20 de outubro de 2026
Neurociência e bilinguismo: sequência didática para estimular funções executivas na educação infantil
Neurociência e Bilinguismo: Sequência Didática para Estimular Funções Executivas na Educação Infantil
Yumi Nicole Iwasaki Tokumaru; Kelly Danelon
DOI: 10.22167/2675-6528-202603561
Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.
Resumo
Um estudo elaborou uma sequência didática bilíngue, fundamentada em princípios da neurociência do desenvolvimento, com foco no estímulo das funções executivas na Educação Infantil. A pesquisa caracterizou-se como aplicada, de abordagem qualitativa e delineamento de desenvolvimento pedagógico. O percurso metodológico envolveu revisão teórica, análise documental da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e a sistematização de princípios orientadores para a construção de um produto educacional. Como resultado, desenvolveu-se uma sequência didática organizada a partir das funções executivas – memória de trabalho, controle inibitório e flexibilidade cognitiva – integradas a práticas bilíngues significativas. A proposta evidenciou a possibilidade de planejar atividades intencionais que articulam linguagem, cognição e desenvolvimento integral, oferecendo subsídios para a prática docente na Educação Infantil. Concluiu-se que o trabalho contribui para a área pedagógica ao promover reflexões sobre o planejamento intencional, alinhando linguagem e benefícios neurocognitivos, e ao abordar o desafio de manter atenção, memória e criatividade no desenvolvimento cerebral infantil em contextos bilíngues.
Palavras-chave: Aprendizagem significativa; Desenvolvimento cognitivo; Desenvolvimento integral; Planejamento educacional; Prática pedagógica.
1. Introdução
Nos últimos anos, linguistas, psicólogos e neurocientistas têm intensificado pesquisas sobre os benefícios do ensino bilíngue, especialmente em instituições que adotam currículos integrados em duas línguas. Esses estudos evidenciam ganhos cognitivos significativos em crianças expostas precocemente ao bilinguismo.
Sorace (2011) destaca que o contato simultâneo com diferentes códigos linguísticos favorece as funções executivas, tais como atenção seletiva, controle inibitório e flexibilidade cognitiva. Isso ocorre porque o cérebro da criança bilíngue precisa alternar rapidamente entre os idiomas (code-switching) e inibir estímulos linguísticos irrelevantes (Carlson; Meltzoff, 2008).
A neurociência fornece a base estrutural para compreender esse fenômeno. Bialystok (2011, 2017) argumenta que o cérebro bilíngue se adapta constantemente às demandas cognitivas impostas pelo uso de duas línguas, desenvolvendo mecanismos robustos de monitoramento atencional. Autores como Diamond (2013), Cosenza e Guerra (2011) e Lent (2010) reforçam que essa atividade neural é potencializada na primeira infância, um período caracterizado pela intensa plasticidade cerebral e pela rápida maturação do córtex pré-frontal, região neuroanatômica diretamente responsável pelas funções executivas.
Zelazo (2015) complementa que as funções executivas consistem em um conjunto de processos cognitivos de alta ordem, fundamentais para a regulação do pensamento, da emoção e do comportamento. Na Educação Infantil, o desenvolvimento da memória de trabalho, do controle inibitório e da flexibilidade cognitiva (Diamond, 2013; Núcleo Ciência pela Infância, 2016) não ocorre de forma isolada, mas depende de experiências que desafiem a criança. Brincadeiras com regras, narrativas e interações em grupo exigem planejamento e autorregulação, habilidades nas quais as crianças bilíngues frequentemente apresentam vantagens devido ao constante gerenciamento de conflitos informacionais (Carlson; Meltzoff, 2008).
Ao transpor essas evidências para o contexto educacional brasileiro, Megale (2019) ressalta que a Educação Bilíngue deve ser compreendida como um sistema integrado, no qual a língua adicional não é apenas uma disciplina, mas o meio de instrução e construção de conhecimento. Somado a isso, Cavalcanti (1999) alerta para a urgência de desmistificar o “mito do monolinguismo” no Brasil, reconhecendo a diversidade linguística do país. Nesse cenário, o ensino bilíngue não apenas alavanca a cognição, mas promove sensibilidade intercultural.
Essa perspectiva está em consonância com a Base Nacional Comum Curricular (Brasil, 2017). O documento define aprendizagens essenciais e destaca competências gerais da educação básica – como autogestão, empatia, argumentação e pensamento crítico –, as quais são intrinsecamente dependentes do amadurecimento das funções executivas. Nas escolas bilíngues, a exposição a diferentes formas de expressão cultural e linguística atua como um catalisador dessas competências.
Apesar do robusto arcabouço teórico internacional (Bialystok, 2011, 2017; Diamond, 2013; Sorace, 2011), identifica-se uma lacuna na literatura e na prática pedagógica brasileira: como traduzir os achados da neurociência em intervenções didáticas concretas na Educação Infantil? O presente estudo justifica-se, portanto, pela necessidade de aproximar as evidências neurocientíficas do planejamento docente, superando a intuição pedagógica e oferecendo subsídios para o fortalecimento intencional das funções executivas.
Diante dessa problematização, este estudo tem como objetivo elaborar uma sequência didática bilíngue, fundamentada em princípios da neurociência cognitiva aplicada à educação, voltada para crianças de 4 e 5 anos. A proposta visa articular o desenvolvimento das funções executivas com os campos de experiência e os objetivos de aprendizagem preconizados pela BNCC.
2. Material e Métodos
A metodologia adotada para este estudo caracterizou-se como uma pesquisa de natureza qualitativa e aplicada, conforme os preceitos de Minayo (2001) e Flick (2009). O delineamento da investigação foi de desenvolvimento pedagógico, com foco na elaboração de um produto educacional. O objetivo central consistiu em estruturar e validar uma sequência didática bilíngue, fundamentada em bases científicas e normativas, a partir da identificação de uma demanda específica na prática da Educação Infantil bilíngue.
O percurso metodológico integrou duas etapas principais: a revisão bibliográfica narrativa e a análise documental. A revisão bibliográfica narrativa foi selecionada por permitir uma escolha intencional e aprofundada de referenciais teóricos de alta relevância, evitando um levantamento meramente quantitativo de dados. Esta abordagem possibilitou a exploração de obras que fundamentam o bilinguismo e a cognição, bem como a neurociência do desenvolvimento.
Para a revisão bibliográfica, mobilizaram-se autores especialistas nas áreas de bilinguismo e cognição, incluindo Bialystok (2011, 2017), Sorace (2011) e Carlson e Meltzoff (2008). Adicionalmente, foram consultados pesquisadores da neurociência do desenvolvimento, como Diamond (2013), Zelazo (2015), Cosenza e Guerra (2011) e Lent (2010). A análise dessas obras, realizada por meio de leitura interpretativa, permitiu a extração dos princípios neurobiológicos subjacentes à aprendizagem infantil.
Simultaneamente à revisão teórica, realizou-se a análise documental da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), publicada pelo Brasil (2017). Este procedimento seguiu os preceitos metodológicos de Cellard (2008) para pesquisa educacional. O foco da análise recaiu sobre os princípios orientadores da Educação Infantil, os campos de experiência e as competências gerais, visando assegurar que o produto educacional final apresentasse aderência rigorosa às normativas nacionais vigentes.
A construção do produto educacional demandou um esforço epistemológico de articulação entre as evidências da neurociência e as bases da psicologia do desenvolvimento. Especificamente, buscou-se integrar os achados da neurociência, conforme Diamond (2013), com as teorias do sociointeracionismo de Piaget (1976) e Vygotsky (1991). Compreendeu-se que a maturação neurológica oferece o substrato para as funções executivas, enquanto a interação social, mediada pela linguagem e pelo lúdico (Kishimoto, 2011), impulsiona o desenvolvimento cognitivo.
A elaboração da sequência didática bilíngue seguiu os princípios de Zabala (1998), que concebe o ensino como um conjunto de atividades ordenadas, estruturadas e articuladas para a consecução de objetivos educacionais específicos. A sequência foi desenhada para a faixa etária de 4 a 5 anos, com atividades mapeadas para mobilizar intencionalmente a memória de trabalho, o controle inibitório e a flexibilidade cognitiva, conforme o objetivo do estudo.
Como estratégia de sistematização e para garantir o rigor metodológico, desenvolveu-se, em paralelo à sequência didática, um instrumento analítico. Este instrumento foi concebido no formato de checklist e teve como finalidade verificar a correspondência exata entre cada atividade lúdica proposta, a função executiva demandada e o objetivo de aprendizagem correspondente da BNCC. O checklist serviu como uma ferramenta de validação interna da coerência pedagógica da sequência.
As fontes de informação utilizadas neste estudo foram de natureza estritamente bibliográfica, documental e de formulação autoral, sem envolver a coleta de dados empíricos com seres humanos. Dessa forma, a investigação enquadrou-se nos critérios de dispensa de apreciação por Comitê de Ética em Pesquisa, em conformidade com a Resolução nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde (CNS), que regulamenta pesquisas que não envolvem diretamente participantes humanos.
A organização dos dados e do produto educacional foi realizada de forma a apresentar a sequência didática bilíngue completa, detalhando as atividades propostas. Este material foi estruturado para permitir sua aplicação direta em contextos de Educação Infantil, mantendo a fluidez e o rigor científico. O instrumento analítico complementar, o checklist, foi concebido como um formulário digital para apoiar o planejamento docente.
3. Resultados e Discussão
O presente estudo culminou na elaboração de uma Sequência Didática Bilíngue, concebida para crianças de 4 a 5 anos, com o propósito de estimular intencionalmente as funções executivas. Este produto educacional, detalhado no Apêndice A do trabalho original, representa a materialização da articulação teórica entre a neurociência cognitiva, o ensino bilíngue e as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). A proposta visa oferecer um arcabouço prático para educadores, permitindo que o planejamento pedagógico transcenda a intuição e se fundamente em evidências científicas, promovendo o desenvolvimento integral da criança.
Paralelamente à sequência didática, desenvolveu-se um instrumento analítico complementar, estruturado como um formulário digital, conforme apresentado no Apêndice B do trabalho original. Este formulário foi projetado para auxiliar o professor no planejamento diário, incentivando uma análise metacognitiva das práticas pedagógicas. A integração da sequência didática e do formulário analítico constitui um sistema pedagógico articulado, onde a sequência oferece as experiências de aprendizagem e o formulário permite ao professor identificar e explicitar os processos cognitivos mobilizados em cada atividade, garantindo a intencionalidade do processo educativo.
A sistematização desses produtos pedagógicos é central para a discussão, pois aborda diretamente a lacuna identificada na introdução do estudo: a transposição dos achados da neurociência para intervenções didáticas concretas na Educação Infantil. Ao utilizar este sistema, o educador bilíngue é capacitado a compreender o “como” e o “porquê” de cada atividade linguística, deixando de aplicar brincadeiras apenas por seu caráter lúdico e passando a reconhecer seu potencial para estimular a flexibilidade cognitiva, o controle inibitório e a memória de trabalho da criança, conforme a literatura sobre bilinguismo e cognição (Bialystok, 2011; Sorace, 2011).
A Sequência Didática Bilíngue foi estruturada para ser aplicada ao longo de um mês e meio, com atividades diárias que variam de duas a três, e uma progressão de complexidade ao longo das semanas. Cada semana foi dedicada ao foco em uma função executiva específica, culminando em semanas de integração e consolidação. Os recursos didáticos incluem flashcards, caixas surpresa, objetos da sala, músicas infantis, dados com imagens e bonecos, todos selecionados para promover a interação e o uso funcional da linguagem em inglês, alinhando-se aos objetivos de desenvolver a compreensão oral e ampliar o vocabulário.
A avaliação do processo é contínua, baseada na observação da participação, entendimento, engajamento e interação dos alunos com os pares. Registros do professor e o uso do checklist analítico são os instrumentos que permitem monitorar o progresso e a efetividade das atividades propostas. Essa abordagem avaliativa reforça a intencionalidade pedagógica, pois direciona o olhar do professor para os aspectos cognitivos e linguísticos que estão sendo desenvolvidos, em vez de focar apenas na execução das tarefas.
Memória de Trabalho
Na primeira semana da sequência didática, o foco recaiu sobre a memória de trabalho, uma função executiva essencial para a manutenção e manipulação de informações por um curto período (Diamond, 2013). As atividades propostas, como “Simon Says”, “Sing and Remember” e “Story Echo”, exigem que as crianças escutem e retenham comandos ou frases em inglês para executá-los ou repeti-los. Por exemplo, em “Simon Says”, a criança precisa lembrar a instrução e inibir a ação se o comando não for precedido por “Simon Says”, o que também tangencia o controle inibitório.
Outras atividades, como “What’s Missing?”, “Sound Scavenger Hunt” e “Rhyming Pairs Memory Game”, desafiam a memória de trabalho ao exigir a identificação de itens ausentes após uma breve exposição visual e auditiva, a busca por objetos com sons iniciais específicos ou a associação de pares de palavras que rimam. Essas tarefas, ao demandar a retenção ativa de informações e a sua comparação com novos estímulos, fortalecem a capacidade da criança de processar e armazenar dados linguísticos e conceituais, fundamentais para a aquisição de uma segunda língua e para o desenvolvimento cognitivo geral (Zelazo, 2015).
Controle Inibitório
As semanas subsequentes foram dedicadas ao controle inibitório, a capacidade de suprimir respostas impulsivas ou irrelevantes em favor de comportamentos mais adequados (Carlson; Meltzoff, 2008). Atividades como “Freeze Game” exigem que as crianças parem imediatamente ao ouvir um comando específico, inibindo o movimento contínuo. O “Opposites Game” desafia a criança a executar a ação oposta ao comando dado, demandando um esforço cognitivo para inibir a resposta automática e gerar uma alternativa.
A prática do “Quiet Puppet” e “Wait for the Word” reforça o controle inibitório ao exigir que as crianças esperem sua vez de falar ou executem uma ação somente quando ouvem uma palavra-alvo combinada. Essas atividades são cruciais para o desenvolvimento da autorregulação e da atenção seletiva, habilidades que, segundo Bialystok (2017), são aprimoradas em contextos bilíngues devido à constante necessidade de gerenciar dois sistemas linguísticos. A repetição e a variação dessas brincadeiras ao longo das semanas permitem um aprofundamento progressivo do controle inibitório, tornando a criança mais apta a gerenciar estímulos e a focar na tarefa.
Flexibilidade Cognitiva
A flexibilidade cognitiva, a capacidade de alternar entre diferentes tarefas, regras ou perspectivas, foi o foco da quarta semana. Atividades como “Sort and Switch” pedem que as crianças classifiquem objetos por uma característica (cor) e, em seguida, mudem a regra de classificação (para forma ou tamanho), exigindo uma reconfiguração mental. O “Move Like…” com mudança de regras (animal, robô) e “Same Game, New Rule” com alteração de comandos (bater palmas para pular) promovem a adaptação a novas instruções e a desativação de padrões de pensamento anteriores.
Outras propostas, como “Role Change” (líder, ajudante), “Phoneme Substitution Game” (troca de sons iniciais de palavras) e “Silly Instructions Game” (corrigir comandos “errados”), estimulam a criança a mudar de perspectiva, a manipular informações fonológicas e a identificar e corrigir erros, respectivamente. Essas experiências são fundamentais para o desenvolvimento da criatividade e da resolução de problemas, características que Sorace (2011) e Diamond (2013) associam ao bilinguismo e ao fortalecimento das funções executivas, pois o cérebro bilíngue está constantemente alternando entre diferentes códigos e contextos linguísticos.
Integração e Consolidação das Funções Executivas
As semanas finais da sequência didática foram dedicadas à integração e consolidação das funções executivas, combinando atividades que mobilizam simultaneamente a memória de trabalho, o controle inibitório e a flexibilidade cognitiva. Brincadeiras como “Story Cubes with Phonetic Words” e “Pretend Play with Changing Roles” exigem que as crianças usem a memória para criar narrativas, inibam respostas automáticas ao alternar papéis e demonstrem flexibilidade para se adaptar a diferentes cenários e personagens. A proposta “Two Truths and a Lie” desafia a criança a ouvir e identificar qual informação não corresponde ao critério, demandando atenção e raciocínio.
A revisão geral e as atividades integradas, como “Silly Instructions” e “Rhyming Pairs”, reforçam os aprendizados das semanas anteriores, garantindo que as funções executivas sejam exercitadas de forma holística e em contextos variados. Essa abordagem integrada é crucial para que as crianças desenvolvam a capacidade de aplicar essas habilidades cognitivas em situações complexas e dinâmicas, preparando-as para desafios acadêmicos e sociais futuros. A consolidação dessas competências é essencial para o desenvolvimento integral, conforme preconizado pela BNCC (Brasil, 2017).
A proposta pedagógica desenvolvida demonstra que o ensino bilíngue pode ir além da mera aquisição de um segundo idioma, atuando como um poderoso mediador para o desenvolvimento cognitivo. A articulação entre neurociência, bilinguismo e prática pedagógica, conforme o presente estudo, oferece um caminho para que os educadores planejem com intencionalidade, alinhando a exposição à língua inglesa com os benefícios neurocognitivos. Isso contribui para a formação docente, oferecendo não apenas atividades, mas um modo de pensar o planejamento pedagógico que integra diferentes dimensões do desenvolvimento infantil, evitando a fragmentação entre linguagem, cognição e socialização.
Do ponto de vista curricular, a sequência didática e o formulário analítico demonstram a viabilidade de articular o desenvolvimento cognitivo às diretrizes da BNCC, especialmente no que tange às competências gerais da educação básica, como autogestão, empatia, argumentação e pensamento crítico. Essas competências são intrinsecamente dependentes do amadurecimento das funções executivas. O estudo reforça a ideia de que práticas pedagógicas não são neutras, mas resultam de escolhas que impactam diretamente o desenvolvimento infantil, e que, com o devido embasamento, podem ser incorporadas ao cotidiano da Educação Infantil sem a necessidade de intervenções externas ou atividades descontextualizadas.
Como limitação, reconhece-se que a sequência didática não foi aplicada em contexto empírico, o que impede a análise de seus efeitos em situações reais de ensino. No entanto, essa característica está em consonância com a natureza do estudo, que se concentrou na elaboração e sistematização de um produto educacional fundamentado teoricamente. Sugere-se, como desdobramento, a implementação da proposta em contextos escolares, com acompanhamento sistemático e utilização de instrumentos que permitam analisar seus impactos no desenvolvimento cognitivo e linguístico das crianças, além de explorar a adaptação da proposta para diferentes faixas etárias e contextos educacionais.
Em síntese, a pesquisa resultou na criação de uma Sequência Didática Bilíngue e de um instrumento analítico complementar, que juntos formam um sistema pedagógico articulado. Este sistema oferece subsídios concretos para o planejamento intencional de atividades na Educação Infantil, visando o desenvolvimento das funções executivas de memória de trabalho, controle inibitório e flexibilidade cognitiva em crianças de 4 e 5 anos, por meio da integração da neurociência e do bilinguismo com as diretrizes da BNCC, contribuindo significativamente para a prática docente e o desenvolvimento integral infantil.
4. Conclusão
O presente estudo buscou elaborar uma sequência didática bilíngue, fundamentada em princípios da neurociência do desenvolvimento, com o intuito de estimular as funções executivas na Educação Infantil, articulando-as com os campos de experiência e objetivos de aprendizagem da Base Nacional Comum Curricular. Verificou-se a criação de uma Sequência Didática Bilíngue, destinada a crianças de 4 e 5 anos, que integra intencionalmente atividades para o desenvolvimento da memória de trabalho, do controle inibitório e da flexibilidade cognitiva. Paralelamente, desenvolveu-se um instrumento analítico complementar, um formulário digital, que apoia o professor no planejamento diário, incentivando a análise metacognitiva das práticas pedagógicas e a explicitação dos processos cognitivos mobilizados. Esse sistema pedagógico articulado oferece subsídios concretos para que educadores bilíngues planejem com intencionalidade, superando a intuição pedagógica e alinhando a exposição à língua inglesa com os benefícios neurocognitivos, contribuindo para a formação docente e o desenvolvimento integral infantil.
Como limitação, reconheceu-se que a sequência didática não foi aplicada em um contexto empírico, o que impediu a análise de seus efeitos em situações reais de ensino, característica que se alinha à natureza do estudo, focado na elaboração e sistematização teórica do produto educacional. Sugere-se, como desdobramento, a implementação da proposta em ambientes escolares, com acompanhamento sistemático e a utilização de instrumentos para analisar seus impactos no desenvolvimento cognitivo e linguístico das crianças. Futuras investigações podem explorar a adaptação da proposta para diferentes faixas etárias e contextos educacionais. O trabalho, ao articular neurociência, bilinguismo e prática pedagógica, reafirma a importância de um planejamento intencional capaz de promover experiências de aprendizagem mais integradas, significativas e alinhadas ao desenvolvimento integral das crianças, demonstrando a viabilidade de incorporar o desenvolvimento das funções executivas ao cotidiano da Educação Infantil sem a necessidade de intervenções externas ou atividades descontextualizadas.
Referências Bibliográficas
BIALYSTOK, Ellen. The bilingual adaptation: how minds accommodate experience. Psychological Bulletin, Washington, DC, v. 143, n. 3, p. 233–262, 2017.
CARLSON, Stephanie M.; MELTZOFF, Andrew N. Bilingual experience and executive functioning in young children. Developmental Science, Hoboken, v. 11, n. 2, p. 282–298, 2008.
Cosenza e Guerra, 2011 [Referência completa não encontrada no documento original]
DIAMOND, Adele. Executive functions. Annual Review of Psychology, Palo Alto, v. 64, p. 135–168, 2013.
Lent, 2010 [Referência completa não encontrada no documento original]
SORACE, Antonella. Pinning down the concept of “interface” in bilingualism. Linguistic Approaches to Bilingualism, Amsterdam, v. 1, n. 1, p. 1–33, 2011.
ZELAZO, Philip D. Executive function: reflection, iterative reprocessing, complexity, and the developing brain. Developmental Review, Amsterdam, v.
Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Neurociência e Aprendizagem na Educação
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