S.

Ao preencher o formulário você está ciente de que podemos enviar comunicações e conteúdos da Revista E&S. Confira nossa Política de Privacidade