Resumo Executivo

11 de maio de 2026

Otimização de cronograma para projeto executivo de ETA multiparceiro

Natalia Aparecida Killer; Samira Sestari do Nascimento

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

A elaboração de cronogramas constitui um dos pilares fundamentais na etapa de planejamento de projetos, especialmente em empreendimentos complexos e multidisciplinares como os observados na engenharia consultiva. O cronograma não apenas organiza atividades, prazos e recursos, mas também promove a integração entre as equipes, contribuindo para o controle rigoroso do projeto e para a fundamentação da tomada de decisões (PMI, 2019). Em projetos que envolvem múltiplos parceiros, a qualidade do planejamento temporal influencia diretamente o desempenho global da execução e a capacidade de entrega dentro das restrições contratuais. A construção de um cronograma lógico, com atividades bem definidas, dependências claras e estimativas adequadas de duração, permite à gestão balancear escopo, custo e prazo de maneira eficiente (Kerzner, 2022). A estimativa de esforço e recursos pode ser realizada por meio de diversas técnicas, como opiniões especializadas, estimativas análogas e paramétricas, além de análises de reservas que auxiliam na construção de previsões realistas. Um elemento central nesse processo é a identificação do caminho crítico, composto por um conjunto de atividades que, por não possuírem margem de atraso, definem a duração total do projeto. Qualquer intercorrência em uma dessas atividades impacta diretamente o prazo final da entrega (PMI, 2021). Quando o planejamento inicial não atende às metas de prazo, recomenda-se a aplicação de técnicas de compressão, como o crashing, que busca reduzir a duração das tarefas com alocação adicional de pessoal, e o fast-tracking, no qual atividades sequenciais passam a ser executadas em paralelo. No entanto, a ausência de um cronograma realista e detalhado figura entre os principais fatores de atraso e aumento de custos em obras e projetos de engenharia (Kerzner, 2022). No setor de saneamento, a complexidade é acentuada pela necessidade de integração entre estudos hidrológicos, projetos hidromecânicos, estruturais e elétricos, exigindo uma coordenação precisa entre diferentes agentes e empresas parceiras.

A estratégia metodológica adotada para a análise e reestruturação do planejamento temporal de uma Estação de Tratamento de Água (ETA) fundamenta-se na pesquisa-ação, que permite o estudo de um problema real com a participação ativa na identificação de falhas e proposição de soluções estruturadas (Tripp, 2005). O processo metodológico seguiu nove fases distintas para garantir o rigor científico e a aplicabilidade das melhorias. Na fase exploratória, realizou-se uma análise profunda da literatura técnica e a revisão detalhada dos documentos do projeto executivo, que envolvia cinco empresas parceiras e previa a entrega de produtos técnicos em 270 dias. A formulação do problema identificou que o atraso real de 40 dias na conclusão do projeto original decorreu de falhas na articulação entre os envolvidos e na construção do cronograma. A construção da hipótese estabeleceu que o problema residia em um cronograma impraticável, o que levou à fase de coleta e análise de dados, onde foram examinados contratos, termos de referência, atas de reuniões e registros de comunicações internas. O diagnóstico inicial compreendeu a revisão de prazos e entregáveis, mapeando falhas de alinhamento e identificando desvios entre o planejado e o executado. A reestruturação do novo cronograma foi dividida em três etapas operacionais. Primeiramente, definiram-se as atividades e marcos por meio da elaboração de uma Estrutura Analítica do Projeto (EAP), categorizando o escopo em pacotes de trabalho e verificando a compatibilidade com as atividades ausentes no plano original. Em seguida, procedeu-se ao sequenciamento das atividades utilizando o Método do Diagrama de Precedência (PDM), analisando períodos de latência, esperas e sobreposições para representar a lógica sequencial do projeto. A terceira etapa operacional focou na estimativa de duração, custo e recursos, utilizando dados históricos e estimativas análogas para classificar as tarefas conforme o esforço ou recurso fixo. O suporte tecnológico para a elaboração do cronograma preliminar e dos gráficos de Gantt foi o software ProjectLibre.

A validação e otimização do cronograma final exigiram uma análise minuciosa do caminho crítico, calculando as programações cedo e tarde, além das folgas disponíveis. Identificaram-se as atividades críticas cuja postergação comprometeria o prazo final, definindo o tempo total necessário para a conclusão segura do empreendimento. Aplicaram-se técnicas de compressão, como a execução paralela de frentes distintas e a redução de durações com reforço de equipe técnica. Para medir a capacidade do projeto de terminar no prazo, utilizou-se o Índice do Caminho Crítico (CPLI), calculado pela diferença entre a data mais tardia do último marco e a data mais cedo de início, dividida pela soma das durações das atividades do caminho crítico. Valores de CPLI superiores a 1,0 indicam que o cronograma possui folga suficiente e menor risco de atraso, enquanto valores inferiores a 1,0 apontam para um planejamento sobrecarregado e com alto risco de descumprimento de prazos. A coleta de dados abrangeu o exame de comunicações por correio eletrônico e registros de reuniões, revelando que a ausência de prazos específicos para validações com o cliente gerava atrasos acumulados de uma a duas semanas por ciclo de revisão. Além disso, o início simultâneo de atividades interdependentes sem previsão de revisão cruzada resultava em retrabalho constante devido ao uso de versões desatualizadas de projetos de diferentes disciplinas. A análise documental confirmou que mudanças de escopo ocorridas no quinto mês de projeto não foram acompanhadas de um replanejamento adequado, fragilizando a estrutura de controle temporal.

A reestruturação completa do cronograma iniciou-se com a criação de uma EAP organizada em sete grandes grupos de trabalho: estudos iniciais, captação, adutora de água bruta, estação de tratamento de água, sistema de tratamento de resíduos, pacote técnico final e gerenciamento do projeto. A decomposição das atividades atingiu o nível necessário para viabilizar o sequenciamento lógico e a análise do caminho crítico. Observou-se a necessidade imperativa de incluir um grupo específico para o gerenciamento do projeto, abrangendo a coordenação das equipes, controle de prazos, agendamento de reuniões e gestão das validações com o cliente, funções que estavam diluídas ou ausentes no planejamento anterior. O Diagrama de Precedência revelou que etapas iniciais, como a reunião de kick-off e a contratação de serviços de campo, incluindo topografia, sondagens e batimetria, são predecessoras críticas indispensáveis para o início dos subprojetos técnicos. Todas as tarefas foram classificadas como atividades de esforço fixo, permitindo a aplicação posterior de técnicas de compressão. A estimativa de duração para atividades terceirizadas baseou-se nos prazos das propostas técnicas ajustados por históricos de desempenho, enquanto as atividades internas foram estimadas com base em uma experiência prática acumulada de oito anos em projetos similares. O cronograma preliminar, antes das otimizações, indicava uma duração de 293 dias, o que excedia o prazo contratual de 270 dias e comprovava que, mesmo sem imprevistos externos, a estrutura original era insuficiente para o cumprimento das metas.

A otimização final do cronograma foi realizada por meio do Método do Caminho Crítico, identificando atividades com folga nula que compunham a espinha dorsal do projeto. As atividades críticas incluíram a contratação de serviços de campo, execução de batimetria, topografia e sondagem, elaboração de estudos hidrológicos, projeto hidromecânico da ETA, validações do cliente, projeto estrutural e de fundações, planilhas quantitativas, orçamento, cronograma físico-financeiro e a apresentação final. Com base na disponibilidade de recursos, aplicaram-se duas técnicas principais de compressão. Priorizou-se o refinamento das atividades do caminho crítico para adequar o cronograma ao prazo contratual. O início dos projetos de captação, adutora, ETA e sistema de tratamento de resíduos foi reprogramado para ocorrer 15 dias após o início dos serviços de campo, aproveitando relatórios parciais emitidos na metade do prazo desses serviços. As listas preliminares de materiais e as cotações de equipamentos foram antecipadas em 20 dias, visto que os itens principais são definidos nas fases iniciais. Para permitir a paralelização do orçamento com os projetos hidráulicos, previu-se a alocação de dois estagiários de engenharia para reforçar a equipe responsável. Os projetos arquitetônicos foram programados para iniciar após o primeiro mês de desenvolvimento dos projetos estruturais, elétricos e hidrossanitários, o que reduziu conflitos entre disciplinas e melhorou o desempenho operacional sem afetar o prazo final.

A comparação entre os prazos de finalização evidenciou que a aplicação dessas técnicas permitiu reduzir em 35 dias a entrega final do projeto em relação ao cronograma preliminar. Destaca-se que o projeto de arquitetura e urbanismo teve seu prazo final postergado em 15 dias para garantir a integração com as disciplinas estruturais, demonstrando que a otimização nem sempre significa redução de prazo em todas as tarefas isoladas, mas sim no caminho crítico global. O cronograma final resultou em 258 dias de execução, conferindo uma folga operacional de 12 dias em relação ao prazo contratual de 270 dias. Essa margem de segurança é vital para absorver imprevistos sem comprometer a data de entrega. O valor do CPLI elevou-se de 0,87 no plano original para 1,05 no cronograma reestruturado, indicando uma transição de um planejamento sobrecarregado para um modelo saudável e robusto. Além dos ganhos temporais, a inclusão formal de validações intermediárias fortaleceu a comunicação com o cliente e reduziu o risco de retrabalhos vultosos após a entrega do pacote final. A execução paralela, quando bem coordenada, mostrou-se superior à abordagem sequencial rígida, especialmente em projetos com múltiplos parceiros onde as frentes de trabalho podem atuar de forma independente em determinados períodos.

Os achados deste estudo dialogam com resultados discutidos na literatura acadêmica sobre gestão de projetos de infraestrutura. Modelos híbridos que integram técnicas de compressão e execução simultânea podem reduzir o prazo total em até 19,5%, embora exijam um aumento na demanda de mão de obra e coordenação (Hady et al., 2020). A limitação do uso de cronogramas simples em formato de gráfico de barras é evidente em projetos complexos, pois estes não representam adequadamente as interdependências. O uso combinado do caminho crítico com métodos de avaliação probabilística permite identificar atividades que totalizam períodos extensos de execução e avaliar cenários de risco de forma estruturada (Ba’its et al., 2020). No entanto, a aplicação inadequada de técnicas como o fast-tracking pode gerar atrasos superiores aos do planejamento tradicional se não houver uma integração forte entre as equipes e sistemas de comunicação eficazes. Erros de projeto e revisões constantes podem anular os ganhos de tempo se a fase de concepção e coordenação for negligenciada (Fazio et al., 1988). A triangulação de fontes, incluindo propostas técnicas e comunicações internas, permitiu mitigar riscos de omissão de fatores externos no diagnóstico do projeto da ETA.

A análise detalhada das atividades críticas revelou que a fase de estudos iniciais e serviços de campo consome 30 dias iniciais, sendo o alicerce para todas as disciplinas subsequentes. O projeto hidromecânico da ETA e o projeto estrutural e de fundações são as tarefas de maior duração, com 90 dias cada, exigindo monitoramento constante. As validações do cliente, embora previstas para cinco dias em cada etapa, são pontos de alta sensibilidade que podem paralisar o fluxo de trabalho se não houver um acordo de nível de serviço bem estabelecido. A elaboração do orçamento e das planilhas quantitativas, que demandam 60 dias e cinco dias respectivamente, foram otimizadas pela alocação de recursos adicionais, permitindo que estas atividades ocorressem em paralelo ao refinamento dos projetos hidráulicos. O cronograma físico-financeiro e a preparação da apresentação final encerram o ciclo em sete dias, totalizando o esforço necessário para a entrega do pacote técnico completo. A robustez metodológica aplicada permitiu transformar um cenário de atraso crônico em um planejamento com previsibilidade e folga estratégica.

Embora o estudo tenha se baseado em um único projeto executivo, os resultados oferecem contribuições práticas relevantes para a engenharia consultiva. A inclusão formal de marcos de validação, o refinamento do sequenciamento e o uso estratégico de paralelismo mostraram-se decisivos para a melhoria do desempenho esperado. A sistematização do feedback das equipes envolvidas e a incorporação de ferramentas digitais de gestão podem enriquecer futuras aplicações desta abordagem. A comparação com estudos anteriores reforça que a eficácia das técnicas de compressão depende do equilíbrio entre ganhos de prazo e a necessidade de coordenação rigorosa das entregas. O planejamento integrado e a análise crítica contínua emergem como instrumentos-chave para o sucesso em empreendimentos de saneamento que envolvem alta complexidade técnica e múltiplos agentes. A maturidade nos processos de gestão de cronogramas é alcançada quando a organização deixa de apenas listar tarefas e passa a gerenciar as interdependências e os riscos temporais de forma proativa.

Conclui-se que o objetivo foi atingido, uma vez que a identificação das falhas no planejamento original permitiu a reestruturação de um cronograma tecnicamente viável e robusto, reduzindo o prazo total de execução de 310 para 258 dias. A aplicação de ferramentas como a EAP, o PDM e o CPM, aliada a técnicas de compressão como o crashing e o fast-tracking, elevou o índice de confiabilidade do projeto, garantindo uma folga de 12 dias em relação ao prazo contratual e demonstrando a eficácia da gestão de projetos estruturada na mitigação de atrasos em empreendimentos complexos de engenharia.

Referências Bibliográficas:

Ba’its, H. A.; Suprapto, Y.; Rusdiansyah, R. 2020. Combination of Program Evaluation and Review Technique (PERT) and Critical Path Method (CPM) for Project Schedule Development. International Journal of Integrated Engineering 12:68-75.

Fazio, P.; Moslemi, A.; Vanier, D. J.1998. Fast-tracking of construction projects: a case study. Canadian Journal of Civil Engineering 15 (4): 493-499.

Hady, A. R. A. M.; Nasr, E. S. A.; Abdul Rahman, I. 2020. Construction project planning using integration of crashing and concurrency techniques. IOP Conference Series: Materials Science and Engineering 737.

Kerzner, H. 2022. Project Management: a systems approach to planning, scheduling, and controlling. 13ed. John Wiley & Sons, Inc., Hoboken, NJ, EUA.

Kerzner, H. 2022. Project Management: a systems approach to planning, scheduling, and controlling. 13ed. John Wiley & Sons, Inc., Hoboken, NJ, EUA.

Project Management Institute [PMI]. 2019. Practice Standard for Scheduling. 3ed. Project Management Institute, Newtown Square, PA, EUA.

Project Management Institute [PMI]. 2021. PMBOK Guide – A guide to the project management body of knowledge and the standard for project management. 7ed. Project Management Institute, Newtown Square, PA, EUA.

Tripp, D. 2005. Pesquisa-ação: uma introdução metodológica. Educação e pesquisa 31 (3): 443-466.

Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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