Artigo

11 de junho de 2026

A inclusão de estudantes com Transtornos Globais do Desenvolvimento: um olhar sobre a gestão educacional

Felipe Augusto Barbosa; Silvia Renata de Oliveira Santos

DOI: 10.22167/2675-6528-2026M02

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

A pesquisa analisou a presença e a qualidade das ações voltadas à inclusão de estudantes com Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD) nos Planos Plurianuais de Gestão (PPGs) de nove Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) de São Paulo. O estudo teve como objetivo investigar em que medida os PPGs dessas escolas de ensino técnico garantem o direito de alunos com TGD à educação, promovendo sua participação e aprendizagem em ambientes comuns de ensino. Adotou-se uma abordagem qualitativa, com análise documental comparativa, orientada por dez critérios temáticos relacionados à inclusão escolar, que incluíram adaptação curricular, redes de apoio, suporte específico, integração do professor regular, formação continuada e convívio social. Os resultados revelaram que nenhuma das escolas atendeu plenamente a todos os critérios estabelecidos. Constatou-se que a inclusão nos PPGs analisados permaneceu restrita ao plano declarativo, apresentando fragilidades na definição de ações práticas, metas mensuráveis e estratégias de acompanhamento. Concluiu-se que a efetivação da inclusão nas Etecs requer maior detalhamento nos documentos de gestão, articulação intersetorial e engajamento comunitário, visando transformar enunciados normativos em práticas cotidianas capazes de garantir aprendizagem, participação e desenvolvimento aos estudantes com TGD. Palavras-chave: Diversidade; Educação inclusiva; Educação profissional; Gestão educacional; Políticas públicas.

1. Introdução

A consolidação de uma educação verdadeiramente inclusiva representa um dos principais desafios das políticas públicas educacionais no Brasil. Garantir o direito de acesso, permanência, participação e aprendizagem de todos os estudantes, especialmente aqueles com Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD), é um compromisso assumido por legislações fundamentais. Entre elas, destacam-se a Constituição Federal de 1988, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996), a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008) e a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015). Esses marcos legais estabelecem as bases para um sistema educacional que valoriza a diversidade e a equidade.

Apesar desse arcabouço legal, estudantes com TGD, grupo que inclui condições como o autismo, enfrentam barreiras significativas. Estas vão além da acessibilidade física, abrangendo práticas pedagógicas pouco flexíveis, ausência de recursos de apoio e falta de formação específica dos docentes (Mendes, 2006; Oliveira & Prieto, 2020). A inclusão, conforme Mantoan (2003), exige uma reestruturação profunda das concepções escolares, substituindo lógicas excludentes por práticas que reconheçam a diversidade como valor central. A aprendizagem, nesse contexto, é vista como a formação de conexões neurais que são moldadas pelas vivências, e a plasticidade cerebral permite a adaptação a novos aprendizados ao longo da vida (Cosenza & Guerra, 2011; Ohlweiler et al., 2016).

Nesse cenário, o planejamento da gestão escolar assume um papel central, atuando como elo entre os princípios legais da inclusão e sua efetivação pedagógica. Os Planos Plurianuais de Gestão (PPGs) configuram-se como documentos estratégicos para a implementação de ações inclusivas, pois expressam a concepção de educação, as diretrizes pedagógicas e os compromissos institucionais de cada escola. Como destaca Veiga (2014), o projeto político-pedagógico, e no caso das Etecs, o PPG, traduz as escolhas institucionais, definindo objetivos e estratégias que revelam o compromisso da escola com a diversidade. Uma gestão democrática e participativa, que envolve docentes, estudantes e famílias, favorece a construção de práticas colaborativas e inclusivas, essenciais para garantir o acesso, a permanência e o desenvolvimento de todos os estudantes, incluindo aqueles com TGD.

As Escolas Técnicas Estaduais (Etecs), vinculadas ao Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza (CEETEPS), desempenham um papel essencial na educação técnica e média em São Paulo. Para dar efetividade à inclusão, normativas do Centro Paula Souza, como o Regimento Comum e a Deliberação nº 87/2022, estabelecem que suas ações pedagógicas devem observar as diretrizes legais e garantir atendimento especializado. Relatórios do CEETEPS indicam que, entre 2011 e 2015, o atendimento a estudantes com TGD quintuplicou, com suporte efetivo. Esses avanços se alinham à Política Nacional de Educação Especial (2008), que orienta a transversalização da inclusão e a articulação intersetorial. Adicionalmente, o Decreto nº 57.379, de 13 de outubro de 2016, da cidade de São Paulo, define diretrizes para o atendimento educacional de estudantes com TGD, fundamentado na Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.

Apesar dos avanços legislativos e conceituais, ainda há um distanciamento entre as diretrizes legais e as práticas escolares. As Etecs de São Paulo, embora reconhecidas por seu desempenho acadêmico, nem sempre demonstram o mesmo compromisso com a equidade educacional para alunos com TGD. Estudos que analisam os PPGs dessas instituições sob a ótica da inclusão são escassos, o que evidencia a necessidade de investigar se os princípios inclusivos estão de fato presentes nesses documentos ou se permanecem apenas no discurso. A análise dos PPGs à luz de critérios inclusivos permite revelar omissões, contradições e boas práticas, fornecendo subsídios para a construção de políticas educacionais mais eficazes e verdadeiramente inclusivas.

Portanto, este estudo justifica-se pela relevância do PPG como documento norteador da prática pedagógica e pela necessidade de verificar em que medida ele formaliza o direito à educação inclusiva previsto na legislação brasileira. O objetivo deste trabalho é investigar em que medida os Planos Plurianuais de escolas de ensino técnico garantem o direito de alunos com Transtornos Globais do Desenvolvimento à educação, promovendo a participação e a aprendizagem em ambientes comuns de ensino.

2. Material e Métodos

A pesquisa adotou uma natureza qualitativa e fundamentou-se na pesquisa documental, com enfoque aplicado, em consonância com as premissas de Gil (2019). A escolha da abordagem qualitativa justificou-se pela complexidade e subjetividade do objeto analisado, buscando identificar a presença de temas e propostas relacionadas à inclusão, em vez de apenas quantificá-los.

Como referencial teórico-metodológico, utilizou-se a perspectiva da construção democrática dos projetos escolares, com foco na promoção de práticas pedagógicas inclusivas. Essa perspectiva orientou a análise quanto à presença de dispositivos voltados ao atendimento de estudantes com Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD) nos documentos investigados.

O objeto empírico do estudo consistiu nos Planos Plurianuais de Gestão (PPGs) de nove Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) localizadas na cidade de São Paulo. A seleção dessas unidades foi realizada a partir de um universo de 39 Etecs na capital paulista. O critério de seleção baseou-se no nível de desempenho das escolas, categorizado em alto, médio e baixo, conforme as médias das notas do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) de 2020, obtidas da plataforma Evolucional.

O instrumento de coleta de dados empregado foi a análise documental, que, segundo Flick (2009), permite investigar e analisar dados de distintas fontes documentais, favorecendo a construção de um cenário amplo sobre o objeto estudado. Os PPGs foram obtidos entre abril e junho de 2025, por meio de consulta a repositórios públicos da Secretaria Estadual de Educação ou dos próprios sites institucionais das unidades de ensino. Foram considerados apenas documentos com datas de vigência entre os anos de 2019 e 2028.

Além dos PPGs, foram investigados documentos públicos institucionais que serviram como base normativa e conceitual para a análise. Estes incluíram a Constituição Federal de 1988, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996), a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008), a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015), o Regimento Comum e a Deliberação nº 87/2022 do Centro Paula Souza, e o Decreto nº 57.379, de 13 de outubro de 2016, da cidade de São Paulo. A análise dos documentos ocorreu entre junho e julho de 2025.

A técnica de análise dos dados foi a análise documental, conforme Lüdke e André (1986) e Bardin (2011), envolvendo leitura, interpretação, classificação e categorização do material. Adotou-se a análise de conteúdo, que, segundo Bardin (1977), busca revelar o sentido das mensagens contidas nos textos. A análise foi orientada por dez categorias temáticas relacionadas à inclusão escolar, que incluíram adaptação curricular, redes de apoio, suporte didático específico, integração do professor regular, projetos cooperativos, formação continuada, reflexão e redimensionamento, método avaliativo adaptado, ações informativas e monitoramento do convívio social.

Cada categoria de análise foi avaliada nos documentos com base em uma escala qualitativa composta por três níveis: “Atende Totalmente” (AT), atribuído quando o documento contemplava ou atendia totalmente aos critérios; “Atende Parcialmente” (AP), quando o documento atendia parcialmente; e “Não Atende” (NA), quando o documento não apresentava nenhum dos critérios de avaliação estabelecidos. Os trechos correspondentes foram extraídos, sistematizados e organizados em quadros comparativos, permitindo a identificação de padrões e lacunas.

3. Resultados e Discussão

A presente seção aborda os resultados e a discussão da pesquisa, que investigou a presença e a qualidade das ações voltadas à inclusão de estudantes com Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD) nos Planos Plurianuais de Gestão (PPGs) de nove Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) de São Paulo. Inicialmente, contextualiza-se a compreensão de aprendizagem e os transtornos associados, fundamentais para a discussão da inclusão. A neuropsicologia e a neurociência indicam que a aprendizagem se estabelece por meio de conexões sinápticas, moldadas pelas vivências individuais (Cosenza & Guerra, 2011). A plasticidade cerebral, a capacidade de adaptação do cérebro a novos aprendizados, persiste ao longo da vida, inclusive em adultos e idosos (Ohlweiler et al., 2016).

A aprendizagem, na perspectiva de Fonseca (2011), envolve a modificação de um comportamento que se desenvolve com prática e exposição, dependendo da eficiência das redes sinápticas. Pessoas com TGD podem apresentar dificuldades específicas em áreas como linguagem oral, leitura, escrita ou raciocínio lógico, decorrentes de alterações no sistema nervoso central, ou agravadas por fatores ambientais (Ohlweiler et al., 2016). Contudo, a capacidade de aprendizagem em indivíduos com desenvolvimento atípico permanece preservada, e com suporte pedagógico adequado, estratégias especializadas e estímulos contínuos, esses estudantes podem desenvolver habilidades relevantes, impulsionados pela neuroplasticidade.

O Plano Plurianual de Gestão (PPG) é um documento estratégico que reflete o compromisso da escola com a educação inclusiva, especialmente para estudantes com TGD. A Constituição Federal de 1988 e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996) estabelecem a igualdade de acesso e permanência, além da gestão democrática, como pilares para políticas escolares inclusivas. O PPG, ao operacionalizar o Projeto Político-Pedagógico no contexto das Etecs, deve incorporar diretrizes que assegurem o direito à aprendizagem de todos os estudantes, incluindo aqueles com TGD (Drago, 2019). Ele atua como um termômetro do comprometimento da escola com práticas pedagógicas verdadeiramente democráticas, que rompam com modelos padronizados e excludentes (Veiga, 2014).

A análise dos PPGs das nove Etecs selecionadas, categorizadas por desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) de 2020, revelou um cenário de fragilidades na efetivação da inclusão. As escolas foram divididas em grupos de alto (ETEC A1, A2, A3), médio (ETEC B1, B2, B3) e baixo desempenho (ETEC C1, C2, C3), com notas médias variando de 652,34 a 505,94. A investigação utilizou dez critérios de análise qualitativa para avaliar a inclusão de estudantes com TGD, conforme detalhado na metodologia. Os resultados indicam que nenhuma das escolas atendeu plenamente a todos os critérios, e a maioria apresentou atendimento parcial ou ausência de menção a ações inclusivas. Adaptação Curricular

A adaptação curricular é um pilar fundamental para a inclusão escolar, conforme previsto na Constituição Federal de 1988, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996), na Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008) e na Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015). Essas normativas exigem currículos flexíveis e sensíveis às singularidades dos estudantes, com recursos e metodologias acessíveis. A previsão de mecanismos de adaptação curricular nos PPGs das Etecs, como estratégias de simplificação de conteúdos ou flexibilização de atividades, é crucial para reduzir barreiras e favorecer a aprendizagem de alunos com TGD, valorizando suas conquistas individuais e respeitando suas trajetórias.

A análise dos PPGs revelou que seis das nove Etecs (A1, A2, A3, B1, B3 e C3) atendem parcialmente à incorporação de diretrizes de adaptação curricular. Essas escolas fazem referências genéricas à necessidade de respeitar a diversidade ou ajustar práticas, mas sem detalhar estratégias concretas para flexibilização de conteúdos, metodologias ou avaliações. As três Etecs restantes (B2, C1 e C2) não apresentam qualquer menção ao tema. Essa superficialidade e ausência de diretrizes claras nos documentos distanciam as Etecs das orientações legais e da literatura acadêmica, que apontam a centralidade das adaptações para evitar exclusão ou fracasso escolar (Mantoan, 2006; Mittler, 2003), indicando que a adaptação curricular permanece um ponto crítico nos PPGs. Redes de Apoio

A constituição de uma rede de apoio escolar é um dos pilares da inclusão, conforme estabelecido pela Constituição Federal de 1988 e pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996). A Resolução CNE/CEB nº 4/2009 e a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) reforçam a importância das parcerias intersetoriais com órgãos como o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e o Centro de Formação e Acompanhamento à Inclusão (CEFAI), além de ONGs e secretarias. Essa articulação garante recursos materiais e humanos, bem como estratégias interdisciplinares que promovem o desenvolvimento integral do estudante com TGD, ampliando a permanência, a aprendizagem e a convivência social.

No entanto, a análise dos PPGs das nove Etecs investigadas revelou que nenhuma delas atende ao critério de rede de apoio. A ausência de redes de apoio organizadas nos documentos compromete a efetividade das políticas inclusivas, restringindo a responsabilidade da inclusão ao espaço escolar, sem o suporte externo necessário. Estudos como os de Muto et al. (2021) e UNESCO (2023) evidenciam que a articulação intersetorial é fundamental para superar barreiras e consolidar práticas inclusivas. A falta dessa perspectiva nos PPGs analisados demonstra um distanciamento das diretrizes legais e acadêmicas, deixando em aberto um pilar essencial para o desenvolvimento integral dos alunos com TGD (Oliveira & Pedro, 2024). Suporte Específico

O suporte específico é uma condição central para a função inclusiva da escola, exigindo recursos pedagógicos e humanos adaptados às singularidades de cada estudante. A Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) e o Decreto nº 57.379/2016 enfatizam a necessidade de profissionais especializados, tecnologias assistivas e estratégias individualizadas para estudantes público-alvo da educação especial. Esses instrumentos abrangem a mediação de profissionais capacitados para atender às especificidades dos alunos com TGD, garantindo seu desenvolvimento acadêmico e social. A inclusão se concretiza quando a escola garante programas, serviços e apoios adequados, adaptados às necessidades singulares de cada estudante (Lyra & Souper, 2021).

A análise dos PPGs mostrou que apenas o da ETEC A1 atende parcialmente à incorporação de diretrizes que assegurem suporte didático específico. As demais Etecs investigadas não atendem a esse critério. Essa previsão parcial, observada em apenas uma das escolas, evidencia que o compromisso com o suporte específico ainda é incipiente. A falta de detalhamento sobre recursos humanos, tecnológicos e pedagógicos nos PPGs indica que a inclusão permanece em um nível declarativo, sem se converter em políticas efetivas. O Atendimento Educacional Especializado (AEE), conforme Florencio (2021), é uma ferramenta institucional crucial, mas sua previsão parcial revela um desafio ainda não consolidado para assegurar condições reais de aprendizagem aos estudantes com TGD. Integração do Professor Regular

A integração do professor da sala regular como corresponsável pela inclusão é um ponto amplamente reforçado pela literatura educacional e pelas normativas nacionais, como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996) e a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008). A educação inclusiva se efetiva no espaço comum de aprendizagem, com o docente regular atuando como protagonista na adaptação de práticas e conteúdos (Mantoan, 2006). Essa corresponsabilidade entre professores especialistas e regulares no planejamento pedagógico garante que os conteúdos curriculares sejam adaptados e acessíveis, preservando o espaço de convivência e socialização dos alunos.

Os resultados da análise dos PPGs demonstram que seis Etecs (A1, A2, A3, B1, B3 e C3) mencionam o critério de integração do professor regular de forma parcial, com referências genéricas que carecem de clareza quanto à aplicação prática. As Etecs B2, C1 e C2 não apresentam qualquer menção ao tema. Essa superficialidade nas menções indica que, em grande parte das Etecs, a integração do professor regular ainda não é assumida como princípio estruturante da inclusão. Florencio (2021) enfatiza que o AEE não substitui a atuação do docente regular, mas deve ocorrer em articulação com ele. A ausência de um compromisso claro nos PPGs impede que a inclusão avance para além de iniciativas pontuais (Lyra & Souper, 2021). Projetos Cooperativos

Os projetos cooperativos são fundamentais para transformar a escola em um espaço de convivência inclusiva, onde a aprendizagem se constrói também pelas relações sociais. A Constituição Federal de 1988 estabelece o preparo para a cidadania como dever da educação, e a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) reforça a necessidade de promover a participação social da pessoa com deficiência em todos os ambientes. Mittler (2003) defende que o processo inclusivo se fortalece pela cooperação entre pares, criando oportunidades de interação e solidariedade entre alunos com e sem deficiência. Essa perspectiva desloca o foco do atendimento individualizado para uma prática mais ampla, em que a comunidade escolar se torna corresponsável pelo desenvolvimento integral do estudante.

A análise dos Planos Plurianuais de Gestão (PPGs) das Etecs revelou que nenhuma das escolas investigadas atende ao critério de projetos cooperativos. Essa ausência representa uma lacuna significativa entre o previsto em lei e a prática institucional, comprometendo o potencial inclusivo dos PPGs. A literatura aponta que parcerias bem estruturadas ampliam o repertório de experiências dos estudantes e fortalecem a rede de apoio que sustenta a inclusão (Boniatti et al., 2025). A inexistência de iniciativas que articulem escola, família, órgãos públicos e comunidade impede que o processo inclusivo avance para além do espaço da sala de aula, enfraquecendo a construção de vínculos sociais e de pertencimento. Formação Continuada

A formação continuada é um dos elementos-chave para a concretização da educação inclusiva na prática. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996), a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008) e a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) enfatizam a obrigatoriedade de formação permanente para professores e demais membros da comunidade escolar. Essa capacitação visa sensibilizar e preparar educadores para compreender a diversidade e adotar estratégias pedagógicas inclusivas, ultrapassando a mera transmissão de técnicas. Investir na formação continuada não é apenas cumprir um requisito legal, mas consolidar um projeto educativo capaz de transformar a escola em um espaço democrático e inclusivo.

A análise dos PPGs das Etecs indica que todas as escolas mencionam a formação continuada, mas de maneira genérica, sem detalhar mecanismos, periodicidade ou estratégias de implementação. Isso evidencia um atendimento parcial ao critério. Sponchiado (2020) reforça que a formação permanente tem potencial para transformar o discurso inclusivo em prática concreta, desde que seja estruturada de forma contínua e crítica. A ausência de referências específicas nos PPGs limita a construção de espaços de reflexão coletiva e de partilha de experiências, fundamentais para que os docentes ressignifiquem sua atuação frente à diversidade. Assim, a abordagem superficial demonstra que a categoria não está consolidada nos documentos institucionais. Reflexões e Redimensionamento

A reflexão e o redimensionamento permanentes da prática escolar são indispensáveis em um projeto pedagógico que busca a inclusão. A Constituição Federal de 1988 assegura a educação como direito social, e a Lei de Diretrizes e Bases (Lei nº 9.394/1996) prevê a avaliação institucional e a autonomia pedagógica, permitindo ajustes contínuos. A Deliberação CEETEPS nº 87/2022 reforça a necessidade de atualização constante dos documentos de gestão para que contemplem as realidades da comunidade escolar. Esse processo de revisão não é um mero formalismo, mas visa assegurar que a escola acompanhe as transformações sociais e responda às especificidades de seus estudantes, especialmente aqueles com TGD.

Nos Planos Plurianuais de Gestão (PPGs) das Etecs, a previsão de mecanismos de avaliação e redimensionamento contínuo traduz uma postura de responsabilidade institucional diante da diversidade. No entanto, todas as escolas atendem parcialmente a essa categoria. A inclusão de momentos de análise crítica, revisões periódicas e espaços de escuta da comunidade escolar, embora presentes, carecem de maior detalhamento. Essa prática permite que erros sejam corrigidos e estratégias aprimoradas (BRASIL, 1996; CEETEPS, 2022; VEIGA, 2001; LIBÂNEO, 2012), mas a abordagem parcial nos PPGs indica que o redimensionamento, embora reconhecido, ainda não se manifesta com a profundidade necessária para uma transformação institucional plena. Método Avaliativo

O método avaliativo desempenha um papel central na construção de uma escola inclusiva, pois não se limita a aferir resultados, mas a reconhecer processos de aprendizagem. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996) estabelece que a avaliação deve ser contínua e cumulativa, considerando o desenvolvimento do estudante em diferentes dimensões. Essa concepção dialoga com a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015), que exige práticas avaliativas capazes de respeitar as condições específicas dos alunos público-alvo da educação especial, valorizando suas conquistas e promovendo o avanço. O método avaliativo inclusivo atua como instrumento de promoção, possibilitando que o aluno com TGD seja reconhecido em sua singularidade e tenha oportunidades de progresso.

Em relação a essa categoria, os PPGs das Etecs A1 e B1 atendem totalmente à incorporação de diretrizes que asseguram métodos avaliativos adaptados. As demais Etecs, no entanto, atendem parcialmente ao critério. A definição de diretrizes claras para o método avaliativo nos PPGs representa um compromisso ético com a diversidade escolar. A reorganização desse processo deve contemplar adaptações que vão desde a flexibilização de prazos até a valorização de progressos individuais, de forma a não excluir ou marginalizar os estudantes com TGD (BRASIL, 2015; BRASIL, 2008; BRASIL, 2009; MITTLER, 2003; MANTOAN, 2006). Quando o PPG orienta práticas avaliativas diferenciadas, ele fortalece a função social da escola como espaço de acolhimento e equidade. Ações Informativas

As ações informativas dirigidas ao corpo docente representam um ponto estratégico da política de inclusão, pois garantem que os professores tenham acesso às particularidades dos estudantes e possam ajustar suas práticas de forma consciente. A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008) prevê que a formação e a circulação de informações são essenciais para o planejamento pedagógico. Do mesmo modo, a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) determina que o sistema educacional adote medidas de acessibilidade, incluindo a comunicação clara sobre as necessidades específicas dos alunos. Quando a escola promove informações consistentes sobre os estudantes com TGD, cria condições para que o corpo docente atue de forma preventiva e inclusiva, evitando improvisações ou práticas excludentes.

A análise dos Planos Plurianuais de Gestão (PPGs) das Etecs revela que não há registros de ações informativas sistemáticas voltadas ao corpo docente no que se refere às especificidades dos alunos com TGD. Nenhuma das Etecs atende a esse critério. Essa ausência é preocupante, pois a literatura demonstra que a circulação de informações claras e organizadas é condição fundamental para a efetivação da inclusão. Muto et al. (2021) reforçam que documentos como o Programa de Ensino Individualizado (PEI) cumprem a função de registrar, comunicar e orientar práticas pedagógicas personalizadas. A inexistência de ações informativas institucionalizadas pode contribuir para práticas pedagógicas fragmentadas, dificultando a construção de uma escola efetivamente inclusiva e democrática. Convívio Social

O convívio social é uma dimensão essencial da educação inclusiva, pois vai além do acesso à sala de aula e envolve a participação plena do estudante em todos os espaços escolares. A Constituição Federal de 1988, no artigo 3º, assegura a promoção do bem de todos sem discriminação, princípio reforçado pela Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015). Essa lei determina medidas para prevenir práticas de exclusão e assegurar a convivência em igualdade de condições. Autores como Mittler (2003) destacam que a inclusão se fortalece nas interações cotidianas, em que a diversidade é reconhecida como oportunidade de aprendizagem mútua. O monitoramento das relações entre os alunos torna-se imprescindível para que a escola identifique e combata situações de preconceito, isolamento ou violência.

Em relação à categoria de convívio social, nenhuma das Etecs investigadas atende ao critério analisado. A ausência de menções ao convívio social nos PPGs das Etecs revela uma lacuna significativa no tratamento da inclusão. Schmidt (2008) aponta que a socialização constitui um dos maiores desafios e, ao mesmo tempo, uma das maiores oportunidades de aprendizagem para alunos com TGD. Pesquisas mostram que a convivência em grupo amplia habilidades cognitivas, de interação e comunicação. O não reconhecimento desse aspecto nos documentos institucionais pode comprometer a construção de ambientes escolares mais democráticos e inclusivos. A promoção de estratégias voltadas ao convívio social, como atividades integradoras e mediação de pares, não é opcional, mas um dever institucional.

Em síntese, a análise dos Planos Plurianuais de Gestão das Etecs revelou que a inclusão de estudantes com Transtornos Globais do Desenvolvimento, embora presente no discurso institucional, ainda não está consolidada como princípio estruturante. Os documentos analisados apresentaram a inclusão de forma fragmentada, sem o detalhamento e a clareza necessários para transformar intenções em práticas efetivas. A presença de critérios apenas parcialmente atendidos, somada ao número significativo de categorias não contempladas, expõe um cenário em que a inclusão se mantém mais como compromisso retórico do que como política de ação. A ausência de redes de apoio e de estratégias para monitorar o convívio social, por exemplo, invisibiliza desafios cruciais dos estudantes com TGD, perpetuando barreiras que impedem o pleno exercício do direito à aprendizagem. A superficialidade das ações previstas nos casos de atendimento parcial fragiliza o papel dos PPGs como documentos de gestão, pois não fornecem subsídios suficientes para orientar práticas pedagógicas consistentes nem permitem avaliar a efetividade das iniciativas ao longo do tempo. Esse cenário evidencia a necessidade de revisão dos PPGs, com detalhamento de ações concretas, previsão de metas verificáveis e fortalecimento da articulação entre professores, gestores, famílias e comunidade, para que a inclusão deixe de ser responsabilidade isolada da escola e se torne um compromisso coletivo, garantindo aprendizagem, participação e desenvolvimento aos estudantes com TGD.

4. Conclusão

Este estudo investigou em que medida os Planos Plurianuais de Gestão (PPGs) de Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) de São Paulo garantem o direito de alunos com Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD) à educação, promovendo sua participação e aprendizagem em ambientes comuns de ensino. Verificou-se que, nas nove Etecs analisadas, a inclusão de estudantes com TGD, embora presente no discurso institucional, não se consolidou como princípio estruturante nos PPGs. Os resultados revelaram que nenhuma das escolas atendeu plenamente aos dez critérios temáticos relacionados à inclusão escolar, como adaptação curricular, redes de apoio, suporte específico, integração do professor regular, formação continuada e convívio social. Constatou-se que a inclusão permaneceu restrita ao plano declarativo, com fragilidades na definição de ações práticas, metas mensuráveis e estratégias de acompanhamento. A ausência de redes de apoio e de estratégias para monitorar o convívio social, por exemplo, invisibilizou desafios cruciais, perpetuando barreiras ao pleno exercício do direito à aprendizagem. A principal contribuição deste trabalho reside em evidenciar o distanciamento entre as diretrizes legais e as práticas documentadas, fornecendo subsídios para a construção de políticas educacionais mais eficazes e verdadeiramente inclusivas.

A superficialidade das ações previstas, mesmo nos casos de atendimento parcial, fragilizou o papel dos PPGs como documentos de gestão, pois não orientaram práticas pedagógicas consistentes nem permitiram avaliar a efetividade das iniciativas. Uma limitação do estudo é que a análise se concentrou nos documentos de gestão, não abrangendo a observação das práticas pedagógicas cotidianas. Para a efetivação da inclusão nas Etecs, faz-se necessária a revisão dos PPGs, com maior detalhamento de ações concretas, previsão de metas verificáveis e fortalecimento da articulação entre professores, gestores, famílias e comunidade. Sugere-se que estudos futuros investiguem a implementação dessas políticas em campo, observando as práticas e os impactos diretos na vida dos estudantes com TGD. É urgente superar a lógica da inclusão restrita ao espaço escolar, ampliando-a para um trabalho intersetorial e engajamento comunitário, transformando enunciados normativos em práticas cotidianas capazes de garantir aprendizagem, participação e desenvolvimento aos estudantes com TGD.

Referências Bibliográficas

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Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Gestão Escolar do MBA USP/Esalq

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16 de outubro de 2026

Reforma tributária e empresas de tecnologia: adaptação da controladoria ao novo modelo de créditos tributários

A Reforma Tributária brasileira, instituída pela Emenda Constitucional n° 132/2023 e regulamentada pela Lei Complementar n° 214/2025, alterou a tributação sobre o consumo, substituindo impostos por Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS), sob o princípio da não cumulatividade plena. O estudo objetivou descrever os principais desafios percebidos por profissionais de controladoria de empresas de tecnologia na adaptação ao novo modelo de não cumulatividade e apuração de créditos tributários. Realizou-se uma pesquisa aplicada, descritiva, com abordagem mista (qualitativa-quantitativa), por meio de levantamento de campo. Coletaram-se dados de 15 profissionais de controladoria ou gestão fiscal, utilizando questionário estruturado. As respostas foram analisadas por distribuição de frequência e análise de conteúdo temática. Os resultados revelaram que os profissionais percebem a Reforma como um evento de impacto multifuncional, demandando revisões em sistemas Enterprise Resource Planning (ERP), critérios de apuração de créditos, capacitação de equipes e integração interáreas. A limitação do aproveitamento de créditos sobre custos com mão de obra emergiu como desafio estrutural específico para o setor. Constatou-se o fortalecimento do papel estratégico da controladoria na transição tributária, especialmente em precificação, planejamento tributário e estrutura de contratação, contribuindo para o debate sobre as implicações gerenciais e operacionais da Reforma Tributária.

Palavras-chave: controladoria; créditos tributários; empresas de tecnologia; não cumulatividade; reforma tributária.

16 de outubro de 2026

Previsão de alta precipitação no Rio Grande do Sul para prevenção de desastres hidrometeorológicos

Em abril de 2024, o Rio Grande do Sul enfrentou a maior tragédia climática de sua história, evidenciando a necessidade de aprimorar estratégias de previsão e prevenção de desastres hidrometeorológicos. O estudo teve como objetivo desenvolver um modelo preditivo baseado em redes neurais do tipo Long Short-Term Memory (LSTM) para classificar eventos de alta precipitação no estado. Utilizaram-se dados históricos do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) entre 2013 e 2025, coletados de 44 estações meteorológicas automáticas. A metodologia compreendeu a seleção de variáveis pelo algoritmo Random Forest, que identificou a precipitação total horária e a temperatura do ponto de orvalho como as features de maior poder preditivo, e a modelagem com arquitetura LSTM de duas camadas, treinada com aplicação do SMOTE para tratamento do desbalanceamento entre classes. O modelo alcançou um AUC-ROC de 0,9373 e um recall de 82,4% para eventos extremos, definidos como precipitação acima do percentil 95 da distribuição histórica (8,60 mm/hora). Demonstrou-se a capacidade de identificar a grande maioria das ocorrências de alta precipitação com antecedência, confirmando a viabilidade do uso de redes neurais LSTM para a previsão de eventos hidrometeorológicos extremos. O trabalho oferece potencial contribuição para sistemas de monitoramento climático e políticas públicas de prevenção de desastres naturais no Brasil.

Palavras-chave: Desastres hidrometeorológicos; LSTM; Precipitação extrema; Redes Neurais Artificiais; Rio Grande do Sul.

16 de outubro de 2026

Análise Espacial da Idade dos Condomínios em São Paulo como Ferramenta Estratégica para Administradoras

O adensamento habitacional em São Paulo, onde 29,4% da população reside em apartamentos, estabeleceu um mercado de gestão de condomínios altamente competitivo que demanda estratégias de prospecção baseadas em dados espaciais. O estudo objetivou mapear a evolução urbana da capital paulista por meio de algoritmos de análise espacial e indicadores de idade predial para o desenvolvimento de ferramentas de inteligência competitiva. A metodologia compreendeu a extração e integração de dados públicos do CNPJ via plataforma KNIME, resultando em uma base de 32.040 condomínios, dos quais 98% foram geocodificados com a API do Google Maps. A análise macroespacial identificou que as Zonas Leste e Sul lideraram o crescimento imobiliário recente, enquanto picos de registros em 1984 e 1985 foram associados a mudanças na legislação tributária e não a ciclos construtivos reais. Paralelamente, a análise microespacial utilizou o algoritmo BallTree para comparar cada condomínio aos seus 20 vizinhos mais próximos, revelando que 29% das unidades representaram pontos de renovação local em áreas consolidadas. Os resultados foram consolidados em um dashboard interativo que permite a visualização estratégica do mercado em diferentes níveis de granularidade. Concluiu-se que a integração da ciência de dados ao território permitiu que administradoras substituíssem abordagens genéricas por prospecções personalizadas ao ciclo de vida e à realidade competitiva de cada condomínio, otimizando a alocação de recursos de marketing e a efetividade das equipes comerciais.

Palavras-chave: Algoritmo BallTree; Análise Espacial; Ciência de Dados Urbanos; Gestão Condominial.

16 de outubro de 2026

Critérios e usabilidade de documentos no processo de escolha de materiais didáticos

Um estudo analisou documentos pedagógicos que orientam a escolha de materiais didáticos no Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), considerando sua relevância para a prática docente e a gestão escolar. O objetivo foi analisar a clareza, a organização e a aplicabilidade do Guia Digital do PNLD 2023 – Anos Iniciais e do Roteiro de Apoio à Análise de Materiais Didáticos do Instituto Reúna, identificando seus limites, potencialidades e implicações para a prática pedagógica. Realizou-se uma pesquisa qualitativa, exploratória e descritiva, fundamentada na análise documental orientada pela técnica de análise de conteúdo. Examinaram-se aspectos como estrutura, navegabilidade, organização dos critérios, densidade textual e estimativa de tempo de leitura. A análise revelou tensões entre regulação estatal, mercado editorial e autonomia escolar, e os resultados apresentaram diferenças significativas entre os documentos. O Guia do PNLD mostrou-se extenso, tecnicamente denso e predominantemente normativo. Em contraste, o Roteiro do Instituto Reúna organizou-se de forma progressiva e didática, com recursos gráficos que favoreceram a compreensão e o uso coletivo pelas escolas. Concluiu-se que as características estruturais e discursivas dos documentos influenciam diretamente sua usabilidade e podem impactar o grau de autonomia e participação das equipes escolares no processo de escolha dos materiais didáticos.

Palavras-chave: formação docente; materiais didáticos; PNLD; políticas curriculares; processo decisório.

16 de outubro de 2026

Automação da Auditoria Fiscal e Contábil: Ferramenta de verificação da Qualidade para o Ranking SICONFI

A transparência e a integridade da informação contábil são requisitos fundamentais para a conformidade fiscal dos entes públicos, avaliadas pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN) por meio do Ranking do Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (SICONFI). O estudo teve como objetivo desenvolver uma ferramenta de auditoria proativa para um ente da federação, visando mitigar inconsistências fiscais na Dimensão 1 (Gestão da Informação) antes do resultado oficial. A metodologia baseou-se em Ciência de Dados, utilizando a linguagem Python para a extração automatizada da Matriz de Saldos Contábeis (MSC) via Interface de Programação de Aplicações (API) do Tesouro Transparente, e o software Power BI para a construção de um painel de conformidade. O projeto focou na integração de dados para garantir a simetria de prazos e entregas entre os registros contábeis e os demonstrativos fiscais. Os resultados demonstraram que a automatização do fluxo de dados permitiu a identificação antecipada de divergências, promovendo a confiabilidade da informação e a eficiência do controle interno governamental, com arquitetura estruturada para expansão às demais dimensões do ranking. A aplicação da ferramenta em dados do exercício de 2025 demonstrou seu pleno funcionamento, com 100% de conformidade nas 38 verificações de controle da Dimensão 1. Concluiu-se que a solução atuou como um modelo inovador e escalável para a modernização da gestão pública, entregando uma ferramenta capaz de mitigar inconsistências fiscais previamente à consolidação do Ranking SICONFI.

Palavras-chave: Ciência de dados; Conformidade governamental; Controle interno; Gestão pública; Inteligência de negócios.

16 de outubro de 2026

Modelo estruturado de gestão de alto risco na saúde suplementar: eficiência operacional e coordenação do cuidado

A crescente pressão pela sustentabilidade econômico-assistencial na saúde suplementar brasileira impulsionou a adoção de modelos de gestão para populações de maior risco. O estudo objetivou descrever e analisar a estruturação e operacionalização de um modelo de gestão de uma carteira de alto risco assistencial, bem como comparar, de forma descritiva, os indicadores agregados de internações hospitalares e passagens em pronto-socorro da mesma coorte de 100 beneficiários entre 2023 e 2025. Realizou-se um estudo de caso único, descritivo e retrospectivo, integrando análise documental qualitativa e análise quantitativa descritiva de dados administrativos. O modelo foi implementado em uma operadora verticalizada, com 100 beneficiários de alto risco identificados por marcador eletrônico. O processo envolveu captação diária de eventos assistenciais, categorização por especialidade, distribuição dos casos à equipe responsável e protocolo multiprofissional de acompanhamento por 28 dias após passagens pelo pronto-socorro ou altas hospitalares. A análise documental revelou maior padronização dos fluxos, definição das responsabilidades e rastreabilidade dos acompanhamentos no modelo reformulado. Na comparação entre os períodos, as internações hospitalares diminuíram de 166 em 2023 para 52 em 2025, uma redução de 68,67%, e as passagens em pronto-socorro caíram de 238 para 130, uma variação de 45,38%. As reduções ocorreram no período em que o modelo já se encontrava incorporado à rotina institucional, configurando uma associação temporal favorável. Contudo, devido ao delineamento descritivo, à ausência de grupo de comparação e à impossibilidade de ajuste de fatores clínicos e contextuais, as variações observadas não puderam ser atribuídas exclusivamente à implantação do modelo. O estudo contribuiu ao sistematizar uma experiência organizacional de gestão de uma carteira de alto risco na saúde suplementar, oferecendo elementos para análise e adaptação em contextos institucionais semelhantes.

Palavras-chave: Coordenação do cuidado; Gestão de alto risco; Gestão populacional; Monitoramento pós-evento; Saúde suplementar.

16 de outubro de 2026

Monitoramento ambiental utilizando IoT e “webserver”

O monitoramento e controle de variáveis ambientais é um fator crítico na indústria, comércio e agricultura. O objetivo foi construir um sistema baseado em Internet das Coisas (IoT) para automação e controle ambiental remoto, utilizando sensores e atuadores de forma eficaz e flexível. Para isso, a umidade do ar foi selecionada como variável a ser monitorada e controlada. Desenvolveram-se módulos para sensoreamento e modificação das variáveis ambientais, juntamente com um servidor central para processar as informações coletadas. A arquitetura incluiu um sensor DHT-11, microcontrolador ATMEGA328, módulo Wi-Fi ESP-8266 e um Raspberry Pi como servidor web. Os testes de funcionamento foram realizados em um protótipo físico com ambiente isolado, onde um micro ventilador atuou no controle da umidade. O sistema demonstrou capacidade de coletar dados, responder a variações ambientais e controlar a umidade do ar dentro da faixa especificada, reduzindo-a por exaustão. Contudo, a redução da umidade por exaustão mostrou-se limitada pela umidade externa. Concluiu-se que o sistema cumpriu seu objetivo de monitorar e controlar variáveis ambientais de forma automatizada, oferecendo flexibilidade e arquitetura modular para diversas aplicações, como laboratórios e estufas, e promovendo a democratização do acesso à tecnologia no campo.

Palavras-chave: Automação; Controle; ESP-8266; Raspberry Pi; Wi-Fi.

16 de outubro de 2026

Cultura digital, automação e uso do CRM: um estudo de caso no mercado imobiliário.

A transformação digital ampliou a disponibilidade de sistemas de Customer Relationship Management (CRM), automação e inteligência artificial no processo comercial, mas sua apropriação estratégica não é automática. O estudo analisou como a cultura digital organizacional, a automação comercial e o uso do CRM influenciam a gestão e a performance comercial em uma organização do mercado imobiliário, investigando práticas de uso do CRM, fricções operacionais, percepções de corretores e liderança, e mecanismos de governança orientados a dados. Adotou-se abordagem mista, aplicada e descritiva, com questionários estruturados aplicados a 48 corretores e 4 profissionais de liderança, além de análise estatística descritiva, construção de índices sintéticos e análise temática. Os achados indicaram que o CRM está incorporado à rotina de acesso, mas não à produção consistente de dados. Observou-se convergência entre corretores e liderança quanto às fragilidades de registro e fragmentação por canais paralelos, embora com percepções distintas dos efeitos. O tempo de atuação não se relacionou linearmente com a maturidade digital, e o aumento da carga de oportunidades associou-se a maior dificuldade de acompanhamento manual. Como contribuição, propôs-se o framework GCOD (Governança Comercial Orientada a Dados), que integra CRM, inteligência analítica, orquestração comercial e governança contínua. Concluiu-se que a eficiência comercial depende da capacidade organizacional de integrar tecnologia, comportamento e governança para reduzir fricções, preservar a qualidade dos dados e orquestrar a atenção humana e automatizada ao longo da jornada do lead.

Palavras-chave: Automação comercial; CRM; Cultura de dados; Governança comercial; Transformação digital.

16 de outubro de 2026

Aplicações de Inteligência Artificial e Simulação Computacional na Formação de Preços e Gestão de Liquidez

O estudo, de caráter exploratório, investigou como técnicas de Inteligência Artificial e Simulação Computacional podem ser aplicadas à formação de preços com foco na gestão da liquidez empresarial. O objetivo foi propor e ilustrar um método de Precificação Dinâmica Adaptativa Orientada pelo Caixa, no qual a definição de preços dependeu de seus efeitos esperados sobre as vendas e, subsequentemente, sobre a trajetória do fluxo de caixa. Para isso, desenvolveu-se um caso hipotético com dados sintéticos de preços e vendas, um modelo preditivo de vendas em função do preço próprio e do preço médio da concorrência, um modelo de projeção de fluxo de caixa capaz de incorporar prazos de recebimento, inadimplência, custos transacionais, reposição de estoque e custos fixos, e um simulador computacional para avaliação de cenários competitivos. O processo de modelagem preditiva comparou diferentes algoritmos de aprendizado de máquina, sendo selecionada uma regressão linear com termos quadráticos e de interação por apresentar desempenho preditivo competitivo, boa capacidade de generalização e maior interpretabilidade. Os resultados das simulações indicaram que a abordagem proposta superou um cenário baseline de preço fixo sob a ótica da liquidez, produzindo trajetórias de caixa superiores na maior parte do horizonte analisado. Concluiu-se que a precificação pode ser tratada não apenas como um problema comercial, mas também como um problema de gestão do caixa, abrindo espaço para aplicações práticas e estudos futuros com dados reais, múltiplos produtos e métodos mais avançados de decisão sequencial.

Palavras-chave: Aprendizado de Máquina; Fluxo de Caixa; Precificação; Simulação Computacional; Tomada de Decisão.

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