Resumo Executivo

28 de abril de 2026

Análise Comparativa da Eficiência e Rentabilidade Bancária: Itaú, Bradesco e Santander (2021-2024)

Henrique Santos; Isabela Romanha De Alcantara

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Este estudo avalia comparativamente a eficiência operacional e a rentabilidade dos três maiores bancos privados do Brasil – Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil – de 2021 a 2024, correlacionando os resultados quantitativos com fatores estratégicos qualitativos. A análise identifica os padrões de desempenho, os determinantes da lucratividade e as estratégias de controle de custos que diferenciaram as instituições em um cenário de recuperação pós-pandemia, alta de juros e intensificação da digitalização. A investigação foca em como as decisões de gestão, a estrutura de capital, os investimentos em tecnologia e as políticas de controle de riscos se refletem nos indicadores de performance financeira.

O Sistema Financeiro Nacional (SFN) é um pilar da economia brasileira. Nas últimas décadas, o setor passou por transformações impulsionadas por avanços tecnológicos e mudanças regulatórias (Ferreira, 2019). A pandemia de COVID-19 acelerou a digitalização bancária, intensificando a competição com o ecossistema de fintechs. Apesar de uma gradual descentralização, o setor bancário brasileiro permanece concentrado, com os cinco maiores bancos detendo aproximadamente 82% dos ativos totais do sistema em 2023 (BCB, 2023).

Nesse contexto de alta competitividade, a eficiência bancária é um fator crítico para a sustentabilidade e a rentabilidade. A capacidade de gerenciar custos operacionais, otimizar o uso de ativos e inovar tecnologicamente são diferenciais estratégicos. Bancos ineficientes tendem a apresentar maior risco de insolvência, o que pode comprometer a estabilidade do sistema financeiro (Berger e Humphrey, 1997). Em economias emergentes como a do Brasil, a análise dos determinantes da eficiência é relevante para investidores, gestores e reguladores.

A pesquisa justifica-se por sua relevância prática e acadêmica. Para investidores e analistas, os resultados oferecem subsídios para a avaliação da rentabilidade e eficiência das maiores instituições privadas, auxiliando na tomada de decisões. Para gestores bancários, o estudo proporciona insights sobre estratégias de controle de custos, digitalização e gestão de risco. A análise do período de 2021 a 2024, que abrange diferentes ciclos econômicos, reforça a compreensão de como as decisões estratégicas impactam os resultados em cenários distintos.

Itaú Unibanco, Santander Brasil e Bradesco foram selecionados devido à sua representatividade no setor bancário privado, à transparência na divulgação de informações financeiras e à atuação em segmentos de mercado comuns. A escolha de instituições de capital aberto garante o acesso a dados padronizados e comparáveis. Foram excluídos bancos públicos, cujo controle estatal pode influenciar seus objetivos, e bancos puramente digitais, para manter o foco em modelos de governança corporativa mais tradicionais e consolidados, viabilizando uma comparação homogênea.

Este estudo adota uma abordagem metodológica quantitativa, com caráter descritivo e exploratório, fundamentada na análise de dados secundários (Gil, 2017). A estratégia metodológica é o estudo de múltiplos casos, que permite uma comparação rigorosa entre unidades de análise com contextos operacionais semelhantes, aumentando a validade externa dos achados (Yin, 2015).

A coleta de dados foi realizada a partir de fontes públicas e oficiais. Os dados quantitativos foram extraídos trimestralmente das Demonstrações Financeiras Padronizadas (DFP) e dos Formulários de Referência (FR), disponibilizados nos portais de Relação com Investidores (RI) de cada instituição e no sistema da B3. O recorte temporal, de 2021 a 2024, foi selecionado por abranger um período de significativa volatilidade econômica, incluindo a recuperação pós-pandemia e ciclos de alteração na política monetária, fatores que impactam o custo de captação, a inadimplência e a rentabilidade. A plena disponibilidade dos dados contábeis trimestrais para os três bancos foi confirmada.

Para a análise quantitativa, foram calculados indicadores de desempenho financeiro consagrados na literatura (Assaf Neto, 2012; Gitman, 2010). A rentabilidade foi mensurada pelo Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) e pelo Retorno sobre Ativos (ROA). A eficiência operacional foi avaliada pelo Índice de Eficiência Operacional (IEO), calculado como a razão entre as despesas operacionais e a receita líquida operacional. Todos os indicadores foram apurados trimestralmente para cada banco, totalizando 48 observações principais, analisadas por meio de estatísticas descritivas como média, desvio padrão e coeficiente de variação (CV), utilizando o software Microsoft Excel.

Complementarmente, foi conduzida uma análise qualitativa de documentos institucionais, como cartas da administração e relatórios da diretoria. Esta análise buscou identificar os fatores estratégicos e operacionais destacados pelas próprias instituições como relevantes para seu desempenho, incluindo digitalização, governança e política de crédito. A triangulação entre os dados quantitativos e as narrativas institucionais visa enriquecer a compreensão sobre os determinantes da eficiência bancária (Almeida & Costa, 2020).

A análise comparativa dos indicadores financeiros revelou dinâmicas distintas de desempenho entre 2021 e 2024, período marcado pela recuperação pós-pandemia, choque de juros, reorganização operacional devido à alta inadimplência e um novo ciclo de rentabilidade focado em eficiência. A interpretação dos dados fundamenta-se nas contribuições de Gitman (2010) sobre o ROE, Assaf Neto (2012) sobre o controle de custos, e na premissa de Berger e Humphrey (1997) de que a eficiência operacional influencia a estabilidade bancária.

O Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) evidenciou a liderança consistente do Itaú Unibanco, que manteve o indicador em patamares elevados, com média de 20,83% e baixo coeficiente de variação (4,99%). Essa consistência sugere um modelo robusto de gestão de riscos e diversificação de receitas. O Santander Brasil apresentou uma trajetória de recuperação, com ROE médio de 14,44% e maior volatilidade (CV de 19,46%), seguida por uma melhora em 2024, indicando que as medidas corretivas de crédito e custos surtiram efeito. O Bradesco exibiu a maior oscilação, com ROE médio de 17,99% e CV de 15,45%, sugerindo dificuldades em manter uma performance estável.

A análise do Retorno sobre Ativos (ROA) corroborou a superioridade operacional do Itaú Unibanco. Com um ROA médio de 2,23% e o menor coeficiente de variação (10,76%), o banco demonstrou maior capacidade de converter seus ativos em resultados. O Santander Brasil apresentou um ROA médio de 1,37%, indicando desafios na otimização de sua estrutura de ativos, embora a recuperação em 2024 aponte para esforços bem-sucedidos. O Bradesco registrou ROA médio de 1,82%, mas com maior variabilidade, o que, segundo Assaf Neto (2012), pode resultar de uma estrutura de custos que compromete a rentabilidade ou de uma carteira de ativos menos otimizada.

O Índice de Eficiência Operacional (IEO) revelou diferenças nas estratégias de controle de custos. O Itaú Unibanco apresentou um IEO médio de 41,24%, demonstrando forte disciplina na gestão de despesas, impulsionada por investimentos em tecnologia. O Santander Brasil registrou um IEO médio de 46,36%, refletindo esforços para otimizar sua estrutura, como a reestruturação da rede de agências. O Bradesco, com um IEO médio de 37,52% (influenciado por metodologias de cálculo que podem variar), enfrentou maiores desafios no controle de custos operacionais, o que pode ter impactado sua rentabilidade.

A análise qualitativa dos relatórios institucionais complementou os dados. O Itaú Unibanco enfatizou a digitalização, a escalabilidade operacional e a governança como pilares para a sustentabilidade dos resultados, com investimentos em inteligência artificial (Silva & Pereira, 2023). O Santander Brasil, em 2023 e 2024, focou na recuperação de margens e na eficiência, destacando reestruturações internas e a ampliação de canais digitais. O Bradesco demonstrou foco em segmentos como seguros e crédito consignado, mas seus relatórios também revelaram desafios na redução de despesas e maior exposição à inadimplência, enquanto relatava investimentos em cibersegurança e experiência do cliente.

Fatores como a gestão da inadimplência e a adaptação a regulações como o Open Finance foram cruciais. O período foi marcado por um aumento da inadimplência, e a capacidade de cada instituição em gerenciar esse risco foi um diferencial. O Itaú, com uma média de inadimplência (NPL 90 dias) de 2,73% e baixo CV (5,04%), mostrou maior controle. O Santander e o Bradesco registraram médias mais altas, 3,99% e 3,88% respectivamente, e maior volatilidade. A implementação do Open Finance intensificou a concorrência e exigiu adaptação rápida, favorecendo as instituições com maior maturidade digital (FEBRABAN, 2024).

A análise estatística descritiva consolidou as observações. O Itaú Unibanco destacou-se não apenas pelas melhores médias nos indicadores de rentabilidade (ROE e ROA), mas também pela menor variabilidade (menor CV), o que denota uma performance consistente. Em contrapartida, o Bradesco apresentou a maior oscilação em indicadores como inadimplência e IEO, sugerindo maior exposição a flutuações de mercado. O Santander posicionou-se de forma intermediária, com uma clara trajetória de melhoria na estabilidade de seus resultados. Essas evidências reforçam a hipótese de que a eficiência operacional, aliada a uma gestão de risco estável, está associada à rentabilidade bancária sustentável.

Os achados deste estudo corroboram a literatura ao evidenciar que instituições mais eficientes e com menor variabilidade de desempenho tendem a ser mais resilientes e lucrativas. A capacidade de adaptação a mudanças tecnológicas e econômicas provou ser um diferencial competitivo relevante no setor. A combinação da análise quantitativa dos indicadores com a interpretação qualitativa das estratégias permitiu uma compreensão robusta dos fatores que moldam o sucesso no cenário financeiro atual.

As análises realizadas permitiram uma compreensão aprofundada da performance comparativa dos três maiores bancos privados do Brasil. O Itaú Unibanco demonstrou uma liderança consistente, com performance superior em rentabilidade (ROE e ROA) e eficiência operacional (IEO), atribuída a uma gestão de riscos robusta, diversificação de receitas e investimentos em tecnologia. O Santander Brasil exibiu uma notável trajetória de recuperação, especialmente a partir de 2023, indicando que as medidas de otimização de custos e reavaliação de sua carteira de ativos foram eficazes. O Bradesco, por sua vez, enfrentou desafios mais significativos na sustentação de uma performance competitiva, com indicadores de rentabilidade e eficiência pressionados, apontando para a necessidade de estratégias de reestruturação e inovação.

Em síntese, o estudo reforça que a eficiência e a rentabilidade bancária no cenário atual estão intrinsecamente ligadas à capacidade de inovação tecnológica, à solidez da gestão de riscos e à disciplina no controle de despesas. As diferenças observadas entre as instituições ilustram como distintas abordagens estratégicas e operacionais impactam os resultados financeiros. Conclui-se que o objetivo foi atingido: demonstrou-se que a performance superior no setor bancário privado brasileiro, no período de 2021 a 2024, foi determinada pela combinação de uma gestão de risco consistente, investimentos contínuos em digitalização para controle de custos e a capacidade de manter a estabilidade da rentabilidade em diferentes ciclos econômicos.

Referências:
Almeida, J. P.; Costa, F. L. 2020. Governança Corporativa e Desempenho Financeiro em Bancos Brasileiros. Revista Brasileira de Finanças 18(3): 45-68.
Assaf Neto, A. 2012. Finanças Corporativas e Valor. 6ed. Atlas, São Paulo, SP, Brasil.
Banco Central do Brasil [BCB]. 2023. Relatório de Economia Bancária. Disponível em: . Acesso em: 06 jun. 2025.
Berger, A. N.; Humphrey, D. B. 1997. Efficiency of financial institutions: International survey and directions for future research. European Journal of Operational Research 98(2): 175–212.
Federação Brasileira de Bancos [FEBRABAN]. 2024. Relatório de Tecnologia Bancária. Disponível em: . Acesso em: 06 jun. 2025.
Ferreira, M. A. 2019. A Transformação Digital no Setor Bancário: Impactos na Eficiência e na Relação com o Cliente. Editora Atlas, São Paulo, SP, Brasil.
Gil, A. C. 2017. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. 6ed. Atlas, São Paulo, SP, Brasil.
Gitman, L. J. 2010. Princípios de Administração Financeira. 12ed. Pearson Prentice Hall, São Paulo, SP, Brasil.
Silva, R. S.; Pereira, J. F. 2023. Digitalização e eficiência bancária no Brasil. Revista de Administração Contemporânea 28(2): 55–72.
Yin, R. K. 2015. Case Study Research: Design and Methods. 5ed. Sage Publications, Thousand Oaks, CA, USA.

Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Negócios do MBA USP/Esalq

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