Artigo

08 de julho de 2026

Impactos da Implementação do Distribution Requirements Planning (DRP) na Eficiência Logística de uma Cooperativa Agroindustrial

David de Oliveira Evangelista e Matheus Luís Docema

DOI: 10.22167/2675-6528-202600002

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação

Resumo

A crescente complexidade da cadeia de suprimentos no setor agroindustrial exige estratégias eficientes de planejamento logístico, especialmente diante da instabilidade da demanda, sazonalidade e pressão por redução de custos. Nesse contexto, o Distribution Requirements Planning (DRP) destaca-se como uma ferramenta relevante para otimização dos fluxos de distribuição e gestão de estoques. O objetivo deste estudo foi avaliar os efeitos da implementação do Distribution Requirements Planning (DRP) na eficiência operacional de uma cooperativa agroindustrial, analisando sua contribuição para a organização dos fluxos de distribuição, gestão de estoques e melhoria do nível de serviço em produtos de demanda empurrada. A pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso, com abordagem qualitativa e quantitativa, utilizando dados coletados no sistema ERP da cooperativa no período de janeiro de 2022 a dezembro de 2024. Foram analisados indicadores como lead time, nível de cobertura de estoque, organização dos fluxos logísticos e registros de perdas de venda. Os resultados indicaram melhorias associadas à implementação do DRP, com redução do lead time médio de 10 para 6 dias, diminuição de 2,75 milhões de peças no estoque médio mensal e queda de 38% nas perdas de venda. Conclui-se que a aplicação do DRP contribuiu para maior eficiência operacional, redução de custos e melhoria no nível de serviço ao cooperado.

Palavras-chave: agronegócio; cadeia de suprimentos; demanda empurrada; DRP; gestão de estoques.

Introdução

A gestão da cadeia de suprimentos tem se tornado cada vez mais complexa, exigindo das organizações maior eficiência e capacidade de adaptação frente às oscilações do mercado. No setor agroindustrial, esses desafios são intensificados pela sazonalidade da demanda, pela dependência de fatores climáticos e pela necessidade constante de redução de custos operacionais. Nesse contexto, o planejamento logístico assume papel fundamental para garantir a disponibilidade de produtos e a eficiência das operações. Segundo Ballou (2006), a gestão da cadeia de suprimentos envolve o alinhamento entre oferta e demanda, sendo essencial para o desempenho organizacional. Bowersox e Closs (2001) destacam que a logística é responsável por assegurar que os produtos certos estejam disponíveis no local e no momento adequados.

A relevância desse tema pode ser observada a partir da crescente pressão por eficiência nas operações logísticas, especialmente em cadeias longas e complexas como as do agronegócio. Empresas que não possuem um planejamento estruturado tendem a enfrentar problemas como excesso de estoque, rupturas e baixa confiabilidade no atendimento. Além disso, a necessidade de redução de custos e aumento do nível de serviço tem levado organizações a adotarem ferramentas que possibilitem maior controle e previsibilidade dos fluxos logísticos, tornando o planejamento da distribuição um fator estratégico para a competitividade.

Diante desse cenário, o Distribution Requirements Planning (DRP) surge como uma ferramenta voltada ao planejamento das necessidades de distribuição e ao controle de estoques. O DRP permite que as empresas antecipem demandas, organizem o fluxo de abastecimento e reduzam ineficiências ao longo da cadeia. De acordo com Bowersox, Closs e Cooper (2014), a integração das informações logísticas é essencial para melhorar o desempenho da cadeia de suprimentos, reduzindo incertezas e aumentando a eficiência operacional. Nesse sentido, o DRP contribui para a sincronização entre os diferentes elos da cadeia, promovendo maior visibilidade e controle das operações.

Além disso, estudos apontam que a adoção de sistemas estruturados de planejamento impacta diretamente o desempenho logístico. Slack et al. (2010) destacam que ferramentas como o DRP permitem sincronizar os níveis de estoque entre diferentes elos da cadeia logística, reduzindo faltas e excessos de produtos e contribuindo para maior eficiência operacional. De forma complementar, Christopher (2016) ressalta que o planejamento logístico estruturado permite melhor utilização dos recursos e maior capacidade de resposta às variações do mercado, sendo um fator determinante para a competitividade organizacional.

Dessa forma, considerando a importância do planejamento logístico e a necessidade de maior eficiência na gestão da cadeia de suprimentos, este estudo justifica-se pela análise da aplicação do DRP em uma cooperativa agroindustrial. Embora o DRP seja amplamente discutido em ambientes industriais, estudos aplicados em cooperativas agroindustriais, caracterizadas por múltiplos pontos de distribuição e elevada variabilidade operacional, ainda são limitados. O objetivo deste estudo foi avaliar os efeitos da implementação do Distribution Requirements Planning (DRP) na eficiência operacional de uma cooperativa agroindustrial, analisando sua contribuição para a organização dos fluxos de distribuição, gestão de estoques e melhoria do nível de serviço em produtos de demanda empurrada.

Material e Métodos

A pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso, com abordagem qualitativa e quantitativa, de natureza exploratória e descritiva. O estudo foi realizado em uma cooperativa agroindustrial localizada em Campo Mourão, Paraná, considerando o período de janeiro de 2022 a dezembro de 2024. A análise concentrou-se nas operações logísticas relacionadas ao fornecimento de insumos agrícolas, com foco em produtos de demanda empurrada. Os dados foram coletados diretamente no sistema ERP da cooperativa, abrangendo registros de transferências entre unidades, níveis de estoque e perdas de venda. A amostra contemplou todas as movimentações relacionadas ao grupo de produtos analisado ao longo dos 36 meses, permitindo comparações ao longo do processo de evolução da implementação do DRP.

Foram definidos como principais indicadores de análise: tempo médio de atendimento de pedidos (lead time), nível de cobertura de estoque, organização dos fluxos logísticos e registros de ruptura de estoque (perdas de venda). Os dados quantitativos foram organizados em planilhas eletrônicas (Excel) e analisados com o auxílio do software Power BI, possibilitando a construção de gráficos e análises comparativas. Essa etapa permitiu identificar tendências e mudanças de comportamento associadas à implementação do DRP.

A análise dos resultados foi realizada de forma descritiva e interpretativa, buscando relacionar os indicadores analisados com os efeitos da implantação do sistema, permitindo avaliar os ganhos operacionais obtidos ao longo do período estudado.

Resultados e Discussão

Foram analisadas as transferências realizadas entre as unidades da cooperativa durante os anos de 2022, 2023 e 2024, classificadas em três categorias: logística–logística, em que a central de distribuição envia produtos para centrais de distribuição regionalizadas; logística–lojas: centrais de distribuição geral ou regionalizada enviam produtos para lojas; e lojas–lojas: transferências realizadas diretamente entre unidades comerciais (Figura 1). Observou-se que, à medida que os produtos foram sendo integrados ao DRP, houve uma mudança significativa na dinâmica das transferências. Em 2022, as transferências entre lojas representavam 50,6% do total de movimentações realizadas, reduzindo para 30% em 2023 e 19,7% em 2024. Em contrapartida, as operações de logística para lojas e logística para logística aumentaram, passando de 49,4% em 2022 para 70% em 2023 e 80,3% em 2024 (Figura 1).

Figura 1. Percentual por categoria do fluxo de transferências para os anos 2022, 2023 e 2024 na cooperativa agrícola em Campo Mourão, Paraná

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Esse resultado está alinhado com Christopher (2011), que destaca que a estruturação da rede logística reduz movimentações desnecessárias e aumenta a eficiência operacional. De forma complementar, Novaes (2007) afirma que a programação estruturada dos fluxos de abastecimento contribui para melhor utilização dos recursos logísticos. Observou-se também um aumento na média de requisições mensais, que passaram de aproximadamente 21 mil em 2022 para 35 mil em 2024 (Figura 2).

Figura 2. Quantidades de pedidos gerados mensalmente para os anos 2022, 2023 e 2024 na cooperativa agrícola, em Campo Mourão, Paraná

Fonte: Resultados originais da pesquisa

 Esse comportamento indica um processo de abastecimento mais cadenciado, o que contribui para maior previsibilidade e organização das operações. Segundo Chopra e Meindl (2016), ciclos de reabastecimento mais frequentes reduzem incertezas e permitem melhor controle dos estoques. Esse resultado também converge com estudos aplicados em ambientes logísticos, que apontam que a maior frequência de abastecimento reduz variações operacionais e melhora o desempenho da cadeia de suprimentos. Outro indicador importante foi a redução do lead time médio de atendimento de pedidos, que se manteve próximo de 10 dias entre 2022 e 2023. A partir de 2024, a média do lead time reduziu-se para aproximadamente 6 dias. Essa diminuição reforça a eficiência do sistema implementado, e a organização do fluxo logístico (Figura 3).

Figura 3. Lead time médio mensal para os anos 2022, 2023 e 2024 na cooperativa agrícola, em Campo Mourão, Paraná

Fonte: Resultados originais da pesquisa

De acordo com Ballou (2006), a redução do lead time está diretamente associada à melhoria do nível de serviço e à redução de custos logísticos. Além disso, Bowersox et al. (2007) destacam que operações mais ágeis contribuem para maior flexibilidade e competitividade. Esse resultado é consistente com estudos empíricos que demonstram que a organização dos fluxos logísticos e a padronização dos processos são fatores determinantes para a redução do tempo de atendimento. Outros estudos apontam que a organização do fluxo logístico gera reduções reais no lead time, como Mello et al. (2016), ao analisarem uma rede varejista de flores, identificaram que reorganizações nos processos logísticos e ajustes em fornecedores e rotas podem reduzir o lead time em cerca de 80%. Kamaroski (2019), por sua vez, constatou numa indústria de máquinas que a adoção de práticas do método estruturado para redução do lead time, que está relacionada à organização do fluxo logístico em toda cadeia de suprimentos, levou a uma queda estimada de 35% no lead time.

No que se refere ao nível de estoque, verificou-se uma redução significativa ao longo do período analisado. Em 2022, o estoque oscilava entre 14,7 milhões e 15,6 milhões de peças, apresentando uma média mensal de aproximadamente 15,15 milhões de peças em estoque. Em 2023, por sua vez, após a implementação e controle via DRP observou-se uma redução na oscilação dos níveis de estoque, que passaram a variar entre 13,2 milhões e 14,3 milhões de peças, com uma média mensal de 13,76 milhões de peças. Essa tendência de redução continuou em 2024, ano em que o estoque oscilou entre 12 milhões e 13 milhões de peças, resultando em uma média mensal de 12,4 milhões de peças em estoque.

Dessa forma, os resultados demonstram uma diminuição significativa no nível médio de estoque ao longo desses três anos, saindo de 15,15 milhões de peças em 2022 para 12,4 milhões de peças em 2024. Essa redução representa uma diminuição de aproximadamente 2,75 milhões de peças no estoque médio mensal da cooperativa, o que indica uma melhoria expressiva no controle e na eficiência do gerenciamento de estoques (Figura 4).

Figura 4. Volume de peças em estoque mensal nos anos 2022, 2023 e 2024 na cooperativa agrícola, em Campo Mourão, Paraná

Fonte: Resultados originais da pesquisa

De acordo com Chopra e Meindl (2016), a redução dos níveis de estoque, quando associada à manutenção do nível de serviço, reflete uma operação mais eficiente e menos suscetível a desperdícios. Esse resultado também evidencia o papel do DRP na definição de políticas de reposição mais adequadas. Em relação à ruptura de estoque, observou-se uma redução expressiva nos registros de perdas de venda. O número de ocorrências caiu de 8.411 em 2022 para 5.209 em 2024, representando uma redução de 38% (Figura 5). Esse resultado demonstra melhora na disponibilidade de produtos e no atendimento ao cooperado. Segundo Slack et al. (2019), a redução da ruptura está diretamente relacionada à eficiência das políticas de estoque e à capacidade de resposta da cadeia de suprimentos.

Figura 5. Registros de perdas de venda em 2022, 2023 e 2024 ocorridas na cooperativa agrícola, em Campo Mourão, Paraná

Fonte: Resultados originais da pesquisa

O DRP permitiu sincronizar o abastecimento entre centros de distribuição e lojas, reduzindo transferências emergenciais e melhorando a utilização dos estoques. Os ganhos observados podem ser explicados principalmente pela centralização do fluxo logístico e pela maior previsibilidade proporcionada pelo DRP. A redução das transferências entre lojas diminuiu retrabalhos e deslocamentos desnecessários, enquanto o abastecimento mais cadenciado permitiu melhor planejamento das operações, reduzindo gargalos e aumentando a eficiência do processo logístico como um todo.

Os resultados deste estudo contribuem para a literatura ao demonstrar, em um contexto real de cooperativa agroindustrial, que a implementação do DRP pode gerar ganhos simultâneos em diferentes indicadores logísticos, como redução de lead time, diminuição de estoques e queda nos níveis de ruptura. Do ponto de vista prático, evidencia-se que a adoção de ferramentas estruturadas de planejamento permite maior controle operacional, redução de custos e melhoria no nível de serviço, sendo uma estratégia relevante para organizações com cadeias de suprimentos complexas.

Como limitação, destaca-se que o estudo não considerou modelos de previsão de demanda, fator que pode influenciar diretamente os resultados obtidos, especialmente em ambientes com alta variabilidade. Ainda assim, os resultados apresentados demonstram de forma consistente os impactos positivos da implementação do DRP na eficiência logística da cooperativa.

Conclusão

A aplicação do DRP reestruturou significativamente a malha logística, resultando na redução das transferências diretas entre lojas de 50,6% em 2022 para 19,7% em 2024. Concomitantemente, observou-se uma otimização no tempo de atendimento de pedidos, com o lead time médio diminuindo de dez para seis dias, o que contribuiu para aprimorar a confiabilidade do serviço prestado aos cooperados. A implementação do DRP também gerou impactos positivos na gestão de estoques, com uma redução do estoque médio mensal em 2,75 milhões de peças, liberando capital de giro e minimizando riscos de obsolescência. Adicionalmente, identificou-se uma queda de 38% nos registros de perdas de venda entre 2022 e 2024, indicando maior disponibilidade de produtos e eficiência operacional. A principal contribuição deste estudo reside em evidenciar os ganhos operacionais e financeiros concretos que a aplicação do DRP proporcionou à cooperativa, potencialmente fortalecendo sua competitividade no setor agroindustrial. Contudo, a persistência de transferências entre lojas, principalmente devido à instabilidade e sazonalidade da demanda, aponta para uma limitação do sistema em lidar plenamente com essas variações. Sugere-se, para estudos futuros, o desenvolvimento de ferramentas que possam aumentar a assertividade da previsão de demanda, visando aprimorar ainda mais a eficiência de toda a cadeia de abastecimento e potencializar os benefícios do DRP.

Referências Bibliográficas

Ballou, R.H. 2001. Gerenciamento da cadeia de suprimentos: planejamento, organização e logística empresarial. Bookman, Porto Alegre, RS, Brasil.

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Bowersox, D.J.; Closs, D.J.; Cooper, M.B. 2014. Gestão logística da cadeia de suprimentos. 4. ed. AMGH, Porto Alegre, RS, Brasil.

Chopra, S.; Meindl, P. 2016. Gestão da cadeia de suprimentos: estratégia, planejamento e operação. 6. ed. Pearson, São Paulo, SP, Brasil.

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Christopher, M. 2016. Gestão da Cadeia de Suprimentos: Estratégia, Planejamento e Operações. 5ed. Cengage Learning, São Paulo, SP, Brasil.

Kamaroski, A.K. 2019. Diminuição de lead time em uma indústria de máquinas e equipamentos: um estudo de caso. Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação em Engenharia de Produção. Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR, Brasil.

 Disponível em: <https://acervodigital.ufpr.br/handle/1884/70358>. Acesso em: 27 set. 2025.

Mello, L.T.C. de; Dornfeld, H.C.M.; Santos, G.G. dos; Passos, D.; Ribeiro, R.; Godinho Filho, M. 2016. Análise do lead time nos processos logísticos de uma rede varejista de flores. Revista Produção Online 16: 1406-1431.

Novaes, A.G. 2007. Logística e Gerenciamento da Cadeia de Distribuição: estratégia, operação e avaliação. 3ed. Elsevier, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Slack, N.; Chambers, S.; Johnston, R. 2010. Operations management. Pearson education.

Slack, N.; Brandon-Jones, A.; Johnston, R. 2019. Administração da produção. 8. ed. Atlas, São Paulo, SP, Brasil

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Agronegócios do MBA USP/Esalq

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