12 de maio de 2026
Gestão de Projetos em Torneios de Beach Tennis
Priscylla Karla Calado Cavalcanti; Josué Marcos de Moura Cardoso
Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.
A gestão das partes interessadas em projetos de qualquer natureza contribui significativamente para a fluidez dos fluxos de comunicação e para o engajamento dos principais envolvidos, favorecendo o sucesso das iniciativas organizacionais (Dias et al., 2016; PMI, 2021). O Guia do Conhecimento em Gerenciamento de Projetos reconhece essa gestão como um elemento central, dedicando uma área específica para o planejamento, execução e monitoramento do nível de satisfação e apoio dos atores impactados (PMI, 2017). Ao adotar uma abordagem estruturada e proativa, busca-se garantir que as necessidades e expectativas sejam consideradas ao longo de todo o ciclo de vida do projeto, facilitando a tomada de decisões e a construção de um ambiente colaborativo. No contexto de Pequenas e Médias Empresas, os aspectos gerenciais possuem complexidades específicas, sendo marcados pela flexibilidade e proximidade com o cliente, mas também por limitações de recursos financeiros e humanos, além de uma frequente informalidade nos processos (Fabris, 2019; Gomes et al., 2021). Para superar tais obstáculos, é fundamental que os gestores desenvolvam uma visão estratégica que permita identificar oportunidades e otimizar o uso dos recursos disponíveis através de metas claras e acompanhamento constante de resultados (Rodrigues et al., 2019).
Empreendimentos voltados às práticas esportivas, como academias e organizadores de eventos, compartilham com as empresas de menor porte a necessidade de uma gestão eficiente e adaptada à realidade local. O setor esportivo exige atenção especial devido a desafios como a sazonalidade, que pode ser prejudicial em determinados períodos do ano, exigindo uma gestão flexível para lidar com flutuações de receita e demanda (Farias, 2022; Nery e Teixeira, 2024). Especificamente, o beach tennis tem experimentado um crescimento exponencial no Brasil, consolidando-se como uma atividade física e socialmente engajada que atrai um público diversificado, desde crianças até idosos (Guiducci et al., 2019; Rosa e Alvarez, 2021). Essa popularidade impulsiona a realização de projetos como torneios amadores, que demandam uma gestão estratégica para gerar impactos positivos na economia local e atender às expectativas das partes interessadas. O objetivo principal desta análise consiste em avaliar a aplicação de ferramentas de gerenciamento de projetos em torneios esportivos amadores da modalidade, investigando a percepção de alunos, empresas parceiras e organizadores sobre um evento realizado em 2024, com foco em satisfação, engajamento e fidelização.
A fundamentação metodológica seguiu as diretrizes do estudo de caso único, conforme proposto por Yin (2018), para analisar um fenômeno real e complexo em seu contexto específico. A unidade de análise foi um torneio organizado por um empreendedor esportivo na cidade de Recife, Pernambuco, com foco nas interações entre alunos, empresas parceiras, o clube sede e o professor organizador. Utilizaram-se métodos mistos, articulando análises qualitativas, quantitativas e documentais para garantir a robustez da investigação (Gil, 2017). A abordagem qualitativa buscou captar percepções e sugestões, enquanto a quantitativa permitiu mensurar aspectos de engajamento através de estatísticas descritivas, como frequências e percentuais (Devore, 2018). Para sustentar a pesquisa com evidências, realizou-se uma análise documental longitudinal entre junho de 2024 e março de 2025, examinando planilhas de gestão financeira e controle de alunos para identificar tendências e variações ao longo do tempo (Menard, 2002).
A coleta de dados originais envolveu a aplicação de questionários estruturados e a realização de uma entrevista semiestruturada com o professor organizador, com duração aproximada de 30 minutos, seguindo as recomendações de transcrição e análise narrativa (Clandinin e Connelly, 2000). Os questionários foram aplicados via formulários eletrônicos entre cinco de janeiro e cinco de fevereiro de 2025, direcionados a 18 empresas parceiras e 63 alunos. O instrumento para as empresas reuniu questões de múltipla escolha e uma escala de zero a 10 baseada em Likert para mensurar a satisfação e a visibilidade da marca (DeVellis, 2017). Já o questionário dos alunos investigou o perfil sociodemográfico, a comunicação institucional e a intenção de continuidade na prática esportiva. A análise dos dados quantitativos foi processada em software de planilha eletrônica, utilizando estatística descritiva univariada para organizar e descrever as variáveis de forma isolada (Dancey e Reidy, 2019).
Um dos procedimentos centrais foi o cálculo do Net Promoter Score para mensurar a lealdade e o grau de recomendação dos participantes. Os respondentes foram classificados em detratores, neutros e promotores, resultando em um índice final que reflete a saúde do relacionamento entre o projeto e seu público (Reichheld, 2003). Complementarmente, aplicou-se a técnica de análise de conteúdo para tratar o material textual coletado, desdobrando-se em movimentos de leitura flutuante, categorização temática e interpretação crítica (Bardin, 2011). A triangulação dessas diferentes fontes de dados permitiu validar padrões de comportamento e oferecer uma visão complexa sobre a dinâmica das partes interessadas no contexto esportivo. Para aprofundar o mapeamento, utilizou-se a categorização entre stakeholders primários, essenciais para a sobrevivência da organização, e secundários, que influenciam ou são influenciados pela atuação organizacional (Clarkson, 1995).
A análise documental revelou oscilações significativas no número de alunos ao longo do período estudado. Após atingir o pico de 57 alunos em agosto de 2024, houve uma estabilidade até novembro, seguida de uma queda para 46 em dezembro e a manutenção de 42 alunos nos meses de janeiro e fevereiro de 2025. Esses dados evidenciam um padrão de sazonalidade diretamente ligado às férias escolares, configurando um fator ambiental externo que deve ser considerado no planejamento de projetos esportivos (PMI, 2017). A distribuição por turmas também mostrou desequilíbrios; enquanto as turmas de terça e quinta-feira cresceram de 27 para 28 alunos entre novembro e dezembro, a turma de sexta-feira sofreu uma redução drástica de nove para apenas três praticantes. Essa informação foi crucial para identificar a necessidade de ajustar a comunicação e os esforços de divulgação para os dias de menor demanda, alinhando-se à necessidade de adaptar as mensagens à disponibilidade do público-alvo (Kerzner, 2017).
A entrevista com o professor organizador evidenciou que, antes da aplicação de metodologias estruturadas, a gestão dos eventos ocorria de forma intuitiva. A introdução de ferramentas de gerenciamento representou um desafio inicial, mas resultou em benefícios claros, como a redução de imprevistos e a diminuição do estresse organizacional. O planejamento prévio de processos e a definição de responsabilidades permitiram que o torneio consolidasse a visibilidade do profissional, abrindo novas perspectivas, como o convite para organizar eventos de marcas renomadas no ecossistema esportivo de Recife. Tais achados corroboram a premissa de que compreender e gerenciar expectativas é determinante para o sucesso de um empreendimento (Freeman, 1984). Além disso, a construção de relacionamentos sólidos fortalece a legitimidade do negócio ao longo do tempo, gerando benefícios que ultrapassam a execução imediata do projeto (Cleland e Ireland, 2006).
Os resultados obtidos com as empresas parceiras demonstraram uma diversidade setorial relevante, com 38,89% dos patrocinadores pertencentes ao varejo, 33,33% ao segmento de alimentação e bebidas, 16,67% à indústria e 11,11% ao marketing e publicidade. A avaliação de lealdade atingiu um Net Promoter Score de 83,3, índice considerado excelente, indicando que a maioria das empresas se posicionou como promotora do evento e recomendaria sua continuidade. No entanto, a análise detalhada do feedback revelou pontos de atenção na estrutura física fornecida para a exposição das marcas. Enquanto 66,67% dos respondentes consideraram a estrutura muito bem organizada, 33,33% avaliaram-na como apenas moderadamente estruturada. Essa percepção dividida aponta para uma área clara de investimento e melhoria em edições futuras, demonstrando que a alta satisfação global pode conviver com críticas pontuais a aspectos operacionais específicos (Shone e Parry, 2017).
No que tange aos participantes e alunos, o perfil sociodemográfico revelou uma predominância do gênero masculino (58,73%) e uma concentração etária entre 36 e 50 anos (53,97%). O elevado nível educacional, com 41,27% possuindo ensino superior completo e 26,98% pós-graduação, sugere um público com alto potencial de consumo, o que torna o evento atrativo para patrocinadores que buscam ampliar sua visibilidade comercial (Mullin et al., 2014). A organização geral do torneio obteve 97,23% de aprovação entre os alunos, reforçando que o planejamento estruturado e a clareza de processos são essenciais para a eficiência do processo organizativo. A comunicação durante o evento também foi amplamente elogiada, com 92,06% de avaliações positivas, confirmando que a adequação da mensagem reduz riscos de falhas na execução e fortalece o engajamento (Kerzner, 2017).
O impacto do torneio na retenção de clientes foi notável, visto que 85,71% dos participantes renovaram suas matrículas com o professor organizador para o ciclo de 2025. Esse dado sugere que o evento funcionou como uma ferramenta eficaz de fidelização, mitigando os efeitos da evasão comum em períodos de sazonalidade. O Net Promoter Score dos alunos alcançou 85,7, reforçando o papel dos praticantes como potenciais divulgadores da experiência. Comentários qualitativos destacaram o clima descontraído e a oportunidade de socialização como fatores que agregam valor além do resultado competitivo, o que é recorrente na literatura de gestão de eventos esportivos (Getz e Page, 2016). A criação de um ambiente acolhedor potencializa a integração e cumpre um papel formativo e social, essencial em modalidades amadoras (Green, 2001).
Para aprimorar a gestão de edições futuras, propôs-se a utilização de uma Matriz de Stakeholders baseada nos domínios de poder e interesse. Essa ferramenta permite categorizar os envolvidos para direcionar esforços de forma eficiente: alunos e o professor organizador, com alto interesse e influência, devem ser gerenciados de perto; o clube e as empresas parceiras, com alto poder mas interesse moderado, devem ser mantidos satisfeitos; enquanto outros professores e familiares devem ser monitorados ou mantidos informados. A aplicação dessa matriz garante que as estratégias de engajamento sejam alinhadas às necessidades de cada grupo, assegurando o equilíbrio entre recursos e objetivos (Johnson et al., 2008). Adicionalmente, a elaboração de uma Matriz de Comunicação segmentada pode fortalecer o relacionamento ao definir conteúdos, canais e frequências específicas para cada público, como o uso de mensagens semanais via aplicativos de comunicação para os alunos e relatórios de progresso para o clube sede.
A gestão de preocupações, através de um registro de questões críticas ou issue log, mostrou-se uma prática indispensável para manter a transparência e tratar demandas de forma proativa. Durante o torneio, surgiram inquietações relacionadas à formação de duplas e a possíveis atrasos no cronograma. A resposta estratégica envolveu a explicação clara das regras e um planejamento rigoroso do horário dos jogos, com ampla divulgação prévia. O registro contínuo dessas demandas permite mitigar riscos e fortalecer a confiança das partes interessadas (Cleland e Ireland, 2006). O professor organizador, ao atuar como microempreendedor, desempenhou um papel crucial na orquestração desses diversos atores, evidenciando que sua reputação e oportunidades futuras de negócio dependem diretamente do êxito e da qualidade da execução do projeto.
A integração entre as práticas clássicas de gerenciamento de projetos e o contexto dinâmico do beach tennis revelou-se fundamental para elevar a qualidade organizacional. Mesmo ferramentas originalmente desenvolvidas para grandes projetos, como as previstas no Guia PMBOK, mostraram-se versáteis e eficazes quando adaptadas à realidade de microempreendimentos esportivos, preenchendo uma lacuna frequentemente apontada na literatura sobre pequenas empresas (Resende, 2022). A validação prática dessas metodologias foi confirmada pela percepção positiva do organizador e pelos elevados índices de satisfação coletados. A adoção de ferramentas estruturadas não apenas organiza os processos internos, mas também amplia o capital relacional e a legitimidade do empreendimento perante a comunidade esportiva (Rodrigues et al., 2019).
Apesar dos resultados positivos, a pesquisa apresentou limitações por concentrar-se em um único torneio de pequeno porte, o que restringe a generalização dos achados para outros contextos geográficos ou modalidades distintas. Fatores como a localização em Recife e o perfil específico dos participantes podem ter influenciado os dados de forma particular. Para trabalhos futuros, recomenda-se a expansão da investigação para torneios de maior escala, envolvendo múltiplos clubes ou federações, a fim de verificar a aplicabilidade das ferramentas em ambientes de maior complexidade. A inclusão de métricas financeiras detalhadas e de indicadores de impacto social de longo prazo também enriqueceria o debate sobre a sustentabilidade de eventos esportivos amadores.
Conclui-se que o objetivo foi atingido, uma vez que a aplicação de ferramentas de gerenciamento de projetos no torneio de beach tennis demonstrou ser eficaz para estruturar processos, elevar a satisfação dos stakeholders e garantir a fidelização dos alunos. A transição de uma gestão intuitiva para uma abordagem metodológica permitiu identificar pontos críticos, como a sazonalidade e a necessidade de melhorias na infraestrutura para patrocinadores, fornecendo subsídios para decisões mais assertivas. O uso de matrizes de comunicação e de partes interessadas, aliado ao monitoramento constante de preocupações, fortaleceu o engajamento e a reputação do organizador. Assim, a adaptação de práticas consagradas ao universo dos microempreendimentos esportivos mostra-se um caminho viável para promover a eficiência operacional e o crescimento sustentável da modalidade.
Referências Bibliográficas:
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DeVellis, R.F. 2017. Scale Development: Theory and Applications. 4ed. SAGE Publications, Thousand Oaks, CA, USA.
Devore, J. L. Probabilidade e estatística para engenharia e ciências. 9ed. São Paulo: Cengage Learning Brasil, 2018.
Dias, A.M.M.; Jeunon, E.E.; Duarte, L.D.C. 2016. Gestão das expectativas das partes interessadas: um estudo da percepção dos profissionais em gestão de projetos. Revista Inovação, Projetos e Tecnologias, 4(2): 208–222.
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Yin, R. 2018. Estudo de Caso – Planejamento e Métodos. 6ed. Bookman, Porto Alegre, RS, Brasil.
Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq
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