Artigo

30 de setembro de 2026

Viabilidade econômica e financeira para implantação de um estúdio de Pilates em Pirapora-MG

Viabilidade Econômica e Financeira para Implantação de um Estúdio de Pilates em Pirapora-mg

Dalyla Silva Lemos de Souza; Carlos Eduardo Pereira do Nascimento

DOI: 10.22167/2675-6528-202602804

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

Um estudo avaliou a viabilidade econômico-financeira para a implantação de um estúdio de Pilates no município de Pirapora, Minas Gerais. A pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso com abordagem quantitativa, fundamentado na projeção do fluxo de caixa para os cinco primeiros anos de operação do empreendimento. Consideraram-se o investimento inicial, os custos operacionais, as receitas estimadas, a tributação pelo Simples Nacional e indicadores clássicos de análise de investimentos, como Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR), Índice de Lucratividade (IL) e Payback Simples. O investimento inicial estimado foi de R$ 82.541,10. Os resultados indicaram VPL negativo de R$ 36.787,83, TIR de -1% e IL de 0,55, demonstrando inviabilidade econômica no cenário originalmente projetado. Adicionalmente, o Payback Simples não ocorreu no horizonte de análise de cinco anos, evidenciando a não recuperação do investimento em termos de valor presente. Contudo, a análise de sensibilidade revelou potencial de viabilização por meio de ajustes em variáveis operacionais estratégicas, notadamente no preço do serviço, no número de clientes atendidos e nas despesas operacionais. Concluiu-se que, embora o empreendimento não se mostrasse viável nas condições iniciais analisadas, modificações nesses parâmetros podem contribuir para a sua viabilização econômico-financeira.

Palavras-chave: Análise de Investimentos; Empreendedorismo; Fluxo de Caixa; Pilates; Viabilidade Econômica.

1. Introdução

O aumento da expectativa de vida, conforme apontado pela World Health Organization (WHO, 2015), e as mudanças na pirâmide etária brasileira, observadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2013), impulsionam uma crescente preocupação com a qualidade de vida e a saúde. Essa busca por bem-estar ao longo do tempo leva as pessoas a modificarem seus hábitos cotidianos (Rodrigues et al., 2022). Com o processo de envelhecimento, o corpo humano passa por diversas alterações, como a perda de equilíbrio (Santos et al., 2021), a redução da força (Pícoli et al., 2011) e a diminuição da velocidade de marcha e da resistência muscular. Quando essas alterações se associam ao sedentarismo, a funcionalidade e a independência dos indivíduos podem ser significativamente comprometidas (Azzolino et al., 2021).

Nesse contexto, a prática regular de atividade física em diferentes faixas etárias torna-se essencial para minimizar ou retardar tais alterações (Liposcki et al., 2016; Pillatt et al., 2019). Entre as modalidades disponíveis, o Pilates destaca-se como uma alternativa eficaz, promovendo condicionamento físico, fortalecimento muscular, melhora do equilíbrio, controle motor e bem-estar geral (Yu et al., 2023). Desenvolvido por Joseph H. Pilates na década de 1920, na Alemanha, o método baseia-se em movimentos controlados e contínuos que recrutam múltiplos grupos musculares de forma integrada (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas [Sebrae], 2026).

No Brasil, o Pilates foi introduzido na década de 1990 pela bailarina Alice Becker, inicialmente difundido entre bailarinos e artistas. Com o reconhecimento progressivo de seus benefícios, a prática expandiu-se para a população geral, sendo amplamente utilizada em diferentes contextos de saúde e condicionamento físico (Sebrae, 2026). Sua abordagem individualizada contribui para a promoção de um estilo de vida mais funcional e independente (Taşpınar et al., 2023). Nos últimos anos, observa-se um crescimento expressivo na popularidade do Pilates, com um aumento de 277,6% nos check-ins entre 2019 e 2024 (Wellhub, 2024).

Diante desse cenário de crescimento da prática do Pilates e de sua relevância na promoção da saúde, funcionalidade e qualidade de vida, estúdios especializados consolidam-se como parte do mercado de serviços voltados ao bem-estar (Global Wellness Institute [GWI], 2023; Wells et al., 2012). A ampliação da oferta de atividades físicas orientadas acompanha a valorização de práticas preventivas e de promoção da saúde, especialmente entre a população adulta e idosa (American College of Sports Medicine [ACSM], 2022; WHO, 2020). Nesse contexto, a cidade de Pirapora, localizada no norte do estado de Minas Gerais, apresenta uma população estimada em 55.606 habitantes em 2022, dos quais 35.603 (cerca de 64%) encontravam-se na faixa etária adulta, entre dezoito e sessenta e quatro anos (IBGE, 2022). Em relação à oferta de serviços de condicionamento físico, Pirapora conta com dezenove estabelecimentos, mas apenas sete oferecem Pilates de forma ativa (IBGE, 2025), indicando uma oportunidade de investimento em um cenário de baixa concorrência específica.

Entretanto, mesmo diante desse cenário aparentemente favorável, torna-se imprescindível realizar uma análise detalhada da viabilidade econômico-financeira para a implantação de um novo empreendimento. Estudos indicam que o sucesso de um negócio depende de um planejamento sólido, capaz de reduzir riscos e orientar decisões estratégicas (Dornelas, 2023). No Brasil, cerca de 38% das empresas encerram suas atividades em menos de cinco anos por falta de planejamento adequado (Sebrae, 2023), o que ressalta a importância de uma avaliação prévia e rigorosa.

A ausência de um estudo específico de viabilidade econômico-financeira para um estúdio de Pilates na região de Pirapora-MG representa uma lacuna prática e teórica, justificando a relevância desta pesquisa. Assim, o presente estudo tem como objetivo avaliar a viabilidade econômico-financeira da implantação de um estúdio de Pilates no município de Pirapora, Minas Gerais.

2. Material e Métodos

O presente estudo caracterizou-se como uma pesquisa de natureza aplicada, com abordagem quantitativa, e adotou o delineamento de estudo de caso, conforme as diretrizes metodológicas de Gil (2002) e Marconi e Lakatos (2017). O objetivo metodológico consistiu em identificar a viabilidade econômica e financeira para a implantação de um estúdio de Pilates no município de Pirapora, Minas Gerais.

Para tanto, realizou-se a projeção do fluxo de caixa do empreendimento para um horizonte de análise de cinco anos. Essa projeção contemplou o investimento inicial necessário, os custos operacionais, a depreciação de equipamentos, a estrutura tributária e as receitas estimadas. A seleção das variáveis e a estrutura da análise basearam-se em modelos clássicos de avaliação de viabilidade econômico-financeira, conforme a literatura especializada (Assaf Neto, 2014; Ross et al., 2015).

A coleta de dados foi realizada predominantemente por meio de fontes secundárias, seguindo as orientações de Gil (2002) e Marconi e Lakatos (2017). Consultaram-se bases de dados oficiais, documentos institucionais e referências de mercado. Entre as principais fontes, destacaram-se dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e da Receita Federal do Brasil.

Adicionalmente, foram consideradas legislações pertinentes à atividade e diretrizes de organismos internacionais, como a World Health Organization (WHO), especialmente no que se refere à promoção da saúde e à prática de atividade física. Os dados referentes aos custos de implantação, aquisição de equipamentos, mobiliário e materiais de consumo foram obtidos por meio de levantamento direto junto a empresas especializadas do setor, a partir de orçamentos atualizados de mercado.

A experiência prática da autora em estágios e atividades profissionais na área também subsidiou a estimativa de valores, buscando refletir a realidade operacional do empreendimento. Os valores levantados foram confrontados com dados secundários e parâmetros de referência disponibilizados por instituições de apoio ao empreendedorismo, como o Sebrae, e estudos de caso específicos, a exemplo de Oliveira (2018). Esse procedimento de triangulação de fontes visou aumentar a consistência e a confiabilidade das estimativas.

O investimento inicial necessário para a abertura do estúdio de Pilates foi levantado, abrangendo reformas, adequações do espaço, aquisição de equipamentos, mobiliário e outros itens indispensáveis. Os recursos financeiros, totalizando R$ 82.541,10, foram provenientes de capital próprio, distribuídos entre ativos imobilizados e capital de giro.

O capital de giro foi estimado em R$ 21.471,21, correspondente a três meses das despesas operacionais mensais, premissa adotada para financiar o ciclo operacional inicial do empreendimento (Assaf Neto, 2014; Gitman, 1997). As despesas com reformas e adequações do espaço foram classificadas como gastos iniciais não depreciáveis, em conformidade com a Lei nº 8.245/1991 (Brasil, 1991) e os critérios contábeis do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC, 2009).

As condições operacionais do estúdio foram definidas com base em pesquisa de mercado local. As mensalidades foram estimadas entre R$ 170,00 e R$ 200,00 para planos com pelo menos duas sessões semanais. Estabeleceram-se dois pacotes principais: um plano padrão (duas sessões semanais) no valor de R$ 190,00 e um plano intensivo (três sessões semanais) no valor de R$ 280,00.

O funcionamento do estúdio foi projetado de segunda a sexta-feira, nos horários das 8h às 12h e das 14h às 18h, com sessões de 50 minutos e intervalos de dez minutos para higienização. Adotou-se um mix de planos para projeção financeira, com 70% dos clientes no plano padrão e 30% no plano intensivo, premissa baseada na oferta local e experiência da autora (Dutra, 2011; Mello, 2021).

A estimativa do número mínimo de pacientes foi realizada por meio da análise Custo-Volume-Lucro (CVL), utilizando a margem de contribuição média ponderada. O ponto de equilíbrio financeiro mensal foi determinado pela razão entre os custos fixos e a margem de contribuição média, conforme a contabilidade gerencial (Assaf Neto, 2014; Gitman, 1997).

A capacidade operacional máxima do estúdio considerou até oito sessões diárias e turmas reduzidas de até quatro alunos por sessão, totalizando 160 presenças semanais. Com uma frequência média ponderada de 2,3 sessões semanais por paciente, a capacidade máxima correspondeu a aproximadamente 69 pacientes ativos.

As premissas para as projeções financeiras incluíram um crescimento de 5% ao ano no número de alunos durante os cinco primeiros anos de operação, uma taxa conservadora fundamentada na literatura de empreendedorismo (Dornelas, 2023; Hisrich et al., 2014). Os custos operacionais foram projetados com base na variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo IBGE (2026), que apresentou inflação acumulada de 3,81% no período de referência.

As receitas foram projetadas considerando a atualização monetária dos preços pela inflação e o crescimento real do negócio. O empreendimento foi enquadrado no Simples Nacional (Brasil, 2006) como microempresa, com tributação pelo Anexo III da Lei Complementar nº 155 (Brasil, 2016), aplicando-se uma alíquota inicial de 6%, devido à relação entre folha de salários e receita bruta (fator R) superior a 28%.

A estrutura do fluxo de caixa considerou fluxos operacionais, de investimento e de financiamento, conforme a metodologia de Ross et al. (2015). A análise de viabilidade econômica foi conduzida pela determinação de indicadores financeiros clássicos: Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR), Índice de Lucratividade (IL) e Payback Simples (Ross et al., 2015).

Para o cálculo desses indicadores, a Taxa Mínima de Atratividade (TMA) foi definida em 14,13%, composta pela taxa Selic vigente em fevereiro de 2026 (12,13%, Banco Central do Brasil, 2026) acrescida de um prêmio de risco de 2%, conforme proposto por Camargos (2017).

Realizou-se uma análise de sensibilidade para avaliar o impacto de variações em fatores críticos do projeto sobre o resultado final (Carvalho et al., 2014). Os parâmetros alterados foram as despesas operacionais totais, a quantidade de clientes, o ticket médio, a taxa de atratividade e o valor do investimento, com variações individuais de ±20%.

Para cada cenário, o VPL foi recalculado, permitindo identificar as variáveis de maior influência sobre a viabilidade econômica. Uma segunda análise de sensibilidade foi realizada para determinar o ajuste mínimo necessário em cada variável para que o empreendimento atingisse o equilíbrio econômico (VPL = 0), fundamentando a tomada de decisão (Janoselli; Furlan, 2016; Gitman, 1997; Oliveira, 2018).

3. Resultados e Discussão

A análise da viabilidade econômico-financeira para a implantação de um estúdio de Pilates em Pirapora-MG iniciou-se com a projeção detalhada dos investimentos necessários. O investimento inicial total estimado para o empreendimento foi de R$ 82.541,10, abrangendo tanto os ativos imobilizados quanto o capital de giro. Desse montante, R$ 61.069,89 foram alocados para ativos, enquanto R$ 21.471,21 foram destinados ao capital de giro, calculado para cobrir três meses de despesas operacionais mensais. Essa abordagem visa garantir a liquidez e a continuidade das operações durante a fase inicial, conforme preconizado por Assaf Neto (2014) e Gitman (1997).

Os investimentos em reformas e adequações do espaço, que totalizaram R$ 23.000,00 (R$ 6.000,00 para mão de obra, R$ 14.000,00 para materiais/serviços e R$ 3.000,00 para licenciamentos), foram classificados como gastos iniciais não depreciáveis. Essa classificação conservadora se justifica pela natureza das benfeitorias em imóvel alugado, que não garantem reaproveitamento ou indenização ao término do contrato, em consonância com a Lei nº 8.245/1991 (Brasil, 1991) e os critérios contábeis do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC, 2009). Os equipamentos e a estrutura organizacional, por sua vez, foram submetidos a cálculo de depreciação anual com base nas taxas da Receita Federal (Brasil, 1998).

Entre os equipamentos essenciais para o estúdio, destacam-se um kit de estúdio de Pilates no valor de R$ 26.714,00, seis bolas pequenas (R$ 148,92 cada), seis bolas grandes (R$ 654,00 cada), dois kits de faixas elásticas (R$ 43,28 cada), seis magic circles (R$ 239,94 cada), dois kits de mini-bands (R$ 101,98 cada), dois kits de suporte para bola suíça (R$ 113,80 cada), seis colchonetes (R$ 123,72 cada), seis flex rings (R$ 546,00 cada) e um espaldar (R$ 736,00). A vida útil estimada para esses itens foi de dez anos, com depreciação anual correspondente, totalizando R$ 4.822,54 em depreciação de equipamentos.

A estrutura e organização do espaço também demandaram investimentos significativos, incluindo três espelhos (R$ 2.160,00 cada), um ar-condicionado (R$ 3.890,00), uma estante organizadora (R$ 320,87), cinco cadeiras (R$ 1.005,22 cada), uma mesa de escritório (R$ 596,30) e um bebedouro (R$ 675,86). Esses itens, com vida útil também de dez anos, geraram uma depreciação anual total de R$ 864,81. É importante ressaltar que os valores de depreciação, embora relevantes para a análise contábil, não representam desembolso financeiro no momento da implantação e, portanto, não foram incorporados ao total do investimento inicial para fins de fluxo de caixa.

Os custos operacionais para o funcionamento do estúdio foram detalhadamente projetados. O Custo Operacional Efetivo (COE) mensal foi de R$ 7.157,07, enquanto o Custo Operacional Total (COT) anual, que inclui despesas não recorrentes como anuidade do conselho profissional e alvará, atingiu R$ 87.061,84. Os custos fixos mensais incluem R$ 198,44 para material de limpeza e higiene, R$ 191,97 para materiais descartáveis, R$ 2.950,00 para aluguel, R$ 600,00 para energia elétrica e água, R$ 150,00 para internet e telefone, R$ 66,66 para sistema de agendamento/gestão e R$ 3.000,00 para pró-labore. As despesas com anuidade do conselho (R$ 577,00) e alvará (R$ 600,00) são anuais.

A projeção de receitas foi baseada em um mix de planos de serviços, com 70% dos clientes optando pelo plano padrão (duas sessões semanais por R$ 190,00) e 30% pelo plano intensivo (três sessões semanais por R$ 280,00). Essa distribuição foi estabelecida a partir da experiência da autora e da pesquisa de mercado local, considerando a influência de fatores como preço e valor percebido na escolha dos consumidores (Dutra, 2011; Mello, 2021). O ponto de equilíbrio financeiro mensal foi estimado em 36 clientes, resultando em uma receita mensal projetada de R$ 7.830,00, ligeiramente superior aos custos operacionais mensais.

A capacidade operacional máxima do estúdio foi calculada considerando o funcionamento de segunda a sexta-feira, com até oito sessões diárias e turmas reduzidas de até quatro alunos por sessão, totalizando 160 presenças semanais. Com o mix de planos projetado, a frequência média semanal por paciente foi de 2,3 sessões. Assim, a capacidade máxima correspondeu a aproximadamente 69 pacientes ativos. O ponto de equilíbrio de 36 clientes representa uma utilização de 52,2% da capacidade instalada, deixando uma margem de 47,8% para expansão, o que é consistente com a premissa de crescimento gradual em novos negócios (Dornelas, 2023; Hisrich et al., 2014).

O fluxo de caixa projetado para os cinco primeiros anos demonstrou um crescimento progressivo da receita, partindo de R$ 93.960,00 no primeiro ano e alcançando R$ 132.146,15 no quinto ano, impulsionado pela taxa de crescimento anual de 5% no número de alunos e pela atualização monetária dos preços pela inflação (IPCA de 3,81% ao ano). Após a dedução dos tributos do Simples Nacional (6%), a receita líquida evoluiu de R$ 88.322,40 para R$ 124.217,38. Os custos operacionais totais também cresceram, de R$ 87.061,84 para R$ 101.107,79, acompanhando a inflação projetada, o que limitou a expansão das margens de lucro.

Como resultado, o lucro líquido anual cresceu de R$ 1.260,56 no primeiro ano para R$ 23.109,60 no quinto ano. Apesar desse crescimento gradual, o empreendimento apresentou baixa geração de resultado nos anos iniciais. A recuperação do capital de giro no quinto ano elevou o fluxo final desse período para R$ 44.580,81. Contudo, o valor presente dos fluxos futuros, de R$ 45.753,27, mostrou-se inferior ao investimento inicial de R$ 82.541,10, indicando uma inviabilidade econômica nas condições projetadas, conforme a análise de Assaf Neto (2014).

Os indicadores de viabilidade econômica e financeira confirmaram a inviabilidade do projeto no cenário original. O Valor Presente Líquido (VPL) foi negativo em R$ 36.787,83, o que significa que o projeto não geraria valor suficiente para remunerar o capital investido à Taxa Mínima de Atratividade (TMA) de 14,13%. A Taxa Interna de Retorno (TIR) foi de -1%, permanecendo significativamente abaixo da TMA, caracterizando inviabilidade financeira, pois o retorno esperado é inferior ao custo de oportunidade do capital (Ross et al., 2015).

O Índice de Lucratividade (IL) foi de 0,55, indicando que, para cada R$ 1,00 investido, o projeto retornaria apenas R$ 0,55 em valor presente. Um IL inferior a 1 classifica o empreendimento como economicamente inviável (Assaf Neto, 2014). Adicionalmente, o Payback Simples e o Payback Descontado não ocorreram dentro do horizonte de análise de cinco anos, demonstrando que o investimento inicial não seria recuperado no período considerado, mesmo ao considerar o valor do dinheiro no tempo (Ross et al., 2015). Esses indicadores, em conjunto, reforçam a inviabilidade econômico-financeira do projeto nas condições iniciais analisadas.

Diante da inviabilidade constatada, realizou-se uma análise de sensibilidade para identificar as variáveis econômicas mais críticas. Foram simuladas variações de ±20% nas despesas operacionais totais, no número de clientes, no ticket médio e no investimento inicial (CAPEX), mantendo as demais premissas constantes. Essa metodologia permitiu avaliar o impacto dessas variações sobre o VPL e identificar os pontos de maior influência na viabilidade do empreendimento, conforme a abordagem de Carvalho et al. (2014) e Janoselli e Furlan (2016).

A análise de sensibilidade revelou que o empreendimento é mais sensível às variáveis relacionadas à geração de receita e ao controle de custos. Variações de ±20% no número de clientes e no ticket médio produziram a maior amplitude no VPL, de R$ 141.225,24. As despesas operacionais totais também demonstraram alta sensibilidade, com uma amplitude de R$ 127.359,18 no VPL. Em contraste, o investimento inicial apresentou menor influência, com uma amplitude de R$ 28.581,20 no VPL, evidenciando que a viabilidade do negócio depende mais da capacidade de gerar receita e controlar custos do que da redução do investimento inicial.

Para atingir o equilíbrio econômico (VPL = 0), a análise de sensibilidade indicou que o preço médio mensal por aluno precisaria ser elevado para R$ 240,16. Alternativamente, o número mínimo de clientes deveria ser ampliado para 40 alunos, ou as despesas operacionais anuais deveriam ser reduzidas para R$ 77.002,68. Esses resultados reforçam a importância de estratégias focadas no aumento da demanda, na revisão da política de preços e na otimização dos custos operacionais para melhorar a viabilidade financeira, em linha com observações de Oliveira (2018).

A redução do investimento inicial, embora menos impactante, também poderia contribuir para a viabilização, exigindo uma diminuição de 44,6% para atingir o equilíbrio econômico. Esses achados sugerem que a sustentabilidade financeira do estúdio está diretamente condicionada a um planejamento rigoroso da ocupação, à definição de uma estratégia de precificação adequada e ao controle contínuo dos custos operacionais. A viabilidade pode ser alcançada por meio de ajustes estruturados nessas variáveis, seja de forma isolada ou combinada, o que ressalta a importância da análise de viabilidade econômico-financeira como ferramenta essencial para a tomada de decisão.

4. Conclusão

O presente estudo avaliou a viabilidade econômico-financeira para a implantação de um estúdio de Pilates no município de Pirapora, Minas Gerais. Verificou-se que, no cenário originalmente projetado, o empreendimento apresentou inviabilidade econômica e financeira. Os indicadores financeiros revelaram um Valor Presente Líquido (VPL) negativo de R$ 36.787,83, uma Taxa Interna de Retorno (TIR) de -1% e um Índice de Lucratividade (IL) de 0,55. Adicionalmente, o Payback Simples não ocorreu no horizonte de análise de cinco anos, evidenciando a não recuperação do investimento inicial em termos de valor presente. Esses resultados indicaram que o projeto não geraria valor suficiente para remunerar o capital investido à Taxa Mínima de Atratividade (TMA) estabelecida.

Contudo, a análise de sensibilidade revelou um potencial de viabilização do empreendimento mediante ajustes em variáveis operacionais estratégicas. Observou-se que o preço do serviço, o número de clientes atendidos e as despesas operacionais foram os fatores de maior impacto na sustentabilidade do negócio, exigindo modificações para que o VPL atingisse o equilíbrio. A sustentabilidade financeira do estúdio está, portanto, diretamente condicionada a um planejamento rigoroso da ocupação, à definição de uma estratégia de precificação adequada e ao controle contínuo dos custos operacionais. Este estudo contribui ao oferecer uma análise aplicada ao contexto local, podendo subsidiar decisões de profissionais interessados na implantação de empreendimentos semelhantes em Pirapora-MG. Como limitações, reconhece-se que as projeções de receitas, custos e demanda podem não refletir a realidade futura, e o caráter de estudo de caso específico para Pirapora restringe a generalização dos resultados para outros contextos. Sugere-se que futuras pesquisas explorem diferentes cenários operacionais e estratégias de otimização do modelo de negócio.

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Negócios do MBA USP/Esalq

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13 de outubro de 2026

Preditores de óbitos em idosos com síndrome respiratória aguda grave confirmados por Influenza A(H1N1)pdm09

A infecção pelo vírus influenza A(H1N1)pdm09 pode evoluir para Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com maior risco de óbitos em idosos. O objetivo foi analisar fatores preditores de óbito em casos de SRAG confirmados para influenza A(H1N1)pdm09, entre idosos com 60 anos ou mais, considerando fatores individuais e contextuais das Regiões Administrativas (RA) do Estado de São Paulo (ESP), e comparar o desempenho de modelos de regressão. Realizou-se um estudo descritivo e analítico no ESP, de 2023 a 2024, utilizando dados do SIVEP-Gripe e da Fundação SEADE. Incluíram-se 714 casos confirmados por RT-PCR de influenza A(H1N1)pdm09 em residentes do ESP com 60 anos ou mais. Analisaram-se variáveis sociodemográficas, clínicas, de internação, tratamento, vacinação e local de residência. Empregou-se regressão logística binária e hierárquica logística, com o desfecho de evolução para óbito. Dos 714 casos, 202 resultaram em óbito. O modelo final de regressão logística binária associou maior chance de óbito ao sexo masculino, idade avançada, saturação de oxigênio inferior a 95%, internação em UTI e uso de suporte ventilatório invasivo. A presença de tosse e o uso de antiviral foram associados a menor chance de óbito. O modelo hierárquico logístico apresentou desempenho semelhante, com pequena contribuição contextual residual das RA. Concluiu-se que o modelo de regressão logística binária foi suficiente e mais simples para representar os dados, sendo adotado como modelo final.

Palavras-chave: Influenza A(H1N1)pdm09; Modelagem hierárquica logística; Óbito por Influenza A(H1N1)pdm09; Regressão logística; Síndrome Respiratória Aguda Grave.

13 de outubro de 2026

Uma visão geral comparativa das frotas de veículos elétricos no Brasil e na União Europeia

O transporte rodoviário contribui para aproximadamente 20% das emissões globais de CO2, impulsionando a busca por soluções de mobilidade mais limpas, como veículos elétricos. O objetivo deste estudo foi comparar os mercados de veículos elétricos no Brasil e na União Europeia, contrastando suas políticas, adoção por consumidores e desenvolvimento de infraestrutura. Empregou-se um desenho de pesquisa descritiva comparativa, analisando dados quantitativos da Associação Brasileira do Veículo Elétrico, Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, European Alternative Fuels Observatory e European Environment Agency para o período de 2015 a 2024, complementados por análise qualitativa de documentos de política. Os resultados revelaram uma divergência estrutural fundamental: o Brasil apresentou crescimento exponencial de 80,7% ao ano (2022-2025), com híbridos compreendendo aproximadamente 66% das vendas e impulsionado por incentivos fiscais que alavancam a bioeconomia do etanol. A União Europeia, por sua vez, mostrou expansão em fase de consolidação a uma taxa anual de 8,35% (2008-2025), com veículos elétricos a bateria superando 40% dos novos registros, impulsionados por mandatos regulatórios vinculativos. A análise de densidade de infraestrutura indicou que a rede pública de carregamento da União Europeia (55,3 pontos por mil veículos de combustível alternativo) era o dobro da brasileira (27,9 pontos por mil veículos eletrificados). A quantificação ambiental confirmou que a matriz energética predominantemente renovável do Brasil (64 gCO2/kWh) resultou em emissões well-to-wheel substancialmente menores em comparação com a matriz da União Europeia (246 gCO2/kWh). Concluiu-se que o modelo brasileiro, com incentivos fiscais neutros em tecnologia e aproveitamento da infraestrutura de biocombustíveis, pode acelerar a adoção de híbridos em economias emergentes com baixo gasto público. Para mercados maduros, o modelo da União Europeia, com mandatos regulatórios, estabeleceu um mercado dominante de veículos elétricos a bateria, embora com custo fiscal mais elevado.

Palavras-chave: Energia renovável; Mercado; Qualitativo; Quantitativo.

13 de outubro de 2026

População e Imigração no Japão: Projeções com Séries Temporais e Análise Causal Demográfica até 2044

O envelhecimento populacional e a baixa taxa de fecundidade configuram desafios demográficos complexos no Japão, acompanhados pela expansão da imigração estrangeira como resposta às restrições de oferta de mão de obra. O estudo teve como objetivo analisar as tendências demográficas japonesas e projetar sua evolução até 2044, com ênfase nas relações entre declínio populacional, fecundidade e imigração. Aplicaram-se os modelos de séries temporais ARIMA e Prophet a dados históricos do Banco Mundial, do Instituto Nacional de Pesquisa Populacional e Segurança Social do Japão e da Agência de Serviços de Imigração do Japão, abrangendo o período de 2003 a 2023 para a série populacional e de 2014 a 2024 para a série imigratória. A análise incluiu estatísticas descritivas, correlação de Pearson, teste de estacionariedade de Dickey-Fuller aumentado e testes de causalidade de Granger, além da avaliação preditiva por meio das métricas MAE e MAPE. Os resultados evidenciaram a continuidade da redução populacional e o crescimento do contingente de imigrantes nas projeções até 2044. O Prophet apresentou menores valores de MAE e MAPE nos conjuntos de teste, embora a curta extensão da série imigratória limitasse a capacidade de generalização. Os testes de causalidade temporal não identificaram evidências estatisticamente significativas de precedência entre população e imigração. Concluiu-se que a imigração pode contribuir para mitigar restrições de oferta de mão de obra, mas não constitui, isoladamente, mecanismo suficiente para reverter o declínio populacional japonês.

Palavras-chave: Declínio populacional; Demografia; Fertilidade; Fluxos migratórios; Séries temporais.

13 de outubro de 2026

Marketing digital e engajamento no youTube: estratégias para canais de crimes reais no Brasil

O fenômeno dos crimes reais consolidou-se como um nicho de crescimento no YouTube brasileiro, impulsionado pela expansão das mídias digitais e pelo fascínio do público. Contudo, muitos criadores enfrentaram dificuldades para alcançar crescimento sustentável. Analisou-se como as estratégias de marketing digital influenciaram o crescimento, o engajamento e a monetização de canais brasileiros de crimes reais na plataforma YouTube. Adotou-se pesquisa de abordagem mista, qualitativa e quantitativa, de natureza exploratória e descritiva. Analisaram-se quatro canais brasileiros do nicho por meio de análise documental de conteúdos, coleta de métricas públicas via Social Blade e Noxinfluencer, e aplicação de questionários a quatro criadores e a 104 espectadores. Os resultados evidenciaram que os canais de maior desempenho adotaram estratégias distintas, como abordagem narrativa linear e contextualizada, comunicação emocional personalizada, postura técnico-informativa ou conteúdo opinativo provocativo. Verificou-se convergência entre criadores e audiência sobre a centralidade do storytelling para retenção, com a maioria dos espectadores afirmando que a forma como a história era contada determinava a continuidade da visualização. Os criadores indicaram o tempo médio de retenção como métrica mais preditiva para crescimento sustentável, embora 100% dependessem exclusivamente do AdSense para monetização, revelando vulnerabilidade financeira. Concluiu-se que o sucesso no nicho depende da integração entre marketing digital, identidade narrativa consistente e responsabilidade ética.

Palavras-chave: creator economy; engajamento digital; marketing de conteúdo; storytelling; true crime.

13 de outubro de 2026

Utilização de técnicas de Machine Learning Não Supervisionado para planejamento de trabalho de revisão de remunerações para aposentadoria

O dimensionamento de pessoal e a gestão de fluxos de aposentadoria em órgãos públicos federais configuraram desafios estratégicos complexos. O estudo teve como objetivo aplicar técnicas de Machine Learning não supervisionado, especificamente Agrupamento (K-means) e Análise de Correspondência Múltipla (ACM), para aprimorar o planejamento de revisões funcionais em uma autarquia federal brasileira. A metodologia consistiu no processamento de uma base validada de 487 servidores ativos. Inicialmente, variáveis quantitativas, como idade, tempo de contribuição e remuneração, foram submetidas ao algoritmo K-means, resultando na formação de cinco clusters, apoiada no Método do Cotovelo e Coeficiente de Silhueta. Subsequentemente, os grupos foram integrados a variáveis qualitativas via ACM, projetadas em um mapa perceptual que explicou 74,81% da inércia dos dados. Os resultados revelaram que os clusters 0 e 3 representaram os perfis de maior criticidade previdenciária, concentrando todos os beneficiários de abono de permanência e a maioria dos cargos extintos. A pesquisa gerou um Plano de Ação escalonado, priorizando os 75 servidores desses clusters que integralizaram os requisitos de aposentadoria até 2025, com diretriz similar para 2026. Em contrapartida, o cluster 2 apresentou menor risco, com inatividade prevista apenas a partir de 2031. O modelo mostrou-se amplamente favorável como ferramenta de auditoria e saneamento, embora sua plena eficácia dependa de uma governança de dados mais rigorosa no serviço público.

Palavras-chave: Agrupamento; Análise de Correspondência Múltipla (ACM); Aposentadoria; Clusterização.

13 de outubro de 2026

Gestão de vendas para o desempenho de uma empresa do setor imobiliário

A gestão de vendas desempenha um papel estratégico no desempenho organizacional, especialmente em setores de desenvolvimento imobiliário, caracterizados por complexidade comercial. Este estudo teve como objetivo analisar a contribuição das práticas de gestão de vendas para o desempenho comercial e organizacional de uma empresa do setor imobiliário, considerando seu modelo de atuação e estrutura comercial. A pesquisa caracterizou-se como exploratória, com abordagem qualitativa e quantitativa, adotando um estudo de caso único. Coletaram-se dados por meio de triangulação, utilizando pesquisa documental e questionário estruturado aplicado à equipe de vendas terceirizada. Os resultados indicaram que a empresa estruturou suas práticas de gestão comercial com metas mensais e anuais, campanhas de marketing e sistemas de incentivos. O desempenho foi acompanhado por indicadores quantitativos, como volume de vendas e percentual de atingimento de metas. No período analisado, realizaram-se 179 vendas, correspondendo a 74,6% da meta anual estabelecida. Observaram-se oportunidades de aprimoramento no alinhamento entre planejamento comercial, acompanhamento de resultados e efetividade das estratégias. A percepção dos corretores apontou limitações nos sistemas de incentivo, como a ausência de progressividade nas comissões e a duração das premiações. Concluiu-se que, embora a gestão de vendas influencie o desempenho organizacional, existem fragilidades no alinhamento entre esforço, recompensa e motivação da força de vendas. Recomendaram-se o fortalecimento do acompanhamento sistemático, a melhoria da comunicação, a definição de metas mais realistas e a implementação de incentivos progressivos para potencializar os resultados comerciais.

Palavras-chave: Estratégias de vendas; Força de vendas; Gestão comercial; Indicadores de desempenho; Setor imobiliário.

13 de outubro de 2026

Delineo: Adaptação de modelo de difusão para prototipagem de interface de usuário guiada por esboço

A evolução da inteligência artificial e das redes neurais profundas revolucionou as interações humano-máquina. Modelos generativos, embora promissores para a síntese de imagens, enfrentam desafios na prototipagem de interfaces de usuário (UI) ao falhar em respeitar a estrutura espacial. Para solucionar essa divergência, propôs-se uma abordagem de difusão latente condicionada, integrando uma arquitetura de controle a um modelo de larga escala ajustado para interfaces móveis, que suportou esboços de UI para guiar a inferência de imagens. A base de dados de treinamento foi composta por aproximadamente 12.400 imagens de UI e esboços de fontes públicas, pré-processadas e enriquecidas com dados sintéticos e instruções textuais. A abordagem utilizou um modelo Stable Diffusion 3.5 Large como base, adaptado com ControlNet canny edges e um adaptador LoRA. A viabilidade da abordagem foi validada por avaliação quantitativa, empregando uma métrica de similaridade semântica normalizada (SSN) baseada em Sentence-BERT, e por análise qualitativa com 20 especialistas da indústria. Os resultados confirmaram que o método superou as capacidades do modelo original. Contudo, a avaliação evidenciou que a eficácia na estruturação lógica da interface ainda enfrentava degradação estética e perda de elementos funcionais. Concluiu-se que, embora a tecnologia comprove sua viabilidade técnica para otimizar a transição entre requisitos e a implementação de código, a automatização de processos criativos demanda aprimoramentos arquiteturais para atingir o rigor visual exigido pela indústria de desenvolvimento de software.

Palavras-chave: Adaptação de baixo posto; Aprendizado de máquina; Difusão latente condicionada; Redes neurais profundas.

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