Resumo Executivo

25 de maio de 2026

Análise da Cultura Organizacional em Empresas de Diferentes Portes e Segmentos

Erivelto Alves Ronsani; Marcos Aurélio Lopes

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

O objetivo deste estudo foi analisar a relação entre cultura organizacional, produtividade e retenção de talentos, investigando os elementos culturais que impactam a motivação e o desempenho em empresas de portes e setores distintos. A cultura organizacional é um pilar estratégico para a sustentabilidade e o crescimento, pois a capacidade de uma organização de atrair, engajar e reter profissionais qualificados está ligada à sua força e coerência, que molda comportamentos, processos decisórios e a identidade da empresa.

A cultura organizacional, definida por Schein (2012) como o padrão de pressupostos básicos que um grupo desenvolve para lidar com problemas de adaptação externa e integração interna, direciona as ações e interações cotidianas. No competitivo setor privado brasileiro, o fortalecimento da cultura interna tornou-se um diferencial. Organizações que negligenciam esse aspecto enfrentam consequências como alta rotatividade e clima interno deteriorado. Em contrapartida, empresas com culturas bem definidas colhem benefícios como maior comprometimento, alinhamento estratégico e resultados financeiros consistentes. A cultura é um sistema dinâmico que influencia a capacidade de uma empresa inovar e se adaptar às mudanças do mercado.

Um pilar fundamental para uma cultura robusta é a comunicação interna, uma ferramenta estratégica que integra pessoas e alinha propósitos (Kunsch, 2003). Uma comunicação falha gera desconfiança e distanciamento entre lideranças e equipes. Robbins (2005) reforça que a comunicação eficaz fomenta um ambiente de transparência e cooperação, impactando positivamente o engajamento e a produtividade. Quando os colaboradores recebem informações claras, sentem-se mais valorizados e alinhados aos objetivos da organização, tornando a comunicação um recurso estratégico para a consolidação cultural.

Nesse contexto, o capital humano emerge como o principal ativo estratégico. As pessoas representam o motor da produtividade e da diferenciação competitiva. Chiavenato (2014) destaca que o capital humano constitui a base da inteligência organizacional. Empresas que alinham sua cultura a práticas de valorização e desenvolvimento de pessoas observam uma redução na rotatividade. A perda de talentos acarreta prejuízos financeiros, perda de conhecimento institucional e deterioração do clima organizacional.

A retenção de talentos depende da criação de um ambiente que promova reconhecimento, feedback constante e perspectiva de crescimento (Chiavenato, 2014). Organizações que investem em uma cultura de meritocracia e aprendizado contínuo demonstram que diferentes estilos culturais podem conduzir ao sucesso, desde que sejam autênticos e coerentes com a estratégia do negócio. Este estudo, ao investigar as percepções de profissionais em diversos contextos, oferece um diagnóstico sobre como esses elementos se manifestam na prática, fornecendo insights para gestores fortalecerem suas culturas organizacionais.

Para atingir os objetivos, o estudo adotou um caráter exploratório e descritivo. A abordagem exploratória foi selecionada para aprofundar a familiaridade com o fenômeno, enquanto a descritiva permitiu observar e analisar as características das percepções dos participantes (Gil, 2008). A combinação dessas metodologias é relevante para pesquisas em administração, pois permite ampliar o conhecimento e organizar comparações sistemáticas entre diferentes realidades organizacionais (Vergara, 2016), garantindo a profundidade e a amplitude necessárias para a análise.

O instrumento de coleta de dados foi um questionário estruturado no Google Forms, com 41 perguntas de múltipla escolha em escala Likert de cinco pontos. O questionário foi dividido em sete blocos temáticos: comunicação interna, estilos de liderança, processos de decisão, inovação e adaptabilidade, reconhecimento e motivação, valores e clima organizacional, e perfil sociodemográfico. A estruturação em blocos, segundo Marconi e Lakatos (2017), facilita a análise ao agrupar as respostas por dimensões específicas. A escolha por um questionário estruturado justifica-se pela necessidade de padronização na coleta de dados, assegurando objetividade e viabilizando a comparação entre os respondentes.

A amostra foi composta por 40 profissionais, incluindo colaboradores, gestores, diretores e conselheiros, de um programa de MBA em Gestão de Negócios. A divulgação do questionário ocorreu por meio de um grupo de WhatsApp, utilizando amostragem por conveniência para capturar uma gama variada de percepções. A coleta de dados foi realizada em agosto de 2025, com participação voluntária, anônima e consentida, assegurando a ética da pesquisa.

Após a coleta, os dados foram organizados em planilhas do Excel. O tratamento envolveu o cruzamento de variáveis, como o porte da empresa versus o nível de concordância, e a elaboração de tabelas comparativas. Realizou-se uma análise estatística descritiva simples para calcular médias e frequências, permitindo identificar padrões de resposta. Mattar (2001) destaca que esse tipo de análise é adequado para estudos que visam identificar tendências gerais em uma amostra, o que se alinha aos objetivos exploratórios e descritivos desta pesquisa.

A análise do perfil sociodemográfico dos 40 respondentes revelou uma amostra qualificada. Houve predominância do gênero feminino, com 25 participantes (62,5%), fator que pode influenciar as perspectivas, considerando que estudos como o de Fleury (2013) sugerem uma tendência de lideranças femininas a adotarem estilos mais participativos. A faixa etária com maior concentração foi a de 30 a 43 anos (20 respondentes, 50,0%). O nível de escolaridade demonstrou alta qualificação, com 22 participantes (55,0%) possuindo MBA. Em relação ao cargo, 26 respondentes (65,0%) ocupavam posições de liderança, o que confere um viés estratégico às respostas, pois a liderança exerce um papel central na disseminação da cultura (Chiavenato, 2023).

Quanto ao contexto empresarial, a amostra foi majoritariamente composta por profissionais de grandes empresas (27 respondentes, 67,5%), que atuam nos setores de Serviços (16 respondentes, 40,0%) e Indústria (13 respondentes, 32,5%). A prevalência de participantes de grandes organizações sugere uma vivência em ambientes com processos mais estruturados; a cultura tende a ser mais institucionalizada (Schein, 2012). A diversidade de setores enriquece a análise, pois, como enfatiza Vergara (2016), o setor de atuação molda práticas culturais distintas. Essa caracterização da amostra é fundamental para contextualizar os resultados.

Na dimensão da comunicação interna, os resultados indicam uma percepção positiva, mas com pontos críticos. Embora 70,0% dos respondentes considerem a comunicação entre líderes e colaboradores clara e 72,5% avaliem os canais como eficientes, uma fragilidade foi identificada no fluxo de informações. Apenas 47,5% concordam que as informações importantes chegam a todos os níveis sem distorções. Marchiori (2006) adverte que as organizações devem transmitir informações relevantes para gerar atitudes positivas. A comunicação entre áreas também se mostrou um desafio, com 52,5% de concordância sobre sua eficiência. Um ponto forte foi o espaço para expressão, com 80,0% dos respondentes afirmando que podem manifestar suas opiniões.

A análise da liderança revelou uma base de confiança, com 77,5% dos participantes afirmando que seus líderes inspiram confiança. Além disso, 67,5% percebem uma preocupação da liderança com o bem-estar dos colaboradores, fator decisivo para o engajamento (Chiavenato, 2014). Contudo, a transparência nas decisões foi um ponto de melhoria, com 57,5% de concordância. O estímulo à participação nos processos de decisão também apresentou resultado moderado (60,0% de concordância), sugerindo que a gestão participativa não é uniforme. O reconhecimento das contribuições, com 67,5% de concordância, mostra que uma parcela significativa dos profissionais não se sente plenamente valorizada.

O processo decisório emergiu como uma das áreas mais críticas. Apenas 55,0% dos respondentes percebem que as decisões do dia a dia são tomadas de forma participativa. O ponto mais frágil foi a consideração das opiniões dos colaboradores antes de mudanças, onde 45,0% discordaram da afirmação. Schein (2012) argumenta que a cultura se fortalece quando os membros têm voz ativa. A percepção sobre a rapidez e eficácia dos processos decisórios também foi dividida, com 40,0% discordando que sejam ágeis. Um aspecto positivo foi a coerência entre as decisões da gestão e os valores declarados da empresa, com 67,5% de concordância.

No que tange à inovação e adaptabilidade, os resultados apontam para uma cultura que valoriza a criatividade, mas enfrenta desafios na execução. Uma maioria de 80,0% afirma que a empresa incentiva a busca por novas ideias, e 75,0% sentem-se à vontade para propor inovações. No entanto, essa abertura não se traduz em agilidade. Apenas 52,5% concordam que a empresa se adapta rapidamente às mudanças do mercado, e a mesma porcentagem (52,5%) avalia positivamente as oportunidades de aprendizado. Barbieri (2003) destaca que a inovação requer a organização de atividades para transformar ideias em produtos e processos. O investimento em novas tecnologias, embora percebido positivamente por 62,5%, não é sentido de forma homogênea.

A dimensão de motivação e reconhecimento apresentou avanços e lacunas. O reconhecimento do esforço pela liderança foi um ponto positivo, com 72,5% de concordância. A percepção de que o trabalho individual gera impacto positivo foi forte. Como lembra Robbins (2005), colaboradores que encontram propósito no trabalho são mais engajados. No entanto, a prática de feedback sobre o desempenho é inconsistente, com apenas 55,0% de avaliação positiva. As políticas de incentivo, como bônus e promoções, mostraram-se um ponto de divisão, com 50,0% de concordância, sugerindo que podem não ser percebidas como transparentes ou justas por todos.

A análise dos valores e do clima organizacional revelou os pilares mais sólidos da cultura. A promoção de um ambiente de respeito e colaboração alcançou 85,0% de concordância. O estímulo a práticas éticas e responsáveis foi reconhecido por 80,0% dos respondentes. Esses resultados indicam que a ética e as relações interpessoais saudáveis são a base do clima organizacional. A diversidade foi bem avaliada, com 75,0% de concordância sobre a valorização das diferenças. No entanto, a inclusão, que implica garantir oportunidades iguais, teve uma percepção menor (57,5%), apontando para a necessidade de traduzir a valorização da diversidade em ações concretas de inclusão (Chiavenato, 2014). A clareza da cultura e o alinhamento entre valores e práticas foram percebidos positivamente pela maioria (60,0% e 62,5%, respectivamente).

Em síntese, os resultados demonstram que a cultura organizacional exerce influência direta sobre o engajamento, a produtividade e a permanência dos colaboradores. O estudo identificou como pontos fortes a promoção de um ambiente ético, respeitoso e colaborativo, e o incentivo à criatividade. Contudo, foram reveladas fragilidades na clareza da comunicação, na participação em processos decisórios, nas práticas de feedback e na agilidade de adaptação. A análise comparativa reforçou que grandes organizações, embora mais estruturadas, enfrentam desafios de engajamento e velocidade decisória, enquanto empresas menores podem carecer de processos formais de gestão.

Conclui-se que, independentemente do porte ou segmento, as empresas convergem na necessidade de fortalecer a coerência entre os valores declarados e as ações praticadas no dia a dia. Gestores e líderes devem assumir um papel ativo na promoção de uma cultura de transparência; a comunicação flui de maneira clara, as opiniões são valorizadas e o feedback é uma ferramenta constante de desenvolvimento. Potencializar a produtividade e a retenção de talentos em ambientes competitivos exige um compromisso contínuo com o fortalecimento de uma cultura que não apenas busca resultados, mas que também valoriza e desenvolve seu capital humano. Conclui-se que o objetivo foi atingido: demonstrou-se que a cultura organizacional, por meio de seus elementos interdependentes como comunicação, liderança e reconhecimento, impacta diretamente a produtividade e a retenção de talentos, com a percepção dessas dinâmicas variando conforme o porte e o segmento empresarial.

Referências:
Barbieri, J. C. Organizações inovadoras: estudos e casos brasileiros. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2003.
Chiavaneto, I. Gestão de Pessoas: O Novo Papel dos Recursos Humanos nas Organizações. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014.
Chiavenato, I. Gerenciando com Pessoas : transformando o executivo em um excelente líder de talentos: um guia para o executivo lidar com sua equipe de trabalho. 6ed. Editora Atlas, Barueri, SP, Brasil, 2023.
Companhia de Bebidas das Américas [AMBEV]. 2025. Sonho-Gente-Cultura. Disponível em: < https://ri. ambev. com. br/visao-geral/sonho-gente-cultura/ >. Acesso em: 14 ago. 2025.
Fleury, Maria Tereza Leme. 2013. Liderança feminina no mercado de trabalho. GV Executivo. Disponível em: < https://doi. org/10.12660/gvexec. v12n1.2013.20634 >. Acesso em: 29/08/2025.
Gil, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
Kunsch, M. M. K. Planejamento de relações públicas na comunicação integrada. 4. ed. São Paulo: Summus, 2003.
Magazine Luiza S/A [2025]. Cultura e Valores. Disponível em: < https://ri. magazineluiza. com. br/ShowCanal/Cultura-e-Valores?=pTwUM2ztuB/VMoynqHP+6Q== >. Acesso em 19/08/2025.
Marchiori, M. Cultura e comunicação organizacional: um olhar estratégico sobre a organização. São Caetano do Sul: Difusão, 2006.
Marconi, M. de A; Lakatos, E. M. Fundamentos de metodologia científica. 7. Ed. São Paulo: Atlas, 2017.
Mattar, F. N. Pesquisa de marketing. 3. Ed. São Paulo: Atlas, 2001.
Natura Costméticos S/A [NATURA]. 2025. Juntos somos natura. Disponível em: < https://carreiras. natura. com. br/cultura/ >. Acesso em 19/08/2025.
Robbins, S. P. Comportamento Organizacional. São Paulo: Pearson, 2005.
Schein, E. H. Organizational Culture and Leadership. 4. Ed. San Francisco: Jossey-Bass, 2012.
Totvs S/A [TOTVS]. 2025. Sentimento de pertencimento : o que é e quais as vantagens? Disponível em: < https://www. totvs. com/blog/negocios/sentimento-de-pertencimento/ >. Acesso em: 14 ago. 2025.
Vergara, S. C. Projetos e relatórios de pesquisa em administração. 14. Ed. São Paulo: Atlas, 2016.

Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Negócios do MBA USP/Esalq

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