30 de setembro de 2026
Na disputa pela atenção: marketing de conteúdo e desempenho orgânico em revista independente no Instagram
Na Disputa Pela Atenção: Marketing de Conteúdo e Desempenho Orgânico em Revista Independente no Instagram
Ana Gleicia da Silva Mello; Marcelo Ramalho
DOI: 10.22167/2675-6528-202602644
Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.
Resumo
Em um cenário de abundância informacional no Instagram, revistas digitais independentes empregaram o marketing de conteúdo para dar visibilidade a narrativas alternativas e vozes minoritárias. O estudo objetivou analisar e comparar o desempenho das métricas de alcance e engajamento orgânico entre categorias editoriais de uma revista independente no Instagram, no período de julho a outubro de 2025. Adotou-se uma abordagem quantitativa descritivo-comparativa, por meio de um estudo de caso instrumental. Analisaram-se 318 postagens extraídas do Instagram Insights, classificadas manualmente em seis categorias temáticas. O tratamento dos dados priorizou a mediana para maior robustez descritiva e redução de distorções. Os resultados indicaram diferenças relevantes entre as categorias, com funções distintas na estratégia editorial, variando em alcance, engajamento e conversão de seguidores. As categorias Política e Entretenimento apresentaram maior capacidade de distribuição, enquanto Vozes Minoritárias demonstrou maior potencial de engajamento em momentos específicos. Identificou-se, também, um conteúdo viral na categoria de Política, no formato Reels, com desempenho significativamente superior. A análise comparativa das categorias temáticas destacou o mapeamento de estratégias editoriais de diferenciação para mídias independentes, evidenciando como a distribuição de conteúdos específicos potencializou o envolvimento da audiência.
Palavras-chave: Economia da Atenção; Engajamento; Instagram; Marketing de Conteúdo.
1. Introdução
O cenário digital é caracterizado por um imenso volume de informação, no qual a atenção dos usuários se tornou um recurso escasso e disputado. De acordo com o “Global Digital Report” (2025), divulgado pela We Are Social e Hootsuite, o número de usuários em redes sociais está projetado para exceder cinco vírgula seis bilhões em 2026. Nesse cenário, o Instagram destaca-se como uma plataforma de grande relevância, registrando cinco vírgula cinquenta e cinco bilhões de visitas mensais e sendo utilizado por cinquenta e cinco vírgula oito por cento dos usuários ativos para se manterem atualizados sobre notícias e eventos.
Diante dessa saturação informacional, a mídia alternativa digital encontra um espaço para disputar a atenção do público e oferecer narrativas que questionam as abordagens dominantes da mídia tradicional (Assis et al., 2017; Lima et al., 2022). Essas publicações, mesmo com recursos limitados, desempenham um papel crucial ao dar visibilidade a vozes minoritárias, incluindo mulheres, povos originários, LGBTQIA+ e movimentos antirracistas (Assis et al., 2017). Algumas dessas revistas digitais são classificadas como “revistas sociais”, pois seus conteúdos são processados por algoritmos que identificam configurações comportamentais e interesses específicos dos usuários (Gonzales e Santos, 2023).
Nesse contexto, a atenção emerge como um elemento central para o funcionamento das plataformas digitais. Tais plataformas empregam diversas estratégias, como notificações e a rolagem infinita, para incentivar a permanência contínua dos usuários. A Economia da Atenção, portanto, é disputada por meio da interação e do uso de métricas sociais, como curtidas, seguidores e compartilhamentos, que permitem mensurar o envolvimento dos usuários e os mantêm conectados às plataformas (Alcantara, 2026). Essa abordagem teórica serve como lente interpretativa para analisar a atuação de mídias digitais independentes no Instagram, compreendendo as métricas da plataforma como indicadores de engajamento e visibilidade em um ambiente mediado por algoritmos.
Para garantir a relevância da marca em meio à “ditadura do algoritmo” (Gonzales e Santos, 2023), o marketing de conteúdo surge como uma estratégia fundamental. Kotler et al. (2017) definem o marketing de conteúdo como uma abordagem focada na criação e no compartilhamento de materiais valiosos e relevantes para um público-alvo, com o propósito de atrair, engajar e fortalecer relacionamentos entre a marca e sua audiência. Adicionalmente, Donner (2025) ressalta que o marketing de conteúdo vai além da mera criação de publicações, exigindo planejamento estratégico, profundo entendimento da persona, consistência ao longo do tempo e a geração de valor real para o público.
O presente estudo concentra-se na etapa de avaliação do marketing de conteúdo, analisando a relação entre as categorias editoriais e as métricas de desempenho orgânico no Instagram. As categorias editoriais representam as diferentes abordagens temáticas adotadas pela revista para ampliar sua visibilidade e circulação na plataforma. As métricas de desempenho, que incluem alcance, curtidas, comentários, compartilhamentos e salvamentos, são entendidas como indicadores empíricos de engajamento e de circulação de conteúdo. Sob a perspectiva da Economia da Atenção, essas métricas podem ser interpretadas como sinais indiretos da capacidade de determinados conteúdos de atrair interesse e estimular a interação dos usuários em um ambiente mediado por algoritmos.
Diante da necessidade de compreender como as estratégias de marketing de conteúdo contribuem para o engajamento e crescimento orgânico de uma revista digital independente no Instagram, este estudo se justifica. A questão norteadora da pesquisa é: Quais são os padrões de engajamento orgânico observados nas diferentes categorias de conteúdo publicadas por uma revista digital independente no Instagram? Dessa forma, o objetivo deste estudo é analisar e comparar o desempenho das métricas de engajamento orgânico entre as categorias editoriais de uma revista digital independente no Instagram, no período de 23 jul. 2025 a 23 out. 2025.
2. Material e Métodos
Para atender ao objetivo proposto, adotou-se uma abordagem metodológica quantitativa de natureza descritivo-comparativa. Este delineamento concentrou-se na observação e análise dos padrões de desempenho orgânico das postagens, sem a intenção de estabelecer relações causais ou realizar inferências estatísticas. A pesquisa foi configurada como um estudo de caso instrumental, conforme a classificação de Gil (2017), cujo interesse principal não se limitou à revista analisada, mas sim ao uso do marketing de conteúdo como ferramenta de diferenciação em redes sociais.
O objeto empírico do estudo foi uma revista digital independente, localizada no Rio de Janeiro, que atua no mercado de mídia independente brasileira. A coleta de dados primários ocorreu diretamente da ferramenta “Instagram Insights” do perfil da revista, no período de 23 de julho de 2025 a 23 de outubro de 2025. O acesso a essas informações foi concedido mediante autorização da equipe responsável pelo perfil, em virtude da atuação da pesquisadora junto à operação de mídia social da organização.
O procedimento metodológico foi estruturado em três etapas principais. Primeiramente, definiu-se o período de análise e realizou-se a análise de conteúdo das postagens. Em segundo lugar, procedeu-se à categorização dos dados. Por fim, a terceira etapa envolveu o processamento e a análise dos dados para a comparação do desempenho das métricas.
Na etapa de coleta, extraíram-se os dados por meio do download da planilha disponibilizada pela plataforma do Instagram. Inicialmente, foram coletadas 374 postagens nos formatos de imagens estáticas e “Reels”. O formato “Stories” foi excluído da análise devido à sua natureza efêmera e à indisponibilidade de acesso às métricas correspondentes.
Adotaram-se critérios de inclusão e exclusão para refinar a amostra. Foram incluídas as postagens publicadas no período delimitado, pertencentes às categorias editoriais predefinidas e com dados completos de todas as métricas de desempenho. Como resultado, 318 postagens se enquadraram nesses critérios.
Os critérios de exclusão desconsideraram postagens de caráter institucional ou promocional, publicações com erros na extração de métricas, conteúdos que não se enquadravam nas categorias editoriais analisadas e postagens realizadas em colaboração com outros perfis. Nesses casos, métricas como alcance e número de seguidores por postagem não estavam disponíveis de forma individualizada. A métrica de visualizações também foi excluída, por corresponder ao número total de exibições, incluindo repetições, o que a tornava inadequada para avaliar o desempenho orgânico.
A classificação das postagens foi realizada a partir de um protocolo hierárquico de codificação. A legenda da postagem foi o critério primário para a classificação dos conteúdos, por ser o elemento que melhor explicava o foco temático. Em situações de múltiplas interpretações ou enquadramento em mais de uma categoria, recorreu-se à análise da imagem associada ao post e, subsequentemente, ao destino de origem do conteúdo no site da revista como critérios de desempate.
As postagens foram agrupadas em seis categorias editoriais. A categoria Política reuniu conteúdos sobre políticas públicas, cidadania, direitos civis e demandas coletivas. Religião e Espiritualidade abrangeu temas de fé e práticas espirituais, incluindo manifestações religiosas marginalizadas. Saúde e Beleza focou em autocuidado, saúde mental e promoção da “beleza real”.
A categoria Esportes abordou a prática esportiva como ferramenta de inclusão social. Entretenimento incluiu cultura pop, cinema, música, artes visuais, tendências digitais e eventos culturais. Por fim, Vozes Minoritárias compreendeu narrativas e debates relacionados ao feminismo, antirracismo, direitos LGBTQIA+, pessoas com deficiência, pessoas atípicas, doenças raras e povos indígenas.
O tratamento dos dados foi realizado em planilhas eletrônicas, utilizando o software Excel. Cada linha da planilha representou uma postagem analisada, e cada coluna correspondeu a uma métrica de desempenho específica, como alcance, curtidas, comentários, compartilhamentos, salvamentos e número de seguidores por postagem.
Para mensurar o desempenho das publicações, calculou-se a taxa de engajamento orgânico, conforme descrito por Samora (2021). Essa métrica relaciona o total de interações geradas (curtidas, comentários, compartilhamentos e salvamentos) ao alcance obtido por cada postagem, sendo considerada mais robusta por ponderar o número de contas únicas que visualizaram o conteúdo, neutralizando distorções algorítmicas.
No processamento dos dados, adotou-se o cálculo da mediana em detrimento da média. Essa escolha metodológica visou conferir maior robustez descritiva e reduzir a influência de valores extremos, como postagens virais (outliers), que poderiam inflar artificialmente os resultados e distorcer a representação do valor central do conjunto de dados em cada categoria.
Reconheceu-se a existência de vieses operacionais inerentes à pesquisa. Para mitigar esses vieses, foram adotados procedimentos específicos, como a realização de análises segmentadas por formato de conteúdo e comparações internas. A natureza não observável dos impulsos algorítmicos foi explicitamente reconhecida, e a delimitação temporal foi justificada e assumida como uma limitação do estudo.
A subjetividade na categorização foi abordada por meio de uma codificação baseada na linha editorial e nas legendas das postagens, com uma etapa de segunda conferência das definições das categorias para verificar a consistência da classificação. Um protocolo foi construído para orientar a utilização dos instrumentos de coleta de dados e sua execução, garantindo a padronização dos procedimentos.
3. Resultados e Discussão
A análise do marketing de conteúdo e do desempenho orgânico da revista digital independente no Instagram revelou padrões complexos de alcance e engajamento, refletindo a dinâmica da Economia da Atenção em plataformas digitais. O estudo focou em uma revista do Rio de Janeiro, fundada em 2023, com uma linha editorial voltada para temas de relevância social, direitos humanos e vozes historicamente silenciadas, como feminismo, antirracismo, direitos LGBTQIA+, pessoas atípicas, doenças raras e povos indígenas. A organização opera de forma independente e descentralizada, com trabalho voluntário e um programa de estágio, mantendo um portal digital atualizado diariamente. Essa estrutura e foco editorial são cruciais para compreender os resultados obtidos na plataforma.
A estratégia de distribuição da revista é multicanal, utilizando seu site oficial, Instagram, TikTok e uma edição digital para atrair leitores e parceiros comerciais. Dados institucionais de agosto de 2026 indicaram uma base de aproximadamente cinquenta mil seguidores no Instagram e dez mil no TikTok, gerando uma média de dez mil e oitocentos cliques mensais de busca orgânica direta no site. Esses números sugerem que os usuários buscam ativamente o veículo, o que, sob a ótica do marketing de conteúdo, demonstra a relevância e o valor percebido do material oferecido (Kotler et al., 2017).
Perfil demográfico dos seguidores
O mapeamento do perfil demográfico dos seguidores é fundamental para a criação de conteúdo relevante e para a comunicação eficaz da marca, conforme destacam Kotler et al. (2017). A revista digital independente possui uma comunidade madura, com aproximadamente setenta por cento do público feminino e sessenta por cento dos seguidores com idade superior a quarenta e cinco anos. Especificamente, na faixa etária de quarenta e cinco a cinquenta e quatro anos, vinte por cento são mulheres e nove por cento são homens. Para o grupo de cinquenta e cinco a sessenta e quatro anos, vinte e dois por cento são mulheres e oito por cento são homens, e acima de sessenta e cinco anos, quinze por cento são mulheres e quatro por cento são homens.
Esses dados demográficos são importantes para interpretar as métricas de alcance e engajamento, pois diferentes perfis de audiência reagem de maneiras distintas aos estímulos de conteúdo. Temas que ressoam com os interesses e a identidade desse público, como questões femininas, direitos sociais e experiências de vida, podem gerar maior engajamento. Embora não seja possível estabelecer uma relação causal direta, essa correlação sugere um alinhamento entre a linha editorial da revista e as características de sua audiência, potencializando a interação e a circulação do conteúdo na plataforma.
Alcance orgânico por categoria editorial
A análise do alcance orgânico por categoria editorial revelou variações significativas ao longo do período de julho a outubro de 2025. As plataformas digitais, como o Instagram, buscam captar a atenção dos usuários e prolongar sua permanência, priorizando conteúdos que geram maior interação (Alcantara, 2026). No intervalo de julho a setembro, todas as categorias apresentaram crescimento no alcance mediano. A categoria Religião e Espiritualidade registrou o aumento mais expressivo, com um crescimento de trezentos e noventa e três vírgula cinco por cento, passando de setenta e sete para trezentos e oitenta contas alcançadas. Em contrapartida, a categoria Política teve o menor crescimento, com variação de nove vírgula oito por cento, subindo de duzentos e vinte e cinco para duzentos e quarenta e sete contas.
Outras categorias também demonstraram crescimento notável nesse período inicial: Saúde e Beleza aumentou cento e vinte e cinco vírgula dois por cento (de cento e quarenta e sete para trezentos e trinta e uma contas), Esportes cresceu cento e trinta e nove vírgula cinco por cento (de cento e quatorze para duzentos e setenta e três contas), Entretenimento expandiu cento e oitenta vírgula um por cento (de duzentos e quarenta e um para quatrocentos e setenta e nove contas), e Vozes Minoritárias teve um aumento de cento e vinte e um vírgula um por cento (de cento e trinta para duzentos e oitenta e oito contas). Esses dados indicam uma fase de expansão geral da visibilidade da revista no Instagram, com diferentes categorias contribuindo para a ampliação do público alcançado.
No entanto, no intervalo subsequente, de agosto a outubro, observou-se um decréscimo no alcance mediano em todas as categorias. A categoria Política apresentou a menor variação negativa, com uma queda de apenas dois por cento, mantendo-se em duzentos e quarenta e dois contas alcançadas. As demais categorias registraram quedas mais acentuadas: Religião e Espiritualidade diminuiu trinta e seis vírgula três por cento (de trezentos e oitenta para duzentos e quarenta e dois), Saúde e Beleza caiu trinta e um vírgula quatro por cento (de trezentos e trinta e um para duzentos e vinte e sete), Esportes reduziu treze vírgula quatro por cento (de duzentos e setenta e três para duzentos e trinta e seis), Entretenimento teve uma retração de quarenta e nove vírgula sete por cento (de quatrocentos e setenta e nove para duzentos e quarenta e um), e Vozes Minoritárias decresceu trinta e sete vírgula seis por cento (de duzentos e oitenta e oito para cento e setenta e um).
Esses resultados sugerem a ausência de um padrão consistente de alcance, o que pode ser atribuído à complexidade dos algoritmos do Instagram, que classificam a relevância dos conteúdos com base em critérios não totalmente transparentes (Santos, 2022). O critério de interesse, por exemplo, faz com que a plataforma priorize conteúdos semelhantes aos já consumidos pelo usuário, o que pode levar à formação de filtros-bolha e reduzir a autonomia do usuário (Freitas et al., 2016). A datificação dos comportamentos alimenta esse sistema, permitindo que o algoritmo identifique e amplifique padrões de interesse que nem sempre são evidentes (Santos, 2022).
O crescimento expressivo de uma categoria em um período não necessariamente indica uma preferência genuína da audiência, mas pode ser influenciado por múltiplas variáveis, como horário de publicação, formato do conteúdo e oscilações do algoritmo. A natureza não observável do algoritmo do Instagram, conforme reconhecido na metodologia, impede o controle total sobre a distribuição do conteúdo. A tendência de redução do alcance no segundo período pode ser explicada pelo aumento do volume de conteúdo na plataforma e pela maior concorrência, resultando em uma proporção menor de seguidores que visualizam cada publicação (Santos, 2022).
O engajamento da revista digital
O engajamento em publicações de mídias sociais reflete as ações ativas e voluntárias dos usuários em resposta ao conteúdo, como curtidas, comentários, compartilhamentos e salvamentos (Santos, 2022). Na Economia da Atenção, onde os usuários são expostos a múltiplos estímulos informacionais, o envolvimento legítimo se manifesta por meio de interações deliberadas. Curtir, comentar, salvar ou compartilhar um post são indicadores mensuráveis desse interesse e do investimento atencional do usuário (Volpato, 2022). A análise desses indicadores permite compreender a capacidade da revista em capturar e reter a atenção de sua audiência.
Taxa de engajamento por categoria editorial
A taxa de engajamento mediano por categoria editorial também apresentou variações ao longo dos três períodos analisados. No intervalo de julho a setembro, houve um decréscimo geral no engajamento mediano em todas as categorias. A categoria Religião e Espiritualidade registrou a maior queda, com uma variação de menos sessenta e seis vírgula oito por cento, passando de onze vírgula oitenta e sete por cento para quatro vírgula oitenta e seis por cento. Em contraste, a categoria Esportes apresentou a menor variação negativa, com um decréscimo de menos dez vírgula um por cento, caindo de nove vírgula quarenta por cento para oito vírgula quarenta e cinco por cento.
As demais categorias também registraram quedas significativas no engajamento mediano nesse período: Política diminuiu vinte e dois vírgula cinquenta e quatro por cento (de oito vírgula noventa e seis por cento para seis vírgula noventa e quatro por cento), Saúde e Beleza caiu vinte e três vírgula oitenta e três por cento (de oito vírgula setenta e sete por cento para seis vírgula sessenta e oito por cento), Entretenimento reduziu trinta e cinco vírgula vinte e sete por cento (de oito vírgula quarenta e dois por cento para cinco vírgula quarenta e cinco por cento), e Vozes Minoritárias decresceu quarenta e cinco vírgula oitenta e dois por cento (de oito vírgula zero sete por cento para sete vírgula dezoito por cento). Essa tendência de queda generalizada no engajamento pode ser influenciada por fatores como o aumento do alcance para públicos menos segmentados, o que dilui a proporção de interações em relação ao total de usuários alcançados.
No intervalo de agosto a outubro, a maioria das categorias continuou a apresentar decréscimo no engajamento. A categoria Política manteve a menor variação negativa, com uma queda de apenas dois vírgula zero dois por cento, permanecendo em seis vírgula oitenta por cento. Religião e Espiritualidade caiu vinte e dois vírgula cinquenta e nove por cento (de quatro vírgula oitenta e seis por cento para três vírgula noventa e três por cento), Saúde e Beleza diminuiu quarenta e um vírgula dezessete por cento (de seis vírgula sessenta e oito por cento para quatro vírgula oitenta e seis por cento), Esportes teve uma retração de cinquenta e sete vírgula um por cento (de oito vírgula quarenta e cinco por cento para três vírgula zero cinco por cento), e Entretenimento decresceu quarenta e nove vírgula setenta e dois por cento (de cinco vírgula quarenta e cinco por cento para três vírgula noventa e quatro por cento).
Em contraste com a tendência geral, a categoria Vozes Minoritárias demonstrou um comportamento distinto no período de agosto a outubro, registrando um crescimento de quarenta e sete vírgula sete por cento no engajamento, mantendo-se em sete vírgula dezoito por cento. Dos trinta e três conteúdos publicados nessa categoria no período, quinze abordaram temáticas relacionadas a mulheres e liderança feminina, representando aproximadamente quarenta e cinco por cento do total. Esse dado sugere um possível alinhamento editorial com o perfil da audiência, majoritariamente feminina e com predominância de usuários acima de quarenta e cinco anos, o que pode fortalecer o engajamento, embora a relação causal não tenha sido testada estatisticamente. Esse padrão indica a consolidação de uma comunidade de nicho altamente engajada, reforçando a ideia de que conteúdos identitários tendem a fortalecer vínculos com audiências pertencentes a grupos historicamente marginalizados (Santos, 2022).
Os resultados também indicam que categorias com maior alcance nem sempre apresentam engajamento proporcional. A categoria Religião e Espiritualidade, por exemplo, teve o maior crescimento de alcance (trezentos e noventa e três vírgula cinco por cento) de julho a setembro, mas registrou a maior variação negativa de engajamento (menos sessenta e seis vírgula oitenta e um por cento) no mesmo período. Isso corrobora a perspectiva de Kotz et al. (2025) de que variáveis como métricas analisadas, formato de postagem e áreas de conhecimento influenciam o engajamento. O algoritmo do Instagram tende a amplificar conteúdos com padrões de engajamento crescente, criando um ciclo de retroalimentação que favorece categorias com bom desempenho histórico (Santos, 2022).
Taxa de engajamento por formato de conteúdo
A análise da taxa de engajamento por formato de conteúdo revelou diferenças significativas. Os carrosséis apresentaram a maior taxa de engajamento mediano, de onze vírgula quarenta e oito por cento, com um alcance mediano de trezentos e vinte e dois contas para trinta e seis posts. As imagens estáticas ficaram em segundo lugar, com sete vírgula zero quatro por cento de engajamento mediano, alcançando cento e oito contas para cento e noventa e seis posts. Os Reels, por sua vez, registraram a menor taxa de engajamento mediano, de cinco vírgula noventa e sete por cento, apesar de terem o maior alcance mediano, de mil cento e cinquenta e nove contas para oitenta e seis posts.
Esse resultado demonstra que um maior alcance não implica, necessariamente, uma maior interação proporcional do público com a publicação. Embora os Reels tenham a capacidade de atingir um número maior de usuários, os carrosséis e imagens parecem gerar um engajamento mais concentrado e efetivo. Essa observação é crucial para o planejamento de marketing de conteúdo, sugerindo que a escolha do formato deve considerar não apenas a visibilidade, mas também a qualidade da interação desejada com a audiência, alinhando-se aos objetivos específicos de cada campanha ou categoria editorial.
Variação do número de seguidores
A análise da variação do número de seguidores por categoria editorial utilizou a soma total de novos seguidores, em vez da mediana, devido à predominância de valores nulos na maioria das postagens. Essa abordagem permitiu identificar as categorias com maior capacidade de conversão de novos seguidores. A categoria Política destacou-se com o maior desempenho, conquistando um total de trezentos e oitenta e oito novos seguidores, o que a posiciona como a principal impulsionadora da expansão da base de público da revista. Esse resultado sublinha a importância estratégica do conteúdo político na atração de novos usuários para o perfil.
A categoria Entretenimento também demonstrou relevância estratégica, acumulando cento e setenta e cinco novos seguidores, indicando seu papel na atração e retenção de audiência. A categoria Religião e Espiritualidade apresentou um desempenho intermediário, convertendo cento e seis seguidores. Por outro lado, as categorias Saúde e Beleza, Vozes Minoritárias e Esportes registraram menor conversão direta de seguidores, com trinta e sete, trinta e cinco e vinte e dois novos seguidores, respectivamente. Esses achados sugerem que nem todas as categorias que geram engajamento necessariamente possuem alta capacidade de conversão em seguidores, indicando que o engajamento pode ter diferentes finalidades e impactos na estratégia geral da revista.
Análise de conteúdo viral na categoria Política
Durante o período analisado, um conteúdo classificado na categoria Política, veiculado no formato de Reels, apresentou um desempenho significativamente superior aos demais, caracterizando-se como um evento viral. Essa publicação alcançou três milhões oitocentos e noventa e duas mil cento e cinquenta e três contas, registrou quinhentos e vinte e oito mil quinhentos e trinta e três curtidas, vinte e sete mil seiscentos e setenta e quatro comentários, nove mil quatrocentos e quarenta e um salvamentos e cento e três mil duzentos e noventa e sete compartilhamentos, além de uma taxa de engajamento de dezessete vírgula dezenove por cento. Devido à sua natureza excepcional, esse post foi excluído das análises estatísticas centrais para evitar distorções, mas sua relevância analítica justifica uma abordagem específica.
Qualitativamente, o desempenho desse conteúdo pode ser atribuído a uma combinação de fatores, como o formato Reels, a temática abordada, o contexto sociopolítico no momento da publicação e o potencial de mobilização emocional e informacional do público. Conteúdos dessa natureza tendem a ser mais compartilhados, ampliando significativamente seu alcance por meio de redes de difusão orgânica. O elevado número de compartilhamentos e comentários indica um comportamento ativo da audiência na circulação e discussão do conteúdo, o que, sob a ótica da Economia da Atenção, pode ser interpretado como um alto investimento atencional. Diferentemente de interações passivas, compartilhar e comentar implicam um maior envolvimento do usuário na disseminação e no debate do conteúdo.
Este caso viral evidencia que, embora as análises baseadas em métricas agregadas sejam fundamentais para compreender padrões gerais, eventos excepcionais podem desempenhar um papel decisivo no crescimento de perfis digitais. A ocorrência de conteúdos virais destaca a importância de considerar não apenas a consistência da estratégia editorial, mas também a capacidade de produzir materiais com potencial de ampla repercussão. Contudo, é fundamental ressaltar que, apesar de sua relevância, não é possível generalizar esse tipo de desempenho para o conjunto das publicações, devendo ser interpretado como um fenômeno pontual, influenciado por múltiplos fatores externos e contextuais.
Detalhamento das limitações observadas na pesquisa
A pesquisa apresenta algumas limitações importantes que devem ser consideradas na interpretação dos resultados. Primeiramente, o recorte temporal de três meses, de vinte e três de julho de 2025 a vinte e três de outubro de 2025, estabelece uma limitação sazonal. Os resultados refletem um período de crescimento exponencial específico que pode ter sido influenciado por tendências momentâneas ou ajustes pontuais no algoritmo do Instagram. Assim, o estudo não é capaz de representar o comportamento da audiência ao longo de um ano completo, o que restringe a generalização temporal dos achados.
Em segundo lugar, por se tratar de um estudo de caso instrumental focado em uma única revista digital independente do Rio de Janeiro, os resultados e padrões de engajamento identificados não permitem generalizações estatísticas para o mercado editorial como um todo. Os achados servem como uma descrição do fenômeno no contexto específico da organização analisada, não sendo aplicáveis a outras mídias independentes sem validação adicional. Essa característica do estudo de caso instrumental, conforme Gil (2017), foca na compreensão aprofundada de um fenômeno em seu contexto particular, sem a pretensão de inferências estatísticas amplas.
Ademais, a pesquisa, de natureza exploratória e descritiva, possui um viés interpretativo no processo de categorização manual das trezentos e setenta e quatro postagens analisadas. Essa etapa, realizada por um único pesquisador com base na análise das legendas, imagens e editorias de origem, envolve uma parcela de subjetividade. Embora um protocolo hierárquico de codificação e uma segunda conferência das definições das categorias tenham sido empregados para minimizar incongruências, a natureza interpretativa da classificação dos temas constitui uma limitação inerente ao processo, que deve ser reconhecida na avaliação dos resultados.
Em síntese, os resultados da pesquisa indicaram que as categorias editoriais da revista digital independente no Instagram desempenham funções distintas na estratégia de marketing de conteúdo, variando em sua capacidade de alcance, engajamento e conversão de seguidores. As categorias Política e Entretenimento demonstraram maior potencial de distribuição, enquanto Vozes Minoritárias, apesar de um alcance menor, revelou um engajamento mais qualificado e crescente em momentos específicos, sugerindo uma comunidade mais fiel. A análise comparativa das categorias temáticas e formatos de conteúdo, como carrosséis e Reels, destacou a importância de mapear estratégias editoriais diferenciadas para mídias independentes, evidenciando como a distribuição de conteúdos específicos pode potencializar o envolvimento da audiência e responder ao objetivo de analisar e comparar o desempenho das métricas de engajamento orgânico.
4. Conclusão
O presente estudo buscou analisar e comparar o desempenho das métricas de alcance e engajamento orgânico entre as categorias editoriais de uma revista digital independente no Instagram, no período de julho a outubro de 2025. Verificou-se que as categorias Política e Entretenimento demonstraram maior capacidade de distribuição e conversão de seguidores, enquanto Vozes Minoritárias, apesar de um alcance mediano inferior, revelou um engajamento mais qualificado e crescente em momentos específicos, sugerindo a consolidação de uma comunidade de nicho fiel. Observou-se que o formato carrossel apresentou a maior taxa de engajamento, enquanto os Reels, embora com maior alcance, registraram menor engajamento proporcional. Adicionalmente, identificou-se um conteúdo viral na categoria Política, no formato Reels, que alcançou milhões de contas e gerou elevado número de interações, evidenciando o potencial de eventos excepcionais no crescimento de perfis digitais. A análise comparativa das categorias temáticas e formatos de conteúdo destacou a importância de mapear estratégias editoriais diferenciadas para mídias independentes, potencializando o envolvimento da audiência e a relevância da marca em um ambiente de Economia da Atenção.
Contudo, a pesquisa apresenta limitações inerentes ao seu desenho. O recorte temporal de três meses impõe uma restrição sazonal, não permitindo generalizações para um ano completo. Por ser um estudo de caso instrumental focado em uma única revista, os resultados não são estatisticamente generalizáveis para o mercado editorial. Além disso, o viés interpretativo na categorização manual das postagens, realizada por um único pesquisador, constitui uma limitação metodológica. Sugere-se que estudos futuros aprofundem a análise, incluindo segmentação por tipo de mídia e comparação com benchmarks de mercado, a fim de ampliar a compreensão das dinâmicas de engajamento em plataformas digitais e aprimorar as diretrizes estratégicas para a gestão de conteúdo.
Referências Bibliográficas
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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Marketing do MBA USP/Esalq
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