Artigo

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

15 de setembro de 2026

Neurociência e Formação Docente: um Retrato dos Cursos de Licenciatura no Nordeste Brasileiro Pós Bnc-formação

Jaqueline do Nascimento Lopes; Carolina Matteussi Lino

DOI: 10.22167/2675-6528-202602231

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

A compreensão dos processos de aprendizagem, influenciada por fatores biológicos e neurobiológicos, é fundamental para a formação docente. Investigou-se a presença ou ausência de tópicos ligados à Neurociência em cursos de Pedagogia no nordeste brasileiro. A pesquisa, de natureza qualitativa e descritivo-exploratória, foi realizada em 2026, com base em análise documental. Analisaram-se os Projetos Pedagógicos de Curso (PPC), as matrizes curriculares e os ementários de vinte e cinco Instituições de Ensino Superior da região, além da Base Nacional Comum para a Formação Inicial de Professores da Educação Básica (BNC-Formação). Os resultados indicaram uma pouca presença de conteúdos de neurociências na formação inicial docente, mesmo após a promulgação da BNC-Formação em 2019. Observou-se que apenas 36% dos cursos analisados apresentaram conteúdos relacionados à Neurociência em seus PPC, enquanto a maioria não fez menção ao tema. As conclusões apontaram a necessidade imperante de atualização das matrizes curriculares dos cursos de Pedagogia, com a inserção de disciplinas e programas que abordem a neurociência. Isso visa capacitar os futuros professores a compreenderem o funcionamento do cérebro e a aplicarem descobertas científicas em suas práticas pedagógicas, otimizando o processo de ensino-aprendizagem e o desenvolvimento dos estudantes.

Palavras-chave: BNC-Formação; Currículo; Neurociências; Pedagogia.

1. Introdução

A aprendizagem é um fenômeno complexo e multifacetado, influenciado por um conjunto de fatores biológicos, culturais, sociais e afetivos. No contexto escolar, o professor desempenha um papel central na mediação entre os estudantes e o conhecimento, tornando a formação docente um elemento crucial para o sucesso do processo educativo. A docência é compreendida como um trabalho sobre o humano, o que ressalta as profundas implicações da prática educativa e da formação de professores nas experiências de aprendizagem (Tardif e Lessard, 2014).

Para que a prática docente seja eficaz e alinhada às necessidades dos aprendizes, é fundamental que o educador compreenda os fatores que afetam os processos de aprendizagem, incluindo aspectos cognitivos, emocionais, sociais e neurobiológicos (Costa et al., 2023). A Neurociência, enquanto ciência natural que estuda a estrutura e o funcionamento neural, tem oferecido contribuições significativas para entender como a atenção, as funções executivas, a memória, a neuroplasticidade e as emoções influenciam a aquisição e consolidação de conhecimentos (Cosenza e Guerra, 2014; Costa et al., 2023).

É importante ressaltar que a Neurociência não substitui a Pedagogia, mas a complementa. Enquanto a Pedagogia abrange uma gama mais ampla de fatores, a Neurociência fornece bases empíricas que podem subsidiar a melhoria da qualidade do ensino. A integração desses campos permite que os docentes desenvolvam estratégias que favoreçam a atenção, a consolidação de memórias e o engajamento afetivo dos estudantes (Cosenza e Guerra, 2014).

A compreensão dos processos de aprendizagem começa na formação inicial do professor, que constitui o alicerce para a construção de saberes e competências que guiarão a prática pedagógica ao longo da trajetória profissional (Tardif, 2014). Nesse contexto, os currículos dos cursos de licenciatura são fontes essenciais para investigar como essa formação está estruturada. Em 2019, a Base Nacional Comum para a Formação Inicial de Professores da Educação Básica (BNC-Formação) foi promulgada para aperfeiçoar as diretrizes curriculares, buscando alinhamento às demandas educacionais contemporâneas (Brasil, 2019). Embora a BNC-Formação não mencione diretamente “Neurociência” ou “Neuroeducação”, ela estabelece a necessidade de que os professores compreendam como as pessoas aprendem, valendo-se de evidências científicas (Brasil, 2019).

Apesar desse avanço normativo, estudos têm indicado que a presença de conteúdos neurocientíficos na formação inicial de professores ainda é incipiente, fragmentada ou inexistente (Grossi et al., 2014; Grossi et al., 2019; Amaral et al., 2022; Grossi et al., 2024). Essa lacuna levanta a questão de em que medida os Projetos Pedagógicos dos cursos de Pedagogia, especialmente os localizados no Nordeste brasileiro, contemplam princípios, estudos e/ou descobertas neurocientíficas como parte da formação inicial docente.

A ausência de conhecimentos neurocientíficos na formação docente pode limitar a capacidade dos futuros pedagogos de compreender as bases da aprendizagem, como sono, emoções, memória e atenção, e de desenvolver estratégias que estimulem a plasticidade cerebral e as funções executivas (Sousa e Alves, 2017; Cosenza e Guerra, 2014; Grossi et al., 2024). Isso também pode dificultar a escolha de estratégias pedagógicas eficazes e o reconhecimento dos padrões individuais de aprendizagem dos alunos (Dehaene, 2022; Markova, 2000). A desatualização das matrizes curriculares, mesmo após a BNC-Formação, e a desarticulação dos conteúdos neurocientíficos com a prática pedagógica, evidenciam uma fragilidade estrutural na formação inicial docente brasileira.

Diante da relevância de uma formação docente que integre as descobertas da Neurociência para a construção de práticas pedagógicas mais fundamentadas e eficazes, este estudo tem como objetivo investigar a presença ou ausência de tópicos relacionados à Neurociência na BNC-Formação e nos Projetos Pedagógicos dos cursos de Pedagogia de Instituições de Ensino Superior localizadas no Nordeste brasileiro.

2. Material e Métodos

A pesquisa, realizada em 2026, é descritivo-exploratória, de natureza qualitativa e baseada em análise documental. Este tipo de pesquisa foi escolhido para verificar como os conhecimentos da Neurociência são contemplados na Base Nacional Comum para a Formação Inicial de Professores da Educação Básica (BNC-Formação) e nos Projetos Pedagógicos de Cursos (PPC) de Pedagogia.

O estudo foi realizado em quatro etapas. Primeiramente, foi feito um levantamento dos cursos de Pedagogia de instituições públicas e privadas na região Nordeste. Em seguida, os cursos cujos PPCs seriam analisados foram selecionados com base em dois critérios: I) credenciamento junto ao Ministério da Educação (MEC); e II) disponibilização do PPC em ambiente digital institucional.

Posteriormente, nos documentos selecionados, verificou-se a existência de disciplinas ou eventos que abordassem tópicos da Neurociência, utilizando os descritores: “Neurociência”, “Neuroeducação”, “Neurocientífico”, “Neurodesenvolvimento”, “Neuroaprendizagem”, “Neurolinguística”, “Neurológicos”, “Neurocognição”, “Neurodiversidade”, “Mente”, “Cérebro”, “Biologia e educação”, “Memória”, “Atenção” e “Funções Executivas”. Os resultados foram então analisados para propor contribuições.

O recorte da pesquisa contemplou 25 Instituições de Ensino Superior (IES) públicas e privadas do Nordeste brasileiro, selecionadas por amostragem não probabilística do tipo intencional, garantindo a inclusão de, no mínimo, uma instituição por unidade federativa. A BNC-Formação foi consultada e baixada do site do Ministério da Educação.

Durante a coleta de dados, foram analisados nos PPCs os seguintes aspectos: a) presença ou ausência de conteúdos e/ou disciplinas relacionados à Neurociência; b) tipo de abordagem (disciplina obrigatória, optativa, evento); c) carga horária destinada; e d) relação com a BNC-Formação, especialmente quanto às habilidades previstas.

Para a análise dos dados, utilizou-se a técnica de análise de conteúdo de Bardin (2011), em três etapas: pré-análise (organização dos dados, refinamento do conteúdo por leitura flutuante, confirmação do corpus, formulação dos objetivos e preparação do material); codificação (identificação de unidades de registro para criação de categorias com base em critérios semânticos e expressivos); e inferência e interpretação dos dados a partir das categorias. As unidades de análise corresponderam às ementas, matrizes curriculares e perfis do egresso presentes nos PPCs, buscando identificar a inserção dos conteúdos de Neurociência na proposta curricular.

Os dados coletados foram organizados e apresentados por meio de quadros analíticos, sistematizando informações como nome da instituição, unidade federativa, ano do PPC, presença ou ausência de tópicos neurocientíficos, tipo de abordagem, carga horária, relação com a BNC-Formação, termos encontrados e observações. A interpretação dos dados foi realizada por meio de discussão com a literatura científica da área, articulando os dados empíricos com as contribuições teóricas, incluindo a BNC-Formação.

O estudo não necessitou de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), pois não houve interação direta ou indireta com seres humanos e os dados coletados são de domínio e acesso público.

3. Resultados e Discussão

A análise dos Projetos Pedagógicos de Curso (PPC) de 25 cursos de Pedagogia do Nordeste brasileiro revelou que apenas nove Instituições de Ensino Superior (IES), correspondendo a 36% das pesquisadas, atualizaram seus projetos após a publicação da BNC-Formação. O prazo-limite para essa implantação, conforme a Resolução CNE/CP n° 1/2024, era 20 de março de 2024.

Verificou-se que 36% dos cursos analisados incluem conteúdos relacionados à Neurociência em seus PPC. Em contraste, 60% não fazem qualquer menção ao tema, e 4% das instituições, embora não insiram o conteúdo em disciplinas, citam a neuroaprendizagem como fundamento do curso de Pedagogia. Esses dados são detalhados na Tabela 1.Tabela 1. Presença ou ausência da Neurociência nos PPC.

InstituiçãoAno PPCPresença da NeurociênciaTipo de AbordagemCarga HoráriaDisciplina
Universidade do Estado da Bahia [UNEB]2020SimOptativa60hDebates contemporâneos sobre alfabetização em países de língua portuguesa: contribuições da psicologia cognitiva e das neurociências
Universidade Federal do Recôncavo da Bahia [UFRB]2019SimOptativa68hAspectos Biológicos da Educação
Universidade Federal do Ceará [UFCE]2013SimOptativa64hAprendizagem: processos e problemas
Universidade Federal da Paraíba [UFPB]2006SimOptativa60hFundamentos Biológicos da Educação
Centro Universitário Frassinetti do Recife [UniFAFIRE]2024SimObrigatória40hNeurociência e Educação
Universidade de Pernambuco [UPE]2025SimOptativa60hNeuroeducação
Universidade Católica de Pernambuco [UNICAP]2019SimObrigatória60hNeurociências e os Processos de Aprendizagem
Universidade Estadual do Piauí [UESPI]2023SimObrigatória60hNeurodiversidade* (abrange tópicos da Neurociência)
Universidade Federal Rural do Semiárido [UFERSA]2016SimObrigatória30hDesenvolvimento Cognitivo e Aquisição da Leitura e da Escrita em EJA* (a ementa é muito direcionada à Neurociência, inclusive utilizando o termo diretamente).
Universidade Federal de Alagoas [UFAL]2019Não
Instituto Federal de Alagoas [IFAL]2023Não
Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia [UESB]2011Não
Universidade Federal da Bahia [UFBA]2012Não
Universidade Federal do Cariri [UFCA]2023Não
Universidade Estadual do Ceará [UECE]2018Não
Universidade Estadual do Maranhão [EUMA]2020Não
Universidade Federal do Maranhão [UFMA]2007Não
Universidade Federal de Campina Grande [UFCG]2009Não
Universidade Estadual da Paraíba [UFPB]2016Não
Universidade Federal de Pernambuco [UFPE]2024Não
Universidade Federal do Piauí [UFPI]2009Não
Universidade Federal do Rio Grande do Norte [UFRN]2017Não
Universidade Potiguar [UNP]2024Depende
UNIFACEX2019Não
Universidade Federal de Sergipe [UFS]2008Não

Fonte: Resultados originais da pesquisa.

A análise da Tabela 1 indicou que a presença de conteúdos neurocientíficos nos cursos de Pedagogia é limitada e, frequentemente, de caráter optativo, o que permite que o egresso conclua o Ensino Superior sem contato com o tema. Observou-se que, nos PPCs que abordam a Neurociência, os termos aparecem de forma pontual e desarticulada, sem integração explícita com as práticas pedagógicas ou a formação docente. A abordagem tende a estar vinculada a disciplinas da área biológica, sem uma articulação interdisciplinar com os processos de ensino e aprendizagem.

É possível que temáticas neurocientíficas sejam abordadas em disciplinas de denominação mais ampla, como “Tópicos Especiais em Educação” ou “Tópicos Emergentes em Pedagogia”, embora não haja evidências que comprovem essa suposição. A Universidade Potiguar (UNP), por exemplo, estabelece a Neurociência como base metodológica do curso, sem a contemplar diretamente na matriz curricular. Disciplinas de Psicologia da Aprendizagem, Desenvolvimento e Aprendizagem, ou Educação Especial não foram consideradas ligadas à Neurociência, pois seu foco não é neurobiológico ou neurocientífico.

Os descritores mais recorrentes nos PPCs foram “Neurociência”, “Neurociências”, “cérebro” e termos relacionados à biologia. Termos mais específicos como “Neurocientífico”, “Neurolinguística”, “Neurocognição”, “Neuroaprendizagem” e “Funções Executivas” foram identificados com baixa frequência ou ausência. Em suma, 64% das IES pesquisadas não contemplam conteúdos neurocientíficos em seus currículos, o que pode limitar a formação dos futuros pedagogos na compreensão do funcionamento cerebral dos alunos.

Essa lacuna na formação docente pode limitar a atuação em diversos aspectos, como a dificuldade em compreender as bases da aprendizagem (sono, emoções, memória, atenção, plasticidade cerebral) e, consequentemente, em planejar experiências que explorem o potencial dos estudantes (Sousa e Alves, 2017). Isso também pode comprometer o desenvolvimento das funções executivas, essenciais para a autonomia e flexibilidade cognitiva (Cosenza e Guerra, 2014).

Adicionalmente, a ausência de conhecimentos neurocientíficos restringe a escolha de estratégias pedagógicas eficazes que estimulem a curiosidade e o engajamento (Dehaene, 2022), dificultando o reconhecimento dos padrões individuais de aprendizagem dos alunos (Markova, 2000) e a compreensão da relevância de metodologias ativas para a consolidação do aprendizado (Dehaene, 2022).

A Neurociência, embora não proponha uma nova pedagogia, oferece subsídios para fundamentar práticas pedagógicas que respeitem o funcionamento cerebral, tornando o processo de ensino-aprendizagem mais científico e eficiente (Cosenza e Guerra, 2014). O conhecimento sobre o cérebro, por si só, não transforma o aprendizado, mas capacita o professor a desenvolver estratégias que promovam a plasticidade neuronal e as funções executivas, impactando positivamente o desenvolvimento dos estudantes (Grossi et al., 2024). Assim, a formação docente deve priorizar a apropriação dessas descobertas.

A BNC-Formação, promulgada em 2019, e a Resolução CNE/CP n° 4 de 2024, que reforça a obrigatoriedade de integração da Base Comum Nacional nos PPCs, são marcos normativos importantes para a formação inicial de professores. A análise desses documentos revelou que, embora a BNC-Formação não mencione diretamente “Neurociência” ou “Neuroeducação”, ela estabelece como competência fundamental a compreensão de como as pessoas aprendem, com base em evidências científicas (Brasil, 2019).

Essa diretriz implica que os futuros profissionais devem entender o desenvolvimento e a aprendizagem em diferentes etapas, e que a inclusão de conhecimentos científicos na Educação é crucial para a adoção de estratégias pedagógicas eficazes. Assim, a BNC-Formação, mesmo sem termos explícitos, indiretamente aponta para a relevância da Neurociência na compreensão das bases neurobiológicas da aprendizagem e na otimização das práticas pedagógicas.

A desatualização dos PPCs é notável, com apenas 36% das IES tendo atualizado seus projetos após a BNC-Formação, e, destas, 55,55% ainda não incluem disciplinas de Neurociência. Essa situação reflete uma fragilidade estrutural na formação inicial docente brasileira, caracterizada pela fragmentação curricular e pela deficiência de saberes diretamente aplicáveis ao cotidiano escolar, conforme apontado por Gatti (2010).

A principal lacuna identificada é a ausência expressiva de conteúdos de Neurociência nas matrizes curriculares, com 64% das IES pesquisadas não os contemplando. Nas instituições onde o tema está presente, ele geralmente aparece como componente optativo, o que não garante que todos os futuros pedagogos desenvolvam uma compreensão das bases neurobiológicas da aprendizagem.

Uma segunda lacuna é a desarticulação entre os conteúdos neurocientíficos e a prática pedagógica. Mesmo quando presentes, os descritores de Neurociência são pontuais e sem integração com o processo de ensino-aprendizagem, frequentemente vinculados a disciplinas de Biologia, sem uma relação interdisciplinar explícita. Isso impede que o professor aplique esses conhecimentos no planejamento de aulas.

A terceira lacuna é a persistente desatualização curricular e o descumprimento do prazo da Resolução CNE/CP n° 4/2024. Uma hipótese para essa lacuna é a ausência de menção direta à Neurociência ou Neuroeducação na BNC-Formação, o que pode levar as IES a não se sentirem obrigadas a integrar tais conteúdos. A construção de documentos normativos mais específicos poderia mitigar esse obstáculo.

Embora existam caminhos para uma abordagem mais científica do ensino-aprendizagem, sua efetivação depende de uma formação inicial que capacite os docentes a aplicar esses conhecimentos no planejamento e na prática pedagógica.

Este estudo apresenta limitações, como a baixa representatividade de instituições privadas no corpus analisado, devido à indisponibilidade pública de seus PPCs completos. Em alguns casos, apenas a matriz curricular foi acessível, o que restringiu a identificação de descritores neurocientíficos e a abrangência dos resultados.

Contudo, a pesquisa contribui para o debate sobre a formação inicial de professores, evidenciando a necessidade de maior articulação entre documentos normativos, currículos de Pedagogia e conhecimentos neurocientíficos. Os resultados podem subsidiar futuras investigações e reflexões sobre a qualificação da formação docente, especialmente na compreensão dos processos de aprendizagem.

4. Conclusão

O presente estudo investigou a presença de tópicos relacionados à Neurociência na Base Nacional Comum para a Formação Inicial de Professores da Educação Básica (BNC-Formação) e nos Projetos Pedagógicos de Curso (PPC) de Instituições de Ensino Superior localizadas no Nordeste brasileiro. Verificou-se que apenas 36% dos cursos de Pedagogia analisados incluíam conteúdos de Neurociência em seus PPCs, e, mesmo nestes, a abordagem era frequentemente optativa, pontual e desarticulada da prática pedagógica, com uma tendência a vincular-se a disciplinas da área biológica. Observou-se que a BNC-Formação, embora não mencione explicitamente a Neurociência, estabelece a necessidade de que os professores compreendam como as pessoas aprendem com base em evidências científicas, o que indiretamente aponta para a relevância dos conhecimentos neurocientíficos. Contudo, a desatualização dos PPCs, com apenas 36% das instituições tendo atualizado seus projetos após a BNC-Formação, e a ausência expressiva de conteúdos neurocientíficos em 64% das IES pesquisadas, revelaram uma fragilidade estrutural na formação inicial docente. A principal contribuição do estudo reside em evidenciar a necessidade imperativa de atualização curricular para integrar as descobertas da Neurociência de forma obrigatória e interdisciplinar, capacitando os futuros pedagogos a desenvolverem práticas pedagógicas mais fundamentadas e eficazes.

A pesquisa apresentou limitações decorrentes da baixa representatividade de instituições privadas no corpus analisado, devido à indisponibilidade pública de seus PPCs completos, e do acesso restrito a apenas matrizes curriculares em alguns casos, o que limitou a identificação de descritores neurocientíficos e a abrangência dos resultados. Sugere-se que estudos futuros explorem a efetividade de documentos normativos mais específicos que citem diretamente a Neurociência ou Neuroeducação, a fim de mitigar a lacuna curricular identificada. Recomenda-se que as Instituições de Ensino Superior revisitem suas matrizes curriculares, inserindo disciplinas obrigatórias que discutam as contribuições da Neurociência para a Educação, de forma integrada ao planejamento de aula, didática e avaliação. Isso visa aprimorar a qualificação da formação docente e a compreensão dos processos de aprendizagem, promovendo um ensino mais científico e alinhado ao funcionamento cerebral dos estudantes.

Referências Bibliográficas

Amaral, M. G. B.; Galvão, W. N. M.; Farias, I. M. S. 2022. Neurociência na formação de professores: uma análise das matrizes curriculares dos cursos de licenciatura de uma universidade pública do Nordeste. Interfaces da Educação, 13(38): 1–25.

Bardin, L. 2011. Análise de conteúdo. Edições 70, São Paulo, SP, Brasil.

Brasil. 2019. Resolução CNE/CP n.º 2, de 20 de dezembro de 2019. Define as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Inicial de Professores para a Educação Básica e institui a Base Nacional Comum para a Formação Inicial de Professores da Educação Básica (BNC-Formação). Diário Oficial da União, Brasília, 20 dez. 2019, Seção 1, p. 142.

Cosenza, R.M.; Guerra, L.B. 2014. Neurociência e educação: como o cérebro aprende. Artmed, Porto Alegre, Brasil.

Costa, R.L.S. 2023. Neurociência e aprendizagem. Revista Brasileira de Educação 28 (280010): 1-22.

Dehaene, S. 2022. É assim que aprendemos: por que o cérebro funciona melhor do que qualquer máquina (ainda…). Contexto, São Paulo, SP, Brasil.

Gatti, B.A. 2010. Formação de professores no Brasil: características e problemas. Educação & Sociedade 31(113): 1355-1379.

Grossi, M.G.R.; Lopes, A.M.; Couto, P.A. 2014. Neurociência na formação de professores: um estudo da realidade brasileira. Revista da FAEEBA – Educação e Contemporaneidade 23(41): 27-40.

Grossi, M.G.R.; Oliveira, E.S.; Aguiar, F.A. 2019. A neurociência na formação inicial de professores: uma investigação científica. Ensino Em Re-Vista 26(3): 871-895.

Grossi, M.G.R.; Oliveira, E.S.; Fonseca, R.G.P. 2024. Currículo, neurociência e a formação de professores. Revista e-Curriculum 22(e59967): 1-26.

Markova, D. 2000. O natural é ser inteligente: padrões básicos de aprendizagem a serviço da criatividade e educação. Summus, São Paulo, SP, Brasil.

Sousa, Anne Madeliny Oliveira Pereira de; Alves, Ricardo Rilton Nogueira. 2017. Neurociência na formação dos educadores e sua contribuição no processo de aprendizagem. Revista de Psicopedagogia 34(105): 320-331.

Tardif, M. 2014; Saberes docentes e formação profissional. 17ed. Vozes, Petrópolis, RJ, Brasil.

Tardif, M.; Lessard, C. 2005. O trabalho docente: elementos para uma teoria da docência como profissão de interações humanas. 9ed. Vozes, Petrópolis, RJ, Brasil.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Neurociência e Aprendizagem na Educação

Para saber mais sobre o curso, clique aqui e acesse a plataforma MBX Academy

Você também pode gostar

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

13 de outubro de 2026

O controle inibitório na Educação Infantil: uma análise integrada entre currículo, gestores e docentes

O controle inibitório, componente das funções executivas, é crucial para o desenvolvimento na primeira infância, período crítico do neurodesenvolvimento. Investigou-se a percepção de professores e gestores da Educação Infantil sobre o controle inibitório na rotina de crianças de 4 anos, e aspectos de sua formação inicial e continuada. A pesquisa utilizou um delineamento de Estudo de Casos Múltiplos, com abordagem qualitativa e exploratório-descritiva, em duas pré-escolas de uma rede de ensino paulista. Coletaram-se dados por meio de análise documental de currículos e diretrizes, e questionários autoaplicáveis com professores e gestores. Os resultados revelaram uma lacuna no conhecimento formal de docentes e gestores sobre as funções executivas e o controle inibitório. As práticas pedagógicas observadas para o desenvolvimento dessas habilidades basearam-se predominantemente na experiência e intuição, embora algumas ações coincidissem com programas estruturados. Os documentos curriculares da rede não abordaram explicitamente a terminologia científica, mas termos correlatos indicaram um estímulo implícito. Concluiu-se pela urgência de integrar intencionalmente o controle inibitório nos programas de formação docente da Educação Infantil, a fim de alinhar a prática pedagógica ao saber científico e promover o desenvolvimento pleno dessas habilidades.

Palavras-chave: Autocontrole; Estudo de caso; Funções executivas; Neurociência na educação; Saber docente.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

13 de outubro de 2026

Piloto das Emoções: um Guia para desenvolver crianças que sabem pensar, sentir e agir

O desenvolvimento das Funções Executivas na infância é fundamental para o sucesso acadêmico, adaptação social e saúde mental, contudo, a transferência do conhecimento neurocientífico para o cotidiano de pais e educadores representou um desafio devido a barreiras de linguagem e complexidade. O estudo buscou desenvolver e avaliar o guia didático “Piloto das Emoções”, destinado a pais e educadores de crianças de 3 a 12 anos, com o objetivo de traduzir achados neurocientíficos sobre as Funções Executivas em estratégias práticas. A metodologia empregou uma abordagem mista, exploratória e descritiva, que envolveu a elaboração do Guia com o auxílio de personagens lúdicos e sua validação por meio de um questionário online. Este foi aplicado a uma amostra intencional de 34 participantes, composta por pais e educadores de São Paulo. A análise dos dados utilizou uma metodologia mista, integrando dados quantitativos (Escala Likert) e qualitativos (respostas abertas), e aplicou o Teste de Wilcoxon para comparar o conhecimento dos participantes antes e após a leitura do Guia. Os resultados indicaram aprovação unânime do Guia quanto à aplicabilidade e relevância, com um aumento significativo no conhecimento autodeclarado dos participantes, que passou de uma média de 6,6 para 9,4 pontos (p

Palavras-chave: Desenvolvimento infantil; Funções executivas; Habilidades socioemocionais; Mediação da aprendizagem; Neurociência aplicada.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

13 de outubro de 2026

Projeto Político Pedagógico: investigando concepções e propondo caminhos para desenvolver as competências socioemocionais

O desenvolvimento das competências socioemocionais representa uma demanda crescente no cenário educacional contemporâneo, impulsionada por estudos da neurociência que ressaltam sua importância para o desenvolvimento integral. Investigou-se como as escolas brasileiras incorporam essa demanda em seus Projetos Políticos Pedagógicos (PPPs). Realizou-se uma pesquisa bibliográfica abrangente sobre competências socioemocionais e documentos educacionais orientadores. Analisaram-se cinco PPPs de escolas brasileiras, incluindo instituições públicas e privadas de diferentes estados, publicados entre 2016 e 2025, buscando a presença e a concepção de propostas para o desenvolvimento socioemocional. Os PPPs analisados evidenciaram uma preocupação com o desenvolvimento integral dos alunos, contemplando as dimensões cognitiva, afetiva e social. Contudo, não apresentaram explicitamente os conceitos de desenvolvimento socioemocional ou competências socioafetivas em seus termos exatos, tangenciando a temática por meio de objetivos educacionais gerais. A alfabetização afetiva não foi encontrada como proposta explícita em nenhum dos documentos. Concluiu-se que as escolas caminham para a efetivação da formação integral, mas necessitam de aprofundamento acadêmico para expandir e criar novas oportunidades de aprendizagem socioafetiva. A pesquisa contribuiu com a elaboração de um percurso para a construção de PPPs e uma proposta de sequência didática para a alfabetização socioafetiva.

Palavras-chave: Alfabetização socioafetiva; Competências socioemocionais; Desenvolvimento integral; Neurociências; Projeto Político Pedagógico.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

13 de outubro de 2026

Guia neuroeducativo para inclusão escolar baseado na análise do PPP de uma escola montessoriana

A inclusão escolar de estudantes com deficiência constitui um princípio orientador da Educação Básica. Analisou-se o Projeto Político-Pedagógico (PPP) de uma escola privada em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, com o objetivo de identificar convergências, lacunas e implicações para o trabalho docente relacionadas à inclusão de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) nos Anos Finais do Ensino Fundamental. A pesquisa adotou abordagem qualitativa, de caráter exploratório, com delineamento em estudo de caso, utilizando a análise documental do PPP, confrontado com a Base Nacional Comum Curricular, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência. Os resultados indicaram alinhamento conceitual e normativo entre o PPP e as normativas oficiais quanto à inclusão escolar e valorização da diversidade. Contudo, identificaram-se lacunas na operacionalização da adaptação curricular, organização da aprendizagem e sistematização de orientações para o trabalho docente. Verificou-se que o documento não explicitou instrumentos sistematizados para apoiar a implementação das diretrizes. Esses achados fundamentaram a proposição de um guia neuroeducativo, destinado ao apoio formativo e prático dos docentes da instituição, com potencial de adaptação a outros contextos, visando fortalecer as práticas pedagógicas inclusivas.

Palavras-chave: Educação Especial; Educação inclusiva; Neuroeducação; Prática docente.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

13 de outubro de 2026

Multiletramentos, Cultura Digital e Neurociência: percepções docentes e implicações na prática pedagógica escolar

A presente pesquisa analisou como professores do 9º ano do Ensino Fundamental II percebem e integram multiletramentos, cultura digital, letramento crítico e competências digitais em suas práticas pedagógicas, considerando as diretrizes curriculares da Base Nacional Comum Curricular (2018) e do Currículo Paulista (2019), além da relevância das funções executivas no ensino-aprendizagem. Adotou-se uma abordagem exploratória e descritiva, com metodologia mista predominantemente qualitativa. Coletaram-se dados por meio de um questionário anônimo aplicado a quatro professores de escolas privadas de São Paulo. Os resultados indicaram que os docentes demonstraram conhecimento conceitual consistente sobre os temas, mas a integração desses conceitos às práticas pedagógicas ocorreu de forma parcial e não sistêmica. Observou-se que a formação continuada dos professores para o uso de tecnologias digitais era insuficiente, levando à busca autônoma por capacitação. Além disso, identificaram-se fragilidades nas funções executivas dos alunos, como planejamento, foco e autorregulação, impactando o letramento crítico. Concluiu-se que a integração efetiva da cultura digital e dos multiletramentos exige trabalho intencional do professor, formação adequada, planejamento pedagógico consistente e atenção às habilidades cognitivas dos estudantes, com a neurociência oferecendo suporte para práticas mais conscientes.

Palavras-chave: Cultura digital; Formação docente; Funções executivas; Letramento crítico; Multiletramentos.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

13 de outubro de 2026

Ação teatral como metodologia ativa para aprendizagem: convergência entre neurociência e educação

A presente pesquisa propôs a utilização da ação teatral como metodologia ativa de aprendizagem para estudantes do ensino fundamental II, fundamentada em neurociência, teatro e pedagogia. O estudo investigou o potencial da prática teatral como estratégia pedagógica para potencializar a compreensão e retenção de conteúdos teóricos. O objetivo foi estruturar e propor uma intervenção pedagógica baseada na criação coletiva de cenas teatrais enquanto aprendizagem ativa, comparando-a com práticas tradicionais de ensino expositivo. Realizou-se uma pesquisa experimental, com abordagem qualitativa e quantitativa, envolvendo quatorze estudantes do 7º ano. Os participantes foram submetidos a pré-testes objetivos e dissertativos sobre lobos cerebrais, hipocampo e amígdala. O grupo controle (7 estudantes) participou de aula expositiva, enquanto o grupo experimental (7 estudantes) criou cenas teatrais colaborativas. Dados de desempenho e observação foram analisados. Ao final da investigação, o grupo experimental demonstrou melhor retenção de conceitos e funções em comparação ao grupo controle. Concluiu-se que o teatro possui grande potencial como metodologia ativa para o desenvolvimento estudantil no contexto escolar, podendo ser aplicado em diferentes disciplinas por mobilizar engajamento, emoção, razão e resolução de problemas, além de auxiliar professores na elaboração de planos de aula.

Palavras-chave: aprendizagem ativa; engajamento estudantil; metodologia pedagógica; neurociência educacional; teatro educativo.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

13 de outubro de 2026

Educação não formal digital e juventude: condições de acesso, uso e aprendizagem significativa no Brasil.

A expansão das tecnologias digitais transformou os processos de aprendizagem nas últimas décadas, mas desigualdades persistentes no acesso condicionam as possibilidades educativas da juventude brasileira. O estudo investigou como as condições de acesso digital podem favorecer ou limitar a aprendizagem significativa (Ausubel, 1963; Moreira, 2012) em contextos não formais. Para isso, a pesquisa, de natureza quali-quantitativa e abordagem descritivo-analítica, analisou dados secundários da pesquisa TIC Domicílios (Cetic.br, 2025) e documentos institucionais (A4AI, 2020; UNESCO, 2024). Os resultados revelaram que, embora a maioria dos jovens brasileiros acesse a internet, uma parcela significativa o fez exclusivamente por smartphone, especialmente nas classes socioeconômicas mais baixas. A precariedade técnica decorrente dessa condição impôs uma carga cognitiva extrínseca, que consumiu recursos da memória de trabalho e comprometeu a disposição para aprender e a ancoragem de novos conhecimentos, conforme a teoria da Carga Cognitiva (Sweller, 1994). Concluiu-se que a métrica binária da conectividade é insuficiente. A ausência de Conectividade Significativa (A4AI, 2020) operou como uma barreira neurocognitiva à aprendizagem, aprofundando as desigualdades educacionais e desafiando o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 4 e 10 no Brasil (ONU, 2015).

Palavras-chave: Aprendizagem significativa; Conectividade significativa; Desigualdade digital; Educação não formal; Juventude.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

09 de outubro de 2026

Fundamentos para estruturação de currículos baseados em habilidades de raciocínio

Nas últimas décadas, observou-se uma transição educacional de modelos focados em conteúdo para o desenvolvimento de competências, impulsionada pela ubiquidade da informação. Nesse contexto, as habilidades de raciocínio tornaram-se pedagogicamente cruciais por embasarem a compreensão, relação e adaptação de conteúdos em cenários complexos. Com base nessa perspectiva, buscou-se consolidar um modelo detalhado das habilidades que compõem o raciocínio cognitivo, visando servir de base para a elaboração de currículos e programas pedagógicos. Para tanto, realizou-se uma pesquisa qualitativa e exploratória, que envolveu uma síntese multidisciplinar de conhecimentos da filosofia da mente, epistemologia, semiótica, psicologia cognitiva e neurociência. Essa abordagem proporcionou uma visão abrangente da natureza e das funções do raciocínio humano. O modelo resultante classificou as habilidades em quatro funções cognitivas principais, subdivididas em níveis crescentes de complexidade, que acompanharam o desenvolvimento cognitivo humano. A estrutura final mostrou-se bem fundamentada e aplicável à elaboração de currículos e programas pedagógicos, oferecendo uma taxonomia de habilidades do raciocínio diretamente utilizável no sequenciamento instrucional e na avaliação de competências cognitivas.

Palavras-chave: Currículo baseado em competências; Desenvolvimento cognitivo; Habilidades cognitivas; Pensamento crítico; Raciocínio cognitivo.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

09 de outubro de 2026

A inclusão da pessoa com deficiência visual nas escolas regulares: desafios e possibilidades

A inclusão escolar de estudantes com deficiência visual representa um desafio persistente nas instituições de ensino brasileiras, apesar dos avanços legislativos. Barreiras pedagógicas, atitudinais, estruturais e formativas ainda comprometem o acesso pleno desses alunos à educação regular, especialmente em escolas particulares, onde há resistência à matrícula e ao acolhimento. O estudo teve por objetivo analisar como ocorre a inclusão de estudantes com deficiência visual em uma escola regular, identificando desafios, recursos disponíveis e práticas bem-sucedidas. Para isso, observou-se o cotidiano de uma escola particular em Fortaleza [CE], que atende da educação infantil ao ensino fundamental I. A pesquisa contemplou visitas sistemáticas à instituição ao longo de três meses, visando compreender a atuação dos profissionais, a infraestrutura escolar, as estratégias pedagógicas e o uso de recursos tecnológicos e assistivos, destacando possibilidades e caminhos para uma inclusão efetiva. Identificaram-se os principais entraves enfrentados por docentes e gestão escolar, bem como práticas que favoreceram o desenvolvimento, a autonomia e o pertencimento dos alunos com deficiência visual. Concluiu-se que a inclusão, quando planejada e contextualizada, beneficia não apenas o aluno com deficiência, mas toda a comunidade escolar, promovendo uma educação mais humana, equitativa e colaborativa.

Palavras-chave: acessibilidade; deficiência visual; educação inclusiva; inclusão escolar; práticas pedagógicas.

Inscreva-se em nossa newsletter!

Receba conteúdos e fique sempre atualizado sobre as novidades em gestão, liderança e carreira com a Revista E&S.

Ao preencher o formulário você está ciente de que podemos enviar comunicações e conteúdos da Revista E&S. Confira nossa Política de Privacidade