Artigo

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

15 de setembro de 2026

Contribuições do Desenho Universal da Aprendizagem no Processo de Alfabetização

Juliana Falsetti Schiavão; Marilda Aparecida Soares

DOI: 10.22167/2675-6528-202602245

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

A pesquisa investigou os princípios do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA) no processo de ensino e a percepção de professores da etapa de alfabetização sobre a eficácia de práticas pedagógicas que consideram a diversidade de ritmos de aprendizagem. O estudo também abordou o processo de alfabetização, as dificuldades de alunos com necessidades educacionais diversas e as contribuições da Neurociência para a compreensão da aprendizagem. Para tanto, realizou-se uma pesquisa exploratória e descritiva, fundamentada em estudos bibliográficos e teóricos. Coletaram-se dados por meio de entrevistas estruturadas, aplicadas via formulário eletrônico a 30 professores de alfabetização do município de Bauru, São Paulo, e analisaram-se de forma quali-quantitativa. Os resultados indicaram que o uso de múltiplos meios de apresentação, participação e expressão dos conteúdos, alinhado ao engajamento, aumentou a motivação, o interesse e o desempenho dos alunos, especialmente aqueles com dificuldades de aprendizagem. Constatou-se que a maioria dos educadores considerou o DUA muito importante para a prática pedagógica, reconhecendo sua capacidade de ampliar o acesso ao currículo e favorecer a aprendizagem de todos. Concluiu-se que o DUA é uma abordagem pedagógica essencial para que a escola se adapte às necessidades dos estudantes, promovendo um ambiente educacional mais inclusivo, equitativo e propício à aprendizagem significativa, com o suporte dos avanços da Neurociência.

Palavras-chave: Alfabetização; Desenho Universal da Aprendizagem; Educação inclusiva; Neurociência; Percepção docente.

1. Introdução

O cenário educacional contemporâneo é caracterizado por uma crescente diversidade entre os estudantes, que apresentam ritmos, estilos e necessidades de aprendizagem variados. Modelos pedagógicos tradicionais frequentemente demonstram limitações para abordar essa heterogeneidade de forma eficaz, resultando em desafios para garantir acesso equitativo e uma aprendizagem significativa para todos. Esta realidade ressalta a urgência de adotar abordagens educacionais inclusivas que reconheçam e valorizem as singularidades de cada indivíduo.

Nesse contexto, o Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA) surge como uma proposta pedagógica que visa atender a essa diversidade. O DUA busca remover barreiras de aprendizagem desde a concepção do planejamento educacional, em vez de exigir que os alunos se adaptem a um modelo preestabelecido. Sua fundamentação teórica, que se inspira no conceito de Desenho Universal da arquitetura, propõe a criação de ambientes e práticas que possam ser utilizados pelo maior número possível de pessoas, sem a necessidade de adaptações posteriores (Alves; Ribeiro; Simões, 2013).

A proposta do DUA organiza-se em três princípios fundamentais: múltiplos meios de representação, múltiplos meios de ação e expressão, e múltiplos meios de engajamento. Esses princípios orientam a oferta de diferentes formas de acesso ao conteúdo, de participação nas atividades e de motivação, promovendo uma aprendizagem mais inclusiva e significativa. Bettio, Miranda e Schmidt (2021) descrevem o DUA como um conjunto de princípios e diretrizes pedagógicas flexíveis, centrado no ensino inclusivo e na consideração da diversidade dos alunos, com aplicação específica na educação infantil (Santos, 2025).

A relevância do DUA é particularmente acentuada no processo de alfabetização, uma fase crucial para o desenvolvimento cognitivo e social. A alfabetização envolve a integração de processos visuais, auditivos e linguísticos, que demandam a reorganização de circuitos neurais específicos para a leitura e escrita (Dehaene, 2012). Nesse sentido, o DUA, proposto por Rose e Meyer (2002), contribui ao estruturar práticas pedagógicas que consideram as diferentes formas de aprendizagem, organizadas em três redes cerebrais: reconhecimento, estratégica e afetiva.

Ao oferecer múltiplos meios de representação, ação/expressão e engajamento, o DUA favorece a aprendizagem significativa e inclusiva no processo de alfabetização. A articulação entre o DUA, os conhecimentos da Neurociência e as diretrizes de inclusão e aprendizagem ativa é fundamental para a construção de práticas pedagógicas mais equitativas, eficazes e centradas no estudante. A teoria das inteligências múltiplas de Gardner (1995) também reforça a ideia de que os indivíduos aprendem de maneiras distintas, o que se alinha aos pressupostos do DUA.

Apesar do potencial do DUA, os currículos convencionais, muitas vezes estruturados para um modelo homogêneo de estudante, ainda geram barreiras que dificultam o acesso e a participação de uma parcela expressiva de alunos, especialmente aqueles com diferentes necessidades educacionais na alfabetização. Além disso, Gonçalves e Tonin (2025) apontam para a escassez de estudos que articulam diretamente o DUA e a alfabetização, evidenciando uma lacuna na literatura que reforça a necessidade de aprofundamento teórico e prático nessa área didático-pedagógica.

Diante desse cenário, torna-se essencial investigar como o DUA pode transformar o processo de ensino e aprendizagem, tornando-o mais inclusivo, flexível e eficaz para todas as crianças, ao invés de uma abordagem única. A compreensão das percepções dos professores sobre a eficácia do planejamento e uso de práticas pedagógicas que contemplem a diversidade dos ritmos de aprendizagem em sala de aula é crucial para promover um ambiente educacional mais equitativo e favorável à aprendizagem significativa. Esta pesquisa teve como objetivo de compreender os princípios do Desenho Universal de Aprendizagem [DUA], enquanto uma abordagem pedagógica que impacta positivamente o processo de alfabetização, sobretudo considerando as especificidades apresentadas por alunos com diferentes necessidades.

2. Material e Métodos

Esta pesquisa possui caráter exploratório e descritivo, fundamentada em estudos bibliográficos e teóricos para analisar os princípios do Desenho Universal de Aprendizagem (DUA) e a percepção de educadores sobre seu uso no processo de alfabetização, incluindo as contribuições da Neurociência na aprendizagem dos estudantes.

Os dados foram coletados por meio de entrevistas estruturadas, realizadas a partir de formulário eletrônico Google Forms, divulgado por e-mail ou redes sociais aos possíveis respondentes, que eram professores do município de Bauru, estado de São Paulo. A coleta de dados foi por conveniência e não-probabilística, e a análise dos resultados foi quali-quantitativa.

Para garantir o sigilo das identidades individuais dos educadores e atender aos critérios éticos da pesquisa acadêmica, a abordagem foi indireta. Os participantes foram informados sobre a pesquisa por meio de um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, que permitiu esclarecer dúvidas e assegurou a participação voluntária, com a possibilidade de declinar a qualquer momento, sem prejuízo ou risco. As informações fornecidas foram utilizadas exclusivamente para fins científicos, sendo tratadas de forma confidencial. As entrevistas foram gravadas apenas com autorização e para análise da pesquisa. Os temas abordados no questionário incluíram a relevância do DUA na prática pedagógica da alfabetização, as estratégias e meios de representação do conteúdo, e a percepção de melhorias na participação e desempenho de alunos com dificuldades de aprendizagem.

3. Resultados e Discussão

O Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA) propõe atender à diversidade dos estudantes por meio da utilização de múltiplos recursos pedagógicos e tecnológicos, materiais, técnicas e estratégias, favorecendo a aprendizagem e ampliando o acesso ao currículo. Fundamenta-se na oferta de múltiplas formas de apresentação dos conteúdos, possibilidades para a realização das atividades e estratégias para estimular o engajamento, a motivação e o interesse dos alunos.

Esta pesquisa analisou a contribuição da Neurociência para a aprendizagem, à luz dos princípios do DUA, buscando identificar procedimentos que favoreceram melhorias no processo de alfabetização.

O DUA consolidou-se no final da década de 1990, em resposta à constatação de que currículos convencionais geravam barreiras de acesso e participação. Sua fundamentação teórica dialoga com o conceito de Desenho Universal na arquitetura, visando a concepção de ambientes utilizáveis pelo maior número de pessoas sem adaptações posteriores. Assim, o DUA defende práticas pedagógicas orientadas à diversidade em sala de aula.

O DUA é um referencial teórico-metodológico flexível, que orienta o planejamento educacional a partir de três eixos centrais: a definição dos objetivos de aprendizagem, as formas de apresentação dos conteúdos e as possibilidades de expressão do conhecimento pelos estudantes (Heredero e Moreira, 2022). A ênfase se desloca do aluno para o currículo, concentrando as adaptações na organização das práticas pedagógicas (Barcelos, Machado e Martins, 2021).

O princípio de acessibilidade universal do DUA reconhece que existem barreiras que impedem o acesso ao currículo para todos os estudantes. Ao planejar a alfabetização com base no DUA, o professor contribui para remover essas barreiras desde o início, criando um ambiente de aprendizagem onde todos têm acesso ao conhecimento, respeitando suas capacidades e especificidades.

A flexibilização curricular é central, significando que o currículo deve ser ajustável às necessidades individuais. Na alfabetização, isso implica usar diferentes estratégias para apresentar o mesmo conteúdo, como o som das letras ou a formação de sílabas, e utilizar materiais concretos, atividades lúdicas, recursos visuais e auditivos. Essa capacidade de adaptação é um elemento central do planejamento didático do DUA.

Modelos de ensino baseados em uma única forma de instrução e avaliação são insuficientes para as necessidades dos estudantes. É fundamental adotar abordagens flexíveis, nas quais o conteúdo pode ser apresentado e avaliado por estratégias diversificadas, favorecendo o engajamento e a aprendizagem.

A implementação do DUA baseia-se em três princípios fundamentais: engajamento, representação e ação e expressão, que orientam a organização de práticas pedagógicas inclusivas. O princípio do engajamento refere-se ao “porquê” da aprendizagem, utilizando estratégias para motivar os estudantes e despertar seu interesse, como a contextualização do tema, uso de vídeos, músicas ou rodas de conversa.

O princípio da representação está relacionado ao “quê” da aprendizagem, ou seja, à forma como os conteúdos são apresentados. O docente pode oferecer múltiplas formas de acesso à informação, utilizando diferentes linguagens e recursos, como explicações orais, imagens, vídeos e objetos concretos.

Por fim, o princípio da ação e expressão diz respeito a “como” o aluno demonstra o que aprendeu. Propõe a diversificação das formas de avaliação, permitindo que os estudantes expressem seus conhecimentos por meio de diferentes linguagens, como a oralidade, a produção gráfica ou gestual.

Figura 1. Infográfico. Princípios do Desenho Universal para a Aprendizagem [DUA]

Fonte: Resultados da pesquisa

O DUA promove uma reorganização das práticas pedagógicas, orientando o planejamento para a diversidade. Ao incorporar múltiplas estratégias de ensino, aprendizagem e avaliação, essa abordagem contribui para um ambiente educacional mais inclusivo, equitativo e responsivo às necessidades dos estudantes.

Em relação aos múltiplos meios de representação, o DUA propõe apresentar as informações de diversas formas, como imagens, vídeos, músicas e jogos, para que as crianças construam o conhecimento de acordo com sua percepção e compreensão, diferentemente da alfabetização tradicional que muitas vezes se baseia apenas no texto escrito.

Os avanços nos estudos da Neurociência aplicada à educação contribuem significativamente para a compreensão dos processos de aprendizagem. Dehaene (2012) destaca que a aprendizagem da leitura e da escrita envolve a reorganização de circuitos neurais específicos, e práticas diversificadas, como o uso de estímulos visuais, auditivos e cinestésicos, favorecem a consolidação do aprendizado. Howard Gardner (1995) reforça essa ideia com a teoria das inteligências múltiplas, que dialoga diretamente com os pressupostos do DUA.

A articulação entre os princípios do DUA e os estudos da Neurociência aponta para a existência de três grandes redes neurais envolvidas na aprendizagem: a rede de reconhecimento (o quê), a rede estratégica (o como) e a rede afetiva (o porquê), as quais são mobilizadas de forma integrada pelas práticas pedagógicas alinhadas ao DUA (Hall, Meyer e Rose, 2012).

No campo das diretrizes educacionais, o DUA alinha-se à valorização de práticas inclusivas e metodologias ativas, que colocam o estudante como protagonista. No contexto brasileiro, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) (Brasil, 2017) e o Referencial Curricular da rede SESI-SP (SESI, 2023) respaldam a adoção de práticas alinhadas ao DUA, enfatizando a necessidade de uma educação inclusiva, equitativa e centrada no estudante.

A inclusão escolar, fundamentada nos princípios dos Direitos Humanos (1948) e na Declaração de Salamanca (1994), assegura a igualdade de oportunidades. Atualmente, a discussão sobre educação inclusiva foca na garantia da permanência com qualidade, com práticas pedagógicas que respondam à diversidade presente nas salas de aula (Gonçalves e Gomes, 2025).

A BNCC favorece a inclusão ao definir competências e habilidades que orientam o currículo, promovendo uma formação integral do estudante. O processo de alfabetização requer o desenvolvimento da consciência fonológica e fonêmica, conhecimento alfabético, vocabulário, compreensão oral e domínio do conceito de impressão (Brasil, 2017; Brasil, 2019). A convergência entre os pressupostos do DUA e as diretrizes da BNCC é evidente na valorização das múltiplas linguagens, flexibilização das práticas pedagógicas e promoção da autonomia dos estudantes.

Coleta e análise dos dados referentes à percepção docente

As entrevistas com educadores permitiram identificar a percepção sobre o uso de estratégias do DUA no processo de alfabetização. Participaram 30 professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental de escolas privadas, com conhecimento sobre o DUA.

Os dados confirmaram a importância do DUA e sua articulação com conhecimentos neurocientíficos. Em relação à percepção sobre o DUA, 24 dos 30 respondentes (80%) o consideraram “muito importante” para a prática pedagógica, e os 20% restantes o classificaram como “importante”, indicando uma ampla valorização dessa abordagem.

Figura 2. Importância do [DUA] para a prática pedagógica

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Quanto à oferta de múltiplos meios de representação do conteúdo, 18 dos 30 docentes (60%) utilizam jogos e brincadeiras como estratégia didática, enquanto 12 (40%) recorrem a vídeos com imagens e canções explicativas, demonstrando a diversificação de recursos para favorecer a aprendizagem.

Figura 3. Múltiplos meios de representação dos conteúdos

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Adicionalmente, 21 educadores (70%) afirmaram perceber melhorias significativas na participação e no desempenho de alunos com dificuldades de aprendizagem ao aplicarem os princípios do DUA, reforçando a eficácia da abordagem na promoção de práticas pedagógicas inclusivas e no atendimento à diversidade.

Os princípios do DUA, que enfatizam o engajamento, a representação e a ação/expressão, são cruciais para manter o interesse e a motivação dos alunos. A apresentação diversificada dos conteúdos e múltiplas opções para a expressão da aprendizagem tornam o currículo mais flexível e acessível, promovendo o ensino inclusivo (Bettio, Miranda e Schmidt, 2021).

As potencialidades do DUA na alfabetização abrangem a sistematização de práticas pedagógicas para a inclusão efetiva, garantindo condições reais de participação e aprendizagem, respeitando as singularidades dos sujeitos (Gonçalves e Tonin, 2025). Contudo, a literatura ainda aponta para a escassez de estudos que articulam diretamente DUA e alfabetização, indicando uma lacuna de aprofundamento teórico e prático.

A aquisição da leitura e da escrita, compreendida de forma ampliada, articula-se ao letramento e às práticas sociais da linguagem, demandando estratégias diversificadas e diferentes formas de acesso ao conhecimento, especialmente em turmas heterogêneas e inclusivas (Gonçalves e Tonin, 2025). A alfabetização, como sistema de representação da linguagem humana por meio da escrita alfabético-ortográfica (Soares, 2012), e o letramento, que implica a participação em práticas sociais mediadas pela linguagem escrita, são processos interdependentes.

A organização curricular orientada pelo DUA propõe um planejamento que contemple as diversidades desde o início, reduzindo a necessidade de novas adaptações e potencializando a efetividade das práticas pedagógicas. Essa abordagem, em consonância com a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Brasil, 2015), assegura condições de igualdade no acesso, permanência e aprendizagem.

Ensino tradicional e proposta DUA: um olhar comparativo

A análise comparativa entre o ensino tradicional e o DUA revela que o modelo tradicional se caracteriza por práticas padronizadas e centradas no professor, enquanto o DUA propõe uma abordagem flexível e centrada no estudante, considerando suas diferentes formas de aprender.

Há um contraste significativo nas concepções pedagógicas, práticas docentes e compreensão da aprendizagem. O DUA, com seus objetivos flexíveis, amplia as possibilidades de participação, favorecendo que mais estudantes realizem as atividades propostas, o que reforça o caráter inclusivo do processo educativo.

Do ponto de vista metodológico, o DUA pressupõe planejamento curricular flexível, estruturado nos princípios de múltiplas formas de representação, ação e expressão e meios de engajamento, visando considerar a diversidade dos estudantes desde o planejamento para evitar adaptações posteriores e promover equidade. Iniciativas como o uso de tecnologias digitais, materiais acessíveis e a “caixa de aprendizagem” contribuem para redimensionar a alfabetização em contextos inclusivos (Gonçalves e Tonin, 2025).

A “caixa de aprendizagem”, conforme Araújo (2024), materializa o DUA por meio de missões colaborativas, conteúdos conectados à vida dos estudantes e atividades vinculadas ao contexto real. A representação se manifesta em materiais variados e QR Codes para transformar textos em falas, enquanto a ação e expressão se concretizam em diversas formas de expressão e autoavaliação.

A coerência entre conteúdos, objetivos, materiais, métodos e instrumentos de avaliação é fundamental para verificar se os alunos atingiram os resultados esperados (Bettio, Miranda e Schimidt, 2021). Metas e objetivos claros são cruciais para o sucesso da aprendizagem.

No modelo tradicional, o professor é o principal transmissor de conhecimento e o aluno é passivo (Rosalin, 2022). Em contrapartida, o DUA propõe um professor mediador e facilitador, promovendo a participação ativa e o protagonismo discente.

Quanto às estratégias de ensino, o modelo tradicional privilegia uma única forma de apresentação dos conteúdos, enquanto o DUA defende a utilização de múltiplas formas, incorporando recursos visuais, auditivos e práticos, adaptados às diferentes necessidades e estilos de aprendizagem.

As práticas avaliativas também diferem: o ensino tradicional baseia-se em avaliações padronizadas, enquanto o DUA propõe uma avaliação diversificada e flexível, que considera diferentes formas de expressão do conhecimento, incluindo produções orais, práticas e visuais.

A motivação e o engajamento dos alunos, pouco considerados no modelo tradicional, são elementos centrais no DUA, que valoriza a autonomia, o interesse e a participação para aprender.

No campo da inclusão, o ensino tradicional exige que o aluno se adapte ao modelo, podendo gerar exclusão. O DUA, por sua vez, planeja o ensino para se adaptar às características dos alunos, promovendo equidade e acessibilidade, inclusive por meio de materiais acessíveis (Silva, 2024).

O ensino tradicional adota uma visão homogênea da aprendizagem, tratando as dificuldades como falhas a serem corrigidas por repetição. O DUA reconhece a diversidade, compreendendo as dificuldades como oportunidades para estratégias pedagógicas mais inclusivas e eficazes. Essa transição representa uma educação centrada na diversidade, flexibilidade e inclusão, em oposição à padronização.

DUA: alguns limites e desafios no contexto brasileiro

A implementação do DUA no contexto escolar brasileiro enfrenta limites e desafios, principalmente relacionados à formação docente. A ausência de formação continuada específica dificulta a transposição dos princípios do DUA para práticas pedagógicas efetivas, resultando em aplicações superficiais.

As condições estruturais das unidades escolares também representam um desafio. A escassez de recursos didáticos diversificados, tecnologias assistivas, acesso à internet e equipamentos tecnológicos, tanto em escolas públicas quanto particulares, constituem barreiras concretas. Essa realidade aponta para a necessidade de políticas públicas mais efetivas de financiamento e infraestrutura educacional.

A cultura escolar, muitas vezes centrada em práticas pedagógicas tradicionais e modelos avaliativos homogêneos, dificulta a adoção de abordagens flexíveis como o DUA. A resistência a mudanças e a pressão por resultados em avaliações externas restringem a autonomia docente e a inovação pedagógica.

A sobrecarga de trabalho docente é outro aspecto a ser considerado, pois a implementação do DUA exige planejamento mais elaborado, diversificação de estratégias e acompanhamento contínuo dos estudantes. Sem condições adequadas, o DUA pode ser percebido como uma exigência adicional, e não como um suporte à prática.

Por fim, a efetivação de uma educação mais integrativa, conforme a BNCC e a Política Nacional de Educação Especial (Brasil, 2008), depende da articulação entre políticas públicas, gestão escolar e práticas pedagógicas. Isso envolve formação docente, investimento em infraestrutura, revisão de práticas avaliativas e fortalecimento da cultura inclusiva nas escolas.

Dessa forma, o DUA consolida-se como um referencial potente para a promoção da equidade educacional, mas sua implementação no Brasil requer o enfrentamento contínuo de desafios estruturais, culturais e formativos para sustentar uma educação verdadeiramente inclusiva.

Em síntese, os resultados desta pesquisa indicam que o Desenho Universal para a Aprendizagem é percebido como uma abordagem de grande importância para a prática pedagógica na alfabetização, promovendo a flexibilização curricular e o acesso ao conhecimento. A adoção de múltiplos meios de representação, como jogos, brincadeiras e vídeos, e a percepção de melhorias na participação e desempenho de alunos com dificuldades de aprendizagem, reforçam a eficácia do DUA. Apesar dos desafios de implementação no contexto brasileiro, a articulação do DUA com a Neurociência e as diretrizes educacionais contemporâneas fortalece a construção de práticas pedagógicas centradas no estudante, contribuindo para uma educação mais inclusiva e significativa.

4. Conclusão

Este estudo buscou compreender os princípios do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA) e sua influência no processo de alfabetização, considerando a diversidade de necessidades dos alunos. Verificou-se que o DUA, ao propor múltiplos meios de representação, ação e expressão, e engajamento, constitui um referencial pedagógico robusto para a educação inclusiva. Os resultados indicaram uma percepção amplamente positiva dos professores de alfabetização sobre a importância do DUA, com a maioria dos educadores classificando-o como “muito importante” para a prática pedagógica. Observou-se que a aplicação de estratégias diversificadas, como jogos, brincadeiras e vídeos, para a apresentação de conteúdos, resultou em melhorias significativas na participação e no desempenho de alunos com dificuldades de aprendizagem. A articulação dos princípios do DUA com os avanços da Neurociência, que evidenciam a reorganização de circuitos neurais específicos para a leitura e escrita, e com as diretrizes educacionais contemporâneas, como a BNCC, fortalece a construção de práticas pedagógicas mais equitativas e centradas no estudante. A principal contribuição do estudo reside em demonstrar como o DUA oferece um arcabouço prático e teórico para flexibilizar o currículo e promover um ambiente de aprendizagem acessível, adaptando a escola às necessidades dos alunos e não o contrário, o que favorece a formação integral e o sucesso educacional de todos.

Apesar das potencialidades do DUA, sua implementação no contexto brasileiro enfrenta desafios notáveis. Identificou-se a ausência de formação continuada específica para docentes, a precariedade de recursos didáticos e tecnológicos em muitas unidades escolares, e uma cultura escolar que, por vezes, resiste a abordagens flexíveis e inovadoras. A sobrecarga de trabalho docente também se apresenta como um limitador, pois o planejamento e a diversificação exigidos pelo DUA demandam tempo e suporte adequados. Diante dessas limitações, sugere-se que estudos futuros investiguem a eficácia de programas de formação docente continuada focados no DUA e na Neurociência, bem como a elaboração de políticas públicas que garantam investimento em infraestrutura e recursos pedagógicos. Adicionalmente, recomenda-se aprofundar a pesquisa sobre a articulação entre o DUA e a alfabetização em diferentes contextos socioeconômicos, a fim de consolidar evidências sobre sua aplicabilidade e impacto em larga escala, preenchendo a lacuna teórica e prática apontada na literatura.

Referências Bibliográficas

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Barcelos, R. M. F.; Machado, D. J.; Martins, G. B. 2021. Desenho Universal para Aprendizagem: levantamento das publicações científicas e análise do seu conceito. Research, Society and Development, v. 10, n. 12.

Bettio, C.D.B.; Miranda, A.C.A.; Schimidt, A. 2021. Desenho universal para a aprendizagem e ensino inclusivo na educação infantil. Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, SP, Brasil. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/download/646/575/2169?inline=1. Acesso em: 15 out. 2025.

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Gonçalves, K. V. T. e Tonin, L. B. 2025. Desenho Universal para Aprendizagem: possibilidades para uma alfabetização inclusiva. X Encontro Nacional das Licenciaturas – IX Seminário Nacional do PIBID, 2025. Disponível em: https://www.editorarealize.com.br/editora/anais/enalic/2025/TRABALHO_COMPLETO_EV224_ID12051_TB4082_19112025210643.pdf. Acesso em 20 abr. 2026.

Hall, T. E.; Meyer, A.; Rose, D. H. (Eds.) 2012. Universal Design for Learning in the Classroom: Practical Applications. Guilford Press, New York, USA.

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Santos, M. E. 2025. Fundamentos e conceitos do Desenho Universal para Aprendizagem (DUA), Plano de Ensino Individualizado (PEI) e Ensino Colaborativo (EC): possibilidades para o ensino na perspectiva inclusiva. Maringá, PR, Brasil.

Serviço Social da Indústria (SESI]. 2023. Referencial curricular da rede SESI SP. SESI-SP Editora, São Paulo, SP, Brasil.

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Soares, M. 2012. Alfabetização e letramento. Editora Positivo, Curitiba, PR, Brasil. Disponível em: https://orientaeducacao.wordpress.com/wpcontent/uploads/2017/02/col-alf-let-01-alfabetizacao_letramento.pdf. Acesso em: 18 nov. 2025.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Neurociência e Aprendizagem na Educação

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Um estudo analisou o impacto da “II Gincana Leonor: Gincana da Inclusão” como estratégia pedagógica para promover a empatia e combater o capacitismo em uma escola pública municipal de Campinas, envolvendo alunos do 6º ao 9º ano. A metodologia, de natureza aplicada, caracterizou-se como um estudo de caso com abordagem qualitativa e quantitativa. A coleta de dados envolveu análise documental do guia de atividades da gincana, registros fotográficos das vivências e aplicação de questionários estruturados via Google Forms para a equipe gestora, docentes e funcionários da instituição. Os resultados revelaram alto engajamento e protagonismo estudantil, com mais de 80% de percepção positiva dos participantes sobre a eficácia das atividades lúdicas na sensibilização sobre a diversidade. Contudo, evidenciaram desafios na transposição do aprendizado para o cotidiano escolar, pois a maioria dos docentes relatou aplicação apenas parcial dos valores de inclusão nas atitudes diárias dos alunos. Concluiu-se que, embora a gincana tenha sido um catalisador eficaz para a empatia e o acolhimento, a consolidação de uma cultura anticapacitista exige a integração contínua dessas discussões ao currículo escolar, superando o caráter pontual das intervenções.

Palavras-chave: Capacitismo; Educação Inclusiva; Gincana Escolar; Metodologias Ativas; Protagonismo Estudantil.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

15 de setembro de 2026

Entendendo a Superdotação: o que a Escrita de Mulheres Superdotadas Diz sobre a Norma Linguística

Este estudo analisou textos produzidos em blogs por mulheres com altas habilidades/superdotação, com o objetivo de identificar marcas linguísticas relacionadas ao uso da norma-padrão e compreender como tais escolhas se articulam a normas sociais e a possíveis estratégias de masking. Uma abordagem qualitativa, descritiva e documental foi empregada, examinando dez textos de blogs pessoais, publicados entre 2018 e 2025, por mulheres que se autodeclararam superdotadas e que abordaram suas experiências. A análise evidenciou um manejo consistente da norma-padrão, mas também uma oscilação entre usos mais monitorados e formas mais flexíveis, com traços de oralidade e menor formalidade. Essa tensão linguística refletiu negociações identitárias em diferentes contextos discursivos. Observou-se que expectativas sociais de perfeição e adequação linguística incidem intensamente sobre meninas, influenciando suas práticas. Contudo, o ambiente dos blogs favoreceu maior liberdade expressiva, permitindo discursos íntimos e autobiográficos. Concluiu-se que a análise da escrita contribuiu para ampliar a compreensão sobre identidade, gênero e inclusão, destacando a importância de práticas educacionais sensíveis às especificidades de estudantes com altas habilidades.

Palavras-chave: Altas habilidades/superdotação; Blogs; Identidade; Masking; Norma-padrão.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

15 de setembro de 2026

Ciências Humanas no Ensino Fundamental I: Possibilidades Inclusivas de Ensino

O estudo abordou as possibilidades inclusivas de ensino nas disciplinas de Ciências Humanas no 2º ano do Ensino Fundamental I. Objetivou-se apresentar estratégias pedagógicas e um modelo de plano de aula para assegurar uma prática inclusiva, visando ampliar o repertório docente em relação aos alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e estimular o uso de metodologias ativas. Realizou-se uma pesquisa documental, tomando como referência a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o material RioEduca de 2025, e relacionou-se essas documentações com um relato de experiência. A análise do planejamento pedagógico e das estratégias propostas demonstrou que as metodologias ativas, fundamentadas na BNCC e no Material RioEduca, oferecem um suporte robusto para a inclusão de estudantes com TEA. Observou-se que o deslocamento do foco do ensino tradicional para uma abordagem lúdica e dinâmica favoreceu o desenvolvimento das funções executivas e estimulou a neuroplasticidade, beneficiando o engajamento emocional dos alunos com TEA. Concluiu-se que a utilização de metodologias ativas constitui uma estratégia eficaz para a educação inclusiva nas Ciências Humanas, promovendo um ambiente de aprendizagem que respeita os diferentes ritmos e necessidades de todos os estudantes.

Palavras-chave: BNCC; Ciências Humanas; Educação inclusiva; Metodologias ativas; Transtorno do Espectro Autista.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

15 de setembro de 2026

A Progressão das Demandas Cognitivas nas Habilidades de Leitura da Bncc nos Anos Finais do Ensino Fundamental

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) estabeleceu um marco para a organização curricular da Educação Básica, definindo aprendizagens essenciais a serem desenvolvidas progressivamente. Nesse contexto, a progressão das aprendizagens e o desenvolvimento cognitivo dos estudantes nas habilidades de leitura têm sido objeto de análise no campo educacional. O estudo objetivou analisar a progressão cognitiva das habilidades de leitura propostas para o 6º e o 7º anos do Ensino Fundamental, utilizando como referência a Taxonomia de Bloom revisada. Realizou-se uma pesquisa de natureza qualitativa, baseada em análise documental, com foco na identificação e classificação dos verbos que expressam as operações cognitivas mobilizadas nas habilidades. Os resultados indicaram a recorrência de habilidades de média e alta complexidade ao longo deste ciclo, sem a explicitação de uma progressão cognitiva linear. Observou-se a predominância de operações como análise, avaliação e comparação desde o início do período analisado. Esses achados revelaram desafios para a organização curricular, especialmente quanto à necessidade de mediação docente para construir a progressão das aprendizagens, prevenir a sobrecarga cognitiva e promover práticas pedagógicas que favoreçam o desenvolvimento gradual da autonomia leitora.

Palavras-chave: BNCC; Complexidade Cognitiva; Ensino de Língua Portuguesa; Habilidades de leitura; Taxonomia de Bloom.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

15 de setembro de 2026

Neurociência e Formação Docente: um Retrato dos Cursos de Licenciatura no Nordeste Brasileiro Pós Bnc-formação

A compreensão dos processos de aprendizagem, influenciada por fatores biológicos e neurobiológicos, é fundamental para a formação docente. Investigou-se a presença ou ausência de tópicos ligados à Neurociência em cursos de Pedagogia no nordeste brasileiro. A pesquisa, de natureza qualitativa e descritivo-exploratória, foi realizada em 2026, com base em análise documental. Analisaram-se os Projetos Pedagógicos de Curso (PPC), as matrizes curriculares e os ementários de vinte e cinco Instituições de Ensino Superior da região, além da Base Nacional Comum para a Formação Inicial de Professores da Educação Básica (BNC-Formação). Os resultados indicaram uma pouca presença de conteúdos de neurociências na formação inicial docente, mesmo após a promulgação da BNC-Formação em 2019. Observou-se que apenas 36% dos cursos analisados apresentaram conteúdos relacionados à Neurociência em seus PPC, enquanto a maioria não fez menção ao tema. As conclusões apontaram a necessidade imperante de atualização das matrizes curriculares dos cursos de Pedagogia, com a inserção de disciplinas e programas que abordem a neurociência. Isso visa capacitar os futuros professores a compreenderem o funcionamento do cérebro e a aplicarem descobertas científicas em suas práticas pedagógicas, otimizando o processo de ensino-aprendizagem e o desenvolvimento dos estudantes.

Palavras-chave: BNC-Formação; Currículo; Neurociências; Pedagogia.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

15 de setembro de 2026

Inclusão e Acessibilidade para Estudantes Neurodivergentes de uma Faculdade de Medicina do Estado do Rio de Janeiro

A neurodiversidade compreende variações no funcionamento neurológico que impactam aspectos cognitivos, comportamentais e sociais. No contexto da educação médica, caracterizada por alta demanda cognitiva e metodologias ativas, estudantes neurodivergentes frequentemente enfrentam desafios relacionados às funções executivas, interação social e sobrecarga cognitiva, além de suporte institucional limitado. O estudo objetivou analisar os desafios vivenciados por estudantes neurodivergentes em uma faculdade de medicina do estado do Rio de Janeiro, relacionando-os aos fatores associados à inclusão acadêmica. Realizou-se uma pesquisa quali-quantitativa, descritiva, por meio de questionário online semiestruturado. Os dados quantitativos foram analisados descritivamente, e os qualitativos, por análise de conteúdo-temática. Participaram 19 estudantes, com predominância do sexo feminino (68,4%) e do ciclo básico (57,9%). Identificou-se alta prevalência de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (84,2%) e Transtorno do Espectro Autista (31,6%), com 36,8% apresentando múltiplas condições. A maioria (63,2%) recebeu o diagnóstico após o ingresso na graduação, o que gerou alívio e compreensão de suas limitações. Verificou-se que 73,7% dos estudantes comunicaram sua condição à instituição, e 57,9% solicitaram adequações, principalmente tempo adicional em avaliações teóricas, mas 30,8% relataram demandas não atendidas. A dificuldade de adaptação acadêmica foi relatada por 84,2% dos participantes, envolvendo organização do tempo, concentração e avaliações. Concluiu-se que estudantes neurodivergentes enfrentaram dificuldades significativas no ensino médico, evidenciando a necessidade de estratégias institucionais voltadas à inclusão e equidade acadêmica.

Palavras-chave: Adaptação educacional; Desempenho acadêmico; Estudantes de medicina; Neurodiversidade.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

15 de setembro de 2026

Estratégias Pedagógicas para Inclusão de Crianças com Tea: Contribuições do Modelo Denver no Contexto Escolar.

O aumento expressivo no número de crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem desafiado os sistemas educacionais quanto à efetivação da inclusão escolar. Nesse contexto, a intervenção precoce baseada em evidências científicas mostrou-se fundamental para promover o desenvolvimento integral. O estudo analisou as estratégias pedagógicas para inclusão de crianças com TEA, com foco nas contribuições do Modelo Denver de Intervenção Precoce (ESDM) para o desenvolvimento da linguagem, aprendizagem e socialização no ambiente escolar. Realizou-se um estudo de caso múltiplo em três Centros de Educação Infantil Municipais de Penápolis/SP. A pesquisa baseou-se na análise documental de Planos Educacionais Individualizados (PEIs) de três estudantes com TEA e foi complementada por relatos de experiência de uma professora mediadora. Os dados foram analisados por meio da técnica de análise de conteúdo, buscando identificar padrões e relações entre as estratégias de intervenção e os avanços no desenvolvimento infantil. Os resultados evidenciaram que a intervenção precoce, fundamentada em práticas baseadas em evidências e sistematizada pelo PEI, mostrou-se viável e eficaz. Observou-se que a utilização de estratégias naturalistas, lúdicas e mediadas por interações sociais significativas, conforme preconiza o Modelo Denver, favoreceu avanços expressivos nas áreas de comunicação, interação social, cognição, autonomia funcional e comportamento adaptativo das crianças participantes. Concluiu-se que a aplicação do Modelo Denver no ambiente escolar, articulada ao PEI, constituiu uma estratégia promissora para o desenvolvimento integral de crianças com TEA na educação infantil, reafirmando o papel da escola na intervenção precoce e nas práticas inclusivas.

Palavras-chave: Educação infantil; Inclusão escolar; Intervenção precoce; Modelo Denver; Transtorno do Espectro Autista.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

10 de setembro de 2026

A Produção de Memes como Estratégia de Formação Literária e Multiletramentos no Ensino Fundamental Ii

A leitura de obras literárias clássicas apresenta desafios no contexto escolar contemporâneo, devido ao distanciamento entre a linguagem dos textos e o repertório dos estudantes. Investigou-se como a utilização de memes contribuiu para a construção de sentidos na leitura da obra Senhora, de José de Alencar, no Ensino Fundamental II. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, com caráter de pesquisa participante, e foi desenvolvida com duas turmas de 9º ano de uma escola privada em Volta Redonda, Rio de Janeiro. Os dados foram coletados por meio de questionários e das produções dos estudantes, e analisados à luz da análise de conteúdo. Os resultados indicaram que a utilização de memes favoreceu a aproximação dos alunos com o texto literário, reduziu a resistência inicial e ampliou o engajamento com a leitura. Observou-se, também, o avanço progressivo na compreensão da narrativa, evidenciado pela capacidade de interpretar fatos, analisar personagens, identificar relações implícitas e elaborar posicionamentos críticos. As produções revelaram a articulação entre o conteúdo da obra e o repertório sociocultural dos estudantes, indicando a construção de aprendizagens com significado. Concluiu-se que a integração entre literatura e cultura digital potencializou a mediação pedagógica, contribuindo para a formação de leitores mais ativos e interpretativamente autônomos.

Palavras-chave: aprendizagem significativa; cultura digital; leitura literária; multiletramentos; neurociência.

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