30 de setembro de 2026
Qualidade de Vida no Trabalho: um caminho para a prevenção da Síndrome de Burnout
Qualidade de Vida no Trabalho: um Caminho para a Prevenção da Síndrome de Burnout
Bianca de Almeida Sousa dos Santos; Marcos Aurelio Lopes
DOI: 10.22167/2675-6528-202602723
Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.
Resumo
O presente estudo analisou a relação entre a Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) e os níveis da Síndrome de Burnout em profissionais de diversos contextos, considerando variáveis sociodemográficas. Objetivou-se analisar essa relação, investigando a dinâmica entre os fatores que contribuem para o Burnout e as práticas de QVT. Realizou-se uma pesquisa descritiva e quantitativa, utilizando amostragem por conveniência. Coletaram-se dados por meio de questionário eletrônico, aplicando os instrumentos Quality of Working Life Questionnaire (QWLQ-78) e Maslach Burnout Inventory (MBI). Os dados foram analisados por estatística descritiva, com cálculo de médias ponderadas. Os resultados indicaram níveis moderados de exaustão emocional e despersonalização, associados a elevada realização pessoal, um padrão oposto ao classicamente associado ao Burnout. Observou-se que a escolaridade superior atuou como fator protetivo, associada a maior realização profissional e menores índices de despersonalização. Mulheres apresentaram menores índices no domínio Pessoal da QVT, possivelmente devido a demandas extralaborais. Concluiu-se que a promoção da QVT contribui para a redução de riscos psicossociais e para a manutenção do bem-estar ocupacional, embora o tamanho da amostra limite a generalização dos resultados.
Palavras-chave: Bem-estar; Burnout; Saúde; Trabalho.
1. Introdução
O ambiente corporativo contemporâneo é caracterizado por transformações contínuas, alta competitividade e crescentes exigências de desempenho. Nesse cenário, a cultura organizacional demanda atualização e flexibilização constantes para se adaptar a essas mudanças (Chiavenato, 2021). A atenção ao bem-estar dos colaboradores, que engloba sua integridade física, psíquica e social, emerge como um pilar fundamental da gestão de pessoas (Dutra et al., 2017).
Nesse contexto, a Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) adquire significativa relevância. Para os colaboradores, a QVT promove motivação, eficiência e maior resistência ao estresse. Para as organizações, ela se traduz em uma força de trabalho mais saudável e produtiva (Vasconcelos, 2001). Um ambiente de trabalho adequado é essencial, abrangendo tanto aspectos físicos quanto psicológicos (Ferreira, 2013).
Apesar da crescente valorização do bem-estar, as pressões e demandas do ambiente corporativo frequentemente resultam em sobrecarga emocional e física, podendo desencadear problemas de saúde mental. Um desses problemas é a Síndrome de Burnout, inicialmente conceituada por Herbert Freudenberger em 1974 como um estado de esgotamento físico e mental em profissionais da saúde que atuavam no cuidado a usuários de drogas. Mais recentemente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu oficialmente o Burnout como uma síndrome ocupacional, incluindo-a na 11ª Revisão da Classificação Internacional de Doenças (OMS, 2019).
Estudos recentes evidenciam que o Burnout se tornou um problema crescente em escala global. Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), realizada em 2022, indicou que um em cada cinco brasileiros atuantes no mundo corporativo sofre com a Síndrome de Burnout. Este fenômeno representa um desafio não apenas individual, mas também organizacional, pois está associado ao aumento do absenteísmo e do turnover (Matos et al., 2023).
Contudo, a incidência da síndrome não é uma progressão inevitável. A implementação de práticas de Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) pode atuar como um fator de proteção, servindo como barreira preventiva contra o esgotamento (Limongi-França, 2004). Assim, a compreensão da dinâmica entre os fatores que contribuem para o surgimento do Burnout e as práticas de QVT que atuam na sua mitigação é fundamental.
A presente pesquisa justifica-se pela necessidade de compreender, de forma integrada, os fatores de estresse ocupacional e suas relações com a Qualidade de Vida no Trabalho, oferecendo subsídios para intervenções práticas que contribuam para o bem-estar e a saúde dos profissionais no contexto corporativo atual. Diante disso, objetivou-se analisar a relação entre a Qualidade de Vida no Trabalho e os níveis de Burnout em profissionais que atuam em diferentes contextos profissionais, considerando variáveis sociodemográficas.
2. Material e Métodos
O presente estudo caracterizou-se como uma pesquisa descritiva-explicativa, com abordagem quantitativa. A natureza descritiva buscou mapear e caracterizar os principais fatores de risco relacionados ao Burnout em diferentes contextos organizacionais e sociodemográficos. A abordagem explicativa visou investigar as relações entre esses fatores e sua associação com a Qualidade de Vida no Trabalho (Gil, 2019). A natureza quantitativa permitiu a mensuração de variáveis e a análise estatística dos dados, favorecendo a identificação de padrões e relações (Creswell e Creswell, 2021).
A unidade de análise compreendeu profissionais que atuam em diversos contextos. A pesquisa utilizou amostragem não probabilística por conveniência, composta por trabalhadores de diferentes setores e organizações. A participação ocorreu de forma voluntária e anônima, com um total de 65 respondentes. O compartilhamento do link do questionário eletrônico entre os participantes permitiu alcançar profissionais externos à rede inicial de contatos, ampliando a diversidade de experiências representadas na amostra.
A coleta de dados foi realizada por meio de um levantamento de campo, operacionalizado por um questionário eletrônico estruturado, disponibilizado na plataforma Google Forms. O instrumento foi elaborado com base em dois referenciais principais: o Quality of Working Life Questionnaire (QWLQ-78) e o Maslach Burnout Inventory (MBI). O questionário totalizou 48 perguntas, divididas em três seções distintas para abordar os objetivos do estudo.
A primeira seção do questionário incluiu dados sociodemográficos, com seis perguntas destinadas a caracterizar o perfil dos participantes. A segunda seção foi composta por vinte questões selecionadas do Quality of Working Life Questionnaire (QWLQ-78), conforme Junior et al. (2011). Este instrumento organiza seus itens em quatro domínios principais: Físico/Saúde, Psicológico, Pessoal e Profissional, avaliando a percepção dos respondentes sobre a Qualidade de Vida no Trabalho.
A terceira seção do questionário integrou treze questões selecionadas do Maslach Burnout Inventory (MBI), adaptado de Maslach et al. (1997). O MBI foi utilizado para avaliar as três dimensões da Síndrome de Burnout: exaustão emocional, despersonalização e realização pessoal. A combinação desses instrumentos permitiu uma análise abrangente da relação entre a Qualidade de Vida no Trabalho e os níveis de Burnout.
O link para acesso ao questionário eletrônico foi divulgado na rede profissional LinkedIn, permanecendo disponível para respostas durante 45 dias. A participação dos profissionais foi voluntária e anônima, sem qualquer identificação pessoal associada às respostas. Antes do preenchimento, os participantes foram informados sobre os objetivos da pesquisa e os procedimentos envolvidos.
Para a análise dos dados, empregou-se a estatística descritiva, com o cálculo de médias ponderadas. As respostas dos participantes foram convertidas em valores numéricos, respeitando a natureza ordinal das escalas. Para as questões do QWLQ-78, adotou-se uma escala do tipo Likert, com atribuição de pesos crescentes conforme o grau de concordância, variando de 1 (Discordo totalmente) a 5 (Concordo totalmente) (Junior et al., 2011).
No caso do MBI, as pontuações das dimensões foram obtidas pela soma ponderada dos itens correspondentes, dividida pelo produto entre a quantidade de respondentes e a quantidade de itens de cada dimensão. Isso resultou em pontuações médias em uma escala de 0 a 6. A classificação das pontuações obtidas para a QVT e para as dimensões de Burnout seguiu os critérios propostos por Junior et al. (2011) e Maslach et al. (1997), respectivamente, permitindo a interpretação dos níveis de satisfação e de Burnout.
Todos os participantes foram informados sobre os objetivos do estudo, e sua participação ocorreu mediante consentimento livre e esclarecido. Assegurou-se o anonimato e a confidencialidade das informações coletadas. Os procedimentos éticos seguiram as normas preconizadas pelo Comitê de Ética em Pesquisa, conforme as diretrizes do Conselho Nacional de Saúde, estabelecidas em 2012.
3. Resultados e Discussão
A análise dos dados coletados permitiu traçar um perfil sociodemográfico dos 65 participantes e investigar a relação entre a Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) e a Síndrome de Burnout. Observou-se uma distribuição de gênero relativamente equilibrada, com 47,7% de mulheres e 52,3% de homens, um dado que se alinha à configuração da população brasileira, onde o sexo feminino é majoritário, embora a amostra do estudo tenha apresentado uma leve predominância masculina. Essa representatividade é crucial para a compreensão das dinâmicas de QVT e Burnout em diferentes segmentos da força de trabalho.
Quanto à faixa etária, a pesquisa revelou uma predominância de respondentes jovens, com 55,4% situados entre 14 e 29 anos. Esse dado sugere que a amostra é composta majoritariamente por indivíduos em fases iniciais ou intermediárias de suas carreiras profissionais. Tal característica é relevante, pois, conforme apontado pelo IBGE (2022), essa parcela da população economicamente ativa enfrenta desafios significativos de inserção qualificada em um mercado de trabalho em constante evolução, marcado por um envelhecimento populacional e crescente competitividade.
No que tange à escolaridade, 47,7% dos participantes possuíam formação superior concluída, incluindo ensino superior completo (26,2%) e diferentes níveis de pós-graduação (21,5%). Esse percentual é notavelmente superior à média nacional, que, segundo o IBGE (2022), indica que apenas 19,2% da população brasileira possui ensino superior completo. Esse elevado nível de qualificação formal na amostra pode estar associado a percepções mais favoráveis em relação ao desenvolvimento profissional, à integração social e, consequentemente, à Qualidade de Vida no Trabalho.
Em relação à renda individual e à posição ocupacional, verificou-se que 60,0% dos respondentes se concentravam na faixa de até três salários-mínimos. A maioria dos participantes (76,9%) atuava como colaboradores, sem função de liderança. Entre os que ocupavam cargos de liderança, 71,4% haviam assumido essa posição recentemente, com tempo de atuação entre um e seis anos. Esses achados corroboram os dados da PNAD Contínua, que indicam uma predominância de empregados no setor privado com remunerações concentradas nas faixas iniciais, mesmo entre indivíduos com alta escolaridade, refletindo os desafios de progressão e consolidação de carreira no Brasil (IBGE, 2022).
A avaliação dos índices médios de Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) por domínio, utilizando a escala do QWLQ-78, revelou que os domínios Pessoal e Profissional foram classificados como satisfatórios, com médias de 69,04 e 67,60, respectivamente. Isso indica uma percepção positiva dos participantes em relação a aspectos como desenvolvimento profissional, reconhecimento e relações interpessoais. Em contraste, o domínio Psicológico apresentou uma média de 52,18, situando-se na faixa neutra, sugerindo que fatores subjetivos como autoestima, motivação e bem-estar emocional podem ser mais vulneráveis às pressões organizacionais do que as condições físicas de trabalho, que obtiveram uma média de 56,79, também classificada como satisfatória.
A análise comparativa dos domínios de QVT segundo variáveis sociodemográficas e ocupacionais evidenciou nuances importantes. Participantes com maior escolaridade e aqueles em cargos de liderança apresentaram, simultaneamente, melhores índices nos domínios Profissional e Pessoal da QVT. Este resultado sugere que o aprofundamento acadêmico e a ascensão a posições de liderança podem proporcionar um maior senso de realização e satisfação em aspectos pessoais e profissionais do trabalho, conforme a literatura sobre QVT (Junior et al., 2011).
Contudo, esses mesmos grupos, especialmente os líderes, registraram pontuações inferiores no domínio Psicológico. Esse padrão de coexistência entre elevada realização profissional e certo desgaste emocional é um achado relevante. Ele sugere que, embora o desenvolvimento de carreira e o reconhecimento profissional contribuam para a QVT, eles não necessariamente protegem o indivíduo de pressões que afetam o bem-estar psicológico, como a autoestima e a motivação, que permanecem em um patamar neutro.
Essa observação pode ser interpretada à luz do modelo Job Demands Resources, proposto por Schaufeli e Bakker (2004). Segundo esse modelo, o aumento das demandas cognitivas, emocionais e decisórias, frequentemente associado a cargos de maior responsabilidade, pode atenuar os efeitos protetivos dos recursos do trabalho. Assim, mesmo com autonomia e oportunidades de desenvolvimento, o equilíbrio entre as demandas e as capacidades individuais é crucial para a manutenção da saúde mental no ambiente de trabalho, reforçando a visão multidimensional da QVT (Walton, 1973; Limongi-França, 2004).
A avaliação geral das dimensões da Síndrome de Burnout, conforme os critérios do Maslach Burnout Inventory (MBI), indicou níveis moderados de Exaustão Emocional (média de 2,36) e Despersonalização (média de 2,12), associados a uma elevada Realização Pessoal (média de 4,02, que, pela escala inversa, significa alto). Esse padrão se diferencia do perfil clássico de Burnout, que tradicionalmente combina altos níveis de exaustão emocional e despersonalização com baixa realização pessoal (Maslach e Jackson, 1981; Maslach et al., 2001).
Apesar de não haver indícios de Burnout instalado no conjunto da amostra, a análise segmentada por perfil sociodemográfico e ocupacional revelou variações significativas. Entre as mulheres, observaram-se maiores índices de Exaustão Emocional (média de 2,42) e de Realização Pessoal (média de 4,40) em comparação aos homens. Esse resultado sugere que as mulheres podem experimentar um desgaste emocional mais acentuado, mas também demonstram um forte investimento subjetivo no trabalho, encontrando significado e eficácia em suas atividades, o que pode atuar como fator compensatório diante das múltiplas demandas, alinhando-se à perspectiva do enriquecimento trabalho-família (Greenhaus e Allen, 2011).
Em relação à faixa etária, participantes com até 43 anos apresentaram médias mais elevadas de Exaustão Emocional, enquanto aqueles com mais de 43 anos registraram níveis inferiores nas dimensões negativas de Exaustão Emocional e Despersonalização. Esse achado corrobora com a literatura que aponta maior vulnerabilidade ao esgotamento emocional nas fases iniciais da carreira, período frequentemente marcado por altas expectativas, pressão por desempenho e menor estabilidade ocupacional (Schaufeli e Bakker, 2004).
A escolaridade também se mostrou um fator relevante. Respondentes com ensino superior incompleto apresentaram maiores médias de Exaustão Emocional e Despersonalização, enquanto aqueles com formação superior completa ou pós-graduação registraram maior Realização Pessoal. Esse resultado reforça a ideia de que recursos de trabalho, como o conhecimento e o domínio técnico, atuam como fatores protetivos frente às demandas ocupacionais e ao risco de adoecimento psicológico, contribuindo para maior segurança e autonomia no trabalho.
No que se refere ao cargo, colaboradores apresentaram níveis mais elevados de Exaustão Emocional e Despersonalização, enquanto líderes demonstraram maior Realização Pessoal e menores índices nas dimensões negativas. O acesso a recursos organizacionais, maior controle sobre o trabalho e poder decisório, características frequentemente associadas a cargos de liderança, podem contribuir para a mitigação dos riscos psicossociais, em consonância com o modelo demanda-controle (Karasek & Theorell, 1990).
Os resultados desta pesquisa também oferecem uma reflexão sobre o papel do trabalho na vida contemporânea. Além de ser uma fonte de renda, o trabalho constitui um espaço fundamental para a construção da identidade, o desenvolvimento de competências e a atribuição de significado à experiência humana. Nessa perspectiva, Morin (2001) argumenta que o trabalho adquire sentido quando é percebido como útil, possibilita aprendizado, favorece o desenvolvimento pessoal e contribui para um propósito que transcende a mera execução de tarefas. Os elevados níveis de realização pessoal observados neste estudo podem refletir não apenas a satisfação com a atividade, mas também o reconhecimento do trabalho como um elemento central para o senso de propósito e pertencimento do indivíduo.
Entretanto, os achados também evidenciam que o significado atribuído ao trabalho, por si só, não é suficiente para proteger o indivíduo do desgaste emocional. A coexistência entre elevada realização pessoal e sinais de exaustão, observada em alguns grupos, sugere que encontrar propósito na atividade profissional não elimina os efeitos das demandas excessivas, da sobrecarga ou da pressão por desempenho. Essa interpretação dialoga com Frankl (2008), que defende que o sentido no trabalho é uma fonte de motivação, mas não anula a necessidade de condições que preservem a saúde e a dignidade do indivíduo. Assim, promover a Qualidade de Vida no Trabalho envolve não apenas oferecer condições adequadas para a execução das atividades, mas também construir ambientes organizacionais que preservem a saúde mental sem comprometer o sentido positivo que o trabalho pode representar.
A análise por gênero revelou uma disparidade no domínio Pessoal da Qualidade de Vida no Trabalho, com as mulheres apresentando índices inferiores aos dos homens. Essa diferença sugere que pressões extralaborais e a carga mental associada à jornada doméstica podem impactar negativamente o bem-estar feminino e a percepção global de QVT. Mesmo em contextos organizacionais com baixos níveis de Burnout, a menor qualidade percebida na vida privada sinaliza uma fragilidade que, a longo prazo, pode evoluir para quadros de estresse crônico, caso não sejam implementadas políticas organizacionais voltadas à flexibilidade, ao suporte psicossocial e ao equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
A neutralidade observada no Domínio Psicológico da QVT, especialmente entre os participantes mais jovens, indicou que a busca por propósito, reconhecimento e alta performance, características frequentes nas fases iniciais da carreira, implicou um custo emocional relevante. Embora esses profissionais tenham relatado elevados níveis de realização pessoal e profissional, a instabilidade emocional e a pressão por resultados podem ter limitado a vivência de uma satisfação psicológica mais plena, reforçando a necessidade de atenção a esses aspectos subjetivos da QVT.
Em síntese, os resultados da pesquisa indicaram uma associação inversamente proporcional entre a Qualidade de Vida no Trabalho e a Síndrome de Burnout na amostra estudada. Observou-se um cenário positivo de saúde ocupacional, caracterizado por altos níveis de Realização Pessoal e avaliações satisfatórias nos domínios profissional e físico da QVT, que atuam como fatores protetivos contra a Exaustão Emocional e a Despersonalização. Contudo, a análise detalhada revelou que a escolaridade superior e cargos de liderança estão associados a maior realização e menor desgaste, enquanto mulheres e profissionais em início de carreira podem ser mais vulneráveis a sinais de desgaste emocional, indicando a necessidade de intervenções estratégicas para promover o bem-estar ocupacional de forma mais equitativa e abrangente.
4. Conclusão
O presente estudo buscou analisar a relação entre a Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) e os níveis da Síndrome de Burnout em profissionais de diversos contextos, considerando variáveis sociodemográficas. Verificou-se uma associação inversamente proporcional entre a QVT e a Síndrome de Burnout na amostra investigada, delineando um cenário de saúde ocupacional caracterizado por níveis moderados de exaustão emocional e despersonalização, mas com elevada realização pessoal. Observou-se que os domínios Pessoal e Profissional da QVT foram percebidos como satisfatórios, enquanto o domínio Psicológico se manteve em um patamar neutro. A escolaridade superior atuou como fator protetivo, associada a maior realização profissional e menores índices de despersonalização, ao passo que profissionais em início de carreira e mulheres apresentaram maior vulnerabilidade a sinais de desgaste emocional. As mulheres, em particular, registraram menores índices no domínio Pessoal da QVT, sugerindo o impacto de demandas extralaborais em seu bem-estar. Esses achados reforçam a compreensão de que, embora o trabalho possa ser uma fonte de propósito e realização, a presença de demandas excessivas e a ausência de suporte adequado podem comprometer a saúde mental. A principal contribuição do estudo reside em oferecer subsídios para a gestão organizacional, destacando a importância de promover a QVT como estratégia para mitigar riscos psicossociais e sustentar o bem-estar ocupacional.
Contudo, a generalização dos resultados é limitada pelo tamanho reduzido da amostra, que foi obtida por conveniência. Diante disso, sugere-se que estudos futuros se concentrem em amostras maiores e mais diversificadas, permitindo uma análise mais aprofundada das nuances sociodemográficas e ocupacionais. Recomenda-se também que futuras intervenções organizacionais priorizem o fortalecimento dos recursos psicológicos de profissionais em início de carreira e o desenvolvimento de políticas de suporte à trajetória profissional feminina, visando assegurar que a realização profissional se mantenha sem comprometer a saúde mental e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Tais ações são cruciais para construir ambientes de trabalho que não apenas valorizem o desempenho, mas também preservem integralmente o bem-estar dos colaboradores.
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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Negócios do MBA USP/Esalq
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