Artigo

07 de outubro de 2026

Embalagens: decisão de compra e análise da percepção de valor entre homens e mulheres

Embalagens: Decisão de Compra e Análise da Percepção de Valor entre Homens e Mulheres

Isabelle Benevides Monteiro; Leonardo Carlim

DOI: 10.22167/2675-6528-202603011

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

A embalagem atua como extensão da marca no ponto de venda, transmitindo mensagens de valor, qualidade e identidade que influenciam a percepção do consumidor e sua decisão de compra. O estudo investigou a percepção do consumidor sobre o papel das embalagens na geração de valor e na decisão de compra, considerando as diferenças de critérios entre homens e mulheres. Adotou-se uma abordagem quantitativa e qualitativa, com aplicação de questionário estruturado a 260 respondentes brasileiros maiores de 18 anos, sendo 130 homens e 130 mulheres, entre janeiro e fevereiro de 2026. O instrumento utilizou escalas Likert para avaliar atributos visuais, funcionais, simbólicos, emocionais e relacionados à sustentabilidade das embalagens. Os resultados evidenciaram padrões distintos entre os gêneros: mulheres associaram valor a atributos simbólicos, emocionais e informacionais, enquanto homens priorizaram atributos funcionais, como praticidade e durabilidade. A embalagem mostrou-se relevante em contextos de incerteza e equivalência de preço, atuando como critério de decisão para ambos os grupos. Observou-se ainda um desalinhamento entre a valorização declarada da sustentabilidade e a disposição efetiva de pagamento por produtos sustentáveis. Concluiu-se que a embalagem constitui um elemento estratégico na construção de valor e na orientação da decisão de compra, reforçando a importância de considerar as diferenças de percepção entre os perfis de consumidores.

Palavras-chave: Comportamento do consumidor; Decisão de compra; Embalagem; Gênero; Percepção de valor.

1. Introdução

As embalagens desempenham um papel essencial na interface entre o produto e o consumidor. Além de proteger e preservar o conteúdo, elas funcionam como uma extensão da marca no ponto de venda, transmitindo mensagens de valor, identidade e qualidade. Esses atributos, juntamente com aspectos emocionais, são cruciais para a percepção do consumidor (Harun & Moury, 2019). A estética, a funcionalidade e a sustentabilidade das embalagens são cada vez mais valorizadas, refletindo a busca dos consumidores por experiências de compra alinhadas às suas preferências e valores (Bara et al., 2021).

Considerando a multiplicidade de funções das embalagens, torna-se fundamental para as empresas compreender quais atributos mais atraem o consumidor em um mercado altamente competitivo. Elementos como design atrativo, facilidade de uso e inovação são determinantes para captar a atenção do público e influenciar as decisões de compra (Hasibuan & Nuraeni, 2023). As escolhas relacionadas ao desenvolvimento de embalagens e rótulos impactam diretamente o sucesso de um produto, moldando a percepção de valor e as estratégias de posicionamento da marca (Pride & Ferrel, 2016).

A embalagem transcendeu sua função meramente protetiva para assumir um papel estratégico na comunicação e na construção da percepção de valor do produto. No ponto de venda, ela atua como um estímulo visual poderoso, capaz de atrair a atenção, despertar o interesse e influenciar a intenção de compra, muitas vezes substituindo a interação direta com um vendedor (Stefano, 2012). Esse papel estratégico se manifesta por meio de elementos simbólicos e emocionais, como cores, formato, tipografia e organização das informações, que podem gerar crenças, emoções e inferências sobre a qualidade do produto (Garrán, 2006). Atributos visuais e funcionais influenciam diretamente a decisão de compra, aumentando a atratividade e facilitando a compreensão das informações, reforçando a identidade da marca (Borges et al., 2017).

A influência da embalagem na decisão de compra não se limita à sua capacidade de atrair atenção. Ela também reside na forma como as informações e os elementos visuais são utilizados na avaliação do produto. Em cenários de informação limitada sobre uma marca ou produto, a embalagem serve como uma fonte de sinais, auxiliando na formação de expectativas sobre qualidade, funcionalidade e valor. Assim, características como design, organização das informações, materiais, formato e elementos gráficos contribuem para reduzir incertezas e orientar a escolha entre as alternativas disponíveis (Underwood & Klein, 2002; Silayoi & Speece, 2007).

Essa relevância é amplificada em situações de comparação entre produtos semelhantes. Quando as alternativas apresentam características funcionais próximas ou preços equivalentes, os elementos comunicados pela embalagem ganham maior importância como critérios de diferenciação. A embalagem pode, então, funcionar como um fator de desempate, permitindo que o consumidor estabeleça preferências com base em atributos que vão além das características intrínsecas do produto, como percepção de qualidade, identificação com a marca, praticidade e clareza das informações (Silayoi & Speece, 2007).

Contudo, a decisão de compra é um processo multifacetado, influenciado por diversos fatores além da embalagem, como características do produto, preço, familiaridade com a marca, necessidades individuais e o contexto de compra. A embalagem, nesse processo, é um dos estímulos presentes no ambiente de decisão, e seu peso pode variar conforme a situação. A compreensão de quais atributos da embalagem são valorizados e como se relacionam com a percepção de valor e a escolha do produto é crucial para o comportamento do consumidor e para o desenvolvimento de estratégias de marketing eficazes.

A influência das embalagens não é uniforme entre os consumidores. Homens e mulheres, por exemplo, tendem a reagir de maneira distinta aos estímulos visuais, emocionais e funcionais, o que sugere que o design pode desempenhar papéis diferentes na construção do valor percebido (Kemp & Kopp, 2011; Milner & Fodness, 2018). No contexto brasileiro, essa discussão é particularmente relevante devido à forte participação feminina nas decisões de compra. Além disso, características demográficas como idade, renda e escolaridade também modulam a interpretação dos estímulos da embalagem, afetando a percepção de valor, a confiança na marca e a intenção de compra (Oliveira, 2022; Paiva et al., 2024).

Embora diversas variáveis possam influenciar a percepção da embalagem, este estudo optou por restringir sua análise comparativa à variável gênero. Essa escolha se justifica pela relevância do gênero no comportamento de compra brasileiro e pela lacuna de pesquisas nacionais que abordam o tema sob essa ótica. Essa delimitação metodológica permitiu uma análise aprofundada, sem desconsiderar a influência de outras variáveis, que são reconhecidas como fatores complementares na discussão dos resultados. Assim, aprofundar o entendimento sobre como homens e mulheres percebem e reagem às embalagens é fundamental para otimizar as estratégias de marketing e comunicação.

Diante desse cenário, a presente pesquisa se justifica pela necessidade de preencher a lacuna de conhecimento sobre as diferenças de percepção de valor e decisão de compra entre gêneros no contexto das embalagens no Brasil. O objetivo deste estudo foi investigar a percepção do consumidor sobre o papel das embalagens na geração de valor e na decisão de compra, considerando as diferenças de critérios entre homens e mulheres.

2. Material e Métodos

O presente estudo caracterizou-se como uma pesquisa de natureza exploratória e descritiva, conforme as classificações de Gil (2008). Adotou-se uma abordagem metodológica mista, combinando elementos qualitativos e quantitativos, em linha com as diretrizes de Malhotra (2012). Essa escolha visou proporcionar uma compreensão abrangente sobre a influência das embalagens na decisão de compra, com foco nas percepções diferenciadas entre homens e mulheres, alinhando-se ao objetivo central da investigação.

A investigação foi estruturada em duas etapas principais. Inicialmente, realizou-se um levantamento do referencial teórico, que incluiu a revisão de livros, artigos científicos e relatórios de mercado. Essa fase concentrou-se em temas como design de embalagens, comportamento do consumidor, percepção de valor e a influência do gênero nas decisões de compra. O objetivo foi fundamentar teoricamente a análise e definir as variáveis pertinentes ao estudo.

A segunda etapa consistiu na pesquisa de campo, que envolveu a aplicação de um questionário estruturado. A amostra foi de natureza não probabilística por conveniência, totalizando 260 participantes brasileiros, todos maiores de 18 anos. Para garantir a consistência das análises comparativas, a amostra foi composta por 130 homens e 130 mulheres. Estabeleceu-se como critério de seleção a equivalência numérica entre os gêneros, desconsiderando-se novas respostas de um grupo ao atingir sua cota, até que o outro grupo também a completasse.

O questionário foi desenvolvido com base em estudos clássicos e contemporâneos sobre comportamento do consumidor, incluindo as contribuições de Solomon (2018) e Meyers-Levy e Loken (2015). Esses autores abordam as diferenças de gênero no processamento de informações, na percepção de valor e na resposta a estímulos visuais e emocionais. O instrumento continha questões fechadas, como múltipla escolha e respostas binárias, e uma questão aberta, para capturar percepções espontâneas.

As questões referentes aos atributos das embalagens foram avaliadas por meio de uma escala Likert de cinco pontos, onde 1 representava “Discordo totalmente” e 5, “Concordo totalmente”. O instrumento abordou atributos visuais, como cores e design; funcionais, como praticidade e formato; e simbólico-emocionais, como emoções e confiança na marca. Também foram incluídos aspectos de sustentabilidade e disposição ao pagamento, seguindo a classificação de Silayoi e Speece (2007) sobre elementos visuais e informacionais.

A coleta de dados ocorreu de forma online, utilizando a ferramenta Google Forms, entre 12 de janeiro de 2026 e 1º de fevereiro de 2026. O questionário foi distribuído por meio de plataformas digitais e redes sociais, com a solicitação de compartilhamento entre os contatos dos participantes. Esse método permitiu alcançar um número expressivo de respondentes em um período concentrado. Durante todo o processo, assegurou-se o anonimato e a confidencialidade das respostas, em conformidade com os princípios éticos da pesquisa acadêmica.

Para a análise dos dados, empregou-se uma abordagem comparativa entre os grupos de gênero, com foco na atribuição de valor aos diferentes elementos da embalagem. As respostas obtidas nas escalas Likert foram processadas para identificar padrões e diferenças nas médias de percepção entre homens e mulheres. Adicionalmente, realizou-se uma análise qualitativa das respostas abertas, buscando identificar elementos da embalagem que mais chamavam a atenção dos participantes e as justificativas espontâneas para suas percepções.

3. Resultados e Discussão

A presente seção detalha os achados da pesquisa sobre a percepção do consumidor acerca do papel das embalagens na geração de valor e na decisão de compra, com foco nas distinções entre homens e mulheres. Os resultados revelaram padrões consistentes de valorização de atributos, indicando que a embalagem transcende sua função protetiva para se firmar como um elemento estratégico na comunicação da marca e na orientação das escolhas do consumidor. A análise comparativa entre os gêneros, juntamente com a observação de variáveis como idade e renda, permitiu uma compreensão aprofundada dos mecanismos pelos quais a embalagem influencia o comportamento de compra no contexto brasileiro.

O perfil dos respondentes da pesquisa foi predominantemente composto por indivíduos com idades entre 25 e 34 anos, residindo em grandes centros urbanos. A maioria possuía escolaridade superior ou pós-graduação e uma renda mensal individual que variava entre R$2.000,00 e R$7.000,00. Esses participantes declararam realizar compras de uma a três vezes por mês, principalmente em lojas físicas, e se identificaram como corresponsáveis pelas compras domésticas. As categorias de produtos mais frequentemente selecionadas para o questionário foram alimentos e bebidas, seguidas por higiene pessoal. Esse perfil demográfico sugere uma amostra com maior nível de escolaridade e inserção urbana, o que foi considerado na interpretação dos resultados, especialmente no que tange à valorização de atributos informacionais e à percepção sobre sustentabilidade.

A Embalagem como Geradora de Valor

A análise da geração de valor percebido pela embalagem, baseada em atributos visuais, funcionais e simbólico-emocionais, evidenciou padrões distintos entre os gêneros. As mulheres atribuíram as maiores médias aos atributos simbólicos e emocionais. Elas pontuaram sistematicamente mais alto nas afirmações de que a embalagem contribui para a imagem, a confiança e a identificação com os valores da marca. Para o público feminino, a embalagem funciona como um veículo de comunicação da proposta da marca, capaz de despertar emoções positivas, reforçar a credibilidade e aumentar a percepção de valor do produto. Esse comportamento está alinhado ao processamento holístico da informação, conforme descrito por Meyers-Levy e Loken (2015), onde estímulos visuais, simbólicos e emocionais são integrados para uma avaliação global do produto.

Em contraste, a geração de valor entre os homens concentrou-se nos atributos funcionais. As questões relacionadas à influência do formato, facilidade de manuseio, durabilidade, praticidade e clareza das informações funcionais obtiveram médias mais altas para o público masculino em comparação ao feminino. Para uma parcela significativa dos homens, a embalagem é avaliada como uma extensão da utilidade do produto, devendo facilitar o uso, proteger o conteúdo e comunicar objetividade. Esse padrão de resposta corrobora o modelo de processamento seletivo de Solomon (2018), que enfatiza a priorização de atributos instrumentais por parte dos consumidores masculinos na avaliação do produto.

A análise comparativa das médias por dimensão da embalagem entre homens e mulheres revelou que, para atributos visuais, as mulheres apresentaram uma média de 4.21, enquanto os homens registraram 4.10. Nos atributos funcionais, as mulheres obtiveram uma média de 4.03, e os homens, 3.91. Já para os atributos simbólico-emocionais, as mulheres alcançaram 4.38, e os homens, 4.13. Esses dados, embora com algumas nuances, reforçam a literatura que indica que os atributos da embalagem não são percebidos de forma homogênea, e que a geração de valor pode seguir diferentes caminhos dependendo do perfil do consumidor (Meyers-Levy & Loken, 2015; Solomon, 2018).

Uma análise transversal por faixa etária revelou padrões adicionais. Respondentes entre 18 e 24 anos, independentemente do gênero, tenderam a pontuar mais alto nos atributos visuais, indicando maior sensibilidade estética e uma influência mais acentuada do apelo visual na formação do valor percebido. Por outro lado, os participantes entre 35 e 54 anos demonstraram maior peso atribuído às informações funcionais e à confiança na marca. Essa tendência sugere uma maturidade no processo decisório em faixas etárias mais avançadas, onde a embalagem é avaliada mais pela utilidade e credibilidade que transmite do que pelo apelo estético imediato.

O nível de renda também se mostrou uma variável relevante na percepção de valor. Respondentes com renda individual acima de R$ 7.000 apresentaram maior concordância com a afirmação de que a embalagem faz o produto parecer mais valioso e contribui para a confiança na marca. Para esse grupo, um design de qualidade funciona como um sinal de credibilidade. Em contraste, entre os respondentes de menor renda, o peso da embalagem na percepção de valor foi mais modesto, com maior variância nas respostas, indicando que o preço ainda atua como critério principal nesse segmento de mercado.

A variação do índice simbólico-emocional por faixa etária e gênero demonstrou que as mulheres mantiveram médias mais elevadas em todas as faixas etárias, com picos para ambos os gêneros na faixa de 25 a 34 anos. Especificamente, para mulheres, as médias foram 4.39 (18-24 anos), 4.45 (25-34 anos), 4.20 (35-44 anos), 4.00 (45-54 anos) e 5.00 (55+ anos). Para homens, as médias foram 4.27 (18-24 anos), 4.31 (25-34 anos), 4.11 (35-44 anos) e 3.56 (45-54 anos), com um asterisco indicando menos de cinco respondentes na faixa 55+ para homens. Esses dados reforçam a complexidade da percepção de valor, que é modulada por múltiplas variáveis além do gênero.

A Embalagem como Fator Decisivo na Compra

A análise das questões diretamente relacionadas à decisão de compra revelou que, para mais de 90% dos participantes, a embalagem exerce influência na escolha, independentemente do gênero. Contudo, o mecanismo dessa influência difere significativamente entre os grupos. A afirmação de que a embalagem influencia a escolha entre produtos similares de marcas diferentes obteve alta concordância em ambos os grupos, com uma leve vantagem para as mulheres. A análise qualitativa das respostas abertas corroborou esse padrão, mostrando que mulheres frequentemente descrevem a experiência de serem atraídas por uma embalagem antes de precisar do produto, convertendo o apelo visual em intenção de compra não planejada. Homens, por sua vez, tendem a descrever a embalagem como um fator de comparação racional, especialmente ao avaliar a praticidade ou a clareza das informações sem conhecer previamente a marca.

A questão sobre a disposição a pagar mais por uma embalagem melhor elaborada revelou uma dissociação entre a percepção de valor e o comportamento de compra efetivo. Embora a embalagem aumente a percepção de valor para a maioria dos respondentes, isso não se traduziu em uma disposição proporcionalmente maior ao pagamento. Entre as mulheres, observou-se uma tendência mais acentuada de associar a aceitação de um preço mais elevado à percepção de qualidade premium, à estética sofisticada e ao alinhamento com valores de sustentabilidade. Já entre os homens, o pagamento adicional foi justificado, com maior frequência, pela durabilidade e pela funcionalidade superior da embalagem.

A afirmação de que, mesmo sem conhecer a marca, a embalagem pode ser decisiva na escolha obteve alta concordância para ambos os gêneros, confirmando seu papel como atalho cognitivo na tomada de decisão, conforme descrito por Silayoi e Speece (2007). No cenário de equivalência de preço entre produtos, a influência da embalagem é ainda mais potencializada, atuando como fator de desempate. Nesse contexto, o público feminino tende a decidir com base em atributos estéticos e na identificação com os valores da marca, enquanto o público masculino orienta a escolha por atributos de praticidade e funcionalidade claramente comunicados.

Os resultados comparativos da concordância com a decisividade da embalagem em contextos de incerteza mostraram que, para a afirmação “Mesmo sem conhecer a marca, a embalagem pode ser decisiva na minha escolha” (Q33), as mulheres apresentaram uma média Likert de 3.73, enquanto os homens registraram 3.57. Para a afirmação “Mesmo quando o preço é semelhante, a embalagem pode ser decisiva na minha escolha” (Q34), as médias foram 3.98 para mulheres e 3.90 para homens. A variação da média entre os dois cenários foi de +0.17 para mulheres e +0.41 para homens, indicando que a percepção de decisividade da embalagem aumenta mais significativamente para os homens em situações de equivalência de preço.

Esse achado está em consonância com Underwood e Klein (2002) e Silayoi e Speece (2007), que destacam a embalagem como fonte de informações e sinais para auxiliar o consumidor na avaliação do produto, especialmente em situações de informações limitadas ou equivalência de preço. Os dados desta pesquisa reforçam essa perspectiva, evidenciando que a embalagem ganha maior relevância em contextos de incerteza e equivalência de preço. Contudo, os resultados também adicionam uma dimensão ao que é apresentado pela literatura, ao demonstrar que os critérios de desempate variam entre os gêneros, com mulheres valorizando mais atributos estéticos e informativos ligados à identidade da marca, e homens priorizando praticidade e funcionalidade.

Um padrão adicional emergiu ao cruzar o papel da embalagem na decisão de compra com o local de compra. Entre os respondentes que realizam compras predominantemente online, a embalagem manteve sua relevância, sendo avaliada por meio de imagens e descrições do anúncio. Nesse canal, a capacidade da embalagem de comunicar visualmente qualidade e identidade de marca, antes mesmo do contato físico, torna-se ainda mais crítica. Isso é particularmente verdadeiro para o público feminino, que demonstrou maior sensibilidade a elementos estéticos e informativos mesmo no ambiente digital, reforçando a importância de uma comunicação visual eficaz em todos os canais de venda.

Sustentabilidade: Intenção Declarada e Comportamento Efetivo

As questões sobre sustentabilidade revelaram um dos achados mais relevantes do estudo: um desalinhamento entre a intenção declarada e o comportamento efetivo. A grande maioria dos respondentes declarou considerar importante o uso de materiais ambientalmente responsáveis e afirmou que informações sobre sustentabilidade aumentam sua confiança no produto e na marca. No entanto, as médias caíram de forma expressiva quando a questão passou da declaração de importância para a disposição de pagar mais por produtos sustentáveis, indicando que o fator preço ainda prevalece sobre a intenção ambiental no momento da compra.

Esse padrão foi observado para ambos os gêneros, mas com nuances relevantes. As mulheres apresentaram maior concordância em relação à importância dos aspectos ambientais, com uma média de 3.69, em comparação com 3.52 para os homens, atribuindo mais valor simbólico à sustentabilidade como atributo da marca. Contudo, ambos os gêneros exibiram uma retração similar ao serem questionados sobre a disposição de pagar mais, com médias de 2.81 para mulheres e 2.53 para homens. Isso sugere que a sustentabilidade opera como um critério de desempate, sendo valorizada quando não implica custo adicional percebido, mas perdendo prioridade quando compete diretamente com o preço.

O desalinhamento entre a importância atribuída à sustentabilidade (Q27) e a disposição efetiva de pagamento por produtos sustentáveis (Q30) foi evidente. Para as mulheres, a média de importância foi 3.69 e a de disposição a pagar foi 2.81, resultando em um gap de 0.88. Para os homens, a média de importância foi 3.52 e a de disposição a pagar foi 2.53, com um gap de 0.99. Esse resultado indica que, embora a preocupação ambiental possa contribuir para a formação de valor simbólico e para a avaliação positiva da marca, essa contribuição encontra limites quando se traduz em um custo adicional percebido, não se convertendo necessariamente em comportamento efetivo de compra.

Os resultados relacionados à sustentabilidade revelam uma relação parcialmente convergente com a literatura sobre comportamento do consumidor e valor percebido. Embora os participantes tenham demonstrado reconhecer a importância de materiais ambientalmente responsáveis e associá-los positivamente à confiança no produto e na marca, essa valorização não se converteu, na mesma proporção, em disposição para pagar mais. Para profissionais de marketing, esse achado indica que comunicar a sustentabilidade sem associá-la à percepção de sobrecusto é um fator crítico no desenvolvimento de embalagens, pois o preço ainda sobrepõe a intenção ambiental no momento da compra.

Síntese dos Achados e Recomendações

Os achados da pesquisa convergem para dois eixos centrais: a geração de valor e a decisão de compra. Em ambos os eixos, o gênero emergiu como uma variável explicativa relevante, embora não seja o único fator determinante, já que idade, renda e contexto de compra também introduzem camadas adicionais de complexidade na relação entre consumidor e embalagem. Para a geração de valor visual, as mulheres demonstraram alta valorização de cores, design e estética, percebendo a embalagem como extensão da identidade da marca. Os homens, por sua vez, apresentaram valorização moderada, com o design sendo relevante quando associado à legibilidade.

No que se refere à geração de valor funcional, as mulheres consideraram a praticidade importante, mas com menor prioridade frente aos atributos simbólicos. Para os homens, a praticidade, o formato, a facilidade de uso e a durabilidade foram os principais vetores de valor. Quanto à geração de valor simbólico e emocional, foi mais acentuada entre as mulheres, que associaram a embalagem à confiança, identificação com a marca e percepção de premium. Os homens também reconheceram a contribuição da embalagem para a imagem da marca, mas com menor peso emocional.

Na decisão de compra em contexto de incerteza, ambos os gêneros demonstraram alta concordância de que a embalagem compensa a ausência de familiaridade com a marca. No entanto, em situações de empate de preço, as mulheres foram inclinadas por atributos estéticos e informativos, enquanto os homens priorizaram atributos funcionais superiores. A disposição a pagar mais por embalagem melhor elaborada foi maior entre as mulheres quando estética e sustentabilidade estavam associadas, e entre os homens quando durabilidade e funcionalidade justificavam o custo adicional.

Em relação à sustentabilidade, ambos os gêneros apresentaram alta intenção declarada, mas uma disposição efetiva de pagamento significativamente menor, indicando que o preço ainda sobrepõe a intenção ambiental. O perfil transversal de respondentes entre 25 e 34 anos revelou um comportamento racional e analítico, exigindo clareza, praticidade e boa relação custo-benefício, padrão que se manteve para homens e mulheres, com foco em informações funcionais claras e eficiência da embalagem.

Com base nesses achados, foram elaboradas recomendações práticas para profissionais de marketing. Para o público feminino, no valor visual, sugere-se investir em paleta de cores coerente com os valores da marca, tipografia elegante e acabamentos que transmitam cuidado e identidade. Para o valor funcional, garantir abertura fácil e formatos que facilitem o armazenamento, reforçando a confiança na marca. No valor simbólico, comunicar claramente os valores da marca na embalagem (sustentabilidade, origem, propósito) e que a embalagem premium impacte a percepção de qualidade.

Para o público masculino, no valor visual, é crucial priorizar clareza visual e legibilidade, com design limpo e moderno que não comprometa a leitura das informações. No valor funcional, o formato ergonômico, a abertura intuitiva e o fechamento seguro são diferenciais decisivos. No valor simbólico, deve-se manter coerência entre a proposta do produto e a embalagem, evitando excesso de elementos decorativos sem função prática. Para ambos os públicos, na decisão de compra em contexto de incerteza, a embalagem deve comunicar posicionamento e proposta de valor com clareza, substituindo a ausência de recomendação, e as informações funcionais e de uso devem ser visíveis e acessíveis, reduzindo dúvidas sobre a utilidade do produto.

Em situações de empate de preço, para as mulheres, estética diferenciada e atributos informativos (ingredientes, origem, diferenciais) inclinam a decisão. Para os homens, funcionalidade superior ou embalagem mais prática inclina a decisão, e o custo-benefício deve estar implícito no design. Quanto à sustentabilidade, para ambos os perfis, a prática recomendada é comunicar responsabilidade ambiental de forma visível, mas sem aumentar a percepção de custo extra, valorizando selos e materiais reciclados. Deve-se evitar embalagens com excesso de texto, informações confusas, materiais que transmitam baixa qualidade ou que dificultem abertura/armazenamento. Para os homens, especificamente, evitar design meramente decorativo sem função prática e a falta de informações claras sobre uso, modo de preparo ou composição.

Em síntese, a pesquisa confirmou que a embalagem é um elemento estratégico fundamental na relação entre marca e consumidor, e não apenas operacional. Os dados demonstraram que as mulheres associam valor à embalagem prioritariamente por atributos simbólicos, emocionais e informacionais, enquanto os homens orientam suas avaliações por atributos funcionais, como praticidade e durabilidade. Ambos os grupos reconhecem a embalagem como fator decisivo em contextos de incerteza e equivalência de preço, mas mobilizam critérios distintos para essa decisão. O desalinhamento entre intenção declarada e comportamento efetivo em sustentabilidade representa um achado central, indicando que a comunicação ambiental na embalagem só se converte em decisão de compra quando não é percebida como encarecimento do produto, reforçando a importância de considerar as diferenças de percepção entre os perfis de consumidores para otimizar as estratégias de marketing.

4. Conclusão

O estudo investigou a percepção do consumidor sobre o papel das embalagens na geração de valor e na decisão de compra, com foco nas diferenças de critérios entre homens e mulheres. Verificou-se que as mulheres associaram valor à embalagem prioritariamente por atributos simbólicos, emocionais e informacionais, percebendo-a como extensão da identidade da marca. Em contraste, os homens orientaram suas avaliações por atributos funcionais, como praticidade, formato e durabilidade. Observou-se que a embalagem atua como fator decisivo em contextos de incerteza e equivalência de preço para ambos os gêneros, embora os critérios mobilizados para essa decisão fossem distintos: mulheres inclinavam-se por estética e informações detalhadas, enquanto homens priorizavam funcionalidade superior. Um achado relevante foi o desalinhamento entre a intenção declarada de valorização da sustentabilidade e a disposição efetiva de pagamento por produtos sustentáveis, indicando que o preço ainda sobrepõe a intenção ambiental no momento da compra. A principal contribuição do estudo reside na elaboração de recomendações práticas e diferenciadas para profissionais de marketing, permitindo o desenvolvimento de estratégias de embalagem mais assertivas para cada perfil de consumidor.

Contudo, é importante reconhecer as limitações do presente estudo, especialmente o perfil da amostra, majoritariamente composta por indivíduos com maior nível de escolaridade e residentes em centros urbanos, o que pode influenciar a generalização dos resultados para outros contextos. Além disso, a pesquisa baseou-se em respostas declaradas, o que pode gerar uma diferença entre o que os consumidores afirmam e seu comportamento real de compra. Para estudos futuros, sugere-se investigar o papel da embalagem em categorias de produto específicas, como cosméticos e alimentos, onde o simbolismo pode ser ainda mais acentuado. Recomenda-se também a aplicação de técnicas de pesquisa observacional, como eye-tracking, para aferir com maior precisão a atenção visual. Explorar a percepção de valor da embalagem em contextos de unboxing e de compras recorrentes mediadas por aplicativos representa outra via promissora para aprofundar o entendimento sobre a formação da percepção de valor antes do contato físico com o produto.

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Marketing do MBA USP/Esalq

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04 de novembro de 2026

Gestão de Ativos de Aterramento e SPDA: Estruturação de Modelo Aplicado à Mineração

Uma mina de cobre em Marabá (PA) operava sem um processo formal de gestão para os sistemas de aterramento e SPDA, o que gerou um passivo de não conformidades e ameaçou a certificação ISO 14001, essencial para a receita. O trabalho objetivou estruturar um modelo formal de gestão para esses ativos, capaz de atacar as causas reais do problema. Para isso, aplicou-se o Diagrama de Ishikawa para identificar as causas estruturais das não conformidades, distribuindo-as em categorias como métodos e materiais. Em seguida, utilizou-se a Matriz GUT para priorizar as causas mais críticas, como a ausência de procedimento de gestão e de plano de inspeção. Cinco alternativas de solução foram avaliadas por uma matriz de decisão multicritério e um estudo de viabilidade. A alternativa de gestão interna estruturada e faseada até 2030 (Alternativa 5) foi a recomendada, obtendo a maior pontuação (122 pontos), com o modelo híbrido servindo de apoio pontual para expertise externa em fases críticas. O plano de implementação previu cinco fases até 2030, incluindo mapeamento e saneamento documental, adequação técnica prioritária, consolidação e expansão do modelo, e maturidade. A meta principal foi alcançar 100% das edificações mapeadas e adequadas, e eliminar apontamentos em auditorias ISO 14001. Concluiu-se que o modelo proposto transformou a gestão reativa em um processo proativo, com responsabilidades definidas e indicadores de desempenho, garantindo a conformidade normativa, a previsibilidade técnica e a continuidade operacional da planta.

Palavras-chave: Aterramento; Gestão de ativos; ISO 14001; Mineração; SPDA.

Mba Executivo Em Liderança E Gestão

04 de novembro de 2026

Viabilidade Econômica da Comercialização de Co2 Liquefeito em Biorrefinarias de Etanol de Milho no Brasil

A busca global pela descarbonização intensificou o interesse no aproveitamento de CO2 biogênico, especialmente de biorrefinarias de etanol de milho, que geram CO2 concentrado e ainda pouco valorizado. Este Business Case avaliou a viabilidade econômico-financeira da produção e comercialização de CO2 liquefeito por meio da implantação de uma unidade de captura, purificação e liquefação em uma biorrefinaria de etanol de milho no Brasil. O estudo considerou uma capacidade nominal de 150 t/dia, analisando o mercado potencial, o investimento necessário, os custos operacionais e os resultados econômicos, utilizando indicadores como Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR) e payback descontado. O projeto exigiu investimento estimado de R$ 93,4 milhões e produziu potencialmente 49.875 t/ano de CO2 liquefeito. Nas premissas adotadas, apresentou VPL de R$ 22,1 milhões, TIR de 19,5% ao ano, payback descontado de 10,5 anos e preço de equilíbrio de R$ 727/t. A análise de mercado indicou dimensão compatível com a produção proposta, mas evidenciou a necessidade de validação regional da demanda e de contratação antecipada de parcela relevante da capacidade. Concluiu-se que o projeto era economicamente viável, com margem de 19,2% antes de o VPL atingir zero, porém sua atratividade dependia da confirmação do preço líquido de venda, do investimento e do consumo de energia. Recomendou-se avançar para validação comercial e engenharia básica, condicionando-se a decisão final de investimento à confirmação dessas variáveis, aproveitando a continuidade operacional das biorrefinarias de milho para transformar o CO2 de fermentação em produto comercial.

Palavras-chave: Biorrefinaria; CO2 liquefeito; Etanol de milho; Viabilidade econômica.

27 de outubro de 2026

Eficácia da política monetária do Banco Central Brasileiro e seus possíveis custos sociais (1999-2024)

A condução da política monetária no Brasil, particularmente sob o regime de metas de inflação, tem sido amplamente debatida em razão de seus possíveis impactos sobre a inflação e a atividade econômica. O estudo objetivou avaliar a eficácia da política monetária brasileira, conduzida pela taxa Selic, no controle da inflação, e investigar seus possíveis custos sociais no período de 1999 a 2024. Para isso, utilizaram-se dados trimestrais de Produto Interno Bruto (PIB), Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), taxa Selic e câmbio, extraídos do Banco Central do Brasil. A metodologia empregou um modelo Vetorial de Correção de Erros (VECM), precedido por testes de estacionariedade e cointegração, e complementado por análises de Função de Resposta ao Impulso e Decomposição da Variância. Os resultados indicaram que a inflação apresentou forte componente inercial, sendo predominantemente explicada por sua própria dinâmica, enquanto os choques na taxa de juros e no câmbio demonstraram impacto estatisticamente limitado sobre o IPCA. Adicionalmente, verificou-se que o PIB não respondeu de forma significativa a variações na Selic, sugerindo baixa sensibilidade da atividade econômica à política monetária no período analisado. Em síntese, concluiu-se que a política monetária demonstrou eficácia limitada no controle da inflação, sem, contudo, gerar custos sociais diretos e significativos sobre o Produto Interno Bruto, que atua como principal motor da geração de emprego.

Palavras-chave: Cointegração; Econometria; Inércia inflacionária; Metas de inflação; Produto Interno Bruto.

27 de outubro de 2026

Eficiência financeira e mitigação de riscos em departamentos jurídicos

A pesquisa investigou como mecanismos de governança e controles internos, aplicados a práticas de “Legal Operations”, podem fortalecer a gestão financeira e a previsibilidade orçamentária de um departamento jurídico em uma empresa multinacional. O estudo objetivou diagnosticar pontos críticos do ciclo orçamentário jurídico, desde a previsão ao pagamento, e identificar melhorias de processos, indicadores e responsabilidades entre os setores jurídico e financeiro. Para tanto, realizou-se uma pesquisa aplicada de natureza qualitativa, configurada como estudo de caso. A coleta de dados incluiu entrevistas com profissionais das áreas jurídica e financeira, análise documental de planilhas de custos (2022-2024) e políticas de compliance, além de mapeamento do fluxo de despesas jurídicas. Os resultados revelaram fragilidades na coordenação interdepartamental, notadamente na definição de centros de custo e na utilização de instrumentos de controle orçamentário. Observaram-se lacunas no acompanhamento de processos e na integração de informações de escritórios externos, além de oportunidades para automação de rotinas e aprimoramento de indicadores gerenciais. A previsibilidade orçamentária mostrou-se impactada por fatores exógenos, como a dinâmica do Poder Judiciário, e endógenos, como a qualidade da informação e a governança do ciclo orçamentário. Concluiu-se que a previsibilidade orçamentária depende da maturidade da governança aplicada aos processos, dados e rotinas operacionais. Propôs-se um modelo de governança e controle para o orçamento jurídico, com foco na padronização de processos, fortalecimento do acompanhamento e melhoria da tomada de decisão, incluindo mapeamento de processos, matriz de riscos e controles, e indicadores de desempenho.

Palavras-chave: Automação; Controles internos; Governança corporativa; Legal Operations; Previsibilidade orçamentária.

27 de outubro de 2026

Comparação de modelos de risco de pré-pagamento em carteiras de crédito pré-fixado

O risco de liquidação antecipada em carteiras de crédito pré-fixadas constituiu um desafio relevante para a Gestão de Ativos e Passivos (ALM) em instituições financeiras, por gerar assimetrias de fluxo de caixa e ineficiências em estratégias de hedge. O trabalho teve como objetivo avaliar comparativamente o desempenho preditivo de modelos econométricos e estatísticos tradicionais frente a algoritmos de aprendizado de máquina na estimativa da Taxa de Mortalidade Mensal (SMM). Para isso, utilizou-se uma base de dados real de operações de crédito originadas entre 2016 e 2025, totalizando aproximadamente 500 milhões de observações. Avaliou-se modelos como CPR Histórico, Regressão Beta, Regressão Quantílica, Regressão Logística, Riscos Proporcionais de Cox e LightGBM, com a performance mensurada pelo Erro Absoluto Médio (MAE) e validada por meio de validação cruzada temporal com janela expandida. Os resultados demonstraram a superioridade das abordagens não lineares, com o modelo LightGBM apresentando a melhor performance no período de teste (jan/2024 a jul/2025), reduzindo o MAE em 34,21% em relação ao benchmark histórico. Adicionalmente, técnicas de interpretabilidade baseadas em valores SHAP e análise de sobrevivência foram empregadas para identificar o spread da taxa de contrato, a taxa de mercado e a idade do título como os principais determinantes econômicos da antecipação. A aplicação do modelo proposto aprimorou a precisão das estimativas de fluxo de caixa e ofereceu evidências favoráveis ao aperfeiçoamento do cálculo da duration efetiva e do dimensionamento do colchão de liquidez institucional, sugerindo que modelos mais flexíveis podem otimizar a gestão de ALM.

Palavras-chave: Aprendizado de máquina; Gestão de ALM; Hedge; Modelagem financeira; Risco de juros.

27 de outubro de 2026

Arquitetura imperativa vs. reativa: impacto na depuração e correção de erros no desenvolvimento mobile iOS

O desenvolvimento de aplicações mobile iOS pode ser conduzido sob arquiteturas imperativa e reativa, impactando diretamente as práticas de depuração e manutenção. Objetivou-se estabelecer o impacto da escolha arquitetural na depuração e correção de erros em aplicações iOS, avaliando a detectabilidade automática de falhas, a rastreabilidade dos relatórios e a utilidade dos logs. Conduziu-se uma pesquisa experimental, na qual se desenvolveram duas aplicações nativas funcionalmente equivalentes com UIKit (imperativa) e SwiftUI/Combine (reativa). Inseriram-se quatro cenários de erro controlados, classificados em crashes explícitos e erros silenciosos. Coletaram-se dados com Firebase Crashlytics e Xcode Debugger em quarenta sessões, e estes foram analisados por estatística descritiva e análise de conteúdo. Os resultados revelaram que, para inconsistências de estado, a arquitetura UIKit gerou crash imediato e relatório automático, enquanto SwiftUI suprimiu o crash e produziu aviso silencioso invisível a ferramentas automáticas. Para desempacotamento forçado, a arquitetura mostrou-se irrelevante. Em cenários silenciosos, nenhuma arquitetura ofereceu observabilidade automática, o que evidenciou limitações das ferramentas. Concluiu-se que a arquitetura reativa, ao abstrair mecanismos de controle de estado, reduziu erros explícitos, mas introduziu falhas silenciosas com menor rastreabilidade. A decisão arquitetural deve considerar as implicações para o monitoramento em produção, exigindo instrumentação manual de logs em projetos SwiftUI/Combine para erros que seriam automaticamente capturados no UIKit.

Palavras-chave: Combine; Manutenibilidade; Observabilidade; SwiftUI; UIKit.

27 de outubro de 2026

CRM NA RETENÇÃO DE DADOS PARA ANÁLISE DE POTENCIAL DO CLIENTE NO SETOR B2B SAÚDE

A gestão comercial no setor B2B saúde enfrentou desafios constantes, exigindo visão estratégica e atenção aguçada para a entrega de resultados. Investigou-se como a implantação do sistema CRM (Customer Relationship Management) colaborou para mitigar a perda de informações históricas e potencializar a retenção de clientes frente ao custo de vender. Adotou-se uma abordagem qualitativa-quantitativa, de caráter exploratório-descritivo, e os dados foram coletados por meio de questionário respondido por 42 profissionais da área comercial, inseridos na indústria ou em empresas do segmento saúde. Os resultados revelaram que, embora 71,4% dos entrevistados utilizassem CRM informatizado, a cultura organizacional impôs forte resistência, confirmada por 57,1% dos profissionais que dependiam de métodos manuais, como agendas e planilhas isoladas, para registro e retenção dos dados. Evidenciou-se também uma lacuna na capacitação, visto que 24,4% dos entrevistados raramente ou nunca receberam treinamentos específicos. A pesquisa inferiu que a subnotificação de dados não decorreu apenas da falta de tecnologia ou por falha tecnológica, mas pela existência de uma deficiência na gestão estratégica de pessoas e processos. Reforçou-se a visão da necessidade de uma gestão integrada para gerar inteligência competitiva e previsibilidade nas vendas, e alertou-se para a necessidade de treinamentos e capacitação mais frequentes. A mitigação do custo de vender e a potencialização da retenção de clientes dependem da integração consistente entre capital humano e tecnologia, gerando ativos gerenciais para aumentar a produção comercial e a retenção de dados estratégicos.

Palavras-chave: Capacitação; Estratégia de vendas; Gestão de clientes; Gestão estratégica; Inteligência comercial.

27 de outubro de 2026

Avaliação da aplicação do Scrum na melhoria da eficiência e adaptabilidade em projetos de tecnologia

A crescente complexidade dos projetos de tecnologia exigiu abordagens capazes de equilibrar controle, eficiência e adaptabilidade a mudanças constantes, visto que modelos tradicionais de gerenciamento apresentaram limitações em ambientes dinâmicos. Avaliou-se o gerenciamento de projetos de tecnologia antes da implementação de um método ágil, propôs-se melhorias baseadas em práticas iterativas e reavaliou-se o desempenho pós-implementação, buscando identificar ganhos em eficiência operacional e adaptabilidade ao longo do ciclo de vida do projeto. A pesquisa empregou um estudo de caso descritivo, de abordagem qualitativa, em duas empresas do setor de tecnologia. Coletaram-se dados por meio de formulários estruturados aplicados antes e após a intervenção, complementados por análise documental e observação sistemática ao longo de noventa dias de aplicação da solução. Os resultados evidenciaram melhoria consistente na flexibilidade do planejamento, maior alinhamento com as necessidades do cliente, aumento da previsibilidade das entregas e aprimoramento da produtividade das equipes. Um ganho de produtividade foi o indicador mais expressivo, com 85,7% de concordância total sobre a melhoria do desempenho das equipes após a adoção do *framework*. Concluiu-se que a implementação estruturada do método aprimorou o gerenciamento dos projetos analisados, reforçando a capacidade de resposta a mudanças e promovendo maior geração de valor ao negócio.

Palavras-chave: Adaptação organizacional; Entrega incremental; Gestão ágil; Planejamento iterativo; Produtividade de equipes.

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