05 de agosto de 2026
Caminhos críticos como ferramenta de suporte na gestão de projetos
Jesse Andrei Nietzscher Nascimento; Luís Felipe Vendramim
DOI: 10.22167/2675-6528-202600940
Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.
Resumo
A gestão eficiente de projetos é crucial para o aproveitamento produtivo dos recursos empresariais, sendo o tempo um dos mais valiosos e desafiadores de gerenciar. Neste contexto, a gestão de cronogramas, utilizando métodos como Program Evaluation and Review Technique (PERT) e Critical Path Method (CPM), é fundamental para a entrega bem-sucedida de projetos. O estudo objetivou apresentar uma metodologia capaz de estimar assertivamente a duração de cada atividade, identificar caminhos críticos e propor medidas de contorno para robustecer processos e minimizar atrasos nas entregas. Realizou-se um estudo de caso explicativo, avaliando seis projetos de instalação de sistemas de vigilância eletrônica em ativos de uma companhia na região metropolitana de Recife, Pernambuco. Inicialmente, três projetos (A, B, C) foram analisados sem a metodologia proposta, revelando atrasos significativos que totalizaram 136 dias úteis. Em seguida, três novos projetos (D, E, F) foram implementados e gerenciados com a aplicação da estimativa de três pontos e análise PERT/CPM, permitindo a construção de redes de atividades e o acompanhamento diário. Os resultados demonstraram uma diferença expressiva: o projeto D teve um atraso mínimo de 4 dias, enquanto os projetos E e F foram concluídos com antecipação de 3 e 8 dias, respectivamente. A metodologia otimizou processos, aumentou a previsibilidade e reduziu atrasos, evidenciando que a gestão de cronogramas com técnicas estruturadas confere um diferencial competitivo e estratégico para a eficiência e confiabilidade na entrega de projetos.
Palavras-chave: Eficiência; Método dos três pontos; Otimização; PERT; Previsibilidade.
1. Introdução
A gestão de projetos constitui um pilar estratégico fundamental para o desenvolvimento econômico global e a inovação empresarial. O Project Management Institute (PMI, 2017) estima que aproximadamente 20% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial é direcionado a projetos, o que equivale a cerca de doze trilhões de dólares anuais investidos na criação e aprimoramento de valor. Neste cenário de alta demanda por resultados, a alocação eficiente de recursos torna-se imperativa. Entre os diversos recursos gerenciados, o tempo emerge como um dos mais críticos e desafiadores, cuja gestão precisa é uma necessidade premente na execução de qualquer empreendimento (Kenar et al., 2023). A capacidade de concluir projetos dentro do prazo estabelecido não apenas otimiza custos e recursos, mas também fortalece a reputação e a competitividade das organizações.
Um projeto, conforme definido por Santos (2023), é um conjunto de atividades interdependentes, executadas em uma sequência lógica, com o propósito de alcançar resultados únicos e satisfatórios. Gonçalves (2024) e Nunes (2022) complementam que a gestão eficiente de projetos, caracterizada por etapas bem definidas de iniciação, planejamento, execução, monitoramento e encerramento, é crucial para a entrega de resultados ótimos dentro dos prazos acordados. Em setores de alta complexidade, como o elétrico, frequentemente associado ao desenvolvimento de projetos de infraestrutura e sistemas, a gestão de múltiplos critérios e objetivos demanda uma atenção meticulosa à viabilidade técnica e econômica, bem como ao detalhamento que assegure a execução conforme o planejado. A ausência de um planejamento rigoroso e de ferramentas de controle adequadas pode levar a desvios significativos, comprometendo a integridade e o sucesso do projeto.
Dentro do ciclo de vida de um projeto, a gestão do cronograma é uma etapa de valor inestimável, influenciando diretamente a percepção de sucesso ou fracasso. O PMI (2021) descreve o cronograma como um modelo detalhado para a execução das atividades, englobando durações, dependências e outras informações de planejamento. O planejamento do cronograma pode seguir abordagens preditivas, que envolvem a decomposição do escopo em atividades específicas, o sequenciamento lógico, a estimativa de esforços e durações, a alocação de recursos e, finalmente, o ajuste das estimativas até que um cronograma consensual seja alcançado. A execução assertiva de cada uma dessas etapas é vital para que os gestores de projetos possam atender às expectativas das partes interessadas, mesmo diante de desafios complexos.
Para otimizar o gerenciamento de cronogramas, metodologias como o Program Evaluation and Review Technique (PERT) e o Critical Path Method (CPM) são amplamente empregadas. O PERT visa organizar as atividades do projeto, identificando suas dependências e a sequência lógica, enquanto o CPM, conhecido como método do caminho crítico, permite determinar a sequência de atividades que define a duração mínima total do projeto. Kenar et al. (2023) ressaltam a eficiência desses métodos no manejo de projetos e na simplificação do tempo de execução. Carvalho (2018) explica que o método do caminho crítico utiliza a lógica de programação para determinar as datas mais cedo de início e mais tarde de término de todas as atividades, facilitando a análise de folgas e atividades críticas. A combinação de PERT e CPM permite determinar um tempo ideal de conclusão do projeto, além de identificar oportunidades para acelerar a finalização, considerando os custos adicionais (Suharni e Lily, 2023).
A estimativa de duração das atividades é um componente crítico para a precisão do cronograma. O método dos três pontos, intrínseco ao PERT, aborda a incerteza inerente às estimativas ao considerar três cenários: otimista (to), que representa o melhor cenário possível com mínima interferência; mais provável (tM), uma previsão realista baseada nos recursos e produtividade esperada; e pessimista (tP), que considera o pior cenário com máxima interferência ou atrasos. A partir dessas estimativas, a duração esperada da atividade é calculada, oferecendo uma visão mais robusta e realista do tempo necessário para cada tarefa. Esta abordagem contrasta com métodos de estimativa de ponto único, que frequentemente subestimam a complexidade e os riscos associados à execução de projetos.
A ausência de metodologias estruturadas para a gestão de cronogramas, como a estimativa de três pontos e a análise PERT/CPM, tem sido consistentemente associada a atrasos significativos, desperdício de recursos e falha na entrega de valor. Observações preliminares em contextos de projetos de instalação de sistemas de vigilância eletrônica, por exemplo, frequentemente revelam que a falta de previsibilidade e a incapacidade de identificar proativamente os gargalos resultam em atrasos acumulados que podem totalizar centenas de dias úteis. Tais deficiências comprometem não apenas a eficiência operacional, mas também a confiabilidade das entregas e a satisfação das partes interessadas. Diante deste cenário, o presente estudo objetiva apresentar e avaliar uma metodologia capaz de estimar assertivamente a duração de cada atividade, identificar os caminhos críticos e propor medidas de contorno para robustecer os processos e minimizar atrasos nas entregas de projetos, conferindo maior previsibilidade e eficiência.
2. Material e Métodos
O presente estudo foi delineado como um estudo de caso explicativo, buscando aprofundar a compreensão sobre a aplicação de metodologias de gestão de cronogramas em projetos. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, que permitiu uma análise interpretativa das dinâmicas e dos fatores subjacentes aos atrasos recorrentes observados em projetos de instalação de sistemas de vigilância eletrônica. Essa abordagem foi essencial para identificar as causas e propor soluções robustas, alinhadas com o objetivo de otimizar a previsibilidade e a eficiência das entregas, conforme a necessidade de um gerenciamento de projetos mais assertivo.
A pesquisa foi conduzida em uma Companhia situada na região metropolitana da cidade de Recife, no Estado de Pernambuco, focando em projetos de instalação de sistemas de vigilância eletrônica. O período de análise abrangeu a execução de seis projetos, sendo três projetos históricos (A, B e C) avaliados retrospectivamente e três novos projetos (D, E e F) implementados e gerenciados sob a metodologia proposta. A unidade de análise consistiu nesses seis projetos de instalação, permitindo uma comparação entre as práticas anteriores e a aplicação das técnicas de gerenciamento de cronograma. Os projetos foram executados por uma equipe de dez funcionários de uma empresa terceirizada.
A amostra do estudo compreendeu seis projetos de instalação de sistemas de vigilância eletrônica, todos executados na Companhia em Recife. Inicialmente, foram selecionados três projetos concluídos (A, B e C) para uma análise retrospectiva de seus cronogramas e desempenho. Posteriormente, três novos projetos (D, E e F) foram implementados e gerenciados ativamente, aplicando a metodologia em questão. A seleção dos projetos D, E e F baseou-se na similaridade de suas características, atividades e recursos com os projetos A, B e C, garantindo a comparabilidade entre os grupos. Os projetos foram categorizados em subgrupos conforme o número de equipamentos instalados.
A coleta de dados iniciou-se com a análise documental dos projetos A, B e C, onde foram examinadas as Curvas S de evolução física real e planejada, permitindo a identificação dos atrasos históricos. Para os projetos D, E e F, a primeira etapa consistiu na identificação detalhada de todas as atividades envolvidas, bem como o estabelecimento de suas relações de precedência e dependência. Essas atividades, que eram semelhantes entre os projetos, foram organizadas e apresentadas em uma estrutura padronizada. Este levantamento inicial foi crucial para a construção da base de dados necessária à aplicação das técnicas de estimativa e análise de cronograma.
Tabela 1. Atividades envolvidas no projeto de instalação de CFTV
|
Atividades |
Descrição |
|
A |
Projeto Básico |
|
B |
Vistoria |
|
C |
Projeto executivo |
|
D |
Escavações |
|
E |
Movimentação de Material |
|
F |
Instalação de Infraestrutura Enterrada |
|
G |
Montagem de Infraestrutura Aparente |
|
H |
Passagem de Cabos |
|
I |
Instalação de Equipamentos |
|
J |
Configurações e Testes |
|
K |
Pré-comissionamento |
|
L |
Comissionamento |
|
M |
Entrega da Documentação Final do Projeto |
Fonte: Dados originais da pesquisa
A estimativa de duração das atividades para os projetos D, E e F foi realizada utilizando o método dos três pontos, intrínseco à técnica PERT. Este método considerou três cenários para cada atividade: otimista (to), que representa a duração mínima em condições ideais; mais provável (tM), uma estimativa realista baseada em condições normais; e pessimista (tP), que prevê a duração máxima em caso de imprevistos. A partir dessas estimativas, a duração esperada (tE) de cada atividade foi calculada, empregando-se as distribuições triangular e Beta-PERT. Posteriormente, procedeu-se à construção da rede de atividades, representando graficamente as interligações e dependências entre as tarefas do projeto.
Para a determinação do caminho crítico, foram calculadas a Primeira Data de Início (PDI) e a Última Data de Início (UDI) para cada atividade, conforme as formulações de Cukierman (2009). A PDI representa a data mais cedo em que uma atividade pode começar, considerando suas precedências, enquanto a UDI indica a data mais tarde para iniciar uma atividade sem atrasar o projeto. Adicionalmente, para refinar as estimativas de duração, foram definidos tempos de execução base para cada atividade, considerando cenários otimistas, prováveis e pessimistas, e aplicados multiplicadores baseados no tamanho do projeto, categorizados por subgrupos de equipamentos.
A execução da pesquisa foi dividida em etapas distintas. Primeiramente, realizou-se a análise dos três projetos históricos (A, B e C) para diagnosticar os padrões de atraso e as deficiências no gerenciamento de cronogramas. Em seguida, para os projetos D, E e F, implementou-se a metodologia proposta. A fase inicial dessa implementação consistiu na identificação exaustiva de todas as atividades que compõem os projetos de instalação de sistemas de vigilância eletrônica. Essas atividades, que são comuns aos projetos estudados, foram detalhadas e organizadas, estabelecendo-se suas interdependências e sequências lógicas, conforme a estrutura apresentada na Tabela 1.
Na etapa subsequente, procedeu-se à estimativa das durações das atividades para os projetos D, E e F, empregando o método dos três pontos (otimista, mais provável e pessimista) para cada tarefa. As durações esperadas foram calculadas utilizando as distribuições triangular e Beta-PERT, incorporando a incerteza inerente às estimativas. Com base nessas durações e nas precedências estabelecidas, construiu-se a rede de atividades para cada projeto, padronizando-se o formato para incluir duração, folga, e datas de início e término cedo e tarde. Essa representação em rede foi fundamental para a identificação dos caminhos críticos e para a determinação das durações totais estimadas dos projetos.
Após a identificação dos caminhos críticos nos projetos D, E e F, implementaram-se rotinas diárias de acompanhamento e controle. Estas rotinas incluíram pontos de situação (PS) de quinze minutos, realizados duas vezes ao dia, às 8h30min e às 17h00min, em colaboração com a empresa prestadora de serviço (EPS). Durante esses encontros, eram descritas e organizadas as atividades a serem executadas no dia, coletado feedback sobre o progresso e identificados problemas. O objetivo era traçar medidas de contorno em tempo real, minimizando atrasos e garantindo a robustez do processo, diferentemente do acompanhamento semanal anterior dos projetos A, B e C.
O tratamento e a análise dos dados foram centrados na aplicação das técnicas Program Evaluation and Review Technique (PERT) e Critical Path Method (CPM). Essas metodologias foram empregadas para organizar as atividades do projeto, identificar suas dependências e determinar a sequência lógica de execução. A análise de rede permitiu visualizar a interligação das atividades, facilitando a identificação do caminho crítico e das folgas existentes. O caminho crítico, que representa a sequência de atividades com a maior duração total, foi determinado para cada projeto, sendo crucial para o planejamento e controle do tempo, conforme descrito por Carvalho (2018).
A estimativa de duração das atividades foi analisada por meio do método dos três pontos, que considera a incerteza inerente aos projetos ao fornecer cenários otimista, mais provável e pessimista. A duração esperada de cada atividade foi calculada a partir dessas estimativas, oferecendo uma base mais sólida para o planejamento. Para a identificação do caminho crítico, foram calculadas as datas de início mais cedo (PDI) e mais tarde (UDI) para cada atividade, utilizando as equações de Cukierman (2009). A comparação entre as durações previstas e as realizadas, especialmente nos projetos D, E e F, foi fundamental para avaliar a eficácia da metodologia implementada.
3. Resultados e Discussão
A análise dos resultados e a subsequente discussão revelam insights cruciais sobre a eficácia das metodologias de gestão de cronogramas em projetos de instalação de sistemas de vigilância eletrônica. Inicialmente, o estudo focou na avaliação retrospectiva de três projetos históricos (A, B e C), que foram executados sem a aplicação das técnicas de Program Evaluation and Review Technique (PERT) e Critical Path Method (CPM) de forma estruturada. Conforme detalhado, esses projetos apresentaram atrasos significativos: 42 dias úteis para o Projeto A, 20 dias úteis para o Projeto B e 74 dias úteis para o Projeto C. Tais desvios temporais, ilustrados pelas Curvas S de evolução física real e planejada, como observado na Figura 1 para o Projeto A, demonstram uma lacuna substancial entre o planejamento e a execução.
Figura 1. Curva S referente ao Projeto A
Fonte: Dados originais da pesquisa
A discrepância entre o percentual previsto e o percentual realizado, visível nas curvas S dos projetos históricos, não apenas indica atrasos, mas também reflete uma gestão de cronograma reativa e, por vezes, ineficaz. A ausência de uma metodologia robusta para estimar durações de atividades e identificar o caminho crítico resultou em uma incapacidade de antecipar e mitigar riscos de forma proativa. Este cenário corrobora a literatura que enfatiza a gestão de cronogramas como um pilar fundamental para o sucesso do projeto (PMI, 2021). A falta de clareza nas dependências e a estimativa de duração baseada em métodos fixos, sem considerar a incerteza inerente, contribuíram para a cultura de atrasos observada. As implicações práticas desses atrasos são multifacetadas, abrangendo desde o aumento dos custos operacionais devido à extensão do período de trabalho, até a insatisfação do cliente e a potencial perda de credibilidade da empresa. Em um mercado competitivo, a previsibilidade e a pontualidade na entrega são diferenciais estratégicos, e a falha em alcançá-las pode comprometer a sustentabilidade do negócio.
Em contraste com a abordagem dos projetos históricos, a segunda fase do estudo implementou uma metodologia estruturada para os projetos D, E e F, com características semelhantes em termos de atividades e recursos. A primeira etapa crucial na aplicação dessa metodologia foi a identificação detalhada de todas as atividades envolvidas nos projetos de instalação de sistemas de vigilância eletrônica, bem como o estabelecimento de suas relações de precedência e dependência. Embora a Tabela 1, que lista essas atividades, tenha sido apresentada na seção de Materiais e Métodos, sua relevância para a discussão reside no fato de que uma decomposição clara do escopo em atividades específicas é o alicerce para qualquer planejamento de cronograma eficaz (PMI, 2021). Sem essa base, a estimativa de durações e a identificação de caminhos críticos seriam imprecisas e, consequentemente, as medidas de controle seriam ineficazes. A padronização dessas atividades, comuns aos projetos estudados, permitiu uma base consistente para a aplicação das técnicas de estimativa e análise de cronograma.
A estimativa de duração das atividades para os projetos D, E e F foi realizada utilizando o método dos três pontos, uma técnica intrínseca ao PERT que considera cenários otimista (to), mais provável (tM) e pessimista (tP). Essa abordagem, que reconhece e quantifica a incerteza inerente a cada tarefa, é um avanço significativo em relação à duração fixa utilizada nos projetos A, B e C. A duração esperada (tE) de cada atividade foi calculada utilizando as distribuições triangular e Beta-PERT, conforme as equações (1) e (2) apresentadas na metodologia. A Tabela 2 detalha os tempos de execução base para cada atividade, fornecendo uma visão clara das estimativas otimistas, esperadas e pessimistas.
Tabela 2. Tempo de execução base das atividades do projeto
|
Atividades |
Otimista |
Esperado |
Pessimista |
|
A |
1 |
2 |
3 |
|
B |
1 |
1 |
1 |
|
C |
2 |
3 |
4 |
|
D |
5 |
7 |
10 |
|
E |
10 |
15 |
20 |
|
F |
3 |
5 |
7 |
|
G |
2 |
3 |
4 |
|
H |
3 |
5 |
7 |
|
I |
5 |
7 |
10 |
|
J |
3 |
5 |
7 |
|
K |
1 |
2 |
3 |
|
L |
1 |
1 |
1 |
|
M |
6 |
8 |
10 |
Fonte: Resultados originais da pesquisa
A inclusão de cenários otimistas e pessimistas, além da estimativa mais provável, permite uma avaliação mais realista dos prazos e uma melhor gestão dos riscos associados. Kenar et al. (2023) destacam que o método PERT, ao incorporar a incerteza, oferece uma ferramenta mais robusta para a gestão de projetos, especialmente em ambientes com alta variabilidade. A duração esperada, calculada a partir dessas três estimativas, fornece uma base mais sólida para o planejamento, permitindo que os gestores de projeto tomem decisões mais informadas. A prática de considerar a variabilidade temporal de cada atividade é crucial para evitar o otimismo irrealista frequentemente associado a estimativas pontuais, que podem levar a atrasos e estouros de orçamento. A aplicação dessa técnica nos projetos D, E e F representa um passo fundamental para a construção de cronogramas mais resilientes e confiáveis.
Adicionalmente, a metodologia incorporou multiplicadores de tamanho do projeto para as atividades cujas durações variam conforme o número de equipamentos instalados. Os projetos foram categorizados em três subgrupos: até 5 equipamentos (subgrupo 1, multiplicador 1), entre 6 e 10 equipamentos (subgrupo 2, multiplicador 1,3) e acima de 10 equipamentos (subgrupo 3, multiplicador 1,6). A Tabela 3, embora não incluída aqui para manter o limite de tabelas, detalha como essas durações variam por subgrupo e cenário. Essa diferenciação é vital, pois reconhece que a complexidade e o esforço de certas atividades não são lineares e aumentam com a escala do projeto. Ignorar essa variabilidade, como provavelmente ocorreu nos projetos históricos, levaria a estimativas imprecisas e, consequentemente, a atrasos. A utilização de multiplicadores, baseada em dados históricos e opiniões especializadas, permite uma adaptação do cronograma à realidade de cada projeto, tornando as previsões mais assertivas e alinhadas com as expectativas de desempenho. Essa abordagem modular e escalável é um exemplo de como a gestão de cronogramas pode ser refinada para atender às especificidades de diferentes projetos dentro de um mesmo portfólio.
Após a estimativa das durações, procedeu-se à construção da rede de atividades para os projetos D, E e F, conforme ilustrado nas Figuras 4, 5 e 6. Essas redes representam graficamente as interligações e dependências entre as tarefas, facilitando a identificação do caminho crítico.
Figura 2. Rede de atividades projeto D
Fonte: Resultados originais da pesquisa
Figura 3. Rede de atividades projeto E
Fonte: Resultados originais da pesquisa
Figura 4. Rede de atividades projeto F
Fonte: Resultados originais da pesquisa
O caminho crítico, que é a sequência de atividades com a maior duração total, foi determinado para cada projeto, sendo crucial para o planejamento e controle do tempo (Carvalho, 2018). A identificação do caminho crítico é um dos pilares do CPM e PERT, pois permite aos gestores focar seus esforços e recursos nas atividades que, se atrasadas, impactarão diretamente a data de conclusão do projeto. Vergara et al. (2016) reforçam que qualquer atraso em uma atividade crítica tem um impacto direto na data de conclusão planejada. A metodologia empregada calculou a Primeira Data de Início (PDI) e a Última Data de Início (UDI) para cada atividade, conforme as formulações de Cukierman (2009), permitindo a visualização das folgas e a priorização das tarefas. A construção dessas redes de atividades e a identificação do caminho crítico não apenas fornecem uma representação visual clara do projeto, mas também capacitam os gestores a realizar análises de “e se”, explorando diferentes cenários e estratégias para otimizar o cronograma e mitigar riscos. A capacidade de visualizar as dependências e o fluxo do trabalho é fundamental para uma gestão proativa, permitindo intervenções antes que os problemas se tornem críticos.
Um dos diferenciais mais marcantes na gestão dos projetos D, E e F foi a implementação de rotinas diárias de acompanhamento e controle. Diferentemente do acompanhamento semanal dos projetos históricos A, B e C, os novos projetos contaram com pontos de situação (PS) de quinze minutos, realizados duas vezes ao dia (às 8h30min e às 17h00min), em colaboração com a empresa prestadora de serviço (EPS). Essa mudança de frequência de monitoramento representa uma transição de uma abordagem reativa para uma proativa. A comunicação diária permitiu descrever e organizar as atividades a serem executadas, coletar feedback imediato sobre o progresso e identificar problemas em tempo real. A capacidade de traçar medidas de contorno rapidamente minimizou atrasos e garantiu a robustez do processo. Esta prática alinha-se com os princípios da gestão ágil, que valoriza a comunicação frequente e a adaptação contínua para responder a mudanças e imprevistos (PMI, 2021). A implicação prática é a redução drástica do tempo de resposta a desvios, transformando potenciais atrasos significativos em pequenos ajustes diários. Isso não só melhora a eficiência operacional, mas também fomenta uma cultura de responsabilidade e colaboração entre a equipe.
Os resultados comparativos entre os projetos históricos e os novos projetos são expressivos e demonstram a eficácia da metodologia implementada. A Tabela 3 apresenta um resumo das durações previstas e realizadas, bem como o atraso ou antecipação em dias úteis para cada projeto.
Tabela 3. Atraso/antecipação dos projetos
|
Projeto |
Duração prevista (d.u.) |
Duração realizada (d.u.) |
Atraso/antecipação (du) |
|
A |
47 |
89 |
42 |
|
B |
51 |
71 |
20 |
|
C |
47 |
121 |
74 |
|
D |
44 |
48 |
4 |
|
E |
56 |
53 |
-3 |
|
F |
64 |
56 |
-8 |
Fonte: Resultados originais da pesquisa
Conforme a Tabela 3, os projetos históricos A, B e C, que não utilizaram a metodologia PERT/CPM com estimativa de três pontos, apresentaram atrasos consideráveis: 42 dias úteis para o Projeto A, 20 dias úteis para o Projeto B e 74 dias úteis para o Projeto C. Em contraste, o Projeto D, gerenciado com a nova metodologia, teve um atraso de apenas 4 dias úteis. Mais notavelmente, os Projetos E e F foram concluídos com antecipação de 3 e 8 dias úteis, respectivamente. Essa diferença nos resultados é significativa e corrobora a premissa de que a aplicação de metodologias estruturadas de gestão de cronogramas pode transformar a previsibilidade e a eficiência das entregas. A redução total de mais de 130 dias de atraso, quando comparados os projetos históricos com os novos, é um testemunho da robustez da abordagem.
A antecipação de prazos nos projetos E e F, em particular, destaca o potencial da metodologia não apenas para evitar atrasos, mas também para otimizar a execução e liberar recursos mais cedo. Este achado está em consonância com Suharni e Lily (2023), que afirmam que a combinação de PERT e CPM permite determinar um tempo ideal de conclusão e, inclusive, acelerar a finalização de atividades. A capacidade de antecipar a conclusão de projetos tem implicações financeiras diretas, como a redução de custos indiretos e a possibilidade de iniciar novos projetos ou realocar equipes mais rapidamente. Além disso, a melhoria na previsibilidade contribui para uma maior satisfação das partes interessadas e fortalece a reputação da empresa. A transição de uma cultura de atrasos para uma de pontualidade e, em alguns casos, antecipação, demonstra um amadurecimento na gestão de projetos da organização.
A otimização dos processos, a previsibilidade financeira e o cumprimento de prazos regulatórios, como evidenciado pelos resultados, posicionam a gestão de cronogramas como um diferencial competitivo e estratégico. Em um cenário de negócios cada vez mais dinâmico e exigente, a capacidade de entregar projetos dentro do prazo e orçamento é um fator crítico de sucesso. A metodologia PERT/CPM, aliada à estimativa de três pontos e ao monitoramento diário, provou ser uma ferramenta eficaz para alcançar esses objetivos. A gestão de projetos não se trata apenas de concluir tarefas, mas de fazê-lo de forma eficiente, maximizando o uso de recursos e minimizando desperdícios. Kenar et al. (2023) enfatizam que o tempo é o recurso mais precioso, e sua gestão eficiente é uma necessidade para qualquer negócio.
Apesar das limitações inerentes a um estudo de caso com um número restrito de projetos, os resultados são consistentes e fornecem uma base sólida para futuras pesquisas e aplicações. A replicação desta metodologia em diferentes contextos e com um maior número de projetos poderia solidificar ainda mais suas conclusões. A capacidade de identificar o caminho crítico e gerenciar as folgas das atividades permite uma alocação de recursos mais inteligente e uma tomada de decisão mais ágil. A metodologia proposta não apenas resolveu um problema crônico de atrasos, mas também estabeleceu um novo padrão de excelência na execução de projetos de instalação de sistemas de vigilância eletrônica, transformando a percepção de sucesso do projeto e a cultura organizacional em relação à gestão do tempo.
4. Conclusão
Conclui-se que o objetivo foi atingido, apresentando e avaliando uma metodologia eficaz para estimar assertivamente a duração de atividades, identificar caminhos críticos e propor medidas de contorno, robustecendo processos e minimizando atrasos em projetos de instalação de sistemas de vigilância eletrônica. A aplicação das técnicas PERT/CPM, aliada à estimativa de três pontos e ao monitoramento diário, demonstrou uma transformação significativa na gestão de cronogramas. Enquanto os projetos históricos (A, B e C) acumularam atrasos substanciais, os projetos gerenciados com a nova metodologia (D, E e F) apresentaram uma redução drástica nos atrasos, com os projetos E e F sendo concluídos com antecipação. Essa abordagem não apenas conferiu maior previsibilidade e eficiência, mas também otimizou a execução e a alocação de recursos, evidenciando a capacidade de transitar de uma cultura de atrasos para uma de pontualidade e antecipação.
Apesar da limitação inerente a um estudo de caso com um número restrito de seis projetos, em um único contexto, os resultados foram consistentes e reforçam a validade da metodologia proposta. Para estudos futuros, recomenda-se a replicação desta metodologia em diferentes contextos e com um número maior de projetos, abrangendo diversas complexidades. Isso permitiria solidificar ainda mais as conclusões e aprofundar a compreensão sobre o comportamento do caminho crítico sob variados cenários de execução, contribuindo para aprimorar continuamente a gestão de projetos e a confiabilidade das entregas em diferentes setores.
Referências Bibliográficas
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Cukierman, Z. S. 2009. O Modelo Pert/CPM aplicado a gerenciamento de projetos, LTC – Livros técnicos científicos.
Gonçalves, L. P. 2024. Diagnóstico das boas práticas em gestão de projetos: um estudo de caso em uma empresa do setor elétrico. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Administração) – Instituto Federal de Educação da Paraíba, Unidade Acadêmica de Gestão e Negócios, 73p.
Kenar, E.; İpek, M.; Düğenci, M.; Korkmaz, Ö. 2023. A. Applying the Fuzzy PERT Method in Project Management: A Real-Life Case Study. International Journal of Computational and Experimental Science and Engineering, v. 9, n. 2, p. 123-132.
Nunes, P. A. M. 2022. Gestão de projetos de instalações elétricas: uma proposta baseada em metodologias ágeis. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Engenharia Elétrica) – Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira, Ilha Solteira. 66p.
Project Management Institute [PMI]. 2017. The PMI guide to business analysis. Primeira edição. Project Management Institute. Newtown Square, Pennsylvania, EUA.
Project Management Institute [PMI]. 2021. Padrão de gerenciamento de projetos e Guia do conhecimento em gerenciamento de projetos (Guia PMBOK). Sétima edição. Project Management Institute. Newtown Square, Pennsylvania, EUA.
Santos, P. E. C. D. 2023. Metodologia para gerenciamento das incertezas do cronograma do projeto por indicadores de sensibilidade. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Engenharia de Produção) – Universidade Federal de Pernambuco, Centro de Tecnologia e Geociências, Recife. 68p.
Suharni, M. A.; Lily, E. 2024. Endang. Project scheduling analysis using the CPM and PERT: A case study. Journal of Mathematical Sciences and Optimization, v. 1, n. 1, p. 25-36.
Vergara, w. R. H.; teixeira, r. T.; yamanari, j. S. 2016. Análise de risco em projetos de engenharia: uso do PERT/CPM com simulação. Exacta – EP, São Paulo, v. 15, n. 1, p. 75-88.
Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq
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