Resumo Executivo

23 de fevereiro de 2026

Implementação da transformação digital em clínicas odontológicas no Brasil

Micheline Costa de Almeida; Natan de Souza Marques

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

O objetivo deste estudo é descrever a implementação da transformação digital em clínicas odontológicas, com foco em estratégias de captação de pacientes, gestão interna e relacionamento pós-atendimento. A investigação mapeia o panorama da adoção de tecnologias no setor odontológico brasileiro, identificando as ferramentas mais utilizadas, os benefícios percebidos, as principais barreiras e o nível de capacitação dos profissionais. A pesquisa parte do pressuposto de que a transformação digital transcende a aquisição de equipamentos, representando uma mudança fundamental nos modelos operacionais. A análise das práticas correntes visa diagnosticar a maturidade digital do setor e fornecer subsídios para estratégias mais eficazes que alinhem a inovação tecnológica às expectativas de um mercado competitivo e de um paciente conectado.

A relevância da investigação está na crescente intersecção entre tecnologia e saúde. O conceito de “Digital Business” impõe às organizações de saúde a necessidade de integrar soluções digitais para otimizar processos e aprimorar a experiência do cliente (Zaoui e Souissi, 2020). No cenário odontológico, essa integração abrange desde a atração de pacientes via marketing digital até o uso de prontuários eletrônicos e sistemas de gestão. A modernização das práticas clínicas responde a uma demanda por conveniência e se posiciona como um diferencial competitivo. Estudos como o de Monshi et al. (2025) demonstram que a adoção de tecnologias em saúde está correlacionada a maior satisfação do paciente e potencial redução de custos operacionais, tornando a compreensão desse fenômeno essencial para a sustentabilidade das clínicas.

O problema central do estudo é a lacuna entre o reconhecimento da importância da digitalização e sua implementação efetiva e estratégica. Embora a Odontologia Digital, associada a tecnologias como o sistema CAD/CAM (Araújo et al., 2024), seja uma realidade, sua aplicação parece fragmentada e limitada a aspectos técnicos. A transformação digital, contudo, envolve a gestão do relacionamento com o cliente, a otimização de fluxos de trabalho e a análise de dados. Desafios como o alto custo de investimento, a resistência cultural à mudança e a falta de conhecimento técnico são barreiras significativas (Vincenzi et al., 2016). Portanto, questiona-se como as clínicas estão navegando por este processo, quais estratégias são mais eficazes e quais dificuldades precisam ser superadas.

A capacitação profissional emerge como um pilar central. A aquisição de tecnologia é insuficiente se os profissionais não estiverem preparados para utilizá-la em seu máximo potencial. A falta de familiaridade com conceitos de negócios digitais como SEO (Search Engine Optimization), ERP (Enterprise Resource Planning) e Analytics pode levar à subutilização de ferramentas, comprometendo o retorno sobre o investimento (Oliveira e Oliveira, 2024). A ausência de treinamento contínuo e de uma cultura organizacional que incentive a inovação pode minar a competitividade. Assim, investigar o nível de preparo dos gestores e equipes é fundamental para entender as causas das dificuldades de implementação.

O estudo propõe um diagnóstico detalhado para orientar gestores, profissionais e desenvolvedores de tecnologia. Ao analisar as práticas, percepções e desafios dos proprietários, a pesquisa visa fornecer um panorama das oportunidades de melhoria. A compreensão de como as ferramentas digitais estão sendo utilizadas, desde a atração de pacientes com Google Ads até o relacionamento pós-atendimento, permite identificar as melhores práticas e os gargalos. O trabalho busca contribuir para a construção de um roteiro para a digitalização, ajudando as clínicas a prosperarem na era digital, alinhando suas operações às novas demandas e preocupando-se com questões éticas e de segurança de dados (Gonçalo et al., 2025).

Para atingir os objetivos, o estudo foi delineado como uma pesquisa exploratória com abordagem quantitativa. A metodologia exploratória foi escolhida para ampliar o conhecimento sobre o fenômeno (Prodanov e Freitas, 2013), enquanto a abordagem quantitativa foi empregada para mensurar a frequência e a intensidade dos padrões de adoção de tecnologia, dificuldades e percepções dos gestores, permitindo uma análise estatística descritiva.

O método de coleta de dados foi o levantamento de campo (survey), utilizando um questionário estruturado no Google Forms (Gil, 2017). O instrumento foi organizado em cinco blocos: (1) Dados Demográficos; (2) Adoção de Tecnologias Digitais; (3) Capacitação Profissional; (4) Familiaridade com Conceitos Digitais; e (5) Perspectivas Futuras. A amostra foi constituída de forma não probabilística por conveniência, composta por 138 proprietários de clínicas odontológicas de diversas regiões do Brasil. O critério de inclusão foi que os participantes fossem os decisores estratégicos. Aproximadamente 90% dos respondentes eram cirurgiões-dentistas em atividade. A participação foi voluntária e anônima, com divulgação do questionário via redes sociais.

A análise dos dados foi quantitativa. As respostas foram exportadas, tabuladas e processadas para gerar estatísticas descritivas, como frequências e percentuais, apresentadas em gráficos e tabelas. A análise focou em responder às questões centrais do estudo, como a taxa de adoção de tecnologias, os principais benefícios e barreiras, e a lacuna de conhecimento técnico. A metodologia alinhou-se aos objetivos, permitindo uma coleta de dados eficiente e uma análise sistemática que resultou em conclusões baseadas em evidências empíricas (Turrioni e Mello, 2012).

O perfil dos respondentes é majoritariamente jovem, com 34,1% na faixa de 25 a 35 anos e 31,2% entre 36 e 45 anos, sugerindo uma geração de gestores mais familiarizada com o ambiente digital. As especialidades mais representadas foram ortodontia (34,8%), clínica geral (22,5%) e implantodontia (21%), indicando que a transformação digital é um fenômeno transversal. O fato de 88,4% dos participantes serem proprietários de suas clínicas confere alta validade aos dados, pois as respostas provêm dos responsáveis pelas decisões estratégicas.

Um achado significativo foi a ampla adoção de soluções tecnológicas, com 81,1% dos proprietários afirmando utilizar alguma ferramenta digital. As mais prevalentes são softwares de gestão e prontuários eletrônicos (81,1%), agendamento online (65,6%) e estratégias de marketing digital (75,4%). O principal benefício percebido foi a melhoria da organização e eficiência nos processos internos, apontada por 55,7% dos respondentes. Este resultado está em consonância com a literatura, que destaca o papel dos sistemas digitais na padronização de processos e ganho de produtividade (Araújo et al., 2024).

Benefícios relacionados ao crescimento do negócio, como o aumento na captação de pacientes (23%) e a melhoria na experiência e fidelização (18%), também foram destacados. Isso demonstra que os gestores compreendem o papel estratégico da tecnologia não apenas para otimização interna, mas também como motor para a expansão da clínica e construção de um relacionamento sólido com o público. A tecnologia digital oferece meios para personalizar a comunicação e oferecer uma jornada do paciente mais fluida.

Apesar da alta adesão, a implementação enfrenta obstáculos. O principal desafio é o alto custo de implementação, citado por 81,1% dos participantes. A segunda maior dificuldade foi a falta de conhecimento técnico (28,7%), evidenciando uma lacuna de capacitação. A resistência da equipe à mudança também foi um fator relevante (13,9%), corroborando estudos que apontam a resistência cultural como um elemento crítico em processos de inovação (Vincenzi et al., 2016).

No marketing digital, embora 75,4% utilizem alguma forma, a aplicação pode ser aprimorada. Metade dos participantes (50%) realiza campanhas de forma recorrente e 30% de maneira esporádica. As plataformas mais utilizadas são redes sociais como Instagram e Facebook (84,4%) e WhatsApp Business (67,2%). Ferramentas mais sofisticadas, como o Google Ads, são utilizadas por uma parcela menor (39,3%), sugerindo uma oportunidade para a adoção de estratégias de captação mais robustas. A diversificação dos canais digitais pode potencializar os resultados (Zaoui & Souissi, 2020).

Um ponto crítico revelado é a dissonância entre a percepção da importância da capacitação e sua efetiva realização. Quase todos os respondentes (99,2%) reconhecem a importância de treinamentos em digital business. No entanto, apenas 52,5% realizaram algum curso na área. Essa lacuna é acentuada pela falta de familiaridade com conceitos técnicos: 51,6% declararam não ter conhecimento sobre termos como SEO, ERP, Big Data, Machine Learning e Analytics. Este desconhecimento é uma barreira estratégica, pois impede que gestores tomem decisões baseadas em dados e explorem o potencial das tecnologias (Oliveira & Oliveira, 2024).

A visão de futuro dos gestores é otimista. Uma parcela de 71,3% considera a digitalização um fator essencial para a competitividade. Essa percepção indica que a tecnologia é vista como uma necessidade para a sobrevivência e crescimento. Este achado é reforçado por revisões que identificam altos níveis de satisfação dos pacientes com o uso de tecnologias de saúde (Monshi et al., 2025). A alta demanda por materiais orientativos, expressa por 98,4% dos respondentes, reforça a necessidade do setor por conhecimento aplicado para facilitar a transformação.

Os resultados indicam um setor odontológico em transição digital. Há um reconhecimento do valor da tecnologia, refletido na alta adoção de ferramentas de gestão e marketing. Contudo, a transição é freada por barreiras financeiras, culturais e, principalmente, por uma significativa lacuna de conhecimento técnico. A transformação digital em odontologia exige mais do que investimento em software e hardware; demanda uma mudança de mentalidade, desenvolvimento de novas competências e um planejamento estratégico que integre a tecnologia ao modelo de negócio.

A condução da transformação digital deve ser um processo estratégico e contínuo, abrangendo todas as etapas da jornada do paciente. A tecnologia deve ser integrada de forma coesa, desde a captação com marketing digital, passando pelo atendimento com prontuários eletrônicos, até o pós-atendimento com ferramentas de fidelização. Este estudo contribui ao conectar os conceitos de digital business à prática odontológica e oferece subsídios para que gestores elaborem estratégias de implementação mais eficazes. O estudo possui limitações, como o uso de uma amostra não probabilística por conveniência, que impede a generalização dos resultados, e o foco exclusivo na perspectiva dos proprietários.

Recomenda-se, para futuras pesquisas, a realização de estudos longitudinais para acompanhar a evolução da digitalização e medir seu impacto em indicadores de desempenho. A inclusão da perspectiva dos pacientes também enriqueceria a análise. A transformação digital é um caminho sem volta, e as clínicas que a abraçarem de forma planejada, investindo em capacitação e promovendo uma cultura de inovação, estarão mais bem preparadas para alcançar eficiência operacional, satisfação dos pacientes e vantagem competitiva. Conclui-se que o objetivo foi atingido: demonstrou-se como ocorre a implementação da transformação digital em clínicas odontológicas, identificando os principais benefícios, como a eficiência operacional, as barreiras críticas, como o alto custo e a falta de conhecimento técnico, e a necessidade imperativa de capacitação profissional para garantir o sucesso dessa transição.

Referências:
Araújo ALS; Silva JM; Monteiro KSB; Freitas MLA; Sales ML; Ferreira SKR; Melo EL; Freir WP. Avanços na Odontologia com o Advento das Tecnologias Digitais. Arch Health Invest. 2024;13(6):1935-1940. doi:10.21270/archi. v13i6.6407.
Gil AC. Como elaborar projetos de pesquisa. 6ª ed. Rio de Janeiro: Atlas; 2017. E-book.
Gonçalo W; Souza MC; Santos WP; Oliveira FHC. Abordagens regulatórias na proteção de dados em saúde: uma revisão integrativa de 2018 a 2023. Physis Rev Saúde Coletiva. 2025;35(1):e350113. doi:10.1590/S0103-73312025350113pt.
Monshi, Sarah S.; MAAJEENI, Jomanh E.; ALJAWI, Lujain K.; JAHA, Manar J.; ALTURKISTANI, Mayisa I.; ALQURASHI, Yasmen S. Patient Experience with Health Technology in Saudi Arabia: A Systematic Review. Saudi Journal of Health Systems Research, Basel, v. 5, p. 155–163, 2025. DOI: 10.1159/000545897.
Oliveira AL; Oliveira AC. Fluxo de Trabalho Digital e Tecnologias CAD/CAM: Impactos Operacionais e Econômicos na Odontologia. Rev Saúde Ciênc. 2024;29(141):1935-1940. doi:10.69849/revistaft/ar10202412241635.
Prodanov CC, Freitas EC de. Metodologia do trabalho científico: métodos e técnicas da pesquisa e do trabalho acadêmico. 2ª ed. Novo Hamburgo, RS: Feevale; 2013.
Turrioni J, Mello CH. Metodologia de pesquisa em engenharia de produção: estratégias, métodos e técnicas para condução de pesquisas quantitativas e qualitativas. Itajubá, MG: Universidade Federal de Itajubá; 2012.
Vincenzi SL; Mendes LAC; Gouveia VV; Andrade DF. Escala de Resistência à Mudança (RAM): Construção, Evidências Psicométricas e Versão Reduzida. Psico-USF. 2016;21(3):471-486. doi:10.1590/1413-82712016210303.
Zaoui F; Souissi N. Roadmap for digital transformation: A literature review. Procedia Comput Sci. 2020;175:621-628. doi:10.1016/j. procs.2020.07.090.

Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Digital Business do MBA USP/Esalq

Saiba mais sobre o curso; clique aqui:

Quem editou este artigo

Mais recentes

Você também pode gostar

Compliance E Esg

30 de setembro de 2026

Governança de riscos cibernéticos: modelagem preditiva de indicadores para decisões estratégicas no pilar G (ESG)

A aceleração da transformação digital e a sofisticação das ameaças elevaram o risco cibernético a uma prioridade máxima na governança corporativa, especialmente na agenda ESG. Objetivou-se propor um modelo conceitual capaz de traduzir dados técnicos de cibersegurança em inteligência estratégica para a alta administração. O modelo utilizou um framework fundamentado nos referenciais NIST CSF 2.0, ISO/IEC 27001 e ISO 31000, convertendo eventos de logs de auditoria e métricas de plataformas SIEM em indicadores preditivos de risco. A metodologia pautou-se em pesquisa aplicada, com abordagem qualitativa e objetivo exploratório, delineada por pesquisa documental e revisão bibliográfica estruturada. Utilizaram-se fichas de leitura e matrizes de categorização qualitativa para coleta de dados, cuja análise e triangulação seguiram o método de Análise de Conteúdo de Bardin. Os resultados evidenciaram uma lacuna informacional crítica entre as frentes técnicas reativas e o Conselho de Administração, que necessita de visão prospectiva para alocação de recursos. Constatou-se, com base em relatórios globais e marcos regulatórios recentes, que a transição de um modelo de compliance estático para o uso de KPIs dinâmicos e comportamentais fortalece substancialmente a resiliência corporativa. Concluiu-se que a integração dessas métricas preditivas instrumentaliza o conselho para decisões estratégicas mais ágeis e eleva a transparência e a integridade exigidas no reporte do pilar de Governança (G).

Palavras-chave: Conformidade regulatória; Inteligência de ameaças; Métricas comportamentais; Plataformas SIEM; Resiliência corporativa.

Compliance E Esg

30 de setembro de 2026

A Due Diligence ESG como Fator Estratégico na Gestão de Riscos: Estudo de Caso Brasileiro

O estudo demonstrou a importância da due diligence em fusões e aquisições e a relevância das práticas ESG como ferramenta essencial para mitigar riscos provenientes de passivos ambientais, sociais e de governança. O objetivo foi analisar a aplicação prática da due diligence ESG no Brasil, tomando como referência a empresa Raízen, do setor de bioenergia, e seus desdobramentos financeiros recentes. A metodologia empregada foi exploratória e qualitativa, com delineamento de estudo de caso instrumental, utilizando pesquisa documental e bibliográfica, incluindo uma análise histórica comparativa com a joint venture Autolatina. Os resultados evidenciaram uma transição paradigmática: de uma abordagem meramente reativa e financeira para a due diligence ESG como componente central de criação de valor e resiliência. O caso Raízen ilustrou a materialização dos princípios ESG em uma estrutura robusta de governança e gestão de riscos, enquanto o fracasso da Autolatina salientou os custos da omissão de critérios não-financeiros. A análise foi contextualizada pelo marco regulatório brasileiro, com destaque para a Resolução CVM 59/2021. O pedido de recuperação extrajudicial da Raízen, o maior da história do Brasil, demonstrou que uma sólida estrutura de due diligence ESG constitui um ativo intangível que atrai oportunidades estratégicas mesmo em crises, embora não imunize a empresa contra riscos macroeconômicos. Concluiu-se que a due diligence ESG no Brasil consolidou-se para além de um mero requisito de conformidade, afirmando-se como um diferencial competitivo, um pilar da governança corporativa moderna e um fator indispensável para a sustentabilidade e o sucesso de transações societárias.

Palavras-chave: Compliance; Due Diligence; ESG; Fusões e Aquisições; Gestão de Riscos.

30 de setembro de 2026

Colaboradores e o sentimento de pertencimento nas organizações

O bem-estar no trabalho, reconhecido desde o final dos anos 1970 como fonte de produtividade e engajamento, permanece um tema relevante no cenário organizacional contemporâneo. A pesquisa objetivou compreender a percepção de trabalhadores de uma Unidade de Alimentação e Nutrição (UAN), especificamente em uma Unidade de Produção e Distribuição de Refeições (UPDR), quanto ao bem-estar, engajamento e pertencimento. A abordagem metodológica consistiu em um estudo quantitativo, que utilizou um questionário online aplicado via Google Forms para coletar dados de forma objetiva e anônima. Participaram 70 funcionários da organização. Os resultados demonstraram um perfil demográfico atípico, caracterizado pela longevidade corporativa, com 65,7% dos colaboradores com mais de 20 anos de empresa e 72,9% com mais de 50 anos de idade. A análise das dimensões da Escala de Satisfação no Trabalho (EST) revelou que a remuneração adequada foi o principal ponto forte da organização, com mediana de 4,0. Contudo, identificaram-se gargalos críticos na satisfação com promoções e na inclusão em decisões, ambas com mediana de 2,0, e prevalência de indiferença, com mediana de 3,0, no sentimento geral de pertencimento e clima. Concluiu-se que, apesar da satisfação salarial, a organização precisa aprimorar as políticas de promoção e a participação dos colaboradores para fortalecer o engajamento e o senso de pertencimento.

Palavras-chave: Bem-estar; Engajamento; Pertencimento; Satisfação no trabalho.

30 de setembro de 2026

Personalização em Treinamentos Corporativos: Efeitos no Engajamento, Desempenho e Resultados Organizacionais

Um estudo analisou como a adaptação e a personalização de programas de treinamento corporativo podem influenciar a performance dos colaboradores. A pesquisa, descritiva e exploratória, empregou abordagem mista (quantitativa e qualitativa). Coletaram-se dados de 77 colaboradores de diversas organizações por meio de questionário online, com questões Likert e abertas, no período de 15 a 28 de fevereiro de 2026. Os dados quantitativos foram analisados por estatística descritiva, e os qualitativos, por análise de conteúdo. Complementarmente, realizou-se um estudo de caso descritivo de seis meses em uma empresa varejista, utilizando observação participante e análise documental. Os resultados revelaram que os treinamentos foram percebidos como relevantes para o desenvolvimento profissional, com avaliações positivas de qualidade e impacto. No entanto, a personalização foi considerada apenas moderada, indicando lacunas na adaptação às necessidades individuais. As análises qualitativas e o estudo de caso corroboraram a demanda por maior individualização, metodologias práticas e acompanhamento, demonstrando que estratégias como diagnóstico individual e feedback contínuo podem otimizar o engajamento e a performance. Concluiu-se que a efetividade dos treinamentos pode ser ampliada quando estruturados de forma mais personalizada, flexível e contextualizada.

Palavras-chave: Desempenho; Desenvolvimento profissional; Personalização; Treinamento corporativo.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

30 de setembro de 2026

Saberes docentes sobre neuroplasticidade e aprendizagem

A compreensão dos processos de aprendizagem à luz da Neurociência mostrou-se relevante para a qualificação das práticas pedagógicas, diante da complexidade dos desafios educacionais contemporâneos. Nesse contexto, a neuroplasticidade, definida como a capacidade do cérebro de se modificar a partir das experiências, configurou-se como elemento central para a reflexão sobre o ensino e a aprendizagem na educação básica. O estudo objetivou identificar as principais lacunas na formação inicial e continuada dos docentes relacionadas aos conhecimentos sobre neuroplasticidade e sua aplicação educacional. Realizou-se uma pesquisa aplicada, de abordagem quantitativa e caráter descritivo, desenvolvida por meio de levantamento de campo do tipo survey. A coleta de dados ocorreu com 101 professores da educação básica, vinculados a uma Unidade Regional de Ensino da Grande São Paulo, por meio de questionário on-line estruturado em eixos temáticos. A análise dos dados baseou-se em estatística descritiva. Os resultados indicaram que, embora a maioria dos docentes reconheça a relevância da neuroplasticidade para a aprendizagem, predominaram níveis básicos e intermediários de conhecimento, além de lacunas na formação inicial e continuada. Evidenciou-se a importância de considerar ações formativas para os profissionais da educação.

Palavras-chave: Formação docente; neurociência; neuroeducação.

30 de setembro de 2026

Qualidade de vida e bem-estar no trabalho: um estudo quantitativo com enfoque geracional

Observou-se uma crescente preocupação com o bem-estar e a qualidade de vida no trabalho, especialmente diante da diversidade geracional, que impôs desafios à gestão na adaptação do ambiente às distintas demandas dos colaboradores. O estudo teve como objetivo analisar as diferenças geracionais nos níveis de qualidade de vida e bem-estar no trabalho, bem como sua associação com fatores socioeconômicos e contextuais. Realizou-se pesquisa quantitativa, descritiva e transversal, com 111 participantes, por meio de questionários online, utilizando o WHOQOL-BREF e o PERMA-Profiler Workplace. Os dados foram analisados por estatística descritiva, correlação de Pearson e teste de Kruskal-Wallis, adotando-se nível de significância de 5%. Os resultados indicaram níveis moderados de qualidade de vida, com variações entre domínios, destacando-se o domínio social, especialmente na Geração Z, enquanto o domínio psicológico apresentou maior vulnerabilidade. A Geração X apresentou os menores escores na maioria dos domínios avaliados, enquanto o domínio físico apresentou melhor desempenho apenas entre os Millennials. No que se refere ao bem-estar, foram observados maiores escores nas dimensões de significado, emoções positivas e relacionamentos, enquanto realização e engajamento apresentaram médias inferiores. Verificou-se, ainda, a influência de fatores estruturais, como condições do ambiente físico de trabalho e segurança econômica. Os achados indicaram que a qualidade de vida no trabalho resultou da interação entre fatores individuais, organizacionais e contextuais, evidenciando a necessidade de estratégias integradas voltadas à promoção da saúde mental e à melhoria das condições de trabalho.

Palavras-chave: ambiente organizacional; gerações; psicologia positiva; saúde mental.

30 de setembro de 2026

Modelagem preditiva aplicada à autorregularização fiscal para otimização da arrecadação

Desenvolveu-se um modelo preditivo para apoiar a identificação de contribuintes com maior probabilidade de adesão a programas de autorregularização fiscal do ICMS no estado de Goiás. A partir de dados provenientes de documentos fiscais eletrônicos, da Declaração de Informações de Meios de Pagamento [DIMP] e de bases corporativas de malhas fiscais, construíram-se agrupamentos homogêneos de contribuintes, respeitando restrições legais associadas ao sigilo fiscal e à Lei Geral de Proteção de Dados [LGPD]. A modelagem preditiva realizou-se por meio do algoritmo Light Gradient Boosting Machine [LightGBM], com ajuste de hiperparâmetros via Grid Search e validação cruzada k-fold. Os resultados indicaram desempenho discriminatório do modelo em relação a abordagens tradicionais, com Área sob a Curva (AUC) de 0,63 e elevada capacidade de identificação de contribuintes com maior potencial de regularização. As análises de importância das variáveis e interpretação do modelo, por meio de Feature Importance e SHAP, evidenciaram que variáveis associadas ao volume econômico das operações e ao histórico de inconsistências fiscais exerceram maior influência na probabilidade de adesão. Os resultados sugerem que a aplicação de técnicas de aprendizado de máquina pode contribuir para tornar mais eficiente a seleção de contribuintes em programas de autorregularização fiscal, ampliando o potencial de recuperação de crédito tributário e fortalecendo estratégias de conformidade baseadas em dados.

Palavras-chave: administração tributária; Autorregularização fiscal; conformidade tributária; LightGBM; machine learning.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

30 de setembro de 2026

Neurobiologia da dupla excepcionalidade: integração neuropsicofarmacológica e desafios em adultos com TEA, TDAH e AH/SD

Os transtornos do neurodesenvolvimento, como Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD), impactam a funcionalidade clínica e acadêmica. O estudo objetivou analisar a intersecção entre a modulação neuropsicofarmacológica e as estratégias de suporte educacional no Córtex Pré-Frontal em adultos com diagnóstico tardio de dupla excepcionalidade. Conduziu-se um estudo de caso qualitativo, por meio de observação participante de uma discente de 22 anos, com diagnóstico clínico de TEA, TDAH e AH/SD, durante o estágio supervisionado de Graduação em Enfermagem em ambiente hospitalar. Os resultados evidenciaram que, embora a intervenção medicamentosa proporcionasse estabilização neuroquímica, o ambiente hospitalar desestabilizou a cognição devido à poluição sonora e ao excesso de estímulos. Mapearam-se correlações neuropsicofisiológicas, incluindo hiperacusia, alterações do sono e rigidez de pensamento. Contudo, a implementação de pausas estratégicas para autorregulação e o fracionamento de tarefas possibilitaram o retorno do foco atencional e a execução precisa de procedimentos técnicos. Concluiu-se que a consolidação das Funções Executivas e a funcionalidade adaptativa exigem abordagens multimodais, onde o ajuste psicofarmacológico é um facilitador biológico indispensável, mas a eficácia terapêutica depende do acolhimento pedagógico e de adaptações ambientais para a inclusão efetiva do indivíduo neurodivergente.

Palavras-chave: Córtex Pré-Frontal; Funções Executivas; Neurobiologia; Psicofarmacologia.

Gestão Tributária

30 de setembro de 2026

Impactos da reforma tributária nas concessionárias de veículos: desafios da transição para o IBS/CBS

Considerando a complexidade do sistema tributário brasileiro e as alterações promovidas pela Reforma Tributária, a pesquisa analisou os impactos práticos e financeiros da Emenda Constitucional nº 132/2023 e da Lei Complementar nº 214/2025 sobre o setor de concessionárias de veículos, notadamente quanto à transição dos regimes de substituição tributária e monofasia para o novo modelo de tributação do IBS e da CBS. O estudo desenvolveu-se por meio de um estudo empírico de caso, com abordagem qualitativa e quantitativa, a partir de dados fiscais, contábeis e gerenciais de uma concessionária de veículos no Estado do Tocantins, com filial no Estado de Goiás, referentes ao período de janeiro a novembro de 2025. Foram utilizados dados da EFD ICMS/IPI, do SPED Contribuições, de arquivos XML de notas fiscais, de relatórios gerenciais e do balanço patrimonial, tratados com auxílio de ferramenta especializada. Os resultados demonstraram que 86% das aquisições para revenda estiveram sujeitas ao ICMS-ST e 60% ao regime monofásico de PIS e COFINS, evidenciando antecipação de ônus financeiro e restrição de creditamento. Em análise de sensibilidade com três cenários, o Imposto Seletivo elevou o custo dos veículos novos em até 21,01% e comprimiu a margem em até 1,67 ponto percentual. No segmento de usados, a rentabilidade mostrou-se condicionada à origem das aquisições e ao giro do estoque, com redução da onerosidade tributária e incremento de 7,6% no resultado bruto. O estudo evidenciou a relevância estratégica do crédito presumido sobre o estoque de abertura e da reavaliação da relação com fornecedores optantes pelo Simples Nacional. A aplicabilidade dos resultados foi confirmada pela instituição estudada, que instituiu um comitê gestor interno de Reforma Tributária, com atuação integrada entre as áreas contábil, fiscal, comercial, de compras e de tecnologia da informação.

Palavras-chave: Concessionárias de veículos; Créditos presumidos; Imposto Seletivo; Margem operacional; Reforma Tributária.

Inscreva-se em nossa newsletter!

Receba conteúdos e fique sempre atualizado sobre as novidades em gestão, liderança e carreira com a Revista E&S.

Ao preencher o formulário você está ciente de que podemos enviar comunicações e conteúdos da Revista E&S. Confira nossa Política de Privacidade