Resumo Executivo

21 de maio de 2026

Eficiência e Rentabilidade: Itaú, Bradesco e Santander (2021-2024)

Henrique Dos Santos Silva; Isabela Romanha De Alcantara

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

O Sistema Financeiro Nacional desempenha um papel fundamental na estrutura econômica brasileira, atuando como o principal intermediário de recursos e motor do crescimento sustentável. Nas últimas décadas, esse sistema enfrentou transformações profundas, impulsionadas por saltos tecnológicos, atualizações regulatórias e uma demanda crescente por serviços financeiros em ambiente digital. A crise sanitária global iniciada em 2020 acelerou a digitalização bancária, intensificando a concorrência entre as instituições tradicionais e as novas empresas de tecnologia financeira. O setor bancário no Brasil caracteriza-se por uma elevada concentração, na qual as cinco maiores instituições detinham aproximadamente 82% dos ativos totais em 2023 (BCB, 2023). Embora ocorra um movimento gradual de descentralização, os bancos de grande porte permanecem como os principais protagonistas na concessão de crédito e na intermediação financeira em larga escala.

A eficiência operacional e a rentabilidade são métricas vitais para a estabilidade do sistema financeiro e para a confiança dos acionistas. Instituições que apresentam ineficiência tendem a enfrentar riscos elevados de insolvência, o que pode comprometer a integridade de todo o arranjo econômico (Berger e Humphrey, 1997). Em economias emergentes, a análise dos determinantes da eficiência torna-se ainda mais crítica devido à volatilidade dos ciclos de juros e inflação. O cenário recente, marcado por margens financeiras pressionadas e competição acirrada, exige que os bancos utilizem a inovação tecnológica e a automação de processos como diferenciais estratégicos. A análise comparativa entre Itaú Unibanco, Santander Brasil e Bradesco permite compreender como diferentes modelos de gestão e governança corporativa respondem aos desafios de um mercado em constante mutação.

Os fundamentos teóricos que norteiam a análise do desempenho bancário baseiam-se na capacidade de gerar valor para o acionista e na otimização do uso dos ativos. O retorno sobre o patrimônio líquido é um parâmetro essencial para mensurar o lucro gerado a partir do capital próprio investido (Gitman, 2010). Complementarmente, o controle rigoroso dos custos operacionais é central para a criação de valor sustentável a longo prazo (Assaf Neto, 2012). A integração desses indicadores financeiros com fatores qualitativos, como a digitalização e a gestão de riscos, oferece uma visão holística sobre a saúde financeira das instituições. A escolha de bancos de capital aberto para este estudo justifica-se pela transparência das informações e pela padronização das demonstrações financeiras, o que possibilita uma comparação rigorosa entre os modelos de negócio de varejo, atacado e investimentos.

A compreensão dos mecanismos que regem a eficiência bancária passa obrigatoriamente pela análise da estrutura de capital e da produtividade dos ativos. O retorno sobre ativos reflete a eficácia com que a gestão utiliza todos os recursos disponíveis para gerar resultados, independentemente da origem do financiamento (Assaf Neto, 2012). Em um ambiente de taxas de juros elevadas, o custo de captação aumenta, exigindo uma alocação de capital ainda mais precisa. A transição para o modelo de banco digital e a implementação do sistema de finanças abertas introduziram novos paradigmas de compartilhamento de dados, forçando as instituições tradicionais a revisarem suas estruturas de custos fixos e suas redes de atendimento físico.

A estratégia metodológica adotada para a investigação do desempenho bancário fundamenta-se em uma abordagem quantitativa com caráter descritivo e exploratório. A pesquisa descritiva permite observar e analisar fenômenos financeiros sem a interferência direta, utilizando dados secundários padronizados (Gil, 2017). Para aprofundar a compreensão sobre os determinantes de desempenho, a pesquisa exploratória busca identificar relações entre variáveis e formular hipóteses sobre a eficiência operacional. A técnica de estudo de múltiplos casos é empregada para permitir a comparação entre unidades que operam sob condições de mercado similares, aumentando a robustez das inferências realizadas (Yin, 2015).

A amostra selecionada compreende os três maiores bancos privados listados na bolsa de valores brasileira: Itaú Unibanco, Santander Brasil e Bradesco. Essas instituições foram escolhidas por deterem mais de 70% do setor bancário privado em ativos totais (BCB, 2023). O período de análise abrange de 2021 a 2024, totalizando 16 trimestres de observação para cada banco, o que resulta em um conjunto de 48 observações temporais. Esse recorte temporal é estratégico, pois cobre a fase de recuperação econômica pós-pandemia e os ciclos subsequentes de aperto monetário no Brasil. Os dados foram extraídos das Demonstrações Financeiras Padronizadas e dos Formulários de Referência disponíveis nos portais de relação com investidores das respectivas instituições.

O processo operacional de coleta de dados envolveu o levantamento trimestral de indicadores de rentabilidade e eficiência. O índice de eficiência operacional foi calculado pela razão entre as despesas operacionais e a receita líquida operacional. As despesas operacionais incluem gastos administrativos, pessoal, tecnologia da informação e marketing, enquanto a receita líquida operacional é composta pela receita bruta de intermediação financeira subtraída dos custos diretos. Um índice menor indica que a instituição gasta menos para gerar cada unidade de receita, sinalizando maior controle de custos. Outro indicador utilizado foi o custo operacional sobre a receita bruta, que soma todas as despesas operacionais antes das deduções fiscais e operacionais.

Para a análise da rentabilidade, utilizou-se o retorno sobre o patrimônio líquido, calculado pela divisão do lucro líquido pelo patrimônio líquido médio do período. Esse indicador revela a capacidade da gestão em remunerar o capital dos acionistas. O retorno sobre ativos foi apurado pela razão entre o lucro líquido e o ativo total, permitindo avaliar a produtividade de todos os recursos sob gestão da instituição. Complementarmente, foi realizada uma análise qualitativa exploratória por meio da leitura interpretativa de cartas da administração e relatórios da diretoria. Essa etapa buscou identificar fatores estratégicos, como investimentos em inteligência artificial, reestruturações de redes físicas e políticas de provisionamento para devedores duvidosos.

O tratamento estatístico dos dados foi realizado em planilha eletrônica, aplicando-se cálculos de média aritmética, desvio padrão e coeficiente de variação. O desvio padrão permitiu mensurar a volatilidade dos resultados ao longo dos quatro anos, enquanto o coeficiente de variação possibilitou a comparação da estabilidade operacional entre os bancos de forma padronizada. A triangulação entre os dados quantitativos e as informações qualitativas garantiu uma compreensão abrangente de como as decisões de gestão e a estrutura de capital influenciaram o desempenho financeiro no contexto do Sistema Financeiro Nacional. A pesquisa seguiu rigorosamente os princípios éticos, utilizando apenas dados de domínio público e garantindo a integridade na manipulação das informações contábeis.

A análise dos resultados revela que o Itaú Unibanco manteve uma posição de liderança consistente em termos de rentabilidade durante todo o período de 2021 a 2024. O retorno sobre o patrimônio líquido médio da instituição foi de 20,83%, o patamar mais elevado entre os três bancos analisados. Essa performance é acompanhada por uma baixa volatilidade, evidenciada por um coeficiente de variação de apenas 4,99% no indicador de rentabilidade. A consistência dos resultados do Itaú sugere um modelo de gestão de riscos robusto e uma diversificação eficaz de receitas, que protegem a instituição contra as oscilações macroeconômicas trimestrais. A capacidade de manter um retorno elevado e estável é um diferencial crítico em um setor onde a confiança do investidor é pautada pela previsibilidade dos ganhos.

Em contraste, o Bradesco apresentou o desempenho mais volátil no indicador de rentabilidade, com um retorno sobre o patrimônio líquido médio de 14,44% e um coeficiente de variação de 19,46%. Essa oscilação acentuada reflete os desafios enfrentados pela instituição na adaptação às mudanças do cenário competitivo e no controle da inadimplência. Durante os anos de 2022 e 2023, o Bradesco registrou quedas significativas em suas margens, impactado por uma exposição maior a segmentos de crédito de maior risco. A análise qualitativa dos relatórios institucionais indica que a instituição iniciou um processo de reestruturação focado na redução de despesas operacionais e no aprimoramento da experiência digital por meio do programa Bradesco mais Digital, buscando alinhar-se aos padrões de eficiência de seus principais concorrentes.

O Santander Brasil demonstrou uma trajetória de recuperação notável, especialmente a partir de 2024. Após enfrentar pressões na rentabilidade em 2022 e 2023, o banco atingiu um retorno sobre o patrimônio líquido médio de 17,99% no período consolidado. O coeficiente de variação de 15,45% indica uma estabilidade intermediária entre o Itaú e o Bradesco. A recuperação do Santander foi impulsionada por medidas agressivas de otimização da estrutura de custos, incluindo o fechamento de agências físicas e a ampliação dos canais digitais. Essas ações permitiram que a instituição apresentasse o melhor índice de eficiência operacional médio do grupo, atingindo 37,52%, o que significa que o banco consome menos recursos para gerar receita em comparação aos seus pares.

No que tange ao retorno sobre ativos, o Itaú Unibanco novamente se destacou com uma média de 2,23%, reforçando a eficiência na utilização de sua base de recursos. O Santander apresentou uma média de 1,82%, enquanto o Bradesco registrou 1,37%. Um retorno sobre ativos mais elevado indica que a instituição é eficaz em converter seus investimentos e carteiras de crédito em lucro líquido, minimizando ineficiências na alocação de capital (Assaf Neto, 2012). A disparidade entre os bancos evidencia que a qualidade da carteira de crédito e a disciplina na alocação de recursos são determinantes fundamentais para a produtividade dos ativos no setor bancário brasileiro.

O índice de eficiência operacional médio do Bradesco foi de 46,36%, o mais elevado entre as instituições analisadas, o que aponta para uma estrutura de custos mais pesada em relação à sua geração de receita. De acordo com a literatura, bancos com índices de eficiência elevados tendem a apresentar maior vulnerabilidade a choques de mercado e riscos de insolvência (Berger e Humphrey, 1997). A necessidade de investimentos massivos em tecnologia para automação de processos é um tema recorrente nos relatórios do Bradesco, visando diluir custos fixos e melhorar a produtividade. Por outro lado, o Itaú manteve um índice de eficiência operacional médio de 41,24%, demonstrando um equilíbrio entre investimentos tecnológicos e controle de despesas administrativas.

A inadimplência, medida pelo indicador de créditos vencidos há mais de 90 dias, foi um fator determinante para os resultados financeiros. O Bradesco registrou a maior média de inadimplência do período, com 3,99%, seguido pelo Santander com 3,88% e pelo Itaú com 2,73%. A estabilidade da carteira de crédito do Itaú contribuiu diretamente para sua rentabilidade superior, exigindo menores provisões para devedores duvidosos. A gestão eficaz do risco de crédito em cenários de juros elevados e inflação persistente mostrou-se como um divisor de águas entre as instituições. Bancos que adotaram posturas mais conservadoras na concessão de crédito em períodos de incerteza econômica conseguiram preservar suas margens e evitar perdas expressivas em seus balanços.

A digitalização e a inovação tecnológica foram temas centrais nas estratégias de todas as instituições. O investimento em inteligência artificial para análise de dados e automação do atendimento permitiu a expansão da base de clientes sem o aumento proporcional dos custos operacionais. A implementação do sistema de finanças abertas no Brasil intensificou a concorrência, exigindo que os bancos tradicionais oferecessem produtos mais personalizados e eficientes. O Itaú destacou-se pela escalabilidade de suas plataformas digitais, enquanto o Santander focou na reestruturação interna para recuperar margens. O Bradesco, apesar dos desafios, manteve liderança em segmentos específicos como seguros, utilizando essa diversificação para mitigar os impactos negativos no setor bancário tradicional.

As evidências estatísticas reforçam a hipótese de que a eficiência operacional, aliada à estabilidade da carteira de crédito, está positivamente associada à rentabilidade bancária. Instituições que conseguem manter um controle rigoroso sobre suas despesas e uma gestão de riscos prudente apresentam maior resiliência em diferentes ciclos econômicos. A análise longitudinal do período de 2021 a 2024 permitiu compreender como as decisões estratégicas impactam os resultados financeiros a longo prazo. A capacidade de adaptação tecnológica e a agilidade na resposta às mudanças regulatórias são diferenciais competitivos que moldam o desempenho das maiores instituições privadas do país.

Conclui-se que o objetivo foi atingido, uma vez que a avaliação comparativa demonstrou que o Itaú Unibanco lidera em rentabilidade e consistência operacional, enquanto o Santander Brasil apresenta a melhor eficiência em termos de custos e o Bradesco enfrenta os maiores desafios na redução de despesas e controle de inadimplência. A eficiência bancária no Brasil está intrinsecamente ligada à capacidade de inovação tecnológica, à robustez da gestão de riscos e à disciplina no controle de gastos administrativos. As disparidades observadas entre as instituições evidenciam que modelos de gestão focados em digitalização e escalabilidade tendem a ser mais resilientes e lucrativos em cenários econômicos voláteis. Este estudo contribui para o entendimento dos fatores críticos que determinam o sucesso financeiro no Sistema Financeiro Nacional, oferecendo subsídios para investidores e gestores na formulação de estratégias corporativas.

Referências Bibliográficas:

Assaf Neto, A. 2012. Finanças Corporativas e Valor. 6ed. Atlas, São Paulo, SP, Brasil.

Banco Central do Brasil [BCB]. 2023. Relatório de Economia Bancária. Disponível em: <https://www.bcb.gov.br/>. Acesso em: 06 jun. 2025.

Berger, A.N.; Humphrey, D.B. 1997. Efficiency of financial institutions: International survey and directions for future research. European Journal of Operational Research 98(2): 175–212.

Gil, A.C. 2017. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. 6ed. Atlas, São Paulo, SP, Brasil.

Gitman, L.J. 2010. Princípios de Administração Financeira. 12ed. Pearson Prentice Hall, São Paulo, SP, Brasil.

Yin, R.K. 2015. Case Study Research: Design and Methods. 5ed. Sage Publications, Thousand Oaks, CA, USA.

Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Negócios do MBA USP/Esalq

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