19 de maio de 2026
Impactos do Leadership Coaching na Liderança de Equipes
Yuni Maria Valentim Inxala; Adriana Villanova De Almeida
Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.
Diante de um cenário organizacional caracterizado por dinamismo e competitividade acentuada, a eficácia da liderança consolidou-se como um fator estratégico primordial para o alcance de resultados sustentáveis e o fortalecimento da cultura corporativa. Nesse contexto, o Leadership Coaching emerge como uma ferramenta de elevado impacto para o desenvolvimento de gestores, ao promover o autoconhecimento, a inteligência emocional, a comunicação assertiva e a gestão qualificada de pessoas (Whitmore, 2017; Goleman, 2012). O coaching é compreendido como um processo de treinamento que visa potencializar as competências individuais, funcionando como um propulsor para o exercício da liderança nas organizações contemporâneas (Carpes et al., 2017). A relevância estratégica dos Recursos Humanos é determinante para a manutenção da vantagem competitiva, sendo uma das variáveis mais críticas na gestão moderna (Curado et al., 2024). Sob essa ótica, a capacitação do capital humano por meio do coaching surge como uma prática de aperfeiçoamento contínuo, cujo propósito central reside na modificação de comportamentos e ações, estimulando a transformação tanto em nível individual quanto organizacional (Cunha, 2010).
As organizações atuais demandam líderes que possuam a capacidade de inspirar e engajar seus colaboradores, o que favorece diretamente o incremento da produtividade e a estruturação de equipes de alto desempenho. O coaching voltado à liderança oferece um suporte estruturado para a tomada de decisões e para a superação de desafios cotidianos, focando no crescimento integral do gestor (Goldsmith et al., 2012). Além disso, o treinamento atua como um instrumento administrativo vital, funcionando como um agente motivador que proporciona auto-satisfação ao treinando e abrange desde a aquisição de habilidades operacionais até o desenvolvimento de conhecimentos técnicos e comportamentais complexos (Magalhães e Borges-Andrade, 2001). Historicamente, as teorias comportamentais estabeleceram que a liderança pode ser desenvolvida através do aprendizado e da experiência, uma vez que os comportamentos são moldados pelo ambiente e pelos estímulos recebidos (Robbins et al., 2010). Portanto, investir na capacitação de líderes é essencial para gerar mudanças significativas que beneficiem tanto os indivíduos quanto a estrutura organizacional como um todo (Hendriks et al., 2020). O objetivo central desta análise consiste em compreender as percepções dos participantes sobre um treinamento de Leadership Coaching e identificar seus reflexos na condução das equipes sob sua gestão.
A fundamentação metodológica deste estudo baseia-se na pesquisa descritiva com delineamento de estudo de caso, o que permite descrever as características de um fenômeno específico e identificar relações entre variáveis de forma aprofundada (Gil, 2019; Yin, 2015). Adotou-se uma abordagem mista, integrando técnicas qualitativas e quantitativas para garantir uma compreensão abrangente do problema a partir das perspectivas e opiniões dos envolvidos. O levantamento de campo, ou survey, foi a principal estratégia de coleta de dados, utilizando um questionário estruturado e anônimo para assegurar o sigilo e a fidedignidade das respostas (Fonseca, 2002). O estudo foi realizado em uma empresa do setor de mineração localizada na província de Nampula, no norte de Moçambique. O instrumento de coleta, elaborado em plataforma digital, conteve 17 questões, sendo 15 de múltipla escolha e duas abertas, permitindo o registro detalhado de percepções e recomendações. A divulgação ocorreu de forma virtual durante um período de três meses, visando maximizar a participação da amostra predefinida.
O foco da investigação concentrou-se em gestores que já haviam concluído o treinamento e possuíam, no mínimo, três meses de aplicação prática dos conteúdos no ambiente de trabalho. Esse intervalo é fundamental, pois avaliações realizadas entre 90 e 120 dias após a capacitação permitem mensurar com maior precisão o impacto real do treinamento no cotidiano operacional (Pilati e Abbad, 2005). Ao todo, foram obtidas 104 respostas entre os meses de abril e julho de 2025. O processo de coleta foi dividido em duas fases distintas: a primeira consistiu na aplicação do questionário ao público-alvo de 176 participantes; a segunda fase envolveu a realização de entrevistas semiestruturadas com 40 gestores selecionados por afinidade, com o intuito de colher percepções mais profundas e detalhadas. A análise dos dados foi orientada pelos modelos de avaliação de Kirkpatrick (1959) e Pilati e Abbad (1999), focando na reação, aprendizagem, comportamento e resultados organizacionais.
O modelo de Pilati e Abbad (2005) oferece uma estrutura robusta para mensurar a transferência do aprendizado, diferenciando níveis que vão desde a aquisição e retenção do conhecimento até a sua generalização e impacto final no contexto organizacional. Essa abordagem utiliza escalas validadas para verificar se os conhecimentos, habilidades e atitudes foram efetivamente consolidados no ambiente profissional. Complementarmente, a teoria de Kirkpatrick (2010) define quatro níveis essenciais de avaliação: o Nível 1 avalia a reação e satisfação dos participantes; o Nível 2 foca no aprendizado e na aquisição de novas competências; o Nível 3 examina a mudança de comportamento e a aplicação prática no trabalho; e o Nível 4 analisa os resultados gerados para a organização. Essa metodologia integrada permite compreender não apenas se os líderes ficaram satisfeitos com o programa, mas se houve uma transformação efetiva na forma como gerem suas equipes e se isso resultou em benefícios tangíveis para a empresa de mineração estudada.
A caracterização da amostra revelou que 74% dos participantes possuem mais de quatro anos de atuação em cargos de liderança ou supervisão, o que indica uma experiência consolidada e familiaridade com os desafios inerentes ao setor extrativista. Em contrapartida, 26% dos respondentes possuem menos de três anos de experiência, representando um grupo em fase de adaptação e desenvolvimento de competências gerenciais. Essa distinção é relevante, pois a eficácia da aprendizagem em liderança está frequentemente vinculada ao nível de experiência prévia e ao contexto de atuação do indivíduo (Yukl, 2013). Os resultados demonstraram que o treinamento foi percebido de forma positiva por líderes de todos os níveis de experiência, embora os gestores mais seniores tenham apresentado uma frequência ligeiramente superior de respostas afirmativas quanto ao impacto das ferramentas em sua rotina.
A clareza e a estruturação dos conteúdos foram elogiadas por 94% dos participantes, o que favoreceu o entendimento e a internalização dos conhecimentos. A qualidade do material e a organização metodológica são fatores determinantes para o sucesso de estratégias de capacitação, contribuindo para que as competências sejam efetivamente desenvolvidas no ambiente organizacional (Brandão e Guimarães, 2001). Além disso, 89% dos gestores afirmaram que o treinamento atendeu às suas expectativas iniciais. Essa correspondência entre expectativa e realidade é fundamental para manter a motivação e o engajamento na aplicação prática das novas competências, influenciando positivamente o desempenho individual e os resultados coletivos (Baldwin e Ford, 1988). A aplicabilidade das ferramentas foi reconhecida por 80% da amostra, sugerindo um alinhamento significativo entre o conteúdo proposto e as demandas do cotidiano na mineração. No entanto, 20% dos participantes indicaram que as ferramentas não se adequaram totalmente ao seu contexto específico, o que pode refletir particularidades de certas áreas técnicas ou operacionais. A percepção de relevância prática é um preditor crítico para a transferência efetiva do aprendizado (Mdhlalose, 2024).
O ambiente de treinamento também foi avaliado como propício para a troca de experiências e reflexão crítica por 89% dos respondentes. Metodologias participativas que incentivam o diálogo e a construção coletiva do conhecimento são essenciais para que a aprendizagem seja significativa e resulte em mudanças de atitude (Brandão e Guimarães, 2001). No que tange ao sentimento de preparação, 82% dos líderes relataram sentir-se mais aptos a enfrentar os desafios da liderança após a capacitação. Esse aumento na autoconfiança e na percepção de eficácia é um resultado direto de treinamentos bem estruturados que oferecem suporte teórico e prático para a atuação do gestor (Lacombe, 2005; Day et al., 2014). O impacto na percepção da própria liderança foi altamente positivo, com 98% de respostas afirmativas, indicando que os conteúdos e metodologias foram eficazes em promover reflexões e mudanças práticas no estilo de gestão.
Esses achados estão em consonância com o Nível 2 do modelo de Kirkpatrick (2010), que foca na aquisição de conhecimentos e na mudança de atitudes. A aplicação prática dos conceitos de Leadership Coaching no cotidiano operacional resultou em mudanças positivas no desempenho das equipes para 94% dos participantes. Líderes bem preparados influenciam diretamente a motivação e o engajamento de seus subordinados, gerando um ciclo virtuoso de produtividade (Northouse, 2022). Quanto à cultura organizacional, 65% dos gestores observaram uma transformação para um modelo mais colaborativo após a implementação dos aprendizados. Embora a mudança cultural requeira tempo e alinhamento contínuo, a percepção da maioria indica um impacto positivo na dinâmica de trabalho em grupo (Costa e Abbad, 2014). O engajamento das equipes também apresentou melhorias, conforme relatado por 65% da amostra, reforçando a importância da capacitação para o fortalecimento do comprometimento dos colaboradores (Silva e Oliveira, 2016).
Os principais aprendizados aplicados pelos participantes incluíram a melhoria na comunicação com a equipe, a prática de feedbacks mais efetivos, a delegação consciente de tarefas, o autoconhecimento e o controle emocional. A alta incidência de respostas voltadas a habilidades interpessoais reforça a efetividade do programa no Nível 3 de Kirkpatrick, que trata da modificação do comportamento como resultado direto da formação (Kirkpatrick e Kirkpatrick, 2006). Os gestores não apenas absorveram a teoria, mas a incorporaram em suas práticas diárias, especialmente em áreas críticas como a gestão de conflitos e a motivação de colaboradores. A transferência do conhecimento para situações concretas do ambiente de trabalho é o indicador mais fidedigno do impacto de um treinamento (Pilati e Abbad, 2005). Além disso, o destaque dado ao autoconhecimento e ao controle emocional sinaliza uma valorização crescente das competências socioemocionais no setor industrial, alinhando-se às demandas por uma liderança mais empática e resiliente.
A análise detalhada dos dados também permitiu identificar áreas que necessitam de aprimoramento para otimizar a eficácia do programa a longo prazo. Uma das principais lacunas apontadas foi a insuficiência no acompanhamento pós-treinamento e na geração de feedback contínuo. A ausência de reforço após o término das sessões pode comprometer a sustentabilidade dos resultados e favorecer a regressão a hábitos antigos. A eficácia do treinamento só é plenamente consolidada quando o aprendizado é transferido e mantido no contexto profissional através de suporte contínuo (Salas et al., 2021). Houve também uma demanda por maior aplicabilidade prática do conteúdo à realidade operacional da mineração, sugerindo que a seleção de formadores com experiência específica no setor aumentaria a credibilidade e a relevância das sessões (Noe, 2017). O design instrucional deve ser mais interativo e experiencial, aumentando a exposição prática em campo para fortalecer o engajamento dos participantes.
Outro ponto crítico identificado foi a necessidade de maior suporte e engajamento da alta liderança. A cultura organizacional e a postura dos líderes seniores influenciam diretamente o sucesso de programas de desenvolvimento; se os princípios do coaching não são aplicados nos níveis hierárquicos superiores, os gestores de nível médio podem sentir-se desmotivados (Kotter, 1996; Schein, 2009). A ausência de alinhamento institucional pode comprometer os impactos desejados no Nível 4 de Kirkpatrick, que se refere aos resultados organizacionais mensuráveis. Portanto, a promoção da interação entre diferentes níveis hierárquicos e a disponibilização de recursos adequados, incluindo suporte de psicologia organizacional, são essenciais para assegurar a perenidade das mudanças comportamentais. A melhoria na comunicação e o alinhamento prévio de expectativas entre coaches e participantes também foram sugeridos como formas de otimizar a experiência de aprendizagem.
Dentre as recomendações práticas para futuras edições do programa, destaca-se a necessidade de realizar um acompanhamento formal por pelo menos seis meses após o curso, com evidências documentadas de aplicação dos conteúdos. Sugere-se a redução da dependência de plataformas exclusivamente online, investindo em sessões presenciais, individuais e em grupo, para favorecer a troca de experiências. A adaptação dos estudos de caso para cenários reais da indústria mineira e a inclusão da cultura organizacional como um fator-chave de análise são medidas fundamentais para aumentar a aderência do treinamento. Além disso, a criação de fóruns regulares para debate entre diferentes áreas e o compartilhamento de lições aprendidas podem institucionalizar a prática do coaching na empresa. O envolvimento direto dos diretores, garantindo que também sigam as práticas ensinadas, funcionaria como um elemento catalisador para a aceitação e eficácia do programa em toda a estrutura.
Conclui-se que o objetivo foi atingido, uma vez que a pesquisa confirmou que programas de Leadership Coaching geram impactos positivos significativos na cultura organizacional e no estilo de gestão. A aplicação prática dos aprendizados demonstrou que os participantes incorporaram os conteúdos ao cotidiano profissional, resultando em melhorias no desempenho das equipes e no fortalecimento de competências socioemocionais. O engajamento e a colaboração foram potencializados, embora a sustentabilidade dessas mudanças dependa criticamente do acompanhamento pós-treinamento e do envolvimento ativo da liderança sênior. Identificou-se que a falta de alinhamento com a realidade operacional e a ausência de suporte institucional contínuo são fatores que podem limitar o alcance dos resultados. Recomenda-se a realização de estudos longitudinais para avaliar a consolidação das mudanças comportamentais ao longo do tempo e a exploração do papel dos líderes de topo na eficácia de programas de desenvolvimento humano em contextos de alta hierarquia técnica.
Referências Bibliográficas:
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Curado, C.; Henriques, P. L.; Jerónimo, H. M.; Muñoz-Pascual, L. 2024. HRM leading the way to organizational success. Journal of Organizational Effectiveness: People and Performance, v. 11, n. 3.
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Goldsmith, M.; Lyons, L.; Freas, A. 2012. Coaching: desenvolvendo executivos e líderes. M. Books, São Paulo, SP, Brasil.
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Yin, R. K. 2015. Case study research: Design and methods. 5ed. Thousand Oaks: Sage.
Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Negócios do MBA USP/Esalq
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