Artigo

06 de agosto de 2026

Eficiência Produtiva e Viabilidade Econômica na Terminação de Bovinos de Corte: Um Estudo Comparativo entre Boitel, Parceria e Venda varejo

Jeovane Alves Rodrigues; Fernando Zanotti Madalon

DOI: 10.22167/2675-6528-202600938

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

A pecuária de corte no Brasil possui papel estratégico no agronegócio, enfrentando desafios de eficiência produtiva e gestão de custos. Nesse contexto, a nutrição animal e os sistemas de confinamento destacaram-se como ferramentas para intensificação da produção. Objetivou-se realizar um estudo de caso em uma empresa de nutrição animal e confinamento, analisando comparativamente os três modelos de negócios por ela ofertados: Venda Varejo de insumos, Boitel e Parceria de Confinamento. Avaliaram-se suas diferenças técnicas, operacionais e econômicas, sem a finalidade de identificar um modelo superior. A pesquisa conduziu-se por meio de um estudo de caso em uma empresa de nutrição animal em Goiás. Coletaram-se dados históricos da empresa, incluindo indicadores técnicos, financeiros e contratuais, além de fontes secundárias. Realizaram-se simulações comparativas e análises de sensibilidade para os modelos de Venda Varejo de insumos, Boitel e Parceria de Confinamento. Os resultados obtidos revelaram diferenças significativas entre as modalidades, principalmente na estrutura de custos, distribuição de riscos e exigência de recursos produtivos. As simulações indicaram viabilidade econômica positiva em cenários estáveis, mas as análises de sensibilidade mostraram vulnerabilidade a flutuações de mercado. Observou-se que a escolha do modelo foi influenciada por fatores como condições de mercado, perfil de risco e infraestrutura disponível, com pecuaristas de maior estrutura preferindo a Venda Varejo, enquanto os avessos ao risco optaram pelo Boitel, e a Parceria de Confinamento atraiu perfis intermediários. Concluiu-se que, embora todas as modalidades apresentassem viabilidade econômica sob condições padronizadas, a escolha do sistema mais adequado não se baseou apenas em indicadores financeiros, mas no alinhamento com as características da propriedade, como infraestrutura, capacidade de gestão, acesso a crédito e perfil de risco. O estudo contribuiu ao evidenciar que não existe um modelo único ideal, mas sim alternativas complementares que atendem a diferentes perfis de produtores, reforçando a necessidade de uma decisão individualizada para maximizar a eficiência produtiva e a sustentabilidade econômica.

Palavras-chave: Agropecuária; Alimentação animal; Sistema de produção pecuária; Terceirização de engorda.

1. Introdução

A pecuária de corte no Brasil se estabelece como um pilar fundamental do agronegócio, desempenhando um papel estratégico na economia nacional e no cenário global de produção de alimentos. O país detém o segundo maior rebanho bovino do mundo, com aproximadamente 238 milhões de cabeças em 2023 (IBGE, 2023), e consolidou sua posição como o maior exportador global de carne bovina em 2024 (USDA, 2025). Essa proeminência é impulsionada pela vasta extensão territorial, condições climáticas favoráveis e uma crescente demanda por proteína animal. A carne bovina é reconhecida como uma fonte vital de proteína de alto valor biológico, ácidos graxos essenciais e micronutrientes, fundamentais para a nutrição humana (Ferraz e Felício, 2010). Apesar desse protagonismo, o setor enfrenta desafios contínuos relacionados à eficiência produtiva, à gestão de custos e à necessidade de adoção de tecnologias que garantam sustentabilidade e competitividade em um mercado global cada vez mais exigente.

Nesse cenário de busca por maior eficiência e sustentabilidade, a intensificação da produção torna-se imperativa. A nutrição animal emerge como um componente estratégico, influenciando diretamente o desempenho zootécnico e a rentabilidade da atividade (Pacheco et al., 2014). Dietas balanceadas, formuladas com precisão e baseadas nas exigências nutricionais específicas dos animais, são cruciais para otimizar o ganho médio diário, a conversão alimentar e a qualidade da carcaça, além de contribuir para o bem-estar dos animais, garantindo uma oferta contínua de energia e proteína e reduzindo o estresse metabólico (NRC, 2016). Em sistemas intensivos, os custos com alimentação podem representar uma parcela significativa, chegando a setenta por cento do custo total de produção em confinamentos, o que sublinha a relevância de uma gestão nutricional eficiente para maximizar o retorno econômico (Lopes et al., 2020).

A intensificação da produção bovina de corte no Brasil tem encontrado no confinamento uma de suas principais ferramentas. Este sistema permite um controle mais rigoroso sobre o ambiente e a dieta dos animais, resultando em maior padronização dos lotes, redução da idade de abate e melhor aproveitamento dos recursos alimentares e de terra, liberando áreas de pastagem para outras fases da produção (Millen et al., 2011; Millen et al., 2021). Adicionalmente, o confinamento oferece maior previsibilidade na oferta de carne, facilitando as negociações com frigoríficos e ampliando o poder de barganha do pecuarista, o que contribui para a segurança financeira e a mitigação de riscos associados às flutuações de preço da arroba no mercado físico (Lopes et al., 2020). Contudo, a viabilidade econômica do confinamento é altamente sensível a variáveis de mercado, como os preços dos insumos, especialmente grãos, e da arroba, exigindo estratégias de gestão de risco e planejamento financeiro robusto para mitigar a exposição às variações de mercado (Oliveira et al., 2017).

Diante da complexidade e dos riscos inerentes à terminação em confinamento, diversos modelos de negócios surgiram para atender às necessidades e perfis variados dos pecuaristas, oferecendo diferentes níveis de integração e distribuição de responsabilidades. A Venda Varejo de insumos, por exemplo, caracteriza-se pela aquisição direta dos componentes da dieta pelo produtor, que assume a gestão integral do confinamento em sua propriedade. Este modelo confere maior autonomia e potencial de lucro, mas também implica maior exposição aos riscos de mercado e operacionais (Lopes et al., 2020). Em contraste, o Boitel representa a terceirização completa da engorda, onde os animais são terminados em unidades especializadas da empresa parceira. O pecuarista remunera a empresa prestadora de serviço, geralmente por diária ou por arroba produzida, transferindo grande parte da responsabilidade operacional e reduzindo a necessidade de capital imobilizado em infraestrutura, embora com menor controle direto sobre o processo produtivo (Millen et al., 2021). A Parceria de Confinamento, por sua vez, configura-se como um arranjo intermediário, no qual há compartilhamento de recursos, custos e resultados entre o produtor e a empresa. Este modelo visa diluir riscos, otimizar o uso de tecnologias e prover assistência técnica, sendo atrativo para aqueles que buscam intensificação com suporte e menor exposição individual (Embrapa, 2022). A escolha entre essas modalidades não é trivial, sendo influenciada por fatores como a disponibilidade de capital, a infraestrutura da propriedade, a escala de produção, o nível de conhecimento técnico e, crucialmente, o perfil de risco do pecuarista (Lopes et al., 2020), além de fatores macroeconômicos e institucionais que impactam a rentabilidade da atividade (Embrapa, 2022).

A complexidade na tomada de decisão do pecuarista, aliada à diversidade de modelos de terminação intensiva disponíveis, ressalta a necessidade de análises aprofundadas que comparem suas implicações técnicas, operacionais e econômicas. Nesse contexto, o presente estudo objetivou realizar uma análise comparativa dos modelos de Venda Varejo de insumos, Boitel e Parceria de Confinamento ofertados por uma empresa de nutrição animal e confinamento, avaliando suas diferenças técnicas, operacionais e econômicas, sem a finalidade de identificar um modelo superior, mas sim de fornecer subsídios para a tomada de decisão individualizada do produtor, maximizando a eficiência produtiva e a sustentabilidade econômica.

2. Material e Métodos

A pesquisa foi delineada como um estudo de caso, abordagem metodológica que permite a compreensão aprofundada de fenômenos complexos dentro de seu contexto real (Yin, 2015). Este tipo de delineamento é frequentemente empregado em investigações no setor do agronegócio, pois facilita a análise integrada de diversas variáveis, sejam elas técnicas, econômicas ou sociais (Gil, 2019). A natureza do estudo combinou elementos qualitativos e quantitativos para oferecer uma perspectiva abrangente sobre os modelos de terminação de bovinos de corte, buscando identificar as particularidades de cada um.

O estudo de caso foi conduzido em uma empresa de nutrição animal localizada no estado de Goiás, Brasil. Esta empresa é especializada na formulação e produção de rações completas para a terminação de bovinos de corte, com foco em dietas totais (Total Mixed Ration – TMR). Tais dietas são desenvolvidas para otimizar o desempenho zootécnico dos animais, promovendo maior ganho médio diário e reduzindo o tempo de terminação, conforme princípios de nutrição animal (NRC, 2016; Valadares Filho et al., 2016). O período específico de coleta de dados e análise não foi explicitamente delimitado no TCC, mas as informações históricas da empresa foram consideradas.

As unidades de análise do presente estudo consistiram em três modalidades comerciais distintas oferecidas pela empresa para a terminação de bovinos de corte. A primeira, Venda Varejo de insumos, caracteriza-se pela aquisição direta da ração pelo pecuarista, que gerencia integralmente a engorda em sua propriedade. A segunda, Boitel, envolve a terceirização completa da terminação, com os animais sendo engordados em unidades de confinamento especializadas da empresa, mediante remuneração por diária ou arroba produzida. A terceira, Parceria de Confinamento, representa um arranjo intermediário de integração parcial, onde o pecuarista fornece a estrutura e os animais, e a empresa oferece assistência técnica e a dieta total.

A seleção dessas modalidades como unidades de análise justificou-se por representarem diferentes níveis de participação, risco e responsabilidade para o pecuarista, atendendo a perfis variados de produtores. A escolha do modelo de terminação é influenciada por múltiplos fatores, incluindo o custo alimentar, que pode atingir até setenta por cento do custo total em confinamentos, além da estrutura produtiva disponível, acesso a crédito e aversão ao risco do pecuarista (Lopes et al., 2020; Millen et al., 2021). Compreender essas dinâmicas foi central para o objetivo comparativo da pesquisa.

A coleta de dados primários foi realizada por meio do levantamento de informações históricas da empresa de nutrição animal. Foram acessados indicadores técnicos de desempenho animal, como ganho médio diário, conversão alimentar e taxa de mortalidade, que são cruciais para a avaliação da eficiência produtiva. Adicionalmente, foram consultados relatórios financeiros e contábeis, tabelas de preços de insumos e produtos, modelos contratuais das modalidades de negócio e registros detalhados de negociações comerciais. Esses dados internos forneceram a base empírica para as simulações e análises comparativas.

Para complementar os dados primários e conferir maior robustez metodológica, foram consultadas fontes secundárias de informação. Incluíram-se relatórios oficiais da Embrapa Gado de Corte (2022), estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2023) e publicações de mercado da Scot Consultoria (2024). A utilização dessas diversas fontes de dados, tanto internas quanto externas, permitiu a triangulação das informações, técnica que visa validar e enriquecer a compreensão dos fenômenos estudados, conforme preconizado por Stake (1995), aumentando a confiabilidade dos achados da pesquisa.

As análises foram estruturadas em duas etapas distintas. A primeira etapa consistiu na realização de simulações comparativas para cada modalidade de terminação. Para tanto, foram padronizados diversos parâmetros de entrada, como o número de animais, peso inicial, raça, sexo, duração do confinamento e custos de aquisição e de alimentação. O objetivo foi isolar as diferenças estruturais de cada modelo e avaliar sua viabilidade econômica sob condições controladas, uma abordagem similar à empregada em estudos de viabilidade econômica em confinamento bovino (Oliveira et al., 2017).

Os parâmetros técnicos e produtivos utilizados nas simulações foram detalhados para garantir a consistência das análises. As variáveis padronizadas incluíram o valor de reposição da arroba, o peso de entrada por cabeça, o ganho médio diário, o consumo de matéria seca, o período de confinamento e o custo operacional diário. Adicionalmente, foram considerados o custo da ração, o percentual de desconto sobre o custo da ração na modalidade Parceria, outros custos como frete e vacinas por cabeça, e o rendimento de carcaça. Esses valores foram fundamentais para a construção dos cenários simulados.

Tabela 1. Parâmetros técnicos e produtivos utilizados nas simulações

Variável

Unidade

Valor

Valor de reposição da arroba

R$/@

325,00

Peso de entrada por cabeça

kg

346,0

Ganho médio diário (GMD)

kg/dia

1,56

Consumo de matéria seca (CMS)

kg/dia

10,0

Período de confinamento

dias

110

Custo operacional diário

R$/dia

16,08

Custo da ração

R$/kg

1,91

Desconto sobre custo da ração (Parceria)

%

28%

Outros custos (frete, vacinas, etc.)

R$/cabeça

80,00

Rendimento de carcaça (RC)

%

56%

Fonte: Elaborado pelo autor, 2026.

A segunda etapa da pesquisa envolveu a interação com um grupo de seis clientes da empresa, que são pecuaristas atuantes no mercado. Os cenários comparativos desenvolvidos a partir das simulações foram apresentados a esses participantes. O propósito dessa interação foi obter a avaliação e a percepção dos pecuaristas sobre as diferentes modalidades, permitindo compreender os fatores que influenciam suas decisões de escolha em situações reais de mercado. Essa validação prática contribuiu para contextualizar os resultados quantitativos com a realidade do campo.

A análise quantitativa dos dados coletados concentrou-se na avaliação dos indicadores de custo e retorno econômico para cada modalidade de terminação, seguindo as diretrizes metodológicas propostas por Lopes et al. (2020). Foram elaborados relatórios comparativos que incluíram análises de sensibilidade. Estas análises examinaram o impacto de variações em fatores críticos, como o preço da arroba, o custo dos insumos e a disponibilidade de animais para reposição, sobre a viabilidade econômica dos modelos. O objetivo foi identificar a sensibilidade de cada modalidade às flutuações do mercado.

A análise qualitativa foi conduzida com base na lógica de comparação descritiva, conforme a metodologia de Bardin (2011). Este processo buscou interpretar as percepções dos pecuaristas sobre a aceitação das modalidades, a distribuição de riscos e os elementos que orientam a tomada de decisão. A interação com os clientes permitiu explorar aspectos comportamentais e estratégicos, como a autonomia na gestão, a aversão ao risco e a integração com outras atividades agrícolas, que são determinantes na escolha do modelo de confinamento mais adequado ao perfil de cada produtor.

A combinação das abordagens quantitativa e qualitativa permitiu uma avaliação multifacetada das modalidades de terminação. Essa integração metodológica possibilitou analisar não apenas a viabilidade técnico-econômica de cada modelo, mas também os fatores comportamentais e estratégicos que influenciam a decisão dos pecuaristas. Tal perspectiva é fundamental para a compreensão da intensificação sustentável da pecuária, conforme destacado em estudos recentes (Millen et al., 2021; Embrapa, 2022), oferecendo subsídios mais completos para a tomada de decisão no setor.

3. Resultados e Discussão

A avaliação inicial das três modalidades de terminação disponibilizadas pela empresa, a saber, Venda Varejo, Boitel e Parceria de Confinamento, revelou que, embora tecnicamente equivalentes no que tange ao fornecimento de dieta e aos parâmetros zootécnicos, a escolha do pecuarista é intrinsecamente influenciada por um complexo conjunto de fatores que transcendem o desempenho animal direto. Tais fatores incluem as condições de mercado, o perfil de risco do produtor e a disponibilidade de infraestrutura produtiva em sua propriedade. Este achado é consistente com a literatura especializada, que aponta a tomada de decisão no confinamento bovino como um processo multifatorial, onde aspectos econômicos, logísticos e estratégicos desempenham papéis determinantes (Lopes et al., 2020; Millen et al., 2021). A complexidade da decisão ressalta que a simples otimização nutricional, embora crucial, não é o único driver para a adoção de um modelo de negócio específico.

A modalidade Venda Varejo, conforme detalhado nas condições da empresa, caracteriza-se por um processo de aquisição direta de insumos pelo pecuarista, que assume a gestão integral da engorda em sua propriedade. As condições associadas a este modelo, como o cadastro formalizado do cliente, a venda por representantes comerciais, a entrega CIF/FOB e a cobrança via duplicatas, indicam um relacionamento comercial mais tradicional. A oferta de uma tabela de preços exclusiva e a ausência de volume mínimo para compra conferem ao produtor uma autonomia considerável, permitindo-lhe maior controle sobre as decisões produtivas e, potencialmente, uma margem de lucro superior. No entanto, essa autonomia vem acompanhada de uma maior exposição ao risco, uma vez que o pecuarista é o único responsável por todas as etapas do processo, desde a aquisição dos animais até a comercialização final (Lopes et al., 2020). A flexibilidade nos prazos de pagamento, sujeita à análise de crédito, também reflete a natureza do risco assumido pelo produtor. A implicação prática é que este modelo é mais adequado para pecuaristas com maior capital de giro, experiência em gestão de confinamento e uma estrutura produtiva já consolidada, que buscam maximizar o controle e o potencial de lucro.

Em contraste, o Boitel representa uma modalidade de terceirização completa da terminação. Neste arranjo, os animais são transferidos para unidades de confinamento especializadas da empresa, e o pecuarista remunera o serviço por diária ou por arroba produzida. As condições contratuais, como o contrato de compra e venda dos animais (100% dos animais são transferidos para a empresa) e o contrato de prestação de serviço de engorda, evidenciam uma transferência significativa da responsabilidade operacional e do risco para a empresa. O volume mínimo de envio de 50 cabeças e o acesso a melhores condições de venda dos animais, juntamente com o prazo de pagamento de até 30 dias após o abate, oferecem ao pecuarista maior previsibilidade e menor necessidade de investimento em infraestrutura própria. Millen et al. (2021) corroboram que o Boitel se consolidou como uma alternativa para produtores que buscam reduzir a necessidade de capital imobilizado e mitigar riscos operacionais, embora com menor controle direto sobre o processo produtivo. A empresa, ao subsidiar toda a nutrição e manejo durante o período de terminação, assume um papel central na garantia do desempenho zootécnico. Este modelo é, portanto, particularmente atrativo para pecuaristas com menor estrutura, menor capital disponível para investimento em confinamento ou maior aversão ao risco.

A modalidade Parceria de Confinamento, por sua vez, configura-se como um modelo intermediário de integração parcial. Neste arranjo, o pecuarista fornece a estrutura e os animais, enquanto a empresa oferece assistência técnica e a dieta total, subsidiando o processo de engorda. As condições incluem o cadastro formalizado do cliente, um contrato de parceria e a abertura de uma filial da empresa na propriedade do pecuarista. A empresa fornece pelo menos 50% dos animais que serão engordados na filial, e a entrega da ração ocorre via frete CIF/FOB. Um diferencial importante é a tabela de preços da Venda Varejo com descontos de até 28%, além do acesso a melhores condições de venda dos animais e prazo de pagamento de até 30 dias após o abate. O subsídio de toda a nutrição e assistência técnica nutricional, com o manejo sendo responsabilidade do pecuarista, demonstra um compartilhamento de recursos, custos e resultados. Este modelo permite a diluição de riscos e o acesso a tecnologias e assistência técnica especializada, sendo atrativo para produtores em processo de intensificação que buscam otimizar seus recursos existentes e se beneficiar da expertise da empresa (Embrapa, 2022). A Parceria de Confinamento, portanto, equilibra a autonomia do produtor com o suporte técnico e financeiro da empresa, representando uma ponte entre os modelos de Venda Varejo e Boitel.

Tabela 2. Detalhamento das três modalidades de terminação/engorda disponibilizadas pela empresa

Modalidade

Prazo médio

Condições

Venda Varejo

56 dias

Cadastro de cliente formalizado; Venda através de representantes comerciais; Entrega através de CIF/FOB na propriedade do pecuarista; Cobrança através de duplicatas (boletos bancários); Tabela de preços exclusiva; Sem volume mínimo; Prazos de pagamento conforme análise de crédito.

Boitel

150 dias

Cadastro de cliente formalizado; Contrato de compra e venda dos animais (100% dos animais são iguais/transferidos para empresa); Os animais são enviados para engorda na fazenda (unidade especializada) da empresa; Contrato de prestação de serviço de engorda dos animais (por diária ou @ produzida); Tabela de preços exclusiva; Volume mínimo de envio de animais (50 cabeças); – Acesso a melhores condições de venda dos animais; Prazo de pagamento de até 30 dias após o abate; Subsídio de toda nutrição e manejo durante o período de terminação/engorda do animal.

Parceria de Confinamento

150 dias

– Contrato de parceria; – Abertura de filial na propriedade do pecuarista; Os animais não são enviados para engorda na fazenda (unidade especializada) da empresa, e sim para filial na propriedade do pecuarista; Pelo menos 50% dos animais que vão para filial da empresa são fornecidos pela empresa; Entrega da ração através de frete via CIF/FOB para filial; Tabela de preços da Venda Varejo com descontos de até 28%; Volume mínimo de transferência de animais (50 cabeças); Acesso a melhores condições de venda dos animais; Prazo de pagamento de até 30 dias após o abate; Subsídio de toda nutrição e assistência técnica nutricional; – Todo manejo é responsabilidade do pecuarista.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2026.

As simulações padronizadas, que mantiveram constantes variáveis como número de animais, peso, raça, sexo, duração do confinamento e custos de aquisição de insumos, revelaram que todas as modalidades analisadas apresentaram viabilidade econômica positiva em cenários de estabilidade de preços da arroba. Conforme demonstrado na Tabela 3, o número de animais foi padronizado em 50 para todas as modalidades, com um valor de reposição de -R$ 187.416,67. Os custos de nutrição variaram, sendo -R$ 88.440,00 para Boitel, -R$ 75.636,00 para Parceria de Confinamento e -R$ 105.050,00 para Venda Varejo. Essa diferença nos custos de nutrição é um reflexo direto das condições contratuais de cada modalidade, como o desconto de 28% na ração para a Parceria e a estrutura de preços da Venda Varejo. Os custos de frete e vacinas foram de -R$ 4.000,00 para Boitel e Parceria, e R$ 0,00 para Venda Varejo, indicando que na Venda Varejo esses custos são assumidos diretamente pelo pecuarista, não sendo contabilizados como um custo da empresa na simulação.

Tabela 3. Premissas e Simulado/Modalidades

Simulado/modalidade

Boitel

Parceria Confinamento

Venda Varejo

N°. de Animais

50

50

50

Valor Reposição

-R$ 187.416,67

-R$ 187.416,67

-R$ 187.416,67

Valor Custos Nutrição

-R$ 88.440,00

-R$ 75.636,00

R$ 105.050,00

Valor Custos (Frete/Vacinas)

-R$ 4.000,00

-R$ 4.000,00

R$ 0,00

Total Custos

-R$ 279.856,67

-R$ 267.052,67

-R$ 292.466,67

Valor Abate (Venda)

R$ 299.517,87

R$ 299.517,87

R$ 299.517,87

Fonte: Elaborado pelo autor, 2026.

Os custos totais simulados foram de -R$ 279.856,67 para Boitel, -R$ 267.052,67 para Parceria de Confinamento e -R$ 292.466,67 para Venda Varejo. O valor de abate (venda) foi idêntico para todas as modalidades, R$ 299.517,87, uma vez que a simulação padronizou o preço da arroba e o peso de saída. Consequentemente, os resultados (margem líquida) foram R$ 19.661,20 para Boitel, R$ 34.841,20 para Parceria de Confinamento e R$ 7.051,20 para Venda Varejo. A Parceria de Confinamento apresentou o maior resultado, seguida pelo Boitel e, por último, pela Venda Varejo. Este resultado sugere que, sob condições estáveis e padronizadas, a Parceria oferece uma vantagem econômica devido à otimização de custos e ao compartilhamento de benefícios. A Venda Varejo, embora ofereça maior autonomia, demonstrou o menor retorno financeiro na simulação inicial, o que pode ser atribuído à ausência de subsídios ou descontos significativos nos insumos, como ocorre na Parceria.

A visualização comparativa dos resultados econômicos é reforçada pela Figura 1, que ilustra a margem líquida por animal para cada modalidade. O gráfico de barras demonstra claramente que a Parceria de Confinamento se destaca com a maior margem líquida, seguida pelo Boitel e, por fim, pela Venda Varejo. Esta representação gráfica não apenas corrobora os dados numéricos da Tabela 3, mas também oferece uma compreensão imediata das diferenças de rentabilidade entre os modelos. A maior margem da Parceria pode ser atribuída à combinação de fatores como o desconto significativo no custo da ração e a otimização de outros custos operacionais, resultantes da integração parcial com a empresa. Por outro lado, a margem mais modesta da Venda Varejo reflete a assunção integral dos custos e riscos pelo pecuarista, sem os benefícios de escala ou subsídios que as outras modalidades podem oferecer.

Figura 1 – Margem líquida (R$/animal) nas três modalidades de terminação

Fonte: Elaborado pelo autor, 2026.

As análises de sensibilidade, no entanto, demonstraram que oscilações no mercado de reposição e na cotação do boi gordo podem alterar significativamente os resultados, conforme ilustrado na Tabela 4. Este comportamento é consistente com as observações de Oliveira et al. (2017), que destacam a vulnerabilidade do confinamento às flutuações do mercado futuro e ao custo da alimentação, que pode representar até 70% do custo total de produção. Na Tabela 4, ao alterar as premissas de valor da arroba de reposição e de abate, percentual de desconto da ração e custos de alimentação, os resultados foram impactados. Por exemplo, o valor de reposição da arroba foi ajustado para -R$ 190.300,00 para todas as modalidades. Os custos de nutrição também foram alterados, resultando em -R$ 82.500,00 para Boitel, -R$ 89.540,00 para Parceria e -R$ 101.750,00 para Venda Varejo. Os custos totais passaram para -R$ 276.800,00 (Boitel), -R$ 283.840,00 (Parceria) e -R$ 292.050,00 (Venda Varejo), com um valor de abate (venda) de R$ 295.653,12 para todos.

Tabela 4. Premissas e Simulado/Modalidades com alteração nas premissas de Valor @ Reposição e Valor @ Abate, % Desc. Ração e Custos Alimentação

Simulado/modalidade

Boitel

Parceria Confinamento

Venda Varejo

N°. de Animais

50

50

50

Valor Reposição

-R$ 190.300,00

-R$ 190.300,00

-R$ 190.300,00

Valor Custos Nutrição

-R$ 82.500,00

-R$ 89.540,00

-R$ 101.750,00

Valor Custos (Frete/Vacinas)

-R$ 4.000,00

-R$ 4.000,00

R$ 0,00

Total Custos

-R$ 276.800,00

-R$ 283.840,00

-R$ 292.050,00

Valor Abate (Venda)

R$ 295.653,12

R$ 295.653,12

R$ 295.653,12

Resultado

R$ 18.853,12

R$ 11.813,12

R$ 3.603,12

Fonte: Elaborado pelo autor, 2026.

Sob este cenário de sensibilidade, os resultados mostraram uma redução nas margens de lucro para todas as modalidades: R$ 18.853,12 para Boitel, R$ 11.813,12 para Parceria de Confinamento e R$ 3.603,12 para Venda Varejo. É notável que, neste cenário adverso, a Parceria, que antes apresentava a maior margem, teve uma queda mais acentuada em termos absolutos, enquanto a Venda Varejo permaneceu com a menor margem, mas com uma redução percentual talvez menos drástica em relação à sua margem inicial já baixa. Isso sublinha a importância da gestão de riscos e da capacidade de adaptação às mudanças de mercado. A Venda Varejo, por sua natureza de maior exposição direta ao mercado, é particularmente vulnerável a essas flutuações, o que pode tornar a atividade economicamente inviável em cenários de preços desfavoráveis. A Parceria, apesar de ainda ser atrativa, demonstra que mesmo com o compartilhamento de riscos, a rentabilidade é suscetível a variações de mercado.

A Figura 2 ilustra graficamente o impacto da variação do preço da arroba na margem líquida, reforçando a sensibilidade dos modelos. O gráfico de barras apresenta cenários de -5% e -8% de variação no preço da arroba, demonstrando que reduções no preço da arroba impactam significativamente a rentabilidade. No cenário de -5%, a margem líquida do Boitel foi de R$ 393,22, da Parceria de Confinamento R$ 649,30 e da Venda Varejo R$ 141,02. Já no cenário de -8%, as margens caíram para R$ 377,06 (Boitel), R$ 236,26 (Parceria) e R$ 72,06 (Venda Varejo). É evidente que a Venda Varejo é a modalidade mais exposta e vulnerável a essas reduções, com sua margem líquida se aproximando de zero em um cenário de -8%. A Parceria, embora ainda apresente uma margem positiva, sofre uma redução considerável, indicando que, mesmo com os benefícios de integração, a rentabilidade não é imune às flutuações do mercado.

Figura 2 – Sensibilidade da margem líquida à variação do preço da arroba, % Desc. Ração e Custos Alimentação

Fonte: Elaborado pelo autor, 2026.

Além da variação no preço da arroba, a variação no custo da alimentação é outro fator crítico que impacta expressivamente as margens em todas as modalidades. A literatura, como Lopes et al. (2020), consistentemente aponta a alimentação como o principal componente do custo total no confinamento, podendo representar até 70% do total. Portanto, qualquer alteração nos preços dos insumos, como grãos e suplementos, tem um efeito cascata direto na viabilidade econômica. As análises de sensibilidade confirmam essa premissa, mostrando que, mesmo com diferentes estruturas de custos e subsídios, todas as modalidades são suscetíveis a aumentos nos custos de nutrição. Isso implica que a gestão eficiente da compra de insumos e a formulação de dietas se tornam estratégias ainda mais cruciais para a sustentabilidade do negócio, independentemente do modelo de terminação adotado. A capacidade de negociar preços de ração, como demonstrado pelo desconto na Parceria, pode ser um diferencial competitivo importante para mitigar esses riscos.

A interação com os seis clientes acompanhados, pecuaristas atuantes no mercado, revelou perfis distintos de decisão que complementam e, por vezes, transcendem os resultados puramente econômicos das simulações. Pecuaristas com maior disponibilidade de terra, recursos financeiros e mão de obra demonstraram uma inclinação à modalidade Venda Varejo. Eles valorizam a autonomia na gestão da engorda, a possibilidade de maior volume de produção e a integração do confinamento com outras atividades agrícolas, como o arrendamento de áreas para grãos. Essa preferência reflete um desejo de controle total sobre o processo produtivo e a capacidade de alavancar seus próprios recursos e infraestrutura. A autonomia, neste contexto, não é apenas uma questão de gestão, mas também de estratégia de negócios, permitindo ao produtor diversificar suas fontes de renda e otimizar o uso de sua propriedade. Este achado está em linha com Lopes et al. (2020), que destacam a importância da estrutura produtiva e da capacidade de gestão na escolha do modelo.

Por outro lado, produtores com maior aversão ao risco preferiram o Boitel. A transferência de responsabilidades operacionais e a redução da necessidade de capital imobilizado em infraestrutura são fatores decisivos para este grupo. A previsibilidade dos custos por diária ou por arroba produzida, aliada à expertise da empresa na gestão do confinamento, oferece uma sensação de segurança que é altamente valorizada. Millen et al. (2011) já apontavam que o Boitel se consolidava como uma alternativa para produtores que buscavam maior previsibilidade e menor necessidade de investimento em infraestrutura. A decisão de optar pelo Boitel, mesmo que as simulações iniciais mostrassem uma margem líquida menor que a Parceria, reflete uma priorização da estabilidade e da mitigação de riscos sobre o potencial de lucro máximo. Isso sugere que a percepção de risco e a segurança financeira são motivadores poderosos na tomada de decisão do pecuarista.

A Parceria de Confinamento foi considerada atrativa para pecuaristas intermediários, que buscavam um equilíbrio entre a redução de custos, a divisão de riscos e a participação no resultado final, sem abrir mão completamente da gestão. Este modelo atende a produtores em fase de intensificação produtiva, que talvez não possuam toda a infraestrutura ou capital para um confinamento próprio de grande escala, mas que desejam maior envolvimento do que o oferecido pelo Boitel. A assistência técnica e o subsídio nutricional fornecidos pela empresa são vistos como vantagens significativas, permitindo ao pecuarista aprender e otimizar suas operações com o apoio de especialistas. Essas percepções confirmam estudos de Millen et al. (2011) e Lopes et al. (2020), que associam a escolha do modelo de terminação ao perfil econômico e ao grau de especialização do produtor. A Parceria, portanto, é um modelo que facilita a transição para sistemas mais intensivos, oferecendo um caminho para o desenvolvimento e aprimoramento da atividade pecuária.

Um ponto relevante identificado nos acompanhamentos com os pecuaristas foi a preocupação com fatores macroeconômicos e geopolíticos. Oscilações cambiais, barreiras sanitárias internacionais e a demanda global por carne bovina são percebidas como variáveis externas que impactam diretamente o preço da arroba no mercado interno, afetando a rentabilidade de todas as modalidades. De acordo com a Embrapa (2022), tais variáveis externas estão entre os principais riscos da cadeia de carne bovina, reforçando a necessidade de um planejamento estratégico robusto para mitigar incertezas. A percepção dos pecuaristas sobre esses riscos externos demonstra uma visão holística do negócio, onde a gestão interna da propriedade precisa estar alinhada com as dinâmicas do mercado global. Isso implica que, para qualquer modalidade de terminação, a capacidade de monitorar e reagir a esses fatores externos é tão importante quanto a eficiência produtiva interna.

A análise qualitativa, baseada na percepção dos clientes, demonstrou um poder explicativo maior do que a análise puramente quantitativa isolada. Embora os resultados financeiros das simulações não apontassem diferenças expressivas entre as modalidades em termos de viabilidade geral, as preferências individuais foram moldadas pelo contexto específico de cada propriedade e pela visão de longo prazo do pecuarista. Este achado está alinhado com a metodologia de Bardin (2011), que enfatiza a importância da análise de conteúdo para interpretar fenômenos sociais complexos e subjetivos. A decisão pela modalidade de terminação, portanto, vai além de cálculos de custos e margens, envolvendo elementos intangíveis como a confiança na empresa parceira, a percepção de risco, as expectativas em relação ao mercado e, fundamentalmente, a autonomia desejada pelo produtor.

Em suma, o estudo de caso reforça que a adoção de modelos de intensificação na pecuária de corte depende tanto da viabilidade técnica e econômica quanto do alinhamento estratégico ao perfil de cada produtor. Não existe um modelo “melhor” em termos absolutos, mas sim o mais adequado para cada realidade. A Venda Varejo oferece autonomia e controle, mas com maior risco e exigência de capital. O Boitel proporciona previsibilidade e menor risco, ideal para quem busca terceirizar a operação. A Parceria de Confinamento, por sua vez, representa um modelo híbrido que compartilha riscos e benefícios, sendo atrativo para produtores em transição ou com recursos limitados. A combinação de abordagens quantitativas e qualitativas, juntamente com a utilização de tabelas e representações gráficas como a Figura 1 e a Figura 2, mostrou-se essencial para dar suporte às análises, permitindo maior clareza, transparência e robustez metodológica ao estudo, ao evidenciar não apenas os números, mas também as razões subjacentes às decisões dos pecuaristas.

4. Conclusão

Conclui-se que o objetivo foi atingido ao realizar uma análise comparativa aprofundada dos modelos de Venda Varejo de insumos, Boitel e Parceria de Confinamento, ofertados por uma empresa de nutrição animal e confinamento. O estudo avaliou suas diferenças técnicas, operacionais e econômicas, fornecendo subsídios valiosos para a tomada de decisão individualizada do produtor, sem a pretensão de identificar um modelo superior. Os resultados demonstraram que todas as modalidades apresentam viabilidade econômica em cenários estáveis, mas a escolha ideal é intrinsecamente ligada ao perfil do pecuarista, sua aversão ao risco, disponibilidade de capital e infraestrutura da propriedade. A Venda Varejo oferece autonomia com maior risco, o Boitel proporciona previsibilidade e menor investimento, e a Parceria de Confinamento equilibra riscos e benefícios, sendo atrativa para produtores em transição ou com recursos intermediários.

Contudo, é importante reconhecer as limitações deste estudo. As simulações econômicas foram baseadas em premissas padronizadas e um cenário de mercado específico, o que as torna sensíveis a flutuações externas, como variações no preço da arroba e nos custos de alimentação, que podem alterar significativamente a rentabilidade. Além disso, a análise qualitativa, embora tenha enriquecido a compreensão dos fatores decisórios, foi conduzida com um número restrito de pecuaristas. Para estudos futuros, sugere-se a ampliação da amostra qualitativa para validar e aprofundar as percepções dos produtores, bem como a investigação do desempenho dos modelos em diferentes regiões geográficas e sob cenários de mercado mais voláteis, incluindo a análise de impactos ambientais e sociais.

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Agronegócios do MBA USP/Esalq

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