Resumo Executivo

11 de maio de 2026

Gestão Tributária e Precificação na Indústria de Ferro e Aço

Matheus Oliveira de Brito; Raissa Alvares de Matos Miranda

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

A tributação representa um tema de elevada relevância no contexto empresarial contemporâneo, uma vez que os tributos incidem de maneira significativa sobre as receitas das organizações, influenciando diretamente o custo final dos produtos e a rentabilidade do negócio. No cenário brasileiro, caracterizado por uma das cargas tributárias mais complexas do mundo, o papel da gestão contábil torna-se fundamental para identificar, de forma legal e ética, alternativas que possibilitem a redução do impacto fiscal. Estratégias como a utilização de incentivos fiscais disponibilizados pelas esferas municipal, estadual e federal podem gerar benefícios financeiros substanciais, permitindo que as empresas adotem práticas mais eficientes e seguras na condução de suas obrigações (Oliveira, 2021). O planejamento tributário busca prever e mitigar fatores que possam comprometer os resultados, ao mesmo tempo em que potencializa elementos que favoreçam decisões assertivas, contribuindo para uma gestão estratégica e sustentável (Orlickas, 2010). Nesse sentido, constitui um recurso amplamente utilizado para reduzir legalmente a carga tributária e aumentar a lucratividade ao propor soluções que minimizam custos e maximizam lucros (Ferreira, 2005).

A elisão fiscal é definida como a escolha de alternativas juridicamente permitidas que possibilitem reduzir ou eliminar encargos fiscais, sempre em conformidade com a legislação vigente (Andrade, 2008). No contexto nacional, as empresas têm à disposição diferentes regimes de tributação, como o Simples Nacional, Lucro Presumido, Lucro Arbitrado e Lucro Real. A escolha adequada entre essas opções integra uma estratégia de planejamento que visa identificar o regime mais compatível com o perfil e a realidade financeira da entidade. Profissionais de contabilidade desempenham um papel crucial ao estruturar o planejamento de modo a explorar todas as oportunidades legais para reduzir o impacto tributário, consolidando essa prática como uma ferramenta essencial para a competitividade e sustentabilidade financeira (Oliveira, 2021). O sistema tributário brasileiro é estruturado com base em um conjunto de normas de grande complexidade, conforme estabelecido pelo Código Tributário Nacional, instituído pela Lei 5.172/1966. Esse sistema é regido por normas constitucionais, leis complementares e legislações específicas de cada ente federativo, formando uma base legal ampla que disciplina as relações tributárias no país (Brasil, 1966).

Define-se uma relação jurídica entre o sujeito ativo, que corresponde ao ente público detentor da competência para instituir e cobrar tributos, e o sujeito passivo, ou seja, o contribuinte legalmente obrigado ao cumprimento das obrigações (Morais; Bocardi, 2020). A ausência de um planejamento eficaz conduz, em muitos casos, à precificação inadequada, na qual os tributos não são devidamente considerados no cálculo dos preços finais. Tal situação expõe as empresas ao risco de praticar valores que não cobrem os custos reais, comprometendo tanto a rentabilidade quanto a sustentabilidade financeira. Em contrapartida, organizações que incorporam práticas de elisão fiscal lícita, o aproveitamento correto de créditos e a escolha adequada de regimes tributários fortalecem sua capacidade de competir em mercados exigentes. A precificação baseada apenas em parâmetros operacionais, sem integração à dimensão tributária, fragiliza a performance empresarial. Ao reconhecer o impacto direto da gestão tributária na política de preços, emerge a necessidade de investigar metodologias que articulem conformidade legal, economia fiscal e eficiência na gestão financeira, especialmente em segmentos industriais pressionados pela concorrência e pela volatilidade de custos. O objetivo central reside em avaliar como a gestão tributária pode ser utilizada como ferramenta estratégica para a precificação em uma indústria de ferro e aço, contribuindo para a competitividade e a previsibilidade de custos.

A abordagem metodológica adotada para a investigação possui natureza qualitativa, com delineamento baseado em um estudo de caso realizado em uma indústria de corte e dobra de ferro e aço localizada em São Gonçalo, no Rio de Janeiro. O processo de investigação foi estruturado para analisar minuciosamente como o planejamento tributário pode otimizar a formação de preços e melhorar o desempenho financeiro. Os materiais utilizados incluíram um amplo conjunto de fontes documentais, tais como documentos fiscais e contábeis, legislações tributárias vigentes, normas técnicas aplicáveis, relatórios internos de auditoria, livros contábeis e obrigações acessórias. A seleção desses materiais foi fundamental para proporcionar uma visão detalhada dos procedimentos fiscais adotados pela organização e das práticas de apuração e recolhimento de tributos. A metodologia seguiu um roteiro analítico estruturado em três etapas principais, garantindo a profundidade necessária para a compreensão do fenômeno estudado.

A primeira etapa consistiu na realização de um diagnóstico da situação tributária atual da empresa, envolvendo o mapeamento detalhado dos processos fiscais em vigor. Isso incluiu a análise da escrituração contábil e fiscal, o enquadramento tributário no regime do Lucro Real e a verificação dos procedimentos de recolhimento. Essa fase foi essencial para entender como os tributos impactavam os custos e, consequentemente, a política de preços. A análise documental focou no exame de documentos empresariais, permitindo obter uma compreensão aprofundada das estratégias fiscais e das práticas operacionais relacionadas à apuração. Dada a sensibilidade das informações, como registros contábeis e administrativos, o acesso aos documentos foi cuidadosamente planejado, contando com autorização formal e termo de confidencialidade. O acesso ocorreu por meio de consultas presenciais no escritório de contabilidade que presta serviços à indústria, sob supervisão constante para garantir a integridade dos registros.

A segunda etapa da metodologia concentrou-se na identificação de oportunidades legais de elisão fiscal, com base na legislação tributária vigente. O foco foi explorar, de maneira ética e lícita, alternativas que possibilitassem a redução da carga tributária, contribuindo para a formação de preços mais competitivos e para o aumento da margem de contribuição dos produtos. Para isso, foram analisados os créditos de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, Programa de Integração Social e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social. A investigação detalhou o passo a passo da coleta de dados, utilizando o suporte de um interlocutor interno da área fiscal que atuou como elo entre a pesquisa e a estrutura administrativa da empresa. Esse profissional facilitou o acesso aos documentos pertinentes e prestou esclarecimentos sobre o contexto das informações analisadas, garantindo que todos os procedimentos respeitassem os limites éticos e legais.

A terceira e última etapa foi dedicada à proposição de melhorias no planejamento tributário, com foco em garantir a conformidade legal e promover maior eficiência econômica. As recomendações formuladas visaram não apenas reduzir os encargos fiscais, mas também proporcionar bases sólidas para a formulação estratégica de preços, levando em conta os efeitos tributários sobre a composição do custo e a rentabilidade. O uso de balancetes contábeis foi central nesta fase, pois, segundo Vale (2018), esses documentos permitem uma visão detalhada da movimentação financeira e patrimonial, evidenciando a composição das receitas, despesas e tributos a recuperar. O balanço patrimonial ofereceu um retrato consolidado da situação financeira, permitindo verificar a estrutura de capital, o nível de endividamento e a capacidade de geração de caixa, elementos fundamentais para a definição de políticas de precificação consistentes. As medidas adotadas garantiram rigor metodológico e transparência, demonstrando que um planejamento eficaz reduz a carga fiscal e sustenta uma política comercial mais agressiva.

Os resultados obtidos por meio da análise documental revelam uma estrutura financeira equilibrada na indústria de ferro e aço, embora existam desafios operacionais significativos. O ativo circulante apresenta um saldo robusto, com destaque para a liquidez imediata em caixa e bancos no montante de 1.091.896 reais, o que assegura fôlego financeiro para o cumprimento de obrigações correntes. Os valores a receber de clientes somam 658.334 reais, indicando que a política de crédito está em operação, mas requer monitoramento para evitar inadimplências que possam comprometer a formação de preços futura. Um aspecto de extrema relevância estratégica diz respeito aos tributos a recuperar, que totalizam 86.114 reais. Esse montante representa recursos que, uma vez recuperados ou compensados, podem ser revertidos em capital de giro ou utilizados para financiar reduções estratégicas nos preços de venda. A gestão tributária atual está estruturada para permitir uma política de precificação transparente e baseada em custos reais, com controle efetivo sobre provisões tributárias e trabalhistas.

No que tange à performance operacional, a receita bruta de vendas atingiu 1.002.421 reais, com deduções de impostos sobre vendas totalizando 204.353 reais. Isso representa uma carga tributária aproximada de 20,39% sobre a receita bruta, valor que se encontra dentro dos padrões esperados para o setor industrial, mas que sinaliza espaço para a busca de incentivos adicionais. A receita líquida fixou-se em 798.068 reais, sobre a qual incidiram os custos das mercadorias vendidas no valor de 756.509 reais. O lucro bruto resultante foi de apenas 41.559 reais, evidenciando margens extremamente estreitas frente ao faturamento. Quando somados os custos diretos de 61.835 reais e os custos indiretos de 74.495 reais às despesas operacionais de 80.034 reais, o resultado operacional torna-se negativo. O prejuízo líquido do exercício foi de 175.331 reais, uma vez que as receitas financeiras marginais de seis reais não foram suficientes para compensar as despesas financeiras de 531 reais.

Apesar do prejuízo operacional, a empresa demonstra organização e controle em sua gestão tributária. A análise das apurações de ICMS revela uma estratégia eficaz de acumulação de créditos. Em outubro de 2024, a indústria registrou débitos de 29.623 reais e créditos de 69.007 reais, resultando em um saldo credor de 39.384 reais. Em novembro do mesmo ano, mesmo com o aumento dos débitos para 58.086 reais, o saldo credor acumulado permitiu encerrar o período com 18.284 reais a favor da empresa. Esse cenário é estratégico para a precificação, pois os créditos acumulados reduzem a pressão de caixa e podem ser usados para sustentar preços mais competitivos sem comprometer ainda mais as margens. O ICMS é o principal imposto de arrecadação estadual, incidindo sobre a circulação de mercadorias, e sua correta gestão é vital, dado que é um tributo indireto incorporado ao preço (Freitas; Freitas; Santana, 2024).

A análise dos demonstrativos de PIS e COFINS reforça a importância do planejamento. Em outubro de 2024, a base de cálculo de 513.575 reais gerou 8.474 reais em créditos de PIS, dos quais 3.584 reais foram usados para compensar o débito do mês, restando um saldo de 4.890 reais. No caso da COFINS, foram gerados 39.032 reais em créditos, com utilização de 16.510 reais e manutenção de um saldo credor de 22.522 reais. Em novembro e dezembro, a empresa manteve a política de compensação integral dos débitos por meio dos créditos oriundos das aquisições de insumos e mercadorias. Esse padrão evidencia uma política clara de acumulação de créditos utilizada para suavizar os picos de débito e reduzir o custo tributário efetivo incidente sobre as vendas. Ao liberar caixa e proporcionar maior margem de manobra, a gestão permite a prática de preços mais agressivos, com redução do markup sem necessariamente ferir a rentabilidade a longo prazo.

Quanto ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, o resultado negativo de 175.331 reais impactou diretamente a base de cálculo. De acordo com a legislação brasileira, somente lucros positivos constituem base para tributação nessas modalidades (Andrade Filho, 2005). Do ponto de vista estratégico, esse prejuízo fiscal gera uma base negativa que pode ser compensada em exercícios futuros, limitada a 30% do lucro real de cada período subsequente (Paulsen, 2025). Assim, o prejuízo atual transforma-se em um ativo tributário, pois servirá para reduzir a carga tributária futura quando a empresa voltar a operar com lucro. O correto registro desses prejuízos no Livro de Apuração do Lucro Real assegura vantagens competitivas e contribui para uma política de precificação sustentável. A ausência de IRPJ e CSLL a pagar em 2024 aliviou o fluxo de caixa imediato, permitindo a manutenção de recursos para capital de giro.

A discussão dos resultados aponta que, embora a indústria enfrente fragilidades operacionais e margens reduzidas, a gestão tributária eficiente atua como um amortecedor. O aproveitamento de créditos de ICMS, PIS e COFINS reduziu a carga tributária efetiva e sustentou a competitividade no mercado. Contudo, a dependência excessiva desses créditos e a recorrência de prejuízos sinalizam a necessidade de maior eficiência comercial. O estudo poderia ser enriquecido com simulações comparativas entre o Lucro Real e o Lucro Presumido para identificar o ponto de equilíbrio em diferentes cenários de lucratividade. A integração de indicadores de desempenho, como o EBITDA e a margem de contribuição, daria maior robustez ao diagnóstico. A complexidade do sistema brasileiro exige atualização constante e o uso de ferramentas tecnológicas para automação fiscal, visando reduzir erros e aumentar a precisão das análises de custo.

Conclui-se que o objetivo foi atingido, demonstrando que a gestão tributária é um recurso estratégico indispensável para a precificação competitiva na indústria de ferro e aço. A pesquisa comprovou que o aproveitamento sistemático de créditos fiscais de ICMS, PIS e COFINS, aliado à correta gestão do prejuízo fiscal para compensações futuras, fortalece a previsibilidade de custos e a sustentabilidade financeira da organização. Apesar das limitações inerentes ao estudo de caso único e das margens operacionais estreitas identificadas, os resultados confirmam que a integração entre a contabilidade tributária e a política comercial permite a manutenção de preços competitivos mesmo em cenários de baixa lucratividade. Recomenda-se que a empresa invista em simulações periódicas de regimes tributários e no fortalecimento dos controles de contas a receber para mitigar riscos e potencializar os benefícios da elisão fiscal lícita.

Referências Bibliográficas:

Andrade Filho, E.O. 2005. Imposto de renda das empresas. 2ed. Atlas, São Paulo, SP, Brasil.

Andrade Filho, E.O. 2005. Imposto de renda das empresas. 2ed. Atlas, São Paulo, SP, Brasil.

Brasil. 1966. Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, Estados e Municípios. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 25 out. 1966. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L5172.htm. Acesso em: 3 maio 2025.

Ferreira, A.H.S. 2005. Planejamento tributário: instrumento eficaz de gestão empresarial. Disponível em: http://revista.uepb.edu.br/index.php/qualitas/article/viewFile/52/43. Acesso em: 10 jun. 2025.

Freitas, A.L.; Freitas, N.L.; Santana, E.L. 2024. O ICMS/ST e sua influência na formação do preço: um estudo de caso em um comércio varejista de Boca do Acre. Revista Acadêmica Online 10(51): 1-22.

Morais, D.O.; Bocardi, C.C. 2020. Gestão tributária: uma análise bibliométrica da produção científica brasileira. Revista de Ciências Contábeis RCiC-UFMT 33-52. Disponível em: https://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/rcic/article/view/10653. Acesso em: 31 mar. 2025.

Oliveira, J.P.R. 2021. Gestão tributária e benefícios fiscais aplicados a empresas da construção civil. Monografia em Ciências Contábeis. Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Instituto de Ciências Econômicas e Gerenciais, Belo Horizonte, MG, Brasil.

Orlickas, E. 2010. Modelos de gestão: das teorias da administração à gestão estratégica. IBPEX, São Paulo, SP, Brasil.

Paulsen, L. 2025. Curso de Direito Tributário Completo. 16ed. Saraiva Educação, São Paulo, SP, Brasil.

Vale, E.L. 2018. Créditos Tributários de IRPJ e CSLL: como identificar o tipo de crédito e quais procedimentos realizar antes e após compensação no programa PERDCOMP. Disponível em: https://pantheon.ufrj.br/bitstream/11422/5600/1/ELVale.pdf. Acesso em: 20 ago. 2025.

Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão Tributária do MBA USP/Esalq

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