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Artigo

15 de outubro de 2026

O Papel do People Analytics na Evolução Estratégica da Gestão de Pessoas

Ana Caroline Marçal Rezende; Simone Kunde

DOI: 10.22167/2675-6528-202602352

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

A área de Recursos Humanos passou por transformações significativas, impulsionadas pela digitalização e avanços tecnológicos de gestão, buscando reposicionar-se estrategicamente. Nesse contexto, o People Analytics emergiu como abordagem para fundamentar decisões com dados e análises, substituindo a intuição. Analisou-se como o uso do People Analytics contribui para a evolução do papel do RH de uma função operacional para estratégica, identificando benefícios e barreiras a partir da percepção de profissionais atuantes em diferentes organizações. Conduziu-se uma pesquisa aplicada, descritiva e predominantemente quantitativa, complementada por análise qualitativa. Utilizou-se um questionário estruturado, divulgado em redes profissionais e comunidades de RH e People Analytics. A amostra não probabilística por conveniência foi composta por 127 profissionais de RH, People Analytics e gestão de pessoas, cujos dados foram analisados por estatística descritiva e análise de conteúdo. Os resultados indicaram que empresas de maior porte e setores mais digitalizados concentraram práticas mais estruturadas de People Analytics, enquanto organizações de médio e pequeno porte permaneceram em fases iniciais. Entre os principais benefícios, destacaram-se o apoio à liderança na tomada de decisão e a maior assertividade em processos de recrutamento e seleção. As barreiras mais mencionadas envolveram a ausência de cultura orientada a dados, a carência de profissionais capacitados e a falta de integração entre sistemas. Concluiu-se que, apesar dos avanços observados, a consolidação do People Analytics permanece condicionada a fatores culturais, tecnológicos e de liderança, essenciais para transformar dados em decisões estratégicas.

Palavras-chave: Análise de Dados; Estratégia; Gestão de Pessoas; People Analytics; Recursos Humanos.

1. Introdução

Nas últimas décadas, a área de Recursos Humanos (RH) tem passado por transformações significativas, impulsionadas tanto pelos avanços tecnológicos quanto pela complexidade crescente das organizações. Tradicionalmente, o RH era visto como uma função essencialmente administrativa e operacional, focada na execução de processos burocráticos. Esse enquadramento reforçava a imagem do RH como uma área de suporte, com atuação restrita ao controle de rotinas e distante da formulação de estratégias organizacionais (Becker et al., 2001). Contudo, à medida que o ambiente corporativo se tornou mais competitivo, globalizado e volátil, emergiu a necessidade de reposicionar a área como parceira estratégica, capaz de contribuir para decisões de alto impacto e para o desenvolvimento sustentável das empresas (Ulrich, 1997; Ulrich et al., 2009).

Esse processo de transformação não ocorreu de maneira imediata ou linear. Um dos fatores que dificultaram essa transição foi a incapacidade histórica de mensurar a contribuição concreta do RH para os resultados do negócio. A ausência de métricas consistentes impedia a área de comprovar seu valor, resultando em decisões baseadas em intuição e experiências individuais, em vez de fundamentadas em evidências analíticas (Marler e Boudreau, 2016). Nesse contexto, surge o People Analytics como uma abordagem inovadora, que utiliza dados e análises para transformar a gestão de pessoas e fornecer legitimidade estratégica ao RH.

O People Analytics pode ser definido como o uso sistemático de métodos estatísticos, algoritmos e ferramentas tecnológicas para coletar, organizar e interpretar dados relacionados a pessoas no ambiente organizacional. Mais do que gerar relatórios, a proposta é transformar dados em insights acionáveis que auxiliem líderes e gestores a tomar decisões mais precisas, fundamentadas em evidências e alinhadas à estratégia do negócio (Marler e Boudreau, 2016). Trata-se de um movimento que busca superar a tomada de decisão intuitiva, substituindo-a por análises objetivas capazes de antecipar cenários, reduzir riscos e melhorar a alocação de talentos. A efetividade do People Analytics, porém, depende de uma mudança cultural e de mentalidade. Os dados precisam ser analisados a partir das questões estratégicas da organização, com governança, competências e propósitos claros e não apenas coletados de forma dispersa (Angrave et al., 2016).

A adoção do People Analytics tem se consolidado em diversas empresas ao redor do mundo. Marr (2018) mostra que a principal contribuição do People Analytics é transformar o RH em um ator relevante nas discussões estratégicas, legitimando suas decisões perante a alta gestão. Entretanto, a implementação dessa prática não ocorre de forma homogênea. Marler e Boudreau (2016) defendem que o People Analytics deve ser compreendido como um espectro de maturidade. No nível mais básico, as análises são essencialmente descritivas, restritas a indicadores como absenteísmo e turnover. No estágio intermediário, surgem análises diagnósticas, capazes de identificar causas para determinados fenômenos. Já os níveis mais avançados envolvem análises preditivas, que antecipam riscos e tendências, e análises prescritivas, que sugerem ações específicas a serem adotadas. Van den Heuvel e Bondarouk (2017) complementam que a maturidade nessa prática depende da integração de três dimensões: infraestrutura tecnológica, cultura orientada a dados e alinhamento com a estratégia organizacional. Outro ponto destacado pela literatura é a distinção entre indicadores operacionais e métricas estratégicas. Enquanto os primeiros medem processos internos e rotinas administrativas, as métricas estratégicas avaliam o impacto da gestão de pessoas nos resultados do negócio. Becker et al. (2001) sustentam que a eficácia do RH deve ser medida pela sua contribuição direta ao desempenho organizacional. Rasmussen e Ulrich (2015) observam que muitas empresas ainda permanecem presas à mensuração de atividades, sem explorar plenamente o potencial dos dados para apoiar decisões estratégicas. Essa limitação reforça a necessidade de evoluir para indicadores que demonstrem impacto real, como custo do turnover sobre a rentabilidade, correlação entre engajamento e inovação ou previsões de risco de desligamento em áreas críticas.

Apesar das vantagens, a literatura aponta diversos obstáculos para a consolidação do People Analytics. Angrave et al. (2016) identificam que, mesmo em organizações com grande volume de dados e acesso a ferramentas avançadas, a ausência de uma cultura orientada a evidências pode comprometer o sucesso da prática. A resistência de gestores a substituir sua experiência por análises estatísticas e a falta de confiança nos dados são barreiras recorrentes. Outra dificuldade é a escassez de profissionais qualificados para transformar informações em análises relevantes. Muitas vezes, os profissionais de RH não possuem formação estatística ou conhecimentos técnicos suficientes, o que limita a capacidade de interpretar os dados de maneira estratégica. Davenport et al. (2010) destacam que a presença de líderes com mentalidade analítica é decisiva para superar essas barreiras e transformar o People Analytics em rotina organizacional.

Diante desse panorama, o presente estudo buscou contribuir para a literatura acadêmica e, ao mesmo tempo, oferecer subsídios práticos para gestores e profissionais da área, ampliando a compreensão sobre o papel do uso de dados na construção de um RH mais alinhado às demandas estratégicas do negócio. O objetivo foi analisar como o uso do People Analytics contribui para a evolução do papel do RH de uma função operacional para uma atuação estratégica, identificando benefícios, barreiras e fatores críticos de sucesso a partir da percepção de profissionais de diferentes empresas.

2. Material e Métodos

Este estudo caracteriza-se como uma pesquisa aplicada, de natureza descritiva, com abordagem mista predominantemente quantitativa, complementada por análise qualitativa. A pesquisa descritiva buscou detalhar as características do uso do People Analytics na gestão de pessoas, identificando padrões, práticas e percepções de profissionais de diferentes setores e portes organizacionais (Gil, 2019; Lakatos e Marconi, 2017). A abordagem mista, conforme Creswell (2014), integrou dados numéricos e interpretações textuais para uma compreensão ampliada do fenômeno, sem configurar um desenho plenamente misto. A análise quantitativa forneceu um panorama da adoção do People Analytics, enquanto a qualitativa explorou percepções subjetivas (Flick, 2009; Bardin, 2011).

O delineamento metodológico adotado foi o survey (levantamento), utilizado para coletar informações de um grupo específico de profissionais em determinado período (Yin, 2015). O instrumento de coleta foi um questionário estruturado, desenvolvido a partir da revisão da literatura sobre People Analytics e gestão estratégica de Recursos Humanos. O questionário foi organizado em blocos temáticos: (i) perfil do profissional e características da organização; (ii) práticas de uso de dados na gestão de pessoas; (iii) percepções sobre os impactos do People Analytics; e (iv) principais barreiras e fatores críticos de sucesso. Ao final, incluiu-se uma questão aberta para descrições de experiências e recomendações.

O instrumento foi elaborado na plataforma Google Forms e divulgado on-line, principalmente em redes profissionais como o LinkedIn e em comunidades de RH e People Analytics. O convite foi compartilhado na rede de contatos da pesquisadora e em comunidades temáticas, sem recorte prévio por setor ou porte. O processo de coleta durou 37 dias, buscando profissionais atuantes em RH, People Analytics ou gestão de pessoas no momento da pesquisa.

A amostra foi composta por 127 respondentes válidos, configurando-se como não probabilística por conveniência, devido à participação voluntária e dependente da acessibilidade. Embora não permita generalização estatística, a amostragem foi adequada aos objetivos descritivos do estudo (Gil, 2019). A maior representatividade de segmentos como tecnologia, serviços e financeiro, e de algumas áreas de atuação em RH, foi consequência do canal de divulgação e é reconhecida como uma limitação do estudo, apesar de ter ampliado a diversidade de perspectivas.

Em relação aos aspectos éticos, todos os participantes foram informados sobre os objetivos da pesquisa e convidados a concordar com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (CLE). O questionário explicitou a natureza voluntária da participação, a garantia de anonimato e confidencialidade, e o uso exclusivo das informações para fins acadêmicos, sem solicitação de dados de identificação pessoal.

A análise dos dados ocorreu em duas etapas. Primeiramente, a análise quantitativa utilizou estatísticas descritivas, com tabelas de frequências absolutas e relativas, gráficos de barras e cruzamentos descritivos entre variáveis como porte da empresa, estágio de adoção do People Analytics, setor, áreas de RH impactadas, cargo e percepção do papel estratégico do RH. Essa etapa buscou mapear tendências e padrões sem recorrer a técnicas inferenciais. Na sequência, a análise qualitativa foi realizada pela técnica de análise de conteúdo (Bardin, 2011), compreendendo pré-análise, exploração do conteúdo com categorização em eixos temáticos (benefícios, barreiras e perspectivas de futuro do People Analytics), e tratamento e interpretação, relacionando as categorias ao referencial teórico. A articulação entre estatística descritiva e análise de conteúdo permitiu quantificar o estágio de adoção e compreender as interpretações dos profissionais sobre benefícios, desafios e condições de sucesso.

3. Resultados e Discussão

A pesquisa contou com a participação de 127 profissionais de Recursos Humanos, People Analytics e Gestão de Pessoas, desde especialistas técnicos a líderes, permitindo uma compreensão multifacetada da aplicação e uso de dados, tanto na operação tradicional de RH quanto na emergente especialização em análise de dados, que reposiciona a área estrategicamente.

Entre os participantes, 40,9% eram profissionais de RH, 38,6% especialistas em People Analytics, 18,1% gestores ou líderes e 1,6% executivos C-level. Esse perfil indicou a incorporação de competências analíticas no RH, alinhado à visão de Ulrich et al (2009) e Becker et al (2001) sobre a legitimidade do RH pela influência em diferentes níveis hierárquicos. O setor de tecnologia predominou na amostra (29,9%), seguido por serviços (18,9%), indústria (15,7%) e financeiro (8,7%). Profissionais da tecnologia (71%) reportaram uso frequente de dados para decisões estratégicas, superando saúde (43%) e indústria (51%), o que sugere que ambientes digitalizados internalizam práticas analíticas mais rapidamente (Marler e Boudreau, 2016). Um respondente do setor tecnológico mencionou a adoção de dashboards preditivos para maior precisão na alocação de talentos. O porte organizacional também se mostrou relevante, com 60,6% dos participantes em grandes empresas, e 18,9% em médias e pequenas. Grandes empresas (64%) apresentaram maior adoção estruturada de People Analytics, em contraste com pequenas (22%) e médias (28%). Pequenas empresas (31%) frequentemente se restringiam a indicadores operacionais, e 17% não utilizavam análise, corroborando a relação entre maturidade analítica e recursos estruturais (Van den Heuvel e Bondarouk, 2017). Um participante de pequena empresa relatou a dificuldade em “organizar informações básicas em planilhas, sem capacidade de evoluir para algo mais preditivo.” O perfil completo da amostra é detalhado na Tabela 1.

Tabela 1. Perfil da amostra: cargo, setores e portes

Cargo%Setor%Porte%
Profissional de Gestão de Pessoas/RH40,9%Tecnologia29,9%Grande (500+ funcionários)60,6%
Profissional de People Analytics38,6%Serviços18,9%Média (100-499 funcionários)18,9%
Líder/Gestor18,1%Indústria15,7%Pequena (até 99 funcionários)18,9%
C-Level/Executivo1,6%Financeiro8,7%Não ativo no mercado1,6%
Outros0,8%Saúde7,1%
Educação3,1%
Varejo3,1%
Outros (<1% cada)13,5%

Fonte: Resultados originais da pesquisa

A análise do estágio geral de adoção do People Analytics revelou que 48% dos respondentes utilizavam práticas estruturadas, 30,7% aplicavam de forma inicial ou pontual, 15% se limitavam a indicadores básicos e 6,3% não utilizavam nenhuma análise. Essa heterogeneidade reflete os diferentes níveis de maturidade, conforme o modelo de Davenport, Harris e Shapiro (2010), que descreve a progressão de análises descritivas a prescritivas. Enquanto grandes empresas reportaram o uso de modelos preditivos em Python e construção de dashboards, pequenas empresas destacaram a dificuldade em organizar dados básicos. A Figura 1 ilustra essa distribuição.

Figura 1. Estágio de adoção do People Analytics pela amostra da pesquisa

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Quanto às ferramentas, 86,6% dos participantes utilizavam Excel ou Google Sheets, apesar de 63% também citarem Power BI e Tableau. Ferramentas de HR Techs (40,9%) e sistemas de BI internos (36,2%) também foram mencionadas. Essa coexistência de ferramentas avançadas e planilhas tradicionais evidencia o “paradoxo da análise” (Levenson, 2015), onde a disponibilidade tecnológica não assegura a maturidade metodológica. Um respondente observou que, mesmo com licenças de ferramentas robustas, o Excel ainda dominava o uso. A Figura 2 detalha as ferramentas utilizadas.

Figura 2. Ferramentas para extração e manipulação de dados utilizadas

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Em relação ao uso de dados em decisões estratégicas, 74% dos respondentes afirmaram que dados de RH são utilizados sempre ou frequentemente, 20,5% ocasionalmente e 5,5% raramente ou nunca. Esses resultados indicam a percepção do valor estratégico da prática, alinhada à visão de Ulrich et al (2009) sobre a influência do RH em decisões críticas. A Figura 3 ilustra essa distribuição. Ao analisar o cruzamento entre cargo e uso de dados, gestores (82%) e especialistas em People Analytics (77%) demonstraram maior percepção de integração, enquanto profissionais de RH em funções operacionais apresentaram menor frequência (63%). Setores como tecnologia e financeiro superaram 80% de uso frequente, enquanto saúde ficou abaixo de 45%. A Tabela 2 detalha essa relação. Qualitativamente, os participantes relataram que as decisões se tornaram mais ágeis e fundamentadas, e que o RH ganhou voz estratégica ao apresentar evidências, destacando a natureza cultural da transformação.

Figura 3. Uso dos dados de RH em decisões estratégicas

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Tabela 2. Cargo x Uso de dados em decisões estratégicas

CargoSempre ou FrequentementeOcasionalmenteRaramente ou Nunca
C-Level/Executivo100%0%0%
Líder/Gestor82%18%0%
Profissional de People Analytics77%20%3%
Profissional de RH63%21%16%
Outros100%0%0%

Fonte: Resultados originais da pesquisa

A percepção sobre o reposicionamento do RH também foi significativa. Entre os que utilizam People Analytics de forma estruturada, 75,4% afirmaram que o RH se tornou mais estratégico e participativo. Esse percentual diminuiu para 38% entre os que usam apenas indicadores básicos e para 12% entre os que não utilizam dados. Isso sugere que o People Analytics atua como catalisador na valorização do RH, transformando-o de uma função operacional para estratégica, conforme discutido por Becker, Huselid e Ulrich (2001). A Figura 4 apresenta essa percepção.

Figura 4. Percepção da mudança no papel do RH com a utilização de dados

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Os principais benefícios percebidos incluíram apoio à liderança na tomada de decisão (81,1%), melhoria na assertividade das contratações (45,7%), aumento da produtividade (29,9%) e redução do turnover (26%). Esses achados corroboram Levenson (2011) sobre a redução de custos e riscos por meio de análises de talento. Depoimentos qualitativos indicaram que os dados auxiliam a liderança a focar em áreas críticas e tornam a escolha de candidatos mais assertiva. A Tabela 3 sintetiza esses benefícios. A análise cruzada revelou que grandes empresas priorizaram o apoio à liderança, enquanto pequenas e médias valorizaram a assertividade em contratações. O setor de tecnologia enfatizou retenção e engajamento, e a indústria, produtividade, demonstrando que os ganhos se adaptam às demandas setoriais. A análise de conteúdo (Bardin, 2011) reforçou que o apoio à liderança está ligado a decisões rápidas e justificáveis, e a assertividade em contratações deriva de perfis baseados em evidências. Ganhos de produtividade e redução de turnover foram associados à orientação de análises para priorização de demandas e alocação de talentos. Contudo, a efetividade desses ganhos depende de dados fidedignos, clareza estratégica e competências analíticas.

Tabela 3. Benefícios percebidos do People Analytics

BenefícioPercentual (%)
Apoio à liderança na tomada de decisão81,1%
Melhora na assertividade das contratações45,7%
Aumento da produtividade29,9%
Redução de turnover26%
Não se aplica3,2%
Outros

Fonte: Resultados originais da pesquisa

As barreiras à adoção do People Analytics foram significativas, com 68,5% dos participantes apontando a ausência de cultura orientada a dados. Outros entraves incluíram carência de profissionais capacitados (56,7%), falta de integração entre sistemas (51,2%), baixa qualidade dos dados (44,9%), restrições orçamentárias (43,3%) e ausência de apoio da liderança (35,4%). Esses obstáculos, apresentados na Figura 5, indicam que as dificuldades são predominantemente culturais e organizacionais, conforme Angrave et al (2016). Grandes empresas reportaram mais problemas de integração e qualidade, enquanto pequenas e médias focaram em restrições orçamentárias. Indústria e saúde destacaram resistência cultural, e tecnologia, a falta de profissionais qualificados. Depoimentos qualitativos reforçaram a carência de pessoas para interpretar dados e a preferência da liderança por decisões baseadas em experiência pessoal. A Tabela 4 detalha as barreiras por porte e setor.

Figura 5. Barreiras à adoção do People Analytics

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Tabela 4. Porte e setor x Barreiras

BarreirasPequena (%)Média (%)Grande (%)Tech (%)Serviços (%)Indústria (%)Saúde (%)Financeiro (%)
Ausência de cultura orientada a dados75%68%65%58%70%72%80%55%
Profissionais sem capacitação58%55%54%66%50%45%56%55%
Falta de integração entre sistemas42%49%58%50%48%55%40%45%
Baixa qualidade dos dados41%47%46%44%43%47%39%41%
Restrição orçamentária52%46%40%32%38%40%78%46%
Ausência de apoio da liderança33%31%36%30%35%38%29%33%

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Os fatores críticos de sucesso, apresentados na Figura 6, destacaram a liderança engajada com uso de dados (79,5%), a qualidade e confiabilidade dos dados (69,3%) e a cultura organizacional data-driven (63,8%). Essa combinação ressalta a importância do patrocínio executivo e da credibilidade metodológica, conforme Davenport, Harris e Shapiro (2010) e Minbaeva (2018). Gestores valorizaram a liderança, especialistas focaram na qualidade dos dados, e grandes empresas priorizaram cultura e integração, enquanto pequenas e médias enfatizaram a capacitação das equipes.

Figura 6. Fatores críticos de sucesso

Fonte: Resultados originais da pesquisa

As áreas de RH mais impactadas pelo People Analytics foram recrutamento e seleção (79,5%), avaliação de desempenho (67,7%), remuneração (62,2%), clima e engajamento (61,4%) e retenção de talentos (55,9%). Esses resultados, detalhados na Tabela 5, indicam uma priorização de funções que impactam diretamente a competitividade organizacional. O cruzamento setorial revelou que tecnologia priorizou recrutamento e retenção, indústria focou em desempenho e produtividade, e serviços em engajamento e remuneração, alinhado à observação de Rasmussem e Ulrich (2015) de que o People Analytics se consolida em áreas estratégicas. A Tabela 6 apresenta essa distribuição. A análise qualitativa (Bardin, 2011) reforçou que o RH ganhou voz estratégica e as contratações se tornaram mais embasadas, embora a resistência cultural e a dificuldade na consolidação de dados de diferentes sistemas persistam como barreiras.

Tabela 5. Áreas de RH Impactadas

Área ImpactadaPercentual (%)
Recrutamento & Seleção79,5%
Avaliação de Desempenho67,7%
Remuneração62,2%
Gestão de Clima/Engajamento61,4%
Retenção de Talentos55,9%
Treinamento & Desenvolvimento49,6%
Gestão de Liderança48%
Planejamento de Sucessão29,9%
Nenhuma2,4%
Outras (<1% cada: jornada, saúde ocupacional, DP, benefícios e segurança)0,8%

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Tabela 6. Setor x Áreas Impactadas

Área de RH ImpactadaTecnologia (%)Serviços (%)Indústria (%)Financeiro (%)Saúde (%)
Recrutamento & Seleção84,2%75%80%72,7%77,8%
Avaliação de Desempenho76,3%54,2%65%90,9%66,7%
Remuneração55,3%54,2%70%72,7%55,6%
Gestão de Clima/Engajamento60,5%54,2%55%81,8%55,6%
Retenção de Talentos60,5%37,5%65%81,8%55,6%
Treinamento & Desenvolvimento44,7%41,7%60,0%63,6%55,6%
Gestão de Liderança44,7%41,7%60%45,5%66,7%
Planejamento de Sucessão23,7%16,7%45%54,5%44,4%

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Em relação às perspectivas futuras, os participantes foram enfáticos ao afirmar que empresas que não utilizarem dados na gestão de pessoas ficarão defasadas, e que o futuro do RH será baseado em evidências, não em intuições. Essas percepções demonstram o reconhecimento do valor atual e futuro do People Analytics para a gestão de pessoas.

Em síntese, o People Analytics encontra-se em fase de consolidação, com maturidade variável entre organizações, sendo mais avançada em grandes empresas e no setor de tecnologia. Os benefícios tangíveis incluem apoio à liderança na tomada de decisão e maior assertividade em contratações, além de ganhos em produtividade e redução de turnover. Contudo, barreiras como a ausência de cultura orientada a dados, carência de profissionais capacitados, falta de integração de sistemas e restrições orçamentárias ainda são desafios, especialmente em organizações menores e setores tradicionais. Os fatores críticos de sucesso apontados foram a liderança comprometida, a qualidade e confiabilidade dos dados e a construção de uma cultura data-driven. Os resultados indicam que o People Analytics é percebido como um diferencial competitivo e uma tendência irreversível para alinhar a gestão de pessoas às estratégias de negócio, contribuindo significativamente para o reposicionamento estratégico do RH, apesar das barreiras culturais e estruturais persistentes.

4. Conclusão

O presente estudo buscou analisar como o uso do People Analytics contribui para a evolução do papel do RH de uma função operacional para uma atuação estratégica. Verificou-se que a adoção do People Analytics encontra-se em processo de consolidação, com níveis de maturidade desiguais entre as organizações. Observou-se que grandes empresas e o setor de tecnologia apresentaram práticas mais estruturadas, enquanto organizações de menor porte e setores mais tradicionais ainda se encontram em fases iniciais ou restritas a indicadores básicos. Entre os principais achados, identificou-se que o People Analytics oferece apoio significativo à liderança na tomada de decisão e melhora a assertividade em processos de recrutamento e seleção. Adicionalmente, constatou-se ganhos em produtividade e redução do turnover, o que reforça a percepção de que a prática fortalece a legitimidade do RH e amplia sua participação em decisões críticas do negócio.

Contudo, a pesquisa revelou barreiras importantes para a plena consolidação do People Analytics, destacando-se a ausência de uma cultura organizacional orientada a dados, a carência de profissionais capacitados e a falta de integração entre sistemas. Tais desafios, predominantemente culturais e organizacionais, são mais acentuados em empresas menores e setores tradicionais. Em contrapartida, os fatores críticos de sucesso apontados incluíram a liderança engajada com o uso de dados, a qualidade e confiabilidade das informações e a construção de uma cultura data-driven. O estudo contribui ao mapear o cenário atual da adoção do People Analytics e ao oferecer subsídios práticos para gestores. Reconhece-se como limitações a natureza não probabilística da amostra, a dependência de dados autorrelatados e a ausência de um acompanhamento longitudinal. Sugere-se, para estudos futuros, a ampliação de pesquisas sobre o tema e o estímulo a práticas que fortaleçam a gestão de pessoas orientada por evidências, incluindo investigações longitudinais para avaliar a evolução da maturidade analítica.

Referências Bibliográficas

Angrave, D.; Charlwood, A.; Kirkpatrick, I.; Lawrence, M.; Stuart, M. 2016. HR and analytics: why HR is set to fail the big data challenge. Human Resource Management Journal 26(1): 1-11.

Aqui está a lista bibliográfica final, gerada de acordo com as regras especificadas:

Becker, B.E.; Huselid, M.A.; Ulrich, D. 2001. The HR scorecard: linking people, strategy, and performance. Harvard Business School Press, Boston, MA, EUA. Disponível em: https://traicie.com/app/uploads/2022/10/The-HR-Scorecard -Linking-People-Strategy-and-Performance-PDFDrive-.pdf. Acesso em: 23 set. 2025.

M

Marler, J.H.; Boudreau, J.W. 2016. An Evidence-Based Review of HR Analytics. The International Journal of Human Resource Management 28(1): 3-26.

Ulrich, D. 1997. Human resource champions: the next agenda for adding value and delivering results. Harvard Business Press, Boston, MA, United States.

Ulrich, D.; Brockbank, W.; Younger, J.; Nyman, M.; Allen, J. 2009. HR Transformation: Building Human Resources from the Outside In. McGraw-Hill, New York, NY, EUA.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Pessoas do MBA USP/Esalq

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Análise Espacial da Idade dos Condomínios em São Paulo como Ferramenta Estratégica para Administradoras

O adensamento habitacional em São Paulo, onde 29,4% da população reside em apartamentos, estabeleceu um mercado de gestão de condomínios altamente competitivo que demanda estratégias de prospecção baseadas em dados espaciais. O estudo objetivou mapear a evolução urbana da capital paulista por meio de algoritmos de análise espacial e indicadores de idade predial para o desenvolvimento de ferramentas de inteligência competitiva. A metodologia compreendeu a extração e integração de dados públicos do CNPJ via plataforma KNIME, resultando em uma base de 32.040 condomínios, dos quais 98% foram geocodificados com a API do Google Maps. A análise macroespacial identificou que as Zonas Leste e Sul lideraram o crescimento imobiliário recente, enquanto picos de registros em 1984 e 1985 foram associados a mudanças na legislação tributária e não a ciclos construtivos reais. Paralelamente, a análise microespacial utilizou o algoritmo BallTree para comparar cada condomínio aos seus 20 vizinhos mais próximos, revelando que 29% das unidades representaram pontos de renovação local em áreas consolidadas. Os resultados foram consolidados em um dashboard interativo que permite a visualização estratégica do mercado em diferentes níveis de granularidade. Concluiu-se que a integração da ciência de dados ao território permitiu que administradoras substituíssem abordagens genéricas por prospecções personalizadas ao ciclo de vida e à realidade competitiva de cada condomínio, otimizando a alocação de recursos de marketing e a efetividade das equipes comerciais.

Palavras-chave: Algoritmo BallTree; Análise Espacial; Ciência de Dados Urbanos; Gestão Condominial.

16 de outubro de 2026

Critérios e usabilidade de documentos no processo de escolha de materiais didáticos

Um estudo analisou documentos pedagógicos que orientam a escolha de materiais didáticos no Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), considerando sua relevância para a prática docente e a gestão escolar. O objetivo foi analisar a clareza, a organização e a aplicabilidade do Guia Digital do PNLD 2023 – Anos Iniciais e do Roteiro de Apoio à Análise de Materiais Didáticos do Instituto Reúna, identificando seus limites, potencialidades e implicações para a prática pedagógica. Realizou-se uma pesquisa qualitativa, exploratória e descritiva, fundamentada na análise documental orientada pela técnica de análise de conteúdo. Examinaram-se aspectos como estrutura, navegabilidade, organização dos critérios, densidade textual e estimativa de tempo de leitura. A análise revelou tensões entre regulação estatal, mercado editorial e autonomia escolar, e os resultados apresentaram diferenças significativas entre os documentos. O Guia do PNLD mostrou-se extenso, tecnicamente denso e predominantemente normativo. Em contraste, o Roteiro do Instituto Reúna organizou-se de forma progressiva e didática, com recursos gráficos que favoreceram a compreensão e o uso coletivo pelas escolas. Concluiu-se que as características estruturais e discursivas dos documentos influenciam diretamente sua usabilidade e podem impactar o grau de autonomia e participação das equipes escolares no processo de escolha dos materiais didáticos.

Palavras-chave: formação docente; materiais didáticos; PNLD; políticas curriculares; processo decisório.

16 de outubro de 2026

Automação da Auditoria Fiscal e Contábil: Ferramenta de verificação da Qualidade para o Ranking SICONFI

A transparência e a integridade da informação contábil são requisitos fundamentais para a conformidade fiscal dos entes públicos, avaliadas pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN) por meio do Ranking do Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (SICONFI). O estudo teve como objetivo desenvolver uma ferramenta de auditoria proativa para um ente da federação, visando mitigar inconsistências fiscais na Dimensão 1 (Gestão da Informação) antes do resultado oficial. A metodologia baseou-se em Ciência de Dados, utilizando a linguagem Python para a extração automatizada da Matriz de Saldos Contábeis (MSC) via Interface de Programação de Aplicações (API) do Tesouro Transparente, e o software Power BI para a construção de um painel de conformidade. O projeto focou na integração de dados para garantir a simetria de prazos e entregas entre os registros contábeis e os demonstrativos fiscais. Os resultados demonstraram que a automatização do fluxo de dados permitiu a identificação antecipada de divergências, promovendo a confiabilidade da informação e a eficiência do controle interno governamental, com arquitetura estruturada para expansão às demais dimensões do ranking. A aplicação da ferramenta em dados do exercício de 2025 demonstrou seu pleno funcionamento, com 100% de conformidade nas 38 verificações de controle da Dimensão 1. Concluiu-se que a solução atuou como um modelo inovador e escalável para a modernização da gestão pública, entregando uma ferramenta capaz de mitigar inconsistências fiscais previamente à consolidação do Ranking SICONFI.

Palavras-chave: Ciência de dados; Conformidade governamental; Controle interno; Gestão pública; Inteligência de negócios.

16 de outubro de 2026

Modelo estruturado de gestão de alto risco na saúde suplementar: eficiência operacional e coordenação do cuidado

A crescente pressão pela sustentabilidade econômico-assistencial na saúde suplementar brasileira impulsionou a adoção de modelos de gestão para populações de maior risco. O estudo objetivou descrever e analisar a estruturação e operacionalização de um modelo de gestão de uma carteira de alto risco assistencial, bem como comparar, de forma descritiva, os indicadores agregados de internações hospitalares e passagens em pronto-socorro da mesma coorte de 100 beneficiários entre 2023 e 2025. Realizou-se um estudo de caso único, descritivo e retrospectivo, integrando análise documental qualitativa e análise quantitativa descritiva de dados administrativos. O modelo foi implementado em uma operadora verticalizada, com 100 beneficiários de alto risco identificados por marcador eletrônico. O processo envolveu captação diária de eventos assistenciais, categorização por especialidade, distribuição dos casos à equipe responsável e protocolo multiprofissional de acompanhamento por 28 dias após passagens pelo pronto-socorro ou altas hospitalares. A análise documental revelou maior padronização dos fluxos, definição das responsabilidades e rastreabilidade dos acompanhamentos no modelo reformulado. Na comparação entre os períodos, as internações hospitalares diminuíram de 166 em 2023 para 52 em 2025, uma redução de 68,67%, e as passagens em pronto-socorro caíram de 238 para 130, uma variação de 45,38%. As reduções ocorreram no período em que o modelo já se encontrava incorporado à rotina institucional, configurando uma associação temporal favorável. Contudo, devido ao delineamento descritivo, à ausência de grupo de comparação e à impossibilidade de ajuste de fatores clínicos e contextuais, as variações observadas não puderam ser atribuídas exclusivamente à implantação do modelo. O estudo contribuiu ao sistematizar uma experiência organizacional de gestão de uma carteira de alto risco na saúde suplementar, oferecendo elementos para análise e adaptação em contextos institucionais semelhantes.

Palavras-chave: Coordenação do cuidado; Gestão de alto risco; Gestão populacional; Monitoramento pós-evento; Saúde suplementar.

16 de outubro de 2026

Monitoramento ambiental utilizando IoT e “webserver”

O monitoramento e controle de variáveis ambientais é um fator crítico na indústria, comércio e agricultura. O objetivo foi construir um sistema baseado em Internet das Coisas (IoT) para automação e controle ambiental remoto, utilizando sensores e atuadores de forma eficaz e flexível. Para isso, a umidade do ar foi selecionada como variável a ser monitorada e controlada. Desenvolveram-se módulos para sensoreamento e modificação das variáveis ambientais, juntamente com um servidor central para processar as informações coletadas. A arquitetura incluiu um sensor DHT-11, microcontrolador ATMEGA328, módulo Wi-Fi ESP-8266 e um Raspberry Pi como servidor web. Os testes de funcionamento foram realizados em um protótipo físico com ambiente isolado, onde um micro ventilador atuou no controle da umidade. O sistema demonstrou capacidade de coletar dados, responder a variações ambientais e controlar a umidade do ar dentro da faixa especificada, reduzindo-a por exaustão. Contudo, a redução da umidade por exaustão mostrou-se limitada pela umidade externa. Concluiu-se que o sistema cumpriu seu objetivo de monitorar e controlar variáveis ambientais de forma automatizada, oferecendo flexibilidade e arquitetura modular para diversas aplicações, como laboratórios e estufas, e promovendo a democratização do acesso à tecnologia no campo.

Palavras-chave: Automação; Controle; ESP-8266; Raspberry Pi; Wi-Fi.

16 de outubro de 2026

Cultura digital, automação e uso do CRM: um estudo de caso no mercado imobiliário.

A transformação digital ampliou a disponibilidade de sistemas de Customer Relationship Management (CRM), automação e inteligência artificial no processo comercial, mas sua apropriação estratégica não é automática. O estudo analisou como a cultura digital organizacional, a automação comercial e o uso do CRM influenciam a gestão e a performance comercial em uma organização do mercado imobiliário, investigando práticas de uso do CRM, fricções operacionais, percepções de corretores e liderança, e mecanismos de governança orientados a dados. Adotou-se abordagem mista, aplicada e descritiva, com questionários estruturados aplicados a 48 corretores e 4 profissionais de liderança, além de análise estatística descritiva, construção de índices sintéticos e análise temática. Os achados indicaram que o CRM está incorporado à rotina de acesso, mas não à produção consistente de dados. Observou-se convergência entre corretores e liderança quanto às fragilidades de registro e fragmentação por canais paralelos, embora com percepções distintas dos efeitos. O tempo de atuação não se relacionou linearmente com a maturidade digital, e o aumento da carga de oportunidades associou-se a maior dificuldade de acompanhamento manual. Como contribuição, propôs-se o framework GCOD (Governança Comercial Orientada a Dados), que integra CRM, inteligência analítica, orquestração comercial e governança contínua. Concluiu-se que a eficiência comercial depende da capacidade organizacional de integrar tecnologia, comportamento e governança para reduzir fricções, preservar a qualidade dos dados e orquestrar a atenção humana e automatizada ao longo da jornada do lead.

Palavras-chave: Automação comercial; CRM; Cultura de dados; Governança comercial; Transformação digital.

16 de outubro de 2026

Aplicações de Inteligência Artificial e Simulação Computacional na Formação de Preços e Gestão de Liquidez

O estudo, de caráter exploratório, investigou como técnicas de Inteligência Artificial e Simulação Computacional podem ser aplicadas à formação de preços com foco na gestão da liquidez empresarial. O objetivo foi propor e ilustrar um método de Precificação Dinâmica Adaptativa Orientada pelo Caixa, no qual a definição de preços dependeu de seus efeitos esperados sobre as vendas e, subsequentemente, sobre a trajetória do fluxo de caixa. Para isso, desenvolveu-se um caso hipotético com dados sintéticos de preços e vendas, um modelo preditivo de vendas em função do preço próprio e do preço médio da concorrência, um modelo de projeção de fluxo de caixa capaz de incorporar prazos de recebimento, inadimplência, custos transacionais, reposição de estoque e custos fixos, e um simulador computacional para avaliação de cenários competitivos. O processo de modelagem preditiva comparou diferentes algoritmos de aprendizado de máquina, sendo selecionada uma regressão linear com termos quadráticos e de interação por apresentar desempenho preditivo competitivo, boa capacidade de generalização e maior interpretabilidade. Os resultados das simulações indicaram que a abordagem proposta superou um cenário baseline de preço fixo sob a ótica da liquidez, produzindo trajetórias de caixa superiores na maior parte do horizonte analisado. Concluiu-se que a precificação pode ser tratada não apenas como um problema comercial, mas também como um problema de gestão do caixa, abrindo espaço para aplicações práticas e estudos futuros com dados reais, múltiplos produtos e métodos mais avançados de decisão sequencial.

Palavras-chave: Aprendizado de Máquina; Fluxo de Caixa; Precificação; Simulação Computacional; Tomada de Decisão.

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