Resumo Executivo

02 de março de 2026

Impacto da Volatilidade do Preço do Diesel nos Custos Operacionais de Transportadoras

Jorge Augusto Teodoro de Souza; Andreza Maria Luzia Baldo de Souza

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

O objetivo desta pesquisa é analisar a correlação entre a volatilidade do diesel B S-10 e os custos operacionais de uma transportadora rodoviária brasileira de 2018 a 2024, quantificando o impacto das flutuações do preço nos custos totais, receita e margem de lucro. A análise oferece uma perspectiva microeconômica sobre um desafio que afeta a cadeia logística nacional. A relevância da investigação se ancora na centralidade do transporte rodoviário, setor que, segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT, 2022), movimentou R$ 1,5 trilhões em 2021, correspondendo a 13,3% do Produto Interno Bruto (PIB) e empregando mais de 12 milhões de profissionais.

A instabilidade no preço dos combustíveis foi acentuada pela política de Preço de Paridade de Importação (PPI), que atrelou o mercado interno às cotações internacionais, resultando em reajustes frequentes repassados ao consumidor (Rangel, 2019). Embora extinta formalmente em 2023, a nova estratégia comercial da Petrobras não desvinculou completamente os preços dos padrões internacionais, mantendo a imprevisibilidade para setores dependentes de combustíveis fósseis (Konchinski, 2024). Essa conjuntura justifica a análise de seus efeitos práticos na saúde financeira das empresas.

Para as transportadoras, a gestão de custos é uma vantagem competitiva essencial. Em um ambiente onde o diesel sofre variações constantes, a capacidade de mitigar o impacto financeiro dessas oscilações torna-se um diferencial para a sobrevivência e rentabilidade. A gestão de riscos, nesse contexto, envolve a busca por eficiência interna e o controle de variáveis operacionais para proteger a margem de lucro, ligando a estabilidade financeira à habilidade de gerenciar a volatilidade de seus custos.

Este estudo busca preencher uma lacuna na literatura, que frequentemente aborda o setor de forma agregada. São escassos os trabalhos que investigam a realidade financeira interna de uma transportadora de pequeno ou médio porte, especialmente sem ferramentas como a gestão ativa por telemetria. Ao focar em um caso real, a pesquisa oferece uma visão detalhada de como uma empresa típica do cenário brasileiro enfrenta a volatilidade do diesel, utilizando sua gestão contábil e administrativa como principais ferramentas de controle, proporcionando insights práticos para o mercado.

A metodologia adotada foi o estudo de caso, adequado para uma investigação aprofundada do fenômeno em seu contexto real (Prodanov e Freitas, 2013; Pereira et al., 2018). A pesquisa é de natureza aplicada, com abordagem quantitativa e caráter descritivo-analítico, focada em mensurar os impactos econômicos do consumo de diesel nos indicadores financeiros de uma transportadora.

Os dados foram coletados a partir de documentos contábeis e financeiros da empresa, como balanços patrimoniais, demonstrativos de resultados (DRE) e relatórios internos, abrangendo o período de janeiro de 2018 a dezembro de 2024. Essa janela temporal permitiu capturar diferentes cenários econômicos, incluindo a pandemia de COVID-19 e a subsequente escalada de preços. Os dados brutos foram organizados em planilhas para a construção de séries históricas.

A análise dos dados ocorreu em três etapas. Primeiro, a sistematização tabular, com a elaboração de séries históricas para variáveis como custo com combustível, receita bruta, custos operacionais e lucro, calculando suas proporções relativas. A segunda etapa foi uma análise temporal descritiva para identificar variações interanuais e correlacionar eventos financeiros ao contexto macroeconômico. A terceira etapa aplicou testes estatísticos para maior robustez. Utilizou-se o coeficiente de correlação de Pearson para verificar a força da relação linear entre o custo do diesel e outros indicadores (Triola, 2017) e a regressão linear simples para quantificar seu poder explicativo (Pestana e Gageiro, 2014). Os cálculos foram realizados no Microsoft Excel 365, com nível de significância de 5% (p < 0,05).

A análise dos resultados inicia-se pela formação de preços do diesel no Brasil. Entre 2018 e 2024, o preço do Diesel A na refinaria foi o componente dominante, respondendo por cerca de 55% do valor final na bomba (ANP, 2018; 2020). Este componente, influenciado pela PPI, capturou a volatilidade do petróleo Brent e do câmbio (Araújo e Silva, 2019). Outros componentes relevantes foram o biodiesel (cerca de 8%), tributos federais e estaduais (somados, 24%) e margens de distribuição e revenda (13%). A empresa estudada, sem ponto de abastecimento interno, fica exposta ao preço final de varejo, o que amplifica sua vulnerabilidade.

Os dados financeiros da transportadora revelam o impacto expressivo da volatilidade do diesel. Entre 2018 e 2024, o custo anual com o combustível apresentou um crescimento acumulado de 303,5%, saltando de R$ 1,17 milhão para R$ 4,73 milhões. Esse aumento foi impulsionado pelo aumento de 145,1% no volume abastecido e de 64,5% no preço médio do litro. Entre 2018 e 2020, houve retração de 15,1% nos custos, associada à queda de demanda na pandemia (Silva, 2023). A partir de 2021, a trajetória se inverteu, com avanço de 75,1% no dispêndio, puxado por uma alta de 57,7% no preço médio. Nos anos seguintes, a pressão de custos se manteve; em 2022-2023, mesmo com queda no preço do litro, o custo nominal subiu 29,6% devido a um aumento de 41,6% no volume consumido.

O crescimento de 145,1% no volume abastecido levanta questões sobre a eficiência da frota. Uma limitação do estudo, e fraqueza gerencial da empresa, é a não utilização da tecnologia de telemetria instalada nos veículos. Se ativada, a ferramenta permitiria distinguir o aumento de consumo decorrente da expansão da demanda daquele originado por condução ineficiente, como excesso de rotação do motor ou acelerações bruscas. Sem esses dados, a gestão não pode intervir de forma precisa para otimizar o consumo e atenuar o impacto financeiro da alta dos preços.

A participação do diesel nos custos operacionais totais oscilou significativamente: partiu de 16,6% em 2018, atingiu um pico de 29,7% em 2023 e fechou em 20,1% em 2024. Em anos de forte pressão de preços como 2022 e 2023, o combustível representou mais de um quarto dos desembolsos operacionais. A mesma tendência ocorreu na relação com a receita bruta: o custo com diesel representou 5,4% do faturamento em 2020, mas escalou para 15,0% em 2022 e atingiu o pico de 16,0% em 2023. Isso demonstra que a pressão do custo do insumo corroeu uma parcela crescente do faturamento, impactando a rentabilidade.

A consequência foi a compressão da margem operacional. A rentabilidade da empresa mostrou-se volátil, com a margem oscilando de um pico de 68,2% em 2020 para um mínimo histórico de 31,7% em 2024. O caso de 2024 é emblemático: mesmo com faturamento recorde de R$ 34,4 milhões, a empresa registrou sua menor margem. Isso ocorreu porque os custos operacionais cresceram em ritmo superior ao da receita, neutralizando os ganhos de faturamento. A escalada dos custos, liderada pelo diesel, foi o principal fator na deterioração da rentabilidade.

A análise estatística corrobora a forte dependência da estrutura de custos em relação ao diesel. O coeficiente de correlação de Pearson entre o custo com diesel e os custos operacionais totais foi de 0,91 (p = 0,004), indicando uma associação positiva muito forte e estatisticamente significativa. A análise de regressão linear simples aprofunda essa constatação, com um coeficiente de determinação (R²) de 0,8281. Isso significa que 82,8% da variação nos custos operacionais totais da empresa podem ser explicados pela variação nos gastos com diesel. A relação com a receita bruta também se mostrou forte (r = 0,88; R² = 0,7744). Em contrapartida, a correlação com o lucro operacional foi moderada e não significativa (r = 0,41), indicando que a lucratividade é afetada por uma gama mais complexa de fatores.

A análise da elasticidade custo-preço revela que a empresa não conseguiu, na maior parte do tempo, compensar os aumentos de preço com ganhos operacionais. Em períodos como 2021-2022 e 2023-2024, a elasticidade foi superior a 1, indicando que o custo total aumentou de forma mais acentuada que o preço do litro, evidenciando o forte crescimento no volume consumido. Essa dinâmica confirma a elevada sensibilidade do setor às oscilações de preços (Paula et al., 2019) e reforça que o diesel pode representar mais de 50% dos custos totais em operações de longa distância (Péra, Costa e Caixeta Filho, 2018). O efeito cascata desse aumento pressiona o valor do frete e a inflação de bens de consumo (Fetranspar, 2022).

A análise estratégica via matriz SWOT revela que a empresa possui forças (planejamento logístico, manutenção preventiva), mas enfrenta fraquezas críticas (dependência do diesel, subutilização de tecnologias). As ameaças são a volatilidade do preço do combustível e a falta de infraestrutura para alternativas energéticas. As oportunidades incluem incentivos para frotas sustentáveis e o avanço de veículos elétricos (Martin et al., 2024). A Matriz TOWS (Weihrich, 1982) sugere que a empresa opera em uma estratégia de sobrevivência (ST: Forças-Ameaças), usando competências internas para mitigar ameaças externas. A sustentabilidade do negócio, contudo, exige uma transição para uma estratégia de crescimento (SO: Forças-Oportunidades).

A presente pesquisa atingiu seu objetivo ao demonstrar quantitativamente a alta sensibilidade da transportadora estudada às oscilações de mercado do diesel. Os dados evidenciaram uma correlação estatística muito forte (r = 0,91) entre o custo do combustível e os custos operacionais totais, com o primeiro explicando 82,8% da variação do segundo. Essa relação resultou em uma compressão severa da margem de lucro, que atingiu seu mínimo histórico em 2024, e um aumento acumulado de mais de 300% nos gastos com diesel entre 2018 e 2024. Diante desse cenário, a empresa opera sob constante pressão de ameaças externas, adotando uma abordagem estratégica de sobrevivência, conforme a Matriz TOWS de Weihrich (1982), na qual utiliza sua eficiência operacional (Força) para tentar neutralizar a volatilidade do preço do insumo (Ameaça).

A sustentabilidade do negócio a longo prazo, contudo, depende da habilidade de transitar para uma posição estratégica mais proativa. No curto prazo, o movimento essencial é a ativação plena de recursos tecnológicos como a telemetria para otimizar o consumo, somada à diversificação do tipo de carga transportada. A longo prazo, a transição para uma matriz energética diversificada, explorando alternativas como biocombustíveis ou a eletrificação da frota, representa o movimento estratégico definitivo para superar a fraqueza central da dependência do diesel fóssil. Conclui-se que o objetivo foi atingido: demonstrou-se que a volatilidade do

Referências:
Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis [ANP]. 2019. Síntese Semanal do Comportamento dos Preços dos Combustíveis. Disponível em: <https://www. gov. br/anp/pt-br/assuntos/precos-e-defesa-da-concorrencia/precos/arq-sintese-semanal/2019/sintese-semanal-precos2019-ed38. pdf? >. Acesso em: 25 mai. 2025.
Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis [ANP]. 2020. Síntese Semanal do Comportamento dos Preços dos Combustíveis. Disponível em: https://www. gov. br/anp/pt-br/assuntos/precos-e-defesa-da-concorrencia/precos/arq-sintese-semanal/2020/sintese-semanal-precos
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Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis [ANP]. 2022. Síntese Semanal do Comportamento dos Preços dos Combustíveis. Disponível em: <https://www. gov. br/anp/pt-br/assuntos/precos-e-defesa-da-concorrencia/precos/arq-sintese-semanal/2022/dezembro/sintese-de-precos-no-49
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Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis [ANP]. 2025. Síntese semanal de preços dos combustíveis. Disponível em: < https://www. gov. br/anp/pt-br/assuntos/precos-e-defesa-da-concorrencia/precos/arq-sintese-semanal/2025/marco/sintese-precos-n13. pdf >. Acesso em 28 mai. 2025.
Akkartal, E.; Aras, G. Y. 2021. Sustainability in Fleet Management. Journal of Advanced Research in Economics and Administrative Sciences 2(3): p. 13-39, 2021.
Almulhim, A. I.; Hasan, M. A.; Aina, Y. A.; Sharifi, A.; Hassain, F. 2025. Priority measures for mitigating transport-related carbon emissions in Saudi Arabia: A multi-criteria analysis. Journal of Urban Management.
Araújo, A. B.; Silva, M. H. 2019. Estudo Técnico e Econômico do Diesel no Brasil. Trabalho de conclusão de graduação em Engenharia Química. Escola de Química. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Finanças e Controladoria do MBA USP/Esalq

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