20 de outubro de 2026
Educação Ambiental na Amazônia Tocantinense: lacunas na formação inicial de pedagogos
Educação Ambiental na Amazônia Tocantinense: Lacunas na Formação Inicial de Pedagogos
Wilk Soares Silva; João Paulo Staconi
DOI: 10.22167/2675-6528-202603556
Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.
Resumo
Analisou-se a presença da Educação Ambiental na formação inicial de pedagogos em uma Instituição de Ensino Superior pública localizada na Amazônia Tocantinense. O estudo objetivou verificar, por meio da análise do Projeto Pedagógico do Curso (PPC) de Licenciatura em Pedagogia, em que medida a formação oferecida contemplava a Educação Ambiental em consonância com a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA). Realizou-se um estudo de caso, fundamentado em análise documental do PPC e complementado por relato de experiência, considerando as especificidades socioculturais e ambientais do território amazônico tocantinense. Os resultados indicaram a existência de lacunas na formação ambiental dos futuros pedagogos, pois a Educação Ambiental não se apresentou de forma abrangente na organização curricular analisada. A temática foi contemplada principalmente por meio do componente relacionado às Políticas de Educação Ambiental, além de abordagens transversais e optativas. Constatou-se que o PPC reconheceu a localização da instituição na Amazônia Legal, mas não evidenciou uma formação curricular específica que preparasse os futuros professores para as particularidades ambientais e socioculturais desse território. O estudo destacou a necessidade de fortalecer a Educação Ambiental na formação inicial de pedagogos, articulando teoria e prática e promovendo ações educativas voltadas à conscientização, à sustentabilidade e à preservação do meio ambiente.
Palavras-chave: Educação Ambiental; Educação Tocantinense; Formação de Professores; PNEA; PPC.
1. Introdução
A formação de pedagogos é um processo contínuo, que abrange a formação inicial e a continuada. Seu propósito é desenvolver competências e habilidades essenciais para atender às demandas educacionais, sociais, culturais e humanas dos diversos contextos de atuação. A prática educativa do pedagogo não pode ser desvinculada do território, pois ocorre em espaços com características históricas, ambientais, culturais e sociais específicas.
Este estudo concentra-se em uma Instituição de Ensino Superior pública localizada na Amazônia Tocantinense, região inserida na Amazônia Legal. Essa instituição possui um papel histórico relevante para o Estado do Tocantins, tendo sido reconhecida como universidade pública e gratuita pela Lei nº 1.160, de junho de 2000. Sua localização geográfica não é meramente administrativa, mas representa um território complexo, marcado por relações intrincadas entre sociedade, natureza, cultura, economia, história e modos de vida.
A Amazônia Legal distingue-se por sua vasta diversidade ambiental e sociocultural, conforme apontado por Lima e Vasconcelos (2020). O Estado do Tocantins, o mais jovem da federação, integra essa região e possui particularidades territoriais, ambientais e socioculturais próprias, incluindo a presença de diversos povos originários como os Javaé, Awa Canoeiro, Tuxá, Krahô-Kanela, Karajá, Krahô, Xambioá, Kanela, Xerente, Apinajé, Fulni-ô, Pankararu, Guarani, Karajá da Ilha e Warao. A formação de professores nesse território, portanto, exige a consideração dessas especificidades, preparando os futuros profissionais para uma prática educativa contextualizada.
Compreender a Amazônia Tocantinense vai além de sua dimensão física ou de recursos naturais, abrangendo também o espaço de memória, pertencimento, produção cultural, relações sociais e conhecimentos tradicionais. Os povos originários são atores sociais fundamentais para entender as dinâmicas ambientais e culturais da região. Nesse cenário, a Educação Ambiental adquire um significado particular, pois discute como os diferentes sujeitos compreendem, utilizam, preservam e transformam o ambiente em que vivem.
Questões como queimadas, desmatamento, conservação de rios e nascentes, gestão de resíduos sólidos e sustentabilidade não podem ser abordadas de forma abstrata, mas precisam ser conectadas às experiências concretas das comunidades e às características socioambientais locais. A escola e a universidade, como espaços de produção e socialização do conhecimento, têm o potencial de aproximar os saberes científicos e comunitários. Essa aproximação é crucial na formação inicial de pedagogos, que atuarão na Educação Infantil, nos anos iniciais do Ensino Fundamental e em outros contextos educativos.
A formação do pedagogo deve estar alinhada à realidade sociocultural em que atuará. Contudo, questiona-se em que medida os currículos dos cursos de formação inicial no Tocantins contemplam as particularidades da Amazônia Legal. Não é suficiente que o Projeto Pedagógico do Curso (PPC) mencione a localização geográfica; é necessário que essa condição territorial se traduza em conhecimentos e práticas formativas eficazes. A Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA) descreve a Educação Ambiental como essencial na formação curricular nacional, mas, contraditoriamente, a apresenta como facultativa em outro artigo, conforme Abbagnano (2000).
A presença insuficiente da Educação Ambiental na formação inicial de pedagogos representa uma lacuna educacional e social significativa. Se o futuro professor não recebe uma formação ambiental consistente e contextualizada, sua capacidade de desenvolver uma consciência crítica sobre os problemas socioambientais em seus alunos é limitada. O currículo, entendido por Goodson (2013) como um caminho a ser percorrido e por McKernan (2009) como um campo de estudo que integra teoria e prática, precisa ser repensado para atender a essa demanda. A ausência ou insuficiência da Educação Ambiental no processo formativo pode limitar as possibilidades de formar cidadãos conscientes de sua responsabilidade ambiental e coletiva.
Diante da necessidade de fortalecer a Educação Ambiental na formação inicial de pedagogos, articulando teoria e prática para promover ações educativas voltadas à conscientização, sustentabilidade e preservação do meio ambiente, esta pesquisa se justifica. Este estudo teve como objetivo verificar, a partir da análise do Projeto Pedagógico do Curso (PPC) de Licenciatura em Pedagogia, em que medida a formação oferecida contempla a Educação Ambiental em consonância com a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA).
2. Material e Métodos
A presente pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso, adotando uma abordagem metodológica qualitativa e descritiva. Essa escolha metodológica foi fundamentada na necessidade de compreender em profundidade a presença da Educação Ambiental na formação inicial de pedagogos, conforme o objetivo do estudo. A abordagem qualitativa permitiu uma análise contextualizada e interpretativa dos dados, enquanto a natureza descritiva possibilitou a caracterização do fenômeno investigado.
A estratégia de pesquisa empregada combinou a análise documental do Projeto Pedagógico do Curso (PPC) de Licenciatura em Pedagogia com um relato de experiência. Essa combinação visou proporcionar uma compreensão abrangente, articulando a perspectiva formal do currículo com as percepções vivenciadas no ambiente acadêmico. O estudo buscou verificar a consonância da formação oferecida com a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA).
A unidade de análise central foi o Projeto Pedagógico do Curso (PPC) de Licenciatura em Pedagogia de uma Instituição de Ensino Superior (IES) pública. Essa instituição está localizada no Estado do Tocantins, inserida na Amazônia Legal, com sua sede na capital, Palmas – TO. A escolha da IES se deu por ser uma das únicas instituições públicas do Estado a oferecer o curso de Pedagogia, sendo relevante para o contexto amazônico tocantinense.
A análise documental foi realizada com base nas diretrizes propostas por Cellard e Poupart (2008), que orientam o exame de dimensões específicas do documento. Foram consideradas o contexto de elaboração do PPC, a autoria, a natureza do texto, os conceitos-chave abordados e a lógica interna da sua estrutura. O foco recaiu sobre como o PPC descrevia as características profissionais que o futuro pedagogo deveria desenvolver, especialmente em relação à Educação Ambiental.
No processo de análise do PPC, buscou-se identificar a forma como a Amazônia Legal era mencionada e se essa menção se traduzia em uma preparação curricular específica para a atuação discente nesse território. Verificou-se se o documento explicitava teorias e práticas que habilitassem o futuro professor a atuar dentro do contexto amazônico, assegurando uma formação ambiental consciente e crítica, em conformidade com a PNEA.
O relato de experiência foi utilizado como um método auxiliar, conforme Mussi et al. (2021), para complementar a análise documental. Este método consiste no registro de experiências vivenciadas, não se configurando necessariamente como uma pesquisa acadêmica tradicional, mas como uma descrição de percepções sobre uma determinada situação (Ludke; Cruz, 2010; Casarin, 2021).
A elaboração do relato de experiência fundamentou-se nas percepções do próprio pesquisador, que é acadêmico do curso de Pedagogia na IES investigada. O objetivo foi descrever como a composição curricular e o desenvolvimento da formação inicial de pedagogos na Amazônia Tocantinense se configuravam em relação à Educação Ambiental, a partir de uma perspectiva interna e vivenciada.
O período temporal dedicado à elaboração do relato de experiência foi de dois dias. Durante esse tempo, foram registradas as percepções acerca da presença da Educação Ambiental no processo formativo inicial de pedagogos na região, com especial atenção às teorias e práticas voltadas à promoção consciente da educação ambiental na IES. Essa atividade foi desenvolvida a partir da percepção de lacunas no currículo, em consonância com a legislação da PNEA.
A técnica de análise dos dados foi de natureza qualitativa e descritiva. Os dados coletados por meio da análise documental do PPC e do relato de experiência foram organizados e examinados para identificar padrões, recorrências e ausências relacionadas à Educação Ambiental no currículo. A interpretação dos dados buscou compreender a configuração da formação ambiental oferecida, sem apresentar achados empíricos ou percentuais.
A metodologia adotada buscou, portanto, fornecer uma base sólida para verificar a presença e a adequação da Educação Ambiental na formação inicial de pedagogos na Amazônia Tocantinense, articulando a análise de documentos oficiais com a perspectiva de uma experiência acadêmica. Os procedimentos foram delineados para responder ao objetivo do estudo de forma objetiva e técnica.
3. Resultados e Discussão
A análise do Projeto Pedagógico do Curso (PPC) de Licenciatura em Pedagogia da Instituição de Ensino Superior pública na Amazônia Tocantinense revelou que a Educação Ambiental (EA) não está presente de forma abrangente na formação inicial dos pedagogos. Verificou-se que a temática é abordada principalmente por meio de um componente curricular específico, denominado “Políticas de Educação Ambiental”, e de maneira transversal ou optativa. Essa constatação indica uma lacuna significativa, pois a formação oferecida não contempla a EA de forma holística, o que pode limitar a capacidade dos futuros docentes de desenvolverem uma consciência crítica e contextualizada sobre as questões socioambientais em sua prática profissional.
Embora o PPC reconheça a localização da instituição na Amazônia Legal, essa condição geográfica não se traduz em uma formação curricular específica que prepare os futuros professores para as particularidades ambientais e socioculturais desse território. A mera menção da Amazônia Legal como localização, sem o desenvolvimento de conhecimentos e práticas formativas adequadas, falha em capacitar os pedagogos para atuarem nos diversos e complexos cenários amazônicos. A formação docente, conforme destacado, deve estar intrinsecamente ligada à realidade local, exigindo que o currículo vá além da transmissão de conhecimentos gerais e descontextualizados.
A Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA) apresenta uma contradição fundamental que reflete a fragilidade da implementação da EA nos currículos. Enquanto o Capítulo I, Artigo 2º, da PNEA descreve a Educação Ambiental como “essencial” na formação curricular nacional, o Capítulo II, Seção II, Artigo 10, a apresenta como “facultativa”. Essa dualidade entre o caráter essencial e opcional da EA, conforme apontado por Abbagnano (2000), compromete a efetividade da política e a integração plena da temática nos cursos de formação de professores, transformando algo de importância vital em uma escolha que pode ser negligenciada.
A experiência do pesquisador na universidade pública investigada corrobora a percepção de que a Educação Ambiental não se alinha plenamente com a PNEA, tanto no âmbito curricular quanto nas práticas pedagógicas. Embora a instituição realize publicações em suas redes sociais e promova eventos pontuais relacionados à EA em datas comemorativas, como o Dia Mundial da Água ou o Dia da Árvore, essas ações não substituem uma abordagem curricular integrada e contínua. Tais iniciativas, embora válidas, tendem a ser isoladas e insuficientes para promover uma reeducação social e uma mudança de comportamento duradoura em relação às questões ambientais.
A ausência de uma formação ambiental consistente e contextualizada para os futuros pedagogos gera preocupações significativas, especialmente considerando que a instituição está inserida em um ambiente geopolítico amazônico. A formação deveria ser concebida para capacitar esses profissionais a compreenderem e atuarem criticamente em seu território, abordando problemas como queimadas ilegais, desmatamento e a conservação de rios e nascentes. A falta de preparo adequado limita a capacidade do pedagogo de desenvolver uma consciência crítica sobre os problemas socioambientais em seus futuros alunos, perpetuando lacunas educacionais e sociais.
A formação inicial de professores, que conjuga teoria e prática, é um período crucial para a inserção dos futuros docentes no processo de ensino-aprendizagem. Durante os estágios, os acadêmicos têm contato com o ambiente escolar, mas a pesquisa questionou se eles são expostos a ambientes direta ou indiretamente ligados à prática da Educação Ambiental, como organismos de gestão de resíduos sólidos. Essa indagação revela uma potencial desconexão entre a formação teórica e as realidades ambientais e sociais que os pedagogos encontrarão em sua atuação profissional.
No Estado do Tocantins, identificou-se a existência de apenas duas iniciativas de gestão de resíduos sólidos: a Império Recicla, em Novo Acordo, e o Projeto Cidade Limpa e Artesanato Sustentável, em Lajeado. A Império Recicla é uma iniciativa privada que realiza pré-beneficiamento de recicláveis, com contratos municipais para coleta. O Projeto Cidade Limpa, por sua vez, é uma parceria entre a Prefeitura de Lajeado, a startup Ecosnatureza e a Associação de Mulheres, promovendo a educação e a consciência ambiental, com a destinação de toneladas de resíduos para reciclagem em outros estados.
A presença de apenas duas iniciativas para um estado com mais de um milhão e meio de habitantes, como o Tocantins, sugere um desconhecimento generalizado sobre a causa ambiental. Além disso, a ausência de polos da universidade investigada nas cidades onde essas iniciativas estão localizadas reduz a probabilidade de os acadêmicos de Pedagogia terem contato direto com essas práticas. Essa falta de exposição a exemplos concretos de gestão ambiental e sustentabilidade representa uma oportunidade perdida para a formação de uma consciência ambiental prática e engajada.
A instituição, até o momento da pesquisa, não apresentava práticas ambientais formalmente instituídas, o que é ecologicamente preocupante. Contudo, existe um vasto espaço para a reflexão e a ação, permitindo que a academia, como futura gestora escolar, promova uma cultura ambiental interna. Sugere-se a implementação de ações ecológicas simples, como a distribuição de placas informativas sobre descarte correto de lixo, a instalação de lixeiras de coleta seletiva no campus e a utilização de energia solar fotovoltaica, acompanhada de informações sobre seu papel no desenvolvimento sustentável.
Para fortalecer a Educação Ambiental, propõe-se a realização de oficinas e a produção de uma cartilha com orientações básicas sobre a PNEA e boas práticas de cultivo do meio ambiente. Além disso, a promoção de eventos transdisciplinares em datas comemorativas ambientais, como o Dia Mundial da Água e o Dia Nacional da Árvore, poderia gradativamente inserir acadêmicos e docentes no desenvolvimento da Educação Ambiental. Essas ações visam articular teoria e prática, tornando a EA uma parte integrante e contínua da formação.
O currículo, entendido como um caminho a ser percorrido (Goodson, 2013) e um campo de estudo que integra teoria e prática (McKernan, 2009), é um território de disputa, onde interesses políticos podem influenciar sua concepção. A pesquisa questiona se o planejamento curricular, muitas vezes guiado por interesses políticos, tem contribuído efetivamente para a conscientização ambiental. A Educação Ambiental precisa transcender ações pontuais e ser integrada de forma contínua, desde a educação básica, para que os sujeitos desenvolvam um comportamento mais consciente em relação ao meio ambiente.
A proposta central é a inserção da Educação Ambiental como uma disciplina específica e obrigatória no curso de Pedagogia, em vez de ser apenas uma eletiva. Essa mudança garantiria que todos os futuros docentes recebam a devida formação em consonância com a PNEA, alcançando todas as etapas acadêmicas. A compreensão de que a EA é essencial, e não opcional, é fundamental para que o currículo contribua para a formação de cidadãos conscientes de sua responsabilidade ambiental e coletiva, como preconizado pela PNEA.
Entre os desafios identificados para a efetivação da Educação Ambiental, destaca-se a necessidade de despolitizar a temática, rompendo o preconceito de que a EA é de interesse de apenas uma parte da população. A EA deve ser compreendida como uma ação comum a toda a sociedade. Além disso, a pesquisa enfrentou dificuldades em obter respostas de órgãos municipais e federais contatados, o que evidencia a complexidade de engajar diferentes esferas governamentais na causa ambiental. O retorno financeiro, em uma sociedade capitalista, também se apresenta como um desafio, pois o cuidado ambiental nem sempre é acompanhado de altos lucros, dificultando a desmonetização necessária para a priorização do meio ambiente.
Em síntese, a pesquisa revelou que a formação inicial de pedagogos na Amazônia Tocantinense, conforme analisado no PPC, apresenta lacunas significativas na abordagem da Educação Ambiental. A temática é tratada de forma fragmentada e optativa, em vez de ser uma componente curricular abrangente e obrigatória, o que contraria o espírito da PNEA e desconsidera as particularidades socioambientais da região amazônica. A necessidade de fortalecer a EA é premente, exigindo a inserção de uma disciplina específica, a promoção de práticas contextualizadas e a superação de desafios políticos e econômicos para formar pedagogos aptos a atuar de forma crítica e transformadora em seu território.
4. Conclusão
O presente estudo buscou verificar a medida em que a formação inicial de pedagogos em uma Instituição de Ensino Superior pública na Amazônia Tocantinense contemplava a Educação Ambiental, em consonância com a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA). A análise do Projeto Pedagógico do Curso (PPC) de Licenciatura em Pedagogia revelou que a Educação Ambiental não se apresentou de forma abrangente na organização curricular, sendo abordada principalmente por meio de um componente específico sobre Políticas de Educação Ambiental e de maneira transversal ou optativa. Verificou-se que, embora o PPC reconhecesse a localização da instituição na Amazônia Legal, essa condição geográfica não se traduziu em uma formação curricular específica que preparasse os futuros professores para as particularidades ambientais e socioculturais desse território. Essa lacuna na formação, aliada à contradição da PNEA que ora a descreve como essencial, ora como facultativa, limita a capacidade dos pedagogos de desenvolverem uma consciência crítica e contextualizada sobre as questões socioambientais em sua prática profissional. A principal contribuição do estudo reside na identificação dessas deficiências e na proposição de um caminho para fortalecer a Educação Ambiental, articulando teoria e prática e promovendo ações educativas voltadas à conscientização, sustentabilidade e preservação do meio ambiente, especialmente relevante para a região amazônica.
Entre as limitações do estudo, destaca-se o foco em uma única instituição, o que restringe a generalização dos achados, e a dificuldade em obter respostas de órgãos municipais e federais, evidenciando a complexidade de engajamento intersetorial na causa ambiental. Para estudos futuros, sugere-se a inserção da Educação Ambiental como disciplina específica e obrigatória no curso de Pedagogia, a fim de garantir uma formação consistente e alinhada à PNEA. Recomenda-se também a implementação de oficinas, a produção de cartilhas com orientações sobre a PNEA e boas práticas ambientais, e a promoção de eventos transdisciplinares em datas comemorativas. Internamente, a instituição pode adotar ações ecológicas simples, como coleta seletiva e uso de energia solar fotovoltaica, acompanhadas de informações educativas. Tais medidas visam superar os desafios de despolitização da temática e a percepção de que o cuidado ambiental nem sempre gera retorno financeiro, contribuindo para a formação de pedagogos aptos a atuar de forma crítica e transformadora em seu território e na sociedade.
Referências Bibliográficas
Abbagnano, N. (2000). Dicionário de Filosofia. São Paulo: Martins Fontes.
Casarin, S. T. (2021). Relato de experiência e estudo de caso: algumas considerações. J. nurs. Healt. Disponível em: https://periodicos.ufpel.edu.br/ojs2/index.php/enfermagem/article/view/21998
Cellard, A.; Poupart, J. (2008). A pesquisa qualitativa: Enfoques epistemológicos e metodológicos. Petrópolis: Vozes.
Goodson, I. F. (2013). Currículo: Teoria e história. 14ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes.
Lima, D. D.; Vasconselos, E. R. (2020). História de professores na Amazônia: marcas de um contexto na formação do PARFOR. Revista Cocar, Belém, v.14, n. 28, p.420 – 439.
Lüdke, M.; Cruz, G. B. (2010). Contribuições ao debate sobre a pesquisa do professor da educação básica. Revista Formação Docente, Belo Horizonte, v. 02, 03, p. 86-107, ago/dez.
McKernan, J. (2009). Elaboração e teorização do currículo. Porto Alegre: Artmed.
Mussi, R.F.F et. al, (2021). Pressupostos para elaboração de relato de experiência como conhecimento científico. revista práxis educacional v. 17, n. 48, p. 60-77, out/dez.
Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão Escolar do MBA USP/Esalq
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