Artigo

30 de setembro de 2026

Plano de gerenciamento de cronograma da Reforma Tributária para empresa do setor de agronegócio

Plano de Gerenciamento de Cronograma da Reforma Tributária para Empresa do Setor de Agronegócio

Ana Júlia Sordi; Bruno de Lima Santoro

DOI: 10.22167/2675-6528-202602645

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

A promulgação da Lei Complementar nº 214 de 2025, que instituiu a Reforma Tributária no Brasil, representou uma das mais relevantes transformações do sistema fiscal nacional, exigindo das organizações profundas adaptações em processos, sistemas e estratégias, especialmente no agronegócio. Diante desse contexto, o estudo teve como objetivo desenvolver um plano de gerenciamento de cronograma para a implementação da Reforma Tributária em uma empresa do setor de agronegócio, alinhado às melhores práticas de gestão de projetos. A pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso de abordagem qualitativa, aplicado a um projeto real de adequações sistêmicas. A coleta de dados realizou-se por meio de entrevistas semiestruturadas com stakeholders internos, fornecedores e consultores, além da análise de documentos e uso de ferramentas corporativas. A metodologia utilizada foi a waterfall, baseada na aplicação dos seis processos de gerenciamento de cronograma conforme o PMBOK 6ª edição, empregando a data regulatória como marco para a construção do cronograma de trás para frente. Os resultados evidenciaram que o planejamento estruturado, o sequenciamento lógico das atividades, a estimativa realista de durações e o controle contínuo do cronograma possibilitaram mitigar riscos, integrar múltiplos fornecedores e lidar com desvios pontuais sem comprometer o prazo final estabelecido pela legislação. Concluiu-se que o gerenciamento eficaz do cronograma mostrou-se fundamental para a governança e o sucesso de projetos regulatórios complexos, contribuindo para o cumprimento do prazo legal e para a redução de riscos operacionais.

Palavras-chave: Agro; Gestão de projetos; Legislação; PMBOK; Prazo regulatório.

1. Introdução

Atualmente, a gestão de projetos enfrenta desafios cada vez mais complexos, exigindo abordagens inovadoras que garantam não apenas a entrega de resultados, mas também a maximização do valor gerado para as organizações. Neste cenário, a promulgação da Lei Complementar nº 214 de 2025, que instituiu a Reforma Tributária brasileira, representou uma das mais significativas transformações no sistema fiscal do país. Com a substituição de tributos como o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e Imposto sobre Serviços (ISS) por um modelo de imposto sobre Valor Agregado (IVA) dual, composto pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), exige-se das organizações uma profunda reestruturação de processos, sistemas e estratégias tributárias (Brasil, 2025).

No Brasil, a Reforma Tributária representa um marco significativo na reestruturação do sistema fiscal nacional, cujo impacto transcende as alterações legislativas, afetando diretamente processos internos, sistemas tecnológicos, contratos empresariais e estratégias corporativas. Carvalho (2018) compreende a Reforma Tributária como um processo de reorganização estrutural do sistema tributário, voltado à simplificação das normas, à racionalização da arrecadação e à promoção da justiça fiscal. O objetivo é reduzir distorções econômicas e assegurar maior coerência entre tributação e capacidade contributiva, promovendo maior neutralidade econômica, transparência fiscal e previsibilidade regulatória, e criando condições mais favoráveis ao investimento e ao planejamento de longo prazo das organizações.

Nesse contexto, a implementação da Reforma Tributária transcende o campo jurídico-tributário e configura-se como um programa estratégico de transformação organizacional, exigindo adaptações simultâneas em sistemas de informação, processos operacionais, políticas fiscais, precificação, contratos e governança corporativa. O Project Management Institute (PMI, 2021) estabelece que, diante de mudanças regulatórias no ambiente externo, as incertezas e riscos devem ser considerados para a geração de valor nos projetos, os quais devem ser estruturados para apoiar diretamente os objetivos estratégicos da organização. Torres (2014) complementa que a Reforma Tributária tem como finalidade principal adequar o sistema de tributos às exigências constitucionais de justiça fiscal, gerando eficiência econômica e segurança jurídica, além de buscar equilíbrio entre arrecadação estatal e proteção dos direitos dos contribuintes.

A Reforma Tributária, portanto, impõe às organizações a necessidade de estruturar portfólios e programas de projetos capazes de responder de forma coordenada às novas exigências regulatórias, evitando soluções fragmentadas e retrabalhos. Tal mudança impõe um cenário complexo de gestão e adaptação contínua, visto que a nova legislação estipula um marco de alterações a serem implementadas e efetivadas até 2033, exigindo respostas gerenciais eficientes, integradas e alinhadas à expectativa da lei. Este cenário evidencia que a mera adequação técnica não basta, sendo imprescindível uma gestão integrada, alinhada à gestão corporativa e capaz de gerar valor sustentável, reforçando a importância de seguir meticulosamente o cronograma estabelecido. O autor Kerzner (2017) defende a importância do uso de ferramentas de gerenciamento de projetos eficazes, capazes de mitigar riscos e assegurar a entrega do projeto dentro do prazo estabelecido. Barcaui (2012) reforça que, para se alcançar um projeto bem-sucedido, os objetivos propostos devem gerar resultado por meio do gerenciamento disciplinado e persistente de boas práticas, metodologias e processos, atingindo os prazos e custos estipulados.

No cenário do agronegócio brasileiro, a implementação da Reforma Tributária exige integração entre áreas, revisão de processos e de forte governança, pois mudanças estruturais no sistema de tributos impactam diretamente a cadeia produtiva, os modelos de precificação e a gestão de contratos. Para isso, faz-se necessária a adoção de um forte controle de cronograma e de projeto, que, segundo o Project Management Institute (PMI, 2017), oferece inúmeras vantagens para o sucesso dos projetos, possibilitando maior controle sobre a execução das atividades e a realização de ajustes tempestivos. Assim, o gerenciamento eficaz do cronograma se mostra fundamental para a governança e o sucesso de projetos regulatórios complexos, garantindo o cumprimento dos prazos e a redução de riscos operacionais. Diante deste contexto, e com o intuito de garantir o cumprimento dos prazos, otimizando a execução do cronograma para minimizar eventuais atrasos por se tratar de uma demanda regulatória, o objetivo desta pesquisa é desenvolver um plano de gerenciamento de cronograma da Reforma Tributária para uma empresa do setor de agronegócio alinhado às melhores práticas descritas na 6ª edição do PMBOK.

2. Material e Métodos

O presente estudo caracterizou-se como uma pesquisa de abordagem qualitativa, adotando o método de estudo de caso. Esta escolha metodológica permitiu a aplicação a um projeto real de adequações sistêmicas, focado na implementação da Reforma Tributária em uma empresa brasileira do setor de agronegócio. O objetivo foi desenvolver um plano de gerenciamento de cronograma alinhado às melhores práticas de gestão de projetos, conforme a 6ª edição do PMBOK (PMI, 2017).

A pesquisa foi realizada nas unidades brasileiras de uma empresa global do setor de agronegócio, que opera com seis usinas instaladas no Brasil. A unidade de análise consistiu no projeto de adequação de todos os sistemas internos impactados pela nova legislação tributária. O período de coleta de dados e execução do projeto estendeu-se até a data regulatória de 05 de janeiro de 2026, estabelecida como marco para o “Go Live” das novas exigências.

A coleta de dados ocorreu por meio de entrevistas semiestruturadas, realizadas com stakeholders internos de diversas áreas da organização, incluindo Tecnologia da Informação (TI), financeiro, fiscal, jurídico, suprimentos e tributário. Adicionalmente, foram entrevistados fornecedores de sistemas e consultores externos e internos da empresa. Complementarmente, realizou-se a análise de documentos e o uso de ferramentas corporativas de gerenciamento de projetos para subsidiar a construção do cronograma.

A equipe responsável pelo projeto era composta por duas gerentes de projetos dedicadas, um parceiro de TI e de negócio, dois gestores de negócio para levantamento de escopo, dois gerentes executivos (um de TI e a patrocinadora do projeto), um gerente de TI e um time técnico especializado para cada sistema impactado. Os envolvidos mais ativos incluíram a equipe de TI e as áreas fiscais e tributárias, que validaram testes e escopo, e a área jurídica, que interpretou a legislação e monitorou novas definições governamentais.

Para o gerenciamento do projeto, utilizou-se a ferramenta oficial da companhia, o software Clarizen, para a estruturação e controle do cronograma. A comunicação entre os envolvidos foi facilitada pelo uso do Microsoft Teams. A metodologia adotada para o gerenciamento do cronograma foi a Waterfall, baseada na aplicação dos seis processos de gerenciamento de cronograma descritos na 6ª edição do PMBOK (PMI, 2017), utilizando a data regulatória como marco para a construção do cronograma “de trás para frente”.

O primeiro processo, “Planejar o Gerenciamento do Cronograma”, foi conduzido com base no Plano de Gerenciamento do Projeto, tendo como referência a nova legislação. A atividade inicial consistiu no levantamento e mapeamento dos sistemas impactados, realizado por meio de entrevistas com usuários-chave para identificar informações de impostos. O Termo de Abertura do Projeto foi elaborado para nortear a construção do cronograma, com a data limite de 05 de janeiro de 2026 para o “Go Live” (PMI, 2017).

Em seguida, no processo “Definir as Atividades”, planejou-se um cronograma macro do projeto, preenchido na ferramenta Clarizen. Este cronograma macro foi estabelecido a partir da data regulatória de 05 de janeiro de 2026. O controle das atividades ocorreu por meio de “status reports” semanais com cada fornecedor envolvido. Este processo permitiu identificar tarefas específicas para cada sistema, incluindo mapeamento funcional, desenvolvimento, testes, treinamentos e validações finais, decompondo as entregas em ações menores e gerenciáveis.

O terceiro processo, “Sequenciar as Atividades”, também utilizou a ferramenta Clarizen. Nele, imputaram-se todas as atividades dos cronogramas de cada fornecedor, alocando recursos internos e estipulando durações com base nas datas-marco. A construção “de trás para frente” do cronograma inicial permitiu estabelecer uma sequência lógica, identificando interdependências e definindo datas para desenvolvimento, testes unitários e integrados, treinamentos, plano de “Cutover”, “Go Live” e “Hypercare”. As relações lógicas entre as tarefas foram criadas por meio de predecessoras, predominantemente do tipo Término para Início (PMI, 2017).

No processo “Estimar as Durações das Atividades”, as estimativas seguiram a data-marco de 05 de janeiro de 2026. As durações foram definidas em dias úteis, considerando a alocação de trabalho das equipes internas, dependências externas e volume de mudanças. As estimativas foram obtidas por meio de consultas diretas às equipes de desenvolvimento (fornecedores), especialistas dos sistemas e gestores das áreas de negócio, baseando-se na complexidade técnica, impacto ao negócio e riscos associados. As estimativas foram continuamente reavaliadas em agendas semanais (PMI, 2017).

O processo “Desenvolver o Cronograma” consolidou todas as atividades definidas, suas sequências lógicas, durações estimadas e alocações de recursos. A integração dessas informações no Clarizen gerou um cronograma completo, visual e organizado, contemplando todas as frentes de trabalho dos fornecedores envolvidos. Este cronograma foi desenvolvido seguindo a data-marco de entrega em 05 de janeiro de 2026, promovendo controle e gerenciamento ágil do projeto (PMI, 2017).

Por fim, o processo “Controlar o Cronograma” foi executado por meio de agendas de acompanhamento realizadas duas vezes por semana com todos os fornecedores e equipes internas. Essas reuniões permitiram a atualização constante do progresso, a identificação e mitigação de riscos, e a elaboração de relatórios de status para os stakeholders. O controle visou manter os percentuais de realizado alinhados ao planejado, garantindo que o projeto permanecesse no prazo, mesmo diante de alterações regulatórias (PMI, 2017).

3. Resultados e Discussão

Os resultados deste trabalho detalham a aplicação dos seis processos de gerenciamento de cronograma, conforme delineado na 6ª edição do PMBOK, em um projeto de adequação à Reforma Tributária em uma empresa do agronegócio. A abordagem metodológica, que incluiu entrevistas com stakeholders e análise documental, permitiu uma compreensão aprofundada dos desafios e das soluções implementadas. Os achados evidenciam a relevância de um planejamento estruturado e de um controle contínuo para a mitigação de riscos e o cumprimento de prazos em projetos regulatórios complexos, como o estudado, que envolveu múltiplos fornecedores e a necessidade de aderência a uma data regulatória fixa.

Planejar o Gerenciamento do Cronograma

O planejamento do gerenciamento do cronograma foi iniciado a partir de um chamado da área de negócios, motivado pela natureza regulatória da Reforma Tributária. Este processo culminou na elaboração de um Termo de Abertura do Projeto, que serviu como documento fundamental para formalizar o projeto e estabelecer suas diretrizes iniciais. O Termo de Abertura definiu o título do projeto como “Plano de Gerenciamento de Cronograma da Reforma Tributária para empresa do setor de agronegócio”, com o objetivo de desenvolver um plano alinhado às melhores práticas do PMBOK 6ª edição.

A justificativa para o projeto centrou-se na garantia do cumprimento dos prazos legais e na otimização da execução do cronograma, visando minimizar atrasos em uma demanda regulatória crítica. O escopo inicial abrangeu o planejamento, a definição, o sequenciamento, a estimativa, o desenvolvimento e o controle do cronograma. As principais entregas incluíram um cronograma detalhado com atividades sequenciadas, estimativas de duração e um plano de gerenciamento adequado para a entrega estipulada pela Reforma Tributária, conforme as exigências da Lei Complementar nº 214 de 2025.

Uma matriz de envolvidos foi elaborada, identificando as inúmeras áreas da companhia, como TI, financeiro, fiscal, jurídico, suprimentos e tributário, além de fornecedores externos e consultores. Essa abrangência reflete a natureza transversal da Reforma Tributária, que impacta quase todos os setores da organização. A principal restrição identificada foi o prazo regulatório estipulado pela lei, e o critério de sucesso foi o alinhamento do cronograma a esse prazo, garantindo sua execução e a satisfação dos stakeholders, o que sublinha a criticidade do projeto.

A análise do poder de influência e nível de interesse dos envolvidos revelou que a diretoria da companhia e os gerentes executivos de negócio e de TI possuíam o maior poder de influência e interesse. Essa categorização foi crucial para definir uma estratégia de comunicação “top down”, que partiu da alta liderança para os níveis operacionais. Tal abordagem, alinhada com Mascena e Stocker (2020), garantiu o engajamento necessário e a disseminação clara das informações, contribuindo para o bom andamento do cronograma e a minimização de riscos associados à falta de comunicação ou desalinhamento de expectativas.

Definir as Atividades

A definição das atividades constituiu o segundo processo crucial, estabelecido a partir de um cronograma macro que tomou como base a data regulatória de 05 de janeiro de 2026 para o “Go Live”. Este marco orientou a construção do cronograma “de trás para frente”, permitindo o mapeamento sequencial e estruturado de todas as atividades necessárias para a implementação da Reforma Tributária nos sistemas impactados. A ferramenta Clarizen, utilizada pela companhia, foi essencial para registrar e controlar essas atividades.

O processo de definição das atividades ocorreu após o levantamento inicial do escopo e entrevistas com os stakeholders, o que possibilitou a identificação de tarefas específicas para cada sistema, incluindo mapeamento funcional, desenvolvimento, testes, treinamentos e validações finais. A lista de atividades foi organizada em “Gates” (de 0 a 5), que representam fases distintas do projeto, cada uma com entregas e revisões específicas. Essa estrutura em fases, característica da metodologia waterfall com “stages gates”, garantiu uma decomposição clara do trabalho.

As atividades foram detalhadas para cada Gate, abrangendo desde a formalização do projeto e levantamento inicial do escopo (Gate 0), passando pela estimativa de cronograma e plano financeiro (Gate 1), refinamento de documentos e detalhamento técnico (Gate 2), contratação de fornecedores e definição de planos de comunicação e treinamento (Gate 3), até o desenvolvimento, testes, Go Live e Hypercare (Gate 4), e finalmente o encerramento do projeto (Gate 5). Essa granularidade permitiu maior precisão no planejamento e na alocação de responsabilidades, conforme a prática de gerenciamento de projetos (Carvalho e Rabechini Jr, 2018).

Apesar de algumas atividades serem repetidas ao longo dos Gates, essa repetição foi intencional, visando garantir revisões constantes e o pleno cumprimento das tarefas diante de eventuais mudanças. Essa abordagem está em conformidade com as melhores práticas do PMI (2017), que enfatizam a importância de uma lista de atividades completa e atualizável para a previsibilidade do cronograma. A definição estruturada e a revisão contínua das atividades foram, portanto, essenciais para a organização, previsibilidade e alinhamento com os envolvidos, sustentando um cronograma aderente às boas práticas do PMBOK 6ª edição.

Sequenciar as Atividades

O sequenciamento das atividades foi o terceiro resultado fundamental, realizado na ferramenta Clarizen, que permitiu estabelecer relações lógicas entre as tarefas por meio de predecessoras. Essa etapa foi crucial para visualizar a interdependência entre as atividades e integrar os cronogramas de todos os fornecedores envolvidos. A construção do cronograma “de trás para frente”, partindo da data limite regulatória, garantiu que a sequência lógica das atividades estivesse alinhada ao prazo final imposto pela legislação.

A cadeia de atividades foi estruturada utilizando o relacionamento Término para Início (TI), que é o padrão mais comum em projetos e estabelece que uma atividade sucessora só pode começar após a conclusão de sua predecessora. Esse método, conforme o Guia PMBOK 6ª edição (PMI, 2017), demonstrou ser determinante para garantir clareza e previsibilidade no desenvolvimento do cronograma, evitando a gestão de cronogramas irreais e reduzindo riscos de retrabalho. A aplicação consistente dessa abordagem contribuiu para um maior controle sobre o fluxo de trabalho e fortaleceu a capacidade de resposta a variações.

O sequenciamento estruturado permitiu a identificação do caminho crítico do projeto, facilitando a priorização das atividades com maior impacto no cronograma. As reuniões semanais com fornecedores e equipes internas foram essenciais para manter o alinhamento contínuo e permitir ajustes ágeis diante de riscos ou atrasos identificados. Essa comunicação constante e a visibilidade das dependências foram fundamentais para a gestão eficaz do projeto, assegurando que cada etapa fosse iniciada apenas quando as condições necessárias estivessem plenamente atendidas, conforme as diretrizes do PMI (2021) sobre a importância de relações lógicas para orientar o comportamento sequencial.

Estimar as Durações das Atividades

A estimativa das durações das atividades representou um dos processos mais críticos do planejamento, influenciando diretamente a construção de um cronograma realista e alinhado às restrições do projeto. Com a data de “Go Live” fixada em 05 de janeiro de 2026, cada atividade foi planejada considerando o tempo efetivamente necessário para sua execução. Fatores como a alocação de trabalho das equipes internas, as dependências externas com fornecedores e o volume de mudanças decorrentes da nova legislação foram cuidadosamente avaliados para determinar as durações em dias úteis.

Essa abordagem permitiu capturar de forma precisa o esforço requerido em cada etapa, minimizando riscos e garantindo que o cronograma refletisse a complexidade real do projeto. As estimativas foram realizadas por meio de consultas diretas às equipes de desenvolvimento, especialistas dos sistemas e gestores das áreas de negócio, baseando-se na complexidade técnica, impacto ao negócio e riscos associados. Essa colaboração multidisciplinar, conforme Xavier (2018), é fundamental para obter o número de períodos de trabalho necessários para concluir as atividades específicas com os recursos estimados.

As durações foram continuamente reavaliadas durante agendas de acompanhamento semanal com o time do projeto, garantindo aderência às boas práticas de planejamento recomendadas pelo PMBOK 6ª edição (PMI, 2017). Essa dinâmica de revisão constante, à luz de novas informações e da data regulatória imposta, garantiu maior precisão e adaptabilidade ao planejamento. A previsão estruturada das durações, como insumo essencial para o desempenho do planejamento e para a formação de um cronograma consistente ao longo de todo o ciclo de vida do projeto, foi um diferencial para o sucesso da iniciativa (PMI, 2021).

Desenvolver o Cronograma

O desenvolvimento do cronograma consolidou todas as atividades definidas, suas sequências lógicas, durações estimadas e alocações de recursos em um único fluxo temporal coerente. A integração dessas informações na plataforma Clarizen permitiu a geração de um cronograma completo, visual e organizado, contemplando todas as frentes de trabalho dos fornecedores envolvidos. Essa fase, conforme Montes (2023), é essencial para construir uma representação temporal coerente, permitindo visualizar o fluxo de trabalho e identificar possíveis restrições.

A consolidação técnica do cronograma exigiu uma análise criteriosa de restrições, riscos potenciais e interdependências entre atividades, garantindo que a sequência planejada fosse compatível com a capacidade operacional das equipes. Esse processo permitiu identificar gargalos, prever caminhos críticos e ajustar prazos quando necessário, fortalecendo a governança e o controle do projeto. Conforme o PMBOK 6ª edição (PMI, 2017), essa etapa transforma estimativas individuais em um plano integrado de execução, permitindo avaliar impactos de mudanças e antecipar atrasos.

O cronograma desenvolvido tornou-se um elemento estruturante para toda a condução do projeto, oferecendo uma visão integrada e realista das entregas ao longo do tempo. A clareza proporcionada por essa etapa fortaleceu tanto o planejamento quanto o monitoramento, permitindo que decisões fossem tomadas com base em informações consistentes e atualizadas. Montes e Maudonnet (2019) reforçam que o cronograma funciona como instrumento de coordenação entre equipes, facilitando a priorização das entregas e a identificação de interdependências críticas, o que foi fundamental para o alinhamento entre áreas internas, fornecedores e liderança, contribuindo diretamente para a execução eficiente e o cumprimento do prazo estabelecido.

Controlar o Cronograma

O controle do cronograma foi conduzido por meio de reuniões semanais, realizadas duas vezes por semana com todos os fornecedores e equipes internas, permitindo a atualização constante do progresso do projeto. A partir dessas reuniões, foram gerados relatórios de status para os stakeholders, contendo o percentual concluído, pontos de atenção e riscos identificados. Essa abordagem de monitoramento contínuo e colaborativo, conforme Vargas (2018), funciona como um “termômetro do projeto”, essencial para identificar desvios e garantir a aderência às datas planejadas, reduzindo a probabilidade de impactos negativos no prazo final.

A execução do cronograma foi impactada pela instabilidade normativa inerente à implementação da Reforma Tributária, com o Governo promovendo alterações pontuais e mudanças em datas regulatórias, muitas vezes com curto prazo de antecedência. Esse cenário exigiu da equipe elevada capacidade de adaptação e pronta resposta. O controle efetivo do cronograma, sustentado por reuniões recorrentes com o time de TI, fornecedores e área de negócio, revelou-se determinante para absorver essas mudanças sem comprometer o prazo final estabelecido pela legislação, conforme o PMI (2021) que destaca a importância de avaliar incertezas e riscos continuamente.

A análise do desempenho geral do cronograma revelou que o projeto, como um todo, apresentou uma leve antecipação em relação à duração total prevista, passando de 311 dias úteis planejados para 308 dias úteis realizados, resultando em 99% de aderência. Os Gates 0, 1 e 2 foram concluídos exatamente conforme o planejamento, com 100% de aderência. No entanto, o Gate 3 apresentou um desvio significativo, com 65 dias úteis realizados frente aos 45 dias planejados, representando 144% do prazo previsto, devido a atrasos na contratação de fornecedores e mudanças regulatórias, como apontado por Kerzner (2017) sobre atrasos em fases intermediárias.

Em contrapartida, os Gates 4 e 5 apresentaram redução de prazo, com 94% e 57% do tempo planejado, respectivamente, evidenciando um esforço de recuperação do cronograma após o atraso no Gate 3. A antecipação do término dessas fases sugere a aplicação de estratégias de aceleração, como realocação de recursos e paralelismo de atividades, práticas esperadas no processo de controle do cronograma (PMI, 2017). Isso demonstra que o monitoramento sistemático e a análise contínua de desempenho permitiram não apenas identificar desvios, mas também implementar ajustes eficazes para garantir o cumprimento do prazo final do projeto.

Após a implementação em produção em 05 de janeiro de 2026, o projeto seguiu para a fase de hypercare, com duração de 30 dias, dedicada ao acompanhamento e estabilidade das aplicações. Nesse período, foram identificadas 28 issues, das quais 93% (26 issues) foram solucionadas dentro do próprio período de hypercare, sem impacto no funcionamento das operações. A maior concentração de ocorrências (68%) se deu nos três primeiros dias pós-Go-Live, predominantemente de natureza técnica/pontual, o que reforça a estabilidade da base técnica e a efetividade do gerenciamento do cronograma na fase pré-Go-Live (Kerzner, 2017).

Em síntese, o gerenciamento eficaz do cronograma, fundamentado nas boas práticas do PMBOK 6ª edição, demonstrou ser crucial para a governança e o sucesso de projetos regulatórios complexos. A combinação de um planejamento estruturado, sequenciamento lógico das atividades, estimativa realista de durações e controle contínuo, mesmo diante de desvios pontuais e instabilidade normativa, possibilitou mitigar riscos, integrar múltiplos fornecedores e cumprir o prazo legal estabelecido, contribuindo para a redução de riscos operacionais e a satisfação dos stakeholders.

4. Conclusão

O presente estudo buscou desenvolver um plano de gerenciamento de cronograma para a implementação da Reforma Tributária em uma empresa do setor de agronegócio, alinhado às melhores práticas da 6ª edição do PMBOK. Verificou-se que a aplicação dos seis processos de gerenciamento de cronograma – planejar, definir, sequenciar, estimar, desenvolver e controlar – possibilitou a elaboração de um planejamento estruturado e consistente. Observou-se que o planejamento detalhado, o sequenciamento lógico das atividades e a estimativa realista de durações foram cruciais para a previsibilidade e o controle do projeto. O controle contínuo do cronograma, realizado por meio de reuniões semanais e relatórios de status, demonstrou ser eficaz na identificação e mitigação de riscos e desvios, mesmo diante da instabilidade normativa e das alterações regulatórias promovidas pelo Governo. O projeto, como um todo, apresentou uma aderência de 99% ao prazo total previsto, com 308 dias úteis realizados frente aos 311 planejados. Embora os Gates 0, 1 e 2 tenham sido concluídos com 100% de aderência, o Gate 3 registrou um desvio significativo, com 65 dias úteis realizados contra 45 planejados, devido a atrasos na contratação de fornecedores e mudanças regulatórias. Contudo, os Gates 4 e 5 apresentaram recuperação de prazo, evidenciando a capacidade de adaptação e a implementação de ações corretivas. A fase de hypercare, pós-Go-Live, identificou 28 issues, das quais 93% foram solucionadas, reforçando a estabilidade da base técnica e a efetividade do gerenciamento do cronograma.

A principal contribuição deste trabalho reside em evidenciar que o gerenciamento eficaz do cronograma, fundamentado nas boas práticas do PMBOK 6ª edição, é fundamental para a governança e o sucesso de projetos regulatórios complexos, garantindo o cumprimento dos prazos legais e a redução de riscos operacionais em organizações do agronegócio. Como limitação, identificou-se que os atrasos nas fases intermediárias, especialmente na contratação de fornecedores e devido a mudanças regulatórias imprevistas, exigiram maior atenção no planejamento de riscos e na utilização de buffers. Para estudos futuros, sugere-se aprofundar a análise da integração entre gerenciamento de cronograma, gestão de riscos e controle de mudanças em projetos regulatórios de longo prazo. Recomenda-se também a avaliação da aplicação de metodologias híbridas ou ágeis em contextos com alta rigidez legal, além de estudos comparativos entre diferentes setores ou organizações para ampliar a compreensão sobre fatores críticos de sucesso na gestão de cronogramas em projetos de transformação regulatória.

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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22 de outubro de 2026

Observatório Digital da Amazônia: Ciência de Dados Aplicada à Análise de Indicadores Sociais, Econômicos, Ambientais e de Saúde

O estado do Amazonas enfrentou desafios históricos na consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS), decorrentes de barreiras geográficas, desigualdades socioeconômicas e limitações estruturais. Descreveu-se, neste estudo, o desenvolvimento e a implementação de um geoportal de informações em saúde, concebido para apoiar o monitoramento, a avaliação e o planejamento no contexto amazônico. Adotou-se uma abordagem de estudo de caso descritivo, baseada em análise documental e dados secundários, abrangendo o mapeamento de funcionalidades, a infraestrutura técnica e as etapas de validação da ferramenta. O Portal foi desenvolvido com tecnologias abertas e integrou múltiplas bases de dados nacionais, oferecendo dashboards interativos, mapas temáticos e repositório digital de documentos. Entre os resultados, destacaram-se a visualização georreferenciada de indicadores-chave, a possibilidade de análises comparativas temporais e a utilização da plataforma na revisão de planos de saúde e no redirecionamento de ações estratégicas. O portal pode representar um avanço na governança digital e na gestão baseada em evidências, com potencial de replicabilidade para outros territórios de alta complexidade, desde que acompanhada de investimentos em infraestrutura tecnológica, capacitação profissional e articulação interinstitucional.

Palavras-chave: Amazônia; Avaliação em Saúde; Saúde Digital; Sistemas de Informação em Saúde.

22 de outubro de 2026

Aprendizado Contínuo como Fator de Crescimento Organizacional na Percepção dos Colaboradores

O impacto do aprendizado contínuo e da gestão do conhecimento no crescimento das organizações foi estudado em um cenário de globalização e constantes mudanças. O objetivo do estudo foi analisar a percepção dos colaboradores sobre a cultura de aprendizagem e sua importância para o desenvolvimento pessoal e profissional. Os dados foram obtidos por meio de uma pesquisa anônima, de abordagem quantitativa, utilizando um formulário com questões do tipo “survey” aplicado a 87 profissionais dos setores de tecnologia, saúde, educação, comércio e serviços. Os resultados indicaram que os colaboradores possuíam uma percepção positiva sobre a contribuição do aprendizado contínuo para o crescimento pessoal e organizacional, reconhecendo seus benefícios para o desenvolvimento de novas habilidades, inovação e competitividade. Contudo, observou-se que o incentivo à troca de conhecimento interno e a oferta de treinamentos práticos ainda apresentavam médias moderadas de concordância. Concluiu-se que o aprendizado contínuo contribui significativamente para o desenvolvimento individual e organizacional, sugerindo que as empresas devem desenvolver políticas estratégicas de aprendizado direcionado para novas habilidades, visando maior vantagem competitiva e inovação.

Palavras-chave: Aprendizagem contínua; Autodesenvolvimento; Crescimento organizacional; Gestão do conhecimento; Inovação.

22 de outubro de 2026

Previsão da Inadimplência Agregada no Sistema Financeiro Brasileiro por Modelo Sarimax com Variáveis Macroeconômicas

A inadimplência agregada no sistema financeiro brasileiro é um indicador crucial de risco de crédito, cuja previsão é regulamentada pelas Resoluções CMN n.° 4.557/2017 e 4.966/2021 para a mensuração prospectiva de perdas esperadas. Modelou-se e previu-se a inadimplência agregada por meio do modelo SARIMAX, projetando sua trajetória até dezembro de 2026 sob cenários otimista, base e pessimista. Utilizaram-se 164 observações mensais (julho/2012 a fevereiro/2026) e variáveis macroeconômicas como desemprego, Selic, IPCA, IBC-Br e endividamento das famílias. A especificação com variáveis contemporâneas foi selecionada com base em critérios de informação e estabilidade dos coeficientes, e o diagnóstico dos resíduos confirmou adequação estatística, com MAPE de 3,12%. A inadimplência histórica variou entre 4,33% e 7,64%. A estimação identificou o desemprego (β = 0,2534; p < 0,001) e a Selic (β = 0,2128; p < 0,001) como principais determinantes positivos, com forte persistência temporal (AR(1) = 0,8965). A Selic exibiu correlação crescente com a inadimplência (r = 0,62 no lag 12), enquanto o desemprego demonstrou efeito contemporâneo (r = 0,33). As projeções indicaram inadimplência entre 6,30% e 7,98% em dezembro de 2026, com uma amplitude de 1,68 ponto percentual, evidenciando implicações diretas para o dimensionamento de provisões nas instituições financeiras. Palavras-chave: Desemprego; Modelagem preditiva; Política monetária; Provisão de perdas; Séries temporais.

22 de outubro de 2026

Fatores de Engajamento das Partes Interessadas na Transferência Internacional de Tecnologia para um Hospital Público

Este estudo descreveu os fatores críticos percebidos para o engajamento das partes interessadas na transferência internacional de tecnologia em um hospital público, com foco no planejamento. O objetivo foi descrever esses fatores condicionantes, conforme a percepção de profissionais. Realizou-se um estudo de caso único, aplicando um questionário a 25 profissionais e utilizando análise de conteúdo, complementada por tabulações descritivas. Os principais obstáculos identificados foram resistência à mudança (72%), financiamento (64%), falta de comunicação (60%) e burocracia (40%). Apenas 28% dos respondentes reconheceram a existência de ferramentas adequadas para gestão de stakeholders, enquanto 48% negaram e 24% não souberam informar. Cruzamentos exploratórios indicaram variações na avaliação de influência conforme o tempo de atuação, mas não estabeleceram relações causais. A falta de engajamento foi associada a atrasos, baixa adesão, desperdício de recursos, falhas de comunicação, comprometimento da absorção de conhecimento e riscos à segurança do paciente. As conclusões restringiram-se às percepções do grupo pesquisado e fundamentaram recomendações preliminares para comunicação e coordenação intersetorial.

Palavras-chave: Estudo de caso; Gestão de projetos; Inovação em saúde; Partes interessadas; Setor público.

22 de outubro de 2026

Combate às Perdas Comerciais de Energia Elétrica Utilizando Modelo de Séries Temporais

As perdas comerciais de energia elétrica representaram um dos principais desafios para as distribuidoras, impactando diretamente a sustentabilidade econômica e a qualidade do fornecimento. Avaliou-se a eficiência de modelos de séries temporais, com foco em técnicas de suavização exponencial, na previsão do consumo faturado de unidades consumidoras, para apoiar a identificação de desvios associados a perdas não técnicas. Utilizaram-se dados históricos de consumo mensal de uma distribuidora de energia elétrica no Brasil, segmentados por perfis de comportamento (estacionariedade, tendência e sazonalidade). Aplicaram-se modelos de suavização exponencial simples, Holt e Holt-Winters (aditivo e multiplicativo), comparados a uma média móvel tradicional. O erro percentual absoluto médio (MAPE) foi o critério de avaliação. Adicionalmente, empregou-se a abordagem ETS para seleção automática do modelo e testes de diagnóstico dos resíduos, como Ljung-Box e análise da função de autocorrelação. Os resultados demonstraram que modelos mais robustos apresentaram maior capacidade de adaptação às características das séries e menor erro, com destaque para o desempenho superior em cenários com tendência. Para séries sazonais, o modelo ETS mostrou maior capacidade de adaptação a transições. Concluiu-se que a utilização de modelos de séries temporais mais estruturados contribuiu significativamente para a melhoria da acurácia das previsões e ofereceu suporte analítico relevante para a identificação de perdas comerciais e otimização de processos operacionais e comerciais no setor elétrico.

Palavras-chave: Distribuição de energia; MAPE; Otimização; Previsão de consumo; Suavização exponencial.

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