Artigo

11 de junho de 2026

Como a falta de educação financeira impacta a gestão do crédito pessoal

Stefany dos Santos de Oliveira; Rogiene Batista dos Santos

DOI: 10.22167/2675-6528-2026M07

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

A compreensão do controle financeiro pessoal é fundamental para decisões informadas sobre o crédito e a prevenção do endividamento. Este estudo investigou como a carência de conhecimento em finanças pessoais influencia o uso inadequado do crédito e contribui para o endividamento de adultos brasileiros. A pesquisa foi desenvolvida com uma amostra de 72 indivíduos economicamente ativos, com idade mínima de 18 anos, por meio de um questionário online com perguntas objetivas. As variáveis analisadas incluíram perfil socioeconômico, organização de despesas, compreensão de juros compostos, uso do crédito e histórico de inadimplência. A metodologia empregada foi mista, combinando abordagens exploratória e documental. Os resultados indicaram que a falta de formação financeira adequada esteve associada ao uso impulsivo do crédito, à dificuldade em compreender seus encargos e à baixa frequência de práticas de planejamento financeiro. Observou-se que, mesmo entre os respondentes com algum contato prévio com educação financeira, persistiram defasagens na compreensão prática e aplicação dos conceitos. A inadimplência mostrou-se mais prevalente entre indivíduos com renda de até quatro salários-mínimos e na faixa etária de 28 a 43 anos. Concluiu-se pela importância de políticas públicas que promovam educação financeira contínua e acessível desde a base escolar, e da adoção de estratégias individuais de organização e controle financeiro para prevenir o superendividamento.

Palavras-chave: Comportamento de consumo; Controle financeiro; Endividamento; Inadimplência.

1. Introdução

O crédito constitui uma ferramenta fundamental na sociedade contemporânea para a aquisição de bens e serviços. Contudo, a inadimplência tem se estabelecido como uma dificuldade crescente no Brasil, impactando tanto os consumidores quanto as instituições financeiras. Este cenário complexo, onde a falta de entendimento sobre finanças pode levar a decisões precipitadas, resulta no não cumprimento de compromissos assumidos e agrava a situação econômica de milhões de brasileiros.

Dados levantados pelo Serasa, o principal indicador de inadimplência no país, revelam a gravidade da situação. Em dezembro de 2024, o Brasil registrou aproximadamente 73,5 milhões de indivíduos endividados. Esse número expressivo não apenas reflete as dificuldades econômicas enfrentadas por grande parte da população, mas também sublinha uma lacuna significativa no conhecimento sobre como gerenciar o dinheiro de forma eficaz.

A dificuldade em organizar e utilizar os recursos financeiros de maneira consciente e estratégica contribui para a perpetuação do ciclo de endividamento. Nesse contexto, a educação financeira emerge como um instrumento crucial para a prevenção e transformação dessa realidade. Segundo Cordeiro et al. (2018), a educação financeira é um modelo de aprendizagem que se vincula ao planejamento financeiro pessoal, capacitando a população a desenvolver uma percepção crítica e responsável na administração do dinheiro. Vai além do simples registro de ganhos e gastos, permitindo escolhas mais conscientes, prevenindo o endividamento e estruturando um plano sólido para a estabilidade e segurança futuras.

A Constituição Federal estabelece a educação como um direito fundamental, essencial para o desenvolvimento pleno do indivíduo e sua participação ativa na sociedade. No Brasil, a educação financeira teve um desenvolvimento peculiar, inicialmente focada em orientações de investimento para pessoas já economicamente estáveis. Somente nos últimos anos passou a ser compreendida como uma ferramenta vital para a construção da autonomia financeira e inclusão econômica, capacitando a sociedade a entender sua realidade financeira e as consequências de suas decisões (Araujo e Calife, 2014). Incentivar a alfabetização financeira desde a infância, conforme Lazaretti et al. (2024), possibilita o desenvolvimento de uma relação mais consciente com o dinheiro, promovendo comportamentos responsáveis e um consumo mais prudente e sustentável (Silva e Powell, 2013).

Apesar da crescente importância da educação financeira, a carência de controle financeiro ainda é uma realidade que afeta tanto a economia nacional quanto a vida individual. A falta de conhecimento em finanças pessoais influencia o uso indevido do crédito, a dificuldade em compreender os encargos financeiros, como os juros compostos que podem se tornar onerosos para o devedor (Serasa, 2024; Oliveira, 2022), e a baixa frequência de práticas de planejamento financeiro. Mesmo entre aqueles com algum contato prévio com o tema, ainda se observam defasagens na compreensão prática e na aplicação dos conceitos, o que contribui para o uso impulsivo do crédito e o agravamento da situação financeira (Santos et al., 2023).

O bem-estar financeiro é uma vertente do bem-estar geral, que engloba a satisfação com a condição econômica e a percepção de segurança e estabilidade na gestão das finanças pessoais (Fraga et al., 2017). A maneira como cada pessoa organiza e utiliza seu dinheiro influencia diretamente sua qualidade de vida e bem-estar (Blanchard, 2004). Diante da persistência do endividamento e da sua relação com a falta de conhecimento financeiro, torna-se imperativo investigar os fatores que levam a essa situação. Assim, a presente pesquisa teve como objetivo compreender os principais elementos que levam as pessoas ao endividamento, analisando suas origens e como a formação financeira interfere nas escolhas econômicas da população.

2. Material e Métodos

O presente estudo foi de natureza mista, combinando abordagens quantitativas e qualitativas, e caracterizou-se como uma pesquisa exploratória e documental. O objetivo central foi compreender os principais elementos que levam as pessoas ao endividamento, analisando suas origens e como a formação financeira interfere nas escolhas econômicas da população, conforme delineado na introdução. A metodologia empregada buscou investigar a influência da falta de conhecimento financeiro no uso do crédito e no endividamento de adultos brasileiros.

A pesquisa documental foi realizada por meio da coleta de informações em fontes secundárias, como dados da FEBRABAN, Banco Central, Serasa e artigos científicos. Essa etapa teve como propósito diagnosticar hábitos de consumo, planejamento financeiro e acesso ao crédito, buscando compreender a influência da falta de orientação financeira no crescimento do número de inadimplentes e endividados no Brasil (Lakatos e Eva, 2021; Lozada e Nunes, 2019). Para assegurar a qualidade das informações, foram estabelecidos critérios de inclusão e exclusão.

Os critérios de inclusão para a pesquisa documental abrangeram a busca por indicadores de inadimplência e endividamento dos últimos cinco anos, além de campos de estudo específicos como administração financeira pessoal, cultura do consumo, ensino financeiro nas escolas, geração e finanças. A classificação dos estudos foi realizada do mais recente para o mais antigo, visando reunir dados atualizados e relevantes. Em contrapartida, os critérios de exclusão determinaram a não utilização de textos em idiomas diferentes do português, fontes não confiáveis ou sem referência acadêmica, dados publicados há mais de cinco anos sem revisão recente, e pesquisas que não apresentassem uma metodologia bem definida.

A pesquisa de campo foi conduzida por meio da aplicação de um questionário estruturado, desenvolvido na plataforma “Google Forms”. O instrumento foi aplicado entre 14 e 17 de abril de 2025. A unidade de análise consistiu em indivíduos economicamente ativos, com idade mínima de 18 anos, residentes no Brasil. A amostra foi composta por 72 participantes, sem distinção de gênero para a aquisição dos dados.

O questionário foi composto exclusivamente por perguntas fechadas, o que possibilitou uma abordagem quantitativa na análise dos resultados. A escolha do “Google Forms” deveu-se à sua praticidade na aplicação e acessibilidade, permitindo a ampla distribuição digital do questionário. A ferramenta também ofereceu um sistema automatizado de organização e armazenamento das respostas, facilitando a tabulação dos dados.

O questionário foi elaborado com base em cinco dimensões essenciais para a compreensão dos fatores que influenciam a administração financeira dos respondentes. Essas dimensões incluíram perfil socioeconômico, falta de noções financeiras, hábitos financeiros, uso do crédito e endividamento/inadimplência. As variáveis analisadas abrangeram características socioeconômicas, organização das despesas, compreensão sobre juros compostos, acesso ao crédito e histórico de inadimplência.

A técnica de análise dos dados coletados por meio do questionário baseou-se na abordagem quantitativa, focando na tabulação e interpretação das respostas fechadas. Em relação aos cuidados éticos, devido à ausência de coleta de dados pessoais e de informações que pudessem identificar os participantes, o envio ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) foi dispensado.

3. Resultados e Discussão

A análise dos dados coletados permitiu uma compreensão aprofundada dos fatores que influenciam o endividamento e a inadimplência entre adultos brasileiros, com foco na relação com o conhecimento em finanças pessoais. Inicialmente, o perfil socioeconômico dos participantes foi delineado, revelando que a maioria dos respondentes, 45,83% do total, estava na faixa etária entre 28 e 43 anos. Essa fase da vida é considerada crucial para a aplicação de conceitos financeiros, pois as decisões tomadas nesse período têm um impacto direto e duradouro na saúde financeira individual, conforme destacado por Junqueira (2025). A ausência de uma formação financeira adequada nesta etapa pode levar ao acúmulo de dívidas e dificuldades no planejamento futuro.

Ao investigar o histórico de inadimplência, observou-se uma concentração significativa entre os participantes com idades entre 28 e 43 anos, que representaram 62,86% dos indivíduos negativados ou que já regularizaram sua situação financeira. Este achado contrasta com os dados do Serasa de março de 2025, que indicam a faixa etária de 41 a 60 anos como a mais endividada no cenário nacional, com 35,1%. No entanto, a proximidade da faixa etária de 26 a 40 anos no levantamento do Serasa (34%) com o grupo mais vulnerável identificado na pesquisa (28 a 43 anos) sugere uma tendência de endividamento precoce. Pessoas mais jovens tendem a subestimar a gravidade de suas dívidas, enquanto indivíduos acima de 45 anos acumulam compromissos financeiros mais elevados, conforme apontado por Daud et al. (2023) e Keese (2010).

A renda mensal dos participantes também se mostrou um fator relevante. Verificou-se que 70,83% dos respondentes possuíam renda de até quatro salários-mínimos, sendo 33,33% na faixa de um a dois salários-mínimos e 37,50% entre dois e quatro salários-mínimos. Apenas 22,22% declararam renda entre quatro e dez salários-mínimos, e uma parcela mínima de 1,39% reportou renda superior a dez salários-mínimos. Essa predominância de indivíduos com menor poder aquisitivo corrobora a literatura que aponta para a maior exposição de grupos de baixa renda a situações de instabilidade financeira, o que pode agravar o endividamento e restringir o acesso ao crédito, como observado por Campbell (2006).

A relação entre endividamento e renda foi further explorada ao comparar os dados da pesquisa com o estudo da Confederação Nacional do Comércio (CNC, 2025). O endividamento das famílias brasileiras apresentou um aumento generalizado entre abril de 2024 e abril de 2025, com destaque para as famílias que recebem entre cinco e dez salários-mínimos, que registraram um crescimento de 1,6 pontos percentuais. Embora as famílias com renda superior a dez salários-mínimos tenham tido uma retração de 4,4 pontos percentuais no endividamento, a pesquisa original indicou que as famílias com renda entre dois e quatro salários-mínimos representam 42,86% dos casos de inadimplência, um aumento menos acentuado, mas ainda significativo.

A inadimplência, por sua vez, foi fortemente associada à diminuição da renda, imprevistos e perda de emprego, além da falta de controle e planejamento financeiro, conforme Santos et al. (2023). A pesquisa de Souza (2017) reforça que o desemprego é um dos maiores influenciadores da inadimplência, pois a perda da fonte de sustento dificulta o cumprimento dos compromissos financeiros. Essa complexidade de fatores sublinha a necessidade de uma abordagem multifacetada para compreender e mitigar o problema do endividamento.

Um dos achados mais preocupantes foi a lacuna no conhecimento sobre juros compostos. A pesquisa revelou que 58,3% dos participantes não compreendem o funcionamento dos juros compostos e seu impacto nas dívidas. Essa falta de entendimento é crítica, pois os juros compostos, ou “juros sobre juros”, podem tornar-se extremamente onerosos para o devedor, acelerando o crescimento da dívida com o tempo, especialmente quando há atrasos no pagamento, conforme explica a Serasa (2024) e Oliveira (2022). Indivíduos com baixo nível de educação financeira frequentemente utilizam os juros compostos de forma desfavorável, agravando seu endividamento em vez de aproveitá-los para investimentos de longo prazo.

O uso do cartão de crédito emergiu como um elemento central no comportamento financeiro dos participantes. A vasta maioria, 88,89%, afirmou possuir cartão de crédito, e quase 80% o utilizam de forma recorrente (42,19% sempre e 37,50% frequentemente). Esse alto índice de adesão e uso contínuo, muitas vezes sem planejamento, contribui para o aumento do endividamento e da inadimplência, especialmente entre aqueles com menor renda e pouca educação financeira. Fernandes (2022) destaca que o baixo conhecimento financeiro dificulta o controle desse recurso, levando ao endividamento.

O Relatório de Estabilidade Financeira (2025) corrobora esses achados, indicando um aumento significativo no comprometimento da renda individual com dívidas de cartão de crédito. Moreira (2000) já apontava que o descontrole nos gastos eleva a probabilidade de contrair dívidas, especialmente quando uma parcela considerável da renda é destinada a compras no cartão. A pesquisa Perfil e Comportamento do Endividamento Brasileiro (2022) identificou o cartão de crédito como o principal tipo de endividamento (53%), com a maioria das despesas (65%) relacionadas à aquisição de alimentos em supermercados, evidenciando o uso do crédito para suprir necessidades básicas. Santos e Casali (2012) descrevem o endividamento como uma prática comum na sociedade de consumo contemporânea.

Apesar da ampliação na oferta de crédito, a pesquisa indicou que uma parcela considerável da população não está preparada para utilizá-lo de forma responsável, devido à falta de conhecimento financeiro, como apontado por Lusardi e Tufano (2015). Quase metade dos entrevistados, 43,1%, já teve um pedido de crédito negado, o que sugere dificuldades no acesso ou na manutenção de um bom histórico financeiro. A pesquisa da CNDL (2023) revelou que 34% dos participantes se tornaram inadimplentes devido a compras parceladas não quitadas, sendo 21% desses casos relacionados ao cartão de crédito.

A Confederação Nacional do Comércio (CNC, 2025) também apontou que o cartão de crédito manteve a maior participação no volume de endividados, sendo utilizado por 83,8% dos devedores, embora tenha havido uma retração de 3,3 pontos percentuais em comparação com abril de 2024. Donadio et al. (2012) explicam que a ampla disponibilidade e facilidade de obtenção do cartão de crédito, combinadas com elevadas taxas de juros, expõem os consumidores, especialmente os de menor renda, a riscos significativos de endividamento.

Em relação à educação financeira formal, 56,9% dos participantes afirmaram ter tido alguma disciplina sobre o tema na escola ou faculdade, enquanto 43,1% nunca tiveram contato formal. Embora esses números sejam mais positivos do que o cenário nacional apresentado por Klapper et al. (2014), que indica que apenas 35% dos brasileiros possuem educação financeira adequada, ainda há uma lacuna significativa. O Brasil, inclusive, se posiciona atrás de países com menor desenvolvimento econômico nesse quesito, reforçando a urgência de uma educação financeira mais estruturada e contínua, conforme Oliveira (2022).

A pesquisa “Finanças na Periferia” (Serasa; Instituto PiniOn, 2023) complementa essa visão, mostrando que 28% dos moradores de periferias possuem pouco ou nenhum conhecimento sobre educação financeira, e o interesse pelo tema é menor nesses grupos. Apesar disso, 48% dos entrevistados das periferias demonstraram desejo de participar de cursos especializados, e 34% estavam dispostos a investir em conteúdos financeiros, indicando um potencial para intervenções educativas. Alves e Carvalho (2020) ressaltam a importância da educação financeira para o controle das finanças pessoais e o uso eficiente dos recursos.

No que tange ao controle financeiro pessoal, pouco mais da metade dos participantes (52,8%) afirmou registrar sempre seus gastos e receitas mensais, enquanto 23,6% o fazem eventualmente, e 26,4% não mantêm nenhum tipo de controle ou desejam começar. Esses resultados se alinham à pesquisa de Carmo (2012), que identificou a falta de controle financeiro como a principal causa de inadimplência para 50% dos entrevistados. A ausência de conhecimentos essenciais sobre finanças pessoais impede o planejamento e a administração adequados de rendimentos e despesas, conforme Oliveira (2022).

A formação de uma reserva de emergência, fundamental para a estabilidade financeira, também apresentou desafios. Apenas 26,4% dos participantes conseguem guardar dinheiro todos os meses, enquanto 47,2% poupam sem frequência fixa, e 26,4% não conseguem guardar nenhum valor. Peretti (2000) e Ferreira (2017) enfatizam a importância dessa prática para o equilíbrio financeiro e a prevenção de decisões precipitadas. Embora o Relatório de Letramento Financeiro do Banco Central do Brasil (2023) aponte avanços no hábito de poupança, especialmente entre os jovens, ainda há um esforço necessário para alcançar maior estabilidade financeira na população geral.

A comparação com um estudo de Oliveira (2021) revela que, mesmo entre indivíduos com ensino superior, 28% admitiram não ter controle efetivo sobre seus gastos, convergindo com os achados desta pesquisa. Isso sugere que o conhecimento teórico sobre finanças pessoais nem sempre se traduz em práticas consistentes de planejamento e poupança, devido a desafios como baixa remuneração e má distribuição de renda, conforme Godoi (2022). Tolotti (2007) e Eker (2006) destacam que a formação de uma reserva de emergência exige disciplina, comprometimento e a transformação de crenças limitantes em hábitos financeiros conscientes.

Em síntese, os resultados da pesquisa indicam que a inadimplência está predominantemente concentrada na faixa etária de 28 a 43 anos e entre indivíduos com renda de até quatro salários-mínimos, evidenciando uma maior vulnerabilidade financeira nesses grupos. Embora a maioria dos participantes tenha tido algum contato com educação financeira, esse aprendizado é frequentemente esporádico e insuficiente para promover mudanças efetivas no comportamento financeiro. A dificuldade em compreender conceitos como juros compostos e a alta dependência do cartão de crédito para o consumo diário são fatores cruciais que contribuem para o endividamento. Esses achados reforçam a necessidade de uma educação financeira contínua e acessível, capaz de traduzir o conhecimento teórico em práticas de planejamento e controle financeiro eficazes, visando a prevenção do superendividamento e a melhoria da qualidade de vida.

4. Conclusão

A presente pesquisa buscou compreender os elementos que conduzem ao endividamento, analisando suas origens e a influência da formação financeira nas escolhas econômicas da população. Verificou-se que a inadimplência esteve predominantemente concentrada na faixa etária de 28 a 43 anos e entre indivíduos com renda de até quatro salários-mínimos, evidenciando uma vulnerabilidade financeira acentuada nesses grupos. Observou-se uma lacuna significativa no conhecimento sobre juros compostos, com a maioria dos participantes demonstrando dificuldade em compreender seu impacto nas dívidas. O uso recorrente do cartão de crédito, muitas vezes sem planejamento e para suprir necessidades básicas, foi identificado como um fator crucial para o aumento do endividamento. Embora uma parcela considerável dos respondentes tenha tido algum contato com educação financeira, esse aprendizado mostrou-se frequentemente esporádico e insuficiente para promover mudanças efetivas no comportamento financeiro, resultando em baixa frequência de práticas de planejamento e controle financeiro pessoal, como o registro de gastos e a formação de reserva de emergência.

A principal contribuição deste estudo reside em reforçar a urgência de políticas públicas que promovam a educação financeira contínua e acessível desde a base escolar, capacitando os indivíduos a traduzir o conhecimento teórico em práticas eficazes de planejamento e controle financeiro, visando a prevenção do superendividamento e a melhoria da qualidade de vida. Contudo, o estudo apresentou limitações decorrentes da utilização de uma amostragem por conveniência, realizada por meio digital, o que pode comprometer a representatividade dos resultados e excluir grupos sem acesso à internet. A ausência de delimitação regional específica e o uso exclusivo de perguntas fechadas também restringiram uma análise mais aprofundada de hábitos financeiros e percepções detalhadas. Sugere-se que estudos futuros explorem metodologias que permitam uma amostra mais diversificada e representativa, com abordagens qualitativas que aprofundem as percepções dos indivíduos, além de investigações focadas em intervenções educacionais práticas e seus impactos no comportamento financeiro de diferentes grupos socioeconômicos.

Referências Bibliográficas

Araujo, Fernando Cosenza; Calife, Flavio Estevez. “A história não contada da Educação Financeira no Brasil.” Roque, JRR Otimização na recuperação de ativos financeiros (2014): 1-11.

Cordeiro, Nilton José Neves; Costa, Manoel Guto Vasconcelos; Silva, Márcio Nascimento. “Educação Financeira no Brasil: uma perspectiva panorâmica.” Ensino da Matemática em Debate 5.1 (2018): 69-84.

Lazaretti Jr, Roberto Carlos; Da Silva Castanheira, Giulia; Maschio, Patrícia Aparecida Scherite. A Importância da Educação Financeira No Brasil. RECIMA21-Revista Científica Multidisciplinar-ISSN 2675-6218, v. 5, n. 12, p. e5126104-e5126104, 2024.

Oliveira, João Lucas de Castro. “Uma nova abordagem para a educação financeira: analisando o perfil de conhecimento dos discentes da FEAAC.” (2022).

Santos, Emanuel H. da Silva; Santos, Fernanda F. dos; Santos, Lucas Fabrício; Moreira, Paula J. P

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Finanças e Controladoria do MBA USP/Esalq

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16 de outubro de 2026

Monitoramento ambiental utilizando IoT e “webserver”

O monitoramento e controle de variáveis ambientais é um fator crítico na indústria, comércio e agricultura. O objetivo foi construir um sistema baseado em Internet das Coisas (IoT) para automação e controle ambiental remoto, utilizando sensores e atuadores de forma eficaz e flexível. Para isso, a umidade do ar foi selecionada como variável a ser monitorada e controlada. Desenvolveram-se módulos para sensoreamento e modificação das variáveis ambientais, juntamente com um servidor central para processar as informações coletadas. A arquitetura incluiu um sensor DHT-11, microcontrolador ATMEGA328, módulo Wi-Fi ESP-8266 e um Raspberry Pi como servidor web. Os testes de funcionamento foram realizados em um protótipo físico com ambiente isolado, onde um micro ventilador atuou no controle da umidade. O sistema demonstrou capacidade de coletar dados, responder a variações ambientais e controlar a umidade do ar dentro da faixa especificada, reduzindo-a por exaustão. Contudo, a redução da umidade por exaustão mostrou-se limitada pela umidade externa. Concluiu-se que o sistema cumpriu seu objetivo de monitorar e controlar variáveis ambientais de forma automatizada, oferecendo flexibilidade e arquitetura modular para diversas aplicações, como laboratórios e estufas, e promovendo a democratização do acesso à tecnologia no campo.

Palavras-chave: Automação; Controle; ESP-8266; Raspberry Pi; Wi-Fi.

16 de outubro de 2026

Cultura digital, automação e uso do CRM: um estudo de caso no mercado imobiliário.

A transformação digital ampliou a disponibilidade de sistemas de Customer Relationship Management (CRM), automação e inteligência artificial no processo comercial, mas sua apropriação estratégica não é automática. O estudo analisou como a cultura digital organizacional, a automação comercial e o uso do CRM influenciam a gestão e a performance comercial em uma organização do mercado imobiliário, investigando práticas de uso do CRM, fricções operacionais, percepções de corretores e liderança, e mecanismos de governança orientados a dados. Adotou-se abordagem mista, aplicada e descritiva, com questionários estruturados aplicados a 48 corretores e 4 profissionais de liderança, além de análise estatística descritiva, construção de índices sintéticos e análise temática. Os achados indicaram que o CRM está incorporado à rotina de acesso, mas não à produção consistente de dados. Observou-se convergência entre corretores e liderança quanto às fragilidades de registro e fragmentação por canais paralelos, embora com percepções distintas dos efeitos. O tempo de atuação não se relacionou linearmente com a maturidade digital, e o aumento da carga de oportunidades associou-se a maior dificuldade de acompanhamento manual. Como contribuição, propôs-se o framework GCOD (Governança Comercial Orientada a Dados), que integra CRM, inteligência analítica, orquestração comercial e governança contínua. Concluiu-se que a eficiência comercial depende da capacidade organizacional de integrar tecnologia, comportamento e governança para reduzir fricções, preservar a qualidade dos dados e orquestrar a atenção humana e automatizada ao longo da jornada do lead.

Palavras-chave: Automação comercial; CRM; Cultura de dados; Governança comercial; Transformação digital.

16 de outubro de 2026

Aplicações de Inteligência Artificial e Simulação Computacional na Formação de Preços e Gestão de Liquidez

O estudo, de caráter exploratório, investigou como técnicas de Inteligência Artificial e Simulação Computacional podem ser aplicadas à formação de preços com foco na gestão da liquidez empresarial. O objetivo foi propor e ilustrar um método de Precificação Dinâmica Adaptativa Orientada pelo Caixa, no qual a definição de preços dependeu de seus efeitos esperados sobre as vendas e, subsequentemente, sobre a trajetória do fluxo de caixa. Para isso, desenvolveu-se um caso hipotético com dados sintéticos de preços e vendas, um modelo preditivo de vendas em função do preço próprio e do preço médio da concorrência, um modelo de projeção de fluxo de caixa capaz de incorporar prazos de recebimento, inadimplência, custos transacionais, reposição de estoque e custos fixos, e um simulador computacional para avaliação de cenários competitivos. O processo de modelagem preditiva comparou diferentes algoritmos de aprendizado de máquina, sendo selecionada uma regressão linear com termos quadráticos e de interação por apresentar desempenho preditivo competitivo, boa capacidade de generalização e maior interpretabilidade. Os resultados das simulações indicaram que a abordagem proposta superou um cenário baseline de preço fixo sob a ótica da liquidez, produzindo trajetórias de caixa superiores na maior parte do horizonte analisado. Concluiu-se que a precificação pode ser tratada não apenas como um problema comercial, mas também como um problema de gestão do caixa, abrindo espaço para aplicações práticas e estudos futuros com dados reais, múltiplos produtos e métodos mais avançados de decisão sequencial.

Palavras-chave: Aprendizado de Máquina; Fluxo de Caixa; Precificação; Simulação Computacional; Tomada de Decisão.

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