Artigo

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

15 de setembro de 2026

Entendendo a Superdotação: o que a Escrita de Mulheres Superdotadas Diz sobre a Norma Linguística

Letícia Cordeiro de Oliveira Bueno; Sheila Cristina da Silva Victorio

DOI: 10.22167/2675-6528-202602258

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

Este estudo analisou textos produzidos em blogs por mulheres com altas habilidades/superdotação, com o objetivo de identificar marcas linguísticas relacionadas ao uso da norma-padrão e compreender como tais escolhas se articulam a normas sociais e a possíveis estratégias de masking. Uma abordagem qualitativa, descritiva e documental foi empregada, examinando dez textos de blogs pessoais, publicados entre 2018 e 2025, por mulheres que se autodeclararam superdotadas e que abordaram suas experiências. A análise evidenciou um manejo consistente da norma-padrão, mas também uma oscilação entre usos mais monitorados e formas mais flexíveis, com traços de oralidade e menor formalidade. Essa tensão linguística refletiu negociações identitárias em diferentes contextos discursivos. Observou-se que expectativas sociais de perfeição e adequação linguística incidem intensamente sobre meninas, influenciando suas práticas. Contudo, o ambiente dos blogs favoreceu maior liberdade expressiva, permitindo discursos íntimos e autobiográficos. Concluiu-se que a análise da escrita contribuiu para ampliar a compreensão sobre identidade, gênero e inclusão, destacando a importância de práticas educacionais sensíveis às especificidades de estudantes com altas habilidades.

Palavras-chave: Altas habilidades/superdotação; Blogs; Identidade; Masking; Norma-padrão.

1. Introdução

Os estudos em neurociências desempenham um papel fundamental na compreensão do sistema nervoso, sua estrutura, funcionamento e impacto no comportamento humano e nos processos mentais (Lent, 2001). No contexto da aprendizagem, essa área de conhecimento destaca a dependência da aquisição de conhecimento em relação ao funcionamento cerebral e à plasticidade neural, que é a capacidade de formar, fortalecer e reorganizar conexões. Contudo, é crucial reconhecer a individualidade de cada ser humano e, por extensão, de cada cérebro, o que implica em formas individualizadas de aprendizado, guiadas por fatores como genética, ambiente, experiências passadas e emoções (Reis et al., 2009).

Nesse sentido, a teoria das múltiplas inteligências, proposta por Gardner (1983), oferece uma perspectiva ampliada sobre a cognição humana. Ela defende a existência de diversos tipos de inteligência, como a linguística, lógico-matemática, espacial, musical, corporal-cinestésica, interpessoal, intrapessoal e naturalista. Essa abordagem justifica que diferentes pessoas possuem habilidades cognitivas e formas de aprender distintas, o que é particularmente relevante para a discussão sobre a superdotação.

A superdotação, vista como a presença de maior facilidade e desempenho em comparação com pares da mesma idade, cultura e nível socioeconômico (Rzezak et al., 2004), não deve ser avaliada por um único parâmetro de inteligência. O conceito de inteligência como uma medida singular de competência (Virgolim, 2021) tem sido questionado, pois a inteligência é multifacetada e não se reduz a um único fator (Gardner, 1983; Virgolim, 2021). Embora indivíduos superdotados demonstrem atributos cognitivos específicos e habilidades mentais mais desenvolvidas, percebendo e interpretando o mundo de forma mais rápida e ampla (Rzezak et al., 2004), eles também enfrentam desafios significativos. Estes incluem tédio escolar, descompasso entre desenvolvimento intelectual e emocional, isolamento social e pressão por desempenho, que podem levar a ansiedade, frustração e baixo rendimento (Alencar e Fleith, 2001; Renzulli, 2005; Pérez, 2003).

Diante desses desafios e da busca por um melhor ajustamento ao ambiente, indivíduos superdotados podem adotar estratégias de mascaramento, conhecido como masking. Esse comportamento de camuflagem pode ocorrer tanto no ambiente escolar, com o estudante evitando demonstrar seus interesses ou respondendo incorretamente propositalmente, quanto em relações interpessoais, na tentativa de se encaixar em grupos (Seng, 2019; Cross et al., 2014). Embora o masking possa proporcionar aceitação social temporária, suas consequências emocionais são frequentemente negativas, incluindo ansiedade, baixa autoestima e uma sensação de desconexão com a própria identidade (Seng, 2019; Davidson, 2021).

O fenômeno do masking é particularmente observado entre mulheres superdotadas, refletindo não apenas diferenças na socialização, mas também pressões sociais intensas para que se adequem a normas de comportamento e comunicação (Seng, 2019; Cross et al., 2014). Nesse processo, elas ajustam suas atitudes e manifestações de conhecimento para se sentirem mais pertencentes e reduzir a estigmatização (Cross et al., 2014). Essa adaptação não se restringe ao comportamento, estendendo-se à linguagem e influenciando escolhas de vocabulário, estrutura sintática e adequação à norma linguística padrão. Tais estratégias linguísticas, embora favoreçam a aceitação social, podem ocultar o potencial intelectual e afetar a construção de uma identidade autêntica. Abre-se, assim, uma reflexão sobre a complexa relação entre mulheres superdotadas e suas práticas linguísticas, e como o uso da linguagem funciona como ferramenta de integração social e expressão do intelecto.

Historicamente, as mulheres estão socialmente submetidas a expectativas elevadas de adequação e perfeição, o que se reflete em como se comportam e utilizam a linguagem (Bueno, 2019). Com a superdotação, essas exigências se intensificam, criando uma dupla pressão: a cobrança social historicamente direcionada às mulheres e as expectativas de excelência associadas à superdotação. Espera-se que sejam cognitivamente excelentes e socialmente adequadas. No contexto educacional, essa problemática de gênero contribui para que meninas superdotadas sejam menos identificadas, devido a expectativas de comportamento conforme o sexo (Neumann, 2018), como serem “organizadas, persistentes, carinhosas e comportadas” (Camargo et al., 2013). A linguagem, nesse sentido, é entendida não apenas como instrumento de comunicação, mas como manifestação do funcionamento cognitivo e da organização do pensamento (Zanello, 2014).

A análise da escrita de mulheres superdotadas em blogs pessoais oferece uma oportunidade única para investigar como a norma linguística padrão é utilizada e como essa utilização se relaciona com as normas sociais e as estratégias de masking. Compreender essas dinâmicas é fundamental para ampliar o entendimento sobre identidade, gênero e inclusão, além de destacar a importância de práticas educacionais mais sensíveis às especificidades de estudantes com altas habilidades. Dessa forma, o presente estudo objetiva analisar textos produzidos em blogs por mulheres com altas habilidades/superdotação, a fim de identificar marcas linguísticas relacionadas ao uso da norma-padrão e compreender como tais escolhas se articulam a normas sociais e a possíveis estratégias de masking.

2. Material e Métodos

Este estudo teve como objetivo principal analisar textos de blogs pessoais escritos por mulheres superdotadas, identificando marcas linguísticas recorrentes que evidenciem o uso da norma-padrão e compreendendo como tais escolhas se articulam a normas sociais e a possíveis estratégias de masking. As etapas iniciais do trabalho incluíram a leitura e discussão de textos teóricos fundamentais para o embasamento do estudo e a composição do córpus.

A pesquisa possui abordagem qualitativa, de caráter descritivo e documental. O córpus foi composto por dez textos publicados em blogs pessoais de mulheres que se autodeclaram superdotadas e que abordam diretamente sua experiência com a superdotação. Os textos, datados de 2018 a 2025, foram retirados do blog intitulado “Supereficiente Mental”. Para a seleção, foram adotados os seguintes critérios: (i) textos disponíveis publicamente na internet; (ii) identificação clara da autora como superdotada ou relato em primeira pessoa sobre a condição; e (iii) textos escritos em língua portuguesa.

A coleta dos textos foi realizada por meio de pesquisa online, e os textos selecionados foram organizados em um banco de dados digital, contendo informações sobre a autora, a data de publicação e o título do texto. Foram analisados apenas textos de caráter público, garantindo o anonimato das autoras quando necessário e respeitando os direitos autorais, com citação da fonte original.

A análise dos textos seguiu etapas sequenciais: (i) leitura integral para familiarização com o conteúdo; (ii) identificação de marcas linguísticas relacionadas à norma-padrão; (iii) categorização dessas marcas em grupos; e (iv) interpretação qualitativa dos resultados, destacando padrões recorrentes que pudessem evidenciar a forma como essas mulheres utilizam a norma-padrão em seus escritos.

As categorias linguísticas observadas para identificar aproximação ou afastamento em relação à norma-padrão incluíram: concordância verbal e nominal (verificação do alinhamento entre sujeito-verbo e substantivo-artigo-adjetivo), regência verbal e nominal (emprego conforme as prescrições da gramática normativa), colocação pronominal (uso de próclise, ênclise e mesóclise em contextos formais) e léxico utilizado (observando escolhas vocabulares mais formais em detrimento de gírias ou marcas de oralidade). Além disso, foram consideradas as estruturas sintáticas e organizacionais do texto, como o uso de períodos compostos, orações subordinadas e conectivos; o emprego da pontuação de acordo com a norma; os mecanismos de coesão referencial (uso de pronomes e expressões de retomada) e coesão sequencial (uso de conectores que orientam a progressão textual, como portanto, contudo, logo). Por fim, foi avaliado o registro formal, verificando a ausência de abreviações, interjeições coloquiais e marcas explícitas de oralidade. Essas categorias funcionaram como parâmetros analíticos para identificar marcas linguísticas recorrentes e sua relação com o uso da norma-padrão.

Parte do processo de organização textual, revisão linguística, reformulação de trechos e apoio à estruturação argumentativa contou com o auxílio de ferramenta de inteligência artificial generativa (ChatGPT, OpenAI). Contudo, todas as decisões analíticas, seleção teórica, interpretação dos dados e redação final foram realizadas pela autora, sendo a ferramenta utilizada exclusivamente como suporte técnico e linguístico.

3. Resultados e Discussão

Nesta seção, são apresentados os resultados obtidos a partir da análise do córpus de textos produzidos por mulheres superdotadas, que permitiu a identificação de padrões linguísticos e discursivos. A superdotação, que envolve elevado nível de processamento cognitivo, repertório lexical amplo e capacidade de abstração, pode influenciar as escolhas linguísticas das autoras, tanto na aproximação quanto no afastamento da norma-padrão da língua (Souza et al., 2020).

A análise considerou a norma linguística como aquilo que é recorrente na fala e escrita, passível de alteração conforme o uso (Bueno, 2019). A norma-padrão, por sua vez, foi entendida como um modelo artificial e arbitrário, construído por critérios de bom gosto e vinculada a um determinado contexto social e histórico (Bagno, 2003). O conceito de adequação linguística foi mobilizado como ferramenta interpretativa, dialogando com o recurso do masking, sem ser um diagnóstico psicológico. As categorias linguísticas investigadas incluíram concordância verbal e nominal, regência verbal e nominal, colocação pronominal, escolha lexical, estrutura sintática, uso de conectivos, pontuação, coesão referencial e sequencial, e registro formal. A Tabela 1 detalha essas categorias e seus exemplos.

Tabela 1. Categorias gramaticais analisadas, definições e exemplos

Categoria gramaticalDefiniçãoExemplo extraído dos relatos
Concordância nominalRelação entre substantivo, adjetivo, artigo e pronomes, que devem concordar em gênero e número.“Forte alívio quando eu me afastava do material de estudo.” (Relato 1)
Concordância verbalO verbo deve concordar com o sujeito em número e pessoa.“Os outros adolescentes iam a festas, saíam juntos…” (Relato 2)
Regência nominal e verbalRelação entre nomes ou verbos e seus complementos, podendo exigir preposição específica.“Eu tinha dificuldade em compreender como tudo funcionava.” (Relato 3)
Colocação pronominalPosição do pronome oblíquo em relação ao verbo (próclise, ênclise ou mesóclise).“Fui entregar uma redação e me deparei novamente com o destaque e o bullying.” (Relato 2)
Escolha lexical (formal / informal)Seleção de palavras que evidencia o registro linguístico.“Uau!!! Existe um livro que explica como tudo funciona?” (Relato 3)
Períodos compostosEstruturas com duas ou mais orações.“Eu queria estudar, conhecer mais e mais coisas, mas o mal-estar físico era enorme.” (Relato 1)
Orações subordinadas e conectivosUso de conectores e orações dependentes.“Chorei no consultório porque me sentia impotente diante das desigualdades.” (Relato 4)
Emprego da pontuaçãoOrganização textual por meio de vírgulas, travessões etc.“Eu observava tudo, e, mesmo sem entender nada da vida, distinguia intenções com clareza.” (Relato 5)
Coesão referencialRetomada de elementos por pronomes ou expressões equivalentes.“Os professores elogiavam minha escrita, e eles também incentivavam que eu explicasse aos colegas.” (Relato 6)
Coesão sequencialConectores que indicam continuidade lógica.“Primeiro fui identificada no mestrado; depois, refiz a avaliação com outra profissional.” (Relato 7)
Registro formalEmprego de linguagem padrão, sem marcas de oralidade.“Percebi que precisava organizar meu tempo, meu espaço e minhas atividades para manter o equilíbrio.” (Relato 8)

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Aspectos Linguísticos de Adequação à Norma-Padrão

Os resultados iniciais destacam a recorrência de usos adequados da norma-padrão, evidenciando um domínio consistente da língua portuguesa pelas autoras. Este padrão sugere que mulheres superdotadas mobilizam frequentemente recursos linguísticos associados a um manejo mais consistente da língua. Observou-se o emprego adequado da concordância nominal e verbal, da regência nominal e verbal, e da colocação pronominal, conforme os princípios gramaticais. As estruturas sintáticas, incluindo períodos compostos, orações subordinadas e conectivos, também foram empregadas de forma a conferir clareza e coerência aos textos. Mecanismos de coesão referencial e sequencial contribuíram para a fluidez e organização textual.

Apesar do domínio da norma-padrão, a seleção lexical demonstrou flutuação entre o formal e o informal, com a presença de marcas de oralidade. Essa oscilação, juntamente com o emprego da pontuação, que, embora geralmente adequado, apresentou momentos de maior relaxamento, sugere uma flexibilidade no registro linguístico. A mobilização recorrente de estruturas linguísticas formais e normativamente estáveis pode ser interpretada como uma forma de alinhamento às convenções sociais e acadêmicas, o que reforça a aplicabilidade do conceito de masking como estratégia de camuflagem de anseios e medos de julgamento (Seng, 2019; Cross et al., 2014).

Oralidade, Pontuação e Ritmo Discursivo em Relatos de Mulheres Superdotadas

Nos textos analisados, notou-se um uso reduzido dos sinais de pontuação, especialmente da vírgula, o que limita as pausas e afeta o ritmo da leitura. Essa característica pode ser associada ao pensamento acelerado e à fluidez cognitiva comumente observados em indivíduos superdotados (Souza et al., 2020), refletindo-se na materialização do pensamento escrito e na organização sintática dos textos.

Essa manifestação linguística também pode ser compreendida à luz da sobre-excitabilidade psicomotora, uma característica de pessoas superdotadas que se manifesta como excesso de energia e fala rápida (Ackerman, 2009; Sousa e Fleith, 2024). A transposição dessas características para a escrita pode resultar em menos sinais de pontuação e pausas. Além disso, o gênero textual blog, por ser um ambiente de escrita mais fluida, rápida e informal (Marcuschi, 2010; Angeli, 2012), favorece a incorporação de marcas de oralidade e justifica os desvios de pontuação. Nesse espaço discursivo, onde as autoras se declaram explicitamente superdotadas, a necessidade de masking tende a atenuar-se, permitindo uma escrita mais espontânea e menos monitorada, com flexibilizações normativas.

Identidade, gênero e educação: quando a superdotação se faz presente

As mulheres, historicamente submetidas a maiores expectativas de adequação e perfeição, tendem a adotar uma linguagem mais rebuscada e próxima da norma-padrão para evitar estigmatização em ambientes competitivos (Bueno, 2019; Costa, 2005; Petry e Silva, 2005). Para mulheres superdotadas, essas exigências se intensificam, criando uma “pressão dupla”: a cobrança social direcionada às mulheres e as expectativas de excelência associadas à superdotação. Espera-se que sejam cognitivamente excelentes e socialmente adequadas.

No contexto educacional, a problemática de gênero muitas vezes impede a identificação de meninas superdotadas devido às expectativas de comportamento feminino (Neumann, 2018). Essa tensão entre expectativas externas, autoexigência e estratégias de camuflagem (masking) manifesta-se nos relatos analisados. Embora algumas autoras com superdotação linguística expressem dificuldades em organizar suas ideias por escrito, outras demonstram uma busca por um espaço seguro nos blogs para narrar suas imperfeições e flexibilizar a norma-padrão, distanciando-se da ideia de perfeição que lhes é frequentemente atribuída. Esses enunciados revelam um posicionamento identitário e formas de negociação subjetiva diante da pressão social.

Em síntese, este estudo observou que os textos de mulheres superdotadas em blogs apresentam um manejo consistente da norma-padrão, com uso adequado de estruturas gramaticais e coesão textual. Contudo, essa homogeneidade é permeada por uma tensão linguística, evidenciada pela oscilação entre a formalidade e a presença de desvios, especialmente na pontuação, que podem ser associados ao ritmo acelerado do pensamento e ao gênero textual do blog. Os resultados sugerem que mulheres superdotadas vivenciam uma dupla pressão de excelência cognitiva e adequação social, mas encontram nos blogs um espaço para expressar suas identidades de forma mais autêntica, flexibilizando as normas linguísticas e distanciando-se da busca pela perfeição.

4. Conclusão

O presente estudo objetivou analisar textos produzidos em blogs por mulheres com altas habilidades/superdotação, buscando identificar marcas linguísticas relacionadas ao uso da norma-padrão e compreender como tais escolhas se articulam a normas sociais e a possíveis estratégias de masking. Verificou-se que os textos apresentaram um manejo consistente da norma-padrão, com uso adequado de estruturas gramaticais, organização sintática e mecanismos de coesão textual. Contudo, observou-se uma tensão linguística, evidenciada pela oscilação entre a formalidade e a presença de desvios, especialmente na pontuação, que se associaram ao ritmo acelerado do pensamento e à natureza do gênero textual blog. Os resultados indicaram que mulheres superdotadas vivenciam uma dupla pressão de excelência cognitiva e adequação social, mas encontram nos blogs um espaço para expressar suas identidades de forma mais autêntica, flexibilizando as normas linguísticas e distanciando-se da busca pela perfeição.

A análise da escrita dessas mulheres contribuiu para ampliar a compreensão sobre identidade, gênero e inclusão, ao dar visibilidade às suas vozes e tensionar expectativas historicamente naturalizadas sobre linguagem, gênero e desempenho. Este estudo reforça a necessidade de práticas educacionais mais atentas às singularidades de estudantes com altas habilidades, especialmente meninas, que frequentemente enfrentam expectativas sociais de perfeição e adequação linguística. Nesse horizonte, a escrita é percebida não apenas como um produto, mas como uma expressão de trajetórias, um caminho potente para reconhecer a complexidade, a sensibilidade e a potência dessas experiências desde cedo.

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Neurociência e Aprendizagem na Educação

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15 de setembro de 2026

Neurociência e Formação Docente: um Retrato dos Cursos de Licenciatura no Nordeste Brasileiro Pós Bnc-formação

A compreensão dos processos de aprendizagem, influenciada por fatores biológicos e neurobiológicos, é fundamental para a formação docente. Investigou-se a presença ou ausência de tópicos ligados à Neurociência em cursos de Pedagogia no nordeste brasileiro. A pesquisa, de natureza qualitativa e descritivo-exploratória, foi realizada em 2026, com base em análise documental. Analisaram-se os Projetos Pedagógicos de Curso (PPC), as matrizes curriculares e os ementários de vinte e cinco Instituições de Ensino Superior da região, além da Base Nacional Comum para a Formação Inicial de Professores da Educação Básica (BNC-Formação). Os resultados indicaram uma pouca presença de conteúdos de neurociências na formação inicial docente, mesmo após a promulgação da BNC-Formação em 2019. Observou-se que apenas 36% dos cursos analisados apresentaram conteúdos relacionados à Neurociência em seus PPC, enquanto a maioria não fez menção ao tema. As conclusões apontaram a necessidade imperante de atualização das matrizes curriculares dos cursos de Pedagogia, com a inserção de disciplinas e programas que abordem a neurociência. Isso visa capacitar os futuros professores a compreenderem o funcionamento do cérebro e a aplicarem descobertas científicas em suas práticas pedagógicas, otimizando o processo de ensino-aprendizagem e o desenvolvimento dos estudantes.

Palavras-chave: BNC-Formação; Currículo; Neurociências; Pedagogia.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

15 de setembro de 2026

Inclusão e Acessibilidade para Estudantes Neurodivergentes de uma Faculdade de Medicina do Estado do Rio de Janeiro

A neurodiversidade compreende variações no funcionamento neurológico que impactam aspectos cognitivos, comportamentais e sociais. No contexto da educação médica, caracterizada por alta demanda cognitiva e metodologias ativas, estudantes neurodivergentes frequentemente enfrentam desafios relacionados às funções executivas, interação social e sobrecarga cognitiva, além de suporte institucional limitado. O estudo objetivou analisar os desafios vivenciados por estudantes neurodivergentes em uma faculdade de medicina do estado do Rio de Janeiro, relacionando-os aos fatores associados à inclusão acadêmica. Realizou-se uma pesquisa quali-quantitativa, descritiva, por meio de questionário online semiestruturado. Os dados quantitativos foram analisados descritivamente, e os qualitativos, por análise de conteúdo-temática. Participaram 19 estudantes, com predominância do sexo feminino (68,4%) e do ciclo básico (57,9%). Identificou-se alta prevalência de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (84,2%) e Transtorno do Espectro Autista (31,6%), com 36,8% apresentando múltiplas condições. A maioria (63,2%) recebeu o diagnóstico após o ingresso na graduação, o que gerou alívio e compreensão de suas limitações. Verificou-se que 73,7% dos estudantes comunicaram sua condição à instituição, e 57,9% solicitaram adequações, principalmente tempo adicional em avaliações teóricas, mas 30,8% relataram demandas não atendidas. A dificuldade de adaptação acadêmica foi relatada por 84,2% dos participantes, envolvendo organização do tempo, concentração e avaliações. Concluiu-se que estudantes neurodivergentes enfrentaram dificuldades significativas no ensino médico, evidenciando a necessidade de estratégias institucionais voltadas à inclusão e equidade acadêmica.

Palavras-chave: Adaptação educacional; Desempenho acadêmico; Estudantes de medicina; Neurodiversidade.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

15 de setembro de 2026

Estratégias Pedagógicas para Inclusão de Crianças com Tea: Contribuições do Modelo Denver no Contexto Escolar.

O aumento expressivo no número de crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem desafiado os sistemas educacionais quanto à efetivação da inclusão escolar. Nesse contexto, a intervenção precoce baseada em evidências científicas mostrou-se fundamental para promover o desenvolvimento integral. O estudo analisou as estratégias pedagógicas para inclusão de crianças com TEA, com foco nas contribuições do Modelo Denver de Intervenção Precoce (ESDM) para o desenvolvimento da linguagem, aprendizagem e socialização no ambiente escolar. Realizou-se um estudo de caso múltiplo em três Centros de Educação Infantil Municipais de Penápolis/SP. A pesquisa baseou-se na análise documental de Planos Educacionais Individualizados (PEIs) de três estudantes com TEA e foi complementada por relatos de experiência de uma professora mediadora. Os dados foram analisados por meio da técnica de análise de conteúdo, buscando identificar padrões e relações entre as estratégias de intervenção e os avanços no desenvolvimento infantil. Os resultados evidenciaram que a intervenção precoce, fundamentada em práticas baseadas em evidências e sistematizada pelo PEI, mostrou-se viável e eficaz. Observou-se que a utilização de estratégias naturalistas, lúdicas e mediadas por interações sociais significativas, conforme preconiza o Modelo Denver, favoreceu avanços expressivos nas áreas de comunicação, interação social, cognição, autonomia funcional e comportamento adaptativo das crianças participantes. Concluiu-se que a aplicação do Modelo Denver no ambiente escolar, articulada ao PEI, constituiu uma estratégia promissora para o desenvolvimento integral de crianças com TEA na educação infantil, reafirmando o papel da escola na intervenção precoce e nas práticas inclusivas.

Palavras-chave: Educação infantil; Inclusão escolar; Intervenção precoce; Modelo Denver; Transtorno do Espectro Autista.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

10 de setembro de 2026

A Produção de Memes como Estratégia de Formação Literária e Multiletramentos no Ensino Fundamental Ii

A leitura de obras literárias clássicas apresenta desafios no contexto escolar contemporâneo, devido ao distanciamento entre a linguagem dos textos e o repertório dos estudantes. Investigou-se como a utilização de memes contribuiu para a construção de sentidos na leitura da obra Senhora, de José de Alencar, no Ensino Fundamental II. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, com caráter de pesquisa participante, e foi desenvolvida com duas turmas de 9º ano de uma escola privada em Volta Redonda, Rio de Janeiro. Os dados foram coletados por meio de questionários e das produções dos estudantes, e analisados à luz da análise de conteúdo. Os resultados indicaram que a utilização de memes favoreceu a aproximação dos alunos com o texto literário, reduziu a resistência inicial e ampliou o engajamento com a leitura. Observou-se, também, o avanço progressivo na compreensão da narrativa, evidenciado pela capacidade de interpretar fatos, analisar personagens, identificar relações implícitas e elaborar posicionamentos críticos. As produções revelaram a articulação entre o conteúdo da obra e o repertório sociocultural dos estudantes, indicando a construção de aprendizagens com significado. Concluiu-se que a integração entre literatura e cultura digital potencializou a mediação pedagógica, contribuindo para a formação de leitores mais ativos e interpretativamente autônomos.

Palavras-chave: aprendizagem significativa; cultura digital; leitura literária; multiletramentos; neurociência.

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