Resumo Executivo

11 de maio de 2026

Gestão do Cronograma e Eficiência na Indústria de Saneamento

Mateus Henrique Loiola de Almeida; Jéssica Alves Justo Mendes

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

O gerenciamento do cronograma representa um dos pilares fundamentais da gestão de projetos, englobando um conjunto de práticas voltadas à definição, ordenação, estimativa de duração, elaboração e controle das atividades que compõem um empreendimento (PMI, 2017). Tais ações visam garantir que as entregas ocorram rigorosamente dentro dos prazos previstos, permitindo estruturar de maneira clara o fluxo de trabalho e contribuindo para o monitoramento do progresso e a identificação antecipada de possíveis atrasos e gargalos operacionais. Na contemporaneidade, a gestão do tempo não é mais vista como uma área de conhecimento isolada, mas sim abordada de forma integrada nos domínios de desempenho, especialmente no domínio de planejamento, o que destaca a importância de adaptar as práticas, artefatos e cronogramas ao contexto organizacional e às necessidades específicas de cada projeto para a entrega consistente de valor (PMI, 2021). O cronograma configura-se como uma das ferramentas mais críticas no gerenciamento de projetos, pois a ausência de uma gestão eficiente compromete a integração entre setores, recursos e prazos, resultando em retrabalho, aumento de custos e insatisfação das partes interessadas (Kerzner, 2011). Em ambientes industriais, a elaboração e a gestão sistemática do cronograma são fundamentais para garantir a previsibilidade e a eficiência na entrega, especialmente em empresas que atuam como fabricantes de soluções técnicas complexas.

O setor de saneamento básico no Brasil apresenta um quadro histórico de ineficiência operacional, baixa produtividade e consumo energético elevado, o que demanda modernização tecnológica e a adoção de práticas de gestão mais eficientes para garantir a sustentabilidade dos serviços (Secretaria Nacional de Saneamento, 2021). Conforme a Lei 11.445/2007, a responsabilidade pelo bombeamento de esgoto e sua destinação para estações de tratamento é uma tarefa necessária dos órgãos de saneamento, contudo, em elevatórias convencionais, essa atividade torna-se indesejada devido à emissão de odores provocados pelo acúmulo de efluentes e à corrosão acelerada de peças e estruturas (Brandt, Souza e Chernicharo, 2016). Além dos impactos ambientais, as estações elevatórias de esgoto tradicionais apresentam riscos ocupacionais significativos, como a presença de animais peçonhentos e a exposição direta dos operadores a agentes patogênicos (Legner, 2019). Como alternativa a esse cenário, surgem as soluções de bombeamento em linha, que minimizam impactos ambientais e sociais ao eliminar o poço úmido e realizar o afastamento do efluente diretamente na tubulação, reduzindo odores e simplificando a manutenção. Para uma empresa fabricante desse tipo de tecnologia, a gestão do tempo no processo produtivo torna-se um requisito estratégico, visto que o cumprimento de prazos é essencial para garantir a continuidade dos serviços públicos e o atendimento às metas regulatórias dos órgãos contratantes.

A investigação dos processos e desafios relacionados à gestão do tempo no fluxo produtivo de uma fabricante de equipamentos de bombeamento em linha fundamenta-se em uma abordagem qualitativa e descritiva, voltada à compreensão profunda das rotinas operacionais (Gil, 2019). O delineamento metodológico adotado configura-se como um estudo de caso com características de pesquisa-ação, uma vez que o estudo foi conduzido dentro do ambiente fabril com a participação ativa dos representantes de cada etapa da fabricação para a implementação de melhorias. O processo de coleta de dados estruturou-se inicialmente por meio de uma análise documental exaustiva, abrangendo ordens de serviço, fichas de dados técnicas, cronogramas de produção pré-existentes e relatórios de acompanhamento disponibilizados pelos departamentos técnico, de engenharia e de Planejamento e Controle da Produção (PCP). Essa etapa permitiu compreender os fluxos formais e os registros históricos que compunham o processo antes das intervenções propostas.

Posteriormente, realizaram-se entrevistas semiestruturadas com os líderes e representantes de todos os setores envolvidos na cadeia produtiva, incluindo as áreas comercial, técnica, engenharias elétrica, mecânica e hidráulica, além de PCP, almoxarifado, compras, qualidade e expedição. As entrevistas, com duração média entre 30 e 60 minutos, foram norteadas por um roteiro que contemplava questões sobre o fluxo de informações, pontos de espera, ocorrências de retrabalho, dificuldades operacionais e gargalos percebidos. Complementarmente, utilizou-se a observação direta do ambiente de produção e da interação entre os setores para confrontar os relatos obtidos com a prática operacional real. Essa triangulação de dados permitiu a construção de uma base de informações consolidada, servindo de suporte para o mapeamento detalhado do fluxo de trabalho e a identificação precisa das ineficiências que impactavam o cronograma de fabricação.

O mapeamento do fluxo de trabalho foi realizado de forma colaborativa, resultando em uma representação gráfica que detalha todas as etapas, desde a formalização da venda até a expedição final do equipamento. O fluxo inicia-se com o repasse de informações do equipamento vendido pelo setor comercial, seguido pela criação da ordem de serviço e da ficha de dados pelo departamento técnico. Na sequência, ocorrem o planejamento e controle periódico, a comunicação com o cliente para obtenção de dados iniciais e a confirmação de parâmetros mecânicos e hidráulicos. Após a atualização dos documentos técnicos, iniciam-se os projetos elétrico e mecânico, que são enviados para aprovação do cliente. Somente após a liberação formal, procede-se à preparação das listas de itens, verificação de estoque e compra de componentes. O processo segue para o recebimento de materiais, fabricação integral, testes em bancada, balanceamento de rotores, confirmação de curvas hidráulicas, descarregamento de software, embalagem e, por fim, a emissão da nota fiscal e entrega. Este mapeamento permitiu a aplicação da metodologia do Caminho Crítico (Critical Path Method – CPM) para identificar as atividades que impactam diretamente o prazo final de entrega e estabelecer marcos de verificação em pontos-chave do processo.

A análise detalhada dos dados coletados revelou gargalos significativos em diversos setores da organização. No departamento técnico e de planejamento, identificou-se a ausência de prazos definidos para as fases intermediárias e a falta de um sistema estruturado de controle, o que dificultava o monitoramento do andamento das atividades e a identificação antecipada de atrasos. No almoxarifado, a carência de um controle confiável de estoque e a ausência de um sistema formal de gerenciamento de materiais resultavam em separações ineficientes de itens e indisponibilidade frequente de peças previamente consideradas em estoque, gerando compras emergenciais e interrupções no fluxo produtivo. A comunicação entre os departamentos também se mostrou fragilizada, com registros dispersos em correios eletrônicos e sem acompanhamento formal, aumentando o risco de perda de informações críticas e gerando gargalos invisíveis. No setor de qualidade e testes, a inexistência de indicadores consolidados sobre falhas recorrentes impedia a análise de causas e a construção de ações preventivas. Além disso, observou-se uma dependência excessiva de profissionais específicos em etapas críticas, como na engenharia hidráulica, onde a ausência ou sobrecarga desses colaboradores comprometia o fluxo geral de produção.

Para mitigar esses problemas, propôs-se a adoção da metodologia do Caminho Crítico para estruturar o cronograma de produção, permitindo a identificação de 26 atividades principais com uma duração total estimada de 75 dias. As atividades pertencentes ao caminho crítico, que não apresentam folga, foram monitoradas com maior rigor para assegurar a pontualidade. No almoxarifado, sugeriu-se a implantação de um sistema visual de controle de estoque baseado no conceito de Kanban, adaptado à capacidade técnica atual do setor, estabelecendo limites mínimos e cartões visuais de reposição para componentes críticos. Para aprimorar a comunicação, criou-se um fluxo padronizado com registros centralizados das interações e definição clara de responsáveis por cada etapa, utilizando ferramentas simples como planilhas compartilhadas e quadros visuais. No setor de qualidade, elaborou-se uma ficha padronizada para registro de falhas e retrabalhos identificados na etapa de testes, visando a geração de dados periódicos para embasar ações preventivas. Por fim, para a gestão de recursos críticos, foram iniciadas ações de treinamento cruzado e a elaboração de manuais de procedimentos simplificados para reduzir os riscos de paralisação por ausência de profissionais-chave.

Os resultados obtidos com a aplicação das melhorias demonstraram avanços significativos na eficiência operacional da fabricante. A adoção do método do Caminho Crítico permitiu detectar atrasos potenciais com antecedência, possibilitando o replanejamento de etapas e a mitigação de riscos antes que comprometessem o prazo final. A ferramenta contribuiu para uma maior previsibilidade e para a padronização das rotinas de acompanhamento, favorecendo a consolidação de uma cultura de planejamento dentro da empresa. No almoxarifado, a implantação parcial do sistema Kanban trouxe ganhos visíveis na organização e na separação de materiais; em uma das ordens de produção analisadas, observou-se uma redução de dois dias no tempo de espera por itens críticos, efeito direto da reposição mais ágil proporcionada pelos cartões de sinalização. Além da diminuição de atrasos, notou-se maior previsibilidade na disponibilidade de insumos e uma redução nas compras emergenciais, que anteriormente geravam custos adicionais não previstos no orçamento do projeto.

A padronização do fluxo de comunicação foi validada e passou a ser utilizada em todos os pedidos em andamento, resultando em maior clareza na definição de responsabilidades e na diminuição de perdas de informações relevantes. Relatos dos colaboradores indicaram que a rastreabilidade da informação melhorou substancialmente, permitindo identificar o histórico de cada pedido e reduzir ambiguidades entre os setores. No âmbito da qualidade, a ficha de registro de falhas, embora em fase inicial de utilização, já possibilitou o levantamento sistemático de dados sobre retrabalhos recorrentes em componentes elétricos, fornecendo informações valiosas para ações preventivas direcionadas. A prática contribuiu para reduzir a subjetividade na análise dos problemas e para criar uma base de dados confiável que apoia a tomada de decisão gerencial. Quanto à gestão de recursos críticos, o treinamento cruzado capacitou dois colaboradores de outras áreas para executar rotinas básicas da engenharia hidráulica, ampliando a resiliência do processo produtivo diante de eventuais ausências ou sobrecargas de trabalho.

A discussão dos resultados evidencia que a introdução de práticas de planejamento mais estruturadas e rotinas de acompanhamento sistemático, que antes não estavam consolidadas, representou um avanço importante para a maturidade da gestão de projetos na organização. A resistência inicial de alguns colaboradores à adoção de novas práticas foi superada por meio de reuniões colaborativas e treinamentos, destacando a necessidade de engajamento contínuo para a plena consolidação das melhorias. A aplicação de ferramentas clássicas de gerenciamento de projetos, como o CPM e o Kanban, mostrou-se eficaz mesmo em um ambiente com baixa maturidade digital, desde que adaptadas à realidade operacional e aos limites estruturais da empresa. A identificação de que o caminho crítico do processo produtivo totaliza 75 dias sem folgas permitiu à gerência focar seus esforços de controle nas atividades de maior impacto, otimizando a alocação de recursos humanos e materiais.

A análise das ineficiências também apontou para a necessidade de futuras investigações e melhorias em áreas que não foram o foco central deste estudo, como a ausência de indicadores sistemáticos de desempenho nos setores de PCP e Engenharias, e a falta de uma política formal de priorização de produção para casos de conflito entre pedidos comuns e estratégicos. A carência de treinamento gerencial em áreas como automação de processos e controle de estoque também foi identificada como um ponto de atenção para o desenvolvimento organizacional a longo prazo. No entanto, as intervenções realizadas no âmbito da gestão do tempo e do cronograma já demonstraram potencial para otimizar o fluxo produtivo, melhorar a previsibilidade dos prazos e aumentar a eficiência operacional da empresa no competitivo setor de saneamento. A entrega pontual de equipamentos de bombeamento em linha não apenas fortalece a credibilidade da fabricante perante os órgãos públicos, mas também garante que as metas de melhoria do saneamento básico e redução de impactos ambientais sejam atingidas de forma mais célere e eficaz.

Conclui-se que o objetivo foi atingido, uma vez que a análise do processo produtivo permitiu a identificação de gargalos críticos e a proposição de melhorias fundamentadas em metodologias consolidadas de gestão de projetos. A aplicação do Método do Caminho Crítico, a implementação do sistema Kanban no almoxarifado e a padronização dos fluxos de comunicação e registros de falhas resultaram em maior previsibilidade, redução de atrasos e aumento da fluidez operacional. O diagnóstico realizado evidenciou que a ausência de padronização e o controle informal eram os principais entraves à eficiência, e as soluções propostas demonstraram viabilidade técnica e aderência à realidade da empresa. Os resultados reforçam a importância da gestão do tempo como elemento estratégico para a produtividade industrial no setor de saneamento, proporcionando uma base sólida para o crescimento sustentável da organização e para a melhoria contínua de seus processos de fabricação.

Referências Bibliográficas:

Brandt, E.M.F.; Souza, C.L.; Chernicharo, C.A.L. 2014. Alternativas para o controle de odores e corrosão em sistemas de esgoto sanitário. Engenharia Sanitária e Ambiental 19(3): 313-324

Brasil. 2007. Lei nº 11.445, de 5 de janeiro de 2007. Estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico. Diário Oficial da União, Brasília, Distrito Federal, Brasil. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11445.htm. Acesso em: 16 mar. 2025.

Gil, A.C. 2019. Métodos e técnicas de pesquisa social. 7. ed. Atlas, Rio de Janeiro, Brasil. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597020991/. Acesso em: 28 mai. 2025.

Kerzner, H. 2011. Gerenciamento de projetos. Blucher, São Paulo, Brasil. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788521208426/. Acesso em: 20 mai. 2025.

Legner, C. 2019. Controle de odor nas elevatórias. Revista TAE, São Paulo, (49): 58-61. Disponível em: https://www.revistatae.com.br/Artigo/155/controle-de-odor-nas-elevatorias. Acesso em: 16 mar. 2025.

Ministério do Desenvolvimento Regional [MDR]. 2021. Diagnóstico temático – Serviços de água e esgoto: visão geral. Disponível em: <https://www.gov.br/cidades/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/saneamento/snis/produtos-do-snis/diagnosticos/DIAGNOSTICO_TEMATICO_VISAO_GERAL_AE_SNIS_2021.pdf>. Acesso em: 21 maio 2025.

Project Management Institute [PMI]. 2017. Guia PMBOK® – Um guia do conhecimento em gerenciamento de projetos. 6. ed. Project Management Institute, Newtown Square, PA, EUA.

Project Management Institute [PMI]. 2021. Guia PMBOK® – Um guia do conhecimento em gerenciamento de projetos. 7. ed. Project Management Institute, Newtown Square, PA, EUA.

Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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