Imagem A formação continuada docente centrada na escola na contemporaneidade

03 de fevereiro de 2026

A formação continuada docente centrada na escola na contemporaneidade

Clarissa de Souza Muniz Barreto; Renata Helena Pin Pucci

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

O objetivo geral desta pesquisa é desenvolver um programa de formação continuada, centrado na escola, para atender às necessidades dos estudantes contemporâneos. A investigação parte da premissa de que a formação de professores, para ser efetiva, deve estar ligada ao contexto de sua prática, transformando a escola em lócus de desenvolvimento profissional. Os objetivos específicos são: compreender o conceito de formação docente continuada centrada na escola, analisar estratégias pedagógicas para o ensino contemporâneo e propor ações formativas concretas. A relevância do tema está na complexidade do cenário educacional, que exige dos professores o desenvolvimento contínuo de competências pedagógicas, sociais e éticas. Autores como Nóvoa (1992) fundamentam essa visão ao argumentar que a formação não se esgota na graduação, mas se constitui como um processo permanente, construído no cotidiano e sustentado pela reflexão crítica sobre a prática.

A educação contemporânea redefine o papel docente, que transcende o modelo de transmissor de informações. O professor do século XXI deve ser um mediador da aprendizagem, curador de conteúdos e designer de experiências educativas significativas, inclusivas e alinhadas a uma sociedade digital. Nesse contexto, a formação continuada é um elemento central para a qualificação do ensino. O estudo defende que, quando essa formação ocorre dentro da própria escola, ela ganha potência por partir dos desafios reais da comunidade escolar, promovendo soluções contextualizadas e fortalecendo a identidade da equipe pedagógica. A pesquisa explora como uma gestão educacional qualificada se torna pilar para apoiar esse processo, criando as condições institucionais para que os professores possam estudar, planejar coletivamente e refletir sobre suas práticas.

A problemática central é a dissociação entre as ofertas de formação continuada e as necessidades concretas da escola. Frequentemente, os programas formativos são genéricos, descontextualizados e impostos de forma vertical, gerando baixo engajamento e impacto limitado. Em contrapartida, uma abordagem centrada na escola, como defendido por Veiga (2003), valoriza o saber da experiência dos professores e os posiciona como protagonistas de seu desenvolvimento. Essa perspectiva alinha-se ao pensamento de Freire (1996), que postula que a formação permanente é uma exigência da prática docente, devendo ser um ato dialógico, problematizador e emancipador. Portanto, o estudo se justifica pela necessidade de investigar e propor modelos de formação que superem a lógica da capacitação pontual e se configurem como processos contínuos de construção de conhecimento profissional.

O trabalho argumenta que a transformação da educação passa pela transformação dos educadores. Nóvoa (2022) reforça que não há mudança educacional significativa sem a participação ativa dos professores, e essa participação só se torna efetiva quando eles estão inseridos em comunidades de aprendizagem profissional dentro de suas escolas. A proposta desenvolvida nesta pesquisa busca oferecer um caminho prático para a construção dessas comunidades; a reflexão, a colaboração e a inovação pedagógica sejam a base do trabalho docente. A formação continuada é, portanto, concebida como uma estratégia vital para que a escola possa responder de forma crítica e criativa aos desafios contemporâneos, garantindo um ensino de qualidade que prepare os estudantes para o exercício pleno da cidadania.

Ao focar em uma escola de Educação Infantil, o estudo destaca a importância da formação desde a base da trajetória educacional, fase em que se constroem os alicerces do desenvolvimento humano. A ausência de uma cultura de formação continuada em uma instituição com vastos recursos materiais para os alunos, como a descrita, revela um gargalo: a valorização da infraestrutura em detrimento do desenvolvimento do capital humano docente. A pesquisa visa preencher essa lacuna, demonstrando que o investimento na formação de professores é o investimento mais estratégico que uma escola pode fazer para garantir a excelência de seu projeto político-pedagógico e o sucesso da aprendizagem dos estudantes.

Para responder à questão de pesquisa, o estudo adotou uma abordagem qualitativa com delineamento exploratório, justificada pela necessidade de compreender em profundidade os fenômenos da formação docente. A principal estratégia foi a pesquisa bibliográfica, com levantamento e análise de obras de autores da área da educação. O referencial teórico foi selecionado pela relevância de autores para o debate sobre formação de professores, gestão e práticas pedagógicas, incluindo António Nóvoa, Paulo Freire, Ilma Passos Veiga, José Carlos Libâneo, Maria Teresa Eglér Mantoan, entre outros. A análise desses materiais permitiu construir um sólido embasamento teórico para a investigação.

A segunda etapa metodológica consistiu no desenvolvimento de uma proposta prática: um Programa de Formação Continuada. Este programa foi concebido a partir da síntese das reflexões da literatura e adaptado para um contexto real. O cenário escolhido foi uma escola de Educação Infantil da rede particular, localizada no interior de São Paulo. A escolha foi motivada pela constatação de que, apesar de oferecer uma rica estrutura, a escola não possuía uma política de formação continuada regular e sistematizada. Essa lacuna serviu como catalisador para a construção de uma proposta contextualizada.

O desenvolvimento do programa articulou teoria e prática, traduzindo princípios teóricos em ações formativas. Os dados da revisão de literatura foram organizados em categorias que serviram de alicerce para a estruturação do programa. Os princípios norteadores, extraídos de autores como Nóvoa (2009) e Carvalho (2005), incluem a contextualização, a coletividade, a reflexão crítica e a continuidade. A figura do coordenador pedagógico como mediador desse processo, conforme apontado por Maia, Carneiro e Souza (2022), também foi um elemento central na concepção do programa.

Embora a pesquisa não tenha envolvido uma aplicação de campo, a estrutura do programa foi desenhada para ser participativa e dialógica, incorporando dispositivos de escuta e avaliação que garantem sua construção com e para os professores. A metodologia, portanto, combina o rigor da pesquisa bibliográfica com a elaboração de uma proposta de intervenção pedagógica. O resultado é um estudo que não apenas analisa um tema, mas oferece uma ferramenta prática e fundamentada para a transformação da realidade escolar, demonstrando como a pesquisa acadêmica pode gerar soluções aplicáveis.

A análise dos dados bibliográficos revela que a educação contemporânea demanda uma reconfiguração do papel docente. Superando o modelo de transmissor de conteúdo, o professor é chamado a atuar como mediador reflexivo, autônomo e colaborativo, inserido em comunidades de aprendizagem, como defende Nóvoa (2017). Esta nova identidade profissional exige competências complexas, que incluem pensamento crítico, sensibilidade social, domínio de tecnologias e a capacidade de aprender continuamente. Em consonância, Freire (1996) destaca a dimensão ética e política da docência, afirmando que ensinar exige engajamento com a transformação social. O professor contemporâneo co-constrói o conhecimento com seus alunos, em um ato pedagógico e emancipador.

A formação continuada centrada na escola emerge como a estratégia mais coerente para o desenvolvimento dessas competências. A pesquisa evidencia que modelos de formação externos e descontextualizados possuem eficácia limitada. A transformação da prática pedagógica ocorre quando os professores refletem coletivamente sobre os desafios do cotidiano. Autores como Carvalho (2017) e Imbernón (2011) reforçam que a escola deve ser o principal espaço de formação, pois é nela que os problemas se manifestam e as soluções devem ser construídas. Este modelo valoriza o professor como sujeito ativo e produtor de saber. A articulação entre teoria e prática, defendida por Veiga (2007), torna-se o eixo central de um processo formativo que qualifica o trabalho docente.

O principal resultado prático da pesquisa é a proposição do “Programa Coreográfico de Formação Continuada: Um espetáculo de Ser Professor”. O programa utiliza a metáfora da dança para estruturar um percurso formativo, representando o professor como um sujeito em constante movimento, que cria e se reinventa. O programa se organiza em 14 “ensaios”, cada um abordando uma dimensão da prática docente, articulando dinâmicas corporais, fundamentos teóricos e práticas reflexivas. Esta estrutura busca engajar os professores de forma integral, mobilizando corpo, mente e emoção no processo de aprendizagem.

Cada “ensaio” do programa foi desenhado para promover a reflexão e a construção coletiva. O “Ensaio 1 – O Despertar do Novo Professor” trabalha a identidade docente a partir das ideias de Nóvoa (2009), enquanto o “Ensaio 2 – O Professor como Protagonista” se inspira em Freire (1996) para fortalecer a autoria docente. Temas como trabalho colaborativo (Vygotsky), escuta ativa (Rogers), inclusão (Mantoan, 2003), planejamento (Libâneo), criatividade (Alves, 1994), autocuidado (Cury) e inovação tecnológica (Moran) são abordados de maneira vivencial e dialógica. A proposta não oferece respostas prontas, mas cria um ambiente para que a própria equipe docente construa suas soluções, fortalecendo a cultura colaborativa.

A discussão dos resultados aponta para a urgência de as escolas, especialmente as da rede privada com recursos, repensarem suas prioridades de investimento. O caso da escola analisada, que oferece excelente estrutura física mas negligencia a formação de seus professores, é sintomático de uma visão que desvaloriza o papel do educador. O programa proposto atua nesse gargalo, demonstrando que a qualidade da educação está ligada ao desenvolvimento profissional da equipe. A implementação de um programa como o “Coreográfico” pode qualificar as práticas pedagógicas e aumentar a motivação, o sentimento de pertencimento e a coesão da equipe.

A pesquisa também discute o papel fundamental da gestão escolar, em particular do coordenador pedagógico, como articulador do processo formativo. A mediação eficaz, baseada na escuta e no diálogo, é essencial para que a formação se traduza em mudanças na sala de aula (Maia et al., 2022). O programa proposto foi desenhado para ser conduzido por essa liderança pedagógica, fortalecendo seu papel como formador de formadores. A estrutura em “ensaios” oferece um roteiro flexível que pode ser adaptado à realidade de cada equipe.

A metáfora da dança consolida a visão da docência como uma arte viva, que combina técnica, improviso e reflexão. O “Gran Finale – O Espetáculo da Docência” e a “Última Reverência” simbolizam a celebração do percurso coletivo e a importância do reconhecimento. A avaliação, concebida como “Espelho da Dança”, alinha-se à perspectiva formativa de Hoffmann, focando no processo e no acompanhamento contínuo. Assim, o programa se apresenta como uma proposta holística, que cuida do desenvolvimento técnico, humano e relacional da profissão docente.

Em suma, os resultados e a discussão convergem para a afirmação de que a formação continuada centrada na escola é uma estratégia indispensável para a educação de qualidade na contemporaneidade. A pesquisa oferece uma sólida revisão teórica e um produto concreto e inovador – o Programa Coreográfico – que serve como dispositivo para a transformação da cultura escolar e o fortalecimento do protagonismo docente. A proposta evidencia que é possível realizar formações rigorosas em seus fundamentos e prazerosas em sua execução, ressignificando o sentido de “ser professor” no século XXI.

Este estudo demonstrou a centralidade da formação continuada, realizada no contexto da escola, como dispositivo estratégico para o aprimoramento da qualidade do ensino e o fortalecimento da identidade profissional docente. A investigação aprofundou a compreensão de que a escola deve ser concebida como uma comunidade de aprendizagem para todos os seus membros. A análise da literatura, com destaque para as contribuições de Nóvoa (2017) e Freire (1996), reforçou a ideia de que o desenvolvimento profissional docente é um processo contínuo, reflexivo e colaborativo, que ganha potência quando emerge das necessidades do cotidiano escolar. A pesquisa evidenciou o papel da gestão educacional em fomentar uma cultura de formação permanente, garantindo condições como tempo e espaço para o estudo e o planejamento coletivo.

A principal contribuição prática do trabalho reside na elaboração do “Programa Coreográfico de Formação Continuada”, uma proposta detalhada que traduz os princípios teóricos em ações formativas vivenciais. Ao utilizar a metáfora da dança, o programa oferece um caminho inovador para abordar temas da prática pedagógica de forma engajadora, promovendo o desenvolvimento de competências técnicas, a colaboração e o bem-estar da equipe. A proposta se configura como uma ferramenta para gestores e coordenadores que buscam implementar processos formativos que superem modelos tradicionais e promovam uma transformação real. Conclui-se que o objetivo geral foi atingido: desenvolveu-se um programa de formação continuada, centrado na escola e fundamentado em uma abordagem reflexiva e colaborativa, que atende às necessidades da escola e dos estudantes contemporâneos.

Referências:
ALVES, R. 1994. A alegria de ensinar. 3. Ed. ARS Poética Editora, São Paulo, SP, Brasil.
ALVES, R. 2004. O desejo de ensinar e a arte de aprender. Fundação Educar DPaschoal, Campinas, SP, Brasil.
CARVALHO, M. M. 2005. Formação de professores: novos tempos, novas práticas. Cortez, São Paulo, SP, Brasil.
FREIRE, P. 1996. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 28. ed. Paz e Terra, São Paulo, SP, Brasil.
IMBERNÓN, F. 2011. Formação docente e profissional: formar-se para a mudança e a incerteza. 9. ed. Cortez, São Paulo, SP, Brasil.
MAIA, M. L. S.; CARNEIRO, J. M.; SOUZA, J. R. B. 2022. A mediação pedagógica no cotidiano escolar: contribuições do coordenador pedagógico. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, Brasília, v. 103, n. 262, p. 371-389.
MANTOAN, M. T. E. 2003. Inclusão escolar: o que é? por quê? como fazer? Moderna, São Paulo, SP, Brasil.
NÓVOA, A. 1992. Os professores e a sua formação. Editora Dom Quixote, Lisboa, Portugal.
NÓVOA, A. 2009. Desafios do trabalho do professor no mundo contemporâneo. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, v. 39, n. 146, p. 535-552.
NÓVOA, A. 2017. Formação de professores: identidade, autonomia e desafios para o século XXI. Edições, Lisboa, Portugal.
NÓVOA, A. 2022. Formar para transformar: a formação de professores como compromisso com a escola pública. Educa+, Lisboa, Portugal.
VEIGA, I. P. A. 2003. Projeto político-pedagógico da escola: uma construção possível. Papirus, Campinas, SP, Brasil.


Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Gestão Escolar do MBA USP/Esalq

Saiba mais sobre o curso; clique aqui:

Quem editou este artigo

Você também pode gostar

Quer ficar por dentro das nossas últimas publicações? Inscreva-se em nossa newsletter!

Receba conteúdos e fique sempre atualizado sobre as novidades em gestão, liderança e carreira com a Revista E&S.

Ao preencher o formulário você está ciente de que podemos enviar comunicações e conteúdos da Revista E&S. Confira nossa Política de Privacidade