21 de maio de 2026
WhatsApp no agronegócio gaúcho: conteúdos e engajamento
Geovanna Nikole Pereira Ricardi; Angelita Mattos
Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.
A comunicação de marketing no agronegócio assume um papel de extrema relevância na contemporaneidade, atuando como uma ferramenta estratégica essencial para identificar as necessidades dos produtores rurais e estabelecer conexões sólidas entre as empresas e o campo (Campos e Marjotta-Maistro, 2022). O processo de digitalização acelerada transformou profundamente as dinâmicas de mercado, modificando a maneira como as informações são compartilhadas e como o valor é gerado para os diversos públicos do setor (Kotler e Armstrong, 2015). Nesse panorama de transformação, o WhatsApp consolidou-se como uma das plataformas mais utilizadas no meio rural brasileiro. De acordo com dados de mercado, aproximadamente 76% dos produtores rurais utilizam o aplicativo para fins de negociação, evidenciando que a ferramenta transcende a simples troca de mensagens para se tornar um ambiente estratégico de relacionamento (Canal Rural, 2021). A onipresença da plataforma é reforçada por levantamentos que indicam que 96% dos produtores conectados utilizam o aplicativo em seu cotidiano operacional, acompanhando desde informações técnicas e comerciais até comunicados institucionais (ABMRA, 2023).
A percepção do consumidor exerce uma influência direta em sua resposta às estratégias de comunicação, o que torna imperativo que as empresas avaliem com rigor a clareza, a relevância e a utilidade do conteúdo entregue (Solomon, 2016). O marketing de conteúdo surge, portanto, como uma abordagem central, propondo a entrega de informações personalizadas e pertinentes, capazes de atrair e fidelizar o público-alvo (Pulizzi, 2016). A utilização estratégica de métricas digitais permite que o desempenho das ações de marketing seja monitorado em tempo real, o que possibilita a otimização constante dos esforços de engajamento (Chaffey, 2012). Com a ascensão do Marketing 5.0, a tecnologia passa a desempenhar um papel fundamental na personalização em escala e na tomada de decisões baseada em dados, princípios que são particularmente aplicáveis ao agronegócio em virtude de sua complexidade técnica e regional (Kotler et al., 2021). A efetividade das estratégias de comunicação digital depende intrinsecamente da adaptação dos formatos e da linguagem às realidades locais, respeitando o comportamento comunicacional dos públicos rurais (Lima e Nascimento, 2022). Diante desse cenário, torna-se necessário investigar como produtores, estudantes e profissionais do setor percebem os conteúdos técnicos recebidos via WhatsApp, visando compreender os fatores que impulsionam o engajamento e a utilidade percebida.
A investigação caracterizou-se como uma pesquisa de natureza aplicada, adotando objetivos exploratórios e descritivos para realizar um levantamento detalhado sobre o uso do WhatsApp como ferramenta de disseminação de conhecimento técnico no agronegócio (Gil, 2010). A fundamentação metodológica seguiu preceitos rigorosos de classificação científica, garantindo a sistematização do processo de coleta e análise (Lakatos e Marconi, 2017). O delineamento da pesquisa foi quantitativo, estruturado por meio de um levantamento de campo do tipo survey. Para embasar a construção do instrumento de coleta e a discussão teórica, realizou-se um levantamento bibliográfico exaustivo em bases de dados renomadas, como Scielo e Web of Science, além de consultas a repositórios técnicos da Embrapa e relatórios setoriais. Essa etapa preliminar permitiu identificar as lacunas de conhecimento e as variáveis críticas que influenciam o comportamento do usuário rural no ambiente digital.
O instrumento de coleta de dados consistiu em um questionário estruturado, desenvolvido na plataforma Google Forms e organizado em quatro blocos fundamentais. O primeiro bloco dedicou-se a traçar o perfil sociodemográfico e profissional do respondente; o segundo investigou os hábitos de uso do WhatsApp e a frequência de recebimento de conteúdos técnicos; o terceiro bloco avaliou a percepção qualitativa sobre os formatos, a utilidade e o nível de engajamento; e o quarto bloco explorou os interesses específicos e as preferências de consumo de informação. As perguntas foram elaboradas com base em estudos prévios sobre o comportamento de consumo de informação no agronegócio, sendo adaptadas para refletir a realidade operacional do campo. O questionário utilizou predominantemente questões fechadas, incluindo alternativas de múltipla escolha e escalas de avaliação de um a cinco para mensurar a utilidade percebida. Antes da aplicação definitiva, o instrumento foi submetido a um pré-teste com um grupo restrito de participantes, o que permitiu ajustar a clareza dos enunciados, reorganizar a sequência das perguntas e excluir itens redundantes, assegurando a precisão da coleta final.
A amostragem utilizada foi do tipo não probabilística por conveniência, focada em profissionais, produtores e estudantes vinculados ao agronegócio e atuantes no estado do Rio Grande do Sul. A abrangência geográfica contemplou as sete mesorregiões do estado: Noroeste, Nordeste, Centro Ocidental, Centro Oriental, Metropolitana, Sudoeste e Sudeste. O convite para participação foi disseminado por meio de redes sociais, grupos especializados de WhatsApp e contatos profissionais da rede de relacionamento da pesquisa. A coleta de dados ocorreu entre os meses de agosto e setembro de 2025, resultando em uma amostra final de 53 respostas válidas. Os dados coletados foram organizados em planilhas eletrônicas e submetidos a análises de estatística descritiva, abrangendo frequências absolutas e médias simples. Adicionalmente, realizaram-se cruzamentos exploratórios entre variáveis, como a relação entre a faixa etária e a frequência desejada de recebimento, bem como a correlação entre o formato do conteúdo e o perfil de atuação profissional. A análise dos dados foi conduzida de forma a garantir o anonimato e a confidencialidade dos participantes, seguindo padrões éticos de pesquisa de opinião pública.
Os resultados obtidos revelaram que a amostra foi composta majoritariamente por técnicos e consultores, representando 45% do total, seguidos por produtores rurais com 40% e estudantes da área com 15%. Observou-se uma consolidação expressiva do WhatsApp como canal de informação, visto que 83% dos respondentes declararam receber conteúdos técnicos por meio da plataforma. Ao analisar o recebimento por categoria de atuação, constatou-se que 100% dos produtores rurais recebem esse tipo de material, enquanto entre os técnicos a taxa foi de aproximadamente 79%. Já entre os estudantes, o recebimento foi de 50%, o que sugere uma menor inserção deste público nas redes produtivas e uma maior dependência de canais estritamente acadêmicos. Esses dados corroboram a visão de que o WhatsApp está integrado às rotinas operacionais e decisórias do campo, onde produtores e técnicos utilizam a ferramenta para agilizar processos de manejo e negociação (ABMRA, 2023).
No que tange à frequência de recebimento, identificou-se uma preferência marcante pelo envio semanal de conteúdos, especialmente entre as faixas etárias de 26 a 40 anos e 41 a 60 anos. Esses indivíduos, que geralmente ocupam posições de liderança operacional e gestão, demandam atualizações constantes para subsidiar decisões sobre monitoramento de pragas, aplicação de insumos e comercialização. Em contraste, o grupo de jovens com até 25 anos manifestou uma inclinação para o recebimento de informações apenas durante o período de safra ou de forma menos frequente. Esse padrão de comportamento alinha-se a estudos recentes que indicam que agricultores mais jovens, embora valorizem os canais digitais, tendem a alternar entre diferentes meios de comunicação dependendo da urgência e da relevância operacional do conteúdo (Colussi et al., 2024). A necessidade de constância informativa parece aumentar proporcionalmente ao grau de responsabilidade direta sobre a produtividade da lavoura.
A análise da interação com os conteúdos técnicos evidenciou um comportamento predominantemente passivo por parte dos usuários. Embora a taxa de recebimento seja elevada, apenas 9,4% dos participantes afirmaram interagir sempre com os materiais recebidos, enquanto 58,5% declararam interagir apenas às vezes. Esse dado indica que o WhatsApp, apesar de ser um canal de distribuição eficiente, enfrenta desafios para converter o alcance em engajamento ativo e contínuo. Muitos usuários ainda percebem a ferramenta primordialmente como um meio de entretenimento ou comunicação interpessoal rápida, o que pode explicar a interação pontual com conteúdos técnicos densos. No entanto, em comunidades específicas de prática digital, como grupos de produtores especializados, o aplicativo assume um papel de fórum para discussão de dúvidas e compartilhamento de experiências, transformando o consumo passivo em uma rede de colaboração ativa (Santos et al., 2021).
Quanto à preferência de formatos, os resultados apontaram que o texto acompanhado de imagem e os vídeos curtos são os materiais mais valorizados pelos participantes. Esse padrão sugere uma busca por conteúdos que aliem objetividade textual a recursos visuais, facilitando a compreensão rápida e a aplicação imediata no campo. Formatos como áudio isolado ou texto puro receberam poucas menções, reforçando a importância da multimodalidade na comunicação agrícola. Do ponto de vista teórico, essa preferência está em consonância com a Teoria da Aprendizagem Multimídia, que defende que a integração de diferentes estímulos sensoriais favorece a retenção da informação (Mayer, 2009). Além disso, vídeos curtos e imagens explicativas são particularmente eficazes em regiões onde a conectividade pode ser instável, pois permitem um consumo otimizado de dados e um acesso ágil à informação técnica (Bolfe et al., 2020).
Ao detalhar as preferências por perfil de atuação, notou-se que os produtores rurais atribuem grande importância a documentos técnicos mais densos, como arquivos em formato PDF e planilhas, que servem como materiais de referência para o planejamento de longo prazo. Já os técnicos e consultores demonstraram uma maior diversificação no consumo, valorizando desde vídeos rápidos até áudios e documentos formais, refletindo seu papel como multiplicadores de informação que precisam adaptar o conhecimento para diferentes públicos. Os estudantes, por sua vez, concentraram suas escolhas em formatos didáticos e visuais, como vídeos e textos com imagens, evitando materiais mais complexos ou puramente técnicos. Essa diversidade de preferências reforça a necessidade de as empresas de agronegócio diversificarem seus formatos digitais para atender a públicos com diferentes níveis de especialização e necessidades informacionais (Kotler et al., 2021).
A duração do conteúdo também se mostrou um fator crítico para o engajamento. A categoria de conteúdos curtos, com até um minuto de duração, apresentou os maiores percentuais de preferência em quase todos os canais analisados, incluindo WhatsApp, YouTube e portais de notícias. Esse resultado evidencia que o tempo disponível do produtor rural é escasso e que a comunicação deve ser direta e focada na aplicabilidade imediata. Conteúdos detalhados, com até cinco minutos, possuem aceitação menor e são geralmente buscados em contextos específicos de treinamento ou resolução de problemas complexos. Barreiras de infraestrutura e a dinâmica intensa de trabalho no campo limitam a adoção de formatos longos, tornando a agilidade informativa um diferencial competitivo para as marcas que desejam manter a atenção do público agrícola (Silveira, 2022).
No que diz respeito à utilidade percebida, os conteúdos técnicos foram avaliados com as notas mais altas pelos respondentes, com quase 50% da amostra atribuindo a nota máxima de utilidade. Informações sobre manejo, clima e pragas são consideradas cruciais para a rentabilidade da safra e para a mitigação de riscos. Em contrapartida, conteúdos explicitamente promocionais ou de caráter puramente comercial receberam avaliações inferiores, indicando que o produtor valoriza a comunicação consultiva que agrega conhecimento ao seu negócio (Lima e Nascimento, 2022). O WhatsApp funciona, portanto, como uma ferramenta de gestão rural, permitindo o contato contínuo com a assistência técnica e o acesso rápido a instruções que impactam diretamente a produtividade (Godoy et al., 2022). A busca por inovação e tecnologias de Agricultura 4.0 também foi identificada como um tema de interesse crescente, embora sua aplicação prática ainda dependa da superação de barreiras financeiras e estruturais (Silva et al., 2022).
A percepção de valor sobre informações de mercado e commodities também se mostrou elevada, uma vez que a rentabilidade do setor está intrinsecamente ligada às oscilações de preços e tendências globais. Produtores utilizam as ferramentas digitais para monitorar cotações em tempo real, o que torna esse tipo de conteúdo um elemento vital para a tomada de decisão de venda. A imprevisibilidade do mercado é apontada como um dos principais fatores de risco para o produtor, o que justifica a alta demanda por análises econômicas ágeis e confiáveis entregues via aplicativos de mensagens (EY Brasil, 2021). Dessa forma, o engajamento efetivo no WhatsApp não depende apenas da frequência de envio, mas da capacidade do emissor em fornecer dados que reduzam a incerteza e promovam a segurança operacional do produtor.
Conclui-se que o objetivo foi atingido, uma vez que a pesquisa identificou que o WhatsApp é um canal de distribuição de conteúdo técnico amplamente consolidado no agronegócio gaúcho, sendo percebido como altamente útil para a tomada de decisão no campo. Os resultados demonstraram que, embora o recebimento de informações seja frequente, o engajamento ativo ainda é um desafio, exigindo que as estratégias de comunicação priorizem formatos multimodais, como textos com imagens e vídeos curtos, que ofereçam aplicabilidade imediata e objetividade. A segmentação do conteúdo por perfil de atuação mostrou-se essencial, visto que produtores, técnicos e estudantes possuem necessidades e preferências distintas quanto à densidade e ao formato das informações. O sucesso da comunicação digital no setor depende da transformação da recepção passiva em uma interação consultiva e contínua, focada na entrega de valor técnico e na resolução de problemas práticos da rotina produtiva.
Referências Bibliográficas:
ABMRA. Marketing de conteúdo no agronegócio. [S.l.], 2023. https://abmra.org.br/marketing-de-conteudo-no-agronegocio-cultivando-relacionamentos-e-colhendo-resultados/.Acesso em: 15 jun. 2025.
Bolfe, E. L. et al. 2020. Agricultura digital no Brasil: tendências, desafios e oportunidades. Embrapa, Campinas, [estado], Brasil. Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1120912/. Acesso em: 15 jun. 2025.
Campos, S. dos S.; Marjotta-Maistro, M. C. 2022. Estratégias de marketing no agronegócio: análise da adoção por diferentes categorias de produtores. Iheringia, Série Botânica 77.
CANAL RURAL. 2021. 76% dos produtores usam WhatsApp para negociar, aponta pesquisa. Disponível em: <https://www.canalrural.com.br/agricultura/76-produtores-whatsapp-negociar-pesquisa/>. Acesso em: 15 jun. 2025.
Chaffey, D.; Ellis-Chadwick, F. 2012. Marketing digital: estratégia, implementação e prática. 6. ed. Pearson, São Paulo, SP, Brasil.
Colussi, J.; Sonka, S.; Schnitkey, G. D.; Morgan, E. L.; Padula, A. D. 2024. A Comparative Study of the Influence of Communication on the Adoption of Digital Agriculture in the United States and Brazil. Agriculture 14(7): 1027.
EY Brasil. 2022. Top 10 riscos e oportunidades para o Agronegócio. Disponível em: <https://www.ey.com/pt_br/cea/top-10-riscos-e-oportunidades-para-o-agronegocio-2022>. Acesso em: 19 set. 2025.
Gil, A.C. 2010. Como elaborar projetos de pesquisa. 6. ed. Atlas, São Paulo, SP, Brasil.
Godoy, C.M.T.; Neves, C.V.; Oliveira, P.H.; Campos, J.R.R. 2022. Comunicação e inclusão digital no meio rural: utilização do WhatsApp como meio de comunicação e de gestão de negócios. Desenvolvimento em Questão 20(58).
Kotler, P.; Armstrong, G. 2015. Princípios de marketing. 15. ed. Pearson, São Paulo, SP, Brasil.
Kotler, P.; Kartajaya, H.; Setiawan, I. 2021. Marketing 5.0: tecnologia para a humanidade. LID Editorial, São Paulo, SP, Brasil.
Lakatos, E.M.; Marconi, M.A. 2017. Fundamentos de Metodologia Científica. 7. ed. Atlas, São Paulo, SP, Brasil.
Lima, A.R.S.; Nascimento, D. 2022. Comunicação digital rural: desafios e perspectivas para o marketing no agro. Revista Extensio 19(40): 64-81.
Mayer, R.E. 2009. Multimedia Learning. 2. ed. Cambridge University Press, Cambridge.
Pulizzi, J. 2016. Marketing de conteúdo épico: como contar uma história diferente, romper com o status quo e conquistar mais clientes. Alta Books, São Paulo, Brasil.
Santos, M.C.; Madureira, L.; Braga, A.A.; Marques, C.P. 2021. Comunidades de prática digitais e sustentabilidade da aquicultura na Amazônia brasileira: o caso da rede social on-line WhatsApp “Peixe de Rondônia”. Revista de Economia e Sociologia Rural 59(1).
Silva, G.A.; Gomes, R.M. 2020. A comunicação no agronegócio digital: o papel das mídias sociais na interação com o produtor rural. Revista Princípia 3(2): 149-166.
Silveira, F. da. 2023. Gerenciamento das Barreiras no Desenvolvimento da Agricultura 4.0 na Cadeia de Produção Agrícola da Região Sul do Brasil. Tese de Doutorado em Engenharia de Produção. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil.
Solomon, M.R. 2016. Comportamento do consumidor: comprando, possuindo e sendo. 11. ed. Bookman, Porto Alegre, [estado], Brasil.
Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Marketing do MBA USP/Esalq
Para saber mais sobre o curso, clique aqui e acesse a plataforma MBX Academy




























