Resumo Executivo

11 de maio de 2026

Varejo de Conveniência: Desafios e Integração Digital

Natália Sayuri Tanaka; Camila Alves Cruz Ortega

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

O avanço tecnológico e a proliferação do comércio eletrônico têm imposto desafios significativos ao varejo físico de alimentos de conveniência no Brasil. Estabelecimentos que anteriormente dominavam o mercado local agora enfrentam a necessidade urgente de se adaptar às novas formas de consumo digital (Santana, Mafra e Silva, 2022). A transição para o ambiente digital exige que esses negócios reavaliem profundamente suas estratégias para manter a relevância no mercado atual (Sebrae, 2022). A integração de tecnologias digitais ao varejo físico mostra-se fundamental para proporcionar uma experiência de compra híbrida, unindo a agilidade do virtual com a tangibilidade do real. Estratégias como sistemas de autoatendimento e o uso de códigos QR podem aumentar em até 35 % a satisfação do cliente (Fernandes e Morett, 2024). Além disso, a presença ativa em redes sociais tem se mostrado especialmente eficaz para o varejo de conveniência, ampliando o alcance geográfico dos estabelecimentos físicos (Carminatti et al., 2022). A adoção de uma abordagem mista de metodologias é essencial para compreender as complexas decisões de compra atuais (Cruz, 2021). A personalização do atendimento surge como diferencial competitivo crucial, pois experiências únicas no ponto de venda físico podem aumentar a fidelização em até 40 % (Santana, Mafra e Silva, 2022). Investimentos no treinamento de equipes e na criação de ambientes acolhedores são estratégias eficazes contra a concorrência digital (Carminatti et al., 2022). Os estabelecimentos que integrarem eficazmente os canais online e offline estarão mais bem posicionados para enfrentar os desafios do comércio eletrônico e capitalizar as novas oportunidades de mercado (Fernandes e Morett, 2024). O varejo de proximidade e conveniência desempenhou, nas últimas décadas, um papel cada vez mais relevante no comportamento de consumo da população urbana. Esse modelo de negócio, caracterizado pela praticidade, localização estratégica e agilidade no atendimento, ganhou espaço principalmente em grandes centros urbanos, onde consumidores buscaram soluções rápidas para suas demandas diárias (Parente e Barki, 2014). A transformação digital e o avanço dos canais de autoatendimento também contribuíram para mudanças significativas nas expectativas dos clientes e nas estratégias das empresas desse setor (NielsenIQ, 2023). A busca por praticidade e proximidade tem se consolidado como um dos principais critérios de decisão de compra no varejo de vizinhança no Brasil (Parente e Barki, 2014). Pequenos negócios varejistas que ofereceram soluções de praticidade e proximidade obtiveram taxas de crescimento acima da média do setor (Sebrae, 2022). Análises de mercado indicaram aumento da frequência de compras em lojas de conveniência, mesmo diante de períodos de retração econômica (NielsenIQ, 2023). Compreender o perfil dos consumidores tornou-se fundamental para subsidiar decisões estratégicas relacionadas a sortimento, precificação, layout de loja e experiências de compra personalizadas. O objetivo deste estudo consiste em analisar os desafios enfrentados pelo varejo físico de alimentos de conveniência na atual era do comércio eletrônico e identificar as oportunidades que surgem com as novas tendências de consumo.

A investigação foi conduzida por meio de uma abordagem mista, combinando métodos quantitativos e qualitativos para obter uma compreensão ampla sobre o tema. A primeira etapa da coleta de dados envolveu o uso da ferramenta Scanntech, uma plataforma de inteligência de dados que permitiu acessar informações secundárias detalhadas sobre o desempenho de vendas e os comportamentos de compra em larga escala. Foram analisados os resultados acumulados entre janeiro e junho de 2024, comparados com o mesmo período de janeiro a junho de 2025. Essa análise longitudinal possibilitou identificar as categorias de produtos mais adquiridas e avaliar a influência direta do comércio eletrônico nas decisões de consumo em comparação ao varejo físico tradicional. O detalhamento dos dados da Scanntech incluiu variações percentuais de faturamento e volume de vendas por categorias específicas, como chocolates, biscoitos, pães e itens sazonais. Na segunda etapa, realizou-se uma pesquisa de campo utilizando um formulário estruturado, aplicado a uma amostra de 100 consumidores de alimentos de conveniência. A coleta ocorreu durante as duas primeiras semanas de junho de 2025, utilizando a plataforma Google Forms para garantir a agilidade no preenchimento e a organização automática dos dados. O instrumento de pesquisa foi composto por 12 questões, incluindo perguntas fechadas de múltipla escolha e questões abertas. As perguntas abordaram desde o perfil demográfico dos respondentes, como faixa etária e gênero, até hábitos específicos de consumo, frequência de compra e percepção de valor entre o varejo físico e o digital. O questionário também explorou os fatores de influência na decisão de compra, como preço, proximidade, atendimento e variedade de produtos. Para a análise dos dados quantitativos, empregaram-se técnicas de estatística descritiva, permitindo a visualização de frequências e médias. Os dados qualitativos, provenientes das respostas abertas sobre experiências de compra e sugestões de melhoria, foram submetidos à análise de conteúdo (Bardin, 2011). Esse processo envolveu a pré-análise, a exploração do material e o tratamento dos resultados por meio de inferência e interpretação. A combinação dessas estratégias metodológicas permitiu cruzar as tendências de mercado observadas nos dados secundários com as percepções reais dos consumidores finais, oferecendo uma visão holística das oportunidades de adaptação do varejo físico às novas exigências do mercado contemporâneo. O rigor no detalhamento das etapas operacionais garantiu que a coleta de dados refletisse as nuances regionais e geracionais que impactam o setor de conveniência.

Os resultados obtidos revelam um panorama multifacetado do varejo físico de alimentos de conveniência diante do avanço do comércio eletrônico. A avaliação das categorias de produtos mostrou comportamentos distintos que refletem a natureza do item e a motivação da compra. O crescimento expressivo dos ovos de Páscoa, com uma alta de 298,5 % no comércio eletrônico, evidencia o papel das datas sazonais como impulsionadoras de vendas digitais. Esse fenômeno é explicado pela facilidade de comparação de preços online e pela conveniência da entrega programada, que mitiga o risco de quebra do produto no transporte manual. O segmento de chocolates apresentou um crescimento de 17,4 % no digital, beneficiando-se de campanhas segmentadas e cupons de desconto. Em contraste, produtos tradicionalmente associados à compra por impulso, como balas e balas mastigáveis, apresentaram quedas no ambiente digital de 4,4 % e 11,5 %, respectivamente. Entretanto, esses itens mantiveram relevância no ponto de venda físico, confirmando que o consumo desses produtos está intrinsecamente ligado à experiência presencial e à gratificação imediata (Cruz, 2021). Os biscoitos enfrentaram um desafio duplo, com retração de 8,3 % no digital e 9,8 % no físico, sugerindo uma saturação de mercado ou mudança nas preferências por opções mais saudáveis. Já categorias de consumo imediato, como mini bolos, tiveram um aumento de 27,4 % no varejo físico, enquanto pães cresceram 12,4 % no físico e 24,9 % no digital. Esses dados indicam que, embora o consumo imediato ainda fortaleça a loja física, o digital começa a absorver parcelas de reposição planejada de itens básicos. A análise regional ampliou a compreensão dessas tendências. A região Sudeste, com crescimento de 36,6 % no digital, confirmou sua liderança como mercado mais conectado, mas apresentou retração de 1,5 % no físico, sinalizando uma substituição gradual dos canais. O Sul sofreu a maior retração no físico, com queda de 9,1 %, apesar do crescimento de 19,5 % no comércio eletrônico. O Nordeste e o Centro-Oeste mostraram expansão equilibrada, com altas de 35,9 % e 22,1 % no digital, respectivamente. A região Norte destacou-se pelo maior crescimento relativo, atingindo 45,6 % no digital e 2,6 % no físico, partindo de uma base menor e indicando uma rápida digitalização. Esses dados sugerem que o avanço do digital é desigual no território nacional, condicionado por infraestrutura logística e acesso à internet. A pesquisa de campo com 100 consumidores reforçou essas tendências. O perfil dos respondentes foi composto majoritariamente por mulheres, representando 73 % da amostra, concentradas nas faixas etárias de 25 a 34 anos (34 %) e 45 a 54 anos (29 %). Isso indica um público economicamente ativo e inserido na rotina de consumo rápido. Quanto à frequência, 54 % declararam consumir alimentos de conveniência algumas vezes por semana e 21 % diariamente. Embora o canal físico predomine em 88 % das respostas como principal local de compra, a penetração digital já é visível: 6 % utilizam aplicativos de entrega, 1 % recorre ao comércio eletrônico puro e 5 % alternam entre os dois formatos. Os fatores mais valorizados no consumo digital foram praticidade, rapidez e promoções. No ponto de venda físico, destacaram-se o atendimento personalizado, a ambientação acolhedora e a possibilidade de escolha sensorial do produto. Essa valorização do contato humano confirma que experiências positivas no ponto físico aumentam a fidelização (Santana, Mafra e Silva, 2022). Um dado relevante é que 83 % dos consumidores consideram essencial que lojas físicas adotem recursos como autoatendimento e códigos QR. Além disso, 86 % já utilizaram algum recurso digital vinculado a lojas físicas e 78 % estariam mais propensos a comprar em locais que oferecessem benefícios online. Aproximadamente 60 % dos consumidores acompanham estabelecimentos nas redes sociais, onde publicações de novidades influenciam diretamente a decisão de compra (Carminatti et al., 2022). A integração entre os canais online e offline, caracterizando a estratégia de multicanalidade, é essencial para a competitividade (Cruz, 2021). O modelo híbrido permite oferecer uma jornada de compra fluida, onde o consumidor transita entre canais com facilidade (Fernandes e Morett, 2024). As mudanças identificadas não são isoladas, mas parte de um processo contínuo de transformação. A pandemia funcionou como catalisador da digitalização, e esses hábitos foram incorporados ao cotidiano (IBGE, 2022). Fatores econômicos como inflação e renda disponível impactam a escolha entre canais, levando o consumidor a priorizar o digital para promoções e o físico para consumo imediato (Verhoef et al., 2015). O perfil geracional também é determinante; a Geração Z pressiona por tecnologias de personalização, enquanto os Millennials valorizam a experiência física aliada à conveniência digital (Dimock, 2019). Novas preocupações com sustentabilidade e responsabilidade social emergem como diferenciais competitivos, especialmente entre os mais jovens (Carminatti et al., 2022). O reposicionamento do varejo físico deve unir tecnologia, experiência e responsabilidade socioambiental para manter a competitividade diante das mudanças que continuarão a moldar o comportamento do consumidor nos próximos anos.

Conclui-se que o objetivo foi atingido, uma vez que a análise demonstrou que o varejo físico de alimentos de conveniência mantém relevância significativa pela proximidade e praticidade, mas enfrenta uma migração inevitável de categorias planejadas e sazonais para o ambiente digital. A investigação comprovou que a sobrevivência do setor depende da integração gradual de soluções tecnológicas, como sistemas de autoatendimento e estratégias de engajamento em redes sociais, sem que se perca a essência do atendimento personalizado e da experiência sensorial no ponto de venda. Identificou-se que o preço e as promoções digitais são gatilhos de migração de canal, enquanto a conveniência imediata sustenta o fluxo nas lojas físicas. As limitações do estudo residem na amostra não probabilística e no recorte geográfico, o que sugere a necessidade de pesquisas futuras com escopo ampliado para outras regiões brasileiras e análises longitudinais que investiguem a evolução da interação entre as experiências físicas e digitais de compra ao longo do tempo.

Referências Bibliográficas:

Bardin, L. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2011.

Carminatti, S.; Bagatini, F. Z.; Rech, L.; Pacheco, N. A. Além dos limites do varejo físico: as dificuldades das lojas físicas ao implementarem um e-commerce. RGO – Revista Gestão Organizacional, Chapecó, v. 15, n. 1, p. 64-79, jan./abr. 2022. Disponível em: https://doi.org/10.22277/rgo.v15i1.6045. Acesso em: 24 mar. 2025.

Cruz, W. Crescimento do e-commerce no Brasil: desenvolvimento, serviços logísticos e o impulso da pandemia de COVID-19. GeoTextos, Salvador, v. 17, n. 1, jul. 2021. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/geotextos/article/viewFile/44572/24941. Acesso em: 24 mar. 2025.

Dimock, M. Defining generations: Where Millennials end and Generation Z begins. Pew Research Center, 2019. Disponível em: https://www.pewresearch.org/. Acesso em: 28 set. 2025.

Fernandes, G. A.; Morett, A. J. Desafios e oportunidades para as lojas físicas na era digital: estudo de caso em um bairro na cidade de Ilhéus. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, São Paulo, v. 10, n. 5, maio 2024. Disponível em: https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/14088/7060. Acesso em: 24 mar. 2025.

IBGE. Comércio eletrônico no Brasil: impactos pós-pandemia. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2022. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/. Acesso em: 28 set. 2025.

NielsenIQ. Tendências do consumidor e do varejo. Relatório anual, São Paulo: NielsenIQ, 2023. Disponível em: https://nielseniq.com/global/pt/. Acesso em: 28 set. 2025.

Parente, J.; Barki, E. Varejo no Brasil: gestão e estratégia. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2014.

Santana, D. S.; Mafra, T. A.; Silva, S. S. O crescimento do e-commerce e seus impactos no contexto logístico, em tempos de pandemia. In: FÓRUM DE TECNOLOGIA EM LOGÍSTICA, 13., 2022, Mauá. Anais… Mauá: FATEC, 2022. Disponível em: https://fateclog.com.br/anais/2022/213-356-1-RV.pdf. Acesso em: 24 mar. 2025.

SEBRAE. Conheça os principais desafios do e-commerce. [S. l.], [2022]. Disponível em: https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/conheca-os-principais-desafios-do-e-commerce,e7718e029bf28810VgnVCM1000001b00320aRCRD. Acesso em: 24 mar. 2025.

Verhoef, P. C.; Kannan, P. K.; Inman, J. J. From multi-channel retailing to omnichannel retailing: Introduction to the special issue on multichannel retailing. Journal of Retailing, v. 91, n. 2, p. 174-181, 2015.

Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Marketing do MBA USP/Esalq

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