Resumo Executivo

27 de abril de 2026

ERP no E-commerce: Da Gestão por Planilhas à Integração de Processos

Helder José Bahia Santana; Erich Ferreira Caputo

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

O comércio eletrônico consolidou-se como um pilar central do varejo global, impulsionado pela digitalização acelerada e pelo aumento constante do número de usuários conectados, que ultrapassou a marca de cinco bilhões em 2025 (Gelder, 2025). Projeções indicam que as vendas mundiais nesse setor atingirão a cifra de 4,3 trilhões de dólares no mesmo período, com a predominância de grandes marketplaces que redefinem as dinâmicas de consumo. A mobilidade também desempenha um papel crucial nessa transformação, visto que 80% do tráfego em plataformas de venda digital provém de dispositivos móveis, especialmente em mercados asiáticos, onde a conveniência e a eficiência operacional, potencializadas pela inteligência artificial e pela automação, transformam o varejo em uma estrutura altamente otimizada (Gelder, 2025). No cenário latino-americano, o Brasil destaca-se como o maior mercado, registrando receitas de 186 bilhões de reais em 2023, o que representa um crescimento de 9,5% em relação ao ano anterior (Statista, 2025). Eventos sazonais de grande escala, como a Black Friday, que movimentou 7,5 bilhões de reais em 2024, reforçam a preferência do consumidor brasileiro por oportunidades digitais e consolidam o e-commerce como um vetor econômico estratégico para o país (Statista, 2025).

Nesse ambiente de alta competitividade, a adoção de sistemas de Enterprise Resource Planning, conhecidos pela sigla ERP, torna-se uma decisão crítica para a sobrevivência e o crescimento das organizações. Um sistema ERP consiste em uma plataforma integrada que gerencia processos empresariais fundamentais, como estoque, vendas, finanças e logística, em tempo real, substituindo a fragmentação de dados por uma governança centralizada (Sarferaz, 2023). Para empresas de comércio eletrônico, essa tecnologia é vital, pois elimina riscos operacionais inerentes ao uso de planilhas isoladas, que frequentemente apresentam erros manuais e falta de rastreabilidade (Dawson, 2023). A integração proporcionada por esses sistemas garante segurança, auditoria e escalabilidade, elementos essenciais para empresas que buscam manter a competitividade no mercado digital (Sarferaz, 2023). Tecnologias que permitem integrar e automatizar funções de controle de vendas e logística são fundamentais para o sucesso do negócio (Mendes; Escrivão Filho, 2002). A implementação dessas ferramentas resulta em aumento da produtividade (Gordon; Gordon, 2006), redução drástica de erros operacionais (O’brien, 2004) e uma capacidade ampliada de tomada de decisão baseada em informações fidedignas e atualizadas (Gonçalves; Lima, 2010).

A transição para um sistema integrado, contudo, apresenta desafios significativos, especialmente para pequenas e médias empresas que operam com orçamentos limitados e estruturas enxutas. Muitas dessas organizações ainda dependem de processos manuais e ferramentas rudimentares, como planilhas eletrônicas, que se tornam insuficientes à medida que o volume de transações aumenta. A falta de integração entre os setores de compras, estoque e vendas gera gargalos que comprometem a experiência do cliente e a saúde financeira da empresa. Diante desse cenário, torna-se imperativo analisar como a substituição de modelos de gestão arcaicos por sistemas ERP impacta a eficiência operacional e a competitividade. O foco reside em compreender como a integração de processos pode mitigar obstáculos e promover uma transição suave para um modelo de governança de dados mais robusto, permitindo que a organização responda com agilidade às demandas de um mercado em constante mutação.

A análise detalhada da implementação tecnológica em uma microempresa de comércio eletrônico de acessórios para dispositivos eletrônicos, sediada em São Paulo, exigiu uma estrutura metodológica rigorosa, fundamentada no modelo de estudo de caso único (Yin, 2001). A escolha dessa organização justificou-se pela sua trajetória de crescimento e pela necessidade premente de abandonar a gestão baseada exclusivamente em planilhas de Excel em favor de uma solução automatizada. O caráter aplicado da investigação permitiu diagnosticar as dificuldades superadas e os ganhos alcançados, segmentando as recomendações a partir da análise dos desafios encontrados durante a integração do sistema ERP Upseller. A pesquisa estruturou-se em dois eixos principais de coleta de dados, combinando técnicas documentais e levantamento de dados primários para garantir a profundidade necessária ao estudo.

No primeiro eixo, a pesquisa documental concentrou-se nos registros internos da organização, abrangendo relatórios operacionais e financeiros detalhados. Foram analisados documentos pertinentes ao processo de instalação do sistema, permitindo uma comparação direta entre o período anterior, regido por planilhas desintegradas, e o período posterior à adoção do software. Essa etapa envolveu a minuciosa conferência de dados de vendas, níveis de estoque e atividades gerenciais, buscando identificar padrões de erro e inconsistências que eram comuns no modelo manual. A análise documental forneceu a base quantitativa necessária para sustentar as percepções qualitativas colhidas na etapa seguinte, oferecendo um panorama claro da evolução dos indicadores de desempenho da empresa após a modernização tecnológica.

O segundo eixo metodológico utilizou um levantamento de dados primários realizado por meio de entrevistas semiestruturadas com os dois únicos funcionários em atividade no setor de e-commerce da empresa: um gestor responsável pelas decisões estratégicas e um colaborador focado na área operacional. A escolha dessa amostra, embora restrita, refletiu a totalidade do quadro funcional do setor, permitindo uma visão profunda e direta das percepções de quem vivenciou a transição no dia a dia. O roteiro de entrevista contou com oito perguntas abertas, abordando desde as mudanças na rotina de trabalho até a avaliação da eficácia do treinamento recebido. A abordagem qualitativa permitiu explorar as nuances da resistência inicial à mudança e os benefícios percebidos em termos de redução de estresse e agilidade processual. As respostas foram transcritas e submetidas a uma análise de conteúdo, identificando palavras-chave que sintetizaram a experiência dos colaboradores com a nova ferramenta.

A execução do estudo seguiu rigorosamente os preceitos éticos, com a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido pelos participantes, garantindo o anonimato e a conformidade com as normas vigentes para pesquisas com seres humanos. A natureza descritiva e exploratória da investigação permitiu que o tema fosse aprofundado dentro do contexto específico do comércio eletrônico, proporcionando uma compreensão detalhada de como a tecnologia afeta a gestão de uma microempresa. O processo operacional de coleta de dados foi desenhado para capturar não apenas os resultados finais, mas também as etapas intermediárias de adaptação, incluindo a curva de aprendizado e os ajustes necessários na configuração do sistema para atender às particularidades do nicho de acessórios eletrônicos.

Os resultados obtidos revelam que a implementação de sistemas ERP em e-commerces de pequeno porte soluciona problemas recorrentes de gestão interna, promovendo uma governança de dados superior e maior eficiência operacional em comparação com sistemas não integrados (Okpalla et al., 2023). A análise da integração tecnológica demonstra que a escolha de ferramentas compatíveis com os critérios estratégicos da organização é uma decisão de longo prazo com retornos significativos para a operacionalidade (Vu, 2023). No caso estudado, a transição do Excel para o ERP Upseller confirmou que a automação permite ganhos notáveis nos indicadores de desempenho logístico, promovendo maior fluidez na comunicação entre os departamentos e melhorando substancialmente a tomada de decisões (Canon et al., 2025). Antes da adoção do sistema, a empresa operava com margens de lucro variadas, onde alguns produtos apresentavam retornos de 29%, enquanto outros registravam perdas de 10% devido à precificação inadequada e à falta de controle rigoroso sobre os custos e impostos.

O modelo anterior, baseado em planilhas eletrônicas, apresentava limitações técnicas severas e uma estrutura frágil para o controle de vendas e estoques (Sarferaz, 2023). A ausência de mecanismos robustos de controle de versão e de auditoria transacional criava um ambiente propenso a erros, onde qualquer célula poderia ser alterada sem registro de autoria, comprometendo a integridade das informações. A dispersão de arquivos em pastas locais ou unidades removíveis aumentava o risco de perdas irreversíveis de dados por sobreposição acidental. Como o controle de vendas e insumos é a base para que o cliente receba o produto no prazo e local esperados, a falha nessa operacionalização gerava riscos à imagem da organização e reduzia a segurança dos consumidores, impactando negativamente o volume de vendas.

A vulnerabilidade do sistema manual era crítica, especialmente no que tange à segurança da informação. A inexistência de criptografia nativa e de autenticação granular por perfil de usuário tornava o Excel uma solução pouco confiável para a gestão de dados estratégicos de alto impacto (Dawson, 2023). Decisões de precificação e rentabilidade por canal eram tomadas com base em dados que frequentemente careciam de modelagem normalizada, resultando em redundância informacional e perda de coerência (Fanap Studies & Research Center, 2023). A reconciliação de métricas de receitas e custos em abas diferentes, sem vínculo relacional automático, demandava um tempo excessivo dos colaboradores para validar informações básicas, gerando um engessamento operacional que impedia o crescimento da empresa.

A substituição por uma arquitetura sistêmica integrada permitiu que a governança algorítmica de dados substituísse o improviso operacional. O sistema ERP adotou um modelo entidade-relacional, vinculando cada unidade de manutenção de estoque, ou SKU, a uma hierarquia de atributos que inclui fornecedor, canal de venda, impostos e margem esperada. Essa estrutura permite o registro seguro e rastreável de cada operação (Regalado; Pezúa, 2022), além da geração de indicadores em tempo real, como a rentabilidade por cliente e a curva ABC de produtos (Zouain, 2025). A integração com ferramentas de visualização de dados facilitou a análise de dashboards dinâmicos, reduzindo riscos de autoria e assegurando que nenhuma métrica crítica fosse calculada fora do padrão corporativo (Pezúa; Paseli, 2022).

Apesar dos benefícios evidentes, a implantação do sistema enfrentou resistências iniciais relacionadas à curva de aprendizado e à necessidade de ajustes contínuos. Essa reação é compreendida como uma resposta natural à mudança que desafia rotinas e estruturas estabelecidas, muitas vezes motivada pelo receio quanto à eficácia da inovação (Rogers, 2003). Na organização avaliada, a resistência foi efêmera, durando aproximadamente 15 dias, período após o qual os colaboradores passaram a perceber as vantagens da nova ferramenta. A padronização promovida pelo software facilitou a comunicação entre os setores e aumentou a confiabilidade das informações gerenciais, eliminando a necessidade de pesquisar em múltiplos arquivos para encontrar dados básicos de vendas por período ou plataforma.

No subsistema de controle de estoque, a mudança foi drástica. Anteriormente, o colaborador precisava conferir diariamente a disponibilidade física e cruzar manualmente com a planilha de vendas, um processo lento e sujeito a erros que resultavam em “vendas fantasmas” ou rupturas de estoque. A dependência da conferência manual introduzia uma latência temporal perigosa, pois as informações não eram sincronizadas em tempo real (Sarferaz, 2023). Com o ERP, o controle ocorre de forma automatizada, com registro de horário e localização por armazém, o que é um padrão essencial para a segurança operacional (Dawson, 2023). A consistência da base de dados eliminou ambiguidades, permitindo uma gestão preditiva de reposição e aumentando a assertividade da operação (Ries, 2022).

As percepções colhidas nas entrevistas reforçaram a importância da usabilidade e do suporte contínuo. O gestor destacou a eliminação do retrabalho e o ganho de autonomia na tomada de decisão, enquanto o colaborador operacional enfatizou a redução do estresse e a facilidade de acesso aos dados em poucos cliques. No entanto, ambos sinalizaram que o treinamento inicial, embora útil, foi limitado diante da complexidade do sistema, exigindo que buscassem informações complementares por conta própria. Essa lacuna evidencia que o sucesso da implementação depende não apenas da tecnologia, mas também de investimentos contínuos em capacitação para garantir o uso pleno das funcionalidades (Jo; Park, 2023). A integração com ferramentas externas de marketing e publicidade foi identificada como uma oportunidade de melhoria para potencializar os resultados de vendas.

A análise qualitativa confirmou que o impacto do sistema ERP vai além da eficiência técnica, atingindo as relações interpessoais e o clima organizacional ao reduzir conflitos gerados por erros humanos. Ganhos tangíveis, como a economia de tempo e a padronização de processos, são acompanhados por melhorias intangíveis na confiança dos colaboradores (Kalwar et al., 2022). A dualidade de percepções entre a liderança, focada em aspectos estratégicos, e a operação, focada na simplificação de fluxos, demonstra que o sistema deve ser flexível o suficiente para atender a diferentes necessidades dentro da mesma estrutura. A abordagem centrada no usuário e na integração de processos existentes é fundamental para evitar que a tecnologia seja vista como um obstáculo (Usmanij; Khosla; Chu, 2013).

Conclui-se que o objetivo foi atingido, uma vez que a implementação do sistema ERP na empresa de e-commerce estudada demonstrou ser um divisor de águas na gestão operacional, confirmando seu potencial como ferramenta estratégica para a otimização de processos em negócios digitais. Os resultados evidenciam que a transição de planilhas fragmentadas para uma plataforma integrada trouxe ganhos substanciais em eficiência, segurança da informação e agilidade na tomada de decisão, alinhando-se aos objetivos iniciais da investigação. A centralização de dados eliminou redundâncias e inconsistências típicas de sistemas manuais, enquanto a automação de fluxos críticos, como o controle de estoque e a gestão de pedidos, reduziu significativamente o tempo operacional e a incidência de erros humanos. O estudo revela que, embora os benefícios técnicos sejam claros, o sucesso pleno da ferramenta depende de um período de adaptação organizacional e de investimentos contínuos em treinamento, evidenciando que a tecnologia deve ser acompanhada por uma transformação na cultura e nos processos internos para que a empresa alcance novos patamares de competitividade no mercado global.

Referências Bibliográficas:

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Zouain, J. 2025. UML ERP Workshop: writing a business requirement document (BRD) for the inventory module. Leanpub. Disponível em: https://leanpub.com/. Acesso em: 13 jun. 2025.

Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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