12 de maio de 2026
Canoa havaiana: impacto social e cultura oceânica
Priscila Moraes da Silva; Desirée Baldin Damame
Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.
O acesso equitativo ao conhecimento, às experiências e às oportunidades ligadas ao ambiente marinho tem sido historicamente restrito por barreiras socioeconômicas, culturais e estruturais, especialmente em comunidades tradicionais e populações em situação de vulnerabilidade (Curri e Gasalla, 2021). Esse cenário decorre de um processo histórico de ocupação e desenvolvimento das zonas costeiras, no qual parte da população local teve seu acesso ao mar reduzido por fatores como a privatização de áreas litorâneas, a especulação imobiliária, a carência de políticas públicas inclusivas e a ausência de programas de educação ambiental adaptados às realidades sociais e culturais dessas comunidades (Monteiro et al., 2023). Em resposta a esse desafio, a disseminação da cultura oceânica torna-se uma ferramenta estratégica para promover uma maior conscientização sobre a importância da preservação do mar e a valorização dos modos de vida costeiros. A cultura oceânica refere-se à compreensão da influência do oceano sobre a sociedade e da sociedade sobre o oceano, promovendo o conhecimento sobre sua importância para a vida no planeta e para o bem-estar humano (UNESCO, 2018). Essa abordagem amplia o entendimento das interações entre a sociedade e o oceano, além de estimular a participação social na tomada de decisões relacionadas ao uso sustentável e à conservação dos ambientes marinhos (McKinley et al., 2023).
A Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, declarada pela Organização das Nações Unidas entre 2021 e 2030, incluiu a promoção da cultura oceânica entre suas prioridades, incentivando a implementação de programas e projetos que aproximem a sociedade do conhecimento científico sobre o oceano (Christofoletti et al., 2021). No Brasil, a educação ambiental é um eixo fundamental para essa aproximação, sendo considerada um componente essencial e permanente da educação nacional (Silva et al., 2023). De acordo com a Política Nacional de Educação Ambiental, a educação ambiental deve estar presente de forma articulada em todos os níveis e modalidades do processo educativo, tanto no ensino formal quanto em espaços não formais, abrangendo iniciativas realizadas na sociedade em geral (BRASIL, 1999). Iniciativas que utilizam práticas esportivas para ampliar o acesso ao mar têm se mostrado alternativas eficazes na construção de espaços informais de educação ambiental, com potencial para a promoção e difusão da cultura oceânica (Oliveira, 2023). A educação ambiental voltada ao ambiente marinho mostra-se mais eficaz quando associada a experiências práticas, capazes de despertar o senso de pertencimento e a valorização do oceano (Barradas, 2020). Nesse contexto, a canoa havaiana aparece como uma ferramenta pedagógica relevante, aliando trabalho em equipe, contato direto com o mar e resgate cultural, sendo incorporada em projetos socioambientais em diversos municípios costeiros brasileiros.
O município de São Sebastião, localizado no litoral norte de São Paulo, é uma região rica e diversa em ecossistemas, incluindo praias, costões rochosos, fragmentos de manguezais, vegetação de restinga e Mata Atlântica (Amaral et al., 2015). Existem iniciativas sociais locais que promovem o contato com o mar por meio da canoa havaiana, as quais, embora relevantes por oportunizarem a conexão direta com o mar, concentram-se principalmente na prática esportiva e recreativa, sem incorporar de maneira estruturada ações de educação ambiental voltada à cultura oceânica em suas atividades. O ano de 2025, que marca o ponto médio da Década do Oceano, representa uma oportunidade estratégica para a ampliação de iniciativas voltadas à promoção da cultura oceânica em diferentes contextos sociais. O objetivo central reside na análise da canoa havaiana como ferramenta de impacto social e promoção da cultura oceânica no município de São Sebastião, identificando potencialidades e gargalos para a democratização do acesso ao mar.
A metodologia adotada compreendeu uma abordagem quantitativa, de caráter exploratório e descritivo, fundamentada na coleta de dados primários. O procedimento foi realizado de forma virtual, por meio da divulgação em grupos de comunicação instantânea vinculados à prática da canoa havaiana no município de São Sebastião. A coleta de dados ocorreu entre 07 e 15 de junho de 2025, utilizando uma plataforma de formulários eletrônicos estruturada com 16 questões fechadas. O instrumento de pesquisa foi desenhado para captar o perfil sociodemográfico dos praticantes, o nível de conhecimento sobre o ambiente marinho e as percepções individuais sobre os impactos sociais e ambientais da modalidade. A amostragem envolveu participantes associados a projetos sociais do terceiro setor que recebem apoio da gestão municipal, seja pela organização de eventos esportivos ou pelo incentivo à participação de atletas em competições. Nessas iniciativas, a prática da canoa havaiana é oferecida de forma gratuita e relativamente acessível à comunidade, com remadas organizadas e agendadas digitalmente, contando com uma base de mais de 1000 participantes ativos que dependem da disponibilidade de instrutores voluntários.
O questionário foi dividido em blocos temáticos para garantir a profundidade da análise. O primeiro bloco focou na caracterização do respondente, incluindo gênero, faixa etária, nível de escolaridade, renda mensal familiar e local de residência. O segundo bloco investigou o histórico de participação na modalidade e a percepção de impactos positivos em áreas como saúde, inclusão social, educação ambiental e fortalecimento de vínculos comunitários. O terceiro bloco dedicou-se especificamente à cultura oceânica, avaliando a autoavaliação do conhecimento sobre o mar e a compreensão conceitual do termo conforme as diretrizes internacionais. Por fim, o quarto bloco explorou as barreiras de acesso ao mar e sugestões de melhorias para a infraestrutura e políticas públicas locais. Para a análise dos dados, utilizou-se a matriz de forças, oportunidades, fraquezas e ameaças, permitindo organizar os fatores internos e externos que influenciam a viabilidade da canoa havaiana como instrumento de transformação social. Complementarmente, aplicou-se o método de planejamento estratégico baseado em diretrizes operacionais para transformar os resultados obtidos em ações aplicáveis, focadas na ampliação da inclusão social e na disseminação do letramento oceânico.
Os resultados revelaram uma amostra de 88 respostas válidas, com uma predominância expressiva do público feminino, representando 71,6% dos participantes. Esse dado diverge dos achados históricos que indicavam uma participação significativamente menor das mulheres em práticas esportivas no Brasil, sugerindo que o cenário vem passando por transformações profundas (Desforges-Houle e Tacon, 2025). Tendências globais evidenciam o crescimento da participação feminina em modalidades coletivas, e a canoa havaiana parece consolidar-se como um espaço de acolhimento para esse público. Em relação à faixa etária, a maior concentração situou-se entre 45 e 59 anos, com 31,8% do total, enquanto 13,6% dos respondentes possuíam 60 anos ou mais. A presença notável de idosos indica um potencial de inclusão e ressignificação de padrões de envelhecimento ativo por meio da modalidade, contrastando com dados nacionais onde mais de 50% das pessoas acima de 60 anos relatam não praticar esportes por limitações de saúde ou percepção de incapacidade física (IBGE, 2015).
Quanto ao nível de escolaridade, observou-se um perfil elevado, com 27,3% dos respondentes possuindo pós-graduação e 26,1% com ensino superior completo. A renda mensal familiar concentrou-se majoritariamente na faixa de dois a quatro salários mínimos (36,4%), seguida pela faixa de quatro a 10 salários mínimos (23,9%). Esse perfil socioeconômico é superior à média nacional, na qual a grande maioria da população vive com até dois salários mínimos e não possui ensino superior completo (IBGE, 2024). Tal contraste sugere que, embora a prática seja oferecida gratuitamente em alguns projetos, a canoa havaiana ainda não alcança plenamente os grupos sociais de menor renda e escolaridade, indicando a existência de barreiras implícitas de acesso. Entre os participantes, 48,9% afirmaram já ter enfrentado obstáculos para acessar o mar ou participar de atividades marítimas, destacando-se o custo elevado (27,3%), a escassez de informações (25%) e a falta de acessibilidade física (17%). Esses resultados reforçam a percepção de que, mesmo em localidades costeiras, o acesso ao oceano não é garantido de forma democrática, corroborando estudos que apontam a questão financeira como o principal entrave para atletas de modalidades náuticas (Fundação Grupo Boticário, 2024).
No que tange aos impactos percebidos, 96,6% dos participantes destacaram melhorias na saúde e no bem-estar, o que valida pesquisas que apontam os benefícios do contato regular com espaços azuis para a saúde física e mental (Britton et al., 2020; Geiger et al., 2023). Além disso, 54,5% identificaram a inclusão social como um impacto positivo relevante, e 47,7% mencionaram a conscientização sobre o mar. A valorização e o cuidado com os recursos naturais locais, como praias e manguezais, foram reconhecidos por 98,8% da amostra, evidenciando que a prática esportiva funciona como uma ferramenta de conexão emocional e ética com o meio ambiente. Essa percepção está em consonância com as metas da Década do Oceano, que busca despertar na sociedade a valorização de sua relação intrínseca com o ecossistema marinho (McKinley et al., 2023). No entanto, observou-se uma lacuna conceitual significativa: embora 73,9% tenham avaliado positivamente seu próprio conhecimento sobre o oceano, apenas 35,2% conseguiram associar corretamente o termo cultura oceânica à definição adotada internacionalmente. Uma parcela de 8% afirmou nunca ter ouvido falar no conceito, e 25% apresentaram respostas equivocadas, o que sugere que o contato direto com o mar não garante, por si só, o letramento oceânico.
A análise estratégica permitiu identificar que a principal força do projeto reside no amplo reconhecimento dos benefícios para a saúde e no potencial educativo da modalidade. A presença significativa de mulheres e idosos quebra padrões de exclusão em esportes náuticos, fortalecendo a imagem da canoa havaiana como uma prática inclusiva. Por outro lado, o desconhecimento conceitual sobre a cultura oceânica e o perfil socioeconômico elevado dos praticantes configuram-se como fraquezas que limitam o impacto social gerado (Spaaij, 2012). Como oportunidades, destaca-se o alinhamento com políticas nacionais e agendas internacionais de sustentabilidade, além da forte demanda comunitária por projetos gratuitos. O Brasil tornou-se, em 2025, o primeiro país a incluir oficialmente a cultura oceânica na Base Nacional Comum Curricular, o que abre portas para a integração da canoa havaiana como metodologia de ensino e formação cidadã (UNESCO, 2025). As ameaças concentram-se nas desigualdades estruturais persistentes e no risco de elitização da modalidade caso não existam estratégias deliberadas de democratização.
Para enfrentar esses desafios, propõe-se um plano de ação estruturado na ampliação do acesso para grupos vulneráveis, incluindo jovens de escolas públicas, pessoas com deficiência e comunidades tradicionais. A execução dessa estratégia depende da pactuação com secretarias municipais de educação, saúde e assistência social, visando o oferecimento de transporte subsidiado e bolsas de apoio à juventude. É fundamental que o acesso não se restrinja à oferta de vagas, mas contemple condições estruturais como acessibilidade física nas rampas de lançamento e suporte pedagógico com monitores capacitados. No eixo da cultura oceânica, o plano prevê o desenvolvimento de remadas temáticas que abordem a biodiversidade costeira, os impactos da poluição marinha e as mudanças climáticas, utilizando materiais de apoio fundamentados nos guias da UNESCO (2018). A integração com universidades e institutos de pesquisa pode fortalecer a base científica das ações, transformando a vivência esportiva em conhecimento sistematizado.
A sustentabilidade financeira dessas iniciativas deve ser buscada por meio de editais públicos, leis de incentivo ao esporte e parcerias com o setor privado, garantindo que o projeto não dependa exclusivamente de voluntariado. O monitoramento e a avaliação dos resultados, por meio de indicadores de impacto social e ambiental, são essenciais para assegurar a transparência e a replicabilidade do modelo em outros territórios costeiros. A busca pelo endosso da Comissão Oceanográfica Intergovernamental pode ampliar a legitimidade internacional das ações desenvolvidas em São Sebastião, atraindo novos investimentos e fortalecendo a rede de governança local. A canoa havaiana, portanto, transcende o âmbito esportivo para consolidar-se como uma plataforma de cidadania, ciência e conservação.
Conclui-se que o objetivo foi atingido, uma vez que a análise demonstrou o elevado potencial da canoa havaiana como ferramenta de impacto social e promoção da cultura oceânica, embora sua efetividade plena dependa da superação de barreiras socioeconômicas e do fortalecimento de estratégias pedagógicas estruturadas. A prática promove o bem-estar e a conexão com o ambiente marinho, mas a democratização do acesso exige políticas públicas integradas que garantam a participação de grupos historicamente excluídos. O estudo evidenciou que o contato físico com o mar deve ser acompanhado por ações de letramento oceânico para que a conscientização se transforme em engajamento social efetivo. A modalidade apresenta-se como uma oportunidade concreta para alinhar esporte e ciência na construção de um oceano mais saudável e inclusivo, contribuindo diretamente para as metas da agenda global de desenvolvimento sustentável.
Referências Bibliográficas:
Amaral, A. C. Z; Turra, A.; Aurea, M. C.; Wongtschowski, C. L. del B. R.; Schaeffer-Novelli, Y. 2016. Vida na Baía do Araçá: Diversidade e Importância. 2ed. Lume, São Paulo, SP, Brasil.
Barradas, J. I. 2020. Os oceanos como instrumento de educação ambiental. Revista de Ensino de Ciências e Matemática, 11(2): 24-33.
Brasil. 1999. Lei n° 9.795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 28 abr. 1999. Seção 1, p. 1.
Britton, E.; Kindermann, G.; Domegan, C.; Carlin, C. Blue care: a systematic review of blue space interventions for health and wellbeing. Health Promotion International 35(1): 50–69.
Christofoletti, R. A.; Gozzo, A. J.; Mazzuco, A. C. A.; Martins, F. R.; Kasten, P.; Mazzo, T. M.; Ignacio, B. L.; Kitahara, M. V.; Rodrigues, M. V.; Yokoyama, L. Q.; Sousa, A. C.; Aguiar, A. V.; Basso, B. H.; Faria, C. F.; Ferreira, C. G. R.; Gasparini, F. C.; Morgan, H.; Dantas, H. V.; Raphael, H. M.; Pires, J. S.; Vieira, K. M.; Santos, K. S.; Ozores, L. R.; Medeiros, L. F.; Lazaretti, M. C.; Guarachi, M. S.; Mathias, M. T.; Carvente, M. F.; Nascimento, S. C. S.; Santos, S. O. 2021. A década da ciência oceânica para o desenvolvimento sustentável. E eu com isso? Ciência e Cultura 73(2): 30-36.
Curri, R. L. C.; Gasalla, M. de los A. 2021. Social vulnerability in coastal municipalities of Brazil. Frontiers in Ecology and Evolution 9: 664272.
Desforges-Houle, A.; Tacon, R. 2025. Female youth sport participation and gender role beliefs around occupational suitability in later life: exploring the associations. Managing Sport and Leisure, 1-19.
Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. 2025. Oceano sem Mistérios: Esporte e saúde à beira-mar. Disponível em: <https://fundacaogrupoboticario.org.br/wp-content/uploads/2025/03/Oceano-Esporte-e-saude-a-beira-mar-1.pdf >. Acesso em: 12 jul. 2025.
Geiger, S. J.; White, M. P.; Davison, S. M. C.; Zhang, L.; McMeel, O.; Kellett, P., Fleming, L. E. 2023. Coastal proximity and visits are associated with better health, but may not buffer health inequalities. Communications Earth & Environment, 4(1): 1-9.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística [IBGE]. 2015. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio – PNAD: Prática de esporte e atividade física. Disponível em: <https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv100364.pdf>. Acesso em: 08 ago. 2025.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística [IBGE]. 2024. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua: educação 2023. Disponível em: <https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv102068_informativo.pdf>. Acesso em: 06 ago. 2025.
McKinley, E.; Burdon, D.; Shellock, R. J. 2023. The evolution of ocean literacy: A new framework for the United Nations Ocean Decade and beyond. Marine Pollution Bulletin. 186: 114467.
Monteiro, R. R., Santos, M. dos, Souza, J. O. R., Borges Vieira, M. B. V. 2023. Racismo ambiental, justiça ambiental e mudanças climáticas no Brasil: uma análise dos relatórios anuais dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Revista Em Favor de Igualdade Racial, 6(3): 117-132.
Oliveira, M. B. Esportes aquáticos como experiência para a aprendizagem da sustentabilidade e colaboração com a Cultura Oceânica. 2023. Dissertação em Ciência e Sustentabilidade. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura [UNESCO]. 2018. Cultura Oceânica para Todos: Kit pedagógico. Disponível em: <https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000260721>. Acesso em: 28 ago. 2025.
Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura [UNESCO]. 2025. Brazil becomes the first country in the world to develop a national school curriculum on Ocean Literacy with UNESCO’s support. Disponível em: <https://www.unesco.org/en/articles/brazil-becomes-first-country-world-develop-national-school-curriculum-ocean-literacy-unescos-support>. Acesso em: 06 ago. 2025
Silva, G. de S.; de Araújo, A. H. C.; Gonçalves, M. H. da S.; Aciole, D. D. S. B.; Santos, R. L. Araújo-de-Almeida, E. 2023. Educação ambiental para crianças seguindo a Agenda 2030: mobilizando sobre a biodiversidade dos oceanos. Research, Society and Development, 12(8): e11612842946.
Spaaij, R. 2012. Building social and cultural capital among young people in disadvantaged communities: Lessons from a Brazilian sport-based intervention program. Sport, Education and Society. 17(1): 77-95.
Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq
Para saber mais sobre o curso, clique aqui e acesse a plataforma MBX Academy




























