05 de outubro de 2026
Modelo de negócio e viabilidade econômica de produção e comercialização de Crisântemo em Uberlândia-MG
Modelo de Negócio e Viabilidade Econômica de Produção e Comercialização de Crisântemo em Uberlândia-mg
Guilherme Ribeiro Afonso Domingos; Isabela Romanha De Alcantara
DOI: 10.22167/2675-6528-202602972
Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.
Resumo
O setor de flores e plantas ornamentais apresentou relevância econômica e crescimento estável no Brasil, com concentração produtiva regional. Observou-se que o atendimento de crisântemos à região do Triângulo Mineiro ocorria principalmente via distribuidores, o que aumentava custos e comprometia a qualidade do produto. Diante desse cenário, desenvolveu-se um modelo de negócio para a produção e comercialização de crisântemos destinados ao mercado de flores de corte, e analisou-se sua viabilidade econômica no município de Uberlândia (MG). O estudo classificou-se como um estudo de caso de natureza aplicada, utilizando métodos mistos (qualitativo e quantitativo). A pesquisa foi estruturada em três etapas: criação do modelo de negócio com Business Model Canvas, estudo de mercado por meio de questionários com potenciais clientes da região, e análise de viabilidade econômica. A avaliação econômica considerou Índice de Lucratividade, Valor Presente Líquido, Taxa Interna de Retorno e Payback, com horizonte de dez anos. Os resultados indicaram que a produção local de crisântemos apresentou potencial de viabilidade econômica, com redução de custos logísticos e melhoria na qualidade do produto. Os indicadores econômicos analisados apresentaram resultados favoráveis, indicando um retorno atrativo. Concluiu-se que a implantação de uma unidade produtiva de crisântemos na região estudada configura-se como uma alternativa promissora, com potencial para contribuir para o desenvolvimento econômico local e para o fortalecimento da cadeia produtiva da floricultura.
Palavras-chave: Análise econômica; Chrysanthemum morifolium; Cultivo protegido; Flor de corte.
1. Introdução
O mercado global de floricultura e plantas ornamentais caracteriza-se por sua expressiva dinamicidade, com movimentações financeiras que atingem a casa dos bilhões de dólares todos os anos e um contingente crescente de agentes produtores e consumidores (Neves e Pinto, 2015). Esse ecossistema internacional atravessa constantes adaptações para suprir as demandas de um mundo globalizado, o que reforça sua proeminência nos âmbitos cultural e econômico (Lan et al., 2022).
A expansão da floricultura em escala comercial no território brasileiro iniciou-se em meados da década de 1950, impulsionada fortemente pelos fluxos migratórios japoneses e holandeses, que consolidaram as bases produtivas do país (Neves e Pinto, 2015). Historicamente, os estados de Santa Catarina e São Paulo figuraram como os precursores no estabelecimento desses cultivos voltados ao mercado (Junqueira e Peetz, 2008).
A relevância econômica do setor de flores e plantas ornamentais no Brasil é evidenciada pelo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que praticamente dobrou de R$ 11,12 bilhões em 2017 para R$ 21,23 bilhões em 2024 (Cepea, 2024). Desse total, trinta por cento está atrelado ao segmento de decoração, seguido por autosserviço (vinte e um por cento), paisagismo (vinte por cento) e floriculturas (dezessete por cento) (Cepea, 2023).
No contexto nacional, o mercado de flores e plantas ornamentais apresenta como característica marcante a concentração regional da produção. De acordo com o Censo Agropecuário (IBGE, 2017), o estado de São Paulo respondeu, naquele ano, por trinta e cinco por cento da área total de produção de flores. Em seguida, destacou-se Minas Gerais, com treze por cento do total, enquanto os estados do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul participaram, cada um, com seis por cento da área cultivada.
O mercado brasileiro de flores vem se expandindo no que diz respeito ao consumo per capita. Embora apresente essa evolução, o Brasil ainda tem muito a desenvolver quando comparado a outros países com maior maturidade de mercado (Neves e Pinto, 2015). Em 2021, o consumo per capita estimado atingiu R$ 51,17, valor noventa e quatro vírgula oito por cento superior ao de 2013 (Ibraflor, 2022). A maior concentração de consumo per capita está nas regiões Sudeste e Sul, que representaram sessenta e um vírgula dois por cento e dezesseis vírgula sete por cento do mercado interno em 2021, respectivamente. Individualmente, São Paulo é líder em consumo, seguido por Minas Gerais (Ibraflor, 2022).
O setor produtor de flores no Brasil apresenta uma expressiva variedade de espécies comercializadas. O crisântemo (Chrysanthemum morifolium Ramat.), da família Asteraceae, figura entre os principais produtos vendidos como flor de corte e flor de vaso, sendo considerado uma cultura de altíssima relevância econômica (Ibraflor, 2022; Teixeira et al., 2013).
Apesar da proeminência do crisântemo, observa-se que o produto comercializado e entregue na região do Triângulo Mineiro é, majoritariamente, proveniente de produtores, cooperativas e distribuidores paulistas. Essa cadeia de suprimentos, em geral, faz com que a flor chegue à região alguns dias após a colheita, sendo intermediada por distribuidores, cuja atuação logística agrega custos adicionais ao valor final do produto e pode comprometer a qualidade e o frescor do produto.
Nesse contexto, a implantação de um modelo de negócio voltado à produção de crisântemos na região de Uberlândia (MG) em 2026 apresenta potencial para gerar benefícios relacionados à qualidade e à redução de custos para os consumidores locais. Ademais, a iniciativa pode evidenciar a viabilidade de uma atividade econômica relevante para pequenos produtores da região, fomentando o desenvolvimento produtivo local. Diante disso, este trabalho tem como objetivo desenvolver um modelo de negócio para a produção e comercialização de crisântemos destinados ao mercado de flores de corte, bem como analisar sua viabilidade econômica no município de Uberlândia (MG).
2. Material e Métodos
O estudo classificou-se como um estudo de caso de natureza aplicada, com caráter exploratório e descritivo. Adotou-se uma abordagem metodológica mista, combinando métodos qualitativos e quantitativos. A pesquisa foi estruturada em três etapas: criação e definição do modelo de negócio, estudo de mercado por meio de questionário, e análise de viabilidade econômica.
A primeira etapa consistiu na criação e definição do modelo de negócio, utilizando a ferramenta Business Model Canvas (BMC). O BMC permitiu compreender as relações entre os agentes da cadeia produtiva, os insumos necessários e a estrutura para a geração de valor, descrevendo componentes como parceiros-chave, atividades, propostas de valor, relacionamento com clientes, segmentos, recursos, canais, estrutura de custos e fluxos de receita (Osterwalder e Pigneur, 2011).
Na segunda etapa, elaborou-se um questionário, apresentado no Apêndice 1, com perguntas baseadas no BMC para subsidiar a pesquisa de mercado. O objetivo foi avaliar a demanda e estimar valores de comercialização. A coleta de dados foi realizada online via Google Forms, utilizando amostragem em bola de neve. Identificaram-se 68 potenciais respondentes em 12 municípios das regiões do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, incluindo Uberlândia. A coleta ocorreu entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, resultando em 18 respostas válidas.
A terceira etapa dedicou-se à análise de viabilidade econômica, empregando dados quantitativos em um horizonte de dez anos para cálculos de depreciação e valor residual. Os custos de produção foram levantados por meio de pesquisa junto a fornecedores e empresas da cadeia produtiva. Contou-se com o apoio de uma empresa produtora de mudas de Crisântemo e fornecedores de insumos da região de Holambra-SP, além de orçamentos de equipamentos de irrigação.
Para a estrutura produtiva, considerou-se a implantação de 14 módulos de estufa com iluminação artificial de LED. Cada módulo possuía 51 metros de comprimento por 6,4 metros de largura. Treze módulos foram destinados à produção efetiva, e um módulo remanescente para rotação de culturas e testes. O ciclo produtivo médio foi de 90 dias, com estimativa de 4 ciclos anuais por módulo, totalizando 52 ciclos anuais. O planejamento produtivo foi escalonado com plantios semanais da variedade Crisântemo Zembla, com 65 plantas por metro quadrado de canteiro.
Os custos do empreendimento foram categorizados em fixos e variáveis. Os custos fixos incluíram folha de pagamento de cinco colaboradores, arrendamento da área, serviços terceirizados de contabilidade e consultoria, despesas administrativas e pró-labore da gestão. O investimento inicial abrangeu infraestrutura de estufas, terraplanagem, barracão, câmara fria, maquinários como trator e pulverizador, equipamentos de irrigação e parte elétrica/iluminação. Os custos variáveis foram dimensionados conforme a escala de produção e agrupados por etapas do ciclo fenológico da cultura.
A análise de viabilidade econômica e financeira utilizou os indicadores Índice de Lucratividade (IL), Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR) e Payback. O IL mensurou o retorno do projeto em relação ao custo inicial (Lapponi, 2007). O VPL representou a diferença entre recebimentos e pagamentos do projeto, a valor atual (Gitman, 2004). A TIR foi a taxa de desconto que igualou o valor presente dos fluxos de caixa (Assaf Neto, 2019). O Payback indicou o período de recuperação do investimento inicial (Friedlob e Plewa, 1996; Lapponi, 2007). A Taxa Mínima de Atratividade (TMA) foi calculada pelo modelo Capital Asset Price Model (CAPM), conforme Crundwell (2008). Os cálculos foram realizados com o software MS Excel, em um horizonte de 10 anos. O planejamento tributário baseou-se na figura do Produtor Rural Pessoa Física (PRPF), com alíquota de 27,5% sobre o lucro tributável após deduções.
Em relação aos cuidados éticos, a pesquisa de mercado foi conduzida com a aplicação de um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), conforme detalhado no Apêndice 1. Este termo garantiu a voluntariedade da participação, a possibilidade de desistência a qualquer momento e a confidencialidade das informações fornecidas pelos respondentes, assegurando o anonimato e a utilização dos dados exclusivamente para os fins do estudo.
3. Resultados e Discussão
Os resultados obtidos a partir das três etapas fundamentais deste estudo permitiram o detalhamento da estruturação estratégica de uma empresa de produção e comercialização de crisântemos, por meio do Modelo de Negócio Canvas. Inicialmente, foi possível reconhecer a lógica de sua criação e o sentido de sua entrega de valor. Para fundamentar e validar a demanda encontrada, a pesquisa de mercado realizada junto a potenciais clientes da região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba consolidou a análise da necessidade local e sondou os preços de venda projetados. Por fim, os dados quantitativos de custos e investimentos foram confrontados com as expectativas de mercado, determinando a rentabilidade e a sustentabilidade financeira do projeto na produção de crisântemos para a região pretendida, dada sua relevância econômica para o cenário nacional.
Primeira Etapa
Modelo de Negócio Canvas – BMC
O Modelo de Negócio Canvas (BMC) proposto para a empresa estudada foi detalhado e se baseia em um cenário com foco principal em transações “Business to Business” (B2B), embora com oportunidades pontuais de venda no varejo, especialmente em datas comemorativas como o Dia de Finados. Os segmentos de clientes identificados incluem floriculturas, funerárias e decoradores de eventos, sendo que o setor de funerárias, em particular, oferece uma demanda mais recorrente, contribuindo para a estabilidade financeira do negócio. A escolha da estratégia B2B justifica-se pela escala de produção e pela natureza perecível do produto, pois esses clientes possuem maior capacidade de compra, facilitando o escoamento rápido da produção e utilizando o crisântemo como matéria-prima, não apenas como produto final.
A estrutura do BMC delineou os parceiros-chave, que incluem fornecedores de insumos como mudas certificadas, fertilizantes, substratos e defensivos, além de empresas de logística com transporte refrigerado e fornecedores de embalagens. Alianças estratégicas com organizadores de eventos, cooperativas de comércio e associações de classe, bem como parcerias com equipes técnicas e de pesquisa, também foram consideradas essenciais. As atividades-chave abrangem o planejamento de safras, ecofisiologia de cultivos, irrigação, nutrição, manejo integrado de pragas e doenças, colheita, pós-colheita, embalagem, logística e vendas, garantindo a eficiência operacional.
Os principais recursos identificados para o negócio englobam a área agricultável, as estufas e instalações de cultivo com sistema de irrigação, máquinas agrícolas como trator, encanteiradora e pulverizador, produtos para manejo agrícola e uma equipe técnica e operacional qualificada. A proposta de valor central do empreendimento reside na logística ágil e confiável para entrega rápida, preços competitivos para atacado e varejo, proximidade com o cliente que favorece compras adicionais, e a boa qualidade do produto, destacada pelo “Shelf Life” e frescor, ambos beneficiados pela proximidade entre produção e cliente. Essa vantagem competitiva é crucial em um mercado de produtos perecíveis.
As relações com o consumidor preveem atendimento personalizado com canais de contato dedicados, um programa de fidelidade e contratos de fornecimento com vantagens sazonais, garantia mínima de qualidade e padronização do produto, além de logística eficiente com entregas programadas e um Acordo de Nível de Serviço (SLA) de frescor. Os canais de venda incluem e-commerce para varejo e atacado, venda direta B2B para floriculturas e funerárias, e parcerias com decoradores e empresas de eventos locais. A entrega física será realizada por transportadora e logística própria, enquanto a comunicação e marketing utilizarão redes sociais e telefone.
A estrutura de custos foi dividida em insumos agrícolas, aluguel/arrendamento de área, mão de obra direta para colheita, classificação e embalagem, infraestrutura e depreciação de estufas, armazéns e equipamentos, energia, água e climatização, e logística, embalagem e transporte. Os fluxos de receita provêm principalmente da venda de produtos físicos, com o crisântemo como flor de corte para clientes recorrentes. O Modelo de Negócio Canvas, portanto, evidencia que a sustentabilidade econômica do projeto não depende apenas da eficiência produtiva, mas também da integração estratégica entre a localização, a proximidade com o mercado consumidor e a diversificação dos segmentos atendidos, com a logística e o frescor das flores como diferenciais competitivos.
Segunda Etapa
Estudo de Mercado
Os resultados obtidos por meio dos questionários foram fundamentais para validar e complementar o BMC, além de fornecerem informações cruciais para o estudo de viabilidade econômica. A pesquisa de mercado revelou que 50% dos entrevistados eram funerárias, 37% floriculturas e o restante dividido entre mercados/varejo e decoradores/empresas de eventos. A maioria das empresas entrevistadas, 87,5%, já estava consolidada no mercado, com mais de dez anos de atuação. Os estabelecimentos entrevistados estavam localizados em doze cidades, incluindo Uberlândia, o que demonstra a abrangência regional da pesquisa.
A utilização do crisântemo concentra-se majoritariamente em coroas fúnebres e arranjos florais, com dez respostas para cada finalidade, seguida por ornamentação de urnas funerárias (cinco respostas) e decoração de eventos e buquês (três respostas cada). A revenda em varejo obteve apenas uma resposta. Essa predominância reflete a demografia da pesquisa, onde floriculturas e funerárias representaram 89% do total de respondentes, indicando que a aplicação do produto está intrinsecamente ligada à natureza predominante dos modelos de negócio analisados, especialmente no setor de serviços póstumos e de floricultura tradicional.
Ao estratificar a utilização por tipo de empreendimento, observou-se uma especialização funcional distinta. No segmento de decoradores e empresas de eventos, 50% dos respondentes utilizam o crisântemo exclusivamente para decoração, enquanto a outra metade não o utiliza, sugerindo possível substituição por outras espécies. Em contraste, floriculturas e funerárias apresentam um portfólio de uso mais diversificado e equilibrado. Nas floriculturas, o crisântemo é um item versátil e essencial para a manutenção do giro de estoque, sendo utilizado em arranjos florais, buquês, coroas fúnebres e decoração. Nas funerárias, o uso concentra-se em arranjos florais, coroas fúnebres e ornamentação, reforçando o papel da espécie como insumo fundamental.
Os fatores que mais influenciam a escolha do fornecedor foram “Preço”, com dezesseis respostas, e “Qualidade e durabilidade”, com doze respostas. Esses achados se conectam diretamente com a proposta de valor do BMC, que enfatiza a oferta de produtos de alta qualidade a preços competitivos. As principais dificuldades enfrentadas na compra de crisântemos incluem “Variação na qualidade”, com nove respostas, “Preço elevado” e “Longa distância do fornecedor”, ambos com sete respostas. A correlação entre esses fatores indica uma demanda latente por um fornecedor local que possa garantir padronização do produto e reduzir custos logísticos, preenchendo uma lacuna no mercado.
A análise da origem do crisântemo adquirido pelos entrevistados revelou que pelo menos 83% do produto consumido na região provém de São Paulo, seja diretamente de produtores, da CEASA ou por meio de atravessadores. A “variação na qualidade” citada pelos entrevistados pode ser um reflexo do estresse pós-colheita e do transporte prolongado, conforme apontado por Silveira (1997) ao discutir a padronização de crisântemos. A produção local, ao reduzir o tempo entre colheita e entrega, pode garantir um *shelf life* superior e maior frescor do produto, além de um controle de qualidade mais rigoroso e uma entrega *just-in-time*, minimizando perdas e garantindo o padrão estético exigido.
O fator “preço elevado” pode ser combatido pela redução drástica dos custos logísticos, como frete e perdas por quebra ou murchamento, o que a economia de escala local permite. Isso possibilita oferecer preços mais competitivos para atacado e varejo, sem sacrificar a margem de lucro. Um dos entrevistados expressou a intenção de aumentar a frequência de compras, especialmente em períodos de alta demanda, mas essa estratégia é inviável devido ao custo do frete atual. A proximidade do fornecedor, portanto, é um diferencial competitivo que pode impulsionar a demanda e a frequência de compra.
Em relação aos canais de compra, 72% dos produtores preferem o WhatsApp, seguido pelo atendimento presencial com 17% e telefone com 6%. A preferência pelo WhatsApp, alinhada ao BMC, sugere que o investimento em ferramentas online deve ser prioritário. Contudo, o atendimento humano, que representa 23% (17% presencial e 6% por telefone), indica que uma parcela dos clientes é mais tradicional, tornando o contato físico um pilar importante para atender a quase um quinto da base de clientes. Essa dualidade exige uma estratégia de canais de comunicação e vendas que combine a eficiência digital com a personalização do contato humano.
A análise de sensibilidade de preços, baseada nas respostas dos clientes, mostrou que o mercado utiliza 20 hastes como padrão para um pacote/maço de crisântemo. Os preços considerados adequados variaram de R$10,00 a R$60,00, com uma mediana de R$37,50 e uma média de R$35,00. Esses valores foram utilizados como referência para a definição dos preços de comercialização no estudo de viabilidade. Um dos respondentes indicou que o preço do crisântemo varia ao longo do ano, com flutuações entre R$20,00 e R$50,00 nos últimos anos, o que reforça a necessidade de flexibilidade na estratégia de precificação.
Terceira Etapa
Análise de Viabilidade Econômica
O investimento total do negócio foi de R$1.356.538,00 no ano zero do projeto, incluindo a Necessidade de Capital de Giro (NCG). A NCG foi calculada para cobrir os custos totais (fixos e variáveis) durante os 120 dias iniciais, período que compreende os 90 dias até a primeira colheita e mais 30 dias para a comercialização. Ao longo dos dez anos do projeto, novos investimentos são previstos para equipamentos com vida útil inferior ao período total. A maior parte do capital investido, aproximadamente 48%, está relacionada à construção das estufas, totalizando R$529.275,00, o que garante um ambiente controlado essencial para a qualidade e produtividade do crisântemo, uma cultura sensível a doenças fúngicas e que requer proteção contra intempéries, conforme Barbosa et al. (2019).
O projeto prevê a implantação de quatorze módulos de estufa, dos quais treze serão utilizados efetivamente para produção, com o módulo remanescente destinado à rotação de culturas, testes de novas variedades e ampliação da produção em períodos de alta demanda. Cada módulo possui 224,4 metros quadrados de área de cultivo efetivo, totalizando 3.141,6 metros quadrados para os quatorze módulos. Com um ciclo produtivo médio de 90 dias, cada módulo realiza aproximadamente quatro ciclos completos por ano, resultando em um total estimado de 52 ciclos anuais para os treze módulos em produção. O planejamento produtivo é escalonado com plantios semanais, permitindo colheitas contínuas ao longo do ano, embora no primeiro ano as colheitas se iniciem após os primeiros 90 dias, cobrindo 75% das semanas.
Para o plantio do crisântemo, foi selecionada a variedade Zembla, de coloração branca, com mudas adquiridas diretamente de viveiro especializado. A densidade de plantio considerada foi de 65 plantas por metro quadrado de canteiro. A premissa de eficiência de produção adotada foi de 90% do total de mudas plantadas, em um cenário intermediário/realista, considerando que 10% das plantas sofrerão danos irreversíveis, similar ao sugerido por Shiroto et al. (2016) que consideraram 8% de perdas. Em cada módulo de estufa, serão produzidas 14.586 plantas por ciclo, totalizando 34.131 pacotes de 20 hastes por ano, considerando a eficiência de 90%.
A receita no primeiro ano do projeto é de R$959.941,00, evoluindo para R$1.279.922,00 a partir do segundo ano. Essa diferença é explicada pela redução nas semanas de colheita no primeiro ano. O preço do pacote/maço foi definido em R$37,50, valor intermediário e mediana dos preços informados pelos respondentes da pesquisa de mercado. Os custos de produção foram categorizados em fixos e variáveis, sendo os custos fixos a maior parcela, com 97% representados por salários de funcionários e pró-labore do administrador, evidenciando a alta dependência de mão de obra. Nos custos variáveis, o plantio é o item de maior peso, correspondendo a 60% do total, e as mudas representam 80% desse montante. Embora o lucro líquido e o fluxo de caixa sejam positivos, o alto custo fixo exige alta eficiência operacional para diluir as despesas.
A partir do fluxo de caixa, foram calculados os indicadores de viabilidade econômica. O Valor Presente Líquido (VPL) do projeto foi de R$551.390,53, indicando que o projeto é viável e gera valor financeiro, pois um VPL positivo significa ganho financeiro após recuperar e remunerar o capital investido, considerando uma Taxa Mínima de Atratividade (TMA) de 15% ao ano (Silva e Janni, 2021). A TMA foi definida em 12,6%, calculada pelo modelo Capital Asset Price Model (CAPM), utilizando a taxa básica de juros (SELIC) como taxa livre de risco e o retorno da bolsa de valores (Ibovespa) para o retorno esperado do mercado, com um Beta do setor “Agricultura” de 0,69.
A Taxa Interna de Retorno (TIR) calculada foi de 21%, superando a TMA de 12,6%, o que confirma a viabilidade do investimento, conforme Lapponi (2007). O Payback simples do projeto foi de 4,2 anos, enquanto o Payback descontado foi de 5,9 anos, representando o período necessário para a recuperação do investimento inicial, considerando o valor do dinheiro no tempo (Lapponi, 2007). O Índice de Lucratividade (IL) obtido foi de 1,41, indicando um lucro de R$0,41 para cada R$1,00 investido, ou seja, um retorno de R$1,41 além da TMA ao longo do período do projeto.
A análise de sensibilidade, realizada por meio da ferramenta “Teste de Hipótese – Tabela de Dados”, apresentou diversos cenários de VPL em função das variações de preço de venda e rendimento de produtividade. Observou-se que um preço de R$25,00 inviabiliza o projeto em qualquer cenário de produtividade. Para o preço de R$31,25, o VPL é negativo para rendimento igual ou inferior a 90%, mas torna-se positivo com eficiência de 100%, indicando que a produtividade pode salvar o investimento em preços menores. No cenário intermediário, que serviu como base para o trabalho, o projeto suporta quedas de até 10% na produtividade, mantendo o VPL positivo. No cenário otimista, um aumento do preço para R$50,00, aliado à eficiência máxima, eleva o VPL para mais de R$2,9 milhões, demonstrando alto potencial de lucro. O planejamento tributário adotado baseou-se na figura do Produtor Rural Pessoa Física (PRPF), aplicando uma alíquota de 27,5% sobre o lucro tributável após a dedução de despesas operacionais e depreciação.
Em síntese, a análise da viabilidade econômica da produção de crisântemos na região de Uberlândia demonstrou que o modelo de negócio proposto apresenta um potencial significativo de viabilidade. Os resultados favoráveis dos indicadores econômicos, como VPL, TIR e Payback, indicam um retorno atrativo ao longo do horizonte de dez anos. A redução de custos logísticos e a possibilidade de oferta de um produto com maior qualidade e menor tempo entre colheita e comercialização, conforme evidenciado pela pesquisa de mercado, são fatores-chave para o sucesso. A demanda regional existente e a capacidade de suprir essa demanda com um produto de qualidade superior e preço competitivo posicionam o empreendimento como uma alternativa promissora para o desenvolvimento econômico local e o fortalecimento da cadeia produtiva da floricultura.
4. Conclusão
O presente estudo buscou desenvolver um modelo de negócio para a produção e comercialização de crisântemos destinados ao mercado de flores de corte, bem como analisar sua viabilidade econômica no município de Uberlândia (MG). Verificou-se que o modelo de negócio proposto, estruturado com foco em transações B2B, apresenta uma proposta de valor robusta, pautada na logística ágil, preços competitivos, proximidade com o cliente e garantia de qualidade e frescor do produto. A pesquisa de mercado, realizada com potenciais clientes da região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, evidenciou uma demanda regional latente por um fornecedor local, dada a predominância de produtos provenientes de São Paulo e as dificuldades enfrentadas pelos compradores, como variação na qualidade, preço elevado e longa distância dos fornecedores. Os resultados da análise de viabilidade econômica, com um horizonte de dez anos, indicaram um Valor Presente Líquido de R$551.390,53, uma Taxa Interna de Retorno de 21% (superior à Taxa Mínima de Atratividade de 12,6%), um Payback simples de 4,2 anos e um Índice de Lucratividade de 1,41, confirmando o potencial de retorno atrativo do investimento.
A principal contribuição deste trabalho reside na demonstração da viabilidade de uma unidade produtiva de crisântemos na região de Uberlândia, que pode gerar benefícios significativos pela redução de custos logísticos e pela oferta de um produto com qualidade superior e menor tempo entre colheita e comercialização. Contudo, a análise de sensibilidade revelou que variações nas receitas e nos custos operacionais podem impactar a viabilidade do empreendimento, aumentando o risco associado ao investimento. Além disso, a pesquisa de mercado, embora tenha validado a demanda, contou com um número limitado de respondentes, o que sugere a necessidade de estudos mais amplos para uma compreensão ainda mais aprofundada do mercado. Conclui-se que a implantação de uma unidade produtiva de crisântemos na região estudada configura-se como uma alternativa promissora, com potencial para contribuir para o desenvolvimento econômico local e para o fortalecimento da cadeia produtiva da floricultura.
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Teixeira et al., 2013 [Referência completa não encontrada no documento original]
Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Negócios do MBA USP/Esalq
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