Resumo Executivo

11 de maio de 2026

Gestão da comunicação em PMO: desafios e melhores práticas

Mayanna Fernanda Aires Duarte; Karina Tonelli Silveira Dias

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

A comunicação no gerenciamento de projetos é amplamente reconhecida como um dos pilares essenciais para o sucesso de qualquer empreendimento, especialmente em ambientes de alta complexidade. Em estruturas organizacionais modernas, como os Escritórios de Projetos, ou Projects Management Offices, a eficácia na troca de informações desempenha um papel crucial no alinhamento das expectativas e na coordenação das atividades cotidianas. A falha na comunicação figura como um dos fatores mais citados para o fracasso de projetos, apresentando impacto direto no desempenho das equipes e na entrega de resultados satisfatórios (PMI, 2021). No contexto dos escritórios de projetos, que assumem a responsabilidade estratégica de coordenar e executar múltiplos projetos simultaneamente, a estruturação dos fluxos informacionais torna-se indispensável para garantir a integração entre as partes interessadas e a disseminação precisa de diretrizes. Estudos indicam que tais escritórios possuem impacto significativo na padronização de processos e na transparência organizacional, assegurando que os objetivos estratégicos sejam compreendidos de maneira uniforme por todos os colaboradores (Azevedo, Homrich & Carvalho, 2022).

Uma gestão eficaz da comunicação dentro de um ambiente de múltiplos projetos contribui para a redução drástica de ruídos e falhas na troca de dados, o que evita o retrabalho e fortalece o alinhamento entre os stakeholders (Oliveira & Rabechini Jr., 2020). A comunicação em projetos deve ser tratada como um elemento vital para manter a integração entre as equipes, permitindo que os objetivos sejam assimilados de forma clara e transparente (Carvalho & Rabechini, 2017). Não se trata apenas de uma troca mecânica de mensagens, mas de uma ferramenta de gestão que exige planejamento e estruturação rigorosa. A utilização de instrumentos bem definidos, como reuniões periódicas, relatórios de status e plataformas de colaboração digital, constitui uma prática recomendada para assegurar a visibilidade dos processos. Escritórios de projetos eficazes são aqueles que conseguem adaptar ferramentas, metodologias e práticas às necessidades específicas de diferentes iniciativas, promovendo flexibilidade e alinhamento estratégico constante (PMI, 2022).

A importância de uma comunicação estruturada ultrapassa o simples compartilhamento de dados técnicos; ela está intrinsecamente ligada à criação de um ambiente de confiança e colaboração mútua. A capacidade de compartilhar informações de forma precisa, tanto internamente quanto com partes interessadas externas, determina a eficiência e o êxito final do projeto (Patanakul & Shenhar, 2020). Em contrapartida, a ausência de clareza e a inexistência de fluxos organizados resultam em atrasos cronológicos e elevação desnecessária de custos operacionais. A carência de uma estrutura comunicacional robusta compromete a capacidade de uma equipe atingir metas e entregar valor de maneira eficiente (Fusch et al., 2022). Escritórios de projetos de alto desempenho adotam frameworks de comunicação alinhados à cultura organizacional, utilizando canais claros e dashboards interativos que facilitam a tomada de decisão baseada em evidências quantitativas (Kerzner, 2022).

A evolução das metodologias de gestão também influencia a forma como a comunicação é desenhada. A combinação de métodos tradicionais com abordagens ágeis, como Scrum e Kanban, oferece um modelo híbrido que equilibra o controle necessário e a flexibilidade exigida pelo mercado atual (Carvalho & Silva, 2024). Essa integração potencializa a capacidade de adaptação às mudanças e elimina desperdícios processuais. O uso de tecnologias de automação torna-se, portanto, essencial para garantir que os fluxos de informação sejam otimizados e acessíveis em tempo real. Diante da crescente demanda por performance, a análise da influência da comunicação no sucesso dos projetos revela-se fundamental para identificar desafios e propor melhorias que sustentem a eficiência operacional em cenários competitivos.

O procedimento metodológico adotado para a investigação possui caráter aplicado, visando fornecer soluções práticas para o aprimoramento da gestão comunicacional em um ambiente específico. A abordagem é predominantemente qualitativa, dada a natureza exploratória do tema e a necessidade de compreensão profunda dos fenômenos interacionais, sendo complementada por análise quantitativa para suporte na interpretação dos dados. O método escolhido foi o estudo de caso, que permite uma análise detalhada de um fenômeno dentro de seu contexto real e particular (Yin, 2001). O estudo foi conduzido em um escritório de projetos localizado em São Luís, no Maranhão, que conta com um quadro de aproximadamente 25 funcionários. A escolha deste método permitiu investigar minuciosamente os desafios e as melhores práticas relacionadas à gestão da comunicação no cotidiano do gerenciamento de projetos da instituição.

A amostra da pesquisa foi constituída pelos membros do referido escritório, englobando gestores, integrantes das equipes técnicas e outras partes interessadas envolvidas nas operações. Os times analisados são fixos para todos os projetos do hub organizacional, totalizando 18 membros participantes, o que representa 72% do universo total do escritório. O portfólio do local é diversificado, abrangendo projetos de criação de novas empresas, expansão corporativa, tecnologia, desenvolvimento de produtos e eventos. O processo de coleta de dados seguiu um roteiro estruturado, iniciado pelo planejamento e elaboração de um questionário fundamentado em estudos validados na literatura acadêmica. A aplicação ocorreu em duas fases distintas: um pré-teste com um grupo reduzido para ajustes finos e a aplicação definitiva aos demais colaboradores, garantindo o anonimato e a confidencialidade das respostas.

O instrumento de coleta foi dividido em seções específicas para capturar diferentes dimensões do problema. A primeira seção focou em informações gerais e no perfil da amostra, fundamentada em Creswell (2014). A segunda parte consistiu na avaliação geral do escritório, com seis questões fechadas baseadas em Kerzner (2022) e no PMI (2021). A terceira seção abordou os desafios da comunicação por meio de quatro questões fechadas e uma aberta, utilizando conceitos de Kunsch (2016) e Argenti (2014). Por fim, a quarta seção buscou identificar melhores práticas e recomendações, com questões fundamentadas em Prado (2020) e Costa (2014). Os dados quantitativos foram processados por meio de técnicas de análise descritiva, incluindo distribuição de frequências e análise de médias, enquanto as respostas qualitativas foram submetidas à análise de conteúdo para categorização dos principais gargalos e sugestões.

Para complementar o diagnóstico, foi realizada uma análise SWOT, cruzando os dados coletados com a revisão da literatura especializada. Esse procedimento permitiu confrontar a realidade prática do estudo de caso com as teorias consagradas na área de gestão de projetos. O objetivo central dessa estruturação metodológica foi subsidiar a elaboração de recomendações aplicáveis que pudessem aprimorar os processos de comunicação no escritório estudado. A análise detalhada de cada etapa operacional, desde a coleta até o tratamento estatístico, assegurou o rigor científico necessário para a proposição de um plano de ação robusto e fundamentado em evidências reais do ambiente de trabalho.

Os resultados obtidos revelam que os participantes ocupam cargos variados, sendo que 78% compõem a equipe técnica, enquanto os demais se distribuem entre gestores financeiros, gerentes de projeto, patrocinadores e a alta direção. Metade dos respondentes possui experiência superior a dois anos no escritório, com 28% apresentando mais de três anos de atuação, o que indica um nível significativo de familiaridade com os processos internos. Além disso, 78% dos colaboradores já participaram de pelo menos cinco projetos, evidenciando uma base sólida de experiência prática no ambiente de gestão de projetos. No que tange à avaliação geral, 83% consideram a gestão da comunicação satisfatória. Entretanto, ao somar aqueles que veem oportunidades de melhoria ou que não estão satisfeitos, identifica-se um percentual de 12% que justifica a necessidade de intervenções no processo.

Quanto à qualidade dos processos, 61% dos participantes classificam a comunicação como eficaz para o contexto atual, mas cerca de 6% apontaram ineficácia, sugerindo que a transmissão de informações ainda carece de maior clareza e agilidade. A pontualidade no recebimento de dados é outro ponto crítico: apenas 39% sinalizaram que sempre recebem informações no momento adequado, enquanto outros 39% recebem frequentemente, 17% ocasionalmente e 5% raramente. Esses números reforçam a oportunidade de padronização para evitar atrasos na tomada de decisão. As ferramentas tecnológicas mais utilizadas incluem softwares de gerenciamento, chats de equipe, documentos compartilhados e reuniões presenciais ou virtuais. Embora as ferramentas sejam consideradas adequadas pela maioria, o Bitrix foi identificado por 56% dos respondentes como uma plataforma com alto potencial de otimização, seguido por ferramentas de Business Intelligence e dashboards com 17%.

A frequência de problemas originados por falhas comunicacionais é notável, visto que 67% dos colaboradores afirmaram enfrentar dificuldades “às vezes”, e todos os respondentes admitiram já ter passado por algum transtorno devido à má gestão da informação. Entre os desafios mais latentes, destacam-se a falta de feedback em tempo hábil, citada por 33% da amostra, e a sobrecarga informacional, mencionada por 22%. O desalinhamento entre expectativas e informações compartilhadas atinge 16% dos envolvidos, enquanto a falta de clareza nas responsabilidades e o uso ineficaz de ferramentas impactam 6% cada. No que diz respeito à interação entre as partes interessadas, 55% relataram dificuldades em acompanhar a dinâmica dos projetos devido à fragmentação das informações, e 28% apontaram a baixa responsividade de outros membros como um obstáculo recorrente.

Os impactos negativos dessas falhas são severos: 85% dos participantes já enfrentaram desafios que comprometeram o andamento das atividades. O desalinhamento entre times gerou retrabalho e atrasos no cronograma para 56% dos respondentes. A falta de retorno rápido impactou tarefas sucessoras para 17%, enquanto alterações de escopo não comunicadas e falta de clareza sobre as necessidades do cliente causaram atrasos para 6% em cada categoria. Sobre o processo de lições aprendidas, 53% afirmam que ele é aplicado regularmente, mas 35% indicam que a aplicação é inconstante, e 12% desconhecem a existência do processo, embora o considerem relevante. As práticas de maior impacto positivo identificadas foram as reuniões de alinhamento com agendas claras, valorizadas por 44% da amostra, e o uso de dashboards e relatórios de status, ambos com 17% de aprovação.

A análise SWOT consolidou as forças internas, como os rituais de reunião e a consciência das equipes sobre a importância do tema, mas expôs fraquezas críticas, como a ausência de padronização nos fluxos e o retrabalho frequente. As oportunidades residem na implementação de uma matriz de responsabilidades e no uso de inteligência artificial para automação de relatórios. As ameaças externas incluem mudanças repentinas de escopo e a baixa adesão da alta gestão a novas práticas. A deficiência na clareza de responsabilidades reforça a necessidade de documentos de escopo mais objetivos, conforme preconizado pelo PMI (2021). A maturidade dos participantes ao sugerirem dashboards em tempo real alinha-se às tendências de comunicação visual que reduzem ruídos e aumentam a transparência (Azevedo, Homrich & Carvalho, 2022).

Para mitigar esses problemas, propõe-se um plano de ação estruturado no modelo 5W2H. A primeira ação foca no mapeamento e modelagem do fluxo de comunicação para mitigar ruídos e retrabalhos, utilizando a criação de uma matriz de responsabilidades e manuais com templates padronizados em um prazo de seis meses. A segunda medida visa definir canais oficiais, integrando ferramentas como Slack ao Bitrix para garantir a conformidade da informação. A terceira frente propõe a implementação de dashboards automatizados e integração de inteligência artificial para melhorar o monitoramento e apoiar a tomada de decisão baseada em dados, com execução prevista entre seis e 12 meses. Além disso, é fundamental instituir uma governança que minimize atrasos por mudanças de escopo não comunicadas, estabelecendo reuniões estratégicas mensais com a diretoria.

A capacitação contínua surge como uma necessidade urgente, dado que muitos gargalos advêm do domínio insuficiente das ferramentas disponíveis. Um programa de treinamento periódico focado em habilidades de comunicação e no uso avançado do software de gestão deve ser implementado em até 12 meses. Complementarmente, a criação de rotinas fixas de feedback, inspiradas em modelos ágeis de retrospectiva, permitirá identificar falhas de forma ágil antes que se tornem problemas sistêmicos. A elaboração de um repositório centralizado de governança, contendo atas, briefings e fichas de solicitação padronizadas, garantirá a consistência entre os diversos projetos do portfólio. Essas ações, quando integradas, fortalecem o papel do escritório de projetos como um disseminador de informações estratégico e confiável (Aubry et al., 2021).

Conclui-se que o objetivo foi atingido, uma vez que foi possível mapear os principais gargalos comunicacionais e propor ações estratégicas fundamentadas nas diretrizes internacionais de gestão de projetos. Os resultados evidenciaram que o desalinhamento de informações, a inexistência de processos claros e a subutilização de ferramentas tecnológicas são os principais entraves para a eficiência operacional no escritório analisado. A proposta do plano de ação 5W2H oferece um roteiro prático para a padronização dos fluxos e para o fortalecimento do alinhamento estratégico entre as equipes e a alta gestão. O estudo contribui academicamente ao reforçar a comunicação como fator crítico de sucesso e oferece subsídios práticos para que a instituição minimize retrabalhos e atrasos. Apesar da limitação do tamanho da amostra, as evidências coletadas permitem uma intervenção direcionada e abrem caminho para pesquisas futuras sobre o impacto da inteligência artificial na automação da governança de projetos.

Referências Bibliográficas:

Argenti, P. A. Comunicação empresarial: a construção da identidade, imagem e reputação. São Paulo: Atlas, 2014.

Aubry, M; Müller, R; & Glückler, J. 2021. Exploring project management research: Past contributions and future opportunities. International Journal of Project Management 39(5): 429-444.

Azevedo, C. G.; Homrich, A. S., & Carvalho, M. M. 2020. A gestão da comunicação em projetos de TI. Revista de Gestão e Projetos 11(3): 107-122.

Carvalho, I.; Silva C. 2024. Integração de Metodologias ágeis na gestão de projetos de Engenharia de Produção. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação 10 (1): 3083-3091.

Carvalho, M. M.; RABECHINI, R. J. 2017. Gestão de projetos: uma abordagem prática. 2. ed. São Paulo: Atlas.

Costa, D. Não existe gestão sem comunicação. São Paulo: Dublinense, 2014

Creswell, J. W. (2014). Investigação qualitativa e projeto de pesquisa: escolhendo entre five abordagens. Porto Alegre, RS: Penso.

Fusch, P.I.; Fusch, G.E.; Ness, L.R. 2022. Denzin’s Paradigms and the Squirrelly Wheel: An Interview with Norman K. Denzin. The Qualitative Report 27(1): 64-74.

Kerzner, H. 2022. Project Management Metrics, KPIs, and Dashboards: A Guide to Measuring and Monitoring Project Performance (4th ed.). Wiley.

Kunsch, M. M. K. Comunicação organizacional estratégica: aportes conceituais e aplicados. São Paulo: Summus Editorial, 2016.

Oliveira, G.; Rabechini R. 2020. Stakeholder management influence on trust in a project: A quantitative study. International Journal of Project Management, 37(1), 131-144. Disponível em:<https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0263786318301091?via%3Dihub >. Acesso em: 15.01.2025

Patanakul, P.; Shenhar, A.J. 2020. What Project Strategy Really Is: The Fundamental Building Block in Strategic Project Management. Project Management Journal 51(1): 3-24.

Prado, D.2020. Gerenciamento de projetos: melhores práticas. 13. ed. Belo Horizonte: Falconi.

Project Management Institute [PMI]. 2021. A guide to the project management body of knowledge (PMBOK guide). 7ed. Project Management Institute, Newtown Square, PA, EUA.

Project Management Institute [PMI]. 2022. Maturidade do Escritório de Gerenciamento de Projetos. Disponível em: < https://www.pmi.org/learning/library/pt-maturidade-do-escritorio-de-gerenciamento-de-projetos-13631>. Acesso em: 15.01.2025

Yin, Robert K. 2001. Estudo de caso Planejamento e Métodos. trad. Daniel Grassi-2. ed.-Porto Alegre: Bookman.

Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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