Resumo Executivo

21 de maio de 2026

Gestão de cronograma na implantação de sistemas geográficos no saneamento

Diovana de Moura Rahmani; Gisele Rodrigues Atayde Margarido

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Os Sistemas de Informações Geográficas constituem-se de ferramentas tecnológicas essenciais para a coleta, armazenamento, análise e visualização de dados espaciais, permitindo a compreensão e a modelagem de fenômenos geográficos com base em múltiplas fontes, como imagens de satélite, levantamentos topográficos e bases de dados georreferenciadas. Sua aplicação abrange setores estratégicos como o planejamento urbano, a gestão ambiental, a agricultura de precisão, a infraestrutura e a prevenção de desastres naturais (Silva et al., 2021). No cenário brasileiro, observa-se um crescimento consistente no uso dessas tecnologias, impulsionado pela transformação digital e pela necessidade premente de modernização na gestão pública e privada. Tais recursos têm sido cada vez mais empregados por organizações governamentais, empresariais e acadêmicas para promover uma melhor gestão territorial e subsidiar a tomada de decisão baseada em informações espaciais precisas (Oliveira et al., 2021). No entanto, a implementação plena enfrenta desafios significativos, incluindo custos elevados, carência de profissionais qualificados e problemas de interoperabilidade entre diferentes plataformas, obstáculos que persistem no mercado nacional. Portanto, o panorama do mercado de geotecnologia no Brasil demanda análises profundas quanto às suas aplicações, benefícios e impedimentos, visando a abertura de novos canais para o aprimoramento tecnológico. No contexto específico do saneamento básico, os estudos de concepção exigem a integração de grandes volumes de dados espaciais, ambientais e técnicos. A ausência de informações padronizadas, a necessidade de atualizações constantes e a dispersão dos dados dificultam esse processo, tornando os sistemas geográficos estratégicos ao promover agilidade e precisão na coleta de informações, reduzindo a dependência de levantamentos de campo e otimizando recursos técnicos. Contudo, a aplicação eficaz está diretamente relacionada à capacidade de planejamento e gestão dos projetos. Iniciativas dessa natureza enfrentam incertezas e riscos associados à complexidade das variáveis envolvidas, o que torna a adoção de práticas de gerenciamento de projetos, com foco rigoroso na gestão do cronograma, fundamental para garantir a organização das etapas e o controle dos prazos. Referenciais consolidados como o Guia PMBOK oferecem diretrizes para estruturar cronogramas eficazes, enquanto ferramentas como o ciclo Plan-Do-Check-Act, a técnica Program Evaluation and Review Technique e os gráficos de Gantt auxiliam no acompanhamento e replanejamento das atividades (Kerzner, 2017). O objetivo central reside em analisar como a gestão do cronograma impacta a implementação de sistemas de informações geográficas, contribuindo para a eficiência na execução e mitigação de riscos em projetos de saneamento.

A investigação caracteriza-se como um estudo de caso com abordagem mista, combinando técnicas qualitativas e quantitativas para uma compreensão holística do fenômeno. O estudo de caso é uma estratégia que investiga um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto real, sendo apropriado quando os limites entre o fenômeno e o contexto não estão claramente definidos (Creswell, 2021). Essa tipologia permitiu uma análise aprofundada de realidades complexas, adequando-se ao objetivo de analisar a gestão de cronogramas na implantação de sistemas geográficos em uma empresa do setor de saneamento (Gerhardt e Silveira, 2021). A natureza exploratória-descritiva visou identificar práticas, desafios e resultados relacionados à gestão temporal, uma vez que pesquisas descritivas têm como propósito principal a descrição das características de determinada população (Prodanov e Freitas, 2020). A escolha da abordagem mista justificou-se pela integração da objetividade dos dados numéricos às interpretações qualitativas das percepções profissionais, fortalecendo a validade da análise e possibilitando compreensões complementares (Creswell e Creswell, 2023). A pesquisa foi realizada de março a julho de 2025 em uma empresa de saneamento que opera na região metropolitana de uma das maiores cidades da América Latina, atendendo centenas de municípios com projetos voltados para segurança hídrica, controle de perdas e universalização dos serviços. O instrumento de coleta foi um questionário estruturado com 15 itens, incluindo 12 fechados e três abertos, baseados em escalas de frequência, escala Likert de cinco pontos e respostas binárias. Antes da aplicação, o instrumento foi validado por dois especialistas em gerenciamento de projetos e geotecnologia para garantir clareza e relevância. As informações foram obtidas entre 15 de março e 15 de julho de 2025, totalizando quatro meses de coleta via formulários eletrônicos enviados por e-mail e aplicativos corporativos, garantindo o anonimato. O tratamento dos dados quantitativos ocorreu por meio de estatística descritiva com apoio do software Microsoft Excel 365. As respostas abertas foram submetidas a uma análise de conteúdo categorial, sendo classificadas por similaridade temática em eixos como planejamento estruturado, comunicação frequente, uso de ferramentas visuais e gestão de recursos (Bardin, 2011). A população-alvo compreendeu profissionais de tecnologia da informação, engenharia e planejamento, totalizando 21 respondentes selecionados por conveniência, incluindo gerentes, analistas e coordenadores. A execução técnica utilizou o software QGIS 3.34.5 para visualização de dados espaciais e o Microsoft Project para construção do cronograma, seguindo as práticas do PMBOK. O planejamento foi desenvolvido a partir de uma Estrutura Analítica do Projeto dividida em quatro fases: levantamento de dados, análise técnica, implantação do sistema e manutenção pós-implantação. O sequenciamento utilizou o Método do Diagrama de Precedência, conectando tarefas principalmente por relações de término-início. Para a estimativa de duração, aplicou-se a técnica de três pontos, considerando cenários otimistas, mais prováveis e pessimistas, reduzindo o risco de subestimação de prazos.

A análise do perfil dos participantes revelou uma predominância de profissionais com idade entre 31 e 45 anos, faixa que concentra indivíduos em fase de maturidade profissional e com experiência consolidada em projetos de tecnologia. A diversidade de áreas de atuação evidenciou a natureza multidisciplinar da gestão de cronogramas em projetos complexos, exigindo a integração de diferentes especialidades (Prado, 2020). A maioria dos respondentes possui entre cinco e 15 anos de experiência, sugerindo vivência prática em diferentes etapas de projetos, desde a concepção até a manutenção, o que favorece a resiliência a imprevistos (Moura e Silva, 2022). Em relação às ferramentas, o Microsoft Excel foi citado por aproximadamente 36.2% dos participantes como o principal recurso utilizado, evidenciando a preferência por soluções tradicionais e acessíveis, mesmo em contextos de alta complexidade técnica. O Microsoft Project, embora robusto e aderente às práticas do PMBOK, foi utilizado por 22.2% da amostra, sendo preferido por profissionais familiarizados com a gestão estruturada (Vargas, 2020). Ferramentas nativas de sistemas geográficos com módulos de planejamento representaram 17.8% das respostas, indicando um movimento em direção à integração entre dados geoespaciais e recursos de planejamento temporal, o que amplia a previsibilidade de atividades territoriais (Batista e Silva, 2021). Soluções de gestão ágil como Trello e Jira foram mencionadas por 13.3%, enfrentando limitações em projetos com alta dependência de dados espaciais e exigências de formalização (Oliveira e Rocha, 2019). No estudo de caso, a definição dos objetivos e responsabilidades foi essencial para o cumprimento dos prazos, utilizando a Estrutura Analítica do Projeto como base para o detalhamento das entregas. O gráfico de Gantt serviu como instrumento central para acompanhamento, evidenciando a sequência temporal e a interdependência das atividades. O cronograma foi estruturado em sprints semanais, permitindo ajustes rápidos e foco em resultados de curto prazo. O monitoramento contínuo aplicou o ciclo Plan-Do-Check-Act, realizando revisões semanais, auditorias de entregas e correções de desvios. Essa abordagem sistemática possibilitou tomadas de decisão rápidas e garantiu o alinhamento aos objetivos estratégicos, reforçando que cada iteração funciona como um ciclo de ajuste (SAFe, 2024). A percepção dos profissionais confirmou que o uso de sistemas geográficos contribui significativamente para a otimização de prazos em 65.2% dos casos, especialmente nas etapas iniciais de concepção. A integração de dados espaciais reduz inconsistências e amplia a previsibilidade (Moura e Silva, 2022). Nenhum respondente indicou que a tecnologia não contribui, o que ratifica sua aceitação como recurso estratégico catalisador de eficiência (Kerzner, 2022). Os benefícios identificados incluíram a redução do tempo de execução (18.9%), melhor visualização espacial (14.9%) e agilidade na tomada de decisão (14.9%), corroborando a tese de que tais sistemas ampliam a capacidade de integrar informações territoriais na gestão de projetos complexos. Quanto ao nível de maturidade, 42.9% classificaram como médio, indicando cronogramas estruturados mas com ajustes frequentes, enquanto 28.6% apontaram maturidade baixa, limitada ao atendimento de prazos principais. Apenas 23.8% relataram maturidade alta, com uso pleno de técnicas e métricas. Esses resultados revelam que muitos profissionais ainda utilizam o cronograma mais como registro do que como instrumento estratégico, o que aumenta a probabilidade de atrasos (Prado, 2021). O uso de ferramentas visuais como o gráfico de Gantt foi considerado facilitador por 71.4% dos respondentes. Os fatores cruciais para o sucesso incluíram a definição clara de escopo (28.8%) e o envolvimento da equipe (24.2%), demonstrando que a gestão de prazos depende da combinação entre planejamento técnico e engajamento humano (Moura e Silva, 2022). Uma análise crítica sobre o ciclo de melhoria contínua mostrou que 47.6% das falhas ocorrem na fase de planejamento, evidenciando dificuldades em antecipar riscos. Outros 23.8% identificaram falhas na fase de correção, refletindo obstáculos em reprogramar atividades em tempo hábil. A distribuição homogênea de outros fatores de eficácia, como o uso de indicadores e comunicação frequente, sugere que a gestão eficaz depende de um conjunto equilibrado de práticas integradas. As boas práticas sugeridas pelos participantes incluíram a elaboração de estudos de concepção detalhados, uso de diagramas de precedência para avaliação de caminhos críticos e análises críticas sistemáticas. A gestão de recursos e o acompanhamento físico-financeiro também foram destacados como essenciais para evitar desperdícios de tempo. A aplicação do método de estimativa de três pontos mostrou-se eficaz para mitigar incertezas, especialmente em fases de treinamento e integração de plataformas, onde a curva de aprendizado pode gerar atrasos. A inclusão da fase de manutenção no cronograma desde o início do projeto contribuiu para uma visão mais realista e sustentável, fator frequentemente negligenciado em projetos da área. A triangulação dos dados evidenciou que, embora existam avanços, a gestão de cronogramas na implantação de sistemas geográficos ainda carece de amadurecimento metodológico. A dependência de planilhas eletrônicas dificulta a integração entre prazos, custos e escopo, comprometendo a previsibilidade em ambientes dinâmicos (Kerzner, 2022). A percepção de maturidade intermediária reforça a necessidade de capacitação em ferramentas integradas que permitam a análise simultânea de cronogramas e dados espaciais. A adoção de metodologias ágeis adaptadas ao contexto geotecnológico surge como alternativa para mitigar incertezas e aumentar a flexibilidade. A promoção de soluções híbridas que conciliem o rigor do planejamento tradicional com a agilidade das iterações semanais apresenta-se como o caminho para aproximar a prática profissional da sofisticação tecnológica disponível.

Conclui-se que o objetivo foi atingido, uma vez que a análise demonstrou que a gestão de cronogramas em projetos de sistemas de informações geográficas ainda se encontra fortemente ancorada em ferramentas tradicionais e de fácil acesso, como planilhas eletrônicas, o que evidencia um baixo nível de integração direta com os sistemas geográficos. Apesar dos indícios de evolução e do reconhecimento majoritário de que a tecnologia geoespacial otimiza os prazos, a predominância de uma maturidade média e o foco reativo no controle de falhas indicam a necessidade premente de maior integração metodológica. O estudo identificou que a definição clara do escopo e o envolvimento da equipe são os pilares para o sucesso, mas que a ausência de uma cultura de análise de riscos e o uso parcial de técnicas avançadas limitam a eficiência dos processos. Torna-se imprescindível investir em capacitação técnica voltada para o uso de ferramentas integradas e na adoção de metodologias híbridas que conciliem dados espaciais e cronogramas em um mesmo ambiente de análise. A mudança cultural em direção a um planejamento mais robusto e a inclusão sistemática da etapa de manutenção são fundamentais para que as organizações alcancem a previsibilidade necessária e aproveitem plenamente o potencial de apoio à tomada de decisão oferecido pelas geotecnologias.

Referências Bibliográficas:

Bardin, L. 2021. Análise de conteúdo. 70ed. Lisboa, Portugal.

Batista, A.; Silva, J. 2021. Integração entre SIG e planejamento temporal em projetos complexos. Revista Brasileira de Geotecnologias 10(2): 45-62.

Creswell, J. W. 2021. Projeto de pesquisa: métodos qualitativo, quantitativo e misto. 5ed. Porto Alegre, RS, Brasil.

Creswell, J. W.; Creswell, J. D. 2023. Research Design: Qualitative, Quantitative, and Mixed Methods Approaches. 6ed. Sage Publication, Thousand Oaks, CA, EUA.

Gerhardt, T. E.; Silveira, D. T. 2021. Métodos de Pesquisa. 2.ed. Editora da UFRGS, Porto Alegre, RS, Brasil.

Kerzner, H. 2017. Gestão de projetos: as melhores práticas. 3ed. Bookman, Porto Alegre, RS, Brasil.

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Moura, D. M.; Silva, J. P. 2022. Resiliência de equipes em projetos de geotecnologias. Revista Gestão & Projetos 13(1): 77-91.

Oliveira, F.; Rocha, M. 2019. Dificuldades na adoção de metodologias ágeis em projetos de base tecnológica. Revista Produção Online 19(1): 145-168.

Oliveira, L. et al. 2021. Expansão do uso de SIG no Brasil. Revista Brasileira de Cartografia 73(3): 487-504.

Prado, D. S. 2020. Gerenciamento de projetos nas organizações. 8ed. INDG Tecnologia e Serviços, Belo Horizonte, MG, Brasil.

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Prodanov, C. C.; Freitas, E. C. 2020. Metodologia do trabalho científico: métodos e técnicas da pesquisa e do trabalho acadêmico. 3ed. Feevale, Novo Hamburgo, RS, Brasil.

Scaled Agile Framework [Safe]. 2024. Agile release trains and program increments Disponível em: https://scaledagileframework.com/. Acesso em: 25 ago. 2025.

Silva, C. R. et al. 2021. Aplicações de SIG em planejamento urbano e ambiental. Revista Engenharia Civil em Debate 15(2): 55-70.

Vargas, R. V. 2020. Manual prático do plano de projeto. 11.ed. Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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