Resumo Executivo

21 de maio de 2026

Comportamento do consumidor e sustentabilidade no ambiente doméstico

Edison Thome Junior; Karina Munari Pagan

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

O comportamento do consumidor envolve um conjunto complexo de ações que levam um indivíduo a decidir por um produto ou serviço, abrangendo todo o processo antes, durante e depois da experiência de consumo. De acordo com Kotler (2000), o campo de estudo analisa as formas pelas quais os indivíduos escolhem, compram, usam e descartam bens, serviços, ideias ou vivências para atender demandas pessoais. Esse processo é dinâmico e intrínseco à condição humana, evoluindo constantemente e exigindo que as organizações se adaptem para manter a competitividade. Karsaklian (2000) reforça que essa dinâmica abrange desde necessidades básicas até atividades cotidianas, sendo influenciada por fatores psicológicos, sociais e culturais. Recentemente, o aumento da percepção dos impactos negativos causados pela ação humana no meio ambiente impulsionou um interesse crescente por soluções comerciais que valorizem a sustentabilidade e o compromisso socioambiental. A sustentabilidade compreende três pilares fundamentais: a preservação ambiental, a eficiência econômica e a equidade social, requerendo estratégias de longo prazo e tecnologias apropriadas para sua implementação efetiva no cotidiano das populações urbanas.

A escassez hídrica global assume particular gravidade em centros urbanos como São Paulo, onde a água é essencial para o abastecimento e a geração energética. Durante a crise ocorrida entre os anos de 2014 e 2015, que resultou no esvaziamento de reservatórios estratégicos, a necessidade de aliar políticas públicas, inovação e consumo sustentável tornou-se evidente para garantir a segurança hídrica. Marengo (2015) destaca que eventos climáticos extremos e a gestão de recursos hídricos demandam uma mudança de paradigma no comportamento doméstico. Paralelamente, a falta de orientação adequada muitas vezes resulta em práticas equivocadas, como o uso incorreto da água fria do chuveiro para descargas de forma improvisada, o que pode comprometer a higiene de itens pessoais e a saúde dos moradores. O consumo transcende sua função econômica para influenciar identidades coletivas e valores sociais, tornando-se um pilar da modernidade. Nesse contexto, a análise da viabilidade de sistemas de coleta e reutilização de água em ambientes domésticos, com foco específico no banheiro, apresenta-se como uma resposta necessária às demandas emergentes do mercado e aos desafios ambientais contemporâneos.

A compreensão das práticas cotidianas de reúso de água exige uma investigação sobre os métodos atualmente adotados nas residências, identificando as ações mais comuns e avaliando seus níveis de eficiência e segurança. É fundamental analisar os fatores críticos que influenciam a adoção de soluções sustentáveis, incluindo dimensões como segurança operacional, praticidade de uso, relação custo-benefício e percepção de impacto ambiental. A receptividade do público-alvo a sistemas tecnológicos que otimizem o reúso hídrico doméstico depende da identificação de obstáculos e motivadores claros. Conforme aponta Menezes (2025), o compromisso ecologicamente sustentável no universo corporativo e doméstico deve estar alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, promovendo uma integração entre a teoria acadêmica e a aplicação prática. Assim, a formulação de diretrizes estratégicas para o desenvolvimento de produtos sustentáveis deve considerar tanto as necessidades reais dos consumidores quanto as limitações estruturais das moradias urbanas, visando a criação de soluções que sejam tecnicamente viáveis e socialmente aceitáveis.

A metodologia adotada para esta investigação fundamenta-se em uma abordagem qualitativa e exploratória, selecionada por sua capacidade de explorar e compreender as nuances do comportamento do consumidor e as motivações por trás de suas escolhas. Segundo Malhotra (2006), a pesquisa qualitativa caracteriza-se por seu caráter investigativo não estruturado, utilizando amostras reduzidas para gerar uma compreensão aprofundada sobre a problemática estudada. A pesquisa exploratória exerce uma função primordial no processo de investigação científica, auxiliando na definição precisa do problema e na coleta de dados iniciais relevantes. Villaverde (2021) afirma que essa abordagem possibilita a análise de questionamentos básicos que oferecem a base necessária para o adequado planejamento e execução da pesquisa. O estudo centra-se em indivíduos que vivenciam diretamente a problemática, adotando um planejamento flexível que considera múltiplas dimensões do objeto de análise, conforme sugerido por Vieira (2005) ao tratar das trilhas para pesquisas qualitativas em marketing.

A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas com sete moradores do bairro Tatuapé, localizado na zona leste da cidade de São Paulo. A amostragem por conveniência foi selecionada por sua praticidade e adequação aos objetivos exploratórios, permitindo uma análise qualitativa aprofundada. O grupo de participantes apresentou uma diversidade de perfis: a primeira participante, do gênero feminino, possui entre 46 e 55 anos, renda de três a cinco salários mínimos e reside em um apartamento com outra pessoa; o segundo participante, também feminino, possui entre 36 e 45 anos, renda acima de cinco salários mínimos e mora sozinha em um apartamento; o terceiro, do gênero masculino, possui entre 18 e 25 anos, renda de um a três salários mínimos e divide um apartamento com outra pessoa; a quarta participante, feminina, possui entre 26 e 35 anos, renda de um a três salários mínimos e reside em uma casa com outra pessoa; o quinto, masculino, possui entre 36 e 45 anos, renda acima de cinco salários mínimos e mora em uma casa com cinco pessoas; o sexto, masculino, possui mais de 56 anos, é aposentado com renda de três a cinco salários mínimos e reside em um apartamento com outra pessoa; e o sétimo, masculino, possui entre 46 e 55 anos, renda acima de cinco salários mínimos e vive em um apartamento com três pessoas.

As entrevistas tiveram uma duração média de 37,1 minutos, variando entre 30 e 42 minutos, e foram conduzidas de forma presencial. O roteiro de entrevista foi estruturado em eixos temáticos que incluíram o perfil do entrevistado, gestão de resíduos, consumo de água, eficiência energética, motivações para a sustentabilidade, consumo e inovação, e práticas de reúso doméstico. A técnica de entrevista semiestruturada permitiu o equilíbrio entre o direcionamento metodológico necessário para a comparabilidade dos dados e a abertura para descobrir aspectos não previstos inicialmente. As perguntas foram elaboradas para identificar hábitos de descarte e reciclagem, o nível de preocupação com o desperdício de água, as práticas de economia adotadas, a eficiência energética residencial e os principais drivers para a sustentabilidade. Além disso, explorou-se a receptividade a sistemas tecnológicos específicos, como dispositivos que coletam a água fria do chuveiro para reutilização na descarga do vaso sanitário, avaliando critérios de escolha como segurança sanitária e facilidade de instalação.

A análise dos dados seguiu um processo de comparação qualitativa entre os relatos, buscando identificar padrões, convergências e divergências nas práticas declaradas. O foco recaiu sobre a sustentabilidade no consumo doméstico, com ênfase no uso consciente da água e nas práticas de reúso seguro. Investigou-se como os consumidores administram os recursos hídricos em seus lares, mapeando os desafios e as oportunidades para a implementação de soluções sustentáveis. A abordagem metodológica permitiu identificar tendências emergentes e delimitar campos de investigação que servem de base para o desenvolvimento de produtos e políticas alinhadas às necessidades da população. A transparência e a credibilidade surgiram como fatores determinantes para o engajamento, exigindo que as inovações tecnológicas sejam acompanhadas de informações claras sobre sua eficácia e segurança operacional.

Os resultados revelaram um panorama complexo sobre os hábitos de gestão de resíduos e consumo de recursos nos domicílios estudados. Observou-se que a maioria dos participantes realiza algum nível de separação de materiais recicláveis, porém enfrenta obstáculos significativos. A primeira e o segundo participantes demonstraram comprometimento com a separação básica, mas relataram dificuldades relacionadas à infraestrutura dos condomínios e à ação de catadores que desorganizam os espaços de descarte. A desconfiança sobre a destinação final dos resíduos foi um ponto recorrente, sugerindo que a falta de transparência nos processos de coleta seletiva desestimula o engajamento pleno. O terceiro participante destacou-se por uma organização minuciosa dos materiais por tipo, mas expressou frustração com a falta de cooperação dos vizinhos, o que invalida o esforço individual. No extremo oposto, o quinto participante admitiu não realizar a separação devido à logística inadequada do serviço público em sua região e a problemas sociais externos, evidenciando como fatores estruturais podem inviabilizar práticas sustentáveis.

No que tange ao consumo de água, houve uma convergência notável na preocupação com o desperdício. A primeira participante desenvolveu um sistema caseiro para reaproveitar a água do chuveiro em tarefas de limpeza, enquanto o terceiro participante utiliza a água da máquina de lavar para a higiene do banheiro. Essas soluções improvisadas indicam uma demanda latente por sistemas estruturados e seguros. No entanto, barreiras culturais foram identificadas, como o hábito brasileiro de lavar calçadas com mangueira, criticado pelo segundo participante, que adaptou seu comportamento após observar práticas mais eficientes em outros países. O sétimo participante adotou medidas extremas, como urinar durante o banho para reduzir descargas, demonstrando que a busca pela eficiência hídrica pode entrar em conflito com convenções sociais. A análise indica que o banheiro é o espaço central para intervenções, mas a eficácia das medidas está diretamente ligada à sua simplicidade e compatibilidade com as rotinas aceleradas.

A receptividade a sistemas tecnológicos de reúso de água, especificamente a captação da água fria inicial do chuveiro, foi alta, mas condicionada a fatores específicos. O segundo participante destacou o potencial de economia, enquanto o quinto e o sétimo enfatizaram a necessidade de instalação simplificada e baixa manutenção. A segurança sanitária emergiu como uma preocupação crítica para a quarta participante, que questionou os protocolos de higiene em sistemas de reúso. Esses achados corroboram a visão de Souza (2024), que identifica uma lacuna entre o discurso pró-sustentabilidade e a ação prática, motivada por barreiras econômicas e infraestruturais. A pesquisa atual avança ao demonstrar que soluções de baixo custo e alta praticidade têm maior chance de aceitação. A hierarquia de prioridades dos consumidores coloca critérios utilitários, como preço e funcionalidade, acima de considerações puramente ambientais, o que reforça a necessidade de um marketing verde conectado às necessidades reais, conforme discutido por Souza (2024).

A comparação com o estudo de Cruzes (2021) permite observar que, embora a viabilidade técnica de sistemas de reúso seja comprovada em grandes escalas industriais e esportivas, a aplicação doméstica exige designs centrados no usuário. Enquanto Cruzes (2021) foca em benefícios corporativos e certificações como o selo LEED, o consumidor doméstico busca economia financeira direta e benefícios à saúde. A integração dos resultados demonstra que a sustentabilidade hídrica é alcançável em ambas as escalas, desde que adaptada às limitações de espaço e rotina de cada contexto. Santos (2025) reforça a importância de modelos sistêmicos para enfrentar a escassez hídrica global, e os dados desta pesquisa mostram como essa preocupação se manifesta no cotidiano paulistano, especialmente após a vivência de racionamentos e aumentos tarifários. A lacuna entre a legislação existente, como a Política Nacional de Resíduos Sólidos, e a prática doméstica foi criticada pelos participantes, que cobram mecanismos de incentivo mais palpáveis, como a individualização de hidrômetros em condomínios.

As motivações para a adoção de práticas sustentáveis são multifacetadas, unindo responsabilidade ambiental e viabilidade cotidiana. A primeira participante vinculou suas ações aos efeitos das mudanças climáticas na saúde, enquanto o terceiro atribuiu sua consciência à educação familiar. O fator econômico surgiu como um motivador pragmático imediato; o sétimo participante admitiu desligar aparelhos eletrônicos prioritariamente para reduzir custos. Essa tendência é confirmada por dados da Opinionbox (2023) e Redeparcerias (2023), que indicam que o consumidor brasileiro valoriza a sustentabilidade quando esta gera economia. No entanto, a resistência a mudanças radicais de comportamento permanece alta. Propostas que demandam tempo adicional ou reformas estruturais complexas tendem a ser rejeitadas, mesmo por indivíduos conscientes. Pantuffi (2025) observa que a cultura organizacional e doméstica influencia diretamente a aceitação de novas tecnologias, sugerindo que a inovação deve ser acompanhada de um trabalho educativo contínuo.

A discussão sobre inovação sustentável revela que os critérios de escolha são orientados por uma combinação de valores ambientais e pragmatismo. A primeira participante prioriza produtos que previnam contaminações para evitar gastos com saúde, demonstrando que a sustentabilidade é valorizada quando oferece soluções para problemas concretos. O sexto participante sugeriu intervenções urbanísticas, como o asfalto permeável, indicando que a percepção de sustentabilidade transcende o ambiente doméstico e alcança a infraestrutura urbana. Alves (2017) destaca que práticas sustentáveis em empresas podem criar valor compartilhado, e essa lógica pode ser transposta para o ambiente doméstico se as soluções tecnológicas forem percebidas como investimentos com retorno claro. A desconfiança em relação a produtos que não cumprem promessas ambientais, mencionada pelo segundo participante, reforça a necessidade de mecanismos de certificação e validação que confiram legitimidade às iniciativas.

Estratégias para incentivar o consumo sustentável devem ser, portanto, multidimensionais. A educação ambiental foi destacada por todos os participantes como fundamental, devendo ocorrer tanto em espaços formais quanto informais. Incentivos econômicos, como descontos tarifários e medição individualizada, são vistos como os motores mais eficazes para a mudança de comportamento em larga escala. A tecnologia deve atuar como um elemento transversal, equilibrando sofisticação técnica com facilidade de implantação. A articulação entre governo, empresas e sociedade civil é crucial para garantir que as inovações respeitem as limitações cotidianas enquanto promovem transformações significativas. A síntese dos depoimentos evidencia que a preocupação ambiental ganha força quando aliada a benefícios tangíveis, e que a infraestrutura disponível determina se as motivações se traduzirão em ações efetivas.

Conclui-se que o objetivo foi atingido ao demonstrar que a viabilidade de introdução de sistemas sustentáveis de reúso de água no mercado doméstico é considerável, embora dependa estritamente da superação de barreiras estruturais e comportamentais. Os resultados indicam que o consumidor possui uma conscientização elevada sobre a escassez hídrica, mas sua transição para ações concretas é limitada pela falta de infraestrutura adequada, desconfiança nos sistemas públicos e pela necessidade de soluções que não demandem tempo excessivo ou reformas complexas. A aceitação de inovações tecnológicas está condicionada à segurança sanitária, ao custo acessível e à simplicidade de manutenção, harmonizando a utilidade prática com a responsabilidade socioambiental. Estratégias futuras devem integrar educação ambiental, incentivos econômicos diretos e o desenvolvimento de tecnologias centradas no usuário, promovendo um esforço coordenado entre os diferentes setores da sociedade para consolidar padrões de consumo verdadeiramente sustentáveis no ambiente doméstico.

Referências Bibliográficas:

ALVES, R.A.; MARTINS, R.C.; PAULISTA, P.H. 2017. Estudo de caso na empresa Natura: práticas sustentáveis e criação de valor compartilhado. Revista Univap 22(40): 768.

CRUZES, FATEC MOGI DAS. 2021. LOGÍSTICA REVERSA NA ÁGUA DE REUSO–UM ESTUDO MULTI CASO

dos SANTOS, Bruna Regina. “Logística Reversa da Água: um caminho para sustentabilidade.” DEMOCRACIA AMBIENTAL (2025): 82.

KARSAKLIAN, E. 2000. Comportamento Do Consumidor. Atlas, São Paulo, SP, Brasil.

KOTLER, P. 2000. Administração de Marketing: A Edição do Novo Milênio. 10ed. Prentice Hall, São Paulo, SP, Brasil.

MALHOTRA, N.K. 2006. Pesquisa de Marketing: Uma Orientação Aplicada. 4ed. Bookman, Porto Alegre, RS, Brasil.

MARENGO, J.A. et al. 2015. A seca e a crise hídrica de 2014-2015 em São Paulo. Revista USP 106: 31-44.

MENEZES, M.M.D.F. 2025. O Compromisso Ecologicamente Sustentável no Universo Corporativo: A Natura e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

OPINIONBOX. 2023. Comportamento do Consumidor. Disponível em: https://blog.opinionbox.com/comportamento-do-consumidor/. Acesso em: 28 mar. 2025.

PANTUFFI, C.M. 2025. Comportamento Organizacional e Cultura. Senac, São Paulo, SP, Brasil.

REDEPARCERIAS. 2023. Comportamento do Consumidor. Disponível em: https://redeparcerias.com/blog/comportamento-do-consumidor/. Acesso em: 28 mar. 2025.

SOUZA, F.R. 2024. Comportamento do Consumidor e Produtos Socioambientais: Desafios e Oportunidades para o Mercado. Revista Produção Online 24(3): 5270.

VIEIRA, V.A.; TIBOLA, F. 2005. Pesquisa Qualitativa em Marketing e Suas Variações: Trilhas para Pesquisas Futuras. Revista de Administração Contemporânea 9: 9-33.

VILLAVERDE, A. et al. 2021. Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Pesquisa em Educação em Ciências. Bagai, São Paulo, SP, Brasil.

Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Marketing do MBA USP/Esalq

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