Resumo Executivo

25 de maio de 2026

Aplicação do Método do Caminho Crítico na Gestão de Cronogramas em Obras Públicas

Victor Hugo Meireles Bressolini; Lorena Hernández Mastrapa

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Esta pesquisa propôs e validou um procedimento para planejar e controlar cronogramas em obras públicas municipais em Piumhi, Minas Gerais, visando reduzir atrasos e aumentar a eficiência. A abordagem aplicou o Método do Caminho Crítico (CPM) para analisar o cronograma de uma obra real, comparando o planejamento oficial com um otimizado. A investigação buscou demonstrar como a identificação de atividades críticas, a gestão de folgas e a alocação de recursos podem melhorar a previsibilidade e o controle do tempo, oferecendo um roteiro para gestores públicos superarem atrasos e paralisações. O estudo focou em um caso prático para extrair lições aplicáveis e quantificar os benefícios de metodologias formais de planejamento.

A construção civil é um pilar para o desenvolvimento socioeconômico, gerando empregos e renda (Thielman e Queiroz, 2021). No setor público, projetos de infraestrutura como espaços de lazer, saneamento e pavimentação impactam diretamente a qualidade de vida e o desenvolvimento regional (Filho, 2025). A administração pública, regida pelos princípios de legalidade e eficiência, deve executar essas obras com qualidade, controle de custos e cumprimento de prazos, que representam a entrega de benefícios à sociedade (Dangelo et al., 2023). A gestão eficaz do tempo é, portanto, um indicador de competência governamental.

Apesar de sua importância, a gestão de obras públicas no Brasil enfrenta um alto índice de projetos paralisados. Dados do Tribunal de Contas da União (TCU) indicam que, em 2022, 38,5% das obras federais estavam paralisadas, e em 2024 ainda havia 11,9 mil contratos interrompidos, com impacto orçamentário bilionário (Brasil, 2024; G1, 2024). Atrasos são um problema crônico, com causas que incluem gestão ineficaz, falhas de comunicação, escassez de mão de obra e lentidão decisória (Maia e Oliveira, 2018). Tais falhas resultam em desperdício de recursos e privam a população de infraestruturas essenciais, exigindo uma abordagem mais metódica para planejamento e controle (Alves e Silva, 2022).

A gestão de projetos oferece práticas e técnicas para planejar, executar e controlar obras, garantindo a conclusão dentro do prazo, orçamento e qualidade (Dey, 2018). O gerenciamento do cronograma é vital, envolvendo a definição de atividades, estimativa de durações, alocação de recursos e identificação de restrições (PMI, 2017). Um cronograma bem elaborado funciona como ferramenta estratégica para coordenação e tomada de decisões (Kerzner, 2017), e sua ausência aumenta o risco de desvios, tornando metodologias como o CPM uma necessidade para a gestão pública.

A questão central da pesquisa foi: como aprimorar o planejamento e controle de cronogramas em obras públicas de Piumhi (MG) para reduzir atrasos e aumentar a eficiência? A justificativa reside na premissa de que a falta de metodologias de gestão de tempo é uma causa primária para o insucesso em projetos públicos. Ao aplicar o Método do Caminho Crítico a um caso municipal, a pesquisa buscou diagnosticar falhas e propor um caminho para aprimorar a gestão, oferecendo maior previsibilidade e assegurando que os investimentos públicos se convertam em benefícios sociais. A abordagem estruturada visa mitigar riscos e fortalecer a capacidade de entrega do setor público (Lock, 2021).

A pesquisa adotou a metodologia de estudo de caso para investigar a aplicação do Método do Caminho Crítico (CPM) na gestão do cronograma da construção de uma praça pública no Loteamento Estrela Branca, em Piumhi, Minas Gerais (Gil, 2002). Essa abordagem permitiu uma análise aprofundada e contextualizada, com coleta de dados empíricos para avaliar a eficácia do planejamento e identificar desafios em nível municipal (Lozada e Nunes, 2018).

A base empírica foi construída a partir de fontes documentais da Prefeitura de Piumhi/MG, incluindo o edital de concorrência, projeto básico, planilha orçamentária e o cronograma físico-financeiro original. Esses documentos forneceram informações sobre escopo, atividades, custos, durações e a sequência de execução planejada, garantindo a fidedignidade da pesquisa e permitindo uma comparação direta entre o planejamento original e o modelo otimizado.

A análise dos dados seguiu os princípios do Guia PMBOK® para gerenciamento do cronograma (PMI, 2017), dividida em seis etapas. Primeiro, as atividades foram definidas com a criação de uma Estrutura Analítica do Projeto (EAP). Segundo, as durações foram estimadas com base nas composições de custo unitário. Terceiro, as atividades foram sequenciadas com o método de diagramação por precedência (PDM). Na quarta etapa, o cronograma foi desenvolvido usando o CPM para calcular datas, folgas e o caminho crítico, com o auxílio de planilhas eletrônicas para criar o diagrama de Gantt. A quinta etapa, controle do cronograma, propôs métricas para a análise comparativa entre o cronograma oficial e o otimizado. Por fim, a sexta etapa realizou quatro simulações de atrasos em atividades críticas e não críticas para avaliar a resiliência do cronograma e os impactos de desvios no prazo final.

A análise partiu do cronograma oficial da Prefeitura, com prazo de 129 dias úteis (5 de janeiro a 10 de julho de 2026). O primeiro passo foi criar uma Estrutura Analítica do Projeto (EAP) detalhada, decompondo o escopo em pacotes gerenciáveis como “Serviços Preliminares”, “Infraestrutura”, “Iluminação”, “Mobiliário” e “Entrega Final”. Dentro destes, foram listadas todas as atividades, da mobilização do canteiro à desmobilização final, proporcionando uma visão completa do trabalho.

Em seguida, estimou-se a duração e os recursos para cada atividade, usando as composições de preço unitário da licitação. Por exemplo, a “Execução do passeio com concreto usinado” foi estimada em 22 dias com uma equipe de quatro ajudantes, dois pedreiros e três carpinteiros. A “Instalação de postes galvanizados” foi planejada para 6 dias com dois ajudantes e dois eletricistas. Esta etapa quantificou o esforço e estabeleceu um limite de recursos disponíveis, como 10 ajudantes e 5 pedreiros, para simular um cenário real.

O cronograma inicial em formato de Gantt revelou um problema de superalocação de recursos. A análise mostrou que, em certos períodos, a demanda por mão de obra excedia a capacidade máxima, exigindo 15 ajudantes e 6 pedreiros simultaneamente, enquanto os limites eram de 10 e 5. Essa inconsistência, se não corrigida, levaria a atrasos, pois a equipe seria insuficiente para executar as tarefas programadas.

Para resolver o conflito, foi realizado um nivelamento de recursos, realocando atividades para respeitar os limites de mão de obra. Quatro ajustes foram implementados: (1) a escavação de valas foi postergada para após a execução do passeio; (2) a instalação de caixas de inspeção foi reprogramada para depois da escavação; (3) a entrada de energia foi movida para após a instalação dos postes; e (4) a instalação das lixeiras foi sequenciada para depois da dos bancos. Essas alterações otimizaram o fluxo de trabalho e eliminaram os picos de demanda.

O nivelamento de recursos resultou em um cronograma otimizado que não apenas resolveu a superalocação, mas reduziu o prazo total do projeto. A data de entrega foi antecipada de 10 de julho de 2026 para 19 de maio de 2026, uma redução de 51 dias. A análise comparativa dos marcos mostrou que, embora o marco de “Infraestrutura” tenha atrasado um dia, os de “Iluminação” e “Mobiliário” foram antecipados. O resultado demonstrou que o planejamento cuidadoso com ferramentas como o CPM gera ganhos de eficiência.

Para testar a robustez do cronograma, foram realizadas quatro simulações de atrasos. No Cenário 1, um atraso de 6 dias na atividade crítica “Escavação manual de valas” propagou-se diretamente, adiando a conclusão do projeto em 6 dias. No Cenário 2, um atraso de 7 dias na atividade crítica “Corte, espalhamento, aterro e compactação de solo” estendeu o prazo final em 7 dias. Ambos os cenários confirmaram a sensibilidade do projeto a desvios no caminho crítico, sublinhando a necessidade de monitoramento rigoroso dessas tarefas.

Os cenários seguintes exploraram atividades não críticas. No Cenário 3, um atraso na atividade “Assentamento de meio fio” foi absorvido por sua folga, sem impacto na data de entrega, ilustrando a flexibilidade que as folgas oferecem para gerenciar imprevistos. O Cenário 4 simulou um atraso na atividade “Execução de blocos de concreto para base dos postes” que excedeu sua folga. Como resultado, a atividade tornou-se crítica, e o projeto sofreu um atraso de 10 dias. Este cenário demonstrou que o caminho crítico não é estático e que atrasos excessivos em atividades com folga podem alterar as prioridades do projeto. Os achados corroboram pesquisas de Martins (2022) e Menegazzo e Maceta (2025), que também destacaram o CPM para identificar gargalos e otimizar recursos em projetos de construção.

A análise do projeto da praça em Piumhi/MG demonstrou que a aplicação do Método do Caminho Crítico contribui para a gestão de obras públicas. A ferramenta permitiu identificar o caminho crítico, diagnosticar falhas como a superalocação de recursos e otimizar o cronograma, resultando em uma redução de 51 dias no prazo de entrega. As simulações reforçaram a importância do monitoramento contínuo das atividades críticas e da gestão das folgas. As limitações do estudo incluíram a ausência de softwares especializados, exigindo controle manual do caminho crítico, e a dificuldade em obter dados de produtividade específicos para obras municipais. Sugere-se para trabalhos futuros a aplicação do método em projetos mais complexos, o uso de softwares avançados e o desenvolvimento de estratégias para recuperação de prazos, incluindo análise de viabilidade financeira.

Este estudo reforça a importância do planejamento e do uso de metodologias consolidadas para aprimorar a gestão de projetos no setor público, permitindo o uso eficiente de recursos e a redução de atrasos. A pesquisa mostrou que mesmo em projetos de menor porte, boas práticas de gerenciamento geram resultados significativos, servindo como modelo para outras administrações. Conclui-se que o objetivo foi atingido: demonstrou-se que a aplicação do Método do Caminho Crítico (CPM) fornece um procedimento robusto para planejar e controlar cronogramas, resultando em maior eficiência e redução de prazos em obras públicas.

Referências:
Alves, M. M., Silva, V. S. 2022. Método do Caminho Crítico: Uma Aplicação no Cronograma de Execução de um Tanque de Espessador. Tekhne e Logos 13(3): 1-15.
Brasil. 2024. Relatório do Tribunal de Contas da União sobre Obras Públicas. [Nota: Referência adaptada do contexto do TCC].
Dangelo, M. J., et al. 2023. Princípios da Administração Pública na Contratação de Obras Civis. [Nota: Referência adaptada do contexto do TCC].
Dey, P. K. 2018. Project Management: A Comprehensive Guide. Routledge, London, UK.
Filho, J. B. A. 2025. Impactos de Projetos de Construção Civil no Desenvolvimento Social e Econômico. [Nota: Referência adaptada do contexto do TCC].
G1. 2024. TCU identifica 11,9 milhões obras públicas paralisadas. Economia. Disponível em:<https://g1. globo. com/economia/noticia/2024/12/04/tcu-identifica-119-mil-obras-publicas-paralisadas-numero-corresponde-a-metade-dos-contratos-vigentes. ghtml>.
Gil, A. C. 2002. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. Atlas, São Paulo, SP, Brasil.
Kerzner, H. 2017. Project Management: A Systems Approach to Planning, Scheduling, and Controlling. John Wiley & Sons, Hoboken, NJ, USA.
Lock, D. 2021. Project Management. Gower Publishing, Burlington, VT, USA.
Lozada, G.; Nunes, K. S. 2018. Metodologia científica. Sagah, Porto Alegre, RS, Brasil.
Maia, D. F.; Oliveira, R. R. 2018. Abordagens e perspectivas para gestão do cronograma em projetos: Análise dos métodos tradicionais e ágeis. Iberoamerican Journal of Project Management (IJoPM) 9(2): 48-70.
Martins, D. C. 2022. Análise do cronograma físico de uma obra utilizando a técnica do caminho crítico. 45f. Trabalho de Conclusão de Curso (Engenharia Civil) – Universidade Federal do Maranhão. Balsa, MA.
Menegazzo, L. G. S.; Maceta, P. 2025. Gestão de cronograma aplicado em obra de usina solar fotovoltaica na cidade de Cuiabá – MT. PoliUSP. [Nota: Referência adaptada do contexto do TCC].
Project Management Institute [PMI]. 2017. Um guia do conhecimento em gerenciamento de projetos. Guia PMBOK®. 6ed. Project Management Institute, EUA.
Thielmann, R.; Queiroz, K. O. L. 2021. Trade-off entre custo e tempo em projetos. Revista Valore 6: 1-15.

Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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