06 de agosto de 2026
Stakeholders em projetos educacionais: uma análise para a sustentabilidade institucional
Javier Martinez Silva; Walter Shuiti Kussano
DOI: 10.22167/2675-6528-202600933
Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.
Resumo
A crescente complexidade relacional dos projetos de capacitação tecnológica em organizações de Tecnologia da Informação evidenciou a centralidade da gestão de stakeholders como fator crítico para a geração de valor e a sustentabilidade das iniciativas. Com o objetivo de compreender em que medida as estratégias de engajamento contribuíram para a efetividade dos projetos e subsidiar a proposição de abordagens mais estruturadas de gestão, o estudo analisou o impacto dessas estratégias na percepção dos stakeholders. Adotou-se uma abordagem quantitativa, aplicando um questionário estruturado a diferentes perfis de participantes, incluindo gestores, equipes de gestão, instrutores e beneficiários, cujos dados foram tratados por meio de estatística descritiva. Os resultados revelaram uma assimetria na adoção das estratégias de engajamento, com predominância de práticas comunicacionais e participativas, em contraste com a baixa formalização de mecanismos de monitoramento e gestão de conflitos. Apesar dessa assimetria, o engajamento foi consistentemente associado à qualificação das decisões, à mitigação de retrabalho e ao fortalecimento do alinhamento entre as partes interessadas, além de sua contribuição para a continuidade das iniciativas. Observou-se, contudo, que tais efeitos não se distribuíram de maneira homogênea entre os stakeholders, evidenciando zonas de neutralidade associadas a diferentes níveis de inserção no projeto. Concluiu-se que o engajamento, quando conduzido de forma sistemática e adaptativa, constitui um vetor estratégico para a efetividade e sustentabilidade de projetos de capacitação tecnológica.
Palavras-chave: Alinhamento de interesses; Capacitação tecnológica; Efetividade de projetos; Participação; Tomada de decisão.
1. Introdução
A gestão de projetos contemporânea transcende a mera entrega de escopo, prazo e custo, priorizando a criação de valor para todas as partes envolvidas (Riahi, 2017). Nesse contexto, os stakeholders, definidos como indivíduos ou grupos que afetam ou são afetados por um projeto, assumem papel estratégico para o sucesso e a sustentabilidade das iniciativas (Project Management Institute [PMI], 2021). Em organizações de Tecnologia da Informação (TI), os projetos de capacitação tecnológica, que visam desenvolver competências e ampliar a empregabilidade, exibem uma complexidade relacional notável. A ausência de envolvimento adequado dessas partes interessadas é frequentemente citada como causa de insucesso, com estudos indicando que falhas na identificação, comunicação e participação estruturada levam a desalinhamentos e aumento de riscos (Mugabo e Wanjiku, 2023; Khan et al., 2022). Essa realidade exige uma abordagem proativa e sistemática na gestão das relações.
A Teoria dos Stakeholders fundamenta a compreensão de que a consideração dos interesses de todos os envolvidos é crucial para a legitimidade e desempenho organizacional (Greenwood, 2007). Em projetos educacionais e de capacitação, esta teoria se complexifica, pois múltiplos agentes – como estudantes, docentes, gestores e a comunidade – possuem expectativas e prioridades distintas (Eskerod e Jepsen, 2016; Peng et al., 2024). O engajamento de stakeholders, nesse cenário, é um processo contínuo de estímulo à participação ativa e à integração nas decisões e resultados do projeto (PMI, 2023). Contudo, sua implementação eficaz enfrenta desafios, como a identificação precisa dos envolvidos, o alinhamento de expectativas divergentes e a gestão de diferentes influências (Bourne, 2016). A diversidade de valores e objetivos pode gerar tensões, dificultando a colaboração e a tomada de decisão consensual, o que demanda estratégias robustas para mitigar conflitos.
No contexto das organizações de TI, os projetos de capacitação tecnológica, que se manifestam em diversos formatos como programas de residência ou treinamentos em larga escala, são intrinsecamente complexos pela multiplicidade de atores envolvidos. A gestão dessas interações e expectativas vai além dos aspectos técnicos, exigindo atenção à dimensão relacional. Embora a importância do engajamento seja reconhecida, sua condução nem sempre é plenamente estruturada e uniforme. Lacunas na formalização de mecanismos de monitoramento e na gestão proativa de conflitos podem comprometer a efetividade das estratégias, resultando em benefícios não distribuídos homogeneamente entre os stakeholders (Yang et al., 2009). Essa assimetria na aplicação e percepção das práticas de engajamento ressalta a necessidade de aprofundar a compreensão sobre como as estratégias são percebidas e quais seus impactos reais, especialmente em um ambiente dinâmico como o da tecnologia.
Diante desse panorama, torna-se essencial investigar as dinâmicas do engajamento de stakeholders em projetos de capacitação tecnológica, a fim de identificar práticas eficazes e áreas que demandam aprimoramento. A compreensão detalhada da percepção dos envolvidos sobre as estratégias de engajamento é crucial para a melhoria contínua da gestão e a sustentabilidade dessas iniciativas. Este estudo justifica-se pela necessidade de fornecer subsídios para o desenvolvimento de abordagens mais integradas e sistemáticas, capazes de fortalecer o alinhamento de interesses e a efetividade dos projetos. O objetivo deste trabalho é analisar o impacto das estratégias de engajamento na percepção dos stakeholders em projetos de capacitação tecnológica desenvolvidos em organizações de Tecnologia da Informação, visando subsidiar a proposição de práticas de gestão mais estruturadas.
2. Material e Métodos
O presente estudo caracterizou-se como uma pesquisa descritiva, com abordagem aplicada, conforme as classificações metodológicas (Gil, 2019). Essa natureza permitiu analisar e descrever a percepção dos stakeholders sobre as estratégias de engajamento e seus impactos em projetos de capacitação tecnológica. A pesquisa adotou uma abordagem quantitativa, fundamentada na coleta de dados estruturados por meio de um questionário do tipo survey (Prodanov e Freitas, 2013). Tal escolha metodológica visou mensurar objetivamente as percepções, identificar padrões e tendências, e comparar as respostas entre os diferentes perfis de participantes, contribuindo para a sistematização de informações relevantes para a gestão de projetos.
A investigação foi conduzida em uma organização de Tecnologia da Informação (TI) que desenvolve e implementa diversas iniciativas de capacitação tecnológica. Essas iniciativas incluíram programas de residência, capacitações em larga escala e ações de experimentação itinerante. O contexto selecionado é intrinsecamente complexo, envolvendo múltiplos stakeholders cujas interações impactam diretamente os resultados dos projetos. A unidade de análise centralizou-se na percepção desses stakeholders acerca das estratégias de engajamento adotadas e dos impactos resultantes nos projetos de capacitação tecnológica. Não foi especificado um período temporal delimitado para a coleta de dados no TCC original.
A população de interesse compreendeu indivíduos que participaram ativamente de projetos de capacitação tecnológica no ambiente de organizações de Tecnologia da Informação. A amostra foi selecionada por critério intencional, priorizando atores com experiência prática e envolvimento efetivo nas iniciativas analisadas, seja em funções de decisão, execução ou apoio institucional. Essa abordagem visou garantir que os participantes tivessem vivência relevante para a pesquisa. A amostra final foi composta por 28 respondentes, distribuídos em quatro perfis distintos: gestores de projetos, membros da equipe de gestão, instrutores ou facilitadores, e beneficiários diretos das atividades de capacitação.
A coleta de dados foi realizada exclusivamente por meio da aplicação de um questionário estruturado, que serviu como instrumento principal para a obtenção das evidências empíricas. O questionário foi concebido para ser abrangente, organizado em três conjuntos temáticos complementares. Essa estrutura visou garantir a contextualização dos respondentes, a identificação das práticas de engajamento adotadas e a avaliação dos efeitos percebidos do engajamento ao longo dos projetos analisados. A construção do instrumento baseou-se em diretrizes consolidadas da literatura em gestão de projetos, com foco nos processos de gestão de partes interessadas (PMI, 2023).
O primeiro conjunto, denominado Bloco 01 – Perfil do Respondente, dedicou-se à caracterização dos participantes. Foram coletadas informações sobre a função exercida no projeto, o tempo de envolvimento em iniciativas de capacitação tecnológica e o grau de familiaridade com esse tipo de projeto. O segundo conjunto, Bloco 02 – Caracterização do Projeto, investigou as estratégias de engajamento empregadas. Abordou práticas de reconhecimento e análise de partes interessadas, mecanismos de comunicação, oportunidades de participação em decisões, alinhamento de expectativas e gestão de conflitos. As questões foram ramificadas para se adequar ao papel de cada respondente.
O terceiro conjunto, Bloco 03 – Avaliação do Impacto do Engajamento, foi elaborado para mensurar a percepção dos participantes sobre os efeitos do engajamento. Este bloco incluiu questões sobre o nível de envolvimento observado, os reflexos das estratégias adotadas no desempenho dos projetos, a efetividade das decisões tomadas e a continuidade das iniciativas de capacitação tecnológica. As respostas para este bloco foram coletadas utilizando uma escala Likert de um a cinco, variando de “Discordo totalmente” a “Concordo totalmente”, permitindo uma avaliação graduada das percepções dos stakeholders sobre os impactos do engajamento.
A construção do questionário buscou operacionalizar o conceito de engajamento de stakeholders por meio de situações concretas e práticas observáveis, evitando ambiguidades interpretativas e captando a percepção aplicada dos participantes. Embora o conceito não tenha sido explicitamente apresentado aos respondentes no instrumento, as questões foram elaboradas para refletir a definição de engajamento como o nível de envolvimento ativo, participação e interação das partes interessadas ao longo do ciclo de vida do projeto (PMI, 2021). Para transparência e replicabilidade, o instrumento de coleta de dados completo foi disponibilizado no Apêndice A do trabalho.
A execução da pesquisa envolveu a aplicação remota do questionário, garantindo a participação voluntária e anônima dos respondentes. A confidencialidade das informações fornecidas foi assegurada, e os participantes tiveram plena liberdade para responder ou interromper sua participação a qualquer momento. Após a coleta, as respostas foram submetidas a uma etapa inicial de verificação e consolidação. Esse procedimento visou garantir a consistência do conjunto de dados e a adequação das informações para as análises subsequentes, seguindo os procedimentos de verificação, codificação e tabulação recomendados para pesquisas de levantamento (Gil, 2017).
O tratamento e a análise dos dados coletados foram conduzidos de forma sistemática, com foco na organização, síntese e interpretação das informações obtidas por meio do questionário. A análise fundamentou-se em uma abordagem quantitativa, na qual os dados foram classificados e interpretados numericamente, empregando técnicas estatísticas descritivas para assegurar a precisão dos resultados (Prodanov e Freitas, 2013). Essa etapa inicial permitiu identificar padrões de resposta, tendências de percepção e diferenças significativas entre os diversos perfis de participantes envolvidos nos projetos de capacitação tecnológica analisados.
As variáveis relacionadas às estratégias de engajamento e aos impactos percebidos foram examinadas de maneira comparativa. Considerou-se o papel desempenhado por cada respondente no projeto, o que permitiu evidenciar convergências e divergências entre as diferentes categorias de stakeholders. Posteriormente, os resultados analíticos foram interpretados à luz do objetivo do estudo, buscando estabelecer relações claras entre as estratégias de engajamento implementadas e os níveis de participação, alinhamento de interesses e sustentabilidade percebidos nos projetos. Esse procedimento transformou os dados empíricos em subsídios para a discussão dos achados.
Os procedimentos éticos foram rigorosamente observados durante todas as fases da pesquisa. A participação dos indivíduos foi estritamente voluntária e anônima, garantindo a confidencialidade de todas as informações fornecidas. Os participantes foram informados sobre os objetivos do estudo e tiveram a liberdade de decidir se desejavam responder ao questionário ou interromper sua participação a qualquer momento, sem qualquer prejuízo. Esses cuidados asseguraram a integridade dos dados e o respeito à autonomia dos envolvidos, alinhando-se às boas práticas de pesquisa com seres humanos.
3. Resultados e Discussão
A análise dos dados coletados, provenientes de uma amostra de 28 respondentes distribuídos em quatro perfis distintos, oferece uma visão multifacetada sobre a percepção das estratégias de engajamento em projetos de capacitação tecnológica. A composição da amostra, que incluiu gestores de projetos (25%), membros da equipe de gestão (25%), instrutores ou facilitadores (28,6%) e beneficiários diretos (17,9%), é particularmente relevante, pois permite uma triangulação de perspectivas que enriquece a compreensão dos fenômenos observados. A heterogeneidade dos perfis, aliada à variabilidade no tempo de atuação em projetos de capacitação tecnológica – com 35,7% dos respondentes possuindo menos de dois anos de experiência e 21,4% com mais de dez anos – e à participação em múltiplos projetos (46,9% em 2-3 projetos e 35,7% em mais de 3 projetos nos últimos três anos), sugere que as percepções capturadas são baseadas em vivências diversas e consolidadas. Essa diversidade é fundamental para a robustez da pesquisa, pois mitiga o risco de uma visão unilateral e permite identificar nuances na aplicação e percepção do engajamento, conforme preconizado por Gil (2019) para estudos descritivos. A experiência prática dos participantes, priorizada pela seleção intencional da amostra, garante que as respostas reflitam o envolvimento efetivo nas iniciativas analisadas, conferindo maior validade ecológica aos achados.
As estratégias de engajamento implementadas, conforme revelado pelas respostas ao Bloco 02 do questionário, exibem padrões distintos entre os diferentes perfis de stakeholders, evidenciando uma assimetria na abordagem e na intensidade das práticas.
Tabela 1. Estratégias de engajamento adotadas pelos Gestores de Projetos com base nas respostas ao Bloco 2 do questionário (múltipla escolha).
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Estratégia de Engajamento |
Frequência |
Percentual |
|
Identificação e mapeamento dos stakeholders desde o início |
4 |
57,1% |
|
Análise de interesses, expectativas e influência |
2 |
28,6% |
|
Planejamento formal de engajamento e comunicação |
3 |
42,9% |
|
Envolvimento dos stakeholders nas decisões estratégicas |
5 |
71,4% |
|
Monitoramento e ajuste do nível de engajamento ao longo do projeto |
2 |
28,6% |
|
Gestão estruturada de conflitos |
1 |
14,3% |
|
Não houve aplicação sistemática de estratégias de engajamento |
1 |
14,3% |
Fonte: Resultados originais da pesquisa
Conforme apresentado na Tabela 1, os gestores de projetos demonstram uma clara priorização de estratégias que envolvem a interação direta e a participação dos stakeholders nas decisões. A prática mais recorrente foi o “envolvimento das partes interessadas nas decisões estratégicas”, mencionada por 71,4% dos gestores. Este achado sublinha uma orientação gerencial que valoriza a colaboração e a co-criação, alinhando-se às diretrizes do Project Management Institute (PMI, 2023), que enfatiza a importância da integração dos stakeholders nos processos decisórios para garantir a aceitação e o sucesso do projeto. O envolvimento ativo não apenas fortalece o senso de propriedade entre as partes interessadas, mas também contribui para a qualidade das decisões, incorporando diferentes perspectivas e conhecimentos, o que é crucial em projetos complexos de capacitação tecnológica (Riahi, 2017). A ausência de uma abordagem puramente burocrática, em favor de uma comunicação contínua e participativa, pode ser interpretada como um esforço para construir relações mais orgânicas e responsivas.
Em um segundo plano, a “identificação e mapeamento dos stakeholders desde o início” (57,1%) e o “planejamento formal de engajamento e comunicação” (42,9%) indicam que uma parte significativa dos gestores reconhece a importância das etapas iniciais de organização e planejamento. A identificação precoce dos stakeholders é um pilar fundamental da gestão de projetos, conforme destacado por Khan et al. (2022), pois permite antecipar interesses, expectativas e potenciais influências, subsidiando a elaboração de estratégias de engajamento mais eficazes. O planejamento formal, embora não universalmente adotado, sugere um reconhecimento da necessidade de estruturar as interações, o que é vital para a consistência e a previsibilidade do engajamento ao longo do ciclo de vida do projeto. Contudo, a não universalidade dessas práticas pode indicar que, em alguns contextos, a identificação e o planejamento ainda ocorrem de forma mais intuitiva ou reativa, o que pode comprometer a abrangência e a efetividade das ações subsequentes.
Por outro lado, a pesquisa revela uma incidência significativamente menor de estratégias associadas ao acompanhamento contínuo e à gestão estruturada das relações. Tanto a “análise de interesses, expectativas e influência” quanto o “monitoramento e ajuste do nível de engajamento ao longo do projeto” foram indicados por apenas 28,6% dos gestores. Essa baixa adesão sugere que, embora os stakeholders sejam identificados e envolvidos pontualmente, o aprofundamento analítico de suas necessidades e o acompanhamento sistemático do engajamento ainda são limitados. Bourne (2016) e Eskerod e Jepsen (2016) argumentam que a gestão de stakeholders deve ser um processo contínuo e adaptativo, e a falta de monitoramento pode levar a desalinhamentos e à perda de oportunidades de intervenção. A ausência de mecanismos formais para avaliar e ajustar o engajamento pode resultar em estratégias estáticas que não respondem às dinâmicas e mudanças inerentes aos projetos.
O cenário é ainda mais crítico na “gestão estruturada de conflitos”, mencionada por apenas 14,3% dos gestores. Este dado é preocupante, pois a diversidade de interesses e objetivos dos stakeholders é uma fonte natural de tensões e conflitos (Greenwood, 2007). Uma abordagem predominantemente reativa à gestão de conflitos, em vez de proativa e estruturada, pode escalar divergências, comprometer a colaboração e impactar negativamente o desempenho do projeto. A presença de 14,3% dos respondentes que indicaram “não houve aplicação sistemática de estratégias de engajamento” reforça a existência de lacunas na institucionalização dessas práticas, evidenciando um distanciamento das recomendações teóricas que enfatizam a necessidade de um gerenciamento contínuo, planejado e integrado do engajamento. As implicações práticas desses achados são claras: as organizações precisam investir em ferramentas e processos para monitoramento contínuo do engajamento, como pesquisas de pulso e reuniões de feedback regulares, e desenvolver protocolos formais de gestão de conflitos, incluindo mediação e negociação, para transformar divergências em oportunidades de aprendizado e aprimoramento.
Para a Equipe de Gestão, os resultados, embora não apresentados em uma tabela separada para esta discussão, indicam uma forte orientação para a comunicação e o alinhamento de expectativas. As estratégias de “comunicação regular com os diferentes atores envolvidos” e “ações para alinhar expectativas e objetivos” foram as mais recorrentes, ambas com 71,4%. Isso demonstra um reconhecimento da importância de manter um fluxo contínuo de informações e buscar a convergência de interesses, elementos essenciais para a coesão do projeto e para a mitigação de mal-entendidos (PMI, 2021). A comunicação eficaz é a espinha dorsal de qualquer projeto bem-sucedido, e a equipe de gestão parece internalizar essa premissa. Em um segundo nível, práticas como a “identificação dos principais stakeholders”, o “envolvimento em decisões relevantes” e os “ajustes nas estratégias ao longo da execução” foram indicadas por 57,1% dos respondentes. Essa combinação sugere uma atuação que integra elementos de planejamento inicial com uma capacidade adaptativa durante o desenvolvimento do projeto, o que é fundamental em ambientes dinâmicos como os de capacitação tecnológica (Yang et al., 2009). A flexibilidade para ajustar as estratégias de engajamento em resposta às mudanças do projeto é um indicativo de maturidade na gestão.
Contudo, a análise dos dados da Equipe de Gestão também revela uma assimetria na adoção de práticas mais estruturadas. O “tratamento de conflitos entre partes interessadas” apresentou uma incidência menor (28,6%), indicando que, embora o alinhamento seja buscado preventivamente, a gestão de divergências tende a não seguir abordagens formais ou sistematizadas. Essa lacuna pode levar a que conflitos latentes se tornem crônicos ou se manifestem de forma disruptiva, comprometendo o ambiente colaborativo. A presença de respondentes que indicaram a “ausência de práticas estruturadas de engajamento” (14,3%) sugere que, em alguns contextos, o engajamento ainda pode depender da iniciativa individual dos membros da equipe, sem uma institucionalização robusta. As implicações práticas para a equipe de gestão incluem a necessidade de desenvolver planos de comunicação mais detalhados, com canais e frequências bem definidos para cada grupo de stakeholders, e a implementação de treinamentos em gestão de conflitos e negociação para capacitar a equipe a lidar com divergências de forma proativa e construtiva.
Para os Instrutores e Facilitadores, os dados, embora não apresentados em uma tabela separada para esta discussão, revelam um ambiente de engajamento marcado por elevada participação e abertura à colaboração. A estratégia mais expressiva foi a “possibilidade de contribuir com sugestões para o planejamento ou ajustes das atividades” (87,5%), indicando que o conhecimento técnico e a experiência desses atores são efetivamente incorporados ao desenvolvimento das ações formativas. Este é um ponto forte, pois reconhece o valor da expertise operacional e promove um senso de pertencimento e coautoria. A percepção de que “as formas de envolvimento foram ajustadas ao longo do projeto” (75%) evidencia uma dinâmica adaptativa na condução do engajamento, permitindo que as estratégias evoluam em resposta às necessidades emergentes. As dimensões relacionadas à “clareza de objetivos e expectativas”, “participação em decisões” e “tratamento adequado de dúvidas e conflitos” apresentaram valores idênticos (62,5%), sugerindo um equilíbrio entre comunicação, participação e suporte operacional.
No entanto, a “comunicação frequente entre coordenação, instrutores e participantes” apresentou um percentual inferior (50%), indicando que, embora exista interação, ela pode não ocorrer de forma contínua ou homogênea entre todos os envolvidos. Essa lacuna na regularidade dos fluxos comunicacionais é preocupante, especialmente considerando o papel central dos instrutores como elo entre a gestão e os participantes. Uma comunicação intermitente pode gerar desinformação, desalinhamento e frustração. Por outro lado, a ausência de respostas indicando a “falta de ações estruturadas de engajamento” (0%) sugere que os instrutores reconhecem consistentemente a existência de práticas voltadas ao seu envolvimento, mesmo que a intensidade e a sistematização possam variar. As implicações práticas para os instrutores e facilitadores incluem a necessidade de estabelecer canais de comunicação mais formais e regulares com a coordenação e os participantes, como reuniões periódicas de alinhamento e plataformas de feedback contínuo. Além disso, a capacitação em técnicas de facilitação e mediação pode aprimorar a forma como dúvidas e conflitos são tratados, garantindo que o ambiente de aprendizado seja sempre construtivo.
Para os Beneficiários Diretos das capacitações, os resultados, embora não apresentados em uma tabela separada para esta discussão, indicam um nível moderado de engajamento, marcado por experiências positivas, mas não homogêneas. Três dimensões apresentaram maior incidência (60%): “recebi informações claras sobre objetivos e atividades”, “tive oportunidade de expressar opiniões ou sugestões” e “participei de momentos de alinhamento ou avaliação”, além da percepção de que “o nível de envolvimento mudou ao longo do projeto”. Esses dados sugerem que, sob a ótica dos aprendizes, houve abertura para participação e esforços de comunicação por parte da gestão, permitindo certa inserção no contexto das iniciativas. O acesso à informação e a oportunidade de expressar opiniões são passos importantes para o engajamento, pois promovem a transparência e o reconhecimento da voz do beneficiário. A percepção de que o envolvimento mudou ao longo do projeto pode indicar uma adaptação das estratégias ou uma variação na intensidade da participação individual.
Contudo, a “comunicação frequente ao longo do projeto” e a percepção de que “minhas contribuições foram consideradas” apresentaram índices inferiores (40% cada), o que evidencia possíveis limitações na continuidade da interação e na incorporação efetiva das demandas dos participantes nos processos decisórios. Se as contribuições não são percebidas como consideradas, o engajamento pode se tornar superficial e desmotivador. Além disso, a presença de respostas indicando “não me senti envolvido(a) no projeto” (20%) e “não sei / não se aplica” (20%) revela a existência de lacunas no alcance das estratégias adotadas, sugerindo que parte dos beneficiários pode ter experimentado o projeto de maneira mais passiva ou periférica. Este é um achado crítico, pois o desengajamento dos beneficiários pode comprometer a efetividade e a sustentabilidade dos projetos educacionais (Mugabo e Wanjiku, 2023). As implicações práticas para os beneficiários incluem a necessidade de criar canais de feedback mais robustos e transparentes, onde as contribuições sejam não apenas coletadas, mas também respondidas e, quando possível, incorporadas. Além disso, a gestão deve buscar formas de personalizar o engajamento, reconhecendo que nem todos os beneficiários se engajam da mesma forma, e oferecer diferentes níveis de participação para atender a essa diversidade.
A síntese comparativa das estratégias de engajamento por perfil de stakeholder, embora não apresentada em uma tabela separada para esta discussão, consolida os achados, revelando que o engajamento nos projetos de capacitação tecnológica é conduzido de forma parcialmente estruturada e desigual entre os grupos. Gestores e equipes de gestão concentram esforços em comunicação, participação e adaptação, mas com lacunas em monitoramento contínuo e gestão formal de conflitos. Instrutores percebem um ambiente participativo e flexível, mas com comunicação irregular. Beneficiários demonstram acesso à informação e participação pontual, mas com fragilidades na continuidade do envolvimento e na incorporação de contribuições. Essas lacunas, especialmente no que se refere à baixa incidência de práticas estruturadas de monitoramento do engajamento e gestão de conflitos, encontram respaldo na literatura sobre gestão de stakeholders, que aponta que, embora a comunicação seja frequentemente priorizada, aspectos como o acompanhamento sistemático do engajamento e a gestão proativa de conflitos tendem a ser menos desenvolvidos nas organizações (Bourne, 2016; Eskerod e Jepsen, 2016). Essa evidência reforça que a maturidade no gerenciamento de stakeholders não se limita à interação frequente, mas requer abordagens estruturadas e contínuas, capazes de lidar com a complexidade das relações ao longo do projeto.
A percepção dos impactos do engajamento, avaliada no Bloco 03 do questionário, indica que as estratégias adotadas exerceram um impacto predominantemente positivo na visão da maioria dos respondentes.
Tabela 2. Percepção sobre o impacto positivo das estratégias adotadas para engajamento dos stakeholders
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Grau de Concordância |
Frequência |
Percentual |
|
Discordo totalmente |
0 |
0,0% |
|
Discordo |
1 |
3,6% |
|
Nem discordo nem concordo |
3 |
10,7% |
|
Concordo |
17 |
60,7% |
|
Concordo totalmente |
7 |
25% |
|
Total |
28 |
100% |
Fonte: Resultados originais da pesquisa
A Tabela 2 revela que a soma das respostas favoráveis (“Concordo” e “Concordo totalmente”) atinge 85,7%, com 60,7% declarando concordar e 25% concordando totalmente que houve aumento do engajamento das partes interessadas. Esses dados sugerem que as ações implementadas, especialmente aquelas voltadas à comunicação e ao envolvimento direto dos stakeholders – já evidenciadas nas análises dos perfis gerenciais e operacionais – foram capazes de gerar valor percebido e fortalecer o comprometimento com os projetos de capacitação tecnológica. Este resultado está em consonância com a literatura que aponta o engajamento como um fator crítico para o sucesso e a sustentabilidade de projetos (PMI, 2023; Riahi, 2017). A percepção de um aumento no engajamento valida os esforços investidos e serve como um forte argumento para a continuidade e o aprimoramento dessas práticas.
Contudo, a presença de 10,7% dos respondentes que indicaram “nem discordo nem concordo” e 3,6% que “discordo” merece atenção. Essa parcela minoritária pode indicar que as estratégias não produziram efeitos perceptíveis em todos os perfis, especialmente entre aqueles com participação mais periférica ou passiva no projeto. A neutralidade ou discordância pode ser um reflexo de experiências específicas de desengajamento, comunicação falha ou expectativas não atendidas. As implicações práticas desses achados são a necessidade de estratégias mais inclusivas e diferenciadas, capazes de ampliar o alcance do engajamento e reduzir zonas de indiferença ou resistência ao longo do ciclo de vida dos projetos. Isso pode envolver a segmentação dos stakeholders e a adaptação das abordagens de engajamento para atender às necessidades e expectativas específicas de cada grupo, garantindo que nenhum segmento se sinta marginalizado ou desconsiderado.
A percepção do engajamento como fator determinante para a melhoria das decisões no projeto foi amplamente compartilhada pelos respondentes, alcançando 89,3% de aprovação, com 39,3% declarando concordar totalmente e 50% manifestando concordância. Este resultado, embora não apresentado em uma tabela separada para esta discussão, é um indicativo robusto de que o engajamento é percebido menos como um elemento simbólico de coesão e mais como uma prática concreta capaz de qualificar escolhas e direcionamentos. A redução das respostas neutras para 7,1% reforça o caráter tangível desse benefício, enquanto a presença residual de discordância (3,6%) pode estar associada a decisões de natureza altamente técnica, nas quais a contribuição de determinados stakeholders tende a exercer influência limitada. A inclusão de múltiplas perspectivas no processo decisório, como defendido por Greenwood (2007), tende a enriquecer a análise de riscos e oportunidades, levando a decisões mais robustas e com maior aceitação. As implicações práticas incluem a formalização de canais de consulta e participação dos stakeholders em momentos-chave de decisão, bem como a documentação das contribuições e do impacto delas nas escolhas finais, aumentando a transparência e a confiança.
Em contraste, a ausência ou insuficiência de engajamento é amplamente percebida como fonte de dificuldades e retrabalho nos projetos analisados, percepção compartilhada por 82,2% dos respondentes, com 53,6% concordando e 28,5% concordando totalmente. Este resultado, embora não apresentado em uma tabela separada para esta discussão, evidencia, sob a ótica da gestão de projetos, a materialização dos chamados custos da não-qualidade. Decisões tomadas sem alinhamento adequado tendem a se apoiar em informações incompletas, demandando correções posteriores e gerando retrabalho, o que impacta diretamente a eficiência e os custos do projeto (Khan et al., 2022). A presença de respostas neutras (17,9%) sugere que determinados segmentos ou atividades puderam avançar de forma relativamente autônoma, sem sofrer impactos diretos do nível de engajamento global. Ainda assim, a inexistência de discordância expressiva reforça a compreensão de que a falta de engajamento não é percebida como um fator neutro ou inofensivo, mas como um risco concreto à eficiência e à qualidade dos resultados do projeto. As implicações práticas são a necessidade de quantificar os custos do desengajamento, como retrabalho e atrasos, para justificar investimentos em estratégias de engajamento proativas. Além disso, a inclusão de métricas de engajamento nos planos de risco do projeto pode ajudar a mitigar esses impactos negativos.
A análise da percepção sobre o alinhamento de interesses entre os stakeholders, embora não apresentada em uma tabela separada para esta discussão, evidencia que o projeto foi majoritariamente bem-sucedido em convergir objetivos distintos, com 78,6% dos respondentes manifestando concordância positiva (67,9% concordam e 10,7% concordam totalmente). Esse percentual, próximo ao índice de respondentes que associaram a falta de engajamento à geração de retrabalho, reforça a interpretação de que o alinhamento de interesses atuou como fator preventivo de ineficiências no projeto. O alinhamento de interesses é crucial para a governança institucional e a responsabilidade compartilhada, elementos que promovem a qualidade das iniciativas educacionais (Peng et al., 2024). Quando os stakeholders compartilham uma visão comum e objetivos alinhados, a colaboração se torna mais fluida e os esforços são direcionados para o mesmo propósito.
Contudo, a presença de 21,4% de respostas neutras revela que uma parcela significativa dos stakeholders não percebeu um alinhamento pleno, possivelmente em função das limitações já identificadas em práticas como a gestão estruturada de conflitos. Esses resultados indicam que, embora o projeto tenha avançado na convergência de interesses, persistem zonas de ambiguidade que podem comprometer a consolidação de decisões compartilhadas e a sustentabilidade das iniciativas no médio e longo prazo. As implicações práticas incluem a necessidade de realizar workshops de alinhamento de expectativas no início do projeto e em marcos importantes, bem como a criação de um “contrato de engajamento” que defina claramente os papéis, responsabilidades e expectativas de cada stakeholder, promovendo um entendimento mútuo e reduzindo potenciais fontes de conflito.
Por fim, os resultados indicam que o engajamento das partes interessadas é amplamente percebido como um fator relevante para a sustentabilidade dos projetos de capacitação tecnológica. A maioria dos respondentes (82,2%) manifestou concordância positiva quanto a essa relação, sendo 64,3% em concordância e 17,9% em concordância total. Este resultado, embora não apresentado em uma tabela separada para esta discussão, reforça a compreensão de que o envolvimento dos stakeholders não se limita à resolução de questões operacionais imediatas, mas contribui para a construção de bases institucionais e relacionais que favorecem a continuidade das iniciativas ao longo do tempo. A sustentabilidade de projetos educacionais, como destacado por Mugabo e Wanjiku (2023), depende intrinsecamente do apoio e comprometimento contínuo das partes interessadas. Quando os stakeholders se sentem engajados e valorizados, são mais propensos a defender o projeto, a contribuir com recursos e a garantir sua longevidade.
Ainda assim, a presença de respostas neutras (14,3%) sugere que parte dos participantes, especialmente aqueles com atuação mais técnica ou pontual, pode não perceber de forma clara o impacto do engajamento no ciclo de vida completo do projeto. A discordância total, embora residual (3,6%), indica que experiências específicas de conflito ou sobrecarga de interesses podem levar à percepção de que o engajamento, quando mal-conduzido, também pode representar um desafio à sustentabilidade, reforçando a necessidade de práticas equilibradas e estrategicamente orientadas. As implicações práticas incluem a integração de métricas de sustentabilidade nos planos de engajamento, como a taxa de retenção de participantes, a continuidade do financiamento e a formação de comunidades de prática pós-projeto. Além disso, a comunicação dos benefícios de longo prazo do engajamento pode ajudar a sensibilizar os stakeholders que atualmente percebem o impacto de forma neutra ou negativa.
De forma integrada, os resultados indicam que o engajamento dos stakeholders desempenha papel central na configuração e no desempenho dos projetos de capacitação tecnológica, influenciando não apenas aspectos operacionais, mas também dimensões decisórias e estratégicas. A predominância de avaliações favoráveis quanto ao aumento da participação, à melhoria das decisões e à redução de retrabalho sugere que o engajamento contribui para maior consistência informacional e coordenação entre os envolvidos. Além disso, seus efeitos sobre o alinhamento de interesses e a sustentabilidade das iniciativas apontam para sua relevância na consolidação de relações institucionais e na continuidade dos projetos. Por outro lado, a presença de percepções neutras e divergentes evidencia que tais benefícios não se manifestam de maneira uniforme, indicando limitações na abrangência e na efetividade das estratégias adotadas. Assim, reforça-se a importância de abordagens mais estruturadas, adaptáveis e sensíveis às especificidades dos diferentes perfis de stakeholders, com vistas a ampliar os impactos positivos do engajamento ao longo do desenvolvimento dos projetos. A literatura em gestão de projetos, notadamente o PMBOK (PMI, 2021, 2023), enfatiza a necessidade de um ciclo contínuo de identificação, planejamento, execução, monitoramento e controle do engajamento. Os achados deste estudo, ao mesmo tempo em que confirmam a relevância do engajamento, apontam para a necessidade de as organizações de TI que desenvolvem projetos de capacitação tecnológica aprimorarem a maturidade de suas práticas, transformando o engajamento de uma série de ações pontuais em um processo estratégico e sistêmico.
4. Conclusão
Conclui-se que o objetivo foi atingido, pois este trabalho analisou o impacto das estratégias de engajamento na percepção dos stakeholders em projetos de capacitação tecnológica desenvolvidos em organizações de Tecnologia da Informação, visando subsidiar a proposição de práticas de gestão mais estruturadas. Os resultados demonstraram que o engajamento é amplamente percebido como um fator positivo, contribuindo para o aumento da participação, a melhoria das decisões, o alinhamento de interesses e a sustentabilidade dos projetos. No entanto, observou-se que a aplicação das estratégias ainda é assimétrica e carece de maior formalização, com lacunas notáveis no monitoramento contínuo e na gestão estruturada de conflitos, especialmente para stakeholders com participação mais periférica.
É fundamental considerar as limitações deste estudo, como a amostra específica e baseada na percepção dos respondentes, o que pode restringir a generalização dos achados para outros contextos ou tipos de projeto. Adicionalmente, a abordagem quantitativa, embora eficaz para identificar padrões, não permitiu aprofundar aspectos subjetivos das dinâmicas de engajamento. Para pesquisas futuras, sugere-se a exploração de abordagens qualitativas ou mistas, estudos comparativos em diferentes setores, investigações longitudinais sobre o engajamento ao longo do ciclo de vida dos projetos, e o desenvolvimento de modelos de engajamento mais estruturados e adaptados às especificidades de projetos de capacitação tecnológica.
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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq
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