Artigo

30 de setembro de 2026

Viabilidade econômica e financeira para implantação de um estúdio de Pilates em Pirapora-MG

Viabilidade Econômica e Financeira para Implantação de um Estúdio de Pilates em Pirapora-mg

Dalyla Silva Lemos de Souza; Carlos Eduardo Pereira do Nascimento

DOI: 10.22167/2675-6528-202602804

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

Um estudo avaliou a viabilidade econômico-financeira para a implantação de um estúdio de Pilates no município de Pirapora, Minas Gerais. A pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso com abordagem quantitativa, fundamentado na projeção do fluxo de caixa para os cinco primeiros anos de operação do empreendimento. Consideraram-se o investimento inicial, os custos operacionais, as receitas estimadas, a tributação pelo Simples Nacional e indicadores clássicos de análise de investimentos, como Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR), Índice de Lucratividade (IL) e Payback Simples. O investimento inicial estimado foi de R$ 82.541,10. Os resultados indicaram VPL negativo de R$ 36.787,83, TIR de -1% e IL de 0,55, demonstrando inviabilidade econômica no cenário originalmente projetado. Adicionalmente, o Payback Simples não ocorreu no horizonte de análise de cinco anos, evidenciando a não recuperação do investimento em termos de valor presente. Contudo, a análise de sensibilidade revelou potencial de viabilização por meio de ajustes em variáveis operacionais estratégicas, notadamente no preço do serviço, no número de clientes atendidos e nas despesas operacionais. Concluiu-se que, embora o empreendimento não se mostrasse viável nas condições iniciais analisadas, modificações nesses parâmetros podem contribuir para a sua viabilização econômico-financeira.

Palavras-chave: Análise de Investimentos; Empreendedorismo; Fluxo de Caixa; Pilates; Viabilidade Econômica.

1. Introdução

O aumento da expectativa de vida, conforme apontado pela World Health Organization (WHO, 2015), e as mudanças na pirâmide etária brasileira, observadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2013), impulsionam uma crescente preocupação com a qualidade de vida e a saúde. Essa busca por bem-estar ao longo do tempo leva as pessoas a modificarem seus hábitos cotidianos (Rodrigues et al., 2022). Com o processo de envelhecimento, o corpo humano passa por diversas alterações, como a perda de equilíbrio (Santos et al., 2021), a redução da força (Pícoli et al., 2011) e a diminuição da velocidade de marcha e da resistência muscular. Quando essas alterações se associam ao sedentarismo, a funcionalidade e a independência dos indivíduos podem ser significativamente comprometidas (Azzolino et al., 2021).

Nesse contexto, a prática regular de atividade física em diferentes faixas etárias torna-se essencial para minimizar ou retardar tais alterações (Liposcki et al., 2016; Pillatt et al., 2019). Entre as modalidades disponíveis, o Pilates destaca-se como uma alternativa eficaz, promovendo condicionamento físico, fortalecimento muscular, melhora do equilíbrio, controle motor e bem-estar geral (Yu et al., 2023). Desenvolvido por Joseph H. Pilates na década de 1920, na Alemanha, o método baseia-se em movimentos controlados e contínuos que recrutam múltiplos grupos musculares de forma integrada (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas [Sebrae], 2026).

No Brasil, o Pilates foi introduzido na década de 1990 pela bailarina Alice Becker, inicialmente difundido entre bailarinos e artistas. Com o reconhecimento progressivo de seus benefícios, a prática expandiu-se para a população geral, sendo amplamente utilizada em diferentes contextos de saúde e condicionamento físico (Sebrae, 2026). Sua abordagem individualizada contribui para a promoção de um estilo de vida mais funcional e independente (Taşpınar et al., 2023). Nos últimos anos, observa-se um crescimento expressivo na popularidade do Pilates, com um aumento de 277,6% nos check-ins entre 2019 e 2024 (Wellhub, 2024).

Diante desse cenário de crescimento da prática do Pilates e de sua relevância na promoção da saúde, funcionalidade e qualidade de vida, estúdios especializados consolidam-se como parte do mercado de serviços voltados ao bem-estar (Global Wellness Institute [GWI], 2023; Wells et al., 2012). A ampliação da oferta de atividades físicas orientadas acompanha a valorização de práticas preventivas e de promoção da saúde, especialmente entre a população adulta e idosa (American College of Sports Medicine [ACSM], 2022; WHO, 2020). Nesse contexto, a cidade de Pirapora, localizada no norte do estado de Minas Gerais, apresenta uma população estimada em 55.606 habitantes em 2022, dos quais 35.603 (cerca de 64%) encontravam-se na faixa etária adulta, entre dezoito e sessenta e quatro anos (IBGE, 2022). Em relação à oferta de serviços de condicionamento físico, Pirapora conta com dezenove estabelecimentos, mas apenas sete oferecem Pilates de forma ativa (IBGE, 2025), indicando uma oportunidade de investimento em um cenário de baixa concorrência específica.

Entretanto, mesmo diante desse cenário aparentemente favorável, torna-se imprescindível realizar uma análise detalhada da viabilidade econômico-financeira para a implantação de um novo empreendimento. Estudos indicam que o sucesso de um negócio depende de um planejamento sólido, capaz de reduzir riscos e orientar decisões estratégicas (Dornelas, 2023). No Brasil, cerca de 38% das empresas encerram suas atividades em menos de cinco anos por falta de planejamento adequado (Sebrae, 2023), o que ressalta a importância de uma avaliação prévia e rigorosa.

A ausência de um estudo específico de viabilidade econômico-financeira para um estúdio de Pilates na região de Pirapora-MG representa uma lacuna prática e teórica, justificando a relevância desta pesquisa. Assim, o presente estudo tem como objetivo avaliar a viabilidade econômico-financeira da implantação de um estúdio de Pilates no município de Pirapora, Minas Gerais.

2. Material e Métodos

O presente estudo caracterizou-se como uma pesquisa de natureza aplicada, com abordagem quantitativa, e adotou o delineamento de estudo de caso, conforme as diretrizes metodológicas de Gil (2002) e Marconi e Lakatos (2017). O objetivo metodológico consistiu em identificar a viabilidade econômica e financeira para a implantação de um estúdio de Pilates no município de Pirapora, Minas Gerais.

Para tanto, realizou-se a projeção do fluxo de caixa do empreendimento para um horizonte de análise de cinco anos. Essa projeção contemplou o investimento inicial necessário, os custos operacionais, a depreciação de equipamentos, a estrutura tributária e as receitas estimadas. A seleção das variáveis e a estrutura da análise basearam-se em modelos clássicos de avaliação de viabilidade econômico-financeira, conforme a literatura especializada (Assaf Neto, 2014; Ross et al., 2015).

A coleta de dados foi realizada predominantemente por meio de fontes secundárias, seguindo as orientações de Gil (2002) e Marconi e Lakatos (2017). Consultaram-se bases de dados oficiais, documentos institucionais e referências de mercado. Entre as principais fontes, destacaram-se dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e da Receita Federal do Brasil.

Adicionalmente, foram consideradas legislações pertinentes à atividade e diretrizes de organismos internacionais, como a World Health Organization (WHO), especialmente no que se refere à promoção da saúde e à prática de atividade física. Os dados referentes aos custos de implantação, aquisição de equipamentos, mobiliário e materiais de consumo foram obtidos por meio de levantamento direto junto a empresas especializadas do setor, a partir de orçamentos atualizados de mercado.

A experiência prática da autora em estágios e atividades profissionais na área também subsidiou a estimativa de valores, buscando refletir a realidade operacional do empreendimento. Os valores levantados foram confrontados com dados secundários e parâmetros de referência disponibilizados por instituições de apoio ao empreendedorismo, como o Sebrae, e estudos de caso específicos, a exemplo de Oliveira (2018). Esse procedimento de triangulação de fontes visou aumentar a consistência e a confiabilidade das estimativas.

O investimento inicial necessário para a abertura do estúdio de Pilates foi levantado, abrangendo reformas, adequações do espaço, aquisição de equipamentos, mobiliário e outros itens indispensáveis. Os recursos financeiros, totalizando R$ 82.541,10, foram provenientes de capital próprio, distribuídos entre ativos imobilizados e capital de giro.

O capital de giro foi estimado em R$ 21.471,21, correspondente a três meses das despesas operacionais mensais, premissa adotada para financiar o ciclo operacional inicial do empreendimento (Assaf Neto, 2014; Gitman, 1997). As despesas com reformas e adequações do espaço foram classificadas como gastos iniciais não depreciáveis, em conformidade com a Lei nº 8.245/1991 (Brasil, 1991) e os critérios contábeis do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC, 2009).

As condições operacionais do estúdio foram definidas com base em pesquisa de mercado local. As mensalidades foram estimadas entre R$ 170,00 e R$ 200,00 para planos com pelo menos duas sessões semanais. Estabeleceram-se dois pacotes principais: um plano padrão (duas sessões semanais) no valor de R$ 190,00 e um plano intensivo (três sessões semanais) no valor de R$ 280,00.

O funcionamento do estúdio foi projetado de segunda a sexta-feira, nos horários das 8h às 12h e das 14h às 18h, com sessões de 50 minutos e intervalos de dez minutos para higienização. Adotou-se um mix de planos para projeção financeira, com 70% dos clientes no plano padrão e 30% no plano intensivo, premissa baseada na oferta local e experiência da autora (Dutra, 2011; Mello, 2021).

A estimativa do número mínimo de pacientes foi realizada por meio da análise Custo-Volume-Lucro (CVL), utilizando a margem de contribuição média ponderada. O ponto de equilíbrio financeiro mensal foi determinado pela razão entre os custos fixos e a margem de contribuição média, conforme a contabilidade gerencial (Assaf Neto, 2014; Gitman, 1997).

A capacidade operacional máxima do estúdio considerou até oito sessões diárias e turmas reduzidas de até quatro alunos por sessão, totalizando 160 presenças semanais. Com uma frequência média ponderada de 2,3 sessões semanais por paciente, a capacidade máxima correspondeu a aproximadamente 69 pacientes ativos.

As premissas para as projeções financeiras incluíram um crescimento de 5% ao ano no número de alunos durante os cinco primeiros anos de operação, uma taxa conservadora fundamentada na literatura de empreendedorismo (Dornelas, 2023; Hisrich et al., 2014). Os custos operacionais foram projetados com base na variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo IBGE (2026), que apresentou inflação acumulada de 3,81% no período de referência.

As receitas foram projetadas considerando a atualização monetária dos preços pela inflação e o crescimento real do negócio. O empreendimento foi enquadrado no Simples Nacional (Brasil, 2006) como microempresa, com tributação pelo Anexo III da Lei Complementar nº 155 (Brasil, 2016), aplicando-se uma alíquota inicial de 6%, devido à relação entre folha de salários e receita bruta (fator R) superior a 28%.

A estrutura do fluxo de caixa considerou fluxos operacionais, de investimento e de financiamento, conforme a metodologia de Ross et al. (2015). A análise de viabilidade econômica foi conduzida pela determinação de indicadores financeiros clássicos: Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR), Índice de Lucratividade (IL) e Payback Simples (Ross et al., 2015).

Para o cálculo desses indicadores, a Taxa Mínima de Atratividade (TMA) foi definida em 14,13%, composta pela taxa Selic vigente em fevereiro de 2026 (12,13%, Banco Central do Brasil, 2026) acrescida de um prêmio de risco de 2%, conforme proposto por Camargos (2017).

Realizou-se uma análise de sensibilidade para avaliar o impacto de variações em fatores críticos do projeto sobre o resultado final (Carvalho et al., 2014). Os parâmetros alterados foram as despesas operacionais totais, a quantidade de clientes, o ticket médio, a taxa de atratividade e o valor do investimento, com variações individuais de ±20%.

Para cada cenário, o VPL foi recalculado, permitindo identificar as variáveis de maior influência sobre a viabilidade econômica. Uma segunda análise de sensibilidade foi realizada para determinar o ajuste mínimo necessário em cada variável para que o empreendimento atingisse o equilíbrio econômico (VPL = 0), fundamentando a tomada de decisão (Janoselli; Furlan, 2016; Gitman, 1997; Oliveira, 2018).

3. Resultados e Discussão

A análise da viabilidade econômico-financeira para a implantação de um estúdio de Pilates em Pirapora-MG iniciou-se com a projeção detalhada dos investimentos necessários. O investimento inicial total estimado para o empreendimento foi de R$ 82.541,10, abrangendo tanto os ativos imobilizados quanto o capital de giro. Desse montante, R$ 61.069,89 foram alocados para ativos, enquanto R$ 21.471,21 foram destinados ao capital de giro, calculado para cobrir três meses de despesas operacionais mensais. Essa abordagem visa garantir a liquidez e a continuidade das operações durante a fase inicial, conforme preconizado por Assaf Neto (2014) e Gitman (1997).

Os investimentos em reformas e adequações do espaço, que totalizaram R$ 23.000,00 (R$ 6.000,00 para mão de obra, R$ 14.000,00 para materiais/serviços e R$ 3.000,00 para licenciamentos), foram classificados como gastos iniciais não depreciáveis. Essa classificação conservadora se justifica pela natureza das benfeitorias em imóvel alugado, que não garantem reaproveitamento ou indenização ao término do contrato, em consonância com a Lei nº 8.245/1991 (Brasil, 1991) e os critérios contábeis do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC, 2009). Os equipamentos e a estrutura organizacional, por sua vez, foram submetidos a cálculo de depreciação anual com base nas taxas da Receita Federal (Brasil, 1998).

Entre os equipamentos essenciais para o estúdio, destacam-se um kit de estúdio de Pilates no valor de R$ 26.714,00, seis bolas pequenas (R$ 148,92 cada), seis bolas grandes (R$ 654,00 cada), dois kits de faixas elásticas (R$ 43,28 cada), seis magic circles (R$ 239,94 cada), dois kits de mini-bands (R$ 101,98 cada), dois kits de suporte para bola suíça (R$ 113,80 cada), seis colchonetes (R$ 123,72 cada), seis flex rings (R$ 546,00 cada) e um espaldar (R$ 736,00). A vida útil estimada para esses itens foi de dez anos, com depreciação anual correspondente, totalizando R$ 4.822,54 em depreciação de equipamentos.

A estrutura e organização do espaço também demandaram investimentos significativos, incluindo três espelhos (R$ 2.160,00 cada), um ar-condicionado (R$ 3.890,00), uma estante organizadora (R$ 320,87), cinco cadeiras (R$ 1.005,22 cada), uma mesa de escritório (R$ 596,30) e um bebedouro (R$ 675,86). Esses itens, com vida útil também de dez anos, geraram uma depreciação anual total de R$ 864,81. É importante ressaltar que os valores de depreciação, embora relevantes para a análise contábil, não representam desembolso financeiro no momento da implantação e, portanto, não foram incorporados ao total do investimento inicial para fins de fluxo de caixa.

Os custos operacionais para o funcionamento do estúdio foram detalhadamente projetados. O Custo Operacional Efetivo (COE) mensal foi de R$ 7.157,07, enquanto o Custo Operacional Total (COT) anual, que inclui despesas não recorrentes como anuidade do conselho profissional e alvará, atingiu R$ 87.061,84. Os custos fixos mensais incluem R$ 198,44 para material de limpeza e higiene, R$ 191,97 para materiais descartáveis, R$ 2.950,00 para aluguel, R$ 600,00 para energia elétrica e água, R$ 150,00 para internet e telefone, R$ 66,66 para sistema de agendamento/gestão e R$ 3.000,00 para pró-labore. As despesas com anuidade do conselho (R$ 577,00) e alvará (R$ 600,00) são anuais.

A projeção de receitas foi baseada em um mix de planos de serviços, com 70% dos clientes optando pelo plano padrão (duas sessões semanais por R$ 190,00) e 30% pelo plano intensivo (três sessões semanais por R$ 280,00). Essa distribuição foi estabelecida a partir da experiência da autora e da pesquisa de mercado local, considerando a influência de fatores como preço e valor percebido na escolha dos consumidores (Dutra, 2011; Mello, 2021). O ponto de equilíbrio financeiro mensal foi estimado em 36 clientes, resultando em uma receita mensal projetada de R$ 7.830,00, ligeiramente superior aos custos operacionais mensais.

A capacidade operacional máxima do estúdio foi calculada considerando o funcionamento de segunda a sexta-feira, com até oito sessões diárias e turmas reduzidas de até quatro alunos por sessão, totalizando 160 presenças semanais. Com o mix de planos projetado, a frequência média semanal por paciente foi de 2,3 sessões. Assim, a capacidade máxima correspondeu a aproximadamente 69 pacientes ativos. O ponto de equilíbrio de 36 clientes representa uma utilização de 52,2% da capacidade instalada, deixando uma margem de 47,8% para expansão, o que é consistente com a premissa de crescimento gradual em novos negócios (Dornelas, 2023; Hisrich et al., 2014).

O fluxo de caixa projetado para os cinco primeiros anos demonstrou um crescimento progressivo da receita, partindo de R$ 93.960,00 no primeiro ano e alcançando R$ 132.146,15 no quinto ano, impulsionado pela taxa de crescimento anual de 5% no número de alunos e pela atualização monetária dos preços pela inflação (IPCA de 3,81% ao ano). Após a dedução dos tributos do Simples Nacional (6%), a receita líquida evoluiu de R$ 88.322,40 para R$ 124.217,38. Os custos operacionais totais também cresceram, de R$ 87.061,84 para R$ 101.107,79, acompanhando a inflação projetada, o que limitou a expansão das margens de lucro.

Como resultado, o lucro líquido anual cresceu de R$ 1.260,56 no primeiro ano para R$ 23.109,60 no quinto ano. Apesar desse crescimento gradual, o empreendimento apresentou baixa geração de resultado nos anos iniciais. A recuperação do capital de giro no quinto ano elevou o fluxo final desse período para R$ 44.580,81. Contudo, o valor presente dos fluxos futuros, de R$ 45.753,27, mostrou-se inferior ao investimento inicial de R$ 82.541,10, indicando uma inviabilidade econômica nas condições projetadas, conforme a análise de Assaf Neto (2014).

Os indicadores de viabilidade econômica e financeira confirmaram a inviabilidade do projeto no cenário original. O Valor Presente Líquido (VPL) foi negativo em R$ 36.787,83, o que significa que o projeto não geraria valor suficiente para remunerar o capital investido à Taxa Mínima de Atratividade (TMA) de 14,13%. A Taxa Interna de Retorno (TIR) foi de -1%, permanecendo significativamente abaixo da TMA, caracterizando inviabilidade financeira, pois o retorno esperado é inferior ao custo de oportunidade do capital (Ross et al., 2015).

O Índice de Lucratividade (IL) foi de 0,55, indicando que, para cada R$ 1,00 investido, o projeto retornaria apenas R$ 0,55 em valor presente. Um IL inferior a 1 classifica o empreendimento como economicamente inviável (Assaf Neto, 2014). Adicionalmente, o Payback Simples e o Payback Descontado não ocorreram dentro do horizonte de análise de cinco anos, demonstrando que o investimento inicial não seria recuperado no período considerado, mesmo ao considerar o valor do dinheiro no tempo (Ross et al., 2015). Esses indicadores, em conjunto, reforçam a inviabilidade econômico-financeira do projeto nas condições iniciais analisadas.

Diante da inviabilidade constatada, realizou-se uma análise de sensibilidade para identificar as variáveis econômicas mais críticas. Foram simuladas variações de ±20% nas despesas operacionais totais, no número de clientes, no ticket médio e no investimento inicial (CAPEX), mantendo as demais premissas constantes. Essa metodologia permitiu avaliar o impacto dessas variações sobre o VPL e identificar os pontos de maior influência na viabilidade do empreendimento, conforme a abordagem de Carvalho et al. (2014) e Janoselli e Furlan (2016).

A análise de sensibilidade revelou que o empreendimento é mais sensível às variáveis relacionadas à geração de receita e ao controle de custos. Variações de ±20% no número de clientes e no ticket médio produziram a maior amplitude no VPL, de R$ 141.225,24. As despesas operacionais totais também demonstraram alta sensibilidade, com uma amplitude de R$ 127.359,18 no VPL. Em contraste, o investimento inicial apresentou menor influência, com uma amplitude de R$ 28.581,20 no VPL, evidenciando que a viabilidade do negócio depende mais da capacidade de gerar receita e controlar custos do que da redução do investimento inicial.

Para atingir o equilíbrio econômico (VPL = 0), a análise de sensibilidade indicou que o preço médio mensal por aluno precisaria ser elevado para R$ 240,16. Alternativamente, o número mínimo de clientes deveria ser ampliado para 40 alunos, ou as despesas operacionais anuais deveriam ser reduzidas para R$ 77.002,68. Esses resultados reforçam a importância de estratégias focadas no aumento da demanda, na revisão da política de preços e na otimização dos custos operacionais para melhorar a viabilidade financeira, em linha com observações de Oliveira (2018).

A redução do investimento inicial, embora menos impactante, também poderia contribuir para a viabilização, exigindo uma diminuição de 44,6% para atingir o equilíbrio econômico. Esses achados sugerem que a sustentabilidade financeira do estúdio está diretamente condicionada a um planejamento rigoroso da ocupação, à definição de uma estratégia de precificação adequada e ao controle contínuo dos custos operacionais. A viabilidade pode ser alcançada por meio de ajustes estruturados nessas variáveis, seja de forma isolada ou combinada, o que ressalta a importância da análise de viabilidade econômico-financeira como ferramenta essencial para a tomada de decisão.

4. Conclusão

O presente estudo avaliou a viabilidade econômico-financeira para a implantação de um estúdio de Pilates no município de Pirapora, Minas Gerais. Verificou-se que, no cenário originalmente projetado, o empreendimento apresentou inviabilidade econômica e financeira. Os indicadores financeiros revelaram um Valor Presente Líquido (VPL) negativo de R$ 36.787,83, uma Taxa Interna de Retorno (TIR) de -1% e um Índice de Lucratividade (IL) de 0,55. Adicionalmente, o Payback Simples não ocorreu no horizonte de análise de cinco anos, evidenciando a não recuperação do investimento inicial em termos de valor presente. Esses resultados indicaram que o projeto não geraria valor suficiente para remunerar o capital investido à Taxa Mínima de Atratividade (TMA) estabelecida.

Contudo, a análise de sensibilidade revelou um potencial de viabilização do empreendimento mediante ajustes em variáveis operacionais estratégicas. Observou-se que o preço do serviço, o número de clientes atendidos e as despesas operacionais foram os fatores de maior impacto na sustentabilidade do negócio, exigindo modificações para que o VPL atingisse o equilíbrio. A sustentabilidade financeira do estúdio está, portanto, diretamente condicionada a um planejamento rigoroso da ocupação, à definição de uma estratégia de precificação adequada e ao controle contínuo dos custos operacionais. Este estudo contribui ao oferecer uma análise aplicada ao contexto local, podendo subsidiar decisões de profissionais interessados na implantação de empreendimentos semelhantes em Pirapora-MG. Como limitações, reconhece-se que as projeções de receitas, custos e demanda podem não refletir a realidade futura, e o caráter de estudo de caso específico para Pirapora restringe a generalização dos resultados para outros contextos. Sugere-se que futuras pesquisas explorem diferentes cenários operacionais e estratégias de otimização do modelo de negócio.

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Negócios do MBA USP/Esalq

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23 de outubro de 2026

Educação Financeira, Comportamentos e Vieses na Tomada de Decisão Financeira

A gestão financeira pessoal representa um desafio crescente, influenciada por vieses cognitivos que afetam a tomada de decisão, mesmo em indivíduos com alto conhecimento. O presente estudo analisou a relação entre o nível de educação financeira e a ocorrência de vieses comportamentais na tomada de decisão financeira de adultos residentes no Brasil. Realizou-se um levantamento de campo de natureza aplicada, quantitativa e descritivo-correlacional, por meio da aplicação de um questionário estruturado a 163 respondentes. O instrumento contemplou variáveis sociodemográficas, conhecimento e hábitos financeiros, e situações hipotéticas para identificar vieses cognitivos. Os resultados indicaram que níveis mais elevados de educação financeira associaram-se a melhores práticas de controle financeiro, poupança e investimento, com correlações significativas com renda e escolaridade. Contudo, a presença de vieses comportamentais (ancoragem, aversão à perda, escassez, otimismo/negatividade, viés do presente, status quo, excesso de confiança e contabilidade mental) persistiu mesmo entre indivíduos com maior escolaridade e renda, sem associação estatisticamente significativa com as variáveis sociodemográficas analisadas. Concluiu-se que a educação financeira, embora essencial para a organização e o controle financeiro, não foi suficiente para neutralizar a influência de vieses cognitivos. Sugere-se a incorporação de abordagens comportamentais aos programas de educação financeira.

Palavras-chave: Comportamento financeiro; Economia comportamental; Finanças pessoais; Heurísticas cognitivas; Vieses cognitivos.

22 de outubro de 2026

Jornada do Consumidor na Decisão de Compra de Infoprodutos no Ambiente Digital

A expansão do comércio eletrônico e a transformação tecnológica impulsionaram a necessidade de compreender o comportamento do consumidor de infoprodutos, cuja experiência percebida tornou-se crucial para o desenvolvimento profissional. O estudo objetivou analisar os fatores que influenciaram a decisão de compra de infoprodutos no ambiente digital, considerando as etapas da jornada do consumidor. Realizou-se uma pesquisa aplicada, quantitativa e descritiva, por meio de um levantamento de campo com 100 consumidores da Serra Gaúcha. A coleta de dados ocorreu via questionário estruturado, utilizando amostragem não probabilística. Os resultados revelaram um público qualificado e com forte comportamento “mobile-first”. Constatou-se que a disponibilidade de informações detalhadas e a aprovação social foram os principais gatilhos de atração na fase de pré-compra. Nas etapas transacionais e posteriores, a minimização de atritos operacionais, a agilidade do acesso imediato e a segurança sistêmica mostraram-se cruciais para a conversão e satisfação, embora lacunas na eficiência do suporte humano tenham sido identificadas. A retenção fundamentou-se na confiança gerada por experiências anteriores positivas, superando o fator preço. Concluiu-se que a jornada do consumidor de infoprodutos opera como um sistema integrado, exigindo alinhamento entre infraestrutura tecnológica, curadoria de conteúdo e humanização do suporte para assegurar o engajamento.

Palavras-chave: Comércio eletrônico; Comportamento do consumidor; Experiência do consumidor; Fidelização; Negócios virtuais.

22 de outubro de 2026

Observatório Digital da Amazônia: Ciência de Dados Aplicada à Análise de Indicadores Sociais, Econômicos, Ambientais e de Saúde

O estado do Amazonas enfrentou desafios históricos na consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS), decorrentes de barreiras geográficas, desigualdades socioeconômicas e limitações estruturais. Descreveu-se, neste estudo, o desenvolvimento e a implementação de um geoportal de informações em saúde, concebido para apoiar o monitoramento, a avaliação e o planejamento no contexto amazônico. Adotou-se uma abordagem de estudo de caso descritivo, baseada em análise documental e dados secundários, abrangendo o mapeamento de funcionalidades, a infraestrutura técnica e as etapas de validação da ferramenta. O Portal foi desenvolvido com tecnologias abertas e integrou múltiplas bases de dados nacionais, oferecendo dashboards interativos, mapas temáticos e repositório digital de documentos. Entre os resultados, destacaram-se a visualização georreferenciada de indicadores-chave, a possibilidade de análises comparativas temporais e a utilização da plataforma na revisão de planos de saúde e no redirecionamento de ações estratégicas. O portal pode representar um avanço na governança digital e na gestão baseada em evidências, com potencial de replicabilidade para outros territórios de alta complexidade, desde que acompanhada de investimentos em infraestrutura tecnológica, capacitação profissional e articulação interinstitucional.

Palavras-chave: Amazônia; Avaliação em Saúde; Saúde Digital; Sistemas de Informação em Saúde.

22 de outubro de 2026

Aprendizado Contínuo como Fator de Crescimento Organizacional na Percepção dos Colaboradores

O impacto do aprendizado contínuo e da gestão do conhecimento no crescimento das organizações foi estudado em um cenário de globalização e constantes mudanças. O objetivo do estudo foi analisar a percepção dos colaboradores sobre a cultura de aprendizagem e sua importância para o desenvolvimento pessoal e profissional. Os dados foram obtidos por meio de uma pesquisa anônima, de abordagem quantitativa, utilizando um formulário com questões do tipo “survey” aplicado a 87 profissionais dos setores de tecnologia, saúde, educação, comércio e serviços. Os resultados indicaram que os colaboradores possuíam uma percepção positiva sobre a contribuição do aprendizado contínuo para o crescimento pessoal e organizacional, reconhecendo seus benefícios para o desenvolvimento de novas habilidades, inovação e competitividade. Contudo, observou-se que o incentivo à troca de conhecimento interno e a oferta de treinamentos práticos ainda apresentavam médias moderadas de concordância. Concluiu-se que o aprendizado contínuo contribui significativamente para o desenvolvimento individual e organizacional, sugerindo que as empresas devem desenvolver políticas estratégicas de aprendizado direcionado para novas habilidades, visando maior vantagem competitiva e inovação.

Palavras-chave: Aprendizagem contínua; Autodesenvolvimento; Crescimento organizacional; Gestão do conhecimento; Inovação.

22 de outubro de 2026

Previsão da Inadimplência Agregada no Sistema Financeiro Brasileiro por Modelo Sarimax com Variáveis Macroeconômicas

A inadimplência agregada no sistema financeiro brasileiro é um indicador crucial de risco de crédito, cuja previsão é regulamentada pelas Resoluções CMN n.° 4.557/2017 e 4.966/2021 para a mensuração prospectiva de perdas esperadas. Modelou-se e previu-se a inadimplência agregada por meio do modelo SARIMAX, projetando sua trajetória até dezembro de 2026 sob cenários otimista, base e pessimista. Utilizaram-se 164 observações mensais (julho/2012 a fevereiro/2026) e variáveis macroeconômicas como desemprego, Selic, IPCA, IBC-Br e endividamento das famílias. A especificação com variáveis contemporâneas foi selecionada com base em critérios de informação e estabilidade dos coeficientes, e o diagnóstico dos resíduos confirmou adequação estatística, com MAPE de 3,12%. A inadimplência histórica variou entre 4,33% e 7,64%. A estimação identificou o desemprego (β = 0,2534; p < 0,001) e a Selic (β = 0,2128; p < 0,001) como principais determinantes positivos, com forte persistência temporal (AR(1) = 0,8965). A Selic exibiu correlação crescente com a inadimplência (r = 0,62 no lag 12), enquanto o desemprego demonstrou efeito contemporâneo (r = 0,33). As projeções indicaram inadimplência entre 6,30% e 7,98% em dezembro de 2026, com uma amplitude de 1,68 ponto percentual, evidenciando implicações diretas para o dimensionamento de provisões nas instituições financeiras. Palavras-chave: Desemprego; Modelagem preditiva; Política monetária; Provisão de perdas; Séries temporais.

22 de outubro de 2026

Fatores de Engajamento das Partes Interessadas na Transferência Internacional de Tecnologia para um Hospital Público

Este estudo descreveu os fatores críticos percebidos para o engajamento das partes interessadas na transferência internacional de tecnologia em um hospital público, com foco no planejamento. O objetivo foi descrever esses fatores condicionantes, conforme a percepção de profissionais. Realizou-se um estudo de caso único, aplicando um questionário a 25 profissionais e utilizando análise de conteúdo, complementada por tabulações descritivas. Os principais obstáculos identificados foram resistência à mudança (72%), financiamento (64%), falta de comunicação (60%) e burocracia (40%). Apenas 28% dos respondentes reconheceram a existência de ferramentas adequadas para gestão de stakeholders, enquanto 48% negaram e 24% não souberam informar. Cruzamentos exploratórios indicaram variações na avaliação de influência conforme o tempo de atuação, mas não estabeleceram relações causais. A falta de engajamento foi associada a atrasos, baixa adesão, desperdício de recursos, falhas de comunicação, comprometimento da absorção de conhecimento e riscos à segurança do paciente. As conclusões restringiram-se às percepções do grupo pesquisado e fundamentaram recomendações preliminares para comunicação e coordenação intersetorial.

Palavras-chave: Estudo de caso; Gestão de projetos; Inovação em saúde; Partes interessadas; Setor público.

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