Artigo

30 de setembro de 2026

O impacto do “checkout” na conversão de compras não planejadas em farmácias de São Paulo

O Impacto do “Checkout” na Conversão de Compras Não Planejadas em Farmácias de São Paulo

Caroline Sey Aki; Guilherme Guimarães Martins

DOI: 10.22167/2675-6528-202602768

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

O crescimento e a competitividade do varejo farmacêutico impulsionaram a adoção de estratégias no ponto de venda para estimular compras por impulso. Analisou-se o perfil e o comportamento de compra dos consumidores de farmácias em São Paulo, com o objetivo de medir o impacto das estratégias de exposição de produtos na região do “checkout” na conversão de compras não planejadas, e identificar os fatores que contribuem para esse tipo de aquisição, bem como as categorias de produtos mais consumidas. Utilizou-se uma pesquisa descritiva com abordagem quantitativa, aplicando um questionário online que obteve 206 respostas. Os resultados indicaram que as compras por impulso foram motivadas pela exposição de produtos, recomendação do atendente e tempo de espera na fila. Observou-se que a exposição de produtos se amplificou quando associada a promoções e ao uso de displays. Verificou-se que quase metade dos participantes realizou compras impulsivas no “checkout”, sendo balas e “snacks” a categoria mais consumida. Concluiu-se que a área do “checkout” influencia a aquisição de itens adicionais, configurando-se como um ponto estratégico para a ampliação das vendas.

Palavras-chave: Checkout; Comportamento do consumidor; Compra por impulso; Varejo farmacêutico; Visual merchandising.

1. Introdução

O varejo farmacêutico tem se consolidado como um setor de grande relevância no mercado brasileiro. Dados recentes apontam que o Brasil detém a maior participação no mercado farmacêutico da América Latina, com 50,7%, superando países como México e Argentina (ABRADILAN, 2024). Este crescimento é evidenciado pelo faturamento de R$160,7 bilhões em 2024, representando um aumento de mais de 12,8% em comparação com o ano anterior (SCMED, 2025).

Essa expansão do setor farmacêutico é acompanhada por uma transformação significativa, caracterizada pela migração de um modelo de pequenas farmácias tradicionais para grandes redes. Esses estabelecimentos têm ampliado seus horários de funcionamento, investido em ambientes mais modernos e organizados, e diversificado seu mix de produtos, incluindo itens de perfumaria e higiene pessoal, além dos medicamentos (Blessa, 2008). A Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (FEBRAFAR, 2025) destaca que essa ascensão é resultado da contínua adaptação das farmácias às novas exigências dos consumidores, que buscam conveniência, agilidade e uma experiência de compra mais completa.

Nesse cenário de alta competitividade, as farmácias têm adotado estratégias de ponto de venda, como o visual merchandising, para influenciar as decisões de compra dos consumidores e estimular as compras por impulso (Blessa, 2008). As compras planejadas são aquelas aquisições intencionais que o consumidor mapeia previamente antes de entrar na loja. Em contraste, as compras por impulso ocorrem dentro do estabelecimento, quando o consumidor é exposto a estímulos que despertam o desejo por um produto específico.

A compra por impulso é caracterizada por um desejo emocional forte e repentino de aquisição, sem hesitação (Aronovich et al., 2006). Martin Lindstrom (2018) complementa que esse tipo de compra é guiado pela emoção, buscando gratificação imediata, conveniência e oportunidade no ambiente de compra. Assim, o ponto de venda (PDV) exerce uma influência considerável nas decisões de compra dos consumidores, especialmente quando há estímulos visuais, exposição clara e atrativa de produtos, ofertas e promoções, e fácil acesso aos itens (Blessa, 2008).

Dentro da jornada do consumidor na farmácia, a região do “checkout” emerge como um local estratégico para a conversão de compras não planejadas. Este espaço, próximo à saída, onde se localizam os balcões de pagamento e as filas, é propício para compras por impulso. O tempo de espera, o contato com itens de baixo custo e os displays atrativos frequentemente tornam essa área favorável a aquisições não planejadas. Além disso, os balcões podem funcionar como pontos extras de exposição, colocando produtos em locais de maior fluxo de consumidores e criando oportunidades adicionais de compra.

A compreensão do impacto dessas estratégias de exposição de produtos na área do “checkout” é fundamental para otimizar as vendas e a experiência do consumidor no varejo farmacêutico. Este estudo se justifica pela necessidade de aprofundar o conhecimento sobre como o ambiente de compra, especificamente a área de finalização, pode influenciar o comportamento do consumidor. Diante do exposto, este estudo tem como principal objetivo medir o impacto de estratégias de exposição de produtos na região do “checkout” na conversão de compras por impulso, delimitando a cidade de São Paulo como recorte geográfico.

2. Material e Métodos

Para atingir o objetivo de medir o impacto de estratégias de exposição de produtos na região do “checkout” na conversão de compras por impulso, este estudo adotou uma pesquisa descritiva com abordagem quantitativa, do tipo “survey”. A pesquisa descritiva, conforme Gil (2008), caracteriza-se por investigar as propriedades de um grupo ou fenômeno, estabelecendo relações entre variáveis por meio de métodos padronizados de coleta de dados. A abordagem quantitativa, por sua vez, visa quantificar os dados coletados, geralmente empregando análise estatística para sua interpretação (Malhotra, 2012).

A unidade de análise da pesquisa foram os consumidores de farmácias localizadas na cidade de São Paulo. A população-alvo foi definida como o conjunto de indivíduos que possuem as informações pertinentes ao estudo e sobre os quais se desejam fazer inferências (Malhotra, 2012). A amostra utilizada foi não probabilística por conveniência, selecionando os participantes com base na acessibilidade ao pesquisador (Gil, 2008), o que permitiu a coleta de dados de um grupo diversificado de consumidores.

A coleta de dados foi realizada por meio de um questionário online, desenvolvido e aplicado na plataforma Google Forms. O instrumento foi composto por perguntas estruturadas de múltipla escolha e afirmações avaliadas por meio da Escala Likert de cinco pontos, que variava de “discordo totalmente” a “concordo totalmente”. A utilização da Escala Likert facilitou a mensuração de percepções e atitudes, bem como o processamento dos dados para análise posterior (Malhotra, 2012).

O questionário foi dividido em quatro seções distintas para organizar a coleta de informações. A primeira seção destinou-se à apresentação dos objetivos da pesquisa e à obtenção do consentimento livre e esclarecido dos participantes, garantindo a adesão voluntária. A segunda seção coletou dados sobre o perfil demográfico dos participantes, como idade, gênero e renda mensal. A terceira abordou a experiência geral de compra em farmácias de São Paulo, e a quarta seção incluiu questões específicas baseadas na última experiência de compra do consumidor na farmácia, visando capturar comportamentos recentes. Na formulação das alternativas de resposta, evitou-se o uso direto de termos como “compro por impulso” ou “não compro por impulso”, optando-se por expressões como “me leva a comprar” e “não influencia minhas decisões de compra”, a fim de mitigar vieses de racionalização dos consumidores, que tendem a negar comportamentos percebidos como negativos (Lindstrom, 2018).

Antes da divulgação ao público, um pré-teste do questionário foi conduzido em 02 de dezembro de 2025 com três participantes, para assegurar a clareza e a fácil compreensão das questões formuladas. Após essa etapa de validação, a pesquisa foi disponibilizada online, permanecendo ativa no período de 11 de dezembro de 2025 a 07 de janeiro de 2026. Ao final do período de coleta, foram obtidas 206 respostas válidas, que constituíram a base empírica para o estudo.

Os cuidados éticos incluíram a garantia do anonimato dos participantes, com todas as respostas sendo analisadas de forma agregada, sem qualquer identificação individual. O consentimento para a participação foi obtido de forma explícita ao prosseguir com o questionário, e os dados coletados foram utilizados exclusivamente para os fins científicos e acadêmicos do estudo, conforme os objetivos previamente estabelecidos. A análise dos dados quantitativos foi realizada com o propósito de quantificar as informações obtidas, identificar padrões de comportamento e verificar a relação entre as variáveis estudadas, utilizando técnicas estatísticas descritivas (Malhotra, 2012).

3. Resultados e Discussão

A presente seção detalha os achados da pesquisa, interpretando-os à luz dos objetivos propostos e da literatura pertinente, conforme delineado no Trabalho de Conclusão de Curso original. Os resultados foram organizados em quatro seções distintas, seguindo a estrutura do questionário aplicado, o que permitiu uma análise abrangente do perfil do consumidor, sua experiência de compra em farmácias de São Paulo e os fatores que influenciam as compras por impulso na área do “checkout”. A investigação buscou compreender o impacto das estratégias de exposição de produtos nesse ponto de venda, fornecendo subsídios para otimizar as práticas de varejo farmacêutico.

Seção 1 – Introdução

A primeira parte do questionário teve como finalidade primordial apresentar aos participantes o propósito do estudo, assegurando que compreendessem os objetivos da pesquisa antes de prosseguir. A obtenção do consentimento livre e esclarecido foi um passo fundamental, validado pelo prosseguimento do respondente nas etapas subsequentes do formulário. A população-alvo foi definida como os consumidores de farmácias na cidade de São Paulo, um grupo que, segundo Malhotra (2012), detém as informações cruciais para as inferências buscadas por este estudo, garantindo a relevância e a aplicabilidade dos dados coletados.

Seção 2 – Perfil do consumidor

A compreensão do perfil do consumidor é essencial para o desenvolvimento de estratégias de marketing eficazes, pois permite antecipar reações e adaptar abordagens. Esta seção do estudo focou na análise de variáveis demográficas como idade, sexo e condições econômicas, que, conforme Aronovich et al. (2006), são cruciais para entender o comportamento subjacente do público. A identificação dessas características auxilia na segmentação e na personalização das ofertas, maximizando o impacto das ações no ponto de venda.

Em relação à idade dos respondentes, a maioria concentrou-se nas faixas de 25 a 34 anos, representando 30,6% do total, e de 35 a 44 anos, com 21,8%, somando 52,4%. Observou-se também uma participação relevante de indivíduos entre 45 e 54 anos (18,9%) e de 55 anos ou mais (16%). A faixa etária de 18 a 24 anos correspondeu a 12,6%. Essa distribuição sugere um predomínio de um público economicamente ativo, com maior poder de decisão de compra e rotinas frequentemente agitadas, o que pode influenciar a busca por conveniência e agilidade nas aquisições. A presença de um público maduro também indica oportunidades para produtos relacionados à suplementação e bem-estar, enquanto a menor participação dos mais jovens pode apontar uma preferência por canais de compra online.

Quanto à identificação de gênero, os resultados revelaram que 63,9% dos participantes se identificaram como mulheres cisgênero, enquanto 35,6% como homens cisgênero. Uma pequena parcela, 0,5%, optou por não se identificar. A predominância feminina no público-alvo das farmácias de São Paulo é um dado significativo, pois, segundo Aronovich et al. (2006), esse público frequentemente se envolve em todo o processo de compra, desde a análise do produto até a interação com os atendentes. Essa forte presença feminina pode influenciar diretamente o mix de produtos oferecidos e a organização do ponto de venda, exigindo uma atenção especial às suas preferências e necessidades.

No que tange à renda mensal, 48,1% dos respondentes declararam receber entre R$3.609,00 e R$9.020,00, indicando um predomínio de público de renda média. Uma parcela considerável, 14,6%, situou-se na faixa de R$9.021,00 a R$18.040,00, sugerindo a presença de consumidores com alto poder aquisitivo. As faixas salariais de até R$1.804, de R$1.805 a R$3.608 e acima de R$18.040,00 representaram percentuais menores, com 5,3%, 10,7% e 10,7%, respectivamente. Cerca de 10,7% dos participantes preferiram não informar a renda. Essa concentração de renda média e alta sugere que os consumidores das farmácias de São Paulo possuem maior poder de escolha e, consequentemente, são mais exigentes quanto à qualidade dos produtos, serviços e à experiência de compra como um todo. A combinação de um público predominantemente feminino e economicamente ativo aponta para um consumidor criterioso, que valoriza não apenas o produto, mas também a conveniência, a atmosfera da loja e a excelência no atendimento.

Seção 3 – Experiência de compra em farmácias de São Paulo

A análise da frequência de visitas às farmácias revelou que a maioria dos consumidores as frequenta de duas a três vezes por mês (43,2%) ou menos de uma vez por mês (33%). Uma parcela menor, 18,4%, realiza compras uma vez por semana, e apenas 4,9% de duas a três vezes por semana, com 0,5% visitando diariamente. Esses dados indicam que a farmácia não é um estabelecimento de rotina para grande parte dos consumidores, caracterizando um comportamento de compra pontual, geralmente motivado por uma necessidade específica. Nesse contexto, cada visita se torna uma oportunidade crucial para o aumento das vendas, reforçando a importância de um sortimento adequado, uma experiência de qualidade e estratégias de exposição que favoreçam as compras por impulso.

Em relação ao impacto do tempo de espera na fila para pagamentos nas decisões de compra não planejadas, verificou-se que 51,9% dos entrevistados não se sentem influenciados. Contudo, 34,5% afirmaram considerar a compra de itens adicionais, mas nem sempre a realizam, e 13,6% de fato efetuam a aquisição. Embora quase metade dos participantes (48,1%) seja influenciada pelo tempo de espera, a maioria não converte essa atenção em compra. Isso sugere que, embora o tempo de espera proporcione uma oportunidade de contato com os produtos, faltam incentivos adicionais para a conversão efetiva, indicando a necessidade de estratégias mais robustas para transformar a atenção em ação.

As recomendações dos atendentes nos balcões de caixa demonstraram exercer uma influência significativa nas decisões de compra. Cerca de 39,3% dos consumidores afirmaram considerar a recomendação, e 15,5% efetivamente realizam a compra indicada, enquanto 45,1% não são impactados. Ao comparar esses dados com o impacto do tempo de espera, observa-se que o atendimento humano gera um impacto maior na consideração de aquisição, com um aumento de 4,8%, e eleva a conversão em 1,9%. Esse achado ressalta a importância do elemento humano na experiência do cliente, pois a empatia e a confiança, conforme Kotler, Kartajaya e Setiawan (2025), são pilares fundamentais para influenciar o comportamento de compra, especialmente no varejo farmacêutico, onde a saúde e o bem-estar são centrais.

A exposição de produtos no balcão do caixa e na fila de espera também exerce um grande impacto no comportamento de compra. Constatou-se que 60,7% dos entrevistados consideram a aquisição de itens expostos, e 18% efetivamente a realizam, enquanto 21,4% não são influenciados. A análise conjunta desses resultados com o impacto do tempo de espera evidencia que ambos são elementos complementares. O tempo de espera capta a atenção do consumidor, enquanto a exposição de produtos gera interesse e potencializa a ação de compra. Sem tempo disponível, a atenção aos produtos é limitada, e sem uma exposição eficaz, a oportunidade de compra é perdida. No entanto, esses elementos isolados não são suficientes para a conversão, necessitando de estímulos adicionais como a atratividade da oferta, a comunicação no ponto de venda e a relevância subjetiva do produto para o consumidor.

Ao comparar os fatores isoladamente, a exposição de produtos (18%) mostrou-se mais eficaz na influência de compras não planejadas, seguida pela recomendação do atendente (15,5%) e pelo tempo de espera na fila (13,6%). Embora cada um desses elementos influencie o comportamento do consumidor, sua eficácia é potencializada quando atuam em conjunto, integrando oportunidade, confiança, visibilidade e acessibilidade. Considerando que a amostra é majoritariamente feminina e, portanto, mais rigorosa, é crucial oferecer um mix de produtos orientado pelo valor percebido e pela relevância para essas consumidoras. Nesse cenário, a compra por impulso, como descrito por Lindstrom (2018), é uma decisão racional rápida, onde a utilidade do produto desempenha um papel central na conversão.

A pesquisa também investigou a percepção sobre a atratividade dos displays. Verificou-se que 50% dos participantes concordaram que displays com produtos posicionados no “checkout” acarretam em compras por impulso, sendo 28,2% concordando e 21,8% concordando totalmente. Uma parcela de 34% se mostrou neutra, e 16% discordou da afirmação. Os dados indicam que a exposição de produtos em displays aumenta as compras em 32% e reduz o percentual de pessoas não influenciadas de 21,4% para 16%, demonstrando a relevância dessa estratégia para o estímulo à compra por impulso.

A eficácia das promoções ofertadas na área do “checkout” foi igualmente destacada, com 74,3% dos entrevistados relatando que essa estratégia aumenta suas chances de comprar. Apenas 15,5% foram indiferentes e 10,2% não se sentiram afetados. Comparando com a influência dos displays, as promoções se mostraram 24,3% mais eficazes e reduziram o total de consumidores não impactados em 5,8%. Essa constatação sugere que uma estratégia otimizada seria atrelar a exposição de produtos em displays atrativos a promoções e descontos, criando um estímulo combinado que potencializa a decisão de compra.

Adicionalmente, a exposição de produtos no balcão e no trajeto da fila para pagamentos se revelou um mecanismo eficaz de lembrança. Cerca de 69% dos participantes concordaram que esses produtos os ajudam a lembrar que precisam comprá-los, enquanto 16% se mostraram indiferentes e 15% discordaram. Essa capacidade de evocar a lembrança no momento final da experiência de compra está diretamente relacionada às compras não planejadas, pois reduz o tempo de reflexão e favorece decisões rápidas, alinhando-se à natureza impulsiva da aquisição, que busca gratificação imediata (Lindstrom, 2018).

Em síntese, a experiência de compra em farmácias de São Paulo, embora predominantemente motivada por necessidades pontuais, é altamente suscetível a estímulos no ponto de venda. A combinação estratégica de exposição de produtos, ofertas promocionais e um atendimento humano e confiável na área do “checkout” pode gerar compras adicionais significativas. Esses elementos, quando bem articulados, transformam o tempo de espera e a finalização da compra em oportunidades valiosas para o varejo farmacêutico, impactando positivamente as vendas por impulso.

Seção 4 – Última compra na farmácia de São Paulo

A análise da última experiência de compra dos participantes forneceu insights valiosos sobre o comportamento impulsivo, que é frequentemente associado a estímulos situacionais e emocionais (Lindstrom, 2018). Ao focar em uma experiência recente, a pesquisa minimizou vieses de memória, aumentando a precisão dos resultados. Essa abordagem permitiu capturar as nuances das decisões de compra no momento em que ocorreram, oferecendo uma visão mais fiel da dinâmica do consumo em farmácias.

Em relação à companhia durante a última visita à farmácia, a maioria dos participantes (58,3%) estava sozinha. Os demais relataram estar acompanhados por adultos (33%), idosos (4,9%), crianças entre seis e doze anos (3,4%), crianças pequenas (1,5%), bebês (0,5%) ou adolescentes (0,5%). A predominância de consumidores desacompanhados sugere um padrão de compra mais rápido e objetivo, focado na necessidade específica. Esse público geralmente valoriza um ambiente bem sinalizado e organizado que facilite a localização ágil dos produtos. Por outro lado, os consumidores acompanhados, que somam 41,7%, tendem a permanecer por mais tempo na farmácia, o que pode ampliar sua exposição a produtos e, consequentemente, as oportunidades de compra por impulso.

Quanto ao tipo de compra realizada na última visita, 50,5% dos participantes efetuaram apenas compras planejadas, enquanto 38,3% combinaram compras planejadas com aquisições por impulso. Uma parcela de 11,2% realizou exclusivamente compras por impulso. Esses dados são reveladores, pois, apesar de a maioria dos consumidores ingressar na farmácia com intenções de compra definidas, quase metade deles (49,5%) demonstrou algum comportamento impulsivo durante a decisão de compra. Isso reforça a tese de que o ambiente do ponto de venda, especialmente o “checkout”, tem um papel crucial na conversão de compras não planejadas.

A reclassificação das categorias de produtos adquiridos, baseada em um total de 409 itens mencionados pelos 206 respondentes, revelou que os medicamentos isentos de prescrição (MIPs) foram os mais comprados, representando 29,58% das vendas. Em seguida, destacaram-se os produtos de higiene pessoal (20,05%) e os medicamentos que necessitam de receita (16,63%). Outras categorias relevantes incluíram cosméticos ou produtos de beleza (11,74%), vitaminas ou suplementos (6,60%), balas e “snacks” (5,13%), materiais de primeiros socorros (3,67%), bebidas (3,42%), produtos para bebê (2,69%) e saúde sexual (0,49%). A categoria “Fórmula” foi desconsiderada devido à ambiguidade de sua classificação no contexto de farmácia.

Ao agrupar as categorias em “medicamentos” e “não medicamentos”, observou-se que o primeiro grupo representou 46,21% do total de itens, enquanto o segundo correspondeu a 53,79%. Essa distribuição de vendas sublinha a transformação do varejo farmacêutico, que transcendeu o papel de mero dispensador de medicamentos para se consolidar como um ponto de bem-estar, cuidado pessoal e conveniência. A significativa participação de produtos não medicamentosos demonstra que as farmácias se tornaram destinos para uma gama mais ampla de necessidades dos consumidores, impulsionando a diversificação do mix de produtos e a adoção de estratégias de visual merchandising.

No que se refere especificamente às compras por impulso na área do “checkout”, 28,2% dos entrevistados afirmaram ter adicionado itens não planejados enquanto aguardavam para pagar. Uma pequena parcela de 4,3% não se recordava, e 67,5% não adicionaram novos itens. Embora a maioria não tenha realizado compras impulsivas nesse momento, o percentual de 28,2% é considerável e demonstra a eficácia do “checkout” como um ponto estratégico para a conversão de vendas adicionais. Esse achado reforça a importância de otimizar a exposição de produtos nessa área para capitalizar o tempo de espera do consumidor.

As categorias de produtos mais adquiridas por impulso no “checkout” foram balas, chocolates ou “snacks”, representando 39,18% do total de itens impulsivos. Em seguida, apareceram os medicamentos isentos de prescrição (12,37%), produtos de higiene pessoal (11,34%) e cosméticos (11,34%). Bebidas (9,28%), materiais de primeiros socorros (8,25%), vitaminas ou suplementos (7,22%) e produtos para bebê (1,03%) completaram a lista. A alta saída de balas e chocolates pode ser atribuída à exposição estratégica de itens de baixo custo no balcão do caixa. Esses produtos, com preço acessível e embalagens chamativas, são percebidos como uma recompensa emocional de baixo risco, aproveitando a conveniência e o formato individual para atrair a atenção do consumidor e estimular a compra imediata.

Em síntese, os resultados da pesquisa confirmam que o “checkout” nas farmácias de São Paulo exerce um impacto relevante na conversão de compras por impulso. Embora os consumidores frequentemente visitem esses estabelecimentos com objetivos definidos, o ambiente do ponto de venda, especialmente a área de finalização, pode influenciá-los a adquirir itens adicionais. A exposição de produtos, potencializada por promoções e displays, e a recomendação do atendente, são fatores cruciais que, em conjunto com o tempo de espera, despertam o desejo e a lembrança, culminando em decisões de compra rápidas e emocionais, com balas e “snacks” se destacando como a categoria mais consumida por impulso.

4. Conclusão

O presente estudo buscou medir o impacto de estratégias de exposição de produtos na região do “checkout” na conversão de compras por impulso em farmácias na cidade de São Paulo. Verificou-se que as compras não planejadas foram significativamente influenciadas pela exposição de produtos, pela recomendação dos atendentes e pelo tempo de espera na fila. Observou-se que a eficácia da exposição de produtos se amplificava quando associada a promoções e ao uso de displays atrativos. Quase metade dos participantes realizou aquisições impulsivas no “checkout”, sendo balas e “snacks” a categoria de produtos mais consumida de forma não planejada. A exposição de produtos mostrou-se o fator mais eficaz na influência das compras por impulso, superando a recomendação do atendente e o tempo de espera, embora a combinação desses elementos potencialize a decisão de compra.

A principal contribuição deste trabalho reside na consolidação da área do “checkout” como um ponto estratégico crucial para a ampliação das vendas no varejo farmacêutico, ao demonstrar como estímulos visuais e interações humanas podem ser otimizados para influenciar o comportamento do consumidor. Os achados fornecem subsídios práticos para que as farmácias estruturem um mix de produtos adequado, utilizem displays eficazes e atrelem ofertas promocionais, transformando o momento final da compra em uma oportunidade valiosa. Embora a pesquisa tenha se baseado em uma amostra não probabilística por conveniência, o que limita a generalização irrestrita dos resultados, ela oferece insights relevantes para a otimização das estratégias de visual merchandising e atendimento no ponto de venda.

Referências Bibliográficas

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BLESSA, Regina. Merchandising Farma: a farmácia do futuro. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

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LINDSTROM, Martin. A lógica do consumo: verdades e mentiras sobre por que compramos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2018.

MALHOTRA, Naresh K. Pesquisa de marketing: uma orientação aplicada. 6. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Marketing do MBA USP/Esalq

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22 de outubro de 2026

Previsão da Inadimplência Agregada no Sistema Financeiro Brasileiro por Modelo Sarimax com Variáveis Macroeconômicas

A inadimplência agregada no sistema financeiro brasileiro é um indicador crucial de risco de crédito, cuja previsão é regulamentada pelas Resoluções CMN n.° 4.557/2017 e 4.966/2021 para a mensuração prospectiva de perdas esperadas. Modelou-se e previu-se a inadimplência agregada por meio do modelo SARIMAX, projetando sua trajetória até dezembro de 2026 sob cenários otimista, base e pessimista. Utilizaram-se 164 observações mensais (julho/2012 a fevereiro/2026) e variáveis macroeconômicas como desemprego, Selic, IPCA, IBC-Br e endividamento das famílias. A especificação com variáveis contemporâneas foi selecionada com base em critérios de informação e estabilidade dos coeficientes, e o diagnóstico dos resíduos confirmou adequação estatística, com MAPE de 3,12%. A inadimplência histórica variou entre 4,33% e 7,64%. A estimação identificou o desemprego (β = 0,2534; p < 0,001) e a Selic (β = 0,2128; p < 0,001) como principais determinantes positivos, com forte persistência temporal (AR(1) = 0,8965). A Selic exibiu correlação crescente com a inadimplência (r = 0,62 no lag 12), enquanto o desemprego demonstrou efeito contemporâneo (r = 0,33). As projeções indicaram inadimplência entre 6,30% e 7,98% em dezembro de 2026, com uma amplitude de 1,68 ponto percentual, evidenciando implicações diretas para o dimensionamento de provisões nas instituições financeiras. Palavras-chave: Desemprego; Modelagem preditiva; Política monetária; Provisão de perdas; Séries temporais.

22 de outubro de 2026

Fatores de Engajamento das Partes Interessadas na Transferência Internacional de Tecnologia para um Hospital Público

Este estudo descreveu os fatores críticos percebidos para o engajamento das partes interessadas na transferência internacional de tecnologia em um hospital público, com foco no planejamento. O objetivo foi descrever esses fatores condicionantes, conforme a percepção de profissionais. Realizou-se um estudo de caso único, aplicando um questionário a 25 profissionais e utilizando análise de conteúdo, complementada por tabulações descritivas. Os principais obstáculos identificados foram resistência à mudança (72%), financiamento (64%), falta de comunicação (60%) e burocracia (40%). Apenas 28% dos respondentes reconheceram a existência de ferramentas adequadas para gestão de stakeholders, enquanto 48% negaram e 24% não souberam informar. Cruzamentos exploratórios indicaram variações na avaliação de influência conforme o tempo de atuação, mas não estabeleceram relações causais. A falta de engajamento foi associada a atrasos, baixa adesão, desperdício de recursos, falhas de comunicação, comprometimento da absorção de conhecimento e riscos à segurança do paciente. As conclusões restringiram-se às percepções do grupo pesquisado e fundamentaram recomendações preliminares para comunicação e coordenação intersetorial.

Palavras-chave: Estudo de caso; Gestão de projetos; Inovação em saúde; Partes interessadas; Setor público.

22 de outubro de 2026

Combate às Perdas Comerciais de Energia Elétrica Utilizando Modelo de Séries Temporais

As perdas comerciais de energia elétrica representaram um dos principais desafios para as distribuidoras, impactando diretamente a sustentabilidade econômica e a qualidade do fornecimento. Avaliou-se a eficiência de modelos de séries temporais, com foco em técnicas de suavização exponencial, na previsão do consumo faturado de unidades consumidoras, para apoiar a identificação de desvios associados a perdas não técnicas. Utilizaram-se dados históricos de consumo mensal de uma distribuidora de energia elétrica no Brasil, segmentados por perfis de comportamento (estacionariedade, tendência e sazonalidade). Aplicaram-se modelos de suavização exponencial simples, Holt e Holt-Winters (aditivo e multiplicativo), comparados a uma média móvel tradicional. O erro percentual absoluto médio (MAPE) foi o critério de avaliação. Adicionalmente, empregou-se a abordagem ETS para seleção automática do modelo e testes de diagnóstico dos resíduos, como Ljung-Box e análise da função de autocorrelação. Os resultados demonstraram que modelos mais robustos apresentaram maior capacidade de adaptação às características das séries e menor erro, com destaque para o desempenho superior em cenários com tendência. Para séries sazonais, o modelo ETS mostrou maior capacidade de adaptação a transições. Concluiu-se que a utilização de modelos de séries temporais mais estruturados contribuiu significativamente para a melhoria da acurácia das previsões e ofereceu suporte analítico relevante para a identificação de perdas comerciais e otimização de processos operacionais e comerciais no setor elétrico.

Palavras-chave: Distribuição de energia; MAPE; Otimização; Previsão de consumo; Suavização exponencial.

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