Artigo

12 de junho de 2026

Análise multicritério da conectividade rural: uma sistemática para a tomada de decisão na agricultura

José Afrânio Araújo Brandão; Ítalo de Oliveira Braga

DOI: 10.22167/2675-6528-2026M08

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

O agronegócio brasileiro, pilar econômico do país, enfrentou o desafio da modernização devido à precariedade da conectividade rural em áreas remotas, que impôs gargalos severos ao desenvolvimento do setor e exigiu ações estatais diante do baixo investimento privado. Este estudo objetivou analisar as dificuldades de acesso digital e propor uma sistemática para a tomada de decisão na agricultura, fundamentada em uma análise multicritério. A pesquisa baseou-se em dados oficiais e atualizados de instituições renomadas, avaliando alternativas tecnológicas contemporâneas, como fibra óptica, redes 5G, satélites em órbita baixa (LEO) e redes Mesh. Realizou-se um benchmarking internacional com países de dimensões continentais como EUA e Austrália, e desenvolveu-se uma matriz de pontuação ponderada, que converteu a complexidade e a subjetividade das variáveis técnicas em uma ferramenta objetiva de avaliação, analisando características intrínsecas e revelando padrões. Os resultados demonstraram que soluções híbridas, múltiplas e adaptadas à realidade local foram as mais eficazes para ampliar a conectividade. Concluiu-se que o uso de checklists e tabelas parametrizadas oferece suporte robusto para a implantação de projetos, reduzindo incertezas nos investimentos e viabilizando a transformação digital no campo.

Palavras-chave: Agronegócio; Comunicação rural; Decisão multicritério; Digitalização; Infraestrutura.

1. Introdução

O Agronegócio é um pilar robusto e dinâmico da economia brasileira, essencial para o desenvolvimento do país. Em 2024, o setor contribuiu com cerca de 22% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional (Cepea, 2024). A agropecuária, um componente chave, representou aproximadamente 5,6% do PIB, totalizando R$ 11,7 trilhões no mesmo ano (IBGE, 2024). A projeção do Ministério da Fazenda (2025) de um Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) de R$ 1,431 trilhão para 2025 reforça sua importância econômica e estratégica.

Essa relevância é resultado de um processo contínuo de modernização, impulsionado pela adoção de tecnologias avançadas que otimizam a cadeia produtiva. A digitalização do campo permite monitoramento em tempo real, previsão climática precisa, gestão hídrica eficiente, diagnóstico de solos e controle de pragas, levando a um aumento substancial da produtividade e sustentabilidade (IBGE). No entanto, o pleno potencial dessa revolução tecnológica está intrinsecamente ligado à superação de um desafio estrutural: a precariedade da comunicação rural.

Apesar dos avanços, a infraestrutura de telecomunicações no Brasil ainda enfrenta barreiras significativas em áreas rurais. A expansão da fibra óptica, embora progressiva, avança lentamente, cobrindo 83,97% dos municípios, mas com dificuldades em regiões remotas e de baixa densidade populacional (Anatel, 2024). Em 2017, o Plano Estrutural de Redes de Telecomunicações (PERT) da Anatel indicava que apenas 28,19% dos estabelecimentos rurais possuíam acesso à internet. Em 2021, a cobertura 5G no campo era inexistente, com meta de 57,67% até 2027.

Embora o Relatório Anual de Gestão da Anatel (2024) aponte expansão do 4G e liberação do 5G para todos os cinco mil quinhentos e setenta municípios, a realidade rural é desafiadora. A falta de infraestrutura de fibra óptica, o alto custo de instalação de torres em locais remotos, a baixa habilidade digital da população e o baixo retorno de investimentos privados em áreas de baixa densidade demográfica persistem como obstáculos substanciais, criando uma persistente exclusão digital. Essa problemática é comum em países continentais como Estados Unidos e Austrália, que enfrentam desafios semelhantes na expansão das telecomunicações rurais (FCC, 2025; RMIT University, 2023).

A expansão das telecomunicações é um objetivo constante, com potencial de trazer benefícios transformadores, como aumento da produtividade, maior sustentabilidade e redução das desigualdades regionais. A inovação tecnológica, incluindo Internet das Coisas (IoT), redes 5G e satélites de baixa órbita (LEO), é uma alavanca crucial. A Lei nº 11.475/2022, que instituiu a Política Nacional de Incentivo à Agricultura de Precisão, e o Decreto nº 12.023/2024, que criou o Plano Estrutural de Redes de Telecomunicações (PERT) para expandir o 5G em áreas rurais, reforçam a importância da conectividade para o desenvolvimento do setor. Diante da complexidade de escolher a tecnologia mais adequada para cada realidade rural, a análise multicritério surge como um conceito teórico fundamental para racionalizar os fatores de decisão, convertendo a subjetividade das variáveis em uma ferramenta objetiva de avaliação.

Portanto, o presente estudo se justifica pela urgência de superar a exclusão digital no campo e pela necessidade de otimizar os investimentos em infraestrutura de comunicação. A pesquisa destaca a conectividade como variável determinante para a modernização agropecuária e contribui com uma análise propositiva sobre a otimização de recursos tecnológicos em função de cada realidade concreta. Este estudo objetiva analisar os gargalos e desafios das infraestruturas de comunicação no Brasil, com foco nas regiões rurais, e propor uma sistemática para a tomada de decisão na agricultura, fundamentada em uma análise multicritério.

2. Material e Métodos

A pesquisa caracterizou-se como um estudo de natureza exploratória, descritiva e propositiva, com abordagem metodológica quali-quantitativa. Realizou-se uma análise comparativa de soluções existentes e testadas, visando identificar as melhores práticas e os obstáculos persistentes na conectividade rural. O objetivo foi apresentar um panorama das opções tecnológicas capazes de mitigar as barreiras, traduzindo-se em recomendações práticas para a tomada de decisões.

O estudo baseou-se em dados secundários, coletados de fontes oficiais e atualizadas de instituições renomadas. Utilizaram-se informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), do Ministério das Comunicações e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Complementarmente, realizou-se um benchmarking internacional com dados da Federal Communications Commission (FCC) dos EUA e da RMIT University da Austrália, para contextualizar os desafios brasileiros.

A escolha por fontes digitais oficiais justificou-se pela capacidade de oferecer atualizações frequentes, superando a defasagem temporal de publicações impressas. Essa estratégia garantiu uma análise contemporânea, refletindo a realidade projetada para 2025 e minimizando discrepâncias nos dados. O vasto volume de informações disponíveis na internet permitiu a organização e comparação eficiente dos dados, que foram cotejados para identificar padrões e oportunidades.

Para a avaliação de decisões complexas, empregou-se uma metodologia estruturada de análise multicritério. Este método racionalizou os fatores de decisão, convertendo dados quantitativos e qualitativos em um contexto único. A abordagem visou decompor o problema em elementos gerenciáveis, estipulando critérios lógicos para uma avaliação objetiva das alternativas tecnológicas.

O método de Análise Hierárquica de Processos (AHP) foi utilizado para desmembrar o problema principal em critérios menores e subcritérios, organizando-os em uma estrutura de árvore. No topo, situou-se o objetivo geral; no nível intermediário, os critérios e subcritérios; e na base, as alternativas de solução. Essa hierarquia permitiu compreender como cada componente influenciava o objetivo final, garantindo uma escolha objetiva e fundamentada.

Definiu-se uma escala de valor de 1 a 5 para avaliar o desempenho de cada tecnologia em relação aos critérios, onde 1 representava desempenho péssimo e 5, excelente. Não se empregou uma escala binária, mas sim de desempenho, para capturar a adaptabilidade das tecnologias aos desafios rurais. Cada critério de avaliação recebeu um peso (de 1 a 5), refletindo sua importância estratégica, com pesos maiores atribuídos a critérios críticos.

A pontuação final de cada tecnologia foi obtida pela soma dos valores ponderados, resultantes da multiplicação do peso do critério pela nota atribuída. Para evitar distorções, os critérios foram agrupados em sete categorias estratégicas, cada uma com um teto de influência percentual no resultado final. As categorias incluíram Tecnologia e Cobertura (25%), Geografia e Acesso (20%), Aplicações Sociais (15%), Custo e Governança (15%), Sustentabilidade (10%), Segurança (10%) e Engajamento (5%).

Com base nos critérios de pontuação lógica, desenvolveu-se uma matriz comparativa para avaliar diferentes tecnologias de conectividade. As tecnologias analisadas incluíram satélites de baixa órbita (LEO), redes 4G/5G, rádio/micro-ondas, redes comunitárias, soluções híbridas e feixes laser. O propósito foi identificar a tecnologia mais adequada para implementação em áreas rurais, considerando fatores técnicos, ambientais, econômicos, sociais, de gestão e de resiliência.

Para facilitar a compreensão e a visualização comparativa das tecnologias, os dados foram organizados em uma estrutura que permitia a atribuição de conceitos de desempenho. Utilizou-se uma escala de cores para representar o nível de adequação: Excelente/Alto (verde), Médio/Moderado (laranja), Baixo/Razoável (amarelo), Baixo/Limitado (vermelho) e Variável/Depende (azul). Essa representação visual auxiliou na observação das características intrínsecas de cada solução.

A partir da matriz de avaliação e dos conceitos de desempenho, elaborou-se um checklist detalhado. Este checklist desdobrou os critérios em itens específicos, como mapeamento do terreno, densidade populacional, riscos climáticos, acessibilidade, impacto ambiental, sustentabilidade, consulta às comunidades, adequação tecnológica, escalabilidade, resiliência, cobertura, custos, velocidade, benefícios sociais, planejamento, manutenção, parcerias e monitoramento. A ferramenta foi concebida para auxiliar gestores e investidores na tomada de decisão.

3. Resultados e Discussão

A análise da evolução do Produto Interno Bruto e do setor de telecomunicações no Brasil, entre 2014 e 2024, revelou uma trajetória complexa, com períodos de crescimento e retração que nem sempre se alinharam. Em 2014, o setor de telecomunicações demonstrou um crescimento de 3%, superando o PIB, que registrou 0,5%, impulsionado principalmente pela expansão da banda larga móvel e pela crescente demanda por dados. Contudo, as crises econômicas subsequentes, em 2015 e 2016, impactaram negativamente ambos os indicadores, com o PIB caindo 3,5% e 3,3% respectivamente, e as telecomunicações recuando 0,4% e 3,4% nos mesmos anos, evidenciando uma sensibilidade do setor às flutuações macroeconômicas.

O período entre 2017 e 2019 foi particularmente desafiador para as telecomunicações, que registraram variações negativas de 2,8%, 2,6% e 0,9%, respectivamente, mesmo com a recuperação do PIB. Essa divergência apontou para a existência de desafios estruturais persistentes no setor, os quais foram agravados pela pandemia de 2020, resultando em quedas superiores a 3% para ambos os indicadores e refletindo uma quase paralisação econômica. A retomada do PIB em 2021 (4,8%) e 2022 (3%) não foi acompanhada por um crescimento equivalente nas telecomunicações, que continuaram em terreno negativo, com quedas de 0,2% e 6,7% respectivamente, sugerindo dificuldades contínuas na adaptação e expansão da infraestrutura.

Em 2023, observou-se um ponto de inflexão, com ambos os indicadores crescendo acima de 3%, sinalizando uma recuperação sincronizada, impulsionada por investimentos em infraestrutura, como a tecnologia 5G. O ano de 2024 consolidou essa retomada, com o setor de telecomunicações crescendo 4,8%, superando o PIB de 3,4%. Esse desempenho robusto reflete a consolidação das redes 5G, iniciadas com o leilão de espectro em 2021, e o aumento da demanda em uma economia cada vez mais digitalizada. A modernização das telecomunicações, portanto, tornou-se um fator crucial para o avanço da agropecuária, conforme evidenciado pela Lei nº 11.475/2022, que instituiu a Política Nacional de Incentivo à Agricultura de Precisão, e pelo Decreto nº 12.023/2024, que criou o Plano Estrutural de Redes de Telecomunicações para expandir o 5G em áreas rurais.

Apesar dos avanços gerais na conectividade, a realidade rural brasileira ainda enfrenta barreiras significativas. Dados do IBGE (PNAD Contínua 2022) indicaram que 87,2% das pessoas acima de dez anos utilizam a internet, com a telefonia móvel sendo o principal meio de comunicação, representando 98,9% dos acessos, em contraste com microcomputadores, televisões e tablets. A cobertura de redes móveis cresceu de 86,2% para 92,0% nos domicílios totais entre 2016 e 2022. No entanto, em áreas rurais, apenas 69,4% dos domicílios possuíam telefonia celular e 78,1% utilizavam internet, com obstáculos como a falta de habilidade digital, a necessidade ou o alto custo do serviço.

A cobertura móvel, conforme a Anatel, alcança 91,16% dos moradores, sendo 99,57% em áreas urbanas e 45,56% em áreas rurais, distribuída em 5.565 municípios com sete operadoras. O Índice Brasileiro de Conectividade (IBC), de julho de 2024, mostrou que os acessos por tecnologia eram: 2G (7,7%), 3G (7,2%), 4G (73,3%) e 5G (11,8%). Esses dados evidenciam que, embora o 5G esteja em expansão, a maioria dos usuários rurais ainda depende do 4G, o que ressalta a necessidade de avanços para que a tecnologia de quinta geração alcance um número maior de usuários no campo. A precariedade da infraestrutura de fibra óptica e o alto custo de instalação de torres em locais remotos persistem como obstáculos substanciais, agravando a exclusão digital.

A análise comparativa com países de extensões territoriais semelhantes, como Estados Unidos e Austrália, revelou desafios comuns na expansão das telecomunicações rurais. Nesses países, a baixa viabilidade econômica e as barreiras geográficas também geram exclusão digital e impactam a agropecuária. Nos EUA, a Federal Communications Commission (FCC) apontou que 15% das residências rurais carecem de banda larga fixa em 2025, percentual que sobe para 20% em áreas mais remotas. Programas como o ReConnect Program, do Departamento de Agricultura (USDA), que financia a infraestrutura rural, enfrentam dificuldades semelhantes às do Brasil em regiões de acesso desafiador.

Na Austrália, o Índice Australiano de Inclusão Digital (RMIT University) indicou que, entre 2020 e 2023, 9,4% da população permaneceu excluída, com destaque para povos indígenas (21,3%), idosos e residentes remotos (32,6%). A desigualdade de acesso é agravada pelo fim das redes 3G em 2024, resultando em cobertura limitada. Redes sem fio fixas e satélites, como a Sky Muster da NBN Co, oferecem velocidades lentas e são vulneráveis a desastres naturais. A distância geográfica também eleva os custos de manutenção e a falta de provedores aumenta os preços. Os desafios nos EUA e na Austrália são, portanto, análogos aos do Brasil, com a implementação do 5G lenta em todos os três países, limitando o avanço da agricultura de precisão e exigindo políticas flexíveis e estratégias inclusivas para populações vulneráveis.

Diante desse cenário, o estudo propôs uma sistemática para a tomada de decisão na agricultura, fundamentada em uma análise multicritério, visando otimizar os investimentos em comunicação rural. Essa sistemática foi desenvolvida para auxiliar gestores e investidores na escolha da tecnologia mais adequada para cada realidade local, considerando fatores técnicos, ambientais, econômicos, sociais, de gestão e de resiliência. A metodologia empregada utilizou uma escala de valor de um a cinco, onde um ponto indica uma tecnologia péssima para um critério e cinco pontos indicam excelência. Essa abordagem permitiu uma avaliação de desempenho que considera a adaptabilidade de cada tecnologia aos desafios específicos do ambiente rural.

A sistemática incluiu a atribuição de pesos a cada critério de avaliação, refletindo sua importância estratégica. Critérios críticos, como mapeamento de terreno e priorização de conectividade para escolas, receberam peso cinco, enquanto critérios importantes, mas não inviabilizadores do projeto, como o envolvimento de populações locais, receberam peso dois ou três. Essa ponderação assegura que os aspectos vitais para a comunidade tenham maior impacto no resultado final. A pontuação final de cada tecnologia é o reflexo da soma dos valores ponderados, garantindo que uma tecnologia com alta velocidade, por exemplo, não se sobressaia se for frágil contra desastres naturais ou muito cara para manutenção local.

A estrutura de macro blocos, com percentuais de influência no resultado final, foi estabelecida para evitar distorções e garantir um equilíbrio democrático entre os temas. A categoria “Tecnologia e Cobertura” recebeu o maior peso, com 25%, definindo a funcionalidade técnica e o alcance da solução. “Geografia e Acesso” teve 20%, assegurando o respeito à topografia local. “Aplicações Sociais” e “Custo e Governança” receberam 15% cada, equilibrando o benefício real com a viabilidade financeira. “Sustentabilidade” e “Segurança” tiveram 10% cada, e “Engajamento” 5%, funcionando como pilares de suporte. Essa distribuição impede que uma tecnologia seja escolhida apenas por ser barata, se falhar em aspectos sociais ou ambientais.

A partir dessa estrutura, foi desenvolvido um checklist detalhado para análise e implantação de novas tecnologias de comunicação no campo, abrangendo sete categorias principais. A primeira categoria, “Análise do contexto local” (peso 20%), inclui mapeamento de terreno, densidade populacional, riscos climáticos e acessibilidade. A segunda, “Impacto ambiental” (peso 10%), foca na preservação ambiental, sustentabilidade energética e consulta às comunidades. A terceira, “Escolha da tecnologia” (peso 25%), avalia adequação ao contexto, escalabilidade, resiliência, cobertura, custo de implementação e velocidade de conexão. A quarta, “Benefícios para a comunidade” (peso 15%), considera acesso à educação, saúde digital, oportunidades econômicas e inclusão social.

A quinta categoria, “Planejamento e manutenção” (peso 15%), aborda custo-benefício, capacitação local, parcerias e monitoramento. A sexta, “Riscos e mitigações” (peso 10%), trata de desastres naturais, vandalismo/roubo, obsolescência e resiliência/manutenção. Por fim, a sétima categoria, “Engajamento e comunicação” (peso 5%), envolve consulta pública, transparência e educação digital. Esse checklist, com seus pesos e critérios, oferece um guia prático e objetivo para a tomada de decisão, convertendo a complexidade das variáveis em uma ferramenta estruturada de avaliação, que considera a realidade de um país continental como o Brasil.

A comparação das diferentes tecnologias de conectividade para áreas rurais e remotas, utilizando a matriz de avaliação multicritério, revelou que a Solução Híbrida, que combina diferentes tecnologias, obteve a maior pontuação total, com 371 pontos. Esse resultado sugere que a abordagem mais eficaz não é a adoção de uma única tecnologia, mas sim a combinação de várias, adaptando-se às necessidades específicas de cada local. A Solução Híbrida se destacou em fatores como o envolvimento da população, a boa escalabilidade e a durabilidade dos equipamentos, indicando sua flexibilidade e capacidade de se adaptar a cenários complexos.

As tecnologias de Rede Comunitária e Rádio/Micro-ondas também apresentaram pontuações elevadas, com 340 e 336 pontos, respectivamente. A Rede Comunitária se destacou pelo forte envolvimento social e pela capacidade de atender comunidades marginalizadas, tornando-a uma opção ideal para projetos de inclusão. O Rádio/Micro-ondas foi valorizado por sua robustez e facilidade de manutenção em ambientes rurais. Essas soluções demonstraram ser mais adequadas para a maioria dos cenários rurais brasileiros devido à sua viabilidade econômica, robustez técnica e capacidade de promover autonomia local, conforme a análise dos critérios ponderados.

Por outro lado, o Satélite LEO e o Rede 4G/5G alcançaram pontuações intermediárias. O Satélite LEO se destacou pela capacidade de cobrir grandes áreas com pouca infraestrutura, obtendo a maior nota no critério de mapeamento de terreno. O 4G/5G, por sua vez, apresentou bom desempenho em capacidade de expansão e velocidade. No entanto, ambas as tecnologias perderam pontos em fatores como o custo inicial e a necessidade de infraestrutura complexa, que são desvantagens significativas em áreas remotas. As tecnologias de Fibra Óptica e Feixes Laser (FSO) obtiveram as pontuações mais baixas. A fibra óptica, embora ideal em áreas mais densas, mostrou-se inviável para terrenos de difícil acesso ou com populações muito dispersas. O Feixe Laser, apesar de rápido, revelou-se muito vulnerável a riscos ambientais como chuvas ou neblina, o que o torna uma opção menos resiliente.

A análise dos resultados demonstrou claramente que não existe uma solução única e universal para conectar áreas rurais. A melhor tecnologia depende de uma avaliação detalhada dos fatores locais, e a Solução Híbrida emergiu como a mais vantajosa devido à sua natureza flexível, que permite combinar o melhor de cada tecnologia. Por exemplo, um projeto pode utilizar uma conexão via satélite para uma região muito remota e distribuir o sinal em uma vila próxima através de uma rede comunitária ou de rádio. O principal insight é que a colaboração entre diferentes tecnologias e entre as próprias comunidades e empresas é o caminho mais eficaz para o sucesso da conectividade rural.

Os pontos críticos identificados incluem os altos custos iniciais e de manutenção em quase todas as tecnologias, especialmente nas mais sofisticadas como fibra, satélite e cabos submarinos. A resiliência a riscos ambientais ainda é frágil em algumas opções, como rádio e Wi-Fi comunitário, e a proteção contra vandalismo e a durabilidade dos equipamentos representam desafios nas soluções mais expostas. Como estratégias, destacou-se que não existe uma tecnologia perfeita, e a escolha deve considerar o contexto local: satélite ou rádio para áreas rurais dispersas, Wi-Fi comunitário para comunidades pequenas e organizadas, e fibra ou 5G para áreas urbanas e de alta demanda.

Em síntese, a pesquisa evidenciou que a precariedade da conectividade rural no Brasil é um gargalo estrutural para o agronegócio, com desafios semelhantes aos enfrentados por países continentais como EUA e Austrália. A sistemática de análise multicritério proposta, com seu checklist ponderado e a comparação detalhada das tecnologias, demonstrou que soluções híbridas e adaptadas à realidade local são as mais eficazes. Essa abordagem oferece um suporte robusto para a tomada de decisão, permitindo a otimização de investimentos e a viabilização da transformação digital no campo, ao considerar a complexidade dos fatores técnicos, econômicos, sociais e ambientais.

4. Conclusão

O presente estudo objetivou analisar os gargalos e desafios das infraestruturas de comunicação no Brasil, com foco nas regiões rurais, e propor uma sistemática para a tomada de decisão na agricultura, fundamentada em uma análise multicritério. Verificou-se que a precariedade da conectividade rural constitui um gargalo estrutural para o agronegócio brasileiro, apresentando desafios análogos aos enfrentados por países de dimensões continentais como Estados Unidos e Austrália. Observou-se que, apesar dos avanços na cobertura geral, a realidade do campo ainda carece de infraestrutura adequada, com barreiras significativas como o alto custo de implantação e a baixa habilidade digital da população. A análise detalhada das alternativas tecnológicas contemporâneas demonstrou que soluções híbridas, que combinam diferentes tecnologias, emergiram como as mais eficazes e adaptáveis à diversidade dos cenários rurais. Identificou-se que não existe uma solução única e universal, sendo a escolha da tecnologia mais adequada dependente de uma avaliação pormenorizada dos fatores locais, incluindo aspectos técnicos, econômicos, sociais e ambientais.

A principal contribuição deste trabalho reside na proposição de uma sistemática de análise multicritério, materializada em um checklist detalhado e uma matriz de pontuação ponderada. Essa ferramenta oferece um suporte robusto para gestores e investidores, convertendo a complexidade e a subjetividade das variáveis técnicas em um processo objetivo de avaliação, o que permite otimizar investimentos e reduzir incertezas na implantação de projetos de conectividade rural. Embora a sistemática forneça um ponto de partida lógico e estruturado, reconhece-se que seu valor reside na capacidade do tomador de decisão de ajustar os pesos dos critérios à sua realidade específica, transformando escolhas potencialmente intuitivas em decisões informadas. Para estudos futuros, sugere-se a validação deste modelo com dados primários e a sua sofisticação por meio de análises estatísticas, visando aprimorar ainda mais sua precisão e aplicabilidade.

Referências Bibliográficas

Anatel. 2024. Plano Estrutural de Redes de Telecomunicações (PERT). Disponível em: https://www.gov.br/anatel/pt-br/dados/infraestrutura/pert, acessado em 06 de abril de 2025.

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IBGE. 2022. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua. Disponível em
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Ministério da Fazenda. 2025. Valor Bruto da Produção Agropecuária. Disponível em
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, acessado em 18 de abril de 2025.

RMIT University, 2023. Índice de Inclusão Digital Australiano. Principais conclusões e próximos passos – Índice Australiano de Inclusão Digital, acessado em 20 de abril de 2025.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Agronegócios do MBA USP/Esalq

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16 de outubro de 2026

Automação da Auditoria Fiscal e Contábil: Ferramenta de verificação da Qualidade para o Ranking SICONFI

A transparência e a integridade da informação contábil são requisitos fundamentais para a conformidade fiscal dos entes públicos, avaliadas pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN) por meio do Ranking do Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (SICONFI). O estudo teve como objetivo desenvolver uma ferramenta de auditoria proativa para um ente da federação, visando mitigar inconsistências fiscais na Dimensão 1 (Gestão da Informação) antes do resultado oficial. A metodologia baseou-se em Ciência de Dados, utilizando a linguagem Python para a extração automatizada da Matriz de Saldos Contábeis (MSC) via Interface de Programação de Aplicações (API) do Tesouro Transparente, e o software Power BI para a construção de um painel de conformidade. O projeto focou na integração de dados para garantir a simetria de prazos e entregas entre os registros contábeis e os demonstrativos fiscais. Os resultados demonstraram que a automatização do fluxo de dados permitiu a identificação antecipada de divergências, promovendo a confiabilidade da informação e a eficiência do controle interno governamental, com arquitetura estruturada para expansão às demais dimensões do ranking. A aplicação da ferramenta em dados do exercício de 2025 demonstrou seu pleno funcionamento, com 100% de conformidade nas 38 verificações de controle da Dimensão 1. Concluiu-se que a solução atuou como um modelo inovador e escalável para a modernização da gestão pública, entregando uma ferramenta capaz de mitigar inconsistências fiscais previamente à consolidação do Ranking SICONFI.

Palavras-chave: Ciência de dados; Conformidade governamental; Controle interno; Gestão pública; Inteligência de negócios.

16 de outubro de 2026

Modelo estruturado de gestão de alto risco na saúde suplementar: eficiência operacional e coordenação do cuidado

A crescente pressão pela sustentabilidade econômico-assistencial na saúde suplementar brasileira impulsionou a adoção de modelos de gestão para populações de maior risco. O estudo objetivou descrever e analisar a estruturação e operacionalização de um modelo de gestão de uma carteira de alto risco assistencial, bem como comparar, de forma descritiva, os indicadores agregados de internações hospitalares e passagens em pronto-socorro da mesma coorte de 100 beneficiários entre 2023 e 2025. Realizou-se um estudo de caso único, descritivo e retrospectivo, integrando análise documental qualitativa e análise quantitativa descritiva de dados administrativos. O modelo foi implementado em uma operadora verticalizada, com 100 beneficiários de alto risco identificados por marcador eletrônico. O processo envolveu captação diária de eventos assistenciais, categorização por especialidade, distribuição dos casos à equipe responsável e protocolo multiprofissional de acompanhamento por 28 dias após passagens pelo pronto-socorro ou altas hospitalares. A análise documental revelou maior padronização dos fluxos, definição das responsabilidades e rastreabilidade dos acompanhamentos no modelo reformulado. Na comparação entre os períodos, as internações hospitalares diminuíram de 166 em 2023 para 52 em 2025, uma redução de 68,67%, e as passagens em pronto-socorro caíram de 238 para 130, uma variação de 45,38%. As reduções ocorreram no período em que o modelo já se encontrava incorporado à rotina institucional, configurando uma associação temporal favorável. Contudo, devido ao delineamento descritivo, à ausência de grupo de comparação e à impossibilidade de ajuste de fatores clínicos e contextuais, as variações observadas não puderam ser atribuídas exclusivamente à implantação do modelo. O estudo contribuiu ao sistematizar uma experiência organizacional de gestão de uma carteira de alto risco na saúde suplementar, oferecendo elementos para análise e adaptação em contextos institucionais semelhantes.

Palavras-chave: Coordenação do cuidado; Gestão de alto risco; Gestão populacional; Monitoramento pós-evento; Saúde suplementar.

16 de outubro de 2026

Monitoramento ambiental utilizando IoT e “webserver”

O monitoramento e controle de variáveis ambientais é um fator crítico na indústria, comércio e agricultura. O objetivo foi construir um sistema baseado em Internet das Coisas (IoT) para automação e controle ambiental remoto, utilizando sensores e atuadores de forma eficaz e flexível. Para isso, a umidade do ar foi selecionada como variável a ser monitorada e controlada. Desenvolveram-se módulos para sensoreamento e modificação das variáveis ambientais, juntamente com um servidor central para processar as informações coletadas. A arquitetura incluiu um sensor DHT-11, microcontrolador ATMEGA328, módulo Wi-Fi ESP-8266 e um Raspberry Pi como servidor web. Os testes de funcionamento foram realizados em um protótipo físico com ambiente isolado, onde um micro ventilador atuou no controle da umidade. O sistema demonstrou capacidade de coletar dados, responder a variações ambientais e controlar a umidade do ar dentro da faixa especificada, reduzindo-a por exaustão. Contudo, a redução da umidade por exaustão mostrou-se limitada pela umidade externa. Concluiu-se que o sistema cumpriu seu objetivo de monitorar e controlar variáveis ambientais de forma automatizada, oferecendo flexibilidade e arquitetura modular para diversas aplicações, como laboratórios e estufas, e promovendo a democratização do acesso à tecnologia no campo.

Palavras-chave: Automação; Controle; ESP-8266; Raspberry Pi; Wi-Fi.

16 de outubro de 2026

Cultura digital, automação e uso do CRM: um estudo de caso no mercado imobiliário.

A transformação digital ampliou a disponibilidade de sistemas de Customer Relationship Management (CRM), automação e inteligência artificial no processo comercial, mas sua apropriação estratégica não é automática. O estudo analisou como a cultura digital organizacional, a automação comercial e o uso do CRM influenciam a gestão e a performance comercial em uma organização do mercado imobiliário, investigando práticas de uso do CRM, fricções operacionais, percepções de corretores e liderança, e mecanismos de governança orientados a dados. Adotou-se abordagem mista, aplicada e descritiva, com questionários estruturados aplicados a 48 corretores e 4 profissionais de liderança, além de análise estatística descritiva, construção de índices sintéticos e análise temática. Os achados indicaram que o CRM está incorporado à rotina de acesso, mas não à produção consistente de dados. Observou-se convergência entre corretores e liderança quanto às fragilidades de registro e fragmentação por canais paralelos, embora com percepções distintas dos efeitos. O tempo de atuação não se relacionou linearmente com a maturidade digital, e o aumento da carga de oportunidades associou-se a maior dificuldade de acompanhamento manual. Como contribuição, propôs-se o framework GCOD (Governança Comercial Orientada a Dados), que integra CRM, inteligência analítica, orquestração comercial e governança contínua. Concluiu-se que a eficiência comercial depende da capacidade organizacional de integrar tecnologia, comportamento e governança para reduzir fricções, preservar a qualidade dos dados e orquestrar a atenção humana e automatizada ao longo da jornada do lead.

Palavras-chave: Automação comercial; CRM; Cultura de dados; Governança comercial; Transformação digital.

16 de outubro de 2026

Aplicações de Inteligência Artificial e Simulação Computacional na Formação de Preços e Gestão de Liquidez

O estudo, de caráter exploratório, investigou como técnicas de Inteligência Artificial e Simulação Computacional podem ser aplicadas à formação de preços com foco na gestão da liquidez empresarial. O objetivo foi propor e ilustrar um método de Precificação Dinâmica Adaptativa Orientada pelo Caixa, no qual a definição de preços dependeu de seus efeitos esperados sobre as vendas e, subsequentemente, sobre a trajetória do fluxo de caixa. Para isso, desenvolveu-se um caso hipotético com dados sintéticos de preços e vendas, um modelo preditivo de vendas em função do preço próprio e do preço médio da concorrência, um modelo de projeção de fluxo de caixa capaz de incorporar prazos de recebimento, inadimplência, custos transacionais, reposição de estoque e custos fixos, e um simulador computacional para avaliação de cenários competitivos. O processo de modelagem preditiva comparou diferentes algoritmos de aprendizado de máquina, sendo selecionada uma regressão linear com termos quadráticos e de interação por apresentar desempenho preditivo competitivo, boa capacidade de generalização e maior interpretabilidade. Os resultados das simulações indicaram que a abordagem proposta superou um cenário baseline de preço fixo sob a ótica da liquidez, produzindo trajetórias de caixa superiores na maior parte do horizonte analisado. Concluiu-se que a precificação pode ser tratada não apenas como um problema comercial, mas também como um problema de gestão do caixa, abrindo espaço para aplicações práticas e estudos futuros com dados reais, múltiplos produtos e métodos mais avançados de decisão sequencial.

Palavras-chave: Aprendizado de Máquina; Fluxo de Caixa; Precificação; Simulação Computacional; Tomada de Decisão.

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