Resumo Executivo

25 de maio de 2026

Análise de Práticas de Sustentabilidade em Instituições de Ensino e Extensão Rural

André Luiz Nunes; Adriana Telk

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Esta pesquisa quantifica e analisa as práticas de sustentabilidade institucional na gestão interna do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), com base nos Relatórios de Gestão de suas 27 administrações regionais para o período de 2022 a 2024. A motivação do estudo reside no contexto global onde sustentabilidade, governança e responsabilidade socioambiental são fatores determinantes para a competitividade e legitimidade institucional. Investigar a aderência do SENAR a esses princípios fortalece sua transparência e accountability, além de subsidiar o aprimoramento de políticas e estratégias. A pesquisa é importante pelo papel estratégico do SENAR na difusão de práticas sustentáveis em um setor vital para a economia brasileira e sob intensa pressão socioambiental.

O conceito de desenvolvimento sustentável, que atende às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas (ONU, 1987), é o pilar desta análise. No âmbito empresarial, a sustentabilidade é compreendida pelo triple bottom line (TBL), que abrange as dimensões econômica, ambiental e social (Klein et al., 2021; Walker et al., 2020). A Conferência Rio-92 e a Agenda 21 foram marcos para um desenvolvimento equilibrado, destacando o papel da educação e formação profissional (Siqueira, 2001). Nesse cenário, a Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS) é um instrumento para transformar sociedades, incentivando mudanças de comportamento e na tomada de decisões (Tilbury, 2011).

A pertinência do estudo se deve ao posicionamento do Brasil como grande produtor agrícola, sob pressão para demonstrar práticas de preservação ambiental. O setor rural é estratégico para o cumprimento das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). As discussões sobre Environmental, Social, and Governance (ESG) são crescentes em políticas públicas, no setor privado e em organismos internacionais. Um relatório da PwC (2023) indica que 79% dos investidores consideram critérios ESG em suas decisões. Apesar do debate, há uma lacuna de conhecimento sobre como essas diretrizes se materializam na gestão interna de organizações de formação rural, lacuna que este estudo busca preencher ao avaliar o posicionamento do SENAR na agenda global de sustentabilidade.

O SENAR, criado pela Lei Federal nº 8.315/1991, é uma entidade de direito privado, paraestatal, mantida pela classe patronal rural e vinculada à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Suas atividades são voltadas para trabalhadores e produtores rurais, promovendo o desenvolvimento socioeconômico do campo (SENAR, 2016). Com capilaridade nacional por meio de suas administrações regionais, o levantamento sistematizado de evidências sobre a incorporação da sustentabilidade em sua gestão interna oferece parâmetros de avaliação e comparação inter-regional, contribuindo para o aprimoramento de suas estratégias. A análise identifica avanços e desafios ao longo de três anos, e a consolidação de dados dos relatórios oferece uma visão panorâmica para subsidiar decisões estratégicas e aferir o alinhamento das ações internas aos princípios de sustentabilidade, fortalecendo a transparência e a prestação de contas.

A metodologia é descritiva, com abordagem quantitativa e análise documental de relatórios de gestão públicos. O desenho é de estudo de múltiplos casos, tratando cada uma das 27 Administrações Regionais como um caso individual sob a mesma matriz de verificação, permitindo comparação robusta. O recorte temporal de 2022 a 2024 representa os exercícios mais recentes com documentação completa e comparável. O objetivo metodológico foi descrever e quantificar as práticas sustentáveis da instituição, consolidando evidências por dimensão. A análise documental, conforme Gil (2022), examina registros formais para identificar padrões, sendo os relatórios de gestão a fonte primária de dados.

Para a coleta de dados, foi desenvolvida uma Matriz de Verificação Documental de Sustentabilidade e ESG Institucional, com 61 parâmetros distribuídos em oito seções: 1) Diretrizes Institucionais; 2) Governança e Gestão Estratégica; 3) ESG, Compliance e Políticas; 4) Gestão Ambiental Interna; 5) Cultura, Educação e Capacitação; 6) Projetos e Ações Externas; 7) Inovação e Tecnologia; e 8) Comunicação, Relacionamento e Transparência. Cada parâmetro foi avaliado de forma binária (atendido/não atendido), com observações qualitativas. A validação do instrumento ocorreu por triangulação, envolvendo experiência profissional, um estudo de referência sobre o Sebrae, artigos científicos e consulta a um profissional da área de biologia. Para a análise, utilizou-se a Matriz SWOT (Chiavenato e Sapiro, 2009) para traduzir os achados quantitativos em uma visão estratégica.

Os dados foram tabulados no Microsoft Excel e analisados no Stata 16.0. Foram calculadas as médias das taxas de atendimento por dimensão, e as diferenças entre os valores médios foram analisadas por teste T ou ANOVA, com pós-teste de Tukey, considerando significativos os valores de p-valor < 0,05 (Ferreira, 2015). O uso do software garantiu a padronização e replicabilidade dos resultados. Os indicadores quantitativos definidos incluíram o número de itens atendidos por seção, a taxa de atendimento geral e a evolução temporal das práticas.

Os resultados consolidados para o Brasil revelam que o ponto forte da instituição está em suas entregas ao público. A dimensão “Projetos e Ações Externas” manteve índices elevados, alcançando em 2024 variações de 55,6% no Sul a 83,3% no Sudeste. Isso indica que a pauta de sustentabilidade se manifesta com mais vigor nas ofertas de serviços do que na gestão interna. A literatura corrobora que a extensão rural é eficaz para promover práticas sustentáveis (Prokopy et al., 2019). A força da instituição nesta área é um ativo estratégico, mas evidencia um desequilíbrio em relação à internalização desses princípios.

Na dimensão “Diretrizes Institucionais”, houve um recuo entre 2022 e 2024, com o Centro-Oeste passando de 87,5% para 68,8%. Embora os relatórios demonstrem alinhamento declaratório, com a sustentabilidade na missão e visão, poucas regionais a possuem como eixo explícito no planejamento estratégico ou em políticas internas dedicadas. A dimensão “Governança e Gestão Estratégica” apresentou escores baixos, entre 23,3% e 32,5% em 2024. A governança em sustentabilidade integra a pauta ESG à estratégia central (Velte, 2024), e os baixos índices indicam ausência de mecanismos como comitês dedicados e metas formais, denotando uma fragilidade institucional. Esses resultados refletem a maturidade do reporte nos relatórios, não necessariamente a inexistência de ações.

A “Gestão Ambiental Interna”, que abrange a administração de recursos (Wang, Zhang, Xu., 2022), apresentou resultados moderados e heterogêneos, com taxas em 2024 variando de 23,1% no Nordeste a 46,2% no Sul. Isso evidencia lacunas na padronização de metas para gestão de resíduos, energia e consumo de papel. Em “ESG, Compliance e Políticas”, houve avanço em algumas regiões, como Centro-Oeste (de 28,6% para 39,3%) e Norte (de 22,4% para 32,7%), mas com oscilações. Controles internos e políticas ESG robustas estão associados a um melhor desempenho sustentável (Moffitt et al., 2024), e os resultados desiguais sugerem que a formalização de políticas ainda não está consolidada uniformemente.

A dimensão “Cultura, Educação e Capacitação” registrou os melhores escores em 2024, com destaque para o Centro-Oeste (62,5%) e o Sul (55,6%). O treinamento ambiental estruturado está associado a uma maior maturidade da gestão ambiental (Jabbour, 2015), e os ganhos observados sugerem avanços na capacitação, embora o Nordeste apresente um índice mais modesto (25,9%). Para “Inovação e Tecnologia”, os resultados indicam ciclos de investimento desiguais, com picos em 2022-2023 e recuo em 2024. A combinação de inovação com governança coerente gera ganhos ambientais mais estáveis (Ju & Jin, 2024), sugerindo a necessidade de um processo mais contínuo.

A “Comunicação, Relacionamento e Transparência” revelou um desempenho intermediário, com taxas entre 40,0% e 55,0%. Embora os relatórios possuam seções sobre sustentabilidade, há poucos indicadores ambientais publicados periodicamente. A qualidade do engajamento com stakeholders é determinante para a relevância da informação divulgada (Manetti, 2011), indicando oportunidade de aprimoramento. A análise estatística por porte institucional revelou que regionais com arrecadação superior a R$ 80 milhões e maior quadro de pessoal (terceiro tercil) apresentaram desempenho significativamente superior (48,7% e 51,8%, respectivamente). A região Centro-Oeste liderou em desempenho, enquanto o Nordeste manteve os menores valores.

A Matriz SWOT sintetizou os achados. As forças são a capilaridade nacional e o desempenho em projetos externos. As fraquezas residem na ausência de sistematização uniforme das práticas nos relatórios e nas lacunas na gestão interna. As oportunidades incluem a valorização do ESG (PwC, 2023) e o alinhamento com os ODS. As ameaças envolvem pressões sobre o agronegócio e riscos reputacionais. A análise reforça a necessidade de a instituição potencializar seus pontos fortes para mitigar ameaças e aproveitar oportunidades.

A comparação com outros estudos enriquece a discussão. Araújo (2014) no Sebrae-BA também identificou lacunas na integração da sustentabilidade ao planejamento estratégico. De forma semelhante, este estudo encontrou fragilidades no registro das ações, mas revelou que o porte institucional é um fator diferenciador. Menezes (2018), em uma universidade, também encontrou baixos índices em dimensões como eficiência energética, indicando desafios comuns a instituições de ensino. Schlickmann (2022) concluiu que a consolidação da educação ambiental depende de uma abordagem sistemática, o que ecoa a necessidade de maior institucionalização no SENAR. O estudo de Francisco (2023) sobre transparência dialoga com a principal recomendação deste trabalho: aprimorar os mecanismos de reporte para dar visibilidade às práticas e fortalecer a credibilidade.

O retrato do período 2022–2024 aponta para uma liderança da região Centro-Oeste e um desempenho intermediário das demais, com oscilações que sugerem diferentes estágios de institucionalização da sustentabilidade. A força da instituição está em suas ações externas, enquanto a governança e a gestão ambiental interna representam as maiores oportunidades de aprimoramento. A ausência de evidências nos relatórios não implica inexistência de práticas, mas uma limitação na maturidade do reporte. Recomenda-se a criação de um Relatório Anual de Sustentabilidade para cada regional, com taxonomia comum, metas e indicadores claros, para tornar visíveis as iniciativas e apoiar uma gestão orientada por dados.

O estudo alcançou seu objetivo de analisar as práticas de sustentabilidade no SENAR, sistematizando informações dos relatórios de gestão. Os resultados evidenciaram que as taxas de atendimento às dimensões de sustentabilidade variam entre as unidades, influenciadas pelo porte institucional, com as maiores regionais apresentando melhores indicadores. A ênfase maior foi observada nas iniciativas de capacitação e assistência técnica. A ausência de informações nos relatórios foi interpretada como uma limitação no registro e comunicação, e não como inexistência de ações. A principal limitação da pesquisa foi a dependência exclusiva dos relatórios de gestão, o que restringe a análise às informações publicadas. Estudos futuros poderiam incorporar fontes adicionais, como entrevistas, para um panorama mais completo. Recomenda-se a elaboração de relatórios de sustentabilidade complementares para evidenciar o compromisso com os princípios ESG. Conclui-se que o objetivo foi atingido: demonstrou-se que as práticas de sustentabilidade, embora presentes com destaque nas ações externas, apresentam heterogeneidade e lacunas de registro na gestão interna da instituição, sendo influenciadas pelo porte regional.

Referências:
Araújo, R. C. M. 2014. Sustentabilidade ambiental na gestão da sede do Sebrae, em Salvador: como integrar novas práticas. 146 f. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento e Gestão Social) – Universidade Federal da Bahia, Escola de Administração, Salvador.
Barbosa, S. 2009. Educação profissional, sustentabilidade e cidadania na sociedade contemporânea. GEPROS – Gestão da Produção, Operações e Sistemas. v 4 (4): 11-24.
Caeiro, S; Azeiteiro, U. M. 2020. Sustainability Assessment in Higher Education Institutions. Sustainability, v. 12, n. 8, p. 3433.
Chiavenato, I.; Sapiro, A. 2009. Planejamento estratégico: fundamentos e aplicações. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier.
Ferreira, J. C. 2015. O que realmente significa o valor-p? J Bras Pneumol.41(5):485-485.
Francisco, M. A. C. 2023. Sustentabilidade estratégica em organizações sociais: um modelo dialógico de três camadas. 171 f.: il.
Jabbour, C. J. C. 2015. Environmental training and environmental management maturity of Brazilian companies with ISO 14001: Empirical evidence. Journal of Cleaner Production, v. 96: 331–338.
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Menezes, M. O. 2018. Avaliação da percepção de sustentabilidade pelos alunos do curso do Bacharelado Interdisciplinar em Energia e Sustentabilidade do CETENS/UFRB. 2018. 63 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado Interdisciplinar em Energia e Sustentabilidade) – Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Centro de Ciência e Tecnologia em Energia e Sustentabilidade, Feira de Santana.
Moffitt, J. S.; Patin, J.-C. A.; Watson, L. R. 2024. Corporate Environmental, Social, and Governance (ESG) Performance and the Internal Control Environment. Accounting Horizons, v. 38 (3).
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Prokopy, L. S.; Floress, K.; Arbuckle, J. G.; Church, S. P.; Eanes, F. R.; Gao, Y.; Gramig, B. M.; Ranjan, P.; Singh, A. S. 2019. Adoption of agricultural conservation practices in the United States: Evidence from 35 years of quantitative literature. Journal of Soil and Water Conservation, v. 74 (5): 520–534.
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Siqueira, t. V. D. 2001. Desenvolvimento sustentável: antecedentes históricos e propostas para a Agenda 21. Revista do BNDES, v. 8 (15): 247-288.
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Velte, P. 2024. Sustainable board governance and environmental performance: European evidence. Business Strategy and the Environment, v. 33: 3397–3421.
Walker, K.; Yu, X.; Zhang, Z. 2020. All for one or all for three: empirical evidence of paradox theory in the triple-bottom-line. Journal of Cleaner Production, v. 275: 122881.
Wang, Y.; Zhang, S; Xu, S. 2022. Impact of Efficient Resource Management Practices on Sustainable Performance: Moderating Role of Innovative Culture —Evidence From Oil and Gas Firms. Frontiers in Psychology, v. 13: 938247.

Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Negócios do MBA USP/Esalq

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