Resumo Executivo

21 de maio de 2026

Automação de testes com Selenium no setor financeiro: Pesquisa-Ação

Giovana Bueno de Salvo Fernandes; Roberta Vedana

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

A automação de testes consolidou-se como uma prática indispensável no ciclo de desenvolvimento de sistemas, visando assegurar a qualidade e a eficiência das aplicações em um mercado cada vez mais exigente. Nesse cenário, os testes automatizados surgem como uma alternativa robusta para reduzir o esforço manual e mitigar a incidência de erros humanos, conferindo maior confiabilidade ao processo de validação de software. Além de acelerar a execução das rotinas de verificação, a automação permite a repetibilidade dos testes em diferentes ambientes e condições, o que facilita a detecção precoce de falhas e contribui para a manutenção contínua das aplicações, garantindo que novas funcionalidades não comprometam requisitos previamente atendidos (Oliveira, 2022). No âmbito do desenvolvimento, tais testes destacam-se por permitir a execução de casos de forma sistemática, sem a necessidade de intervenção constante de um operador, abordagem que se mostra essencial em projetos de médio e grande porte, onde a complexidade do código e a frequência de atualizações tornam inviável a dependência exclusiva de processos manuais. A integração com ferramentas de Integração Contínua e Entrega Contínua favorece ciclos de desenvolvimento ágeis e confiáveis, tornando-se um elemento central para a redução de custos operacionais (Spirlandeli; França Roland, 2019).

Ferramentas de código aberto, como o Selenium, ganham destaque ao permitir a simulação de interações de usuários em navegadores e a verificação de comportamentos dinâmicos em páginas web. Essa tecnologia não apenas acelera o processo de desenvolvimento, mas também reduz drasticamente a margem de erro durante a fase de homologação (Blascke; Farina; Florian, 2023). O Selenium oferece suporte a múltiplas linguagens de programação, como Java, C#, Python e Ruby, além de ser compatível com diversos navegadores, incluindo Chrome e Firefox, o que promove uma cultura de qualidade contínua nas equipes (Truzzi, 2019). A implementação dessa estratégia otimiza o processo de testes e eleva a produtividade das equipes de desenvolvimento (García et al., 2022). Diversos tipos de verificações podem ser automatizados, abrangendo testes funcionais, de integração, de sistema e de regressão, garantindo que as funcionalidades operem conforme o esperado mesmo após sucessivas alterações no código-fonte (Fernandes, 2020). Contudo, a adoção dessa prática exige planejamento cuidadoso e a escolha de ferramentas alinhadas às necessidades do projeto, preparando as equipes para desafios como a manutenção de scripts e a integração de processos (Silva, 2019). A automação não é meramente uma questão técnica, mas uma estratégia de gestão voltada à otimização de processos e redução de retrabalho, tornando os ciclos de entrega mais previsíveis (Chehab, 2023).

O estudo caracterizou-se como uma pesquisa exploratória de natureza quantitativa, adotando a metodologia de Pesquisa-Ação para explorar o uso de ferramentas de testes automatizados de interface gráfica. O foco concentrou-se na utilização do Selenium para automação de testes de front-end em uma empresa de software financeiro de médio porte, que conta com aproximadamente 200 funcionários e presta serviços ao setor bancário. A coleta de dados baseou-se no histórico de tempos necessários para testar a aplicação a cada versão mensal, abrangendo o período de janeiro de 2022 a dezembro de 2023. Durante esse intervalo, observou-se um crescimento expressivo no volume de testes, que saltou de 351 para 8.513 casos registrados. Para viabilizar a análise, foram definidos indicadores como o número total de testes, a quantidade de testes manuais e automatizados, as horas despendidas por versão e a necessidade de colaboradores. O processo operacional da empresa reserva os dois últimos dias úteis de cada mês exclusivamente para a execução de testes de homologação, e qualquer atraso nesse cronograma impacta diretamente a satisfação dos usuários e a continuidade das operações.

A metodologia de implementação seguiu os princípios do framework Scrum, permitindo entregas incrementais e ajustes contínuos. Inicialmente, realizou-se uma análise SWOT para mapear as forças, fraquezas, oportunidades e ameaças do processo de homologação. Entre as forças identificadas, destacaram-se o processo estruturado de testes mensais, o uso consolidado do Jira para gestão de casos de teste e a existência de uma equipe dedicada à qualidade. Como fraquezas, apontou-se o tempo excessivo gasto nos testes finais e a dependência dos desenvolvedores para a criação dos roteiros. As oportunidades concentraram-se na automação e no treinamento das equipes, enquanto as ameaças envolveram o risco de atrasos nas entregas e a sobrecarga dos colaboradores diante do aumento do volume de dados. Complementarmente, aplicou-se o ciclo PDCA como guia para o planejamento das melhorias. Na fase de planejamento, identificaram-se lacunas de conhecimento e estruturou-se um treinamento em Selenium abrangendo desde fundamentos até a integração com ferramentas como Jenkins e Git. A execução do treinamento ocorreu na primeira semana de dezembro de 2023, envolvendo 90 colaboradores divididos em três turmas, com sessões práticas para a criação de scripts em ambiente controlado.

A fase de verificação do PDCA, iniciada em fevereiro de 2024, avaliou o desempenho da equipe e o impacto da automação no tempo de homologação. Foram medidos indicadores de desempenho para verificar a eficácia dos scripts e a detecção de falhas anteriormente não identificadas. Na etapa de ação, realizaram-se ajustes técnicos na escrita dos testes e a padronização de boas práticas, assegurando que o fluxo de testes estivesse alinhado aos padrões de qualidade exigidos. O teste de software, conforme definido pela literatura técnica, não se restringe à detecção de erros, mas envolve a validação da conformidade do sistema em relação aos requisitos de desempenho e confiabilidade (Pressman, 2021). Trata-se de um processo estruturado que engloba planejamento, execução e registro de atividades para verificar se o componente atende aos requisitos especificados em seu ambiente operacional (Reid, 2013). No contexto prático da empresa, a conversão de testes manuais em automatizados seguiu uma lógica rigorosa, utilizando comandos de validação para comparar valores obtidos com resultados esperados, gerando relatórios automáticos em formato HTML para acompanhamento diário.

Os resultados obtidos revelaram uma trajetória de crescimento acentuado na demanda por validações. A análise dos dados de janeiro de 2022 a dezembro de 2023 permitiu o ajuste de uma reta de regressão linear para interpretar o esforço de testes ao longo do tempo. A equação resultante indicou que o número total de testes é igual a 366 multiplicado pelo número de meses, subtraindo-se 45. O coeficiente de determinação atingiu 0,9785, evidenciando uma forte correlação linear e a adequação do modelo para representar a tendência de crescimento. Com base nessa projeção, estimou-se que, em dezembro de 2025, correspondente ao quadragésimo oitavo mês da análise, a empresa atingiria um volume de 17.523 testes por versão. Esse cenário despertou um sinal de alerta quanto à sustentabilidade da alocação de recursos humanos, uma vez que a execução manual de tal volume seria inviável dentro dos prazos estabelecidos.

A investigação detalhada sobre a produtividade revelou que, em 2022, a média de testes realizados por colaborador por hora era de 20,3. Em 2023, esse valor subiu para 34,2 testes por hora, representando um incremento de 68% na produtividade individual. No entanto, esse aumento na carga de trabalho gera preocupações sobre a qualidade das validações, pois a pressão por produtividade pode comprometer o rigor necessário durante a execução dos casos de teste. A substituição temporária de colaboradores ou a entrada de novos integrantes na equipe também impacta as métricas, exigindo períodos significativos de adaptação e aprendizado. Sem a automação, a projeção para o ano de 2024 indicava que cada profissional precisaria executar, em média, 57,6 testes manuais por hora para atender à demanda, ritmo considerado humanamente impossível e tecnicamente insustentável.

A implementação efetiva da automação teve início em janeiro de 2024. Nos dois primeiros meses, o progresso foi gradual, com apenas 15 testes automatizados registrados até fevereiro, refletindo o período de adaptação e consolidação dos conhecimentos adquiridos no treinamento. A partir de março de 2024, houve um avanço significativo, com o volume de testes automatizados saltando para 512 e atingindo 9.516 em dezembro do mesmo ano. Em termos percentuais, a cobertura de automação evoluiu de 0,04% em janeiro de 2024 para 86,85% em agosto de 2025, quando o número de testes automatizados alcançou 14.659 de um total de 16.879. Essa transição permitiu que a equipe focasse em testes manuais apenas para casos intrinsecamente complexos ou não automatizáveis devido a restrições técnicas ou operacionais.

A análise comparativa entre o cenário manual e o automatizado demonstrou ganhos expressivos de eficiência. Com a automação, os testes passaram a ser executados em paralelo, utilizando processamento em múltiplas frentes, o que otimizou drasticamente o tempo de execução. Além disso, a programação de rotinas para o período noturno permitiu o aproveitamento do tempo ocioso dos recursos computacionais, liberando a equipe para atividades estratégicas durante o expediente. A Meta 1, estabelecida para o final de 2024, previa que cada colaborador executasse até 20 testes manuais por hora, com uma equipe de oito pessoas e um tempo total de 16 horas por versão. Os dados confirmaram que essa meta foi atingida, com uma média de 16 testes manuais por hora por colaborador ao final do período, garantindo um patamar sustentável de operação.

Para o ano de 2025, a Meta 2 projetou a manutenção da produtividade de até 20 testes manuais por hora, mas com uma redução da equipe para quatro colaboradores e um tempo máximo de execução de seis horas por versão. Em abril de 2025, observou-se uma redução na equipe para seis integrantes e, posteriormente, para cinco em maio, o que resultou em um aumento temporário na carga de trabalho individual, chegando a 44,5 testes por hora por colaborador em abril. No entanto, o avanço contínuo da automação permitiu que, em agosto de 2025, a equipe de cinco pessoas operasse com uma média de 27,8 testes manuais por hora, aproximando-se do objetivo final. A redução planejada da carga de trabalho manual é um reflexo direto da maturidade do processo de automação, que absorveu a maior parte das verificações repetitivas.

A discussão dos resultados aponta que a automação, quando integrada ao ciclo de vida do software, atua como um catalisador de qualidade. O teste de software deve ser entendido como um processo contínuo que busca verificar se o programa cumpre corretamente suas funções e identifica falhas potenciais (Sommerville, 2003). A transição do modelo manual para o automatizado na empresa estudada não apenas resolveu o problema do volume crescente de dados, mas também elevou a confiabilidade das entregas. A utilização de scripts com validadores automáticos e a geração de relatórios diários permitiram a identificação rápida de falhas e a realização de ajustes imediatos, promovendo a manutenção contínua do sistema. Estudos anteriores corroboram que a automação eleva a qualidade dos produtos e proporciona maior agilidade nos processos de desenvolvimento (Reitz; Da Rocha Fernandes, 2016).

Apesar dos sucessos alcançados, o estudo reconhece limitações, como a aplicação em um único ambiente corporativo, o que restringe a generalização imediata dos achados para outros setores. No entanto, os princípios aplicados e os resultados quantitativos oferecem uma base sólida para organizações que enfrentam desafios semelhantes de escalabilidade em testes de software. Recomenda-se que pesquisas futuras explorem a integração da automação com ferramentas de inteligência artificial para a geração autônoma de casos de teste e a análise preditiva de falhas, ampliando ainda mais a eficiência operacional. A sustentabilidade do processo de homologação depende da capacidade da organização em equilibrar o investimento em tecnologia com a capacitação contínua de seu capital humano, garantindo que a automação seja uma aliada estratégica e não apenas uma ferramenta técnica isolada.

Conclui-se que o objetivo foi atingido, uma vez que a implementação da automação de testes com Selenium, estruturada pela análise SWOT e pelo ciclo PDCA, permitiu à empresa gerenciar o crescimento expressivo da demanda por validações, que saltou de 351 para mais de 16000 testes projetados. A transição resultou em uma cobertura de automação de 86,85%, reduzindo a dependência de processos manuais exaustivos e elevando a produtividade individual de 20,3 para 34,2 testes por hora, com projeções de otimização ainda maiores para o ciclo de 2025. O projeto demonstrou que a automação é essencial para garantir a viabilidade técnica e financeira das entregas de software no setor financeiro, proporcionando maior agilidade, redução de retrabalho e assegurando a sustentabilidade do cronograma de homologação mensal sem comprometer a qualidade final do produto entregue aos usuários.

Referências Bibliográficas:

BLASCKE, F. F. M.; FARINA, R. M.; FLORIAN, F. Testes de software como garantia de qualidade e eficiência: estudo de caso com uso do selenium. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano, v. 8, p. 26–55, [s.d.]

CHEHAB, D. F. P. Estudo comparativo de ferramentas de automação de testes em ambiente web. 2023.

FERNANDES, G. S. Automação de testes com Selenium WebDriver aplicada no Sistema de distribuição de disciplinas. 2020.

GARCÍA, B.; KLOOS, C. D.; ALARIO-HOYOS, C.; MUNOZ-ORGANERO, M. Selenium-jupiter: A junit 5 extension for selenium webdriver. Journal of Systems and Software, v. 189, p. 111298, 2022.

OLIVEIRA, E. R. De. A importância dos testes de software: O que testar, como testar e o porquê testar. 2022.

PRESSMAN, Roger S.; MAXIM, Bruce R. Engenharia de software: uma abordagem profissional. 9. ed. Porto Alegre: AMGH, 2021.

REID, S. Software and systems engineering software testing part 1: Concepts and definitions. [s.l.] ISO/IEC/IEEE 29119-1, Tech. Rep, 2013.

REITZ, L. P.; DA ROCHA FERNANDES, A. M. Uma Comparação o entre Testes Manuais e Testes Automatizados para Garantia da Qualidade em Softwares para Dispositivos Móveis. Revista Eletrônica Argentina-Brasil de Tecnologias da Informação e da Comunicação, v. 1, n. 5, 2016.

SILVA, C. G. G. de M. Estudo comparativo de ferramentas de testes de ponta a ponta automatizados em sistemas web, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2019.

SOMMERVILLE, Ian. Engenharia de Software. 6. ed. Addison-Wesley/Pearson, 2003.

SPIRLANDELI, C.; FRANÇA ROLAND, C. E. de. A utilização de testes automatizados no desenvolvimento de software. Revista EduFatec, p. 1–24, 2019. Disponível em: <http://ric.cps.sp.gov.br/handle/123456789/4951>.

TRUZZI, P. H. M. Framework para automação de testes em aplicações web com Selenium WebDriver no desenvolvimento de software ágil, 2019.

Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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