Resumo Executivo

12 de maio de 2026

Retrofit e gestão de projetos na modernização industrial

Radson de Melo Santos; Aline Gisele Zanão Benatto

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Os projetos constituem atributos fundamentais das organizações contemporâneas, sendo compreendidos como uma articulação complexa de recursos organizacionais alocados para a criação ou desenvolvimento de elementos inéditos (Engwall, 2003). Essa dinâmica permite o aperfeiçoamento contínuo da capacidade de desempenho, refletindo diretamente no planejamento e na execução das estratégias institucionais. Segundo a perspectiva de Cleland (1994), o conceito de projeto fundamenta-se na combinação de recursos que, quando geridos de forma integrada, proporcionam avanços significativos em estruturas que anteriormente não dispunham de tais inovações. No cenário industrial, a escolha do momento ideal para a apresentação de propostas de melhoria é essencial para a manutenção da rotina operacional e para a sustentabilidade do negócio. A prática do gerenciamento de projetos indica uma organização com objetivos bem delineados, que consome recursos de maneira racional e opera sob limites rigorosos de prazos, custos e qualidade (Kerzner, 2011). É imperativo considerar que a implantação de mudanças estruturais demanda não apenas aporte financeiro, mas também mão de obra altamente especializada e uma transição ideológica na cultura organizacional, muitas vezes exigindo cronogramas extensos e detalhados.

A simulação de processos produtivos surge como um aparato valioso para as empresas modernas, permitindo a imitação de operações do mundo real por meio de modelos de baixo custo (Miyagi, 2007). Essa ferramenta possibilita a avaliação de hipóteses e a certificação de que um produto ou processo está apto para o mercado antes de sua implementação definitiva. Em um ambiente competitivo e dinâmico, a simulação atua como um mecanismo de segurança, permitindo a reconfiguração de sistemas em curtos espaços de tempo. Como o projeto é uma atividade única e exclusiva, com resultados específicos desejados ao seu término, ele requer uma coordenação aperfeiçoada e um controle minucioso de variáveis como desempenho e relacionamentos interpessoais (Meredith, 2003). Na indústria automotiva, por exemplo, a simulação é amplamente utilizada para testar a confiabilidade de componentes, garantindo a segurança máxima antes da comercialização. A gestão do tempo nesse contexto é incontestável, exigindo que as estimativas de atividades possuam margens de erro mínimas. Cabe aos responsáveis pela gestão a avaliação constante de cenários produtivos, antecipando alterações necessárias em mão de obra, maquinário e linhas de produção para evitar atrasos que comprometam o custo e a entrega de serviços.

No âmbito específico do maquinário industrial, o custo de um equipamento inativo ou operando de forma ineficiente supera drasticamente o investimento necessário para o gerenciamento de um projeto de modernização. Equipamentos desatualizados representam um risco constante à produtividade global, tornando viáveis projetos que visem a modernização e a otimização dos ativos. A justificativa para tais intervenções reside na garantia do melhor rendimento empresarial por meio de planos focados na implementação de tecnologias atualizadas que permitam a transição da manutenção corretiva para a manutenção preditiva. Atualmente, a dependência de sistemas obsoletos gera custos onerosos para a manutenção de funções essenciais, muitas vezes resultando em paradas não programadas que impactam o fluxo de caixa e a competitividade. A modernização, portanto, não é apenas uma escolha técnica, mas uma necessidade estratégica para estabilizar ações e objetos dentro de um cronograma factível e seguro.

A metodologia aplicada para o desenvolvimento do planejamento de modernização estruturou-se em duas etapas complementares. A primeira consistiu em uma revisão integrativa de literatura, método que permite revisar rigorosamente e combinar estudos com diversas abordagens metodológicas para integrar resultados e embasar conceitos técnicos (Mendes, Silveira e Galvão, 2008). Essa fase inicial foi crucial para reunir conhecimentos consolidados sobre gestão de processos e tecnologias de automação industrial. A segunda etapa configurou-se como um estudo de caso em uma empresa do setor sucroenergético, envolvendo observação direta, investigação técnica e proposição de melhorias operacionais. A abordagem fundamentou-se no conceito de gestão de projetos como um conjunto de procedimentos e técnicas voltados à otimização de fluxos de trabalho e à aplicação eficiente de recursos (Cubo, 2024).

A escolha da metodologia ágil, especificamente o framework Scrum, justificou-se pela urgência na aplicabilidade das soluções, visto que o uso de componentes antigos gerava ônus crescente à produção. Metodologias ágeis cumprem a função de reduzir processos burocráticos e agilizar a conclusão de tarefas complexas (Araújo, 2023). O processo operacional foi dividido em ciclos de trabalho curtos, denominados sprints, com duração fixa de duas semanas cada. O ponto de partida foi o levantamento do product backlog, onde foram registrados todos os equipamentos e áreas que demandavam intervenção. A análise concentrou-se em dispositivos responsáveis pelo controle e proteção de turbo geradores, identificando componentes elétricos e eletrônicos que entraram em fim de vida produtiva e não possuem mais suporte dos fabricantes originais.

O diagnóstico técnico foi impulsionado pelas inspeções anuais realizadas ao término de cada safra, período em que a indústria interrompe a produção para manutenção preventiva. Essas inspeções, conduzidas por especialistas terceirizados, resultam em relatórios detalhados que pontuam defeitos e inadequações. Na unidade observada, falhas críticas vinham sendo sinalizadas desde o ano de 2020, mas apenas no ciclo de 2024 para 2025 a gravidade da situação foi plenamente reconhecida pela gestão. O plano de ação para o retrofit envolveu a análise cuidadosa de mais de 300 equipamentos elétricos. Entre os itens identificados como obsoletos e de difícil reposição, destacaram-se o sincronizador EGCP-3, o controlador de velocidade 505, o atuador CPC e o relé de proteção GE 489. A escassez de peças originais no mercado e o alto custo de componentes usados reforçaram a necessidade de uma substituição completa por modelos contemporâneos.

Para a execução do projeto, a interação entre os setores de manutenção elétrica e geração de energia foi intensificada por meio de reuniões de alinhamento típicas do Scrum. O papel do Scrum Master foi fundamental para conectar o Product Owner aos analistas, supervisores e coordenadores envolvidos. Durante essas sessões, foram esclarecidas as funções de cada componente crítico: o monitor de vibração VM 600, responsável pelas proteções de vibração do gerador; o regulador de tensão de excitação Unitrol; e o sistema Protech 203, essencial para a proteção contra sobrevelocidade da turbina. A estratégia de priorização focou inicialmente nos dispositivos de proteção e controle da turbina de geração, dada a sua importância vital para a segurança operacional e para a exportação de energia elétrica.

A pesquisa de mercado para a aquisição dos novos sistemas considerou fatores como a lei da oferta e demanda, os ciclos agrícolas que interferem na disponibilidade financeira e a localização da empresa. Foi necessário identificar equipamentos compatíveis com os protocolos de atuação, dimensões e funções dos sistemas antigos. No caso dos controladores Woodward, optou-se pela continuidade da marca com modelos atualizados, o que permitiu uma negociação estratégica. A empresa fornecedora ofereceu um plano de base de troca para o retrofit, resultando em um desconto de 25% na compra dos novos componentes. Para o relé de proteção, a decisão foi substituir o modelo GE 489 pelo SEL 700G, enquanto o monitor de vibração VM 600 da SKF foi substituído pelo sistema 3500 da Bently Nevada. O regulador Unitrol foi mantido na marca ABB, porém com versões tecnológicas mais recentes.

Os resultados obtidos com a avaliação técnica e financeira demonstraram que a implementação do projeto é altamente vantajosa para a organização. O investimento total calculado para a substituição dos equipamentos e contratação de mão de obra especializada totalizou 3 milhões 715 mil 487 reais e 37 centavos. Desse montante, 3 milhões 364 mil 367 reais e 37 centavos referem-se exclusivamente aos materiais e equipamentos, enquanto o restante foi destinado aos serviços de montagem, configuração, comissionamento e atualização de desenhos técnicos unifilares. A análise detalhada dos custos de manutenção corretiva revelou que o tempo de máquina parada e a dificuldade de encontrar peças de reposição tornavam a operação atual insustentável. A falta de componentes em estoque é um dos principais gargalos da manutenção industrial, prolongando o tempo de retorno dos equipamentos ao estado de trabalho (Silva et al., 2023).

A substituição dos ativos obsoletos mitiga o risco de paradas gerais na planta e garante a continuidade da exportação de energia, um fator crítico para a rentabilidade da usina sucroenergética. O cenário anterior ao projeto era caracterizado por um sistema de baixa confiabilidade, onde componentes envelhecidos falhavam de forma imprevisível. Com o retrofit, a empresa passa a contar com estabilidade no processo produtivo e aumento na eficácia da proteção do transformador principal. A decisão da diretoria, após a apresentação do relatório de CAPEX (Capital Expenditure), foi priorizar o sincronizador EGCP-3, devido à sua função essencial no sincronismo de tensão entre a usina e a concessionária de energia. Para a execução dos serviços, foram selecionadas empresas parceiras já homologadas, como a RA14 para a troca de relés, a Techenergy para os controladores de turbina, a Catena para o sistema Unitrol e a Powerup para o monitoramento de vibração.

A discussão dos resultados evidencia que a escolha assertiva do maquinário impacta diretamente a produtividade global. Em usinas de grande porte, a gestão eficiente dos recursos é um desafio que demanda conhecimento profundo dos serviços executados e uma média precisa dos custos de manutenção (Alves e Santos, 2019). A transição para equipamentos modernos permite estabelecer parâmetros de manutenção produtiva, otimizando os fatores econômicos da produção e garantindo maior disponibilidade dos ativos com menor custo operacional a longo prazo (Xenos, 2014). A implementação do projeto não apenas resolve o problema da obsolescência, mas também integra a produção, diminuindo riscos de acidentes e danos ambientais decorrentes de falhas em sistemas de proteção.

O funcionamento técnico dos novos sistemas foi detalhadamente planejado no sprint backlog. O controlador 505, por exemplo, foi configurado para realizar três rampas de tensão com pausas de até dez minutos, operando em frequências de 1600 rpm, 3200 rpm e 6700 rpm. Esse controle preciso é fundamental para a abertura da válvula de vapor via CPC, garantindo que a turbina atinja a rotação máxima de 60 Hz de forma segura. O sincronismo é gerenciado pelo EGCP-3, que recebe referências de transformadores de corrente e potencial para ajustar a frequência e a tensão, enviando pulsos ao Unitrol conforme a necessidade de excitação. Esse nível de automação reduz a dependência de intervenções manuais e minimiza a probabilidade de erro humano durante as manobras de carga.

A análise das limitações do estudo aponta que, embora o investimento inicial seja elevado, a ausência de intervenção resultaria em prejuízos ainda maiores devido à degradação inevitável dos componentes eletrônicos. Pesquisas futuras poderiam explorar a integração desses novos sistemas de controle com plataformas de inteligência artificial para análise preditiva de dados em tempo real, aumentando ainda mais a vida útil dos ativos. A metodologia ágil provou ser eficaz para o ambiente corporativo industrial, proporcionando agilidade na tomada de decisão e clareza na distribuição de responsabilidades. A conclusão das etapas de identificação, cotação e planejamento técnico permitiu a entrega de uma proposta robusta, alinhada às necessidades de crescimento e segurança da organização.

Conclui-se que o objetivo foi atingido, demonstrando que a implantação de um plano de retrofit baseado em metodologias de gestão de projetos e tecnologias modernas é a abordagem mais eficaz para garantir a continuidade operacional e a saúde financeira de unidades industriais. A substituição de equipamentos obsoletos por sistemas de alta confiabilidade reduz drasticamente os custos com manutenção corretiva e elimina os riscos associados à falta de peças de reposição no mercado. A estratégia de negociação com fornecedores e a priorização de componentes críticos de proteção asseguram um retorno sobre o investimento em médio prazo, consolidando a modernização como um pilar essencial para a competitividade no setor sucroenergético.

Referências Bibliográficas:

Alves, J. S.; Santos, D. 2019. Cuidados com manutenção devem ser tomados antes mesmo da aquisição do maquinário. Disponível em https://portalmaquinasagricolas.com.br/cuidados-com-manutencao-devem-ser-tomados antes-mesmo-da-aquisicao-maquinario/ Acesso em: 27 ago. 2025

Araújo, F. 2023. O que é Agile, ou metodologia ágil? Disponível em: https://ebaconline.com.br/blog/o-que-e-agile-metodologia-agil. Acesso em: 10 set. 2025

Cleland, D. I. 1984. Project management: strategic design and implementation. 2. ed. McGraw-Hill.

Cubo. 2024. 8 metodologias de gestão de projetos para usar em sua corporação. Disponível em: https://blog.cubo.network/metodologias-de-gestao-de projetos?utm_term=&utm_campaign=Hub Cubo_AI&utm_source=adwords&utm_medium=ppc&hsa_acc=5568761349&hsa_cam=2214 3055371&hsa_grp=&hsa_ad=&hsa_src=x&hsa_tgt=&hsa_kw=&hsa_mt=&hsa_net=adwords &hsa_ver=3&gad_source=1&gad_campaignid=22143056388&gbraid=0AAAAA9feigpXQctO VpRZsrBn9wHPpEq2a&gclid=EAIaIQobChMIhY2MoP3sjwMVH0JIAB3v0zfkEAAYAyAAEgJ d6fD_BwE. Acesso em: 02 ago. 2025

Engwall, M. 2023. No project is an island: linking projects to history and context. Umeå School of Business and Economics, Umeå University, SE-901 87 Umea, Sweden.

Kerzner, H. 2011. Gerenciamento de projetos: uma abordagem sistêmica para planejamento, programação e controle. Editora Blucher. 676 p.

Mendes, K. D.S.; Silveira, R. C. C. P.; Galvão, C. M. 2008. Revisão integrativa: método de pesquisa para a incorporação de evidências na saúde e na enfermagem. Texto contexto – enferm. vol.17 no.4 Florianópolis.

Meredith, Jack R.; Mantel, Samuel J. 2003. Administração de projetos: uma abordagem gerencial. 4 ed. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos.

Miyagi, P. 2006. Introdução à simulação discreta. USP, São Paulo.

Silva, D. B. da.; et al. 2023. Gestão estratégica da manutenção de máquinas agrícolas: estudo de caso em uma usina sucroalcooleira no Triângulo Mineiro. Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.9, n.1, p.529-545.

Xenos, Harilaus G. 2004. Philippos. Gerenciando a manutenção produtiva: o caminho para eliminar falhas nos equipamentos e aumentar a produtividade. Nova Lima : Falconi.

Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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