Resumo Executivo

03 de março de 2026

Correlação entre notas ESG e desempenho de ações no mercado brasileiro

Giovanna Barbosa da Silva; Éllen Rimkevicius Carbognin

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

O objetivo desta pesquisa foi analisar se as notas de Environmental, Social and Governance (ESG) atribuídas por duas instituições a empresas de capital aberto na B3 estão estatisticamente correlacionadas com o valor de mercado de suas ações, avaliando o impacto imediato da divulgação. O estudo também buscou compreender se essas métricas são consideradas pelos investidores em decisões de curto prazo, para aferir a maturidade do mercado de capitais brasileiro em relação à sustentabilidade corporativa. A premissa é que, em um mercado maduro, informações ESG positivas deveriam gerar valorização acionária, enquanto as negativas resultariam em penalizações.

A relevância da análise se intensifica com a crescente proeminência do ESG no discurso corporativo, nas políticas governamentais e nas expectativas sociais. As empresas são vistas como agentes centrais na mitigação de impactos ambientais e na promoção do desenvolvimento sustentável (Passos e Campos-Rasera, 2024). Este movimento é global, com potências econômicas estabelecendo metas como a redução de emissões de dióxido de carbono, sinalizando uma transformação na economia mundial (Zhang-Hangjian et al., 2024). Apesar da disseminação do acrônimo, a definição de ESG carece de padronização, embora seus três pilares — ambiental, social e de governança — sejam reconhecidos como cruciais para o desenvolvimento de longo prazo das organizações.

A implementação de práticas ESG impacta a reputação e a percepção de valor das empresas (Guochao et al., 2023). Para fomentar a transparência, órgãos como o International Sustainability Standards Board (ISSB) desenvolveram normas como a IFRS S1 e a IFRS S2, visando padronizar a divulgação de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade. Contudo, a adoção dessas normas ainda é voluntária no Brasil, o que mantém uma assimetria informacional e dificulta a avaliação consistente do desempenho ESG (IFRS Foundation, 2023). Essa lacuna regulatória e a falta de consenso metodológico contribuem para a controvérsia acadêmica sobre a real influência do ESG no valor de mercado, um debate com evidências conflitantes (Aich et al., 2021).

A literatura aponta que a evidência empírica sobre o impacto econômico do ESG é de difícil interpretação e aplicação por gestores e investidores (Zhang-Hangjian et al., 2024). Essa dificuldade é acentuada em mercados emergentes como o brasileiro; a pesquisa sobre o tema é incipiente e as dinâmicas de mercado diferem das observadas em economias desenvolvidas (Guochao et al., 2023). A carência de estudos focados na reação do mercado brasileiro à divulgação de notas ESG justifica esta investigação, que propõe uma análise quantitativa sobre a capacidade dessas métricas de influenciar os preços das ações no curto prazo.

A questão central do trabalho é: o mercado de capitais brasileiro reage de forma imediata e mensurável à divulgação de informações sobre o desempenho ESG? Ao investigar essa questão, o estudo testa a hipótese da eficiência de mercado e oferece insights para empresas, investidores e reguladores sobre a integração dos fatores ESG na cultura de investimento do país. A análise foca no impacto de curtíssimo prazo, pressupondo que uma reação imediata seria o indicador mais claro da relevância atribuída pelos agentes a essas informações, isolando-as de outros eventos corporativos.

A metodologia é uma pesquisa descritiva com abordagem quantitativa, baseada em dados secundários. As fontes para as métricas ESG foram dois rankings: um do Monitor Empresarial de Reputação Corporativa (Merco) e outro de uma parceria entre a revista Integridade e a Fundação Getúlio Vargas (FGV), utilizando as publicações de 2024 e 2025. As notas do Merco foram divulgadas em 26 de junho de 2024 e 24 de fevereiro de 2025 (Merco, 2024; Merco, 2025), e as do ranking FGV em 18 de outubro de 2024 e 20 de agosto de 2025 (FGV, 2024; Integridade ESG, 2025).

A coleta de dados financeiros foi automatizada com scripts em Python (versão 3.12), usando o pacote yfinance para extrair os preços de fechamento das ações na B3. Para cada data de divulgação, foi definida uma janela de evento de três dias úteis: o dia anterior (D-1), o dia da publicação (D) e o dia seguinte (D+1). Essa janela curta foi escolhida para isolar o impacto imediato da divulgação das notas ESG. A variável dependente foi a variação percentual do preço da ação na janela. A amostra foi composta por empresas presentes nos rankings com ações negociadas na B3 e dados disponíveis para as datas analisadas.

A análise dos dados incluiu estatística descritiva para caracterizar as amostras. Para investigar a relação entre as variáveis, foram aplicados modelos de regressão linear simples; a variação do preço das ações foi a variável dependente (Y) e a pontuação ESG ou a variação na posição do ranking foi a variável explicativa (X). A força da relação foi avaliada pelo coeficiente de determinação (R²) e a significância estatística pelo p-valor. As análises foram implementadas em Python com os pacotes pandas, numpy, statsmodels e scipy.

Como os modelos de regressão linear pressupõem a normalidade dos resíduos, foi realizado o teste de Shapiro-Francia. A constatação de que os dados de variação de preços não seguiam uma distribuição normal na primeira fase levou à adoção de uma abordagem não paramétrica. As empresas foram segmentadas em três grupos (alto, médio e baixo desempenho ESG) e aplicou-se o teste de Kruskal-Wallis para verificar se existiam diferenças significativas nas medianas da variação dos preços entre os grupos. Na segunda fase, que analisou a variação da posição no ranking entre 2024 e 2025, os dados se mostraram normais, permitindo o uso exclusivo dos modelos de regressão linear.

A análise inicial, focada na correlação entre pontuação ESG e variação de preços, revelou ausência de relação linear significativa. As matrizes de correlação de Pearson para os quatro conjuntos de dados (FGV 2024, Merco 2024, FGV 2025 e Merco 2025) apresentaram coeficientes próximos de zero. Este resultado preliminar indicou que a pontuação ESG, por si só, não possuía associação linear com os movimentos de curto prazo nos preços das ações. A divulgação dos rankings não pareceu desencadear uma reação uniforme e previsível dos investidores.

Para aprofundar, foram construídos modelos de regressão linear simples. Os resultados corroboraram a análise de correlação. Para os dados da FGV de 2024, o modelo que relacionou a pontuação ESG com a variação das ações resultou em um R² de 0,007 e um p-valor de 0,536. Para os dados da Merco de 2024, o R² foi 0,000 e o p-valor de 0,968. Os resultados para 2025 seguiram o mesmo padrão: o modelo da FGV apresentou R² de 0,002 (p-valor = 0,752) e o da Merco, R² de 0,003 (p-valor = 0,753). Em todos os casos, os valores de R² extremamente baixos indicam que a pontuação ESG não explica a variação nos preços das ações, e os p-valores, muito acima do nível de significância de 5%, demonstram que a relação não é estatisticamente significativa.

Dada a não normalidade dos dados na primeira fase, o teste de Kruskal-Wallis serviu como validação. Ao comparar as medianas da variação dos preços das ações entre os grupos de alto, médio e baixo desempenho ESG, o teste também não encontrou diferenças estatisticamente significativas. Os p-valores obtidos foram consistentemente altos, reforçando a conclusão de que o mercado não diferenciou as empresas com base em seus níveis de performance ESG na precificação imediata. O achado sugere que, na janela analisada, os investidores não recompensaram as líderes em ESG nem penalizaram aquelas com pontuações mais baixas.

A segunda etapa investigou se uma mudança na posição de uma empresa no ranking entre anos teria um impacto mais perceptível. A hipótese era que uma melhora ou piora significativa poderia ser um sinal mais forte para o mercado. Contudo, os modelos de regressão que utilizaram a variação da posição no ranking (2024 para 2025) como variável explicativa também não mostraram relação significativa. Para os dados da FGV, o modelo que analisou a variação no dia da divulgação apresentou um R² de 0,005 (p-valor = 0,637), enquanto para o dia seguinte o R² foi de 0,003 (p-valor = 0,703).

Os resultados para o ranking da Merco foram ligeiramente maiores, mas ainda não significativos. O modelo para o dia da divulgação obteve um R² de 0,056 (p-valor = 0,171), e para o dia seguinte, um R² de 0,066 (p-valor = 0,135). Embora o R² tenha sido mais elevado, os p-valores permaneceram bem acima do limiar de 0,05, indicando que não se pode rejeitar a hipótese nula de ausência de efeito. Portanto, mesmo uma mudança relativa no status ESG de uma empresa não provocou uma reação de preço estatisticamente discernível no mercado de ações brasileiro.

A discussão dos resultados aponta para uma desconexão entre o discurso sobre a importância do ESG e a prática de valoração de ativos no mercado brasileiro em reações de curto prazo. A ausência de correlação sugere que os investidores não utilizaram a divulgação desses rankings como gatilho para decisões de compra ou venda. Diversas hipóteses podem explicar o fenômeno. Primeiro, o mercado pode considerar que as informações já estão precificadas, tornando a divulgação do ranking um não-evento.

Alternativamente, pode haver ceticismo dos investidores quanto à metodologia ou relevância das notas ESG. A falta de padronização pode levar o mercado a tratar essas informações com cautela, aguardando impactos mais tangíveis no desempenho financeiro de longo prazo. Esta interpretação alinha-se com a literatura que aponta dificuldades em traduzir dados ESG em estratégias de investimento (Zhang-Hangjian et al., 2024). A evidência deste estudo corrobora a visão de que o mercado brasileiro pode estar em um estágio inicial de maturação na integração de fatores não financeiros na análise de investimentos.

É crucial reconhecer que o impacto do ESG pode se manifestar em horizontes de tempo mais longos ou por outros canais, como custo de capital ou lealdade do consumidor. A pesquisa, com foco no curto prazo, não captura essas dinâmicas mais lentas. No entanto, a ausência de uma reação imediata é um achado relevante, pois indica que a divulgação de notas ESG, nos moldes analisados, não funciona como um catalisador de mercado no Brasil, contrastando com o que seria esperado dada a proeminência do tema.

Em suma, a análise quantitativa demonstrou a ausência de uma relação estatisticamente significativa entre as notas ESG, e suas variações anuais nos rankings, e o comportamento imediato dos preços das ações na bolsa brasileira. Os modelos de regressão e os testes não paramétricos falharam em identificar qualquer padrão de bonificação ou penalização do mercado em resposta direta à divulgação dessas informações em 2024 e 2025. Este resultado sugere que, para o período e fontes analisadas, o mercado de capitais brasileiro apresenta baixa sensibilidade à incorporação de métricas ESG em decisões de investimento de curto prazo. Os investidores parecem não atribuir valor financeiro imediato a essas classificações, indicando que o discurso sobre sustentabilidade ainda não se traduziu em um fator de precificação claro no país.

A aparente indiferença do mercado pode refletir ceticismo quanto à materialidade financeira dessas notas ou a percepção de que tais informações já estão diluídas em outros dados. O que se propõe sobre ESG, embora relevante no campo estratégico, parece necessitar de maior clareza e padronização para que suas implicações se reflitam no retorno financeiro. Para trabalhos futuros, recomenda-se a análise de horizontes de tempo mais longos, a investigação de outros mercados ou o foco em nichos específicos onde o impacto do ESG possa ser mais pronunciado. Conclui-se que o objetivo foi atingido: demonstrou-se que as notas de ESG e suas variações anuais nos rankings analisados não apresentam correlação estatisticamente significativa com a variação imediata dos preços das ações de empresas na bolsa brasileira nos períodos de 2024 e 2025.

Referências:
Aich, S., Thakur, A., Nanda, D., Tripathy, S., & Kim, H.-C., 2021. Factors Affecting ESG towards Impact on Investment: A Structural Approach. Sustainability, 13(19), 10868.
Fundação Getulio Vargas (FGV). 2024. ESG: Anuário revela as 100 empresas que lideram a sustentabilidade no Brasil. Disponível em: < https://portal. fgv. br/noticias/esg-anuario-revela-100-empresas-lideram-sustentabilidade-brasil>. Acesso em: 17 de março de 2025
Guochao W., Ahmad Y. D., Somsak C., Siva S. R., 2023. Hotspots and trends of environmental, social and governance (ESG) research: a bibliometric analysis. Data Science and Management, Volume 6, Issue 2, Pages 65-75.
IFRS Foundation. (2023). IFRS S1: General requirements for disclosure of sustainability-related financial information. London: IFRS Foundation. < https://www. ifrs. org/issued-standards/ifrs-sustainability-standards-navigator/ifrs-s1-general-requirements. html/content/dam/ifrs/publications/html-standards-issb/english/2025/issued/issbs1/ >. Acesso em: 25 de dezembro de 2025
IFRS Foundation. (2023). IFRS S2: Climate-related disclosures. London: IFRS Foundation. <https://www. ifrs. org/issued-standards/ifrs-sustainability-standards-navigator/ifrs-s2-climate-related-disclosures. html/content/dam/ifrs/publications/html-standards-issb/english/2025/issued/issbs2/>. Acesso em: 25 de dezembro de 2025
Integridade ESG. 2025. Anuário Integridade ESG 2025. Disponível em: https://integridadeesg. insightnet. com. br/anuario-integridade-esg-2025/. Acesso em 21 de agosto de 2025
Monitor empresarial de reputação corporativa (Merco). 2024. Ranking Merco Corporate Responsibility ESG Brasil. Disponível em: <https://www. merco. info/br/ranking-merco-responsabilidad-gobierno-corporativo>. Acesso em: 05 de setembro de 2025
Monitor empresarial de reputação corporativa (Merco). 2025. Ranking Merco Corporate Responsibility ESG Brasil. Disponível em: <https://www. merco. info/br/ranking-merco-responsabilidad-gobierno-corporativo>. Acesso em: 17 de março de 2025
Passos, G. de A.; Campos-Rasera, P. 2024. Do ESG Controversies Influence Firm Value? An Analysis with Longitudinal Data in Different Countries. BBR. Brazilian Business Review, v. 21, n. 4, p. e20221326.
Zhang-Hangjian C., JingWen K., Kees G. K., Xiang G., ZhenHua G. 2024. Short-term market reactions to ESG ratings disclosures: An event study in the Chinese stock market, Journal of Behavioral and Experimental Finance, Volume 43, 100975.


Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Data Science e Analytics do MBA USP/Esalq

Saiba mais sobre o curso; clique aqui:

Quem editou este artigo

Mais recentes

Você também pode gostar

17 de setembro de 2026

Heterogeneidade Territorial do Bolsa Família: uma Análise por Clusters e Efeitos Fixos

O Programa Bolsa Família (PBF) representa uma das políticas de proteção social mais relevantes globalmente, o que justifica a investigação de seus efeitos diante das acentuadas e heterogêneas desigualdades regionais brasileiras. O estudo avaliou os reflexos socioeconômicos dos repasses do programa sobre a saúde, a educação e o mercado de trabalho nos municípios brasileiros, no período de 2004 a 2019. Para isso, aplicou-se a técnica de agrupamento K-means para segmentação territorial e estimaram-se modelos econométricos de dados em painel com efeitos fixos, tanto a nível nacional quanto segregados por clusters. Os resultados revelaram a natureza anticíclica do PBF no mercado de trabalho, com uma relação negativa entre repasses e vínculos empregatícios formais em quatro dos cinco clusters, sugerindo que os recursos foram mais intensos onde o mercado formal falhou. Na saúde, o programa associou-se à redução significante da mortalidade infantil evitável em municípios com maior equilíbrio socioeconômico, mas não apresentou efeito detectável em agrupamentos de maior precariedade estrutural, indicando que a transferência de renda é necessária, porém insuficiente sem infraestrutura de saúde funcional. Na educação, a análise por subperíodos mostrou atenuação progressiva do coeficiente nacional, refletindo a convergência das taxas de matrícula para um patamar de alta inércia temporal. Concluiu-se que o PBF cumpriu seu objetivo de proteção social de forma anticíclica e territorialmente focalizada, mas sua capacidade de transformar indicadores estruturais dependeu da sinergia com investimentos em infraestrutura pública.

Palavras-chave: Bolsa Família; Mortalidade Infantil; Municípios Brasileiros; Painel de Dados; Política Pública.

Gestão Tributária

17 de setembro de 2026

Limites Jurídicos e Práticos da Dedutibilidade Retroativa dos Juros sobre Capital Próprio

A gestão tributária adequada é crucial para a saúde financeira das empresas, especialmente no complexo sistema tributário brasileiro. Os Juros sobre Capital Próprio (JCP) constituem um mecanismo jurídico relevante para a remuneração do capital próprio, utilizado para otimizar a carga tributária. O estudo investigou a controvérsia sobre a dedutibilidade de JCP referentes a exercícios anteriores à deliberação societária que autoriza seu pagamento. Aplicou-se a metodologia de pesquisa e análise documental empírica, baseada em “Normative Systems”, para identificar cinco propriedades representativas dos argumentos jurídicos na jurisprudência administrativa e judicial. Analisaram-se acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), revelando padrões decisórios predominantes, divergências interpretativas, incoerências argumentativas e significativa insegurança jurídica. Os resultados indicaram forte tendência de invalidação dos planejamentos envolvendo JCP extemporâneos na esfera administrativa. Contudo, o julgamento do Tema 1319 pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) seguiu direção oposta, consagrando tese favorável à dedutibilidade e estabelecendo um precedente paradigmático que pode influenciar a jurisprudência administrativa e redefinir os critérios decisórios.

Palavras-chave: CARF; gestão tributária; limitação temporal; lucro real; planejamento tributário.

17 de setembro de 2026

Símbolos da Moda Esportiva: Consumo, Identidade e Status entre Consumidores Brasileiros

A moda esportiva consolidou-se como linguagem simbólica de distinção social nas últimas décadas, impulsionada pela expansão do mercado de wellness e pela reconfiguração dos padrões de prestígio nas sociedades de consumo contemporâneas. O estudo objetivou compreender como os símbolos da moda esportiva influenciaram a construção de identidade e pertencimento e sua associação ao prestígio social entre consumidores brasileiros que adquiriram produtos do setor nos últimos 12 meses. Desenvolveu-se a pesquisa por meio de levantamento bibliográfico e pesquisa descritiva, com levantamento do tipo survey aplicado a uma amostra não probabilística por conveniência de 445 consumidores brasileiros de moda esportiva. Os principais resultados indicaram que a maioria dos respondentes associou marcas esportivas a percepções de status social; mais da metade reconheceu o wellness como novo símbolo de prestígio; e parcela expressiva percebeu o sportstyle como mais aceito em ambientes formais de trabalho. Em contrapartida, formas ostensivas de sinalização, como preferência por logotipos visíveis, influência de redes sociais e disposição a pagar sobrepreço, foram amplamente rejeitadas, revelando uma dissociação entre a atribuição simbólica de status e o comportamento de sinalização ostensiva. O consumidor brasileiro de moda esportiva com elevado capital cultural operou por meio de sinais simbólicos sutis e não ostensivos, compatíveis com o fenômeno do consumo inconspícuo, no qual a distinção social se manifestou de forma internalizada.

Palavras-chave: Consumo inconspícuo; Distinção; Prestígio social; Sportstyle; Wellness.

17 de setembro de 2026

Modelo Validado de Formação de Competência Técnica e Habilidades Não Técnicas em Indústrias Químicas Complexas

Analisou-se a implementação de um processo sistemático para o desenvolvimento e a atualização de competências técnicas e habilidades não técnicas em Operações Industriais e Segurança de Processo em uma indústria química de alta complexidade, pertencente a uma multinacional localizada no Polo Petroquímico de Camaçari, Bahia. O estudo objetivou implementar um processo mensurável e sustentável que assegurou a competência técnica e não técnica de 100% dos operadores, em conformidade com a legislação estadual da Bahia, diretrizes de institutos internacionais e políticas corporativas. A pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso de abordagem mista, que envolveu diagnóstico documental, entrevistas semiestruturadas com 85 operadores experientes, análise de tarefas críticas e o desenvolvimento e aplicação piloto de um programa modular de treinamento. Este processo evidenciou a necessidade de alinhamento e atualização sistemática das competências requeridas. Os resultados obtidos indicaram a eficácia do modelo proposto, com 100% dos operadores concluindo os módulos teóricos e práticos e alcançando uma taxa de aprovação superior a 80%, além de conformidade operacional em campo. O trabalho contribuiu com um modelo estruturado de formação, incluindo matriz de competências, programas modulares de treinamento e diretrizes para certificação e recertificação, demonstrando potencial de replicação em outras unidades industriais de elevada complexidade e risco, e fortalecendo a segurança de processo e a sustentabilidade operacional.

Palavras-chave: Capacitação; Competência; Habilidades não técnicas; Segurança de processo; Treinamento.

Compliance E Esg

17 de setembro de 2026

Governança Pública Climática e Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul

As enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul evidenciaram fragilidades estruturais na governança pública em um contexto federativo submetido a risco climático extremo. Este trabalho analisou, no recorte temporal de maio de 2024 a maio de 2025, como a atuação federal, estadual e municipal se estruturou diante da crise e em que medida a comparação com os Países Baixos ofereceu parâmetros úteis para o fortalecimento da resiliência institucional. A pesquisa adotou abordagem qualitativa, aplicada, exploratória e comparativa, com análise documental e análise de conteúdo de fontes oficiais, relatórios técnicos internacionais, atos normativos e pronunciamentos institucionais, organizados por categorias temáticas e interpretados com apoio do Modelo das Três Linhas do IIA. Os resultados mostraram que, embora os três níveis de governo tenham criado ou reestruturado instrumentos relevantes de coordenação e reconstrução após o desastre, prevaleceu uma institucionalidade reativa, posterior ao evento, com lacunas de continuidade administrativa, integração preventiva, monitoramento e accountability. Na comparação internacional, o modelo neerlandês destacou-se por combinar autoridade operacional permanente, base territorial clara, financiamento próprio e mecanismos mais robustos de monitoramento e responsabilização. Concluiu-se que os impactos das enchentes foram agravados menos pela ausência formal de normas e mais pela insuficiente articulação entre operação, gestão de riscos e controle. O fortalecimento da governança climática, no caso gaúcho, depende de institucionalizar coordenação, dados, financiamento e accountability em bases permanentes.

Palavras-chave: accountability; adaptação climática; gestão de riscos; governança multinível.

Digital Business

17 de setembro de 2026

Dados e Automação Utilizados em uma Campanha de Marketing na Engenharia Civil

A crescente utilização de dados no marketing digital impulsionou a adoção de estratégias mais orientadas por métricas e desempenho, com o Inbound Marketing em destaque. O uso de ferramentas de Business Intelligence (BI) mostrou-se fundamental para transformar dados em informações estratégicas, apoiando a tomada de decisão e a construção de bases de contatos qualificadas. Analisou-se como a ausência de integração entre sistemas de BI e plataformas de automação de marketing impactou a eficiência operacional e a efetividade das estratégias de Inbound Marketing em uma empresa de engenharia. Para isso, adotou-se uma abordagem descritiva de natureza qualitativa, baseada na análise dos processos operacionais envolvidos, desde a leitura de relatórios extraídos do BI e sua posterior transformação em mailings, até a preparação para importação no RD Station. Os resultados indicaram que o processo atual dependia de etapas manuais e empíricas, demandando tempo significativo. Identificaram-se limitações relacionadas à ausência de integração entre os sistemas, o que impactou diretamente a eficiência operacional e aumentou a dependência de atividades repetitivas. Concluiu-se que a estruturação adequada do processo de gestão de mailings e a integração entre BI e ferramentas de automação de marketing representam uma oportunidade para otimizar fluxos, melhorar a qualidade dos dados e fortalecer as estratégias de Inbound Marketing.

Palavras-chave: Automação de Marketing; Business Intelligence; Inbound Marketing; Integração de Sistemas; RD Station.

17 de setembro de 2026

Detecção de Anomalias no Monitoramento de Saúde de Pontes Usando Redes Neurais

O monitoramento da saúde estrutural de pontes tornou-se cada vez mais relevante diante do envelhecimento das infraestruturas e da intensificação de eventos extremos associados às mudanças climáticas. Nesse contexto, abordagens baseadas em dados destacaram-se como alternativas promissoras para o reconhecimento de anomalias. O estudo objetivou desenvolver e avaliar uma abordagem baseada em aprendizado de máquina para o reconhecimento de anomalias em séries temporais de aceleração estrutural. A metodologia adotada consistiu no uso de autoencoders treinados exclusivamente com dados representativos da condição íntegra, permitindo ao modelo aprender padrões associados ao estado saudável da estrutura; em seguida, o erro de reconstrução, quantificado por meio do erro quadrático médio (MSE), foi utilizado como critério para identificação de desvios em relação a essa condição. O conjunto de dados analisado foi composto por 1767 séries temporais de 1000 pontos cada, pertencentes a duas classes: íntegra (normal) e anômala (danificada). Os resultados obtidos demonstraram que o modelo proposto apresentou elevada capacidade de reconhecimento da classe anômala, com taxa de detecção superior a 90%, e desempenho global satisfatório, com área sob a curva ROC (AUC) próxima de 0,78, indicando boa capacidade discriminativa e reforçando o potencial da abordagem para aplicações em monitoramento estrutural.

Palavras-chave: Autoencoders; Detecção de Anomalias; Monitoramento de Pontes; Redes Neurais.

17 de setembro de 2026

Gestão Escolar Integrada: o Papel da Direção Administrativa na Capacitação da Equipe de Gestão Pedagógica para a Compreensão do Orçamento Escolar

A administração escolar foi abordada sob a perspectiva da integração entre gestores administrativos e pedagógicos, com foco na participação democrática, capacitação e qualificação dos atores. O objetivo geral consistiu na elaboração de um Guia de Orientações para Orçamento, direcionado à equipe de gestão pedagógica e mediado pela direção administrativa, visando instrumentalizar esses profissionais para a compreensão e participação nos processos financeiros e decisórios da instituição. Para tanto, o estudo desenvolveu-se em uma instituição particular privada, adotando uma abordagem qualitativa, descritiva e aplicada, com procedimento metodológico de estudo de caso. A pesquisa mapeou desafios práticos e dificuldades de comunicação entre os setores, analisou referenciais teóricos da gestão escolar e estruturou o instrumento formativo proposto. Os resultados demonstraram que a ausência de integração entre as áreas administrativa e pedagógica pode comprometer a efetividade da gestão escolar, evidenciando a necessidade de processos formativos contínuos que promovam entendimento mútuo, cooperação e construção coletiva de soluções. O Guia proposto fortaleceu a gestão democrática, elevou a qualificação da equipe pedagógica e melhorou os processos decisórios institucionais, destacando o papel formativo e estratégico do diretor administrativo.

Palavras-chave: Comunicação escolar; Gestão escolar participativa; Orçamento escolar.

Inscreva-se em nossa newsletter!

Receba conteúdos e fique sempre atualizado sobre as novidades em gestão, liderança e carreira com a Revista E&S.

Ao preencher o formulário você está ciente de que podemos enviar comunicações e conteúdos da Revista E&S. Confira nossa Política de Privacidade