Artigo

17 de agosto de 2026

Implementação do Método Kanban para Otimização dos Projetos em Empresa de Instalações Elétricas

Nadja Lieny Silva Borges; Iara Moroni

DOI: 10.22167/2675-6528-202601584

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

Em um cenário competitivo e de alta demanda por eficiência operacional, analisou-se os impactos da aplicação do método Kanban para otimização dos projetos em uma empresa de comercialização e instalação de materiais elétricos. A pesquisa adotou abordagem qualitativa, de caráter descritivo, baseada na observação direta da rotina e na implementação prática da ferramenta de gestão visual utilizando a plataforma Trello. Os resultados observados indicaram que a implementação do método Kanban contribuiu significativamente para a melhoria da produtividade, transparência e organização dos processos. Destacaram-se a redução de retrabalho, a maior previsibilidade dos prazos, a identificação de gargalos operacionais e a melhoria da comunicação entre os setores. Esses ganhos alinharam-se à literatura, que aponta o Kanban como uma ferramenta eficaz para a otimização do fluxo de trabalho e o aumento da eficiência operacional na realidade de pequenas e médias empresas do setor elétrico. O estudo contribuiu ao demonstrar a aplicabilidade da gestão visual e dos princípios de gerenciamento de projetos em empresas de pequeno e médio porte, mesmo em setores tradicionais de serviços.

Palavras-chave: Eficiência Operacional; Fluxo de Trabalho; Gestão Visual; Setor energético; Trello.

1. Introdução

Em um cenário de mercado crescentemente competitivo, a ineficiência na organização e coordenação dos processos colaborativos emerge como um desafio significativo, impactando diretamente a produtividade das empresas. Para enfrentar essa realidade, as organizações buscam continuamente por novas iniciativas em seus processos, técnicas, sistemas e tecnologias, visando aprimorar o planejamento e controle da produção (Costa, 2018).

Tais esforços são cruciais, pois o conjunto de atividades de uma empresa deve agregar valor específico ao cliente (Kerzner, 2017). A estruturação eficiente dessas atividades é fundamental para garantir a qualidade e a excelência na entrega de produtos ou serviços. Sem organização adequada, o fluxo de trabalho torna-se propenso a falhas, atrasos e retrabalhos, comprometendo a produtividade e a competitividade (Kerzner, 2017).

Este desafio se manifesta de forma evidente em setores como o de energia e instalações elétricas, onde uma maior integração entre o fornecimento de materiais e a prestação de serviços é essencial para a entrega de valor ao cliente (Slack; Brandon – Jones; Johnston, 2018). Nesse segmento, a produtividade está intrinsecamente ligada à coordenação eficaz entre a área comercial, gestão de estoque e equipe de serviços. Falhas na comunicação ou deficiências na gestão das etapas podem gerar insatisfação do cliente, riscos técnicos e desperdício de recursos (Mamede Filho, 2017).

O setor de energia elétrica no Brasil reflete o desenvolvimento nacional, com o crescimento das cidades e o aumento da demanda por novas ligações e regularização de padrões de energia. Segundo a ANEEL, esse volume crescente exige eficiência e segurança. Historicamente, empresas de pequeno e médio porte enfrentam dificuldades em seus sistemas de controle e monitoramento de informações, com a ausência de ferramentas visuais limitando o acompanhamento das atividades e a previsibilidade das entregas (Sebrae, 2020).

Na organização em estudo, o crescimento das operações nos últimos anos evidenciou que os controles manuais eram insuficientes para a nova realidade. Essa limitação impedia o monitoramento do progresso real das equipes e dos prazos, gerando gargalos no fluxo de trabalho e dificultando a gestão do tempo. Processos invisíveis impediam a identificação rápida de problemas e a tomada de decisão assertiva (Liker; Convis, 2013), culminando em informações descentralizadas e falta de padronização.

Para transformar essa problemática em oportunidade de melhoria contínua, a aplicação de princípios e ferramentas de gerenciamento de projetos é fundamental. A gestão eficaz propõe um plano de ação mensurável para otimizar o fluxo de trabalho. De acordo com o Project Management Institute, a Gestão de Projetos é a aplicação de conhecimentos, habilidades, ferramentas e técnicas às atividades do projeto para atingir seus requisitos (PMI, 2017). Nesse contexto, ferramentas de gestão visual têm se destacado como alternativas eficientes para melhorar a organização do trabalho e o desempenho das equipes, tornando os processos mais transparentes e facilitando a tomada de decisão (Liker; Convis, 2013).

Entre as ferramentas de gestão visual, o método Kanban se destaca por sua simplicidade, flexibilidade e foco na visualização do progresso das tarefas, facilitando a integração entre equipes e setores (Anderson, 2010). Originado no sistema de produção da Toyota, foi desenvolvido por Taiichi Ohno por volta de 1953 para tornar os processos mais eficientes (Milnitz, 2013). O sistema funciona com base na lógica de puxar as demandas, permitindo o autocontrole das operações e clareza sobre o que está sendo feito, por quem e em que etapa cada atividade se encontra. Isso contribui significativamente para a melhoria da comunicação, planejamento, priorização de tarefas e redução do retrabalho (Milnitz, 2013).

Apesar da relevância do setor elétrico, a falta de visibilidade na gestão das operações em campo compromete prazos e decisões. Este trabalho investiga como a implementação do Kanban pode solucionar esses gargalos, transformando processos antes “invisíveis” em um fluxo de trabalho estruturado e transparente. Ao aplicar o método em um cenário real, esta pesquisa contribui para a Gestão de Projetos ao demonstrar o impacto direto da gestão visual na produtividade e na previsibilidade das entregas operacionais. Diante desses benefícios e da versatilidade do método, este trabalho teve como objetivo analisar os impactos da aplicação do método Kanban para a otimização dos projetos em empresa de venda e instalação de material elétrico.

2. Material e Métodos

A presente pesquisa caracterizou-se como descritiva quanto aos objetivos, buscando analisar e descrever a aplicação do método Kanban para a estruturação das atividades de uma empresa (Gerhardt e Silveira, 2009). Adotou uma abordagem qualitativa, favorecendo análises aprofundadas e descrições detalhadas do fenômeno investigado (Gil, 2002). Em relação ao procedimento, configurou-se como um estudo de caso, metodologia empírica que visa compreender fenômenos em seus contextos reais, especialmente quando as fronteiras entre o fenômeno e o contexto não são claramente definidas (Yin, 2001).

O estudo foi conduzido em uma empresa localizada em Uberlândia (MG) e região, especializada na comercialização de materiais elétricos e na prestação de serviços de instalações elétricas personalizadas. A unidade de análise consistiu nos projetos desenvolvidos pela empresa, que variam em escopo e dimensão conforme a demanda do cliente. A população de participantes envolveu cerca de 30 colaboradores, distribuídos entre os setores de administração, vendas, almoxarifado e execução, todos diretamente envolvidos nos processos de gerenciamento de projetos.

A estratégia empírica para coletar os dados e estruturar a pesquisa foi dividida em três etapas principais, conforme ilustrado na Figura 1. Essa abordagem sequencial permitiu uma compreensão aprofundada do contexto organizacional antes da implementação da ferramenta e uma avaliação sistemática de seus impactos. A metodologia fundamentou-se nos princípios de Gerenciamento de Projetos, adaptando processos de iniciação, planejamento, execução, monitoramento, controle e encerramento ao cotidiano da empresa (PMBOK, 2017).

Figura 1. Etapas aplicadas na estratégia empírica

Fonte: Dados originais da pesquisa

A Figura 1 representa o fluxo metodológico adotado, iniciando pela “Análise do contexto organizacional”, progredindo para a “Estruturação do sistema Kanban” e culminando na “Análise qualitativa do processo”. Este diagrama visualizou as fases da pesquisa, garantindo clareza sobre a sequência das atividades e a interdependência entre elas, desde a compreensão inicial do ambiente até a avaliação final da implementação do método.

A primeira etapa, “Análise do contexto organizacional”, dedicou-se à coleta de dados para compreender o cotidiano da empresa, seu fluxo de trabalho e os desafios enfrentados pelas equipes. Mapeou-se o ciclo de vida dos projetos, identificaram-se os principais stakeholders e os desafios na comunicação e controle das atividades. Na segunda etapa, “Estruturação do sistema Kanban”, os conceitos teóricos do método foram personalizados para a empresa, criando-se um quadro que atendesse às necessidades diárias. Definiram-se as etapas do ciclo de cada projeto, regras de movimentação de demandas e responsabilidades, aplicando os pilares de visualização do trabalho, gestão do fluxo e limitação do Trabalho em Progresso (WIP) (Anderson, 2010).

A terceira etapa, “Análise qualitativa do processo”, envolveu a observação do uso do novo sistema, com caráter investigativo e reflexivo. A coleta de dados ocorreu por meio da observação participante constante da equipe, com ênfase no planejamento das atividades, definição de prazos, equipes responsáveis e particularidades de cada projeto. Realizaram-se reuniões periódicas com os colaboradores para avaliar a usabilidade da ferramenta e os impactos gerados, considerando aspectos como a organização do fluxo de tarefas e a comunicação entre os envolvidos.

A análise dos dados coletados, provenientes da observação direta e das reuniões periódicas, foi de natureza qualitativa, baseada em descrições detalhadas e interpretações contextualizadas do fenômeno investigado (Gil, 2002). Os procedimentos de organização dos dados incluíram a centralização das informações dos projetos na plataforma Trello, onde cada cartão representava um projeto e era atualizado pelos setores envolvidos. Uma limitação metodológica identificada foi a ausência de indicadores quantitativos formais para mensurar os impactos, baseando-se a avaliação em observações e percepções.

3. Resultados e Discussão

A implementação do método Kanban na empresa de comercialização e instalação de materiais elétricos revelou uma transformação significativa na gestão de projetos e na eficiência operacional. Inicialmente, a organização enfrentava desafios consideráveis devido à ausência de processos formalizados de planejamento e controle, o que resultava em informações descentralizadas e um fluxo de trabalho pouco transparente. A introdução da gestão visual, por meio da plataforma Trello, permitiu a superação de muitas dessas lacunas, estruturando as atividades e promovendo uma visão clara do progresso dos projetos, conforme os princípios de gerenciamento de projetos (PMBOK, 2017).

Antes da aplicação do Kanban, a rotina da empresa era marcada por um trabalho manual e de difícil acompanhamento, onde a visibilidade do status dos projetos era baixa e o planejamento carecia de suporte visual imediato. As informações sobre o andamento dos projetos eram registradas de forma informal, dependendo da presença física dos colaboradores, o que gerava perda de dados e retrabalho em caso de ausências. Essa falta de padronização e a comunicação ineficaz entre os setores comprometiam a produtividade e a satisfação do cliente, evidenciando a necessidade de uma ferramenta que integrasse as equipes e centralizasse as informações.

A implementação do sistema Kanban envolveu a participação ativa de diversos setores, incluindo a coordenação comercial, a equipe de vendas, o encarregado de instalações, o almoxarifado e a administração. Cada área assumiu responsabilidades específicas no novo fluxo de trabalho: o setor comercial registrava as demandas iniciais, a equipe de instalações atualizava os projetos com evidências visuais, o almoxarifado verificava materiais antecipadamente e a administração monitorava prazos e resultados. Essa colaboração multifuncional foi crucial para o sucesso da transição e para a adaptação do método às necessidades operacionais da empresa.

O quadro Kanban foi configurado na plataforma Trello, servindo como uma ferramenta tecnológica para estruturar quadros, listas e cartões, tornando o trabalho invisível em cartões visuais e facilitando a identificação de gargalos (Liker, 2005). A estrutura do quadro foi personalizada para atender ao fluxo de trabalho específico da empresa, com regras claras para a movimentação das demandas entre as etapas. Essa visualização permitiu que todos os envolvidos tivessem clareza sobre o que estava sendo feito, por quem e em que etapa cada atividade se encontrava, conforme ilustrado na Figura 2.

Figura 2. Ilustração das etapas de planejamento

Fonte: Dados originais da pesquisa

A Figura 2 demonstra a organização visual das etapas de planejamento dos projetos no Trello, divididas em “Pra Fazer”, “Fazendo” e “Feito”. Essa representação gráfica do fluxo de trabalho, com cartões detalhando cada projeto e seus responsáveis, foi fundamental para a transparência e o acompanhamento em tempo real das atividades. A visualização clara das etapas permitiu uma gestão mais eficiente, facilitando a priorização de demandas e a redução do acúmulo de projetos em andamento, o que antes era um desafio significativo devido à falta de um sistema estruturado. Transparência do fluxo

Com a estruturação do quadro no Trello, todos os projetos foram centralizados em uma única plataforma, superando a descentralização e a falta de protocolo de registro que caracterizavam o cenário anterior. Essa centralização mitigou os riscos de perda de informações decorrentes da ausência de colaboradores, garantindo que o progresso de qualquer demanda estivesse disponível para todas as partes interessadas. A equipe conquistou maior autonomia, acessando os cartões de diversos dispositivos, inclusive fora da sede da empresa, o que contribuiu para a redução de falhas corriqueiras relacionadas à perda de informações.

O planejamento das atividades foi significativamente aprimorado pela visualização do fluxo de trabalho, permitindo a separação de demandas por prioridades, como rota e prazo, e resultando em uma melhora notável na produtividade. A transparência gerada pela gestão visual tornou o trabalho visível a todos, valorizando a produtividade individual e coletiva, e expondo gargalos e períodos de ociosidade das equipes. Essa mudança impulsionou uma cultura organizacional mais proativa, com a designação clara de equipes para cada projeto, eliminando conflitos de agenda e otimizando a escolha de profissionais.

A antecipação na separação dos materiais pelo almoxarifado foi outro benefício direto da transparência do fluxo. Com a visibilidade das próximas demandas, o setor de logística pôde organizar o espaço e identificar os materiais necessários com antecedência, reduzindo drasticamente o tempo de espera e o tempo ocioso das equipes. Essa melhoria na coordenação entre os setores, antes prejudicada pela falta de comunicação, contribuiu para a finalização mais rápida dos projetos e para a identificação clara dos responsáveis, alinhando-se aos princípios de gestão de projetos que enfatizam a comunicação e a organização dos recursos (PMI, 2017). Identificação de gargalos

Um dos impactos mais relevantes da implementação do Kanban foi a identificação de gargalos que antes eram invisíveis e comprometiam a eficiência operacional. Observou-se uma grande quantidade de projetos aguardando programação para início, sem impedimentos aparentes, o que era causado pela falta de planejamento e pela escolha inadequada da equipe. Essa lentidão na execução, somada à comunicação tardia e ineficaz com o almoxarifado, diminuía a qualidade do trabalho e a percepção dos clientes sobre o serviço prestado.

A visualização do fluxo de trabalho no Trello permitiu que esses pontos de estrangulamento fossem rapidamente identificados e abordados. Em apenas 30 dias de uso da ferramenta, a empresa conseguiu reverter o cenário desfavorável, reduzindo a quantidade de demandas represadas. Reuniões com os líderes foram realizadas para alinhar estratégias e priorizar demandas, resultando em uma mudança profunda em todos os setores da companhia. Essa capacidade de identificar e resolver problemas de forma ágil é um dos pilares do Kanban, conforme descrito por Anderson (2010).

As alterações promovidas pela identificação dos gargalos também impactaram o setor de almoxarifado, que passou a verificar a disponibilidade dos materiais de forma independente assim que um cartão era inserido no quadro. Essa proatividade, aliada à organização do espaço de logística, resultou em uma melhor identificação dos materiais separados para cada serviço. Consequentemente, houve uma melhoria na produtividade das equipes de trabalho e uma redução significativa do tempo ocioso, gerando benefícios operacionais e financeiros para a empresa. Centralização das informações

A obrigatoriedade de anexar imagens fotográficas e textos com observações técnicas nos cartões do Trello representou um avanço imediato na rastreabilidade das informações e na qualidade dos serviços. Anteriormente, imprevistos técnicos eram de conhecimento limitado da equipe, e a liderança muitas vezes não era informada, dificultando a tomada de decisões proativas. Com a alimentação obrigatória e em tempo real do quadro, o setor comercial e a administração passaram a acompanhar a qualidade da entrega e prever correções necessárias, evitando a insatisfação do cliente.

A criação de uma memória técnica digital, por meio das fotos e observações anexadas aos cartões, proporcionou maior segurança jurídica e facilitou o trabalho de pós-venda. As imagens da evolução dos projetos serviram como evidência documental da finalização das etapas, protegendo a empresa contra reclamações infundadas e permitindo a identificação e correção antecipada de falhas. Essa centralização e documentação das informações transformaram a dinâmica da organização, que antes era marcada por dados incompletos e de baixa visibilidade, em um fluxo de trabalho estruturado e transparente. Análise dos resultados da implementação do Kanban

A implementação do sistema Kanban proporcionou uma gestão estruturada e orientada por resultados, contribuindo para a organização do fluxo de trabalho e para maior clareza na execução das atividades. A ferramenta permitiu que a equipe visualizasse de forma simples e objetiva o andamento das tarefas, favorecendo a priorização das demandas e a identificação de possíveis atrasos nos projetos. As principais mudanças observadas antes e depois da implantação do método, em diversas dimensões de gestão, são sintetizadas a seguir, demonstrando a transição de um cenário de vulnerabilidade para um de maior controle e eficiência.

No que tange à Comunicação, o cenário anterior era informal, descentralizado e dependente da memória individual, o que dificultava o gerenciamento eficaz das comunicações. Após a implementação do Kanban, a comunicação tornou-se centralizada no Trello e documentada em tempo real, alinhando-se aos princípios de gerenciamento de projetos. Essa mudança eliminou a dependência da presença física dos colaboradores e garantiu que as informações fossem acessíveis a todos os membros da equipe, independentemente de sua localização, promovendo uma maior integração entre os setores.

Em relação à Visibilidade, os processos eram invisíveis e a etapa atual dos projetos era frequentemente desconhecida, impedindo um monitoramento efetivo. Com o Kanban, houve uma transformação para a transparência, com cada etapa sendo atualizada e documentada com fotos, permitindo um monitoramento e controle contínuos. Essa visibilidade aprimorada permitiu a identificação rápida de gargalos e a tomada de decisões mais assertivas, transformando processos antes opacos em um fluxo de trabalho claro e compreensível para todos os envolvidos.

O Fluxo de Materiais, antes da implementação, era caracterizado pela separação sob demanda imediata, gerando atrasos e ineficiências no gerenciamento de recursos. Com o Kanban, a separação tornou-se antecipada, baseada na movimentação dos cartões no quadro, otimizando o gerenciamento de recursos. Essa mudança reduziu drasticamente o tempo de espera por materiais e o tempo ocioso das equipes, contribuindo para uma maior produtividade e previsibilidade na execução dos projetos, um aspecto crucial para a eficiência operacional.

Quanto ao Risco e Qualidade, a empresa enfrentava vulnerabilidade jurídica devido à falta de evidências documentais dos projetos. A implementação do Kanban introduziu uma memória técnica fotográfica, garantindo a segurança no pós-venda e fortalecendo o gerenciamento de risco e qualidade. As imagens e observações técnicas anexadas aos cartões serviram como prova da execução e finalização das etapas, protegendo a empresa contra reclamações infundadas e permitindo a correção proativa de problemas, o que se alinha à gestão de qualidade e mitigação de riscos (PMBOK, 2017).

A análise comparativa entre os cenários anterior e posterior à implementação do método Kanban demonstra um aumento da produtividade, decorrente do maior foco na conclusão dos projetos iniciados. A visualização clara das etapas permitiu uma priorização mais eficiente das demandas e uma redução no acúmulo de projetos em andamento. O quadro possibilitou que toda a equipe acompanhasse o status das atividades, facilitando a identificação de gargalos operacionais que antes não eram perceptíveis, o que acelerou a resolução de impedimentos e contribuiu para um fluxo de trabalho mais eficiente.

O acompanhamento estruturado das etapas do projeto resultou em uma redução significativa na quantidade de retrabalho e uma menor sobrecarga de trabalho. O controle visual das atividades permitiu uma melhor distribuição das tarefas entre os colaboradores, otimizando o uso dos recursos humanos. Esses resultados dialogam com domínios de conhecimento do PMBOK, como comunicação, recursos, qualidade e riscos, evidenciando que o Kanban contribui de forma prática para o fortalecimento de aspectos fundamentais na gestão de projetos (PMI, 2017).

Apesar dos ganhos observados, é importante ressaltar que a ferramenta não substitui integralmente práticas formais de gerenciamento de projetos, especialmente no que se refere ao planejamento estruturado, definição de indicadores quantitativos e controle sistemático de desempenho. O método Kanban deve ser compreendido como uma ferramenta complementar que contribui para a organização do fluxo de trabalho e para o aprimoramento gradual das práticas de gestão, desmistificando a ideia de que a gestão de projetos eficientes é prerrogativa exclusiva de grandes corporações (Leopold, 2018).

Para consolidar a utilização do método, sugeriu-se a elaboração de um guia prático de integração para novos colaboradores, garantindo que o Kanban seja mantido independentemente da rotatividade da equipe. Além disso, a realização de reuniões diárias rápidas foi indicada para identificar impedimentos e tomar ações imediatas. Embora não tenham sido utilizados indicadores quantitativos formais, observou-se uma redução perceptível no número de demandas em atraso e no retrabalho, além de maior previsibilidade nos prazos de execução das atividades, reforçando que a gestão visual pode atuar como um mecanismo inicial de maturidade em gerenciamento de projetos, especialmente em organizações com baixo nível de formalização.

Em síntese, a implementação do método Kanban na empresa de instalações elétricas demonstrou ser uma estratégia eficaz para otimizar a gestão de projetos, transformando um cenário de processos invisíveis e informações descentralizadas em um fluxo de trabalho estruturado e transparente. Os resultados evidenciaram melhorias significativas na produtividade, na comunicação intersetorial, na identificação e resolução de gargalos, e na centralização de informações técnicas, contribuindo diretamente para a maior previsibilidade dos prazos e a redução do retrabalho, alinhando-se ao objetivo de otimização dos projetos.

4. Conclusão

Este estudo analisou os impactos da aplicação do método Kanban para a otimização dos projetos em uma empresa de comercialização e instalação de materiais elétricos. Verificou-se que a implementação da gestão visual, por meio da plataforma Trello, transformou um cenário de processos informais e informações descentralizadas em um fluxo de trabalho estruturado e transparente. Observou-se uma melhoria significativa na produtividade, na organização das atividades e na comunicação intersetorial. Identificou-se a redução de retrabalho, a maior previsibilidade dos prazos de execução e a rápida identificação de gargalos operacionais que antes comprometiam a eficiência. A centralização das informações técnicas, com o registro fotográfico e observações nos cartões, proporcionou maior rastreabilidade e segurança jurídica, fortalecendo a gestão de risco e qualidade. Esses achados demonstram a eficácia do Kanban em alinhar a prática operacional aos princípios de gerenciamento de projetos, mesmo em organizações de pequeno e médio porte.

A principal contribuição deste trabalho reside em evidenciar a aplicabilidade e os benefícios da gestão visual e das metodologias ágeis em empresas de pequeno e médio porte do setor elétrico, um segmento tradicional de serviços, ampliando a discussão sobre a otimização de processos em contextos com menor formalização. Contudo, como limitação, destaca-se a dependência da disciplina coletiva dos colaboradores para a manutenção da atualização do quadro em tempo real, e a ferramenta não substitui integralmente práticas formais de planejamento estruturado e controle sistemático de desempenho. Para consolidar a utilização do método, sugeriu-se a elaboração de um guia prático de integração para novos colaboradores e a realização de reuniões diárias rápidas para identificar impedimentos. Sugere-se para estudos futuros a exploração da aplicação do método em outros contextos de serviços e a utilização de indicadores quantitativos para mensurar de forma mais precisa os impactos na produtividade e nos resultados organizacionais.

Referências Bibliográficas

Anderson, David J. 2010. Kanban: successful evolutionary change for your technology business. Sequim: Blue Hole Press. Washington DC.

Costa, F. P. 2018. Implantação do sistema Kanban no setor de estamparia em indústria do ramo metalmecânico no estado do Ceará. Universidade Federal do Ceará, Fortaleza.

Gerhardt, T. E.; Silveira, D. T. 2009. Métodos de pesquisa. Editora da UFRGS. UAB/UFRGS e SEAD/UFRGS, Porto Alegre, RS, Brasil.

Gil, A. C. 2002. Como elaborar projetos de pesquisa. 4 ed. São Paulo, Atlas.

Kerzner, H. 2017. Gestão de Projetos: As Melhores Práticas. 3. ed. Brookman, Porto Alegre.

Leopold, K. 2018. Rethinking Agile: Why Agile Teams Have Nothing to Do with Business Agility. Edition Klaus Leopold.

Liker, J. K; Convis, G. L. 2013. O modelo Toyota de liderança lean: como conquistar e manter a excelência pelo desenvolvimento de lideranças. Bookman, Porto Alegre.

Mamede Filho, João. 2017. Instalações Elétricas Industriais. 9. ed. LTC, Rio de Janeiro.

Milnitz, D. 2013. Um método estruturado para implantação da gestão à vista. Diss. Universidade Federal de Santa Catarina.

PMI. 2017. Um guia do conhecimento em gerenciamento de projetos (Guia PMBOK) – Sexta Edição. Project Management Institute, Newtown Square, PA, Estados Unidos.

Sebrae. 2020. Gestão de processos nas micro e pequenas empresas.

Slack, Nigel; Brandon-Jones, Alistair; Johnston, Robert. 2018. Gerenciamento de Operações e de Processos. 4. ed. Bookman, Porto Alegre.

Yin, R.K. 2001. Estudo de caso: Planejamento e métodos. 2ª edição. Bookman, Porto Alegre, RS, Brasil.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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24 de agosto de 2026

Precificação Baseada em Valor como Estratégia Competitiva Frente ao Modelo Orientado por Custos

A gestão estratégica de preços consolidou-se como fator determinante para a sustentabilidade e competitividade em mercados industriais, onde a transição de modelos baseados em custos para estratégias orientadas ao valor representa um desafio cultural e operacional crítico. Este estudo teve como objetivo comparar as práticas de precificação em duas unidades industriais do setor business-to-business (B2B), analisando como o alinhamento com a estratégia baseada em valor impacta a sustentabilidade do negócio. Para tanto, investigou-se uma unidade operacional e uma unidade que recentemente descontinuou suas atividades, buscando identificar correlações entre a gestão de preços e a viabilidade competitiva. Adotou-se uma abordagem qualitativa com elementos comparativos, a partir de entrevistas semiestruturadas aplicadas a gestores de duas empresas do setor metalmecânico, utilizando questões fechadas em escala Likert e perguntas abertas organizadas em sete dimensões analíticas relacionadas à maturidade em precificação. Os resultados evidenciaram que a empresa em operação apresentou maior estruturação de processos, melhor integração entre áreas, uso mais frequente de indicadores e ambiente cultural mais favorável à sustentação de preços com base no valor entregue ao cliente. Em contraste, a empresa descontinuada demonstrou fragilidades na formalização da precificação, baixa integração interfuncional, limitações na comunicação de valor e forte predominância de uma cultura orientada por custos. O estudo reforçou que a adoção da precificação baseada em valor requer a institucionalização de processos interfuncionais e governança para garantir a perenidade organizacional frente à pressão competitiva.

Palavras-chave: Concorrência; Cultura; Governança; Liderança.

24 de agosto de 2026

Modelo Preditivo de Risco Reputacional Baseado em Textos Jornalísticos

A reputação corporativa é um ativo intangível crítico, cuja volatilidade na era digital torna as organizações suscetíveis a crises por exposições midiáticas negativas. O estudo desenvolveu um modelo preditivo de risco reputacional para identificar se variáveis da cobertura de mídia, como volume, sentimento e léxico, atuam como precursores de danos severos. A metodologia fundamentou-se na coleta de dados via Web Scraping de notícias sobre eventos de risco ocorridos entre 2023 e 2025. O processamento utilizou Processamento de Linguagem Natural (NLP) para análise de sentimento e feature engineering. A modelagem consistiu em uma tarefa de classificação binária supervisionada, com o target de dano grave determinado por proxies quantificáveis, como impactos financeiros e penalidades regulatórias. Foram comparados os algoritmos Regressão Logística, Random Forest e XGBoost, além da implementação de um modelo Ensemble, em ambiente Python, validados pelas métricas AUC-ROC e F1-Score. Os resultados apontaram a superioridade da abordagem conjunta (Ensemble), que alcançou F1-Score de 0.878 e Recall de 85.4%, e a viabilidade de estimar a probabilidade de crises e estabelecer limiares de risco acionáveis. Comprovou-se a eficácia da integração entre NLP e Machine Learning para a mitigação proativa de riscos corporativos, oferecendo uma ferramenta de suporte à decisão para equipes de comunicação corporativa e gestão de riscos.

Palavras-chave: Análise de Sentimentos; Aprendizado de Máquina; Danos à reputação; Modelagem de Dados Históricos; Processamento de Linguagem Natural (PLN).

Compliance E Esg

24 de agosto de 2026

Liderança Feminina Negra no Brasil: como Políticas Corporativas de Diversidade Apoiam Trajetórias de Sucesso

O presente estudo analisou como as políticas corporativas de diversidade e inclusão influenciaram as trajetórias profissionais de mulheres negras que ocupam cargos de liderança no Brasil. O estudo buscou compreender as experiências e percepções dessas profissionais em relação às práticas organizacionais que moldaram seu desenvolvimento e ascensão. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, descritiva e aplicada, e coletou dados por meio de levantamento de campo, utilizando questionário semiestruturado com 30 mulheres negras em posições de liderança. Os resultados revelaram que a maioria das participantes possuía alta qualificação acadêmica, atuava predominantemente na região Sudeste e ocupava cargos intermediários de liderança, como supervisão e coordenação. Observou-se a coexistência de trajetórias recentes e consolidadas, indicando avanços na inserção de mulheres negras em liderança, mas também a persistência de limites estruturais que dificultaram a progressão para níveis hierárquicos superiores. Esses achados indicaram que, embora as políticas de diversidade e inclusão fossem relevantes, seus efeitos mostraram-se insuficientes quando não articulados a transformações organizacionais mais amplas voltadas à equidade racial e de gênero, sugerindo que o esforço individual emergiu como estratégia central de trajetória em contextos de suporte institucional frágil.

Palavras-chave: Ascensão profissional; Diversidade organizacional; Inclusão; Interseccionalidade; Políticas corporativas.

24 de agosto de 2026

Segmentação Estratégica de Adquirentes Brasileiras por Clusterização Multivariada

O setor de adquirência desempenha um papel central na infraestrutura de pagamentos, e compreender as diferenças estruturais entre as empresas adquirentes, com base em indicadores operacionais e econômicos, mostrou-se crucial para diagnósticos e decisões fundamentados em dados. O estudo teve como objetivo segmentar as adquirentes brasileiras utilizando indicadores trimestrais de porte, capilaridade, mix de canais e métricas econômicas, empregando análise exploratória de dados e o algoritmo de agrupamento K-means para identificar perfis estratégicos distintos. Realizou-se uma pesquisa quantitativa, exploratória e descritiva, utilizando uma base de dados estruturada com informações trimestrais de adquirentes brasileiras ao longo de doze períodos. A definição do número de agrupamentos baseou-se no método do cotovelo (elbow method) e no coeficiente de silhueta, sendo a interpretação reforçada pela visualização via Análise de Componentes Principais (PCA). Os principais resultados revelaram a formação de dois perfis predominantes: um caracterizado por maior escala e capilaridade, com elevado volume de transações e spreads médios mais comprimidos; e outro com maior participação do canal remoto e maior monetização relativa, evidenciada pela taxa MDR e por spreads médios mais elevados. Concluiu-se que o agrupamento reduziu a complexidade multivariada do mercado a perfis interpretáveis, oferecendo uma base objetiva para benchmarking e para a interpretação estratégica do posicionamento das adquirentes, com potencial de aplicação na análise de dados para a tomada de decisões.Palavras-chave: Adquirência; Análise multivariada; K-means; Pagamentos digitais; Perfis estratégicos.

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