Resumo Executivo

23 de fevereiro de 2026

Implementação da transformação digital em clínicas odontológicas no Brasil

Micheline Costa de Almeida; Natan de Souza Marques

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

O objetivo deste estudo é descrever a implementação da transformação digital em clínicas odontológicas, com foco em estratégias de captação de pacientes, gestão interna e relacionamento pós-atendimento. A investigação mapeia o panorama da adoção de tecnologias no setor odontológico brasileiro, identificando as ferramentas mais utilizadas, os benefícios percebidos, as principais barreiras e o nível de capacitação dos profissionais. A pesquisa parte do pressuposto de que a transformação digital transcende a aquisição de equipamentos, representando uma mudança fundamental nos modelos operacionais. A análise das práticas correntes visa diagnosticar a maturidade digital do setor e fornecer subsídios para estratégias mais eficazes que alinhem a inovação tecnológica às expectativas de um mercado competitivo e de um paciente conectado.

A relevância da investigação está na crescente intersecção entre tecnologia e saúde. O conceito de “Digital Business” impõe às organizações de saúde a necessidade de integrar soluções digitais para otimizar processos e aprimorar a experiência do cliente (Zaoui e Souissi, 2020). No cenário odontológico, essa integração abrange desde a atração de pacientes via marketing digital até o uso de prontuários eletrônicos e sistemas de gestão. A modernização das práticas clínicas responde a uma demanda por conveniência e se posiciona como um diferencial competitivo. Estudos como o de Monshi et al. (2025) demonstram que a adoção de tecnologias em saúde está correlacionada a maior satisfação do paciente e potencial redução de custos operacionais, tornando a compreensão desse fenômeno essencial para a sustentabilidade das clínicas.

O problema central do estudo é a lacuna entre o reconhecimento da importância da digitalização e sua implementação efetiva e estratégica. Embora a Odontologia Digital, associada a tecnologias como o sistema CAD/CAM (Araújo et al., 2024), seja uma realidade, sua aplicação parece fragmentada e limitada a aspectos técnicos. A transformação digital, contudo, envolve a gestão do relacionamento com o cliente, a otimização de fluxos de trabalho e a análise de dados. Desafios como o alto custo de investimento, a resistência cultural à mudança e a falta de conhecimento técnico são barreiras significativas (Vincenzi et al., 2016). Portanto, questiona-se como as clínicas estão navegando por este processo, quais estratégias são mais eficazes e quais dificuldades precisam ser superadas.

A capacitação profissional emerge como um pilar central. A aquisição de tecnologia é insuficiente se os profissionais não estiverem preparados para utilizá-la em seu máximo potencial. A falta de familiaridade com conceitos de negócios digitais como SEO (Search Engine Optimization), ERP (Enterprise Resource Planning) e Analytics pode levar à subutilização de ferramentas, comprometendo o retorno sobre o investimento (Oliveira e Oliveira, 2024). A ausência de treinamento contínuo e de uma cultura organizacional que incentive a inovação pode minar a competitividade. Assim, investigar o nível de preparo dos gestores e equipes é fundamental para entender as causas das dificuldades de implementação.

O estudo propõe um diagnóstico detalhado para orientar gestores, profissionais e desenvolvedores de tecnologia. Ao analisar as práticas, percepções e desafios dos proprietários, a pesquisa visa fornecer um panorama das oportunidades de melhoria. A compreensão de como as ferramentas digitais estão sendo utilizadas, desde a atração de pacientes com Google Ads até o relacionamento pós-atendimento, permite identificar as melhores práticas e os gargalos. O trabalho busca contribuir para a construção de um roteiro para a digitalização, ajudando as clínicas a prosperarem na era digital, alinhando suas operações às novas demandas e preocupando-se com questões éticas e de segurança de dados (Gonçalo et al., 2025).

Para atingir os objetivos, o estudo foi delineado como uma pesquisa exploratória com abordagem quantitativa. A metodologia exploratória foi escolhida para ampliar o conhecimento sobre o fenômeno (Prodanov e Freitas, 2013), enquanto a abordagem quantitativa foi empregada para mensurar a frequência e a intensidade dos padrões de adoção de tecnologia, dificuldades e percepções dos gestores, permitindo uma análise estatística descritiva.

O método de coleta de dados foi o levantamento de campo (survey), utilizando um questionário estruturado no Google Forms (Gil, 2017). O instrumento foi organizado em cinco blocos: (1) Dados Demográficos; (2) Adoção de Tecnologias Digitais; (3) Capacitação Profissional; (4) Familiaridade com Conceitos Digitais; e (5) Perspectivas Futuras. A amostra foi constituída de forma não probabilística por conveniência, composta por 138 proprietários de clínicas odontológicas de diversas regiões do Brasil. O critério de inclusão foi que os participantes fossem os decisores estratégicos. Aproximadamente 90% dos respondentes eram cirurgiões-dentistas em atividade. A participação foi voluntária e anônima, com divulgação do questionário via redes sociais.

A análise dos dados foi quantitativa. As respostas foram exportadas, tabuladas e processadas para gerar estatísticas descritivas, como frequências e percentuais, apresentadas em gráficos e tabelas. A análise focou em responder às questões centrais do estudo, como a taxa de adoção de tecnologias, os principais benefícios e barreiras, e a lacuna de conhecimento técnico. A metodologia alinhou-se aos objetivos, permitindo uma coleta de dados eficiente e uma análise sistemática que resultou em conclusões baseadas em evidências empíricas (Turrioni e Mello, 2012).

O perfil dos respondentes é majoritariamente jovem, com 34,1% na faixa de 25 a 35 anos e 31,2% entre 36 e 45 anos, sugerindo uma geração de gestores mais familiarizada com o ambiente digital. As especialidades mais representadas foram ortodontia (34,8%), clínica geral (22,5%) e implantodontia (21%), indicando que a transformação digital é um fenômeno transversal. O fato de 88,4% dos participantes serem proprietários de suas clínicas confere alta validade aos dados, pois as respostas provêm dos responsáveis pelas decisões estratégicas.

Um achado significativo foi a ampla adoção de soluções tecnológicas, com 81,1% dos proprietários afirmando utilizar alguma ferramenta digital. As mais prevalentes são softwares de gestão e prontuários eletrônicos (81,1%), agendamento online (65,6%) e estratégias de marketing digital (75,4%). O principal benefício percebido foi a melhoria da organização e eficiência nos processos internos, apontada por 55,7% dos respondentes. Este resultado está em consonância com a literatura, que destaca o papel dos sistemas digitais na padronização de processos e ganho de produtividade (Araújo et al., 2024).

Benefícios relacionados ao crescimento do negócio, como o aumento na captação de pacientes (23%) e a melhoria na experiência e fidelização (18%), também foram destacados. Isso demonstra que os gestores compreendem o papel estratégico da tecnologia não apenas para otimização interna, mas também como motor para a expansão da clínica e construção de um relacionamento sólido com o público. A tecnologia digital oferece meios para personalizar a comunicação e oferecer uma jornada do paciente mais fluida.

Apesar da alta adesão, a implementação enfrenta obstáculos. O principal desafio é o alto custo de implementação, citado por 81,1% dos participantes. A segunda maior dificuldade foi a falta de conhecimento técnico (28,7%), evidenciando uma lacuna de capacitação. A resistência da equipe à mudança também foi um fator relevante (13,9%), corroborando estudos que apontam a resistência cultural como um elemento crítico em processos de inovação (Vincenzi et al., 2016).

No marketing digital, embora 75,4% utilizem alguma forma, a aplicação pode ser aprimorada. Metade dos participantes (50%) realiza campanhas de forma recorrente e 30% de maneira esporádica. As plataformas mais utilizadas são redes sociais como Instagram e Facebook (84,4%) e WhatsApp Business (67,2%). Ferramentas mais sofisticadas, como o Google Ads, são utilizadas por uma parcela menor (39,3%), sugerindo uma oportunidade para a adoção de estratégias de captação mais robustas. A diversificação dos canais digitais pode potencializar os resultados (Zaoui & Souissi, 2020).

Um ponto crítico revelado é a dissonância entre a percepção da importância da capacitação e sua efetiva realização. Quase todos os respondentes (99,2%) reconhecem a importância de treinamentos em digital business. No entanto, apenas 52,5% realizaram algum curso na área. Essa lacuna é acentuada pela falta de familiaridade com conceitos técnicos: 51,6% declararam não ter conhecimento sobre termos como SEO, ERP, Big Data, Machine Learning e Analytics. Este desconhecimento é uma barreira estratégica, pois impede que gestores tomem decisões baseadas em dados e explorem o potencial das tecnologias (Oliveira & Oliveira, 2024).

A visão de futuro dos gestores é otimista. Uma parcela de 71,3% considera a digitalização um fator essencial para a competitividade. Essa percepção indica que a tecnologia é vista como uma necessidade para a sobrevivência e crescimento. Este achado é reforçado por revisões que identificam altos níveis de satisfação dos pacientes com o uso de tecnologias de saúde (Monshi et al., 2025). A alta demanda por materiais orientativos, expressa por 98,4% dos respondentes, reforça a necessidade do setor por conhecimento aplicado para facilitar a transformação.

Os resultados indicam um setor odontológico em transição digital. Há um reconhecimento do valor da tecnologia, refletido na alta adoção de ferramentas de gestão e marketing. Contudo, a transição é freada por barreiras financeiras, culturais e, principalmente, por uma significativa lacuna de conhecimento técnico. A transformação digital em odontologia exige mais do que investimento em software e hardware; demanda uma mudança de mentalidade, desenvolvimento de novas competências e um planejamento estratégico que integre a tecnologia ao modelo de negócio.

A condução da transformação digital deve ser um processo estratégico e contínuo, abrangendo todas as etapas da jornada do paciente. A tecnologia deve ser integrada de forma coesa, desde a captação com marketing digital, passando pelo atendimento com prontuários eletrônicos, até o pós-atendimento com ferramentas de fidelização. Este estudo contribui ao conectar os conceitos de digital business à prática odontológica e oferece subsídios para que gestores elaborem estratégias de implementação mais eficazes. O estudo possui limitações, como o uso de uma amostra não probabilística por conveniência, que impede a generalização dos resultados, e o foco exclusivo na perspectiva dos proprietários.

Recomenda-se, para futuras pesquisas, a realização de estudos longitudinais para acompanhar a evolução da digitalização e medir seu impacto em indicadores de desempenho. A inclusão da perspectiva dos pacientes também enriqueceria a análise. A transformação digital é um caminho sem volta, e as clínicas que a abraçarem de forma planejada, investindo em capacitação e promovendo uma cultura de inovação, estarão mais bem preparadas para alcançar eficiência operacional, satisfação dos pacientes e vantagem competitiva. Conclui-se que o objetivo foi atingido: demonstrou-se como ocorre a implementação da transformação digital em clínicas odontológicas, identificando os principais benefícios, como a eficiência operacional, as barreiras críticas, como o alto custo e a falta de conhecimento técnico, e a necessidade imperativa de capacitação profissional para garantir o sucesso dessa transição.

Referências:
Araújo ALS; Silva JM; Monteiro KSB; Freitas MLA; Sales ML; Ferreira SKR; Melo EL; Freir WP. Avanços na Odontologia com o Advento das Tecnologias Digitais. Arch Health Invest. 2024;13(6):1935-1940. doi:10.21270/archi. v13i6.6407.
Gil AC. Como elaborar projetos de pesquisa. 6ª ed. Rio de Janeiro: Atlas; 2017. E-book.
Gonçalo W; Souza MC; Santos WP; Oliveira FHC. Abordagens regulatórias na proteção de dados em saúde: uma revisão integrativa de 2018 a 2023. Physis Rev Saúde Coletiva. 2025;35(1):e350113. doi:10.1590/S0103-73312025350113pt.
Monshi, Sarah S.; MAAJEENI, Jomanh E.; ALJAWI, Lujain K.; JAHA, Manar J.; ALTURKISTANI, Mayisa I.; ALQURASHI, Yasmen S. Patient Experience with Health Technology in Saudi Arabia: A Systematic Review. Saudi Journal of Health Systems Research, Basel, v. 5, p. 155–163, 2025. DOI: 10.1159/000545897.
Oliveira AL; Oliveira AC. Fluxo de Trabalho Digital e Tecnologias CAD/CAM: Impactos Operacionais e Econômicos na Odontologia. Rev Saúde Ciênc. 2024;29(141):1935-1940. doi:10.69849/revistaft/ar10202412241635.
Prodanov CC, Freitas EC de. Metodologia do trabalho científico: métodos e técnicas da pesquisa e do trabalho acadêmico. 2ª ed. Novo Hamburgo, RS: Feevale; 2013.
Turrioni J, Mello CH. Metodologia de pesquisa em engenharia de produção: estratégias, métodos e técnicas para condução de pesquisas quantitativas e qualitativas. Itajubá, MG: Universidade Federal de Itajubá; 2012.
Vincenzi SL; Mendes LAC; Gouveia VV; Andrade DF. Escala de Resistência à Mudança (RAM): Construção, Evidências Psicométricas e Versão Reduzida. Psico-USF. 2016;21(3):471-486. doi:10.1590/1413-82712016210303.
Zaoui F; Souissi N. Roadmap for digital transformation: A literature review. Procedia Comput Sci. 2020;175:621-628. doi:10.1016/j. procs.2020.07.090.

Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Digital Business do MBA USP/Esalq

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