Artigo

17 de agosto de 2026

Percepções e Experiências do Participante sobre Processos Organizacionais de Recrutamento e Seleção Conduzidos em Ambiente Remoto

Jaileide de Sousa Dias Santos; Vinícius Rennó Castro

DOI: 10.22167/2675-6528-202601577

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

Os processos seletivos remotos ganharam destaque nas práticas de recrutamento e seleção, impulsionados pela tecnologia digital e intensificados pela pandemia de COVID-19. Diante desse cenário, o estudo objetivou compreender as percepções de candidatos que participaram de processos seletivos remotos, considerando as dimensões da experiência ao longo das etapas de recrutamento e seleção. Para isso, conduziu-se uma pesquisa aplicada, descritiva e exploratória, com abordagem quantitativa, por meio de um levantamento de campo (survey). Coletaram-se dados de 109 participantes com experiência prévia em processos seletivos remotos, utilizando um questionário estruturado online. Os dados foram analisados por estatística descritiva e análises cruzadas entre variáveis sociodemográficas e profissionais. Os resultados indicaram uma avaliação predominantemente positiva, especialmente quanto à organização das etapas, clareza da comunicação e preparo dos recrutadores. Contudo, identificaram-se fragilidades relacionadas à transparência, ao feedback e à compreensão dos critérios de avaliação. Observou-se que fatores subjetivos e características da amostra influenciaram diretamente a percepção dos candidatos. Concluiu-se que, embora os processos seletivos remotos sejam percebidos como eficientes operacionalmente, ainda apresentam limitações em aspectos subjetivos, reforçando a importância de práticas que promovam uma experiência mais clara, coerente e humanizada para os candidatos e fortaleçam a imagem organizacional.

Palavras-chave: Experiência do candidato; Processos seletivos remotos; Recrutamento e seleção; Transparência.

1. Introdução

A seleção de pessoas, uma prática intrínseca à organização social e ao mundo do trabalho, possui raízes profundas na história. Exemplos de métodos de avaliação de aptidões podem ser encontrados desde a antiguidade, como nos exames da China Imperial e em textos clássicos de Platão e Cícero. Na Idade Moderna, pensadores como Luis Vives e Juan Huarte de San Juan já propunham abordagens para a avaliação de habilidades. Contudo, a consolidação da seleção de pessoal como disciplina científica, com a aplicação de métodos experimentais ao trabalho, ocorreu apenas no início do século XX, impulsionada por pesquisadores como Hugo Münsterberg e Wilhelm Stern, que estabeleceram as bases da psicologia organizacional moderna (Salgado, 2000).

Com o avanço do tempo, os processos seletivos evoluíram para práticas mais padronizadas e estratégicas, acompanhando as transformações do mercado de trabalho. Nesse cenário de constante inovação, o e-recrutamento, que se refere ao uso de ferramentas digitais para atrair e selecionar candidatos, consolidou-se como uma alternativa relevante às abordagens tradicionais. Lima e Rabelo (2018) destacam que essa modalidade oferece benefícios significativos, como a redução de custos operacionais, a otimização do tempo e a ampliação do alcance geográfico das vagas, ressaltando que o modelo digital atua como um complemento estratégico, e não como um substituto integral do presencial, especialmente em organizações de grande porte ou com atuação global.

A crescente digitalização foi intensificada pela pandemia de COVID-19, que acelerou a adoção de processos seletivos remotos, tornando-os uma prática comum em organizações de diversos portes e setores. Santos et al. (2023) observam que, apesar de alguns desafios tecnológicos, a maioria dos candidatos passou a preferir o formato remoto, reconhecendo vantagens como a economia de tempo e a eliminação de barreiras geográficas, além de impactos positivos na experiência emocional e logística. Blumen e Cepellos (2022) complementam que a pandemia atuou como um catalisador para a digitalização do recrutamento, promovendo a aceitação de ferramentas tecnológicas e o uso de inteligência artificial, embora ainda existam resistências culturais e ceticismo quanto à assertividade desses métodos.

A era digital, impulsionada pelo contexto pandêmico, tem gerado impactos ainda mais profundos na gestão de pessoas. Fernandes e Machado (2022) apontam que o recrutamento se tornou mais dinâmico, tecnológico e global, favorecendo a inovação, mas também apresentando desafios como a exclusão digital, o excesso de candidatos e a necessidade de adaptação organizacional ao uso intensivo de tecnologias. Essa transformação digital exige, portanto, novos olhares sobre a experiência do candidato e a percepção de justiça nos processos de atração e seleção de talentos.

Apesar do avanço e da relevância do tema, observa-se uma lacuna na literatura quanto a estudos que investiguem de forma sistemática como os candidatos percebem os processos seletivos remotos. Nikolaou e Oostrom (2015) ressaltam que a efetividade dos métodos de seleção deve necessariamente incluir a perspectiva do candidato, uma vez que suas reações e percepções influenciam diretamente a avaliação da experiência. Sylva e Mol (2009) demonstram que aspectos como a usabilidade das plataformas digitais, a clareza das etapas e a percepção de justiça são determinantes para a satisfação dos participantes em processos online, evidenciando a necessidade de aprofundamento nessa área. Diante desse cenário, emerge a questão de pesquisa: como os candidatos percebem os processos seletivos conduzidos em ambiente remoto e quais fatores influenciam sua experiência?

Compreender essa problemática é de suma importância, sustentando a justificativa desta investigação em dimensões práticas e científicas. Para as organizações, conhecer as percepções dos candidatos é essencial, pois a experiência vivenciada durante a seleção contribui diretamente para a construção da imagem da empresa, influenciando o “employer branding”, que é o conjunto de estratégias para consolidar a organização como um local atrativo para trabalhar (Miles e McCamey, 2018). Experiências negativas podem afastar talentos e comprometer a relação com futuros colaboradores. No campo científico, a relevância do tema reside em preencher a lacuna de estudos sobre percepções em processos seletivos digitais, especialmente porque princípios como ética, transparência e respeito ao candidato, destacados por Ferreira (2013) como centrais em práticas de recrutamento e seleção, assumem novas dimensões em contextos mediados pela tecnologia.

Diante desse contexto, o presente estudo teve como objetivo compreender as percepções de candidatos que participaram de processos seletivos remotos, considerando diferentes dimensões da experiência vivenciada ao longo das etapas de recrutamento e seleção, analisando o nível de satisfação dos candidatos em relação às etapas, aos procedimentos adotados e à postura dos recrutadores, bem como as emoções e percepções associadas à justiça, à transparência e à clareza do processo, e os impactos dessa experiência na imagem que os candidatos constroem sobre a organização e em sua atratividade como empregadora.

2. Material e Métodos

O presente estudo caracterizou-se como uma pesquisa aplicada, de natureza descritiva e exploratória, com abordagem quantitativa, conduzida por meio de um levantamento de campo (*survey*). A pesquisa aplicada objetiva gerar conhecimentos para a solução de problemas concretos. As pesquisas descritivas buscam caracterizar determinado fenômeno, enquanto as exploratórias proporcionam maior familiaridade com o problema investigado (Gil, 2017). O *survey* é considerado um dos métodos mais adequados para coletar dados padronizados de uma população ou amostra, permitindo a análise sistemática de fenômenos sociais (Babbie, 2003).

A coleta de dados ocorreu integralmente online, por meio de um questionário estruturado, no período de 05 de janeiro a 23 de janeiro de 2026. Este formato digital possibilitou alcançar um público diversificado de profissionais com experiência em processos seletivos remotos. A população-alvo consistiu em profissionais que já haviam participado de processos seletivos remotos, independentemente da área de atuação ou do nível hierárquico da vaga pretendida.

A amostragem adotada foi não probabilística por conveniência, totalizando 109 participantes. Esse tipo de amostragem é amplamente utilizado em pesquisas sociais de caráter aplicado para obter informações relevantes sobre o fenômeno, sem o objetivo de generalização estatística (Creswell, 2012; Richardson, 2017). Como critério de inclusão, consideraram-se válidas apenas as respostas de participantes que declararam experiência prévia como candidatos em processos seletivos remotos.

O instrumento de coleta de dados foi um questionário estruturado online, desenvolvido pelos pesquisadores e elaborado na plataforma Google Forms. Ele foi composto por 29 perguntas fechadas e uma pergunta aberta opcional. O questionário foi dividido em quatro partes: questões sociodemográficas e profissionais; visão geral dos candidatos sobre processos seletivos remotos; questões específicas sobre a experiência do candidato em processos seletivos remotos, utilizando uma escala Likert de cinco pontos (Likert, 1932); e a pergunta aberta opcional. A construção do instrumento focou na perspectiva do candidato, inspirada na literatura sobre recrutamento e seleção digital (Nikolaou e Oostrom, 2015; Sylva e Mol, 2009).

O questionário foi disponibilizado na plataforma Google Forms e divulgado por meio de convites enviados em redes sociais e aplicativos de mensagens, como WhatsApp e LinkedIn. Essa estratégia visou alcançar profissionais que já tivessem participado de processos seletivos conduzidos em ambiente remoto. Para controle dos dados, as respostas foram revisadas após o encerramento da coleta, excluindo-se manualmente os questionários incompletos, duplicados ou que não atenderam aos critérios de inclusão estabelecidos para a pesquisa.

Os dados coletados foram analisados por meio de estatística descritiva, com o cálculo de frequências absolutas e relativas, conforme as orientações de Hair et al. (2005). Os resultados foram organizados em tabelas e gráficos gerados no software Microsoft Excel, a fim de facilitar a visualização e interpretação dos padrões de resposta. Adicionalmente, realizaram-se análises cruzadas entre variáveis sociodemográficas e profissionais dos respondentes, como faixa etária, nível de escolaridade e regime de trabalho, para identificar variações nas percepções dos participantes.

A pesquisa seguiu todos os princípios éticos aplicáveis, com participação voluntária dos respondentes, precedida da aceitação do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). O anonimato dos participantes e a não identificação de empresas ou indivíduos foram garantidos, em conformidade com a Resolução CNS n° 510/2016. A pergunta aberta opcional, embora não respondida por todos, teve suas respostas analisadas de forma descritiva, por meio da leitura dos relatos, identificação de temas recorrentes e agrupamento de percepções semelhantes, utilizando-se trechos para ilustrar os achados.

As limitações metodológicas do estudo incluem a amostragem não probabilística por conveniência, com predominância de participantes jovens e com elevado nível de escolaridade. Essa característica restringe a generalização dos resultados. Além disso, por ser uma análise baseada em percepções, não foi possível estabelecer relações causais entre as variáveis investigadas, o que é inerente a este tipo de abordagem de pesquisa.

3. Resultados e Discussão

A intensificação do uso de processos seletivos remotos, impulsionada pelas transformações organizacionais recentes e pela pandemia de COVID-19, estabeleceu um novo paradigma nas práticas de recrutamento e seleção. Este cenário não apenas acelerou a digitalização, mas também consolidou o formato remoto como uma prática recorrente, transcendendo a natureza emergencial inicial. A experiência dos candidatos, portanto, reflete a adaptação a um modelo que busca eficiência e alcance, mas que também enfrenta desafios relacionados à interação humana e à percepção subjetiva do processo (Fernandes e Machado, 2022; Blumen e Cepellos, 2022).

A amostra da pesquisa foi composta por 109 participantes, predominantemente mulheres cisgêneras (52,3%) e homens cisgêneros (43,1%). A faixa etária mais representativa foi a de 25 a 34 anos (68,8%), indicando um perfil jovem-adulto. Em termos de escolaridade, a maioria possuía ensino superior completo (45,0%), seguida por pós-graduação lato sensu (30,3%) e mestrado (10,1%), revelando um elevado nível educacional. A concentração geográfica foi notável na Região Nordeste (70,6%), seguida pela Região Sudeste (20,2%).

No que tange ao perfil profissional, os cargos de Assistente (24,8%) e Analista (18,3%) foram os mais frequentes, indicando uma predominância de funções operacionais e de média gestão. As áreas de atuação mais representadas incluíram Educação e Ensino (13,8%), Saúde e Medicina (12,8%) e Vendas e Comercial (11,9%). A maioria dos participantes atuava em regime presencial (78,7%), e a maior parte possuía até três anos de vínculo no emprego atual (38,9% entre um e três anos, e 35,2% com menos de um ano).

Esse perfil da amostra, caracterizado por indivíduos jovens, com alta escolaridade e familiaridade com o ambiente digital, sugere uma predisposição a percepções mais favoráveis em relação aos processos seletivos remotos. Essa característica é crucial para a interpretação dos resultados, pois experiências em contextos digitais podem variar significativamente para perfis com menor acesso ou familiaridade tecnológica. A análise desses dados sociodemográficos e profissionais fornece o contexto necessário para compreender as avaliações dos candidatos. Visão geral da experiência dos candidatos em processos seletivos remotos

A transformação digital impulsionou o e-recrutamento, utilizando a internet e ferramentas digitais para atrair e selecionar talentos, o que se alinha com as demandas de agilidade e redução de custos das organizações (Fernandes e Machado, 2022; Pires et al., 2023). Os participantes da pesquisa demonstraram experiência prévia significativa com processos seletivos remotos, com 43,1% tendo participado de dois a três processos e 24,8% de um único processo. Um percentual considerável (17,4%) relatou ter participado de mais de seis processos, evidenciando a recorrência desse formato.

A maioria dos respondentes (56,9%) indicou ter participado de processos com duas a três etapas remotas, enquanto 23,9% relataram quatro ou mais etapas. Apenas 12,8% participaram de processos com uma única etapa remota. Quanto às plataformas, o Google Meet (80,7%), Zoom (47,7%), Microsoft Teams (45,0%) e WhatsApp (42,2%) foram as mais utilizadas, revelando uma padronização baseada em interações síncronas mediadas por vídeo. Plataformas próprias das empresas (16,5%) e outras ferramentas (3,6%) tiveram menor incidência.

A predominância de ferramentas de videoconferência como Google Meet e Zoom indica que a digitalização dos processos seletivos remotos, no contexto estudado, não se traduz necessariamente em automação completa, mas sim na adaptação de práticas tradicionais ao ambiente virtual. Isso sugere que a interação humana continua sendo um elemento central, mesmo mediada por tecnologia, influenciando diretamente a percepção dos candidatos. A flexibilidade e acessibilidade proporcionadas pelo formato remoto foram destacadas, permitindo a participação em múltiplas entrevistas sem a necessidade de deslocamento, como relatado por um dos participantes que afirmou: “tudo que eu tive de entrevista teve fase remota, e para mim isso sempre foi tranquilo”. Satisfação com as etapas, procedimentos e postura dos recrutadores

A percepção dos participantes sobre a organização do processo seletivo remoto foi majoritariamente positiva. Um total de 77,0% dos respondentes concordou que as etapas seguiram uma sequência lógica e bem definida, com 44,0% concordando parcialmente e 33,0% concordando totalmente. Apenas 11,0% discordaram da afirmação. Essa percepção de estrutura e coerência contribui para uma experiência mais previsível, alinhando-se à literatura que associa procedimentos estruturados à efetividade da seleção (Salgado, 2000).

Contudo, 53,0% dos participantes perceberam o processo seletivo remoto como longo e com etapas pouco relacionadas à vaga, sendo 31,2% em concordância parcial e 21,8% em concordância total. Em contraste, 44,9% discordaram dessa percepção. Essa contradição sugere que, embora a estrutura geral seja avaliada positivamente, a relevância e a adequação de cada fase ao objetivo da seleção podem ser pontos de aprimoramento, o que pode impactar negativamente a experiência do candidato (Santos et al., 2023).

A clareza dos procedimentos, métodos e ferramentas digitais utilizados foi amplamente reconhecida, com 80,7% dos participantes concordando com a afirmação, sendo 46,8% em concordância parcial e 33,9% em concordância total. Apenas 9,1% discordaram. Essa elevada concordância ressalta a importância da transparência e da sistematização proporcionadas pelas tecnologias no recrutamento, que contribuem para uma maior compreensão por parte dos candidatos (Lima e Rabelo, 2018).

Figura 1. Organização e clareza do processo seletivo remoto

Fonte: Resultados originais da pesquisa

A Figura 1 ilustra a percepção dos participantes sobre a organização e clareza do processo seletivo remoto, destacando que a maioria concorda com a sequência lógica das etapas e a clareza das ferramentas digitais. No entanto, uma parcela significativa também percebe o processo como longo e, por vezes, com etapas pouco relacionadas à vaga, evidenciando a necessidade de otimização na duração e na pertinência das fases.

A atuação dos recrutadores também foi avaliada. Em relação ao recebimento de orientações suficientes, 70,6% dos participantes concordaram, com 37,6% em concordância parcial e 33,0% em concordância total. Por outro lado, 21,1% discordaram. Quanto à condução do processo com preparo técnico e comunicação clara, 82,6% concordaram, sendo 50,5% parcialmente e 32,1% totalmente. Apenas 11,0% discordaram.

A oferta de oportunidades para esclarecimento de dúvidas foi percebida positivamente por 73,4% dos participantes, com 37,6% em concordância parcial e 35,8% em concordância total. No entanto, 15,6% discordaram. Esses resultados indicam que a comunicação clara, orientação adequada e disponibilidade para dúvidas são aspectos cruciais que influenciam a experiência do candidato e a percepção da organização (Miles e McCamey, 2018; Sylva e Mol, 2009).

Embora a condução do processo com preparo técnico e comunicação clara tenha apresentado os maiores níveis de concordância, aspectos como a suficiência das orientações e as oportunidades para esclarecer dúvidas mostraram maior variabilidade nas percepções, com percentuais mais elevados de discordância e neutralidade. Isso sugere que, apesar da boa avaliação geral da comunicação, há espaço para aprimoramento no suporte e na clareza das orientações ao longo das etapas do processo seletivo remoto.

Um dos participantes ilustrou essa diferença, relatando que “quando o processo era bem organizado, com orientações claras, prazos definidos e algum retorno ao longo das etapas, eu me sentia mais tranquila e confiante para mostrar quem eu sou e o que sei fazer, mesmo à distância”. Em contraste, experiências com falta de retorno ou informações confusas geraram insegurança e desânimo. Houve também relatos pontuais de recrutadores com fragilidades na preparação, evidenciando a necessidade de capacitação para a condução de processos seletivos remotos.

Figura 2. Atuação e comunicação dos recrutadores no processo seletivo remoto

Fonte: Resultados originais da pesquisa

A Figura 2 detalha a percepção dos candidatos sobre a atuação e comunicação dos recrutadores, mostrando que a maioria concorda que os recrutadores conduziram o processo com preparo técnico e comunicação clara, e ofereceram oportunidades para esclarecer dúvidas. No entanto, a percepção sobre o recebimento de orientações suficientes para cada etapa apresenta uma distribuição mais variada, com uma parcela considerável de respostas neutras e de discordância, indicando oportunidades de melhoria. Emoções e percepções sobre o processo seletivo remoto

A percepção de imparcialidade dos recrutadores foi avaliada, com 59,7% dos participantes concordando que as decisões foram tomadas de forma imparcial (30,3% parcial e 29,4% total). Contudo, 28,4% expressaram uma posição neutra, e 11,9% discordaram. A condução do processo com preparo técnico e comunicação clara obteve 65,0% de concordância (28,3% parcial e 36,7% total), enquanto 22,0% foram neutros e 12,8% discordaram. A objetividade e intenções claras dos recrutadores foram percebidas positivamente por 73,4% dos participantes (48,6% parcial e 24,8% total), com 9,2% neutros e 17,5% discordantes.

Os percentuais expressivos de respostas neutras, especialmente em relação à imparcialidade, sugerem que parte dos participantes não compreendeu claramente os critérios de decisão. Isso se alinha à literatura que destaca a clareza e coerência dos procedimentos como elementos centrais para a percepção de justiça em processos seletivos (Patterson et al., 2011). A forma como os candidatos interpretam os métodos de seleção influencia diretamente suas reações, reforçando a importância de práticas transparentes e compreensíveis (Nikolaou e Oostrom, 2015).

Figura 3. Recrutadores: Imparcialidade, preparo técnico e objetividade

Fonte: Resultados originais da pesquisa

A Figura 3 apresenta a avaliação dos recrutadores quanto à imparcialidade, preparo técnico e objetividade. Embora a maioria concorde com o preparo técnico e a objetividade, a percepção de imparcialidade mostra uma parcela significativa de respostas neutras, indicando que os critérios de decisão podem não ter sido totalmente claros para todos os candidatos.

A condução do processo seletivo contribuiu para a segurança emocional dos participantes, com 70,7% concordando (45,9% parcial e 24,8% total). No entanto, 13,8% foram neutros e 15,6% discordaram. Quanto à compreensão sobre a avaliação de desempenho, 58,7% concordaram (40,4% parcial e 18,3% total), mas 17,0% foram neutros e 21,6% discordaram. O recebimento de feedback suficiente foi percebido positivamente por 74,3% (48,6% parcial e 25,7% total), com 22,0% neutros e 18,3% discordantes.

Apesar da avaliação positiva geral em relação à segurança emocional e ao feedback, os percentuais de neutralidade e discordância, especialmente na compreensão da avaliação e na suficiência do feedback, apontam para limitações na comunicação. A qualidade das informações e o retorno são fundamentais para reduzir incertezas e promover percepções positivas (McCarthy et al., 2018). A ausência de feedback, por exemplo, foi associada a sentimentos de frustração e insegurança, como relatado por um participante: “Na verdade não recebemos ‘feedback’ sobre o que poderíamos melhorar, simplesmente recebemos um ‘email’ genérico informando que não passamos para a próxima fase”.

A adoção de práticas baseadas em transparência, respeito e comunicação adequada é crucial para a ética nos processos seletivos, e a falta de feedback figura entre os principais fatores de insatisfação (Ferreira, 2013). Por outro lado, experiências positivas foram identificadas quando os recrutadores criaram um ambiente acolhedor, permitindo que o candidato mostrasse seu conhecimento sem se sentir invalidado, o que demonstra o impacto da humanização no processo remoto.

Figura 4. Segurança emocional, avaliação do desempenho e feedback

Fonte: Resultados originais da pesquisa

A Figura 4 ilustra as percepções sobre segurança emocional, avaliação de desempenho e feedback. Os resultados indicam uma avaliação favorável da contribuição do processo para a segurança emocional e o recebimento de feedback. Contudo, a compreensão sobre como o desempenho foi avaliado apresenta uma distribuição mais dispersa, com percentuais relevantes de neutralidade e discordância, sugerindo que a clareza na comunicação sobre os critérios de avaliação ainda pode ser aprimorada. Percepções sobre a empresa a partir do processo seletivo remoto

A experiência vivenciada no processo seletivo remoto influencia a imagem da empresa, impactando sua atratividade e o interesse em futuras oportunidades (Bejtkovský et al., 2018; Okolie e Irabor, 2017). A pesquisa revelou que 77,1% dos participantes concordaram que a experiência influenciou sua percepção sobre a empresa (45,9% parcial e 31,2% total). Além disso, 60,4% desenvolveram uma percepção positiva da empresa a partir do processo seletivo (33,0% parcial e 27,4% total), embora 31,2% tenham se posicionado de forma neutra.

A atratividade da empresa para trabalhar, com base no processo seletivo remoto, foi confirmada por 66,0% dos participantes (43,1% parcial e 22,9% total). A presença de um percentual expressivo de respostas neutras (22,0% para atratividade e 31,2% para percepção positiva) pode indicar incerteza ou ausência de experiências marcantes, sugerindo que nem todos os participantes desenvolveram uma percepção claramente definida sobre a organização. Isso ressalta a importância de que as interações online e plataformas virtuais influenciem positivamente o posicionamento da empresa (Yacine e Karjaluoto, 2022).

Figura 5. Imagem da empresa a partir do processo seletivo remoto

Fonte: Resultados originais da pesquisa

A Figura 5 demonstra a influência da experiência no processo seletivo remoto sobre a imagem da empresa. Os dados revelam que a maioria dos participantes percebeu a experiência como influente na sua visão da empresa e que, a partir dela, desenvolveram uma percepção positiva e consideraram a empresa atrativa para trabalhar. No entanto, a presença de respostas neutras em relação à percepção positiva da empresa indica que a experiência nem sempre foi suficientemente marcante para todos os candidatos.

Mesmo sem aprovação, 61,4% dos participantes (33,0% parcial e 28,4% total) demonstraram disposição para participar de novos processos seletivos da empresa, indicando a manutenção do interesse e abertura para futuras oportunidades (Allden e Harris, 2013). A recomendação da empresa como um bom lugar para trabalhar obteve 52,4% de concordância (28,5% parcial e 23,9% total), mas 22,0% se mantiveram neutros e 23,5% discordaram. A adequação do processo seletivo remoto como instrumento de avaliação foi percebida positivamente por 63,3% (37,6% parcial e 25,7% total).

Apesar da disposição para novas candidaturas e da avaliação favorável da adequação do processo, os percentuais de respostas neutras e de discordância quanto à recomendação da empresa sugerem que a experiência, embora predominantemente positiva, não foi consistente o suficiente para gerar comportamentos mais ativos, como a recomendação a terceiros. A construção da imagem organizacional está intrinsecamente ligada à comunicação, transparência e percepção de justiça (Miles e McCamey, 2018; Patterson et al., 2011; McCarthy et al., 2018), e a experiência negativa pode impactar a disposição dos candidatos, como exemplificado pelo relato: “Os processos da Gupy eu nem tento mais.”

Figura 6. Recomendação, avaliação e novas participações

Fonte: Resultados originais da pesquisa

A Figura 6 ilustra a disposição dos candidatos para novas participações, a recomendação da empresa e a adequação do processo seletivo remoto. Os resultados mostram que, embora a maioria estivesse disposta a novas candidaturas e considerasse o processo adequado para avaliação, a recomendação da empresa a amigos ou familiares apresentou uma parcela considerável de respostas neutras e de discordância, indicando que a experiência, apesar de positiva, não gerou um engajamento ativo em todos os casos. Análises cruzadas segundo características da amostra

As análises cruzadas revelaram que a percepção de segurança emocional varia conforme a faixa etária. O grupo de 25 a 34 anos concentrou os maiores níveis de concordância (30,28% parcial e 18,35% total) em relação à condução do processo que contribuiu para a segurança emocional. Em contraste, participantes mais jovens (18 a 24 anos) e mais velhos (35 a 44 anos) apresentaram maior variabilidade e percentuais de discordância, sugerindo que a sensação de segurança emocional é mais prevalente no grupo jovem-adulto, que possui maior familiaridade com o ambiente digital.

Em relação à escolaridade e à percepção de clareza e objetividade do processo, participantes com ensino superior e pós-graduação (MBA/especialização) apresentaram os maiores níveis de concordância. Por exemplo, 19,27% dos pós-graduados concordaram parcialmente e 7,34% totalmente com a condução do processo com preparo técnico e comunicação clara. Embora esses grupos avaliem mais favoravelmente, também demonstram maior criticidade, com percentuais de discordância mais elevados em comparação a outros níveis de escolaridade, indicando uma percepção mais exigente da qualidade da comunicação e condução.

A análise cruzada entre regime de trabalho e experiência geral no processo seletivo remoto, avaliada pela capacidade de o processo avaliar adequadamente os candidatos, mostrou que os participantes em regime presencial concentraram os maiores níveis de concordância (31,19% parcial e 20,18% total). Isso sugere que a experiência prévia em ambientes presenciais não impede uma avaliação positiva dos processos remotos, embora a familiaridade com o formato possa influenciar o nível de avaliação entre os grupos. Participantes em regime de home office também apresentaram avaliação favorável, mas com menor representatividade.

A experiência prévia em processos seletivos remotos também influenciou a percepção de clareza e objetividade. Candidatos que participaram de dois a três processos seletivos remotos apresentaram maior concordância (21,10% parcial e 14,68% total) com a condução do processo com preparo técnico e comunicação clara, em comparação com aqueles que participaram apenas uma vez (11,01% parcial e 7,34% total). Isso indica que a familiaridade com o formato remoto tende a favorecer uma avaliação mais positiva da condução do processo, possivelmente pela adaptação progressiva às dinâmicas digitais e à maior compreensão das etapas e critérios envolvidos.

Em síntese, os resultados deste estudo indicam que os processos seletivos remotos são, em geral, percebidos de maneira positiva pelos candidatos, especialmente no que se refere à organização, clareza e uso de tecnologias. Contudo, aspectos relacionados à transparência, à compreensão dos critérios de avaliação e à percepção de justiça ainda apresentam limitações, evidenciando a necessidade de aprimoramento na condução desses processos. Além disso, observa-se que a experiência vivenciada ao longo da seleção influencia diretamente a percepção da empresa, reforçando a importância de práticas que promovam uma experiência mais clara, coerente e humanizada para os candidatos, respondendo assim ao objetivo central de compreender as percepções dos candidatos e os fatores que influenciam sua experiência.

4. Conclusão

O presente estudo buscou compreender as percepções de candidatos que participaram de processos seletivos remotos, analisando as dimensões da experiência ao longo das etapas de recrutamento e seleção. Verificou-se uma avaliação predominantemente positiva por parte dos participantes, especialmente no que concerne à organização das etapas, à clareza da comunicação e ao preparo dos recrutadores. Observou-se que a padronização das interações por vídeo e a sistematização dos procedimentos contribuíram para uma experiência mais previsível e estruturada. Contudo, identificaram-se fragilidades significativas relacionadas à transparência dos critérios de avaliação, à suficiência do feedback recebido e à compreensão sobre como o desempenho foi avaliado. Esses aspectos subjetivos, juntamente com as características da amostra, como a familiaridade com o ambiente digital, influenciaram diretamente a percepção dos candidatos, indicando que, embora eficientes operacionalmente, os processos remotos ainda enfrentam desafios na construção de uma experiência plenamente satisfatória.

A principal contribuição deste trabalho reside em ampliar a compreensão sobre a experiência do candidato em processos seletivos remotos, evidenciando que, além dos aspectos tecnológicos e operacionais, fatores como a percepção de justiça, a qualidade da comunicação e o suporte emocional desempenham um papel central na avaliação geral. Os resultados reforçam a importância de as organizações investirem em práticas que promovam uma experiência mais clara, coerente e humanizada, fortalecendo a imagem organizacional. Como limitações, destaca-se a amostragem por conveniência, com predominância de participantes jovens e com elevado nível de escolaridade, o que restringe a generalização dos achados. Além disso, a natureza perceptiva do estudo impede o estabelecimento de relações causais. Sugere-se que futuras investigações ampliem a diversidade da amostra e empreguem abordagens metodológicas mais robustas, incluindo análises estatísticas inferenciais e estudos qualitativos, para aprofundar a compreensão da experiência dos candidatos em processos seletivos remotos.

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Pessoas do MBA USP/Esalq

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26 de agosto de 2026

Gerenciamento de Cronograma de Manutenção no Setor de Extração de Caldo em uma Indústria Sucroalcooleira

A manutenção de entressafra em indústrias sucroalcooleiras representa um projeto de alta complexidade, frequentemente comprometido por limitações na definição do escopo, no sequenciamento de atividades e nas estimativas de duração, afetando a confiabilidade e previsibilidade da execução. Objetivou-se aprimorar o gerenciamento do cronograma de manutenção de entressafra no setor de extração de caldo, por meio da aplicação das práticas do PMBOK 6ª edição, com foco na estruturação do escopo, sequenciamento lógico das atividades, melhoria das estimativas de duração e identificação do caminho crítico. A pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso único, de natureza aplicada e abordagem mista, realizado em uma indústria sucroalcooleira. Os métodos incluíram análise documental de cronogramas de entressafra e coleta de dados por meio de questionários com profissionais da área. Inicialmente, diagnosticou-se o cronograma vigente, identificando lacunas. Em seguida, aplicaram-se ferramentas de gerenciamento do cronograma, como a Estrutura Analítica do Projeto (EAP), sequenciamento de atividades, estimativa análoga e bottom-up, e o método do caminho crítico (CPM), permitindo a comparação entre o cenário original e o reestruturado. Os resultados evidenciaram ganhos significativos em previsibilidade, organização das atividades, clareza nas dependências e maior controle sobre prazos e desvios, com a redução de atividades sem predecessoras ou sucessoras de 18,85% para 2,32%. Concluiu-se que a aplicação estruturada das boas práticas de gerenciamento do cronograma aprimorou o planejamento e contribuiu para a disponibilidade operacional na safra subsequente.

Palavras-chave: Caminho crítico; Confiabilidade do planejamento; Estrutura Analítica do Projeto (EAP); Planejamento operacional; Previsibilidade.

26 de agosto de 2026

Fomento à liderança de mulheres por meio da gestão estratégica de partes interessadas

A persistente sub-representação de mulheres em cargos de liderança revelou limitações nas estratégias institucionais de promoção da igualdade de gênero, destacando a necessidade de abordagens mais integradas entre gestão de projetos e negociação estratégica. O estudo objetivou analisar como estratégias de negociação e engajamento de partes interessadas fomentaram o compromisso institucional com políticas que impulsionam a liderança feminina, e propôs uma matriz estratégica orientada por uma perspectiva de gênero. Adotou-se uma abordagem de métodos mistos, de natureza convergente e articulação epistemológica crítica-transformativa, que combinou análise documental, estudos de caso institucionais e uma entrevista semiestruturada com uma líder feminina, seguida de análise temática e triangulação de dados para aumentar a robustez interpretativa. Os resultados indicaram que organizações que institucionalizaram práticas de governança, estabeleceram metas mensuráveis e incorporaram partes interessadas como participantes ativos demonstraram maior capacidade de converter compromissos discursivos em ações estruturadas. Evidenciou-se, ainda, que a integração entre negociação estratégica e gestão de partes interessadas potencializou a sustentabilidade das iniciativas de equidade de gênero. Concluiu-se que a implementação de uma matriz estratégica, denominada Matriz Estratégica de Engajamento de Stakeholders com foco em gênero (MEES-G), configurou-se como uma ferramenta de gestão relevante para fortalecer o compromisso institucional e facilitar transformações organizacionais consistentes, oferecendo orientação eficaz a gestores públicos e privados na implementação de políticas inclusivas.

Palavras-chave: Equidade; Governança; Inclusão organizacional; Representatividade; Transformação organizacional.

26 de agosto de 2026

Transformação do Modelo Comercial em Serviços Linguísticos para Maior Previsibilidade de Receita

A busca por previsibilidade de receita e maior controle sobre o desempenho comercial tem se tornado um desafio relevante na indústria de serviços linguísticos, caracterizada por alta variabilidade de demanda e modelos historicamente baseados em volume de serviços. Neste contexto, o estudo teve como objetivo analisar a reestruturação do modelo comercial de uma empresa do setor, com foco na transição de uma abordagem orientada à receita faturada para um modelo baseado na formalização de contratos e na previsibilidade de receita potencial. A pesquisa foi conduzida por meio de pesquisa-ação entre maio de 2024 e março de 2026, utilizando dados quantitativos provenientes de sistemas internos e dados qualitativos obtidos por observação participante e entrevistas com profissionais-chave. Os resultados quantitativos indicaram que a meta trimestral de contratos foi superada, atingindo 106% no primeiro trimestre de 2026, e os contratos firmados entre o final de 2025 e o primeiro trimestre de 2026 resultaram em uma projeção de receita de US$ 1.230.500, equivalente a aproximadamente 88% da meta anual, evidenciando aumento na previsibilidade da receita potencial. Qualitativamente, os dados apontaram maior clareza na avaliação da performance comercial, maior transparência na identificação dos fatores que impactam a conversão de contratos em receita e melhoria na integração entre as áreas envolvidas. Concluiu-se que a adoção de um modelo baseado em contratos contribui para uma gestão mais eficiente, previsível e orientada à geração sustentável de receita.

Palavras-chave: Contratos comerciais; Gestão comercial; Modelo de vendas; Pesquisa-ação; Serviços linguísticos.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

24 de agosto de 2026

Do Mundo à Mente: o Impacto Intercultural na Neuroplasticidade

Um estudo investigou a associação entre experiências interculturais e mudanças cognitivas autorrelatadas em adultos brasileiros, à luz do conceito de neuroplasticidade. A pesquisa caracterizou-se como exploratória, de abordagem mista, e foi composta por revisão bibliográfica narrativa e levantamento empírico. Este último foi realizado por meio de questionário online aplicado a 33 participantes que vivenciaram experiências em diferentes países. Coletaram-se dados sociodemográficos, características das vivências internacionais e autoavaliações relacionadas a funções executivas, aprendizagem, memória, atenção e comunicação social. Os resultados indicaram predominância de percepções positivas de mudanças cognitivas, especialmente nos domínios da flexibilidade cognitiva, planejamento, tomada de decisão, aprendizagem e competências comunicativas. A maioria dos participantes relatou a manutenção dessas mudanças ao longo do tempo, associando-as principalmente à duração da experiência, à necessidade de adaptação e ao contato intercultural direto. Os achados sugerem que experiências interculturais constituem contextos de estimulação cognitiva complexa, potencialmente associados a processos de reorganização funcional em múltiplos domínios cognitivos na vida adulta.

Palavras-chave: Adaptação cognitiva; Adaptação cultural; Aprendizagem; Flexibilidade cognitiva; Funções executivas.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

24 de agosto de 2026

Estudo Comparativo: o Conhecimento Docente sobre Neuroplasticidade e Práticas Pedagógicas na Rede Direta e Indireta

A primeira infância constitui um período crítico de plasticidade neural, no qual a qualidade das intervenções pedagógicas determina a arquitetura cerebral e o desenvolvimento integral da criança. O presente estudo teve como objetivo comparar o conhecimento docente sobre neuroplasticidade e sua aplicação prática em unidades de educação infantil de administração direta e indireta na cidade de São Paulo. A metodologia consistiu em um estudo de caso descritivo com abordagem mista, no qual foram aplicados questionários de autopercepção com docentes e realizada uma análise documental de projetos políticos pedagógicos, relatórios de desenvolvimento de alunos e diários de bordo. Os resultados indicaram que, embora ambas as redes tenham executado práticas neurocompatíveis, a Rede Direta apresentou maior intencionalidade pedagógica e segurança técnica 20% superior na identificação de marcos do desenvolvimento, fator diretamente associado à maior carga horária de formação continuada. O estudo evidenciou que a formação continuada atuou como um divisor entre a prática intuitiva e a mediação baseada em evidências. Concluiu-se que o acesso ao saber neurocientífico e a equiparação dos tempos de reflexão docente são fundamentais para garantir maior equidade no desenvolvimento infantil e a eficácia das políticas públicas de educação em territórios de vulnerabilidade.

Palavras-chave: Educação Infantil; Formação Docente; Neurociência Aplicada; Primeira Infância; Redes de Ensino.

24 de agosto de 2026

Precificação Baseada em Valor como Estratégia Competitiva Frente ao Modelo Orientado por Custos

A gestão estratégica de preços consolidou-se como fator determinante para a sustentabilidade e competitividade em mercados industriais, onde a transição de modelos baseados em custos para estratégias orientadas ao valor representa um desafio cultural e operacional crítico. Este estudo teve como objetivo comparar as práticas de precificação em duas unidades industriais do setor business-to-business (B2B), analisando como o alinhamento com a estratégia baseada em valor impacta a sustentabilidade do negócio. Para tanto, investigou-se uma unidade operacional e uma unidade que recentemente descontinuou suas atividades, buscando identificar correlações entre a gestão de preços e a viabilidade competitiva. Adotou-se uma abordagem qualitativa com elementos comparativos, a partir de entrevistas semiestruturadas aplicadas a gestores de duas empresas do setor metalmecânico, utilizando questões fechadas em escala Likert e perguntas abertas organizadas em sete dimensões analíticas relacionadas à maturidade em precificação. Os resultados evidenciaram que a empresa em operação apresentou maior estruturação de processos, melhor integração entre áreas, uso mais frequente de indicadores e ambiente cultural mais favorável à sustentação de preços com base no valor entregue ao cliente. Em contraste, a empresa descontinuada demonstrou fragilidades na formalização da precificação, baixa integração interfuncional, limitações na comunicação de valor e forte predominância de uma cultura orientada por custos. O estudo reforçou que a adoção da precificação baseada em valor requer a institucionalização de processos interfuncionais e governança para garantir a perenidade organizacional frente à pressão competitiva.

Palavras-chave: Concorrência; Cultura; Governança; Liderança.

24 de agosto de 2026

Modelo Preditivo de Risco Reputacional Baseado em Textos Jornalísticos

A reputação corporativa é um ativo intangível crítico, cuja volatilidade na era digital torna as organizações suscetíveis a crises por exposições midiáticas negativas. O estudo desenvolveu um modelo preditivo de risco reputacional para identificar se variáveis da cobertura de mídia, como volume, sentimento e léxico, atuam como precursores de danos severos. A metodologia fundamentou-se na coleta de dados via Web Scraping de notícias sobre eventos de risco ocorridos entre 2023 e 2025. O processamento utilizou Processamento de Linguagem Natural (NLP) para análise de sentimento e feature engineering. A modelagem consistiu em uma tarefa de classificação binária supervisionada, com o target de dano grave determinado por proxies quantificáveis, como impactos financeiros e penalidades regulatórias. Foram comparados os algoritmos Regressão Logística, Random Forest e XGBoost, além da implementação de um modelo Ensemble, em ambiente Python, validados pelas métricas AUC-ROC e F1-Score. Os resultados apontaram a superioridade da abordagem conjunta (Ensemble), que alcançou F1-Score de 0.878 e Recall de 85.4%, e a viabilidade de estimar a probabilidade de crises e estabelecer limiares de risco acionáveis. Comprovou-se a eficácia da integração entre NLP e Machine Learning para a mitigação proativa de riscos corporativos, oferecendo uma ferramenta de suporte à decisão para equipes de comunicação corporativa e gestão de riscos.

Palavras-chave: Análise de Sentimentos; Aprendizado de Máquina; Danos à reputação; Modelagem de Dados Históricos; Processamento de Linguagem Natural (PLN).

Compliance E Esg

24 de agosto de 2026

Liderança Feminina Negra no Brasil: como Políticas Corporativas de Diversidade Apoiam Trajetórias de Sucesso

O presente estudo analisou como as políticas corporativas de diversidade e inclusão influenciaram as trajetórias profissionais de mulheres negras que ocupam cargos de liderança no Brasil. O estudo buscou compreender as experiências e percepções dessas profissionais em relação às práticas organizacionais que moldaram seu desenvolvimento e ascensão. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, descritiva e aplicada, e coletou dados por meio de levantamento de campo, utilizando questionário semiestruturado com 30 mulheres negras em posições de liderança. Os resultados revelaram que a maioria das participantes possuía alta qualificação acadêmica, atuava predominantemente na região Sudeste e ocupava cargos intermediários de liderança, como supervisão e coordenação. Observou-se a coexistência de trajetórias recentes e consolidadas, indicando avanços na inserção de mulheres negras em liderança, mas também a persistência de limites estruturais que dificultaram a progressão para níveis hierárquicos superiores. Esses achados indicaram que, embora as políticas de diversidade e inclusão fossem relevantes, seus efeitos mostraram-se insuficientes quando não articulados a transformações organizacionais mais amplas voltadas à equidade racial e de gênero, sugerindo que o esforço individual emergiu como estratégia central de trajetória em contextos de suporte institucional frágil.

Palavras-chave: Ascensão profissional; Diversidade organizacional; Inclusão; Interseccionalidade; Políticas corporativas.

24 de agosto de 2026

Segmentação Estratégica de Adquirentes Brasileiras por Clusterização Multivariada

O setor de adquirência desempenha um papel central na infraestrutura de pagamentos, e compreender as diferenças estruturais entre as empresas adquirentes, com base em indicadores operacionais e econômicos, mostrou-se crucial para diagnósticos e decisões fundamentados em dados. O estudo teve como objetivo segmentar as adquirentes brasileiras utilizando indicadores trimestrais de porte, capilaridade, mix de canais e métricas econômicas, empregando análise exploratória de dados e o algoritmo de agrupamento K-means para identificar perfis estratégicos distintos. Realizou-se uma pesquisa quantitativa, exploratória e descritiva, utilizando uma base de dados estruturada com informações trimestrais de adquirentes brasileiras ao longo de doze períodos. A definição do número de agrupamentos baseou-se no método do cotovelo (elbow method) e no coeficiente de silhueta, sendo a interpretação reforçada pela visualização via Análise de Componentes Principais (PCA). Os principais resultados revelaram a formação de dois perfis predominantes: um caracterizado por maior escala e capilaridade, com elevado volume de transações e spreads médios mais comprimidos; e outro com maior participação do canal remoto e maior monetização relativa, evidenciada pela taxa MDR e por spreads médios mais elevados. Concluiu-se que o agrupamento reduziu a complexidade multivariada do mercado a perfis interpretáveis, oferecendo uma base objetiva para benchmarking e para a interpretação estratégica do posicionamento das adquirentes, com potencial de aplicação na análise de dados para a tomada de decisões.Palavras-chave: Adquirência; Análise multivariada; K-means; Pagamentos digitais; Perfis estratégicos.

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